Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Crise Financeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crise Financeira. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Banqueiros de Portugal, uni-vos (que o povo paga)!


A Banca preparar-se para mais um assalto aos cidadãos.

Depois do desvario dos últimos anos, em que todos tivemos (e continuamos) a pagar os desmandos da banca portuguesa e europeia, ei-los de volta com nova sugestão de “assalto” aos cidadãos.

Para já estão apenas a apalpar o terreno, mas a ideia é cobrar pelo uso do multibanco, como se já não pagássemos pela posse do cartão.

O problema é que ninguém, a não ser os criminosos e os corruptos, pode ter o dinheiro fora dos bancos.

Todas as pensões e ordenados estão domiciliados obrigatoriamente numa conta bancária e, sendo assim, todos somos obrigados a usar os cartões multibanco.

Recorde-se que, se a maior parte da banca voltar a estar em dificuldades, o deve à sua própria conduta, oferecendo condições de crédito que quase obrigam o incauto cidadãos a fazer compras acima das suas possibilidades.

Ainda recentemente um banco público “oferecia” empréstimos para compar Mercedes topo de gama a “preços e juros convidativos”.

Sem esquecer que a maior parte dos bancos que recorreram aos apoios do Estado (leia-se, dos contribuintes) continuam a pagar ordenados escandalosos aos administradores que destruíram o sistema financeiro, a pagar pensões de luxo e a oferecer lucros fabulosos aos seus accionistas, ao mesmo tempo que andam a perdoar os grandes devedores em milhões de euros!

Claro que a única forma de cobrirem os seus desmandos é propôs o assalto aos cidadãos que estão praticamente obrigados a usarem o cartão multibanco para quase tudo.

Com o apoio dos políticos e "comentadeiros" que estão ao seu serviço, talvez consigam o seu objectivo, mas para já é apenas atirar "barro à parede" a ver se "pega".

Já não há pachorra!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

As “previsões” do Banco de Portugal…e outras!



O mundo económico e financeiro vive hoje de previsões.

Ditas “científicas”, é com base nessas previsões que se tomam decisões de gestão e programação.

Até qui, nada a reparar, a não ser que, verdade de La Palice, previsões são previsões e um bom gestor ou um bom economista, servindo-se delas, não as encara como uma verdade absoluta e tem em consideração a sua própria experiência e uma dose de perspicácia e bom senso.

O problema é quando essas “previsões” servem de desculpa para tomada de decisões politicas de efeito estrutural ou como arma de arremesso de propaganda politica e ideológica, que é o que se vê, cada vez mais, por essa Europa fora, com os resultados conhecidos.

E aqui entram os “comentadeiros” do costume, sempre cheios de certezas, ainda maiores se servidas por bem elaborados gráficos estatísticos com base nas ditas “previsões” de instituições “credíveis”.

Sempre ouvi dizer que uma estatística “bem torturada” dá sempre o resultado que pretendemos.

Não deixa de ser curioso que a maior parte de tão “credíveis” instituições não conseguiram prever a crise financeira de 2008 nem, por cá, a situação da banca portuguesa que levou à falência fraudulenta de alguns desses bancos e à intervenção “salvadora” nos que sobreviveram, à`custa do bem estra de todos os cidadãos.

E, porque uma previsão é…uma previsão, ainda menos se entende o desvarios dos “comentadeiros” quando o Banco de Portugal faz uma previsão diferente da do governo em….2 décimas!!!!

Uma previsão, porque é uma previsão, tem sempre uma margem de erro.

Uma coisa é falarmos numa diferença de um ou dois dígitos…outra é falar em diferença de décimos ou milésimos.

E outra coisa é falarmos em “previsões”, outra de dados reais e definitivos.

É como aqueles  “comentadeiros” em noite eleitoral que, principalmente quando isso lhes convém ideológica e politicamente, passam a noite a comentar sondagens à boca das urnas, mesmo quando já se começam a conhecer resultados reais e  definitivos, que muitas vezes desmentem ou se afastam significativamente do resultado de tais sondagens…

Penso que, assim como se paga, e bem, a instituições para fazer previsões financeiras e económicas, se devia penalizar fortemente essas instituições pelos erros de previsão, pelo menos quando esses erros justificam medidas politico/ideológicas que têm repercussão negativa na vida das pessoas.

Também devia existir uma entidade independente que comparasse as previsões feitas por essas instituições com os resultados reais, classificando-as de acordo com a sua credibilidade.

Talvez, assim, as “previsões” deixassem de ser arma de arremesso ideológico ou politico e fossem, na sua maioria, encaradas como a quilo que muitas vezes são, simples actos de …bruxaria!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A euforia dos banqueiros pelos preços “internacionais” e...os nossos salários “nacionais”




Há dias o Governador do Banco de Portugal alertou para o clima de “euforia” no mercado imobiliário, com os preços sempre a subir, mas os banqueiros,reunidos numa conferência organizada pelo “jornal de Negócios”, acham que estátudo normal.

Pudera. Se alguma coisa correr mal cá estão os portugueses para pagar com subida de impostos, cortes nos salários e nas pensões, precariedade e desemprego, e corte nos direitos sociais… (Passos Coelho só está aí à espera de uma oportunidade para os voltar a servir!).

Como todos sabemos, por experiência recente, os banqueiros pouco sofrem com a crise, podendo continuar a auferir dos seus chorudos rendimentos…cá estaremos para pagar!

A desfaçatez de um desses banqueiros chegou ao ponto de justificar e legitimar as subidas de preços em Lisboa e nas grandes cidades do país com a “internacionalização” irreversível do sector.

Para ele os preços altos das rendas e vendas de casa no Porto e Lisboa devem-se ao facto de estas cidades já não dependerem dos “mercados” nacionais mas, de forma irreversível dos “mercados internacionais”.

É pena que os salários e as pensões dos portugueses também não se “internacionalizem”.

Falem a esses senhores da subida do salário mínimo e logo os ouvirão referir os “riscos” financeiros de subir um salário miserabilíssimo de 600 euros para um miserável de 650 euros…

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Para acabar de vez com a "telenovela" da Caixa Geral de Depósitos


A polémica à volta da situação dos novos administradores da Caixa Geral de Depósitos já se arrasta há demasiado tempo e está a tornar-se num grande pedregulho no “sapato” do actual governo.

O processo foi conduzido mal desde o princípio, com reuniões secretas e promessas de regalias que escandalizam um país ainda a sair de um duro e injusto resgate.

Se o salário dos gestores já era um tema escaldante,  depois de anos de ataque aos salários e às pensões dos funcionários públicos e ainda por cima num sector, como o círculo restrito dos banqueiros, de onde emanam as opiniões diárias sobre os salários dos portugueses “acima das possibilidades” e o receios pelo “aumento do salário mínimo”, a reacção dos gestores nomeados para a CGD à obrigação legal de apresentarem ao Tribunal Constitucional as respectivas declarações de rendimento deixou de ser um caso de legalidade, passou a ser uma questão de ética e credibilidade.

Não concordo com a devassa pública sobre os rendimentos desses gestores, mas não é essa a questão. O tribunal Constitucional , de acordo com a lei, deve ter conhecimento desses dados e avalizar da sua legalidade, sem os poder divulgar publicamente. E, havendo alguma ilegalidade, deve encaminhar a informação para os tribunais, chumbando para o cargo quem estiver nessa situação. Tão simples como isso.

Ora o que acontece é que a recusa daqueles administradores em presentarem essa informação, à qual estão legalmente obrigados, e, mais grave ainda, sabendo-se que alguma da informação que já prestaram está incorrecta ou incompleta, minaram qualquer credibilidade que deve ter um gestor público que lida com o dinheiro dos cidadãos.

Costuma-se dizer que quem não deve não teme e queles gestores, mesmo que não tenham nada a esconder, têm-se comportado como se andassem a esconder alguma coisa do Tribunal Constitucional.

Por isso, daqui para frente, não têm qualquer credibilidade para o exercício do cargo e devem-se demitir (ou ser demitidos) o mais rapidamente possível para não causarem mais danos a um banco como a CGD, danos que se vão reflectir, mais tarde ou mais cedo, nas finanças do país e no bolso dos contribuintes.
 
A actual situação só interessa aos que pretendem a privatização da CGD...não será essa a intenção dos que a descredibilizam!!!???

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Para se salvar a banca, as Pensões Públicas espanholas estão em risco(onde é que já vimos este filme?)

Vicenç Navarro é catedrático de economia na Universidade de Barcelona, professor de Politicas Públicas numa Universidade de Baltimore (USA) e dirige o Observatório Social de Espanha.

É um dos investigadores espanhóis mais citados em publicações cientificas e é autor de uma coluna nas páginas do jornal espanhol on-line "Publico", intitulada "Pensamento Crítico".

Na sua crónica de hoje denuncia a forma como a banca espanhola está a usar e a abusar da sua influência para se financiar à custa dos Fundos Sociais espanhóis.

Mas muito daquilo que ele denuncia nessa crónica, mudando alguns factos e alguns nomes, podia ser escrito sobre Portugal:

"A banca privada está sobredimensionada em Espanha" ( e não podíamos dizer o mesmo sobre Portugal?), situação que ele considera como muito negativa para a economia daquele país porque "ocupa um espaço demasiado grande dentro dela" (e, será, que não podíamos afirmar o mesmo em relação a Portugal?).

Escreve aquele economista que, uma "das causas" desse "sobredimensionamento da banca privada é a sua enorme influência ( que alcança, nalgumas ocasiões, a categoria de controle) sobre as instituições políticas e mediáticas deste país" (também não podíamos dizer a mesma coisa sobre Portugal?).

Esse articulista analisa nesse artigo (que pode ser lido integralmente AQUI ) o " silencio dos media sobre o assalto ao Fundo de Reserva de Pensões da Segurança Social por parte do governo Rajoy e dos seus amigos da banca", explicando o modo como as políticas anti-sociais de Rajoy ( e iniciadas por Zapatero, o Sócrates lá do sítio), como a redução dos salários, a reforma laboral e o aumento do desemprego, contribuíram para reduzir as cotizações sociais, provocando "um problema devastador para as pensões públicas".

Se essa situação é preocupante para o futuro das pensões é, pelo contrário "causa de alegria para a banca que está a tentar convencer a população que as pensões públicas não são sustentáveis ( o que quer dizer que o Estado não as poderá pagar) a fim de que se vá correr ao banco mais próximo para se fazer um plano privado de pensões".

Denuncia aquilo que os "meios de informação e persuasão não dizem sobre os Fundos de Pensão Pública", ou seja, o modo como a banca, com a conveniência dos políticos espanhóis e o silêncio cúmplice da comunicação social, cativaram aquele fundo, passando a explicar a causa de tudo:

Quando o a especulação financeira começou a derrapar e rebentou a "borbulha imobiliária", a banca privada ficou "à beira do colapso. Mas, devido à enorme influência da banca, o Estado resgatou-a", com dinheiros públicos e à custa dos cidadãos.

"Como o Estado não dispunha desse dinheiro, teve de o pedir emprestado", levando a que a "dívida pública disparasse", usando como "penhora" o dinheiro do "Fundo Público para as Pensões".

Foi essa situação que colocou em risco "as pensões públicas, pois o valor da dívida publica varia enormemente, já que está sujeito ao vaivém especulativo do mercados financeiro".

Referindo-se a Espanha (mas não podia estar a referir-se a Portugal??)  aquele economista conclui que "os maiores meios de informação e persuasão passam vinte e quatro horas por dia trabalhando para assegurar que você, senhor leitor, continue sem conhecer o que se está a passar. Se as pessoas soubessem, e soubessem também que há alternativa a tanto escândalo, havia uma revolta geral. Daí que o silêncio ensurdecedor continue. E o que é pior é que os partidos políticos mais próximos da banca é provável que ganhem as eleições legislativas [em Espanha] de 20 de Dezembro (...). E a isto (...) lhe chamam Democracia" (onde é que já vimos este filme?).

Lá como cá, a diferença reside apenas nos nomes das instituições alvo de cobiça  (ADSE, CGA, Segurança Social....)...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A Birra de Pasos Coelho, um alucinado extremista e vingador neoliberal..




A mensagem que o primeiro-ministro de Portugal dirigiu ontem ao país, foi um dos momentos mais lamentáveis da história política recente do país.


Com a arrogância do costume, Coelho revelou todo o fanatismo do seu projecto ideológico e o desrespeito pelas normas constitucionais que regem a democracia portuguesa.


Ao assacar ao Tribunal Constitucional as culpas pela situação desastroso e dramática a que o seu governo está a conduzir o país, revelou toda a sua falta de cultura democrática.


Esquece-se que foi ele o único primeiro-ministro que, em democracia, apresentou dois orçamentos sucessivos  eivados de inconstitucionalidades, e, por isso, é ele o primeiro responsável pelas consequências da situação.


As Constituições em democracia existem para evitar abusos por parte do poder contra os cidadãos, mesmo, e principalmente, em situações de excepção. 


Recorde-se que a actual  “situação de excepção” foi igualmente criada por este governo quando resolveu, por um lado ir “além da Troika” e, por outro, comportar-se como simples executante da liquidação económico-social de país imposta pelos burocratas da União Europeia, do FMI ou da Banca alemã, assacando tudo o que lhe mandam fazer, mesmo quando os resultados são desastrosos para o país.


O buraco em que nos encontramos não foi criado pelo Tribunal Constitucional. O aumento de desemprego, a quebra do PIB, a falência de empresas, o brutal aumento do custo de vida dos cidadãos, os cortes salariais, a recessão histórica e o empobrecimento generalizado são da única e exclusiva responsabilidade deste governo e das suas medidas de austeridade.


Em tom, algo entre o vingativo, e o puto "birrento",  Passos Coelho procura agora justificar o seu projecto de destruição do Estado Social, um Estado Social que, é já de si, um caricatura do verdadeiro Estado Social que existe na Europa civilizada, com a necessidade de responder à decisão do Tribunal Constitucional.


Aquilo que Passos Coelho apresenta como “consequência” dessa decisão já estava nos projectos do governo e serve apenas de pretexto para calar sectores do seu partido ou do partido da coligação que são menos radicais e extremistas que o primeiro-ministro e que sabem que o pretenso peso do sector público em Portugal é uma das mais descaradas mentiras deste governo.


Mas o mais dramático de tudo isto é que, antes da sua lamentável intervenção, tenha  recebido o aval do Presidente da República, que se torna cúmplice, a partir de agora, da destruição da sociedade portuguesa, ele que, enquanto primeiro-ministro, já tinha sido cúmplice da destruição da economia portuguesa iniciada em finais da década de 80.


José Sócrates tinha razão ontem, ao alertar para a situação de que, a partir de agora, o governo,  está a funcionar como um verdadeiro governo de iniciativa presidencial.


Ontem, Passos Coelho deixou cair a sua máscara de um fanático, alucinado e extremista neoliberal..

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O MEU PRIMEIRO DIA SEM SUBSIDIO: AGRADECENDO AOS NOSSOS ILUSTRES DIRIGENTES POR ME PROPORCIONAREM ESTA NOVA EXPERIÊNCIA REGENERADORA DE VIVER SEM SUBSÍDIO DE FÉRIAS:


Quero agradecer diligentemente à srº Lagarde,  à srª Merkel, ao sr.Draghi (e ao seu empregado Constâncio), ao sr. Barroso, ao sr. Gaspar e ao sr. Coelho por me proporcionarem esta nova experiência de vida, ao fim de mais de trinta anos de trabalho, que é a de viver sem subsidio de férias, experiência que se repetirá no Natal e nos próximos anos. Levam assim à prática a máxima hitleriana, segunda a qual “o trabalho liberta” e, como acto libertador, deve ser tendencialmente gratuito.

Claro que “já não custa tanto” porque, graças à mente iluminada desses grandes dirigentes e  dos seus antecessores,  ando a “estagiar”,  desde há uns dois anos a esta parte , para este grande desígnio europeu, que é o de nos colocar ao nível dos “direitos sociais e salariais” dos “países emergentes”, em especial da China e da Índia, , recebendo hoje menos de ordenado base que há sete anos, mas tudo com a "boa intenção" de salvar o sector financeiro da bancarrota causada pelas suas aldrabices …

Quero agradecer diligentemente à srº Lagarde,  à srª Merkel, ao sr.Draghi (e ao seu empregado Constâncio), ao sr. Barroso, ao sr. Gaspar e ao sr. Coelho por, ao cortarem-me os subsídios, me fazerem ver que andava a gastar muito dinheiro em “coisas supérfluas” como livros e revistas, dando assim um valioso contributo para começar a resolver dois graves problemas da minha vida, que é a falta de espaço para arrumação desses “bens de segunda necessidade”, pouco lucrativo (conhecem livreiros milionários ou editores em bolsa?) e a falta de tempo para os ler, até porque a leitura, desde que não seja a de gráficos económicos e de relatórios do Banco de Portugal e da União Europeia, é uma perda de tempo, que em nada contribui para a prosperidade económica e financeira do país, com a agravante da sua utilidade não ser quantificável em rankings.

Quero agradecer diligentemente à srº Lagarde,  à srª Merkel, ao sr.Draghi (e ao seu empregado Constâncio), ao sr. Barroso, ao sr. Gaspar e ao sr. Coelho por, ao cortarem-me nos subsídios,  me ajudarem a perceber que viajar, comprar musica, ir ao cinema, almoçar fora com amigos, era um privilégio de que abusivamente andava a beneficiar, vivendo, assim, ”acima das minhas possibilidades”, libertando-me dessa atitude “piegas” que é a de usufruir da vida e do lazer, tudo entraves ao crescimento económico e ao aumento da conta bancária, bens reservados aos “boys” de serviço, aos gestores públicos ( que tão bem têm gerido as PPP’s, as EP’s, as Fundações e tanta coisa que tem dado “um grande contributo” para o “crescimento” do país…), e  aos seus ideólogos bem pagos da comunicação social que esses sim, porque  contribuem para “abrir os olhos ao povo” para a  inevitabilidade dos sacrifícios e dessas medidas para salvar os especuladores financeiros e os ordenados de tão iluminados lideres, podem continuar a usufruir de todos os privilégios de viajar de graça em comitivas políticas, receberem livros e cd´s como ofertas  ou bilhetes para espectáculos e, se não chegar, mais umas ajudas de custo…

Claro que, multiplicando esses cortes por cerca de meio milhão de assalariados, que vão beneficiar de tão diligente “ajuda” para pouparem mais, vamos ver empresas turísticas, editoras, livrarias, restaurantes, cinemas, jornais, revistas,  juntarem-se ao actual descalabro de dificuldades que varre a vida de pequenas e médias empresas, aumentando falências e desemprego…mas claro que nada disso interessa porque estas “apenas” servem o mercado nacional e o que interessa é o mercado externo…( se bem que sempre tenha ouvido dizer que, sem um mercado interno sólido, não há alicerces para manter exportações dinâmicas…mas isto deve ser ignorância minha, que não percebo nada de economia…).

Quero, por último, agradecer diligentemente à srº Lagarde,  à srª Merkel, ao sr.Draghi (e ao seu empregado Constâncio), ao sr. Barroso, ao sr. Gaspar e ao sr. Coelho por me fazerem ver que afinal ainda há muito para fazer pela democracia, pela cidadania, pelo valor social do trabalho,  pela liberdade e pelo direito ao bem estar, começando por todos contribuirmos para varrer da face da Europa a ideologia que esses senhores representam…

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mário Monti, o homem de mão da Goldman Sachs em Itália, é o novo heroi neo-liberal

O primeiro-ministro italiano, Mário Monti, homem de mão da Goldman Sachs, está a tornar-se a nova coqueluche dos ideólogos do neo-liberalismo e dos defensores do actual modelo de economia autoritária e sem direitos que nos têm vindo a impor nos últimos anos.

E porquê? Mário Monti que, recorde-se, exerce o seu cargo por nomeação, sem nunca se ter submetido a um processo eleitoral, o que é já de si significativo em relação à Europa actual, descobriu a melhor maneira de dividir o mundo do trabalho e o mundo sindical para conseguir impor um novo modelo de legislação laboral que facilite os despedimentos e desvalorize os salários.

Lançou os trabalhadores e os sindicatos numa luta de gerações: a geração dos precários, contra a geração do “trabalho seguro para a vida”.

Foi uma jogada “inteligente”, já que a actual crise económica e os incomportáveis níveis de desemprego atingem principalmente os mais jovens.

Bastou lançar uma campanha com o apoio de comentadores, economistas e políticos, tentando demonstrar que era o facto de os mais velhos terem empregos “estáveis”, “seguros” e “protegidos” que impedia o emprego dos jovens ou atirava estes para a precaridade, para lançar a confusão no seio dos sindicatos e de parte da esquerda italiana.

A conversa é a do costume: “não há empregos garantidos”, “acabou a era dos empregos para a vida”, “os trabalhadores têm demasiados direitos”, “os salários são altos”.

Ao lançar essas “palavras de ordem” até à exaustão, a mentira, ou a meia-verdade, começa a tornar-se “verdade”.

Com os actuais níveis de desemprego, com a crescente precaridade do emprego, com o abandono dos direitos sociais, com a destruição de um futuro melhor para as gerações mais novas, é fácil lançar a “culpa” sobre os mais velhos e os que continuam empregados.

A direita radical, que hoje não o é do ponto de vista ideológico, cultural ou político, mas pela propaganda anti-social que destila no seu discurso sobre a economia e o mundo do trabalho, conseguiu assim lançar a velha arma da divisão entre os seus potenciais adversários, lançando uns contra os outros e desviando a atenção do verdadeiro problema, que é o da crescente desregulamentação da economia globalizante , o da ganância do mundo financeiro, o do saque generalizado ao bem-estar dos cidadão e aos direitos laborais e a própria evolução tecnológica que, paradoxalmente, em vez de contribuir para melhora as condições socias e humanas, as tem vindo a agravar.

Não deixa de ser curioso que muitos desses que andam a defender Mário Monti, em nome do fim do “trabalho estável para a vida” nunca tenham conhecido outro emprego diferente daquele que arvoram para destilar o seu veneno anti-social: sempre foram comentadores, jornalistas, economistas, políticos ou professores universitários e não se espera que deem o exemplo mudando de emprego e/ou dando o seu lugar aos mais novos…

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Política portuguesa e europeia...a continuação do Carnaval por outros meios?


Acabado o Carnaval, regressa a “palhaçada” do costume.

Logo pela manhã de ontem foram divulgadas as absurdas declarações dessa “figurinha” ainda mais absurda que dá pelo nome de Miguel Relvas, ao misturar “alhos com bugalhos”, tentando misturar a tolerância de ponto dada durante o Carnaval nalguns municípios com as dificuldades financeiras desses mesmos municípios, numa atitude de puto mimado.

Ora, sendo o Carnaval nalguns desses municípios uma importante fonte de receita e dinamização económica, mais razão devia haver para defender a preservação dessas festas, nem que fosse exactamente pela única linguagem que essa “gente” conhece, que é a do dinheiro…

Pouco depois pegamos no Público e lemos as declarações de um antigo administrador do Banco de Portugal e ex-ministro das finanças, comentador “permanente” nas televisões e nos jornais, actual “reformado de luxo” e nomeado para um cargo administrativo numa instituição pública, que prevê uma crise nos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “só não” sabe “quando”!!!.

Também eu posso declara, com toda a certeza que um dia destes vai chover, Lisboa vai sofrer um abalo de terra como o de 1755 e o mundo, um dia destes, vai acabar…só não sei quando…

Ficamos esclarecidos sobre o rigor destes economistas que tanto têm contribuído, com as suas “previsões", "opiniões" e “decisões”, para “lixar” a vida da generalidade dos cidadãos. Razão tiveram os islandeses que meteram na ordem políticos, economistas, gananciosos credores e banqueiros e já estão a recuperar.

Mas o absurdo do primeiro dia pós enterro do entrudo não se ficou por aqui.

Ainda o dia não tinha terminado é veio “o Álvaro”, o mais aluado ministro deste governo, anunciar a criação de milhares de empregos mensais (onde é que eu já ouvi esta?), recorrendo para isso a uma nova figura, a do “gestor de desempregos”!!!!....ou seja, cada desempregado passará a ser representado por um desses gestores que terá como função “gerir” a “carreira”…dos desempregados!!!...no coment!

Mas ainda havíamos de ter um contributo externo para este dia surrealista: o patético comissário europeu da economia, Olli Rehn, que se mantém há largos anos num cargo para onde não foi eleito por um único cidadão europeu, com a sua cínica candura habitual, veio anunciar as “previsões”, mais umas, sobre o crescimento do PIB na União Europeia para este ano, revelando, como se as políticas de austeridade por ele preconizadas nada tivessem a haver com o assunto, aquilo que qualquer cidadão comum é capaz de prever, que é uma forte recessão na maior parte dos países da zona euro ou, quanto muito, um ridículo crescimento abaixo de 1% entre os que “escapam”.

O problema é que muitas vezes, mais do que a realidade, são as previsões dessa gente, feitas com base em critérios muitas vezes discutíveis, que contribuem para agravar as crises financeiras, servindo de mote às decisões criminosas dos “mercados” com reflexo negativo no direito dos cidadãos ao seu bem-estar.

Como nunca ninguém, à posteriori, vai comparar essas “previsões” com a situação real ou analisar quem beneficia com tais “previsões”, nem responsabilizar criminalmente as consequências dos erros de previsão, esses burocratas de Bruxelas vão continuar com a candura de sempre a pedir mais “austeridade” para os povos europeus, escudados nos seus privilégios chorudos.

Enfim….o Carnaval morreu…regressou o “Carnaval” das elites político/financeiras portuguesas e  europeias…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A FOTO DO DIA- 18 - ...O dia seguinte em Atenas...

No dia seguinte à aprovação das novas medidas de austeridade pelo parlamento grego, uma pichagem sugere um novo nome para o banco da Grécia...
Fotografia de Luisa Gouliamaki/AFP/ El País.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Governo e parceiros sociais assinam acordo tripartido - Economia - PUBLICO.PT

 Não espanta que as associações patronais e o governo assinem um acordo como este.

O que espanta é ver a UGT a assiná-lo.

A desculpa que deu é a de que esse era o compromisso com a troika.

Mas uma notícia do Público de hoje chamava a atenção para o facto deste acordo ir muito para além daquilo que a Troika exigia, nomeadamente no que se refere às férias, feriados e horário de trabalho, e tudo em prejuízo de um dos lados.

Também seria normal que uma central sindical assinasse um acordo, desde que existissem nesse acordo  contrapartidas para o quem trabalha. Ora, de tudo o que se sabe sobre o acordo, as medidas tombam todas para o mesmo lado, tudo pelo patronato, nada pelos trabalhadores.

Claro que a habitual posição da CGTP em recusar qualquer tipo de acordo e jogar sempre à defesa também não ajudou e desacredita o próprio lado sindical.

Não há duvida é que este acordo é o maior retrocesso de sempre nos direitos laborais.

Mais uma vez é o elo mais fraco que sofre as consequências de uma crise que não foi provocada por quem trabalha, mas sim pela especulação financeira e pela incapacidade dos governos em combaterem o tráfico de influências, como se viu na semana anterior com as nomeações milionárias para a EDP e as Águas de Portugal e de combaterem a economia paralela e a fuga aos impostos, como se revelava num estudo divulgado ontem. Só o valor desta economia paralela vale cerca de metade do empréstimo da Troika (qualquer coisa como… 40 mil milhões de euros...).

Este é o caminho errado… as consequências vão ser devastadoras.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dias do Fim da Europa - 9 - ...rir ainda é o melhor remédio.

Enquanto se aguarda pelo "iluminado" plano da dupla "Merkozy", para enterrar de vez o projecto democrático e solidário da União Europeia, substituido por uma ditadura dos mercados, sob a batuta da Alemanha, repondo o velho sonho nazi do espaço vital no leste, para fornecer matérias-primas e dos salários baixos dos "PIIGS"  do sul, para garantirem produção barata às empresas multinacionais alemãs, o remédio que nos resta para manifestar a nossa indignação é o sentido de humor:










quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DIAS DO FIM DA EUROPA- 8 - É o "salve-se quem puder: Las empresas preparan planes de emergencia para la ruptura del euro.

 
crisis_euro

O EURO DÁ AS “ÚLTIMAS”

Já não há esperança para o euro.

Mesmo os mais optimistas já o admitem.

A dúvida está em saber QUANDO e COMO?

Amigos meus têm apostado comigo que daqui a um ano Portugal já não está no euro. Eu até estava optimista, e quando me referia ao fim do euro era mais em tom de provocação. No fundo, no fundo, ingenuidade minha, acreditava numa reviravolta de última hora.

Agora a minha aposta com esses amigos já não é que os ache pessimistas. Para mim, e perante as últimas notícias do mundo financeiro, económico e político, começo a ter dúvidas se haverá euro…daqui a um mês.

Neste momento, mais do que saber quando saímos do euro, ou quando é que ele acaba, ou se fica uma moeda restrita da Alemanha e dalguns satélites seus do norte e do leste, é saber como é que se acaba com ele.

Tenho por mim, já que se anda a pedir tantos sacrifícios aos portugueses, sem se apontar um objectivo que não seja o de salvar o euro, que já não é possível salvar, e “acalmar” os “mercados”, que, como se tem visto, não se “acalmam” com os sacrifícios, porque já perceberam que o euro é “lixo”, talvez fosse melhor aproveitar a “onda” e, em vez de sacrifícios em vão, estes fossem canalizados para uma nova realidade sem euro.

Uma primeira pergunta que faço aos meus amigos e a todos os portugueses em geral, excluindo os que vivem de “expedientes”, da especulação e da fuga aos impostos, o que é que ganharam com a adopção do euro, nos últimos dez anos?

Os salários pouco subiram, o custo de vida aumentou imenso (o que custava 50 escudos, passou a custar 50 cêntimos, o que custava 100 escudos passou a custar 1 euro, ou, seja, o dobro…), as restrições orçamentais exigidas, sem contrapartidas nem a prometida solidariedade aos países mais pobres, levaram à destruição da economia , em nome do equilíbrio orçamental e das “políticas comuns” (para favorecer a França e a Alemanha, destruímos a agricultura, a industria, o comércio local e as pescas…).Desbaratámos as poucas vantagens económicas da adesão ao euro na construção de auto-estradas que nos incentivaram a usar o automóvel (de preferência de marca francesa ou alemã), com graves custos na nossa balança comercial (o automóvel e o petróleo são bens importados e de grandes custos) e a desprezar o transporte público, quando não fizemos ainda pior, endividando-nos na construção de estádios de futebol e no crédito “barato” (que nos saiu caro), oferecido pelos bancos e que garante a estes, ainda hoje, lucros fabulosos.

Ou seja, tirando a facilidade em viajar em países com a mesma moeda, os poucos anos que vivemos com o euro não deixam saudades à maior parte dos portugueses ( e o pior ainda está para vir).

Resta-nos então virar as costas ao euro e, talvez, à Europa. Já que vamos sofrer sacrifícios tão pesados, que estes sejam para uma “boa causa”.

Sair do euro começa a ser, como se diz, um “imperativo nacional”.

Em primeiro lugar devemos deixar de privilegiar a União Europeia como parceiro quase exclusivo. Devemos reforçar as nossas relações como o norte de África, o Brasil e os países da CPLP. Devemos ainda aproveitar as nossas boas relações históricas com a Índia, a China e o Japão. Devemos reforçar os nossos laços com a Espanha e a Comunidade latino americana.

Não nos podemos esquecer das nossas comunidades de emigrantes, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.

Em nome da recuperação do país e da necessidade do nosso equilíbrio comercial e financeiro, devemos romper com todos os tratados europeus que nos impeçam de desenvolver os sectores agrícola, industrial e o das pescas.

Por enquanto, antes de sairmos do euro, devíamos criar uma moeda padrão virtual (assim como foi o ECU para a União Europeia, antes do desastre da criação do euro), que servisse de referência, em primeiro lugar, à moedas dos países da lusofonia, mas à qual podiam aderir outros países com quem tivéssemos boas relações culturais e económicas.

Quando saíssemos definitivamente do euro, essa moeda tornar-se-ia real, e estava almofadada na adesão à mesma desses países.

Por último devimos começar a criar já medidas para desincentivar a importação de produtos da França e da Alemanha, substituindo-os por produtos de outras regiões, em condições mais favoráveis para o nosso mercado, medidas que seriam extensíveis aos países que mantivessem o euro depois da nossa saída.

Até lá, aconselho a quem tiver reservas em euros que as troque por outra moeda, como a libra ou o dólar. Pode ser a salvação para os poucos que conseguiram acumular alguns euros.

Sector Público faz Greve Geral na Grã-Bretanha - Fotoreportagem









(Fonte: The Guardian)