sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ordenado Mínimo ou pensamento mínimo?


Anda por aí uma grande agitação nos meios políticos da direita, nas associações de [“grandes”] empresários e entre os pequenos gobelzinhos do comentário político e económico, acerca da possibilidade, defendida à esquerda, de se aumentar o ordenado mínimo em Portugal para os 600 euros.

Fazendo contas, 600 euros de ordenado corresponde a uma “diária” de …30 euros (por 8 horas de trabalho), ou a um valor pouco superior a ….3 euros à hora… (por aqui paga-se entre 5 e 7 euros à hora por tarefas domésticas não qualificadas…).

Tal preocupação revela-se assim um pensamento miserabilista, ainda por cima, vindo de políticos que gozam de benefícios e ajudas de custo escandalosas, muitos deles que entraram numa “jota” e nunca fizeram mais nada na vida, a não ser participar em administrações políticas de empresas públicas ou suspeitas, ganhando por reunião ou assinatura várias vezes o ordenado mínimo que agora abominam…

O mesmo miserabilismo revela a opinião dos líderes ou representantes dos empresários, que, nessas associações patronais, apenas representam os grandes empresários e pouco ou nada fizeram pelos pequenos e médios empresários deste país, e que estão à frente de empresas onde geram lucros que comportam bem salários condignos bem acima daquele ainda hipotética proposta de salário mínimo…uma empresa que não consegue pagar aqueles valores não me parece em condições de empregar alguém e, quanto muito, não tem condições para ir além de uma pequena empresa familiar de vão de escada.

Mas o pior de tudo é o miserabilismo de muitos comentadores políticos e de economia que ganham, para debitar opiniões contra o aumento salarial, várias vezes um ordenado mínimo de 600 euros por…15 a 20 minutos de participação televisiva ou por crónica debitada na imprensa escrita…

Tenham a dignidade de, pelo menos, não falarem nos ordenados dos outros quando vivem acima das possibilidades de vida da maior parte dos portugueses.

Sem comentários: