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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SOMOS (...e estamos) TODOS GREGOS...

…ou como se repete a História da destruição de um país pelos mesmos piratas financeiros de há um século…



A revista francesa bimestral Histoire(s) de la Dernière Guerre, na sua edição de Janeiro/Fevereiro de 2012, conta-nos uma história passada nos anos 30 que revela a forma como a actuação das agências financeira, visando a destruição da economia e da democracia de um país, tem precedentes históricos.

Esse país foi a Grécia e a agência envolvida a “nossa” conhecida Moody’s, uma das célebres agências de pirataria financeira que tanto tem contribuído para a crise financeira actual.

O artigo, da autoria de Xavier Tracol, intitulado “Moody’s et la Grèce [une histoire datant de 1931]” recorda que a actual prática criminosa dessa agência ( e de outras que lhe seguem na peugada), ao baixar o rating da Grécia de A1 para Ca, contribuindo para arruinar a economia e as finanças de um país que, entre 2000 e 2007, era uma das economias mais dinâmicas da zona euro, com um crescimento de 4,2%, teve um precedente nos anos 30, envolvendo a mesma agência e o mesmo país.

A Europa sofria então os efeitos da crise bolsista de 1929. Contudo a Grécia, então uma das raras e das mais dinâmicas economias da Europa, vivendo em Republica e democracia desde 1924, tomou um conjunto de medidas para reformar a economia, reduzindo o peso do Estado e aumentando os investimentos para relançar o consumo.

Para a agência Moody´s, fundada em 1909, esse não era o caminho (tal como hoje, os sectores financeiro de então defendiam uma maior austeridade, a redução dos salários e a redução do consumo…o resultado foi o que se viu…)e assim resolveram descer o rating da Grécia, provocando uma reacção em cadeia nesse país: - as taxas de juro subiram, provocando a fuga de capitais, o dracma desvalorizou-se, subiu o deficit nacional e os bancos estrangeiros (então dominados pela banca italiana) não conseguiram recuperar o seu investimento e , no principio de 1932, o país abriu falência (ou “défaut” como hoje se diz).

Para a população foi o início de uma longa e forte inflação e o governo, presidido pelo herói nacional Elefthérios Venizélos, que tinha conduzido o país a um período de prosperidade democrática, perdeu as eleições de 1932 para os partidos monárquicos e nacionalistas, que restauraram a monarquia em 1935.

Pouco tempo depois, em 1936, o rei entrega o poder a Ioannis Metaxas, que liderava um pequeno movimento neo-fascista, o “Partido da livre opinião”. Este, em 4 de Outubro, decretou o Estado de Sítio e dissolveu o parlamento.

Metaxas instaurou um regime inspirado no fascismo italiano: saudação fascista, instauração de organizações juvenis, à imagem das Juventudes fascistas, fascínio pela antiguidade, censura, proibição da greve e prisão para os opositores políticos (mais de 15 mil foram presos durante os cinco anos em que o regime durou).

Como vimos um dos principais reflexos da crise financeira provocada na Grécia pela atitude da Moody´s, para além de contribuir para acabar com o regime democrático grego, foi colocar em dificuldades o investimento dos bancos estrangeiros, principalmente os italianos. Ora foi exactamente com o pretexto de ser reembolsado pelas somas perdidas pelos seus bancos em 1932 que Mussolini invadiu a Grécia em 1940.

As dificuldades que Mussolini enfrentou para dominar a Grécia obrigaram a uma intervenção militar do seu aliado do eixo, a Alemanha nazi de Hitler, que nesse país cometeu as maiores barbaridades, ainda hoje presentes na memória do povo grego.

A título de curiosidade refira-se que há quem defenda que foi a urgência da intervenção do exército nazi na Grécia, para salvar Mussolini, que evitou a invasão de Portugal pelos alemães, uma medida preventiva que estava programada para acontecer associada à intenção nazi de conquistar Gibraltar.

Recorde-se que a Alemanha ainda tem por pagar à Grécia pesadas indemnizações de Guerra, pagamento que seria adiado até à unificação das duas Alemanhas, divida que tem sido “convenientemente” esquecida, quer pela Alemanha, quer pelos políticos gregos que se têm prestado a assumir o seu papel como capatazes dos interesses alemães…

A relação entre a actuação da Moody’s e a destruição da democracia na Grécia dos anos 30 foi então tão evidente que aquela agência se comprometeu…a não voltar a classificar os países pela sua dívida…também esta decisão voltou a cair no esquecimento... as consequências do regresso a essa política estão à vista de todos.

Hoje a Grécia é governada por um primeiro-ministro não eleito pelo povo (um dos responsáveis pelo descalabro financeiro do país quando ocupou funções em instituições financeiras gregas, ajudando no célebre episódio da aldrabice das contas apresentadas para “enganar” a União Europeia), apoiado por partidos políticos desgastados, que expulsam “democraticamente” os militantes e deputados que se opõem à austeridade, que tem como único programa político mais austeridade em cima da austeridade que se tem acentuado naquele país desde há cinco anos, cumprindo as ordens do eixo Berlim- BCE- FMI, tendo como resultado um milhão de desempregados, um nível incomportável de juros a pagar e 1/3 da população vivendo no limiar da pobreza.

Vergonhosamente, cá por Portugal, que pode ver reflectido o seu futuro no que se está a passar na Grécia, políticos e comentadores, revelando muita ignorância e má-fé, tudo para justificar as políticas de austeridade por cá, procuram culpar os Gregos pela sua situação, criticando qualquer solidariedade devida àquele país e tentando alinhar no discurso moralista dos alemães, que culpam os povos “preguiçosos” dos sul pela sua desgraça.

Mas então vamos a números:

A idade média da reforma, na Grécia (61,9), ao contrário do que se diz, é ligeiramente inferior à da Alemanha (61,8) (apenas entre as mulheres existe alguma diferença favorável à Grécia); o número de feriados na Grécia (6) é cerca de metade dos portugueses (13) e inferior aos da Alemanha (10); os dias de férias nos contractos colectivos na Grécia (23) são inferiores aos da Alemanha (30); o horário médio de trabalho na Grécia (42,2) é superior ao de Portugal (39,1) e ao da Alemanha (35,6);

Apenas no salário mínimo existe uma diferença significativa entre a Grécia (863 euros mês) e Portugal (554), diferença menos evidente quando se fala de salário médio: em Portugal é 16 463 dólares ano, na Grécia 19 514.Na Alemanha, que não tem salário mínimo, o salário médio é de… 27 221 dólares ano.

Alguns destes números, que se baseiam no cruzamento de várias informações publicadas nos últimos meses nas páginas do Público, do Expresso e da Visão, tendo por fonte dados oficiais de várias proveniências, podem estar já dessactualizados, mas, se o estiverem, será para acentuar ainda mais a gravidade e a disparidade de situações registadas.

É ao valor do salário mínimo que muitos dos nossos ignorantes e irresponsáveis comentadores se agarram para aplaudir o novo pacote de austeridade na Grécia, como se o problema fosse o salário dos Gregos e não os salários baixos em Portugal, como se o elemento de comparação não devesse ser a média da União e a evidência das grandes disparidades existentes no seio dos países do euro em termos fiscais, financeiros, salariais, produtivos, sociais e económicos, provocando diferenças e desequilíbrios incompreensíveis, em vez da comparação entre países que ocupam a cauda dos piores indicadores sociais do espaço europeu...

“Nivelar por baixo” parece ser o lema dessa gente (geralmente bem paga para debitar tão brilhantes opiniões…).

Mas há mais nesse discurso ignorante.

Argumentam que a Grécia está a ser penalizada por, “ao contrário de Portugal”, o aluno “bem comportado”, não ter feito o “trabalho de casa”!

Então, mais uma vez, vamos aos números:

A Grécia já tinha reduzido a massa salarial da Função Pública em 15%, estes não recebem subsidio de Natal e Férias desde 2010, o IVA já foi aumentado para 23%, isto para falar apenas nalguns desses “trabalhos de casa” feitos pelos gregos e que reduziram imenso o poder de compra destes, nalguns casos para níveis que roçam a indigência.

Agora, entre as novas medidas propostas, está o despedimento de 150 mil funcionários públicos ( e não 15 mil como por aí se anuncia, pois este número é “apenas” para este ano…), cortes nos subsídios de Natal e Férias no sector privado, 15% de cortes nas já de si degradadas pensões de reformas e um corte no salário mínimo que, sendo superior ao de Portugal, e embora já tenha descido anteriormente de 863 para 751 euros, vai sofrer um novo corte de 22%...claro que há uma medida benéfica…mas apenas para os empresários (obviamente!)… a descida da Taxa Social Única em 2%.

Ainda por cima, o dinheiro assim “poupado” visa apenas pagar os juros agiotas a que os empréstimos gregos estão sujeitos e a salvar… a banca alemã.

É caso para dizer que, nestes dias tristes da Europa… somos todos (trabalhadores, produtores, contribuintes e cidadãos europeus) gregos, até porque vemos, na “tragédia grega”, o nosso futuro.

Por mais “sacrifícios que façamos”, os agiotas dos mercados estão mais insaciáveis do que nunca.

Se não reagirmos, vamos acordar um dia na miséria mais absoluta ou numa nova guerra em solo europeu.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MAIS UM "CROMO": Presidente do Parlamento Europeu diz que o futuro de Portugal é “o declínio” .



As  afirmações do presidente do Parlamento Europeu, o sr. Martin Schultz, estão a fazer furor em Portugal.

Disse o sr Schultz (um nome que, na Alemanha, deve ser tão vulgar com sr.Silva e que me faz recordar nome de soldado nazi alemão nas aventuras do Major Alvega…) que o primeiro ministro português, tendo-se deslocado a Luanda “apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro”. Ora, para o sr Schultz, o desenvolvimento das relações económicas de Portugal com Angola (ou, presumo, com qualquer outro país de expressão portuguesa, fora da União Europeia) anuncia um futuro de “declínio” e é “também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável [????]l, em conjugação com a nossa estabilidade económica [?????] , só teremos hipóteses no quadro da União Europeia”.

Pelo que ouvi há pouco na Antena 1, a intervenção do sr. Schultz foi ainda “alindada” com algumas referências ignorantes e preconceituosas sobre o colonialismo português…

Claro que, noutra conjuntura ou pela boca de outra pessoa, que não fosse um responsável político Alemão, até se podiam compreender as palavras do sr. Schultz e a sua preocupação com o facto de países europeus (como a própria Alemanha, aliás..), porem os interesses económicos e financeiros à frente da defesa dos direitos políticos e socias dos países com quem negoceiam, legitimando assim o dumping social de Estados ditatoriais e/ou corruptos.

O mesmo Schultz, mais á frente na sua intervenção, criticou a crescente aproximação entre a Europa e a China, um país cujo desenvolvimento económico assenta, segundo ele (e aqui estou plenamente de acordo) numa “sociedade esclavagista, sem direitos, numa ditadura que oprime implacavelmente o ser humano”.

O que o sr. Schultz não disse é que actual política de austeridade, imposta pelo poder político, económico e financeiro alemão, aos países da periferia, é responsável pela descrença dos cidadãos destes países na resolução da sua grave e trágica situação no “quadro da União Europeia”, e que países, como Portugal, que tenham alternativas fora deste espaço, só poderão encontrar soluções (para fugir ao circulo vicioso de “mais austeridade, mais desemprego, menos desenvolvimento económico, descida dos ratings, aumento dos juros, aumento do deficit e da dívida, mais auteridade, etc, etc….”) fora da União Europeia.

O que o sr. Schultz se esqueceu de dizer é que é exactamente o abandono da solidariedade devida no seio da União Europeia e as atitudes xenófoba, autoritária e arrogante do poder político e financeiro alemão que estão na origem do crescente descrédito, por parte dos cidadãos europeu, no próprio projecto europeu e que os leva a virarem-se para outros “mundos”, em busca de “salvação”.

Para quem (como eu, até hoje..) alentasse alguma esperança de que a Alemanha, mudando de política, abandonava a sua postura em relação à Europa e aos países periféricos em dificuldades, perdeu de vez todas as ilusões com as palavras do sr. Schultz. É que este senhor é um dos líderes do maior partido político alemão de oposição à srª Merkel, o Partido Social-Democrata.

Fica assim evidente que a postura autoritária, arrogante, preconceituosa, egoísta e insultuosa da sr. Merkel encontra eco na generalidade dos políticos alemães, mesmo naqueles que não fazem parte da sua família política.

Como se comprova, uma Alemanha unificada e forte, em vez de representar uma mais-valia para o desenvolvimento democrático e económico do projecto europeu, está a revelar-se um perigo para a estabilidade e a solidariedade que era necessário para ultrapassar a actual crise.

Pela terceira vez em cem anos, a Alemanha está a conduzir a Europa para o desastre…

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mário Monti e Ferreira Leite: As Graçolas alarves dos "nossos" líderes...

Esta crise económica tem trazido ao de cima o que de piorzinho foi produzido por dezenas de “escolas” de economia e gestão, como se revela pelas ideias que muita gente que vem do meio financeiro e económico, veicula na comunicação social, por essa Europa fora.

Comecemos pelo “gauleiter” Mário Monti, o homem de mão, na Itália, dos interesses do “eixo” Berlim-BCE-Goldman Sach, liderado pelo “reich furher” Merkel.

Exclamou o homem: “Um emprego fixo para toda a vida? Isso já não existe” e, fazendo “graça”, acrescentou: “e [o tal emprego] é monótono”.

De facto, cada vez mais por essa Europa fora, parece que o tal “emprego para toda a vida” só está acessível a esses ridículos políticos que nos governam: do governo para as “fundações”, universidades e grande empresas (de preferência do sector financeiro) públicas e/ou privadas , ou vice-versa.

Por cá também temos muitos desses espécimes. Ainda ontem ouvimos outro disparate desse tipo da boca de (…quem havia de ser!) Manuela Ferreira Leite: “os funcionários públicos são as pessoas com a pouca sorte de trabalhar numa empresa falida”.

Já não há pachorra por tanta falta de respeito pelos cidadãos e pelos seus problemas.

É caso para perguntar que tipo de droga é que as tais universidade de economia e gestão costumam ministrar nas suas aulas para produzir tal tipo gente!!?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Reportagem do Irish Times sobre a crise em Portugal: Youth and poor bear brunt of austerity in Portugal


Pode ler-se na edição on-line de hoje do jornal irlandês The Irish Times uma reportagem, da autoria do jornalista Tom Henningan sobre a crise em Portugal.
Uma visão interessante para ler em baixo:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

União Europeia: do capitalismo inteligente ao capitalismo manhoso

Ainda sou do tempo em que, na União Europeia, existiam capitalistas inteligentes.

Apoiados por políticos ( e políticas )por economistas ( e economias) inteligentes, sabiam que a sua prosperidade assentava na melhoria das condições de trabalho e na valorização do factor trabalho, através de salários e medidas sociais justas.

A harmonia nas empresas era directamente proporcional ao crescimento dos rendimentos e dos lucros, que eram reinvestidos na melhoria das condições de trabalho e produção das empresas e, através de impostos justos, na melhoria das condições socias.

Esses capitalistas inteligentes sabiam que a ganância do lucro imediato era má conselheira e, a prazo, iria prejudicar os seus negócios, pelo aumento da conflitualidade social e pela decadência produtiva que ela provocava.

Sabiam também, esses capitalistas inteligentes, que o direito ao lazer, ao descanso, a certas regalias sociais e a boas condições salariais seriam a garantia da prosperidade futura das suas empresas e dos seus lucros, isto é, da sobrevivência do próprio capitalismo.

Percebe-se agora que alguns desses capitalistas não eram, afinal, tão inteligentes como isso. Se aceitavam melhorar os salários e as condições socias do trabalho, afinal não o faziam por serem inteligentes ou por estarem de boa fé, mas por medo.

Medo que os trabalhadores seguissem e apoiassem o “modelo comunista”. Medo da influência dos sindicatos. Medo que a mobilidade social dos trabalhadores, que aquele modelo europeu permitia, ofuscasse a sua “glória”.

Quando se tornou evidente que esse “perigo” tinha passado, muitos desses capitalistas, ou deixaram cair a sua máscara ou foram cilindrados por uma nova geração de capitalistas.

Estes queriam enriquecer rapidamente e ter acesso ao luxo e á luxuria antes que a juventude se esvaísse.

Muitos destes “novos” capitalistas fizeram-se na especulação financeira, no branqueamento de capitais, na fuga aos impostos, situação que lhes é “moralmente” e “eticamente” aceitável porque se formaram no cinismo de uma desumanização crescente dos valores socias.

Claro que capitalistas deste tipo também existiam nos outros tempos, mas não tinham boa imagem, quer junto dos seus pares, quer junto da opinião pública, quer junto de economistas e políticos.

Mas também isto se alterou. Estes “novos” capitalistas, se são ética, humana e socialmente pouco cultos, sabem lidar, a seu favor, com o poder da comunicação social. Controlando o poder financeiro, passaram a comprar a comunicação social, que foi colocada ao seu serviço, como autêntico aparelho ideológico deste “novo” capitalismo selvagem. Daqui passaram ao controle das Universidade e do que nelas se ensinava, formando economistas que se puseram ao seu serviço para “espalharem a boa nova” desse novo capitalismo, onde o que importa é a quantidade em detrimento da qualidade, o lucro fácil e especulativo, a imposição dos interesse financeiros ao interesse geral das sociedades, defendendo a desvalorização do factor trabalho e lançando a confusão ente “direitos” e “privilégios”.

Só faltava o controlo político. Este foi o mais fácil de atingir. Desde há muito tempo que estavam a acender ao poder político da Europa políticos com cada vez menos convicções, cada vez mais corruptos e ignorantes, que viam na política, não um serviço público e cívico, mas uma forma de se servirem do poder para o seus próprio enriquecimento e o dos que lhe estão próximos. Muitos destes, aliás, só almejam, quando saírem da política, porque a maior parte deles nunca fez nem sabe fazer mais nada, um lugar garantido na administração de uma empresa controlada pelo mesmo poder financeiro que protegem.

Claro que, na sua falta de inteligência, na cegueira provocada pela ganância do lucro especulativo imediato, não percebem que também estão a destruir a base do seu poder e que, a continuarem por esta via, muitos deles, um dia destes, vão acordar sem nada e em pânico, perante uma sociedade que, nada tendo a perder, irá reagir com tanta mais violência quanto mais tempo durar este estado de coisas…nessa altura será tarde de mais, não só para eles,mas também para o sonho da cidadania europeia…

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FILIPE GONZALES : Una respuesta a la crisis

Uma crónica do antigo líder do PSOE, onde analisa as origens da actual crise financeira e aponta sugestões para ultrapassar:

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

OBAMA: Restaurar economia é o «desafio mais urgente»: Discurso do Estado da Nação, um contraponto ao cinzentismo dos líderes europeus



No seu discurso do Estado da Nação o presidente Obama abordou, de modo desassombrado, os temas económicos. Mas, ao contrário dos líderes europeus, apresentou propostas concretas, colocando-se ao lado dos cidadãos contra o sistema financeiro.

«Podemos contentar-nos com um país onde um número cada vez mais pequeno de pessoas é muito bem sucedido, enquanto mais e mais norte-americanos mal conseguem subsistir? Ou podemos restaurar uma economia onde todos têm uma oportunidade, todos fazem a sua parte e as regras são iguais para todos?», interogou-se o presidente, revelando uma sensibilidade e clarividência que tanto anda a faltar deste lado do Atlântico.

Por cá, a imposição de medidas de austeridade para contentar os meios financeiros, não tem em conta qualquer tipo de preocupação para com os cidadãos europeus e a suas cada vez mais dramáticas condições de vida.

Também ao contrário do que muitos por cá defendem, o presidente dos EUA deixou ainda algumas propostas ao Congresso e governos estaduais para estimular o ensino liceal, legalizar imigrantes, estender os benefícios fiscais para trabalhadores e acabar com benefícios fiscais para empresas que enviem postos de trabalho para o estrangeiro.

Aliás, esta última proposta há muito que devia ter sido implementada na Europa. Aquelas empresas europeias que usam a deslocalização e os paraísos fiscais para fugir aos impostos, às suas obrigações sociais ou para se aproveitarem dos salários baixos e das condições degradantes de trabalho existente noutros países, onde não são respeitados os direitos sociais e humanos, deviam ser fortemente penalizadas. Ora, não só não é isso que acontece, como até acabam acarinhadas pelos poderes políticos e pela comunicação social.

Por cá, ainda, se alguém beneficia de vantajosas condições fiscais, não é quem trabalha e produz, mas quem especula, quem dá emprego a ex-políticos reformados, quem tem ligações privilegiadas com o poder político. Falar em benefícios fiscais para quem trabalha, ao mesmo tempo que se propõe retirá-los às empresas que não respeitam os direitos socias, como o fez o presidente Obama, é um tabu, e se fosse proposta por cá logo seria bombardeada e ridicularizada pelos comentadores do costme, sempre prontos a defender os poderosos interesse financeiros e económicos, contra quem trabalha e produz.

Também, ao contrário do que se passa nesta Europa, entregue à voragem de obscuros interesses financeiro (com a excepção da Islândia e dos países nórdico…), o presidente norte-americano anunciou ainda a intenção de reforçar as investigações às práticas financeiras fraudulentas que levaram à crise financeira.

Esse tipo de investigação não interessa aos interesses financeiros e políticos europeus, porque, levada até às suas últimas consequências, levaria muita gente, hoje "importante" na vida política, financeira e económica europeia, para as prisões.

Obama sublinhou também a importância da Educação, do desenvolvimento tecnológico, do emprego qualificado e da segurança energética como condições para o sucesso futuro dos Estados Unidos.

Por cá, continua a apostar-se na mão de obra barata, nos monopólios energéticos, ao mesmo tempo que se desvaloriza o sector educativos.

Obama avisou ainda: «Não, não vamos voltar a uma economia enfraquecida pelo outsourcing, dívida e falsos lucros financeiros”. Dando o exemplo do bilionário Warren Buffet sublinhou a necessidade de acabar com benefícios fiscais para as grandes fortunas.

Também por cá as grandes fortunas continuam imunes à crise e ninguém se atreve a questionar esses privilégios…pudera, por cá ninguém, políticos, economistas e comentadores, se atreve a morder na mão de quem o alimenta…

Mas talvez aquela que tenha sido uma das mais interessantes proposta anunciadas foi o estabelecimento de uma nova unidade para combater as práticas de concorrência desleal no âmbito do comércio internacional.

Obama chegou ao ponto crucial do actual processo de globalização e de mercado livre, que beneficia quem foge aos impostos, quem não respeita os direitos sociais, humanos e políticos dos trabalhadores e dos cidadãos em geral, fomentando o dumping social, a pirataria, e o branqueamento de dinheiro oriundo do crime organizado.

Desde há muito que a Europa devia estar a defender, aprofundar e aperfeiçoar o seu modelo social contra o dumping social à escala global, em vez de, pelo contrário, os seus políticos, economistas e comentadores nos tentarem convencer que é o modelo social que faz parte do problema, desviando-nos assim a atenção do verdadeiro problema, que é a impunidade em que vivem o sistema financeiro e as grandes empresas.

Claro que, do discurso de Obama, o que foi ampliado por cá, nomeadamente na comunicação social que tem poder para influenciar a opinião pública, as televisões,  foi uma parte lateral do discurso do presidente, a questão do Irão.

Neste momento, aos dirigentes europeus, para desviarem a atenção dos seus cidadãos dos verdadeiro problemas da crise financeira e da sua incompetência e corrupção ética , interessa enfatizar o que se passa no Irão, não interessando divulgar o essencial do discurso de Obama.

…uma guerra agora vinha mesmo a jeito para os actuais líderes europeus!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PORCA MISÉRIA: Um acordo tendencioso.



Quanto mais se vai conhecendo o conteúdo do documento assinado em concertação social, mais se revela o descalabro do movimento sindical, dos que assinaram e dos que abandonaram.

Tudo o que se sabe representa um tremendo retrocesso social e um desrespeito por quem trabalha.

Se dúvidas houvesse, aí estão todas as medidas anunciadas que penalizam apenas o factor trabalho, abrindo o caminho a propostas patronais ainda mais descaradas e extremistas. A CIP já ameaçou voltar à carga para recuperar a meia-hora de trabalho forçado, agora pela via parlamentar.

Este documento é, realmente, uma declaração de guerra aos trabalhadores deste país, tanto assim que não se vislumbra nele qualquer contrapartida.

Vem assim ao de cima o preconceito ideológico de uma direita radicalizada, que já não precisa de andar a marchar de camisa preta e de braço erguido para se afirmar contra a esquerda e os trabalhadores, pois sente-se bastante melhor com a sua consciência vestindo fato e gravata, bem falante, com grandes justificações cuidadosamente elaboradas, para combater os que trabalham e produzem.

Quando continuam a sair estudos e reportagens que demonstram que a má gestão, a fuga aos impostos, o recurso aos benefícios dos paraísos fiscais, juntamente com o vergonhoso e cada vez mais descarado tráfico de influências entre o poder político, o poder financeiro e o poder das grandes empresas, estão na base da actual crise em Portugal, os comentadores e os políticos ao serviço de tal estado de coisas continuam a insistir na penalização do factor trabalho, na perseguição social aos mais pobres e na marginalização financeira e legislativa das empresas que produzem de facto alguma riqueza para o país.

Infelizmente o movimento sindical deixou-se ultrapassar pela situação.

Uns, a UGT, assinando um autêntico documento suicida para os trabalhadores, desacreditando-se de vez, com essa atitude, no seio destes.

Num acordo tem de haver contrapartidas para os dois lados que o assinam. Não se vislumbra, neste acordo, uma única frase favorecendo aqueles que esse sindicato tem a obrigação de representar. Perante a atitude dessa central sindical, esta deixa de ter qualquer razão para existir.

Outros, a CGTP, que desta vez até tinha mais que razões para não assinar, veio desacreditar a sua atitude pelo facto de passar para a história como uma central que, de recuo em recuo, sempre se recusou a negociar ou a assinar qualquer documento, partindo logo para qualquer negociação com preconceitos ideológicos muito arreigados. Assim, tendo desta vez razão, perde-a em grande parte pela forma como deixou que se lhe colasse a imagem de intransigência.

Ainda por cima abandona as negociações no princípio do processo, quando devia ficar até ao encerramento das negociações, de onde podia sair com mais força, se o fizesse, para contestar o documento final.

Esperemos que este último conselho de concertação social não velha um dia a ser classificado como o início do fim do movimento sindical em Portugal.

Um movimento sindical enfraquecido dará ajo a outras formas de luta cada vez mais descontroladas e extremistas, e ninguém, mesmos aqueles que clamam agora vitória, sairá incólume de uma radicalização descontrolada do protesto social.

Seria bom que os nossos líderes sindicais e os políticos de esquerda reflectissem sobre esta grande derrota para os seus princípios ideológicos.

Não é o fim, mas pode ser o início do fim, por muitos anos, do sonho de uma sociedade mais justa e solidária e o início do salve-se quem puder nesta cada vez maior afirmação de um capitalismo selvagem e despudorado .

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Piratas das Agências de Rating voltaram a atacar....

Os piratas e agiotas engravatado da Standard & Poor´s, regressaram das suas férias com um novo ataque ao bolso dos europeus, descendo o rating a vários países do Euro.
É muito provável que à custa dessa decisão muitas fortunas especulativas e novos milionários, que gravitam à volta das bolsas, se venham a afirmar ao longo desta semana
Portugal foi mesmo atirado para o lixo. Pergunto-me que credibilidade e seriedade existe numa agência financeira que tem uma classificação humilhante como essa para designar países….
Os patolas da União Europeia, cheios de medo dessa praga, voltaram a manifestar desorientação, alinhando na chantagem desses criminosos, ameaçando os cidadãos europeus com mais austeridade.
A srª Merkel, contentinha com o facto de a Alemanha manter o seu triplo A, acreditando que está incólume às consequências da ganância dessas agências, veio logo tentar a aproveitar-se da situação, ameaçando  a zona euro com a aceleração e endurecimento do “pacto orçamental”…ou seja…vem aí mais austeridade.
Contudo, não deixa de ser curioso que a justificação dada por aquela agência de pirataria financeira para descer o rating a vários países , teve a ver, segundo revelava o Público de ontem, “com o excesso de medidas de austeridade para eliminar os défices em detrimento de políticas de crescimento, de uma forma que, segundo a agência, reduz a procura e, consequentemente, as receitas fiscais, tornando ainda mais difícil reduzir os défices”. Mas não é isso que a esquerda e alguma direita lúcida andam a dizer há tanto tempo?.
Não deixa de ser curioso que os políticos que dominam a zona euro andem a aplicar medida de austeridade atrás de medida de austeridade, penalizando quem trabalha e quem produz, para acalmar essas agências de rating e que estas venham agora dizer que esse não é o caminho…Há aqui alguma coisa que está mal contada….e nós a pagar !

EM DEFESA do Serviço Nacional de Saúde- um documentário de Michael Moore

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Perceber a "Crise": A austeridade e o banqueiro moderno.

 Um artigo certeiro, onde ficamos a saber porque temos de pagar esta crise e em benefício de quem...:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Bélgica, durante os quase dois anos que viveu sem governo, viu a sua economia crescer e tudo funcionou, tão bem ou melhor, como sempre funcionou. Agora que já tem governo, recebeu de presente um ataque especulativo das agências de rating e os seus políticos fazem aquilo que a Alemanha manda: mais austeridade sobre os cidadãos. Estou com alguma curiosidade para ver o resultado dessas medidas na próspera e organizada economia daquele belo país.
A Islândia, que felizmente para ela está fora da União Europeia e do euro, (tal como a Noruega) conseguiu dar a volta por cima, saindo da crise financeira em que caiu por causa da especulação dos bancos.
Os islandeses, mostrando como é que a cidadania está no sangue dos povos nórdicos e é a base da prosperidade desses países, colocaram os políticos e os banqueiros no seu devido lugar, que, em grande parte dos casos, é por detrás das grades, e salvaram o país da bancarrota e do desastre económico e social.
Por estas bandas, pelo contrário, temos políticos que apelam ao empobrecimento dos seus cidadãos, os obrigam a trabalhar mais horas de graça, cortam salários, aumentam impostos, facilitam o desemprego e prometem mais desemprego , convidam os professores e os jovens a emigrarem, tudo em nome da austeridade imposta para salvação do sistema financeiro que nos colocou nesta situação!!!
Esses mesmos políticos, mostrando um total desrespeito pelos seus cidadãos, rompem promessas eleitorais com a maior dos descaramentos, ignoram as leis e a Constituição que os próprios prometeram defender e cumprir, justificando-se, desaforadamente, com um memorando assinado com a troika, que ninguém votou ou escolheu, e rompem com a ideia de um Estado de Palavra, respeitador  dos compromissos assumidos para com os seus cidadão, desaforadamente destruída em nome da necessidade de “acalmar” os mercados.
Talvez seja tempo de aprendermos com os nórdico e, à maneira dos povos do sul, começarmos, num rasgo de cidadania, a colocar os nossos políticos e os responsáveis pelo sistema financeiro na ordem, antes que eles destruam de vez o que resta da cidadania, da democracia e da equidade social.
O tempo do "benefício da dúvida", na Europa e em Portugal, acabou...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Começa Hoje a Convenção de Lisboa "Auditoria Cidadã à Dívida Pública"



Para saberem melhor os objectivos dessa iniciativa, aqui ficam algumas informações, recomendando ainda a consulta ao site da organização (indicado em baixo):
“Na Convenção de Lisboa vamos debater e discutir em profundidade a Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Como se organiza, que âmbito terá, quem a faz. Vamos mandatar a Comissão que a vai fazer e aprovar o seu documento fundador.
“Aproveitamos a presença em Lisboa de diversos economistas portugueses e estrangeiros, muitos dos quais estão ou estiveram envolvidos em processos de auditoria cidadã na Europa e na América do Sul, para explorar o que é a Auditoria, porque lhe chamamos Cidadã, porque deve fazer-se agora. Éric Toussaint, Costas Lapavitsas e Ana Benavente vêm desmistificar todo o discurso, que afinal só é novo na Europa: «é inevitável», «andámos a viver acima das nossas possibilidades», «agora temos que trabalhar a sério», «somos preguiçosos». Todos eles conhecem de cor estas frases mentirosas.
“Venha saber como se dá a volta à «inevitabilidade». Como é que aconteceu no Brasil, na Argentina, como está a acontecer agora na Grécia.
“ Quando somos chamados a pagar, temos direito a saber o quê, a quem, quais as condições, de que nos serviu a nós, população, esse dinheiro — e se não nos serviu, quem se serviu dele e porque estamos nós a pagá-lo? No debate de sexta-feira haver   espaço para as perguntas da plateia, para que todos possam perguntar o que quiserem. Fomos chamados a pagar, venham tirar as vossas dúvidas.
Programa da Convenção que  começa Hoje:
DIA 1 (sexta-feira, 16) – Cinema S. Jorge - Av. da Liberdade, nº 175, Lisboa (estação do metro Avenida)
21h00 – Debate público: “O que é a Auditoria Cidadã à Divida?”.
Convidados: Costas Lapavitsas, Éric Toussain
Moderadora. Ana Benavente
DIA 2 (sábado, 17) – Cinema S. Jorge - Av. da Liberdade, nº 175, Lisboa (estação do metro Avenida)
09h30 – Recepção de inscrições
10h00 – Leitura do regulamento da convenção (métodos de discussão e votação) e do programa.
10h30 – Apresentação da proposta de resolução para uma iniciativa de auditoria cidadã. (Os participantes poderão propor alterações por escrito ao documento até à hora de almoço).
11h00 – Apresentação da proposta de comissão de auditoria pelos membros da IAC.
12h00 – Apresentação dos aspectos gerais da dívida pública portuguesa. (Pelo grupo técnico).
13h00 – Pausa para almoço.
14h30 – Discussão da proposta de resolução e alterações submetidas. (Os participantes terão oportunidade de intervir.) O grupo de redacção apresentará as propostas escritas e indicará quais foram incluídas no documento.Este período contará com intervenções de membros da IAC e dos convidados internacionais.  Votação da proposta e dos membros da comissão.
17h30 – Conversa com a Imprensa
Inscrições:
969457723
(Fernando Queirós)
Inscrições
A inscrição não tem qualquer custo e pode ser feita em
Como contribuir:
Tratando-se de uma iniciativa genuinamente cidadã, a IAC não conta com financiamentos públicos ou empresariais. Esta é a nossa (de todos) garantia de independência e transparência perante os cidadãos. Assim, é com o contributo dos mesmos cidadãos que poderemos financiar os custos inerentes à condução da auditoria.
“Solicitamos a todos os que consideram esta iniciativa imprescindível uma contribuição para a sua viabilização.
NIB: 0035 0416 00002721 130 30
IBAN: PT50 0035 0416 00002721 130 30

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O RESPIGO DA SEMANA : A Honra Perdida de Todos Nós, por José Vítor Malheiros


A HONRA PERDIDA DE TODOS NÓS

Por José Vítor Malheiros

"Enganados. Indignados. Desiludidos. Frustrados. Deprimidos. Impotentes. A proporção dos in­gredientes varia, mas o estado de espírito geral anda por aqui. Sentimo-nos enganados pelas falsas promessas que nos fizeram. Enganados por tudo aquilo que foi secretamente e indevidamente feito em nosso nome e com o nosso dinheiro. Enganados pelos políticos que juraram cumprir com lealdade as fun­ções que lhes foram confiadas mas preferiram servir os seus bolsos, os interesses dos partidos e dos donos dos partidos. Enganados pelas nossas próprias convicções, pelas nossas esperanças, pelas nossas certezas.

"Indignados com a apropriação privada daquilo que deve pertencer a todos, indignados com a desigualdade cres­cente, com a injustiça, com a acumulação de riquezas nas mãos de um grupo reduzido de pessoas que nem sequer contribui para o desenvolvimento e para o bem-estar, in­dignados com o sequestro da sociedade pelo poder finan­ceiro, com a subserviência da política perante o dinheiro, com o estrangulamento da democracia pelos “mercados financeiros”. Indignados com a destruição do Estado, com a demolição dos serviços públicos que o nosso trabalho construiu nas últimas décadas, indignados com o futuro de pobreza, de economia musculada e de democracia di­minuída que espreita os nossos filhos. Indignados também connosco, que parvos que fomos.

"Desiludidos com a democracia que nasceu em Abril e que regámos mal, que desleixámos. Com a Europa que nos parecia o farol da civilização e da cultura, o clube de todas as democracias, e que é afinal um Country Club de castas bem definidas, onde todos são iguais mas uns são mais iguais que outros.

"Desiludidos com uma Europa utópica que se transformou num viveiro de egoísmos, de nacionalismos e xenofobia. Desiludidos connosco. Frustrados por um presente e um futuro sem espaço, sem liberdade, sem criação, sem ideias, sem al­ternativas, sem sonhos, onde tudo está predeterminado, onde os menus onde fazemos as nossas escolhas políticas, económicas, profissionais, de vida, são cada vez mais pequenos, mais pequenininhos (“una piccola vita, una speranza piccola cosi, una liberta piccola cosi”), e que um dia só terão uma única linha para assinarmos de cruz algo que não conseguimos sequer ler.

"Deprimidos por tudo isto, pela tristeza, pela prisão em que esta vida se transformou, por nos dizerem que fomos nós que a construímos, esta prisão, que fomos nós que a escolhemos, que fomos nós que a desenhámos, que fomos nós que escolhemos os carcereiros e que isso foi viver acima das nossas possibilidades. Deprimidos por nos dizerem que as nossas possibilidades estavam por baixo das nossas vidas. Impotentes porque nem sabemos que alternativa queremos, nem onde está, nem quem com­batemos. Impotentes porque o nosso inimigo são coisas sem nome e sem cara e sem morada, que existem não sabemos onde, seres sem desejo mas que nos vencem a cada minuto que passa. Impotentes todos. Há algures um mecanismo que controla tudo mas ninguém sabe onde está e não se pode parar. Não é como um pesadelo. É um pesadelo. A pobreza persegue-nos e ganha terreno e estrangula-nos e nós fugimos mas as nossas pernas ficam presas no lodo, no ar pesado, na escuridão.

"Protestamos, mas depois do protesto tudo fica na mesma. Vamos a manifestações e assinamos petições na internet, mas fica tudo na mesma. Devemos esperar calmamente pelas próximas eleições para tentar mudar alguma coisa? Fazer a revolução? Já ninguém acredita nela. Mentiu-nos tanta vez que deixámos de a ouvir.

"E no entanto não podemos ficar de braços cruzados. O mínimo dos mínimos que devemos fazer é tentar saber o que nos esconderam, o que nos escondem, e discutir o que sabemos. No próximo fim-de-semana tem lugar em Lisboa uma convenção que dará o pontapé de saída para a realiza­ção de uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública, a exemplo do que já foi feito - e está a ser feito - noutros países.

"Não é muito e vem tarde, mas é mais do que temos feito até aqui. Há quem diga que as auditorias devem ser feitas pelas entidades oficiais, pelos organismos de regulação, pelos poderes políticos, mas a verdade é que todos eles nos têm falhado. Talvez tenha chegado o momento de explicar um pouco melhor aquilo que queremos, de defen­der aquilo a que temos direito, de propor algumas opções diferentes. Se temos de sacrificar os nossos primogénitos não teremos o direito de saber a que deus o fazemos?

"A auditoria visa responder a perguntas simples. Quanto é que devemos? Quem é que pediu o dinheiro emprestado? Por que razão se degradaram de tal forma as finanças públi­cas que só pudemos viver com dinheiro emprestado? Que decisões nos levaram a essa situação de fragilidade? Quem negociou os empréstimos? Quando? Em que condições? A quem pedimos? A quem devemos? Quem ganhou com os empréstimos? Que parte da dívida corresponde a capital? Quanto corresponde a juros? Quanto corresponde a comis­sões? Comissões devidas a quem? Porquê? Recebemos todo o dinheiro? O que fizemos com ele? Seguiram-se as regras de prudência, de transparência, de independência exigíveis no manuseamento de dinheiros públicos? A que fiscalizações, auditorias e avaliações foram submetidos estes processos? Quais foram as suas conclusões e recomendações?

"A auditoria cidadã à dívida pública deve ajudar-nos a encontrar respostas para algumas destas perguntas. E a ajuda de todos não é de mais. Não é tudo, mas vamos poder fazer alguma coisa. Talvez possamos recuperar um pouco da nossa honra e olhar os nossos filhos nos olhos quando nos fizerem perguntas daqui a vinte anos. Já não era mau.”

In Público,13 de Dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um Comissário Europeu desafinado...

Todos os comissários europeus são de direita, neo-liberais, estão ao serviço da dupla Merkozy e dos interesses financeiros....TODOS?...Não, existe um que tem uma voz diferente.
Trata-se de hungaro László Andor, o comissário europeu do emprego,assuntos sociais e inclusão, uma voz que merece ser ouvida com atenção, como se pode ler na entrevista que deu ao diário espanhol Público.
Apesar de cada vez mais minoritárias e marginalizadas, a existência de vozes com esta no sei da burocracia europeia ainda nos fazem ter alguma, se bem que ténue, esperança no futuro do projecto europeu:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

...DO CONTRA (ou como dar razão a Sócrates e a Cameron...)

Sempre tive este infeliz defeitos de “ser do contra” e remar contra a maré.
Desculpem, mas não alinho nessa verdadeira caça às bruxas contra Sócrates e Cameron, o primeiro por causa de umas afirmações descontextualizadas ou mal formuladas, e o segundo pelo precedente que abriu ao recusar assinar uma proposta, imposta à União Europeia, pela dupla Merkozy.
Mas vamos por partes.
Poucos como nós, neste blogue, combatemos o descalabro político-económico-social-financeiro representado pelo governo de José Sócrates, mas desta vez o homem tem alguma razão.
Claro que é difícil olhar para o homem sem nos dar um ataque de raiva, cada vez que ele aparece, distraindo-nos do essencial das suas afirmações.
O disparate não está nas afirmações de Sócrates, mas na forma como os incompetentes dirigentes europeus (entre os quais, até há bem pouco tempo, se incluía José Sócrates, sem que se conheça, dessa época, grande oposição ao escabroso modelo financeiro defendido pela dupla Merkozy..), encaram o problema da dívida pública.
De facto, como disse Sócrates, é um imenso disparate querer que um estado pague a sua dívida pública num espaço curto de tempo, com os juros que são impostos, com austeridade em cima da austeridade, e sem desenvolvimento económico.
Historicamente a dívida pública vai-se pagando ao longo do tempo e é ela que mantém a rodar a economia de um país ou de uma região. Ainda recentemente, e mais de um século depois, é que Portugal acabou de pagar uma dívida contraída nos finais do século XIX.
Claro que estamos a falar no sistema capitalista em que vivemos, a não ser que os líderes europeus estejam interessados em apresentar outro modelo (não me parece o caso!).
A dívida pública de um país, não é a mesma coisa que a dívida de uma pessoa ou de uma empresa.
Mas já que os nossos comentadores propagandistas de serviço gostam de fazer comparações estapafúrdias, muitas vezes entre o que não é comparável, também nós vamos recorrer aos mesmo tipo de comparação, para dar razão a José Sócrates:
Suponha o leitor que comprou uma casa e pediu um empréstimo para ser pago ao banco durante trinta anos, com um determinado juro. Irá pagar esse empréstimo e os juros com uma prestação mensal de x.
Suponha agora que, de repente, dá na gana dos bancos (que fazem parte dos tão apregoados mercados), rompendo com todos os compromissos e o normal funcionamento financeiro, obriga-lo, de repente, a pagar o que lhe falta pagar dessa dívida num único ano. É absurda a ideia? Mas foi isso que os chamados mercados fizeram aos Estados, rompendo compromissos.
Se um banco lhe fizesse isso, ficava falido e a sua dívida tornava-se incomportável. Provavelmente iria protestar e o banco então propunha-lhe um outro empréstimo, a juros ainda mais altos, para pagar a sua dívida, caindo no círculo vicioso da dívida. Isto que eu digo é um autêntico disparate? Mas é exactamente isto que se está a passar com as chamadas dívidas soberanas.
E o que fazem os estados da União Europeia? Põem os mercados na ordem? Tomam medidas em conjunto para travar a especulação à volta dos juros altos? Apresentam soluções para colocar a economia a funcionar e reduzir o desemprego? Não, nada disso. Pelo contrário a dupla Merkozy impõe aos restantes “parceiros(!!)” que aceitem as novas condições, recorram aos mercados, a juros incomportáveis, em vez de recorrer ao BCE, a um juro baixo, para travarem o crescimento da chamada “dívida soberana”, que, segundo a “dupla” deve ser paga num curto espaço de tempo. Não há dinheiro para pagar a dívida num tão curto espaço de tempo, nem para pagar a especulação dos juros? Então recorra-se a mais “austeridade”, asfixiando cada vez mais os cidadãos e as empresas. Destrói-se a economia, reduzindo-se o poder financeiro dos estados para pagarem as dívidas, mas “acalma-se” os mercados. Cai-se assim no círculo vicioso de menos economia, mais desemprego, menos recursos financeiros, mais empréstimos e “ajudas”, a juros incomportáveis, e enfraquecimento crescente dos países sujeitos à intervenção das troikas.
Ora, foi para salvaguardar o seu país desta situação que Cameron decidiu, num gesto sem precedentes, recusar assinar o último acordo imposto pela dupla Merkozy, fazendo aquilo que todos os outros estados deviam estar a fazer, que era bater o pé a essa dupla, a única que beneficia, por agora, com a situação.
Há exactamente 70 anos atrás, um único país resistia à Alemanha que, então pela via das armas (hoje é pela via do dinheiro), dominava o continente europeu. Também estão muitos consideravam a resistência britânica como uma “irresponsabilidade”, um suicídio, um acto de “isolamento” face ao continente rendido à “superioridade” alemã, que prometia um radiante império de mil anos para a Europa, sob a orientação da “raça superior” alemã.
Ontem, como hoje, o tempo há-de dar razão a Cameron.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Morte do euro, segundo Paul Krugman

Quando entramos na semana que vai iniciar o caminho para o fim do Euro,  Paul Krugman explica às lideranças europeias porque é que, por esta via, o euro vai acabar…e como é que a crise europeia põe em perigo os Estados Unidos 
Matar al euro · ELPAÍS.com (clicar para ler)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um Manifesto de Apoio à GREVE GERAL, assinado por profissionais das Ciências Sociais:


“EM DEFESA DA DIGNIDADE, DO TRABALHO e DO ESTADO SOCIAL
“O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre num quadro de progressivo desemprego e recessão económica.
“É o caso dos cortes unilaterais nos salários dos trabalhadores do Estado, da apropriação fiscal de grande parte do subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas, do corte dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas que, tal como o aumento do horário laboral no sector privado, estão previstos para o próximo ano, da substancial diminuição do financiamento ao Serviço Nacional de Saúde e à educação pública, ou da restrição do acesso ao subsídio de desemprego e a outras prestações sociais.
“No entanto, estas opções políticas não se limitam a agravar as condições de vida dos trabalhadores, pensionistas e suas famílias, fazendo até perigar a própria subsistência de muitos deles em condições minimamente dignas.
“Essas decisões são tomadas em nome do reequilíbrio das contas públicas e da necessidade de servir a dívida. No entanto, devido à recessão que já provocam e irão aprofundar, não permitirão sequer atingir esses objectivos. Dessa forma, ao sofrimento imposto a milhões de pessoas e à injustiça na repartição dos custos, vem somar-se a consciência da inutilidade de tais sacrifícios.
“Mais ainda, as medidas tomadas no âmbito das políticas de “ajustamento” constituem uma brutal subversão do contrato social que permitiu à Europa libertar-se, após a II Guerra Mundial, da endémica incerteza e insegurança de vida dos seus cidadãos e, com base nisso, assegurar vivências mais dignas, uma maior equidade e níveis de paz social e segurança colectiva sem paralelo na sua história.
"Ao subverterem a credibilidade e a segurança jurídica da contratação laboral e sua negociação, ao esvaziarem e restringirem os elementos de Estado Social implementados no país (pondo com isso em causa o acesso dos cidadãos à saúde, à educação e a um grau razoável e expectável de segurança no emprego, na doença, no desemprego e na velhice), essas opções políticas, apresentadas como se de inevitabilidades se tratasse, reforçam as desigualdades e injustiças sociais, abandonam os cidadãos mais directamente atingidos pela crise, e criam as condições para que a dignidade humana, os direitos de cidadania e a segurança colectiva sejam ameaçados pela generalização da incerteza, do desespero e da ausência de alternativas.
“Por essas razões, os cientistas sociais signatários reafirmam que os princípios e garantias do Estado Social e da negociação consequente dos termos de trabalho não são luxos apenas viáveis em conjunturas de crescimento económico, mas sim condições básicas da dignidade e da existência colectiva, que se torna ainda mais imprescindível salvaguardar em tempos de crise. São, para além disso, elementos essenciais de qualquer estratégia credível para ultrapassar a crise e relançar o crescimento económico.
“Num quadro de fortes limitações orçamentais, esse imperativo societal requer a reversão das crescentes assimetrias na distribuição de riqueza entre capital e trabalho, designadamente através da utilização de uma substancial e mais equitativa tributação dos lucros e mais-valias como fonte do reforço de financiamento dos serviços e prestações sociais.
“Sendo as opções governativas em curso (e em particular a proposta de OGE 2012) contrárias a estas necessidades e atentatórias da dignidade humana e da segurança colectiva, os cientistas sociais signatários apoiam a Greve Geral convocada pela CGTP-IN e a UGT para o próximo dia 24 de Novembro, apelando aos seus concidadãos para que a ela adiram.
“Tratando-se embora de uma acção a nível nacional, os signatários saúdam também esta Greve Geral como um momento do combate europeu contra as políticas de austeridade e de regressão social, a favor de mudanças na política europeia que coloquem no centro os cidadãos, o crescimento económico, o desenvolvimento e a defesa da Europa Social e da democracia.
“Os cientistas sociais:
“Alan Stoleroff (ISCTE-IUL), Alexandre Abreu (CEG-UL), Amanda Guapo (IELT-UNL), Ambra Formenti (ICS-UL), Ana Benard da Costa (ISCTE-IUL), Ana Benavente (ULHT), Ana Cordeiro Santos (CES-UC), Ana Costa (ISCTE-IUL), Ana Cristina Ferreira (ISCTE-IUL), Ana Cristina Santos (CES-UC), Ana Delicado (ICS-UL), Ana Horta (ICS-UL), Ana Margarida Esteves (Tulane Un.), Ana Paula Guimarães (FCSH-UNL), André Gago (IELT-UNL), Anne Cova (ICS-UL), António Brandão Moniz (FCT-UNL), António Carlos Santos (UAL), António Galamba (antr.), António Monteiro Cardoso (CEHCP-IUL), António Teodoro (ULHT), Brian O’Neil (ISCTE-IUL), Britta Baumgarten (CIES-IUL), Carlos Augusto Ribeiro (FCSH-UNL), Carlos Pedro (antr.), Carlos Rodrigues (UA), Catarina Casanova (ISCSP-UTL), Cícero Pereira (ICS-UL), Clara Saraiva (FCSH-UNL), Cristina Santinho (CRIA), Domingos Morais (IELT-UNL), Dulce Simões (INET-UNL), Elisabete Figueiredo (UA), Elísio Estanque (CES-UC), Elsa Peralta (ICS-UL), Emília Margarida Marques (CRIA), Fátima Sá M. Ferreira (ISCTE-IUL), Francisca Alves-Cardoso (FCSH-UNL), Frédéric Vidal (CRIA), Giovanni Alves (CES-UC), Gonçalo Santinha (UA), Graça Videira Lopes (FCSH-UNL), Guilherme Fonseca-Statter (CEA-IUL), Guya Accornero (CIES-IUL), Helena Lopes (ISCTE-IUL), Henrique Sousa (FCSH-UNL), Hermes Costa (CES-UC), Hugo Dias (CES-UC), Inês Godinho (antr.), Inês Sachetti (UCLA), Irene Flunser Pimentel (hist.), Isabel Cardigos (FCSH-UA), João Areosa (soc.), João Edral (IELT-UNL), João Estevão (ISEG-UTL), João Ferrão (ICS-UL), João Leal (FCSH-UNL), João Luís Lisboa (FCSH-UNL), João Paulo Dias (CES-UC), João Pedroso (FE-UC), João Pina Cabral (ICS-UL), João Rodrigues (CES-UC), João Seixas (ICS-UL), João Teixeira Lopes (FL-UP), João Vasconcelos (ICS-UL), Jorge Bateira, Jorge Carvalho (UA), Jorge Malheiros (IGOT-UL), José António Fernandes Dias (FBA - UL), José Carlos Mota (UA), José Castro Caldas (CES-UC), José Gabriel Pereira Bastos (CRIA), José Manuel Cordeiro (ICS-UM), José Manuel Pureza (CES-UC), José Manuel Rolo (ICS-UL), José Manuel Sobral (ICS-UL), José Mapril (CRIA), José M. Leal da Silva (IELT-UNL), José Neves (FCSH-UNL), Lourenzo Bordonaro (CRIA), Luís Silva (CRIA), Luís de Sousa (ICS-UL), Luís Souta (ESSE-IPS), Luísa Lima (ISCTE-IUL), Luísa Oliveira (ISCTE-IUL), Luísa Schmidt (ICS-UL), Luísa Tiago de Oliveira (ISCTE-IUL), Manuel Carlos Silva (ICS-UM), Manuel Couret Branco (UE), Manuel Loff (UP), Manuela Ivone Cunha (UM), Margarida Paredes (CRIA), Margarida Pereira (FCSH-UNL), Margarida Perestrelo (ISCTE-IUL), Maria Cardeira da Silva (FCSH-UNL), Maria Clara Murteira (FE-UC), Maria Eduarda Gonçalves (ISCTE-IUL), Maria Fátima Ferreiro (ISCTE-IUL), Maria Inácia Rezola (IHC-UNL), Maria Inês Amaro (FCH-UCP), Maria João Freitas (LNEC), Maria José Casa-Nova (UM), Maria Luís Pinto (UA), Maria da Paz Campos Lima (ISCTE-IUL), Mário Vale (IGOT-UL), Marlene Rodrigues (CPES-ULHT), Marta Prista (FCSH-UNL), Marzia Grassi (ICS-UL), Mauro Serapioni (CES-UC), Michel Binet (CL-UNL), Micol Brazzabeni (CRIA), Miguel Cardina (CES-UC), Miguel Vale de Almeida (ISCTE-IUL), Mónica Truningen (ICS-UL), Nuno Domingos (ICS-UL), Nuno Martins (UCP), Oriana Alves (IELT-UNL), Patrícia Alves Matos (CRIA), Paulo Castro (ISCTE-IUL), Paula Godinho (FCSH-UNL), Paulo Alves (ISCTE-IUL), Paulo Castro Seixas (ISCSP-UTL), Paulo Granjo (ICS-UL), Paulo Mendes (UTAD), Paulo Peixoto (FE-UC), Paulo Raposo (ISCTE-IUL), Pedro Aires Oliveira (FCSH-UNL), Pedro Hespanha (CES-UC), Raquel Rego (ISEG-UTL), Raúl Lopes (ISCTE-IUL), Renato Carmo (ISCTE-IUL), Ricardo Sequeiros Coelho (CES-UC), Ricardo Paes Mamede, Rita Poloni (ICS-UL), Rosa Maria Perez (ISCTE-IUL), Rui Bebiano (CES-UC), Rui Tavares (hist.), Ruy Blanes (ICS-UL), Sanda Samitca (ICS-UL), Sara Falcão Casaca (ISEG-UTL), Sílvia Portugal (CES-UC), Sofia Aboim (ICS-UL), Sofia Sampaio (CRIA), Sónia Bernardes (ISCTE-IUL), Sónia Ferreira (FCSH-UNL), Sónia Vespeira Almeida (CRIA), Susana Boletas (ICS-UL), Susana Durão (ICS-UL), Teresa Albino (IICT), Teresa Carvalho (UA), Teresa Santos (ICS-UL), Tiago Correia (CIES-IUL), Tiago Saraiva (ICS-UL), Vera Borges (ICS-UL), Virgílio Amaral (CES-UC), Vitor Ferreira (ICS-UL), Vitor Neves (FE-UC)”
(texto editado no Público de 22 de Novembro de 2012)