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terça-feira, 2 de abril de 2013

As 4 "Amêndoas" da Páscoa...



Ausente deste espaço voluntariamente durante a última semana, não deixei de acompanhar a importância de acontecimentos que marcaram a semana. Destaco, por cá o regresso de Sócrates e a chantagem do governo sobre o tribunal constitucional, lá por fora a situação em Chipre e a bazófia do ditador da Coreia do Norte.

Sócrates, o ressuscitado

Muito se falou e comentou por cá sobre o regresso de José Sócrates.
Para mim, o seu regresso serviu para nos confrontar com o deserto de ideias e projectos que marcaram estes dois últimos anos de governo e oposição.
Ouvir um homem com convicções, com coragem e capaz de agitar a mediocridade dominante, mesmo que se tenha discordado da sua actuação governativa, como foi o nosso caso, não deixa de ser uma lufada de ar fresco, mesmo que os argumentos sejam os de sempre, os da vitimização e da autojustificação.
Sócrates fez o papel do puto reguila que aponta a nudez do “reino”: um governo de ignorantes e de irresponsáveis, antipatriótico, como o de Coelho, que apenas visa a destruição do país, em nome de uma ideologia neoliberal, desenvolvendo uma política de terra queimada, sem oferecer nada em troca, a não ser o desemprego, a miséria e o empobrecimento; um Presidente da  República cobarde, incapaz de reagir e conivente com o actual estado de coisas; uma comunicação social, nomeadamente  pela forma como valoriza a presença de comentadores do regime, que se comporta, na maior parte dos casos, como mero ministério da propaganda deste governo e da troika, vendendo até á exaustão o discurso do caminho único e da defesa da austeridade como modelo de gestão política e económica.
Claro que Sócrates também tem culpas no cartório, mas perante a incompetência e ignorância reinante, até nós, que aqui sempre criticámos a sua política, ficámos rendidos aos seus “encantos”. 

A Chantagem…

Entretanto, o governo foi-se entretendo, quer directamente, quer pela voz dos “seus” comentadores, a chantagear o Tribunal Constitucional, tentando responsabilizá-lo pelo “caos” em que a sua decisão pode lançar o governo e o país, caso reprove algumas das normas do Orçamento de Estado, por serem anticonstitucionais.
Ora, antes de mais, o responsável principal pela situação é o próprio governo, que tem governado desrespeitando a  seu belo prazer a Constituição que jurou cumprir. E aqui, mais uma vez, outro dos grandes responsáveis pelas ilegalidades cometidas por este governo, é o Presidente da República, que vai assinando por baixo tudo o que emana das “brilhantes” cabeças governativas.
Ao ameaçar com a inexistência de um plano alternativo, o governo só revela o baixo nível da sua liderança e a mentira em que assenta a sua governação, que nem as promessas eleitorais ou o próprio programa do partido que o sustenta consegue respeitar.
O Tribunal Constitucional, se funcionar de forma independente, só pode reprovar várias das normas deste orçamento.

EURO, O Início do Fim…

A situação em Chipre representa o início do fim da credibilidade financeira do euro e da zona Euro.
Aqueles que agora descobriram o paraíso fiscal cipriota, fecharam os olhos a essa situação quando isso lhes interessou e esquecem a existência de outros paraísos  no seio da própria zona euro, com a Holanda ou o Luxemburgo, entre outros.
No fundo, o actual líder do eurogrupo, onde aquele modelo de resgate foi cozinhado, é holandês e talvez se esteja a limitar a defender o seu país da concorrência cipriota. Convém aqui recordar que foi para a Holanda que “fugiram” as principais empresas portuguesas e onde podem estar parte dos 74 mil milhões de euros que saíram do país só entre 2010 e 2011…
Quanto à “sujidade” do dinheiro cipriota,  acusando os oligarcas russos de depositarem o seu dinheiro nesse país fiscal, é mais uma falácia para justificar o injustificável. Em primeiro lugar, nem todos os russos com dinheiro são corruptos e, se compararmos com a Europa “civilizada”, a situação não será muito diferente. Em segundo lugar, o dinheiro russo depositado em Chipre será uma ínfima parte daquele que está depositado noutros paraísos fiscais europeus, ou na banca alemã…
A situação em Chipre só contribuiu para lançar o descrédito total sobre o euro e a zona Euro. Qualquer pessoa que tenha dinheiro depositado num banco da zona euro vai, com certeza, e podendo fazê-lo, retirá-lo para outros sítios. Quem não o puder fazer, vai pensar duas vezes se justifica qualquer tipo de poupança.
Pela minha parte, por cada 100 euros que eu vier a retirar das minhas poupanças para gastar, vão ser, no futuro menos vinte cinco ou cinquenta euros que virão a ser cobrados para salvar a banca e ajudar aos bolsos da srª Merkel, quando as mesmas medidas tomadas em Chipre se aplicarem no resto da zona euro…

Um louco no poder…

A Coreia do Norte é um caso paradigmático de loucura colectiva, uma espécie de mini laboratório para estudar regimes totalitários.
Penso que a actual agressividade do seu líder não passa de basófila para uso interno, mas claro que, em qualquer momento, a coisa se pode descontrolar. Não nos podemos esquecer que aquela ditadura tem armas atómicas em quantidades desconhecidas.
Não me admirava muito que, dado o isolamento em que o regime vive e o facto de não entrar qualquer informação sobre o que se passa no exterior, um dia deste o “grande líder” venha a anunciar uma vitória militar sobre os “imperialistas”, com um desfile da “vitória” à maneira…sem dispara um tiro fora da sua fronteira…

…Enfim, bem vindos à realidade….

segunda-feira, 18 de março de 2013

"Eurogrupo assalta cidadãos cipriotas" - ...ESTA "EUROPA É UM NOJO" :



O que se passou este fim de semana na reunião dos ministros das finanças do Eurogrupo é inqualificável.

Livres da liderança sensata de um Claude Juncker, o bando de assaltantes em que se tornaram os ministros das finanças da União Europeia decidiram fazer aquilo a que ninguém se tinha atrevido fazer desde os anos 30 num país democrático e civilizado, o de ir às pequenas  poupanças dos seus cidadãos para pagar o resgate dos bancos.

Foi essa a decisão tomada em relação a Chipre, decisão tomada cobardemente a coberto da madrugada de Sábado, quando toda a gente dormia e os bancos estavam fechados.

Decidiu essa quadrilha de assaltantes do Eurogrupo que taxar directamente os depósitos dos cidadãos cipriotas, fosse qual fosse o montante depositado, ou seja, depósitos inferiores a 100 mil euros serão imediatamente saqueado em quase 7% do valor que lá tiver,  assalto que sobe para os 10% para valores acima dessa quantia.

Como afirma hoje Rui Tavares na sua crónica do Público, essa decisão profana “o território sagrado de garantias bancárias para os pequenos aforradores, que desde Roosevelt têm servido para impedir corridas aos bancos”.

Já este fim-de-semana  Sharon  Bowles, presidente da comissão dos assuntos económicos e monetários do Parlamento Europeu, manifestou-se “horrorizado” com esta “retirada do dinheiro dos depositantes” cipriotas, por roubar aos “pequenos investidores” a “protecção que lhes foi prometida”, acrescentando que “se fosse um banco “ a fazer isto, estaria “ em tribunal por venda enganosa”.

Está provado que, com esta gentalha que temos a dirigir os destinos Europeu nada está garantido, os compromisso assumidos com os cidadãos nada valem e tudo passa a ser possível.

Também se escrevia ontem nas páginas do Público que aquela irresponsável decisão, além “de ter rebentado com a protecção dos depósitos até 100 mil euros”, uma garantia que estava assegurada desde longa data, “quebra outra regra sagrada: até ontem os membros garantiram firmemente que a participação dos privados no programa de ajuda à Grécia – através de perdas impostas aos detentores privados da dívida – constituía um caso único e irrepetível nos outros países sob programa de ajuda”.

A quebra continuada da palavra e dos compromisso por parte desses bandidos  também não  pode descansar os cidadãos de países da Europa, como Portugal, quando agora ouvem da boca dessa gente sem palavra e sem vergonha que “medidas semelhantes” às tomadas em Chipre “não estão a ser equacionadas para outros países”!!!.

Que aquela ideia tivesse surgido na cabeça de um dos muitos loucos e irresponsáveis que lideram países da União Europeia, ainda se podia perceber. Que em defesa dessa medida logo tivessem aparecido a srª Lagarde, a srº Merkel, o idiota Rampuy e o tenebroso Ollie Rhen, é a prova acabada que esta não foi apenas uma decisão desastroso ou tomada de forma apressada e leviana, mas foi sim uma decisão pensada e “responsável” por parte dessa gente e que, se resultar em Chipre, que pode funcionar como cobaia, será aplicada em países como Portugal.

A partir de agora, quem puder, deve rapidamente deixar de investir nos países da zona euro, trocar a moeda em euros por outra moeda que lhe dê mais garantias e não se deve preocupar em poupar seja o que for, muito menos em euros, porque, mais tarde ou mais cedo, sabendo-se que o fracasso das medidas de austeridade vai obrigar a novos resgates, esta medida tomada em Chipre vai servir de modelo e é uma  forma “fácil” de sacar o dinheiro aos cidadãos. Essa gente que está á frente dos destinos da Europa não hesitará em estender aquela medida a outros países europeus.

Está lançada a desconfiança sobre o Euro, marcando-se assim, desta forma criminosa e irresponsável, a irreversibilidade da decadência dessa moeda.

É tempo dos cidadãos europeus, em especial os dos países do Sul se unirem e procurem, não só alternativas a este descalabro económico-social como à aplicação daquela medida para outros países, como defende o interessante artigo que transcrevemos em baixo:


Dominio público » El ‘experimento Chipre’: depósitos acorralados por rescates bancarios