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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A “Guerra” Ensino Público/Ensino Privado…ou…vamos privatizar o que é… privado!!???


Toda esta polémica sobre os subsídios estatais a algumas escolas privadas já começa a “cheirar mal”.

A forma irresponsável e oportunista como o tema tem sido abordado por alguns políticos, comentadores e por parte da comunicação social, tem sido muito pouco esclarecedora e limita-se a lançar “areia para os olhos” dos incautos e ignorantes.

Claro que a forma como o Ministério da Educação geriu o tema também se revelou desastrada, pondo-se a jeito para os disparates que tivemos de ouvir de Passos Coelho e outros fiéis.

Em primeiro lugar o tema relaciona-se com a situação de menos de 80 escolas privadas, num universo de quase…três mil!!!!.

E em relação àquelas 80, só pouco mais de trinta é que serão afectadas pelas medidas que o Ministério actual pretende tomar, corrigindo os abusos cometido no governo anterior com o aval do ministro Nuno Crato.

Não deixa de ser curioso que aqueles que passam a vida com a boca cheia das palavras “privatização” e “privado” e a falar contra o “Estado” venham agora pedir que o Estado financie actividades privadas.

Se Passos Coelho encontrou no tema a sua boia de salvação e a prova de vida de que precisa para sobreviver ao descalabro da sua governação e da sua falta de ideias para o país, já se percebe menos a atitude da Igreja.

É que o que está em causa não é o financiamento das escolas privadas que prestam um serviço público de qualidade, mas de escolas que concorrem directamente com escolas públicas, financiadas por fundos …públicos!!!

É caso para se dizer que é tempo de “privatizar”, de uma vez , por todas, o que é “privado”, ou não estão de acordo comigo, ó pessoal da “direita radical neoliberal”?

Quanto à atitude da Igreja, só se percebe face à sua recente desorientação “ideológica” pernte os desafios que o actul Papa Francisco tem vindo a colocar aos status quo dessa mesma Igreja.

Antes de Francisco, a Igreja portuguesa até gozava de uma imagem de liberal e “progressista”. A partir de Francisco parece ter sido ultrapassada pela “esquerda” pelo próprio Papa. Mas isto é outra história, que, contudo, pode explicar o envolvimento das mais altas figuras da Igreja portuguesa nesta polémica.

Por último, uma palavra  de solidariedade para como Mário Nogueira e para os sindicatos dos professores, (mesmo discordando de alguma retórica e de algumas das suas actuações), face à forma descabelada como têm sofrido os mais ignóbeis ataques públicos , a pretexto do debate entre escola pública e privada.
É caso para perguntar: a quem interessa fazer desta questão uma guerra entre ensino público e ensino privado?

Aconselhamos, a todos  que se queiram informar melhor sobre o tema, a leitura dos seguintes textos:



- “Dinheiros públicos, vícios privados”, por Manuel Loff, in Público de 14 de Maio de 2016;


Ainda do lado daqueles que defendem  escola pública, não podemos deixar de referir a opinião da antiga Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Podemos não ter concordado com a sua actuação enquanto Ministra da Educação, e discordámos veementemente na altura, mas não há qualquer dúvida que ela conhece profundamente o sector e tinha um projecto coerente para a educação, mesmo que se discorde dele, no todo ou em parte.

Por isso a sua opinião é fundamental para perceber o que está em causa:


Num perspectiva diferente, mas inteligente ( o que tem sido raro entre os que contestam o Ministro da Educação), aconselhamos a leitura do seguinte texto:

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A JUSTIÇA AFINAL FUNCIONA : Contratar irmão de Paulo Pedroso custou a Lurdes Rodrigues 30 mil euros e pena suspensa

Alguns casos recentes, como a condenação dos arguidos do processo “Face Oculta” ou, agora, a condenação da antiga ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, por violar, enquanto exerceu o cargo , os “princípios da livre concorrência, legalidade, transparência e boa gestão dos dinheiros públicos” no caso do contrato de João Pedroso para elaborar um trabalho, que podia ser executado por qualquer funcionário do ministério, mas pago a peso de ouro, apesar de nunca ter sido concluído, dão-nos alguma esperança em relação ao funcionamento da justiça em Portugal.

A reacção da antiga ministra à pena suspensa que lhe foi aplicada revela todo o desespero da arguida e a sua falta de postura de Estado, talvez porque estivesse habituada a uma postura arrogante e prepotente que assumiu enquanto ministra da educação.

Assim como outros diabolizam o tribunal Constitucional por incompetências próprias, a antiga ministra lança graves acusações ao funcionamento da justiça, esquecendo-se que tudo aquilo por que foi acusada se provou em tribunal.


Apenas um senão: não deixa de ser curioso que, quando o PS está no poder a justiça leva a condenação os crimes que envolvem gente do PSD (BPN, Isaltino Morais…) e quando é o PSD a estar no poder vemos condenados agentes políticos do PS….

Contratar irmão de Paulo Pedroso custou a Lurdes Rodrigues 30 mil euros e pena suspensa - PÚBLICO(clicar para ler artigo)

terça-feira, 22 de julho de 2014

O DIA DE HUMILHAR PROFESSORES...


A história repete-se, a primeira vez com tragédia, a segunda como comédia.

O ataque aos professores e à sua dignidade começou com Maria de Lurdes Rodrigues e foi...uma tragédia.

Agora repetiu-se, mas sob a forma de comédia, com o inenarrável Nuno Crato, rei do cinismo nacional e descarado ministro da educação (???) e ciência (???).

Ao menos Maria de Lurdes tinha um projecto, gostasse-se ou não dele, e tinha conhecimentos sobre o assunto,mesmo que fizesse destes, quanto a nós, um uso incorrecto e tendencioso.

Nuno Crato é a suprema ignorância, um mero executor das políticas de austeridade aplicadas à educação, competente em ver-nos a todos como simples números embrulhados em cálculos matemáticos.

A cereja em cima do bolo da sua inqualificável "política educativa" está no modo com convocou os professores mais novos para o exame deste dia, um exame também ele inqualificável e que tem como único objectivo humilhar os professores.

Em homenagem aos meus jovens ex-colegas, aqui deixo a última crónica de Pacheco Pereira sobre o tema, que arruma o tema (e Nuno Crato) com a mestria de um pensador atento e informado:

"Voltamos à moralidade ou à falta dela

por JOSÉ PACHECO PEREIRA in Público de 19/07/2014 

"Voltar a falar de moralidade é algo que só faço com imensa relutância. A palavra e a coisa são tão ambíguas e prestam-se a tantas manipulações, que a probabilidade de sair asneira ao usá-la é grande. Por regra, entre o moralismo hipócrita, tão comum no mundo católico apostólico romano, e o cinismo, eu acho que o cinismo faz menos estragos em democracia.

"O ponto de vista realista, ou, se se quiser, cínico, pode ser pedagógico em política, quando esta está cheia de falsos moralismos, densa de presunção moral. Já houve alturas em que foi assim e ocasionalmente, nalguns momentos e eventos, é assim. Nessas alturas faz bem lembrar que a natureza humana é como é, e pode-se ser um carácter duvidoso a título pessoal e ser-se um bom político, que sirva a comunidade e o bem comum. Churchill serve de exemplo, ou Lincoln. Parece chocante, mas a moralidade pessoal é um terreno pantanoso em que é mais fácil entrar do que sair e o julgamento da moralidade alheia, quase sempre hipócrita, tem a notável tendência de funcionar como boomerang. É por isso que só com pinças.

"Mas no tempo em que vivemos não é o moralismo o risco, dada a natureza dos nossos governantes que cresceram numa cultura amoral e de “eficácia”. Por isso é preciso o contrário, chamar a moralidade para a praça pública, porque há coisas que são inaceitáveis numa democracia que desejamos minimamente decente. Já não digo sequer decente, mas minimamente decente. E têm a ver com a moral porque atingem a verdade, a recta intenção, o objectivo do bem comum, o respeito pela dignidade das pessoas e são actos de maldade, de mau carácter, muitas vezes disfarçados de espertezas e habilidades.

"O exercício desta imoralidade activa na governação impregna toda a vida pública de maus exemplos, de salve-se quem puder, de apatia ou revolta, de depressão ou violência. Torna Portugal um país doente e um país pior, promove os habilidosos sem escrúpulos e afronta os homens comuns, insisto, minimamente decentes, que não querem o mal para ninguém, desde que os deixem sossegados e sem afronta. É isso que provoca a institucionalização do dolo, do engano, a construção de políticas destinadas a tramar portugueses, umas vezes muitos e outras vezes poucos, sem qualquer vergonha por parte dos seus executantes. E aí eu nasço redivivo como um moralista agressivo, e falo cem vezes do mesmo, sem descanso. Não gosto, mas falo.

"A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

"Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei – ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito.

"Pode-se ter o ponto de vista que se quiser sobre os exames exigidos a professores que já tinham as qualificações necessárias para ensinar e, nalguns casos, já ensinavam há vários anos. Esta é outra questão e sobre ela não me pronuncio. O Governo pode até ter razão em querer os exames e os professores não ter ao recusá-los. Aqui posso ser agnóstico sobre essa matéria. Não é sobre isto que escrevo, mas sobre o pequeno truque, habilidade, esperteza e os seus efeitos de dissolução social como norma de governação.


"Vai haver quem encolha os ombros e ache muito bem que se pregue uma partida a Mário Nogueira e aos seus sindicalistas da Fenprof. (No entanto, todos os sindicato, mesmo os da UGT, dirigidos por membros e simpatizantes do PSD, estão de acordo em recusar o truque do Governo.) Mas, como a sociedade portuguesa está em modo de “luta de classes”, há aí muita gente agressiva a querer vingança no tempo útil que sobra até o Governo cair. A mó já é a mó de baixo e daí muita raiva pouco contida, que serve de base à indecência".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

OH NÃO! ...ELA VOLTOU!!!!

....Vejam só quem está de Volta e ameaça voltar à vida política!!! (Antero, volta a desenterrar os teus cartoons...)
Ex-ministra diz que Governo deve ir até ao fim da legislatura - Portugal - DN (clicar).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

QUEM LIQUIDOU A ESCOLA PÚBLICA?


Marcelo R de Sousa diz preto no branco! Vale a pena ouvir.
Eu fui um dos que "se foi embora", com 37 anos de experiência e quando tinha vontade de ainda continuar por mais uns anitos. Como eu, muitas centenas que decidiram bater com a porta.

Os anos lectivos de 2007/08 e 2008/09 foram calamitosos. O resultado está à vista...

domingo, 27 de junho de 2010

O Lado Negro do Poder

Ninguém é Santo, nem a nossa vida é a preto e branco, todos temos um lado negro e um lado bom e é muitas vezes do equilíbrio desses dois lados que se constrói uma personalidade (com muitas outras coisas exteriores que nos influenciam.).

Mas, ao longo das nossas vidas, encontramos pessoas e cruzamo-nos com circunstâncias que no podem despertar o lado negro ou o lado bom.

Também a História, a Política e a Sociedade estão cheias de gente, maior ou menor, que, ora puxa pelo lado mais negro dos povos e das sociedades (um Hitler, um Estaline, um Salazar…) ou, pelo contrário, despertam o melhor que há no homem (um Mandela, um Gandhi, um Luther King… curiosamente, no mundo da política, não me lembro de um único europeu…).

Em Portugal temos tido, nos últimos tempos, muita gente a puxar pelo nosso lado negro, nos mais variados sectores e actividades, mas em especial no mundo da política e da economia.

Uma dessas pequenas figuras foi a antiga ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que libertou o lado mais negro das relações educativas, ao desumanizar o acto educativo, em nome das estatísticas e transformando as escolas em meras empresas, armazéns para reter crianças e Jovens enquanto os pais trabalham cada vez mais e em piores condições sociais e económicas.

Felizmente a dita senhora já passou à história.

Contudo parece que só a própria ainda não o percebeu, e, não contente com todo o mal que fez, continua igual a si própria, arrogante, desumana, convencida, e insuportável,  numa entrevista que o Expresso lhe concedeu neste fim-de-semana, a propósito do lançamento de um livro da sua autoria no qual pretende defender a sua política educativa.

Os estragos que provocou vão pairar durante muitos anos e, pelo menos, vão ter custos para uma geração inteira de estudantes.

Maria de Lurdes Rodrigues é um dos tais casos daquelas personalidades, felizmente pequenina e localizada no espaço e no tempo, que despertam o lado negro do poder, espalhando o caos e o desânimo à sua volta.

Pela minha parte, não conto ocupar espaço ou tempo à leitura de tal obra.

Não deixo, contudo, de estranhar o espaço que os nossos jornais ainda concedem à dita senhora ou a gente da sua laia…