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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O “irritante” salarial



Confesso que me dá um forte ataque de alergia e me provoca intensa comichão , cada vez que me deparo como os cometários de economistas, jornalistas/comentadores (ou serão comentadores/jornalistas?) ou políticos “liberais”, aos quais se juntam os burocratas de Bruxelas a falar do “escândalo” da subida do salário mínimo.

O primeiro irritante começa logo por saber que essa gente não sabe o que é viver com salário mínimo, nem mesmo com o salário médio.

Eu também não sei, mas tenho uma ideia, pois vivo com o dobro do mínimo e um pouco acima do médio, conheço gente que vive com o mínimo e sei da dificuldade para se chegar “intacto” ao fim do mês.

Penso que, de cada vez que alguém vem comentar o salário dos outros devia ser obrigado a publicar em legenda de rodapé, como declaração de interesse, qual é o seu salário ou rendimento ou, no mínimo, quanto recebe para fazer esses comentários (provavelmente mais que um salário mínimo por meia hora de comentários escandalosos!).

O segundo irritante, é ver tanta preocupação com o aumento do salário mínimo, por causa da “competitividade” e da “saúde da economia”, e tão pouca pelos milhões que saem para salvar as trafulhices da banca!!!

O terceiro irritante é que, com tanta preocupação com as “contas”, esqueceramm-se de fazer as contas.

Vamos a então a elas:

Por um trabalho não qualificado, como a da limpeza da casa, paga-se por aqui, há muito tempo, cerca de 5 euros à hora ( nos casos à minha volta varia entre os 6 e os 6 euros e meio por hora).

Dando de barato os 5 euros à hora  numa jornada de trabalho de 35 horas por semana, uma média de 21 dias de trabalho por mês, num total de 147 horas, isso daria 735 euros. Se fizermos as contas a 6 euros, daria 882 euros.

Essas contas estão por baixo, quer quanto ao valor de uma hora de trabalho não qualificado, quer em relação às 35 horas semanais, ou até aos 21 dias, pois excluímos Sábado e Domingos, situações que estão aquém da realidade, principalmente no sector privado.

Se existe algum escândalo, é no baixo valor do salário mínimo, que é o ordenado pago a quase 1 milhão de trabalhadores portugueses, situação que se agrava se tivermos em conta que cerca de metade do rendimento de quem trabalha é utilizado para pagar a habitação.

Sabendo nós a forma descontrolada, esta sim, verdadeiramente escandalosa, como têm subido os valores das rendas e da compra de imóveis nos últimos anos, dá para perceber, só por aqui, quais são as condições de vida, não só de quem vive com salário mínimo, mesmo que venha a aumentar para os valores que se anunciam, mas também de quem vive com ordenado médio e queira ocupar uma casa em condições.

Senhores economistas, senhores comentadores/jornalistas, senhores políticos “liberais”, os vossos comentários, esses sim, é que são um verdadeiro escândalo.

Continuem a alimentar  o “Joker” , e vão ver onde isto vai parar.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O Respigo da Semana:Raquel Varela, a Padaria Portuguesa e o Salário Mínimo :


Raquel Varela, a Padaria Portuguesa e o Salário Mínimo :
por Raquel Varela:

“Curtas notas minhas sobre esta polémica da Padaria Portuguesa, que merecia claro mais desenvolvimentos:

“ 1) os patrões não pagam salários, quem paga salários é o trabalho dos trabalhadores - uma parte do que fazem paga o seu salário, a outra fica com o patrão. Ao fim do dia um trabalhador produz 20, entrega ao patrão, que lhe devolve 3 ou 4 - é isso o salário.

“ 2) as pequenas empresas neste país vivem asfixiadas, mas isso não pode ser despejado nas costas de quem trabalha

“ 3) o salário mínimo quando foi criado correspondia a um cálculo médio dos gastos de reprodução dos trabalhadores e suas famílias (casa, roupa, alimentação, etc) - hoje ele não cobre o mínimo

“ 4) o salário médio é que é de facto o salário mínimo - 900 a 1000 euros

“ 5) quem paga o salário real dos empresários que pagam o salário mínimo são os contribuintes portugueses através da Assistência Social

“ 6) A taxa de portugueses a trabalhar a tempo inteiro sem conseguir pagar as contas regulares - excluo dividas - já é superior a 10%.

 “7) É urgente fazer-se um cálculo do que é hoje o verdadeiro salário mínimo. Talvez fosse uma boa ideia os sindicatos juntarem-se, como no Brasil, e encomendar este estudo - no Brasil chama-se Salário Mínimo Necessário.

“ 8) há um projecto interessante do meu colega Professor Pereirinha, do ISEG, que há anos estuda o que chama de Rendimento Adequado.

 “9) o país tem que debater a sério com quem conhece a realidade laboral quais são todas as consequências de ter um salário mínimo actual abaixo da reprodução biológica - estudei o seu impacto nas relações laborais e na segurança social - é devastador, ao contrário do que se diz e insiste, não temos qualquer problema de sustentabilidade da segurança social por causa do envelhecimento, temos sim, um enorme problema da sustentabilidade desta por causa dos baixos salários.

 “10) Portuguesa é a minha padaria, tem 8 metros quadrados, mãe e filha, duas minhotas, uma delas regressada da África do Sul, tem pão de alfarroba, batata doce, erva doce, milho, noz, passas; estão afogadas em impostos, inspecções, pressões. Distribuem delicadeza e sorrisos no bairro. Não é uma cadeia, toda igual, com empregados stressados e exaustos que nem nos olham para a face.

“ Aqui as contas da produtividade e do salário mínimo. Para ser mais exacta se tivesse incorporado o aumento da produtividade seria hoje de 1329 euros.

“ São estudos do Eugénio Rosa, que apesar da ligação com a CGTP e desta com o PC e do PC com o Governo, tem mantido, o economista agora doutorado pelo ISEG, desde a tomada de posse deste governo, uma seriedade assinalável. Criticando e explicando em números o impacto negativo das medidas deste Governo nos trabalhadores, entre elas o aumento dos impostos; que a maioria dos pensionistas não teve aumentos; que a maioria dos assalariados perdeu capacidade de consumo; que o salário mínimo está a alargar-se a um conjunto cada vez maior de trabalhadores. Assim se faz um intelectual sério - defendendo ideias estudadas e demonstradas e não governos, sejam de cor forem.(www.eugeniorosa.com e    eugeniorosa.com)”

Raquel Varela , post no facebook, 29 de Janeiro de 2017
(para um melhor enquadramento do texto, vejam AQUI).

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Salário Mínimo, Estupidez Máxima!!!

Confesso que me começa a enjoar tanta conversa e "preocupação" à volta do aumento do salário mínimo.
O mais caricato de tudo é observar o contorcionismo de alguns comentadores para provarem as coisas mais absurdas, para tentarem provar que o mísero aumento de um já de si misero salário mínimo pode prejudicar os patrões.
Mas o mais absurdo de tudo isso é que essa gente nunca viveu ou conhece quem viva com salário mínimo e, para debitar tanta estupidez por linha, ganha dois ou três desses salário mínimos.
É caso para dizer...salário mínimo, estupidez máxima...ou... deixem o salário mínimo em paz e tenham vergonha na cara!!!!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O Regresso dos “Sacanas sem lei”



Não se pode falar propriamente de regresso, porque eles sempre têm andado por aí e este ano tem sido fértil na sua disseminação. Mas ao longo deste mês , o último de um ano trágico, eles têm voltado a ocupar, quer as primeiras páginas dos jornais, quer, noutros casos, o silêncio conveniente da mesma comunicação social.

Mas vamos a eles:

Por cá os representantes patronais têm-se comportado de modo miserável na concertação social, usando todas as munições da chantagem ao seu alcance para travarem um mísero aumento do salário mínimo (já por AQUI demonstrámos que qualquer ordenado inferior a 700 euros é um autêntico roubo…).

Essa posição está em linha com o comportamento da “sacanagem” do politburo de Bruxelas (Comissão Europeia, Eurogrupo, Eurofin, BCE….) em relação à Grécia. Depois de terem imposto um programa de austeridade que lançou 1/3 dos gregos para a miséria, resolveram elevar o nível de chantagem sobre aquele país, talvez como aviso ao resto da Europa, suspendendo as medidas de alívio da dívida, a propósito de duas medidas propostas no orçamento da Grécia. E quais são essas medidas? Pasme-se: restaurar o 13º mês para os reformados com pensões até os …615 euros, e adiar a subida do IVA nas ilhas do Mar Egeu que têm recebido os milhares de refugiados que fogem das guerras do Norte se África e do Médio Oriente. Aliás, esta última medida está em linha com toda a hipocrisia do politburo de Bruxelas em relação à situação dos refugiados que resultaram de conflitos alimentados, por omissão, irresponsabilidade ou intervenção de faco,  pela própria União Europeia (Iraque, Líbia, Síria, Egipto…).

Uma das organizações da troika que mais se tem empenhado na chantagem sobre a Grécia é o FMI, a mesma organização liderada por uma, sabe-se agora,  criminosa, condenada em França por, no mínimo, ter sido negligente num negócio que custou aos contribuintes franceses 400 milhões de euros, sendo contudo “perdoada” de cumprir pena de até um ano de prisão, apenas porque lidera aquela organização, a principal responsável pelo desastroso programa de austeridade na Grécia e noutros países da Europa.

Mas o ano que agora se aproxima arrisca-se a ser o ano dos “grandes sacanas sem lei”, com a Russia liderada por um homem com Putin, a Turquia com Erdogan, e, acima de todos, os Estados Unidos com a liderança de um Trump, secundados por uma enxame de “pequenos” mas perigosos “sacaninhas” (Orban na Hungria, Kacynski na Polónia, Maduro na Venezuela, Eduardo dos Santos em Angola, Assad na Síria, Duterte nas Filipinas, Kim Jong-un na Coreia do Norte, sem esquecer governos como o neo-fascista da Ucrânia ou os radicais e extremistas e/ou ditatoriais  de Israel, da Arábia Saudita,  da China,  do Egipto,  do Irão…). E a situação do próximo ano arrisca-se a ficar ainda pior, podendo acrescentar mais alguns “sacaninhas” à lista, com LePen em França à cabeça, e outros candidatos a “sacanas” do próximo ano nos países nórdicos e do leste e na própria Alemanha…

Mas o candidato mais provável a “super-sacana”, a pairar perigosamente sobre todos, é Donald Trump, que tem vindo a indicadr como seus “empregados” e conselheiros numa futura administração: um tal Bannon, responsável por um site de notícias falsas da extrema-direita, para conselheiro principal do presidente; um tal Flynn, general reformado, com negócios com Putin e Erdogan, para conselheiro da segurança nacional; um tal Tillerson, presidente de uma petrolífera, amigo de Putin, como secretário de estado; um tal general “Mad Dog” Mattis, defensor de um ataque armado ao Irão, um falcão do aparelho militar norte-americano, como secretário da Defesa e líder do Pentágono; um tal Session, racista declarado, que odeia imigrantes , para Procurador-Geral; um tal Steve Mnuchin, oriundo da “máfia” das Finanças, a Goldman Sachs, para secretário do tesouro; um tal Puzder, dono de uma cadeia de fast-food conhecida por violar legislação laboral e por tratar mal os seus trabalhadores, para secretário do Trabalho; um tal Carson, que defende a eliminação de verbas para os programas socias, para secretário da habitação; um tal Perry, que defende o total desregulamento da actividade petrolífera e defensor da energia nuclear, para secretário da energia; um tal Friedman , defensor da política agressiva do governo de Israel contra os palestinianos e da construção de mais colonatos judaicos na Cijordânia, para embaixador em Israel. Por último, a cereja no cimo do bolo,um tal Pruitt, um céptico das alterações climatéricas e critico de medidas de defesa ambiental tomadas por governos anteriores, para administrar a agência de protecção ambiental.

De facto, o ano que se aproxima anuncia-se como terreno fortemente competitivo para todo o tipo de “sacanas sem lei”…( e não falámos do ISIS, dos fanáticos “rebeldes” anti-Assad, da Al-Quaeda…mas esses estão par além da sacanisse, são bandidos e criminosos a soldo de muitos daqueles “sacanas” acima nomeados…)

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

“Cuidado” com a subida do Salário Mínimo????...ou… cuidado com o Salário Máximo???


Presente numa conferência em Portugal , o conhecido economista e Prémio Nobel Paul Krugman. Interrogado sobre  a subida do salário mínimo em Portugal, considerou-a “problemática” ,  recomendando “cuidado “ na forma de tomar essa medida.

Não é a primeira vez que um dos economistas queridos de certa esquerda portuguesa faz afirmações totalmente disparatadas sobre Portugal e que contradiz a imagem de “economista de esquerda” que alguns lhe atribuem.

De facto, e mais uma vez neste caso,  limita-se a enfileirar na ideologia dominante entre economistas bem remunerados e que recebem fortunas como conferencistas, em defesa da desvalorização do factor trabalho.

Começa a ser nojenta a forma como se debate a subida do miserável ordenado mínimo em Portugal, como se viesse daí um grande escândalo, ao mesmo tempo que se escamoteiam verdadeiros escândalos salariais, como aqueles que são pagos a certos gestores de Bancos e de Empresas Públicas, onde o abjecto caso Sérgio Monteiro é apenas a ponta do iceberg.

Para mim o problema não reside na subida do salário mínimo, mas no valor de certos salários “máximos”, muitas vezes auferidos por gente incompetente, pouco trabalhadora e que apenas beneficia desse privilégio por ter gerido “bem” a sua carreira político-pessoal.

Há muitos anos, jovem adolescente à procura de respostas para o mundo que descobria, lembro-me de ter perguntado ao meu pai qual devia ser a profissão mais bem paga de todas…ele pensou um bocado e respondeu-me: “professor universitário”.

Pessoalmente, e ao longo do tempo, foi-se consolidando a idéia de que o meu pai tinha razão.

Acontece que, em Portugal, um professor catedrático, no topo da carreira, em regime de exclusividade, recebe de salário bruto pouco menos de cinco mil e quinhentos euros (não recebendo muito mais que 3 mil euros depois de efectuados os descontos).

Parece-me evidente que este devia ser o limite de ordenados pagos no sector público e que o privado devia ser fortemente desincentivado de pagar muito mais que esse valor.

Ora, infelizmente não é isso que se passa na banca pública e, principalmente, no Banco de Portugal.

Muitos dos “opinadores” que se mostram muito preocupados com a subida do salário mínimo, auferem muitas vezes muito mais do que o tal professor catedrático, e por isso é imoral o simples facto de opinarem sobre esse assunto, geralmente recomendando os tais “cuidados”.


Por isso, na minha opinião, cada vez que um comentador se refere aos “cuidados” a ter com a subida dos salários dos outros, devia exibir, como na publicidade, junto do texto ou por baixo da imagem televisiva, uma listagem do rendimento por ele auferido, não só para comentar, como  pela sua actividade, para percebermos a que salários abusivos eles se querem referir… 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Miserabilismo terceiro-mundista :" Patrões recusam aumento do salário mínimo para 530 euros"

AQUI por várias vezes nos referimos ao miserabilismo do discurso dominante sobre o salário mínimo.

Andam por aí  alguns comentadores muito preocupados com o "terceiro-mundismo" da existência de um governo apoiado numa maioria de esquerda, mas nunca os vimos preocupados com o verdadeiro miserabilismo terceiro mundista dos salários e pensões dos portugueses, ou, quando abrem a boca para comentar o assunto, é sempre para defenderem esta situação.

Já demonstramos também aqui que um salário inferior a 600 euros corresponde a menos de 30 euros de salário diário, por 8 horas de trabalho, ou menos de 3 euros à hora.

Ainda por cima o salário mínimo não é uma excepção repugnante do mercado do trabalho, é uma regra que atinge quase 20% dos trabalhadores portugueses, sem esquecer casos ainda mais graves que não estão contabilizados, juntando-se a tudo isso a precariedade e insegurança em que vive a maior parte dos trabalhadores (ou os "colaboradores" da novilíngua neoliberal).

Parece-me indigno e até vergonhoso que ainda seja preciso andar a justificar permanentemente e a realizar reuniões intermináveis para conseguir convencer comentadores, economistas, políticos e representantes do grande patronato da justeza de um já de si ridículo aumento do salário mínimo nacional, quando os mesmos se mantém silenciosos sobre o escândalo de certos salários que por aí se praticam, como é o caso do ex-secretário de Estado Sérgio Monteiro que vai auferir um salário de 30 mil euros pagos pelos contribuintes para fazer um trabalho que está a ser feito por outras duas entidades...e este é apenas uma pequena ponta do iceberg ..

Vamos lá a ter um pouco de vergonha na cara!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ordenado Mínimo ou pensamento mínimo?


Anda por aí uma grande agitação nos meios políticos da direita, nas associações de [“grandes”] empresários e entre os pequenos gobelzinhos do comentário político e económico, acerca da possibilidade, defendida à esquerda, de se aumentar o ordenado mínimo em Portugal para os 600 euros.

Fazendo contas, 600 euros de ordenado corresponde a uma “diária” de …30 euros (por 8 horas de trabalho), ou a um valor pouco superior a ….3 euros à hora… (por aqui paga-se entre 5 e 7 euros à hora por tarefas domésticas não qualificadas…).

Tal preocupação revela-se assim um pensamento miserabilista, ainda por cima, vindo de políticos que gozam de benefícios e ajudas de custo escandalosas, muitos deles que entraram numa “jota” e nunca fizeram mais nada na vida, a não ser participar em administrações políticas de empresas públicas ou suspeitas, ganhando por reunião ou assinatura várias vezes o ordenado mínimo que agora abominam…

O mesmo miserabilismo revela a opinião dos líderes ou representantes dos empresários, que, nessas associações patronais, apenas representam os grandes empresários e pouco ou nada fizeram pelos pequenos e médios empresários deste país, e que estão à frente de empresas onde geram lucros que comportam bem salários condignos bem acima daquele ainda hipotética proposta de salário mínimo…uma empresa que não consegue pagar aqueles valores não me parece em condições de empregar alguém e, quanto muito, não tem condições para ir além de uma pequena empresa familiar de vão de escada.

Mas o pior de tudo é o miserabilismo de muitos comentadores políticos e de economia que ganham, para debitar opiniões contra o aumento salarial, várias vezes um ordenado mínimo de 600 euros por…15 a 20 minutos de participação televisiva ou por crónica debitada na imprensa escrita…

Tenham a dignidade de, pelo menos, não falarem nos ordenados dos outros quando vivem acima das possibilidades de vida da maior parte dos portugueses.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

É preciso descaramento!!! : - Troika incomodada com aumento do salário mínimo.

Parece que os miseráveis da  troika estão "incomodados" com o "espectacular" aumento do salário mínimo português, um aumento de 20 euros mensais e que colocou esse salário na "astronómica" quantia de ...505 euros.

Vindo essa preocupação de um grupo de burocratas que ganhou milhões em comissões e "ajudas de custo", só para impor as condições que conduziram ao empobrecimento generalizado dos portugueses, não deixa de ser escandalosa a forma como agora se revelam "preocupados" com um salário que nem sequer garante que uma percentagem significativa de trabalhadores portugueses consiga fugir ao estigma da pobreza.

Portugal já é o país do euros com uma média salarial mais baixa, e um dos que apresenta uma das mais altas taxas de desemprego, onde uma percentagem significativa de famílias a viver na pobreza a devem aos baixos salários.

Com essa "preocupação" esses miseráveis burocratas revelam uma das atitudes mais vergonhosas dos últimos tempos. Será bom recordar que, por detrás dos burocratas da troika estão alguns rostos bem conhecidos dos portugueses como Durão Barroso ou Victor Constâncio. Convém não os esquecer, para "memória futura".

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Miserabilismo e Salário Mínimo


No sistema capitalista em que vivemos, onde tudo se compra e se vende, onde tudo tem um valor e um preço, a liberdade de cada um mede-se,  em grande parte, pelo valor do rendimento próprio disponível.

Para se ter um mínimo de vida com dignidade, é preciso poder ter uma casa minimamente confortável, alimentação e vestuário adequados, acesso à educação, à saúde e aos transportes, capacidade económica para gerir os imponderáveis do dia a dia, criar os filhos...

Para além disso, em pleno século XXI, o direito à felicidade, ao descanso, ao usufruto de bens culturais, à informação, ao tempo livre para viajar, ler, ir ao cinema ou ao teatro, assistir a espectáculos ou realizar-se pessoalmente, faz parte do mínimo exigível à condição humana.

Por isso a discussão recente sobre a questão do salário mínimo roça, em muitos casos, a total falta de vergonha de alguns e o miserabilismo de outros.

Não deixaria de ser anedótico, se não fosse trágico, tanta discussão acerca da subida de um salário mínimo, como o português, já de si miserabilista, em ….20 euros mensais, para os …505 euros .

É bem revelador da falta de ética moral dos representantes do patronato português o terem feito finca pé durante tanto tempo acerca dessa subida e a chantagem que fizeram para subirem dos 500 euros, que defendiam, para os …505 (!!!!) euros defendidos pela UGT, só aceitando essa diferença de 5 euros (mensais) em troca da redução da TSU paga pelo patronato.
O que é incrível, no meio desta discussão toda, é que essa subida seja apresentada como uma grande vitória para os trabalhadores e para o governo!!!

Não é um aumento de 20 euros num vencimento que é auferido por cerca de 15% (!!!!!) dos trabalhadores portugueses que os vai livrar de viver miseravelmente, embora seja sempre melhor que nada.

De acordo com dados conhecidos sobre os níveis de pobreza em Portugal, cerca de 50% dos pobres portugueses são trabalhadores. Ou seja, em Portugal não basta ter trabalho para fugir a situações de miséria, situação tanto mais grave quando se compara com os salários mínimo de outros países do euro, o que torna ainda mais indesculpável a conivência da Comissão Europeia com a manutenção de salários baixos em Portugal em nome da contenção do deficit e da dívida.
Tenho por mim que em Portugal qualquer salário inferior a 700 euros é puro roubo e devia envergonhar quem o paga.

Passo a explicar a minha afirmação.

Na minha zona, e nos casos que conheço, uma empregada doméstica, que efectua um trabalho duro, mas pouco qualificado, ganha 6 euros à hora, o que equivale a um rendimento mensal de …1080 euros  mensais , fazendo as contas a um horário de 40 horas semanais (quando em muitos casos esse horário ainda é de 45 horas..), ou cerca de 180 horas por mês.

Dando de barato que é diferente receber um salário fixo  e certo no final do mês, da imprevisibilidade de trabalhar à hora, dou de barato uma diferença de cerca de 2 euros no cálculo do pagamento à hora no trabalho fixo.

Sendo assim, se a hora for paga no mínimo a 4 euros à hora, quanto a mim muito baixo, mas ainda num patamar mínimo de justiça social, mesmo assim esse salário seria de ….720 euros.

Portanto, para mim, qualquer salário abaixo do patamar dos 700 euros mensais é totalmente indigno, e ter andado a travar uma a subida do salário mínimo  para os 500 euros mensais, como o fizeram alguns representante do patronato e alguns comentadores e economistas, é totalmente abjecto…


(neste quadro, a única alteração é a "subida" do salário mínimo em Portugal foi dos 485 para...os 500 euros...e continuamos no fundo da tabela, com muitas "voltas" de atraso em relação aos piores casos..)



(Por este quadro, onde se calcula o salário mínimo em relação ao salário real, isto é, ao real poder de compra, é caso para dizer que só foi pago dignamente nos primeiros tempos após Abril...)

terça-feira, 3 de junho de 2014

SACANAS SEM LEI....ou MESMO... BESTAS "HUMANAS" !!!!:Comissão Europeia recomenda prudência a Portugal quanto à subida do salário mínimo

Desculpem , mas já não é possivel usar uma argumentação racional e educada para contrapor a o argumetário pseudo estatístico debitada pelos burocratas da Comissão Europeia, para justificar todas as malfeitorias que continuam a fazer aos cidadãos europeus, principalmente àqueles que vivem do seu trabalho.

A propósito de uma necessária e justa actualização do salário mínimo nacional, mesmo que subindo para limites que continuam a ser vergonhosos,  a Comissão Europeia vem recomendar "cautela" para Portugal, com com uma argumentação ignóbil.

Para esses burocratas, pagos  a peso de "euro" para produzir argumentos destes, o "problema" em Portugal é que há muita gente a receber salário mínimo, cerca de 12% dos assalariados, e "mais grave ainda", recorrendo à mais abjecta argumentação pseudo-científica, consideram que esse salário mínimo é "demasiado elevado", comparando com a média dos salários em Portugal.

Não lhes passou pela cabeça que o verdadeiro drama é haver tanta gente a receber salários de miséria e o salário médio em Portugal ser tão baixo, que está próximo do salário mínimo.

São autenticas bestas humanas, para não usar termos mais fortes e deselegantes, aqueles que continuam ilegitimamente à frente de uma desacredita Comissão Europeia, que não percebeu o sinal que lhes foi dado pelos cidadãos europeus nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, debitando uma retórica socialmente desumanizante.

É bom que os portugueses não se esqueçam que entre essa gente estão portugueses como um Durão Barroso ou um Victor Constâncio.

E já agora, o que é que essas "bestas humanas" não perceberam dos gráficos que publicamos em baixo?

Já não há pachorra para esses tipos...só à vassourada...




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Salário Mínimo - um caso de indignação


Toda a chantagem feita pelo governo, com o aval da troika e de algum patronato, sobre o aumento do salário mínimo nacional de 485 euros para 500 euros é, no mínimo, abjecta e reveladora do nível ético dessa gente.

É indigno que quase 500 mil trabalhadores em Portugal recebam esse salário mínimo, um salário que resvala a escravatura e, como se sabe, coloca na pobreza milhares de assalariados.

Tenho por mim que qualquer salário inferior a 700 euros é um roubo e uma vergonha nacional.

Em Portugal, o mínimo para se viver com alguma dignidade, mesmo se com horizontes limitados, é um rendimento mensal de mil euros por pessoa adulto, numa família com um máximo de um filho …

Basta fazer as contas. Por estes lados uma empregada de limpeza, uma actividade digna e honrada, mas com pouca qualificação exigida, é paga a 6 euros por hora, o que perfaz o equivalente a um ordenado mensal de 960 euros, tendo por base um horário de trabalho semanal de 40 horas, multiplicado por 4 semanas.

Por isso, ao avançar com um mínimo aceitável de 700 euros de salário , já estou a ser muito benevolente em relação ao pagamento por hora, e partindo do principio que um ordenado certo mensal é sempre mais seguro que um pagamento à hora.


Por isso a discussão sobre um aumento do salário mínimo de 485 para 500 euros é, como o diz Nicolau Santos, na crónica que pode ser lida em baixo, uma vergonha nacional que envergonha patrões, políticos, economistas e toda a burocracia da União Europeia…  

A vergonha dos 500 euros - Expresso.pt (clicar para ler)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O aumento do salário mínimo pode provocar...o aumento de idiotas na política...



Um obscuro secretário de estado do emprego veio defender que a subida do salário mínimo em Portugal para uns míseros 500 euros teria efeitos “perversos” e aumentaria o desemprego.

Para estas estapafúrdias afirmações baseou-se num ainda mais estapafúrdio estudo universitário (?) onde se relaciona a evolução do desemprego com  ... aevolução do salário mínimo!!!!

Segundo as palavras daquela mesma figurinha, esse tal “estudo” chega ao absurdo de quantificar essa relação, segundo notícia do “Público” de hoje: “O estudo (…) diz que o aumento do salário mínimo para 500 euros poderia resultar numa diminuição de emprego entre [anotem o preciosismo…:]0,01 [ZERO, VÍRGULA, ZERO UM!!!!!] e 0,34% [!!!!!] e conclui que cada ponto percentual de aumento no salário base real, resultante do aumento do salário mínimo, resultou numa diminuição do emprego entre 1,1 e 1,8% [!!!!]”.

---e já agora, se encontraram justificação para 1,8% do aumento do desemprego, qual a justificação para o restante, e bem mais significativo, aumento?

O tal “estudo” foi encomendado pelo Ministério da Economia (?) às Universidades do Minho e do Porto.

A ser verdade essas abusivas comparações e o ridículo preciosismo estatístico desse “estudo”(??), o rigor científico e a independência daquelas duas universidades fica fortemente comprometido. Estamos à espera de um desmentido àquelas abusivas palavras do secretário...

Já agora, e com menos custos, gratuitamente, forneço os seguintes dados ao Ministério da Economia:

A evolução do salário mínimo em Portugal está relacionado com o aumento da temperatura do ar nos últimos anos…é só colocar os gráficos em paralelo...

…e está também relacionado com o aumento de avanço do mar no nosso litoral... a realidade confirma-o...

…está ainda relacionado com a diminuição da área florestal da Amazónia ou com o aumento de espécies em risco....

…e está relacionado com o aumento…bem…é só encaixar o gráfico mais adequado, em qualquer situação, para provar que o aumento do salário mínimo…provoca o aumento daquilo que quisermos, até da estupidez duns políticos e economistas…

Ainda não é desta que a estupidez vai começar a pagar imposto???

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tenha Vergonha sr. Van Zeller...



O jornal Público revela hoje que o salário mínimo nacional perdeu poder de compra desde 1974:


“Se o salário mínimo tivesse sido actualizado desde 1974, repondo a inflação de cada ano, o seu valor em 2010 seria de 562 euros e não os 475 euros anunciados pelo Governo. Aquela quantia respeitaria o limiar de 60 por cento da remuneração base média tida internacionalmente como suficiente para um nível de vida decente”, escreve o jornalista João Ramos de Almeida, responsável pela investigação”.

A evolução do salário mínimo começou a perder fôlego a partir de 1978, situação que se agravou a partir das décadas de 80 e 90 com a adopção, por parte dos governos portugueses, da cartilha neo-liberal :

“Portugal importou muito da teoria liberal norte-americana que considerava o salário mínimo como causa de desemprego. A Administração Reagan chegou a congelar o salário mínimo entre 1981 e 1989”

Segundo revelaram os “trabalhos em torno da Carta Social Europeia” estimou-se que “um limiar de decência para o salário mínimo” seriam os 60 por cento do salário médio. “O "ponto" era de 68 por cento, mas entrando em conta com a Europa de Leste baixou para 60 por cento”.

Revela ainda o mesmo trabalho jornalístico que em “2008, segundo os dados oficiais, a remuneração de base média foi de 892,9 euros, mas, juntando subsídios e ganhos, o salário médio era igual a 1.067,5 euros. Nesse ano, o salário mínimo representou 40 por cento da remuneração de base média. Estimando um aumento salarial para 2009 e 2010, o salário mínimo ideal - ou seja, 60 por cento do salário base - deveria situar-se, na melhor das hipóteses, em 567 euros. Ou seja, mais 92 euros do que o anunciado por José Sócrates”.



Em 2006 os representantes patronais e sindicais, em concertação social concordaram que se iniciasse o caminho para recuperar o valor do salário mínimo que, em “2009, já representava 79 por cento do poder de compra do de 1974 e o anunciado para 2010 representará 85 por cento”.

Contudo, a atitude miserabilista do actual líder das confederações patronais, Van Zeller, coloca em causa as medidas agora anunciadas pelo governo para aumentar o salário mínimo para uns, já de si miseráveis 475 euros, que representam um aumento de 25 euros no próximo anos.

“Em 2006, todas as confederações concordaram que o salário mínimo deveria subir até aos 500 euros em 2011. Respeitando o acordo, o Governo anunciou uma subida em 2010 de 450 para 475 euros. Mas as organizações patronais repetem não haver condições de o aplicar em tempo de crise e querem contrapartidas. O Governo já cedeu um ponto percentual nos descontos para a Segurança Social dos trabalhadores abrangidos (26 milhões de euros em 2010), mas o patronato continua a insistir”

Par demonstrar o peso desse aumento irrisório nos custos dos seus associados, Van Zeller, ainda de acordo com a mesma notícia, aponta números que, apesar de contrariarem os dados oficiais, deviam deixar a própria entidade patronal envergonhada e nos deixam a todos indignados com tais patrões: segundo a CIP, 80 a 90% dos trabalhadores do sector industrial recebem o salário mínimo, 80% nos têxteis, 70% no mobiliário, 75% na cerâmica e 80% nas conservas…que vergonha senhor Van Zeller!

Mas o próprio governo se devia sentir envergonhado pelos dados revelados nesse artigo que mostram que, em todas as actividades económicas do país, embora com números diferentes daqueles, o número de trabalhadores a viverem de salário mínimo aumentou significativamente entre 2005 e 2010, mais que duplicando em termos percentuais em quase todos os casos registados, confirmando-se a exploração salarial no sector representado pelo sr. Zeller, onde, no geral, entre aquelas duas datas, aumentou de 5,8% para 27,3% o número de trabalhadores a receber salário mínimo, valor só ultrapassado pela actividade hoteleira (de 7,5% para 30,2%).

Só para melhor se perceber o que representa o salário mínimo proposto para 2010 e que o patronato agora quer questionar, 475 euros por mês, num trabalho de 40 horas semanais, cerca de 180 horas mensais, corresponde a um pagamento de pouco mais de… 2 euros e meio por hora!.

Por sua vez, o aumento de 25 euros proposto representa um acréscimo de cerca de… 13 cêntimos à hora!

Andei a indagar junto de amigos o preço que é pago a uma empregada de limpeza, que representa, embora um trabalho útil e sacrificado, uma tarefa sem qualificações. Em média o que se paga aqui em Torres Vedras ronda entre os 5 e 6 euros por hora para esse trabalho, o equivalente para um trabalho de 40 horas semanais a um ordenado superior a… 900 euros!

Ou seja, mesmo dando de barato que a segurança de um ordenado fixo ao fim do mês possa justificar uma relação de hora de trabalho inferior àquele que é pago pelo trabalho de uma empregada doméstica, qualquer valor inferior a 3 euros e meio (o que dá cerca de 630 euros por mês) é , no mínimo, uma roubalheira, e quem não tem condições para pagar mais nem sequer devia ter direito de existir numa economia do século XXI.

Tenha vergonha senhor Van Zeller!