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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Durão e Passos: Com “amigos” como estes, a “Europa” não precisa de inimigos!



Por ironia do destino, ou talvez não, o Dia da Europa, que ontem se comemorou, ficou marcado pela aparição conjunta de Durão Barroso e Passos Coelho numa iniciativa da Universidade Católica ( a tal que está isenta de pagar os impostos pagos pelas outras universidades…) para assinalar o Dia da Europa.

Não deixa de ser curioso que ambos tenham revelado uma “grande preocupação” pela ascensão dos “populismos” na Europa e se tenham apresentado como “moderados”.

À frente da Europa, Durão Barroso foi uma das figuras que mais contribui para o descrédito do projecto europeu e para o afastamento dos cidadão desse projecto, pela forma como impôs uma austeridade que favoreceu os “mercados” e o corrupto sistema financeiro, em detrimento da qualidade de vida dos cidadãos europeus.

Durão Barroso, o “moderado” , é o mesmo que teve um dos mais indignos actos de falta de ética quando, depois de, em boa hora, ter abandonado a presidência da Comissão Europeia, ter entrado de imediato ao serviço de uma das instituições financeiras que mais beneficiou com a austeridade antissocial que ele defendeu enquanto exerceu aquelas funções.

Durão Barroso foi um dos rostos mais poderosos das medidas tomadas pelas várias “troikas” contra o bem-estar e os direitos sociais dos cidadãos europeus (principalmente na Grécia, em Portugal e na Irlanda, mas também, de forma menos visível, na França, na Itália e nalguns países do leste), contribuindo com ninguém para a ascensão do populismo de extrema-direita que assola o espaço europeu.

Ao tentar pôr no mesmo saco do estafado “populismo” todos os que criticaram as medidas antissociais tomadas durante o seu mandato e aqueles outros que impõem uma agenda de extrema-direita, alimenta a confusão que mais tem contribuído, para a ascensão do verdadeiro populismo, sem esquecer que foram os partidos da família politica de Barroso que legitimaram o discurso da extrema direita ao adoptarem muitas das reivindicações desses mesmos partidos.

E já agora, tendo em conta que uma das situações que mais tem sido explorada, de forma demagógica, por esses populismos, a questão da emigração, convém recordar que grande parte desses migrantes fogem das guerras e dos conflitos que foram fomentados, entre outros, por Durão Barroso, um dos rostos da célebre cimeira das Lajes que levou à Invasão do Iraque, ou durante o seu mandato, como aconteceu como o apoio irresponsável à “Primavera árabe” que conduziu à situação na Líbia e na Síria.

Quanto a Passos Coelho, foi um mero executante e colaboracionistas das acções socialmente criminosas da “troika” em Portugal, indo mesmo “além da Troika”, com todas as consequências sociais, económica e financeiras que são conhecidas.

Comemorar o “Dia da Europa” com aquelas duas figuras é a melhor maneira de dar mais uma machadada no ideal europeu.

Para a "festa" ser completa, só por lá faltaram Portas e Cavaco.

É caso para dizer que, com “amigos” como esses, o projecto Europeu não precisa de inimigos!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Investigue-se!!!


O que é que Durão Barroso, Manuel Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Santa Lopes, Bagão Félix, António Costa, Souto Moura, PT, BPN, BES, têm em comum?

- a  negociação de uma parceria público-privada que adjudicou, por mais de 500 milhões de euros, um sistema de comunicações integradas que tinha em vista facilitar as comunicações em caso de grandes catástrofes (ler AQUI).

Nos casos mais graves, pelo menos desde 2013, o sistema falhou estrondosamente e, sabe-se agora, uma nova falha pode estar na origem da tragédia na EN 236.

Diga-se, em abono da verdade, que, dos nomes acima referidos, António Costa, durante o seu curto mandato como ministro da administração interna no governo de José Sócrates, foi o único a duvidar daquele negócio. Não sendo especialista pediu pareceres a “especialistas” (procuradoria Geral da República, IGF, ANACOM, Instituto de Telecomunicações e Instituto Superior Técnico!!!!????) e todos concordaram com aquele negócio, pelo que António Costa acabou por concluir o negócio iniciado no governo de Santana Lopes (mas já adoptado de forma “experimental” pelo governo de Durão Barroso).

No meio de tudo isto está um tal Daniel Sanches, ministro da administração interna do governo Santana Lopes, homem de confiança de Loureiro dos Santos, um “boy” do PSD.

Diga-se também, em abono da verdade, que os dois únicos partidos que na Assembleia da República levantaram dúvidas sobre aquele negócio foram o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português…
Investigue-se até às últimas consequências!!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A Vitória de Guterres é a vitória da Humanidade (…mas há derrotados!).



Conhecendo-se a personalidade de António Guterres, a sua vitória “cristalina” na corrida para secretário geral da ONU não é a derrota de ninguém. Mas existem…derrotados.
António Guterres é um humanista, um homem sem rancores, uma referência ética, um homem dialogante e tolerante e um grande conhecedor do melhor e do pior da humanidade, um homem que conhece bem o funcionamento das instituições da ONU.
Não se acredite, contudo, que vai ter vida fácil, num dos momentos mais críticos da história da humanidade dos últimos anos, onde se cruzam conflitos de grande gravidade e desumanidade, crescentes e agravados problemas ambientais, um agravamento das desigualdades e da miséria social, um crescimento do terrorismo e um agravamento das condições de vida da maior parte da população.
António Guterres não é manipulável e está legitimado por um processo eleitoral que, pela primeira vez na história da ONU e da eleição para o cargo, foi um processo transparente.
Leio, contudo, com estranheza que há quem compare a eleição de Guterres para o cargo de secretário geral da ONU, com a eleição de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia. Essa comparação é, no mínimo, ofensiva para Guterres.
Guterres foi “apenas” o melhor primeiro-ministro de Portugal após a adesão à democracia.
Durão Barroso iniciou o descalabro do país, agravado por Sócrates e diligentemente executado por Passos Coelho.
Guterres destacou-se, na política internacional, enquanto primeiro-ministro, como o homem que resolveu, contra ventos e marés e contra a própria vontade de quem dominava a ONU na altura, o grave conflito de Timor-Leste.
Durão Barroso ficou conhecido na política internacional como o cicerone de Bush e Blair na cimeira que conduziu o Médio-Oriente ao desastre actual e que tem como consequência, no nosso tempo, o grave problema humanitário dos refugiados e a criminosa guerra da Síria.
Guterres é o homem que encarou a política como uma forma de transformar o mundo para melhor.
Durão Barroso é o exemplo pior do carreirismo e oportunismo na vida política.
Guterres foi eleito para secretário geral da ONU num processo límpido e transparente, e que teve de enfrentar os velhos métodos de golpadas de bastidores, que a Comissão Europeia e a Alemanha tentaram impor.
Barroso foi escolhido para dirigir a Comissão Europeia num processo opaco, como “prémio” pelo seu papel na tenebrosa cimeira do Açores e como uma peça ao serviço da estratégia da Alemanha e do poder financeiro europeu para dominar a União Europeia e destruir direitos socias, num processo que agora, felizmente sem êxito, a mesma Alemanha e a mesma Comissão Europeia pretenderam impor na ONU com a fantochada da candidatura de Kristalina Georgieva.
Se para Guterres não existem derrotados com a sua eleição, existem de facto processos e políticos que, perante a opinião pública e a humanidade, saíram derrotados.
Durão Barroso está do lado dos derrotados, embora tenha a sua vida futura garantida com o confortável “tacho” da Goldman Sach.
Merkel também está do lado dos derrotados, pela atitude que tomou neste processo, embora vá continuar a dominar a União Europeia e a virar o norte conta o sul e o leste contra o oeste. Mas a sua derrota arrasta a própria Alemanha que pretendia, com essa golpada, ganhar influência a apoios para se tornar membro permanente do Conselho de Segurança.
Juncker é outro dos derrotados, pela forma como alinhou na golpada “Kristalina” , embora esteja já a prepara a vingança, avançando como os cortes estruturais contra Portugal. Com a sua derrota arrastou, não só a Comissão Europeia e o politburo de Bruxelas, mas a própria imagem internacional da União Europeia.
Obviamente, entre os derrotados está a própria Kristalina Georgieva, ao alinhar na golpada, viu a sua carreira política abalada, sendo derrotada em toda a linha, e sendo mesmo ultrapassada, na votação final, por outra candidata a quem “passou a perna”, a sua compatriota Irina Bokova, que conseguiu uma votação honrosa.
Derrotado ainda foi o “Grupo de Visegrado” que procurou impor uma idéia absurda, recuperada da Guerra Fria,  como critério de escolha para um futuro secretário geral da ONU, a de “Europa de Leste”. A tal “Europa de Leste”, não passa de um mito, um grupo de países historicamente falhados, que funcionaram e têm funcionado, ora como “espaço vital” da Alemanha, ora como “satélites” do derrotado poder soviético e que hoje representam o que de pior existe no seio da Europa, governos corruptos, antissociais, xenófobos e, cada vez mais, antidemocráticos e antiliberais.
No geral, saiu derrotado um processo de escolha para liderar instituições internacionais, baseado no desrespeito da vontade das populações e nas grandes negociatas nas costas dos cidadãos, como tem sido apanágio na União Europeia nos últimos tempos.
Guterres tem muito trabalho pela frente, começando por alterar profundamente o funcionamento da própria ONU, a começar pelo próprio Conselho de Segurança.
A lista de membros permanentes e o seu poder precisa de ser rapidamente revisto.
É necessário que a África e a América Latina passem a ter representação. Será igualmente importante que tenham assento permanente países asiáticos que façam o contra ponto com a influência da China e seria até importante que desse grupo fizesse parte um país com população de maioria muçulmana.
Depois é necessário reforçar a influência e a legitimidade de outras instituições que emanam da ONU (Unesco, OMS, UNICEF, OIT…) e aumentar o controle sobre o poder do FMI.
Há ainda que combater a muita corrupção que circula pelos corredores daquelas instituições.
À escala global, é urgente resolver a crise dos refugiados e a Guerra na Síria, e, noutro âmbito, a gravidade da situação ambiental, o combate à pobreza infantil e a desregulação económica e social em que o mundo foi lançado durante as últimas duas décadas em que a influência da ONU foi fortemente reduzida.
António Guterres é a última oportunidade para melhorar o funcionamento da ONU e, assim, melhorar a dramática situação mundial.
Guterres é o homem certo no lugar certo e no momento certo.
 
Desejamos-lhe Boa Sorte, porque a sua "sorte" também será a nossa...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Barroso, a Goldman Sachs e a Comissão Europeia…zangam-se as comadres…


Uma extensa reportagem publicada na edição de Sábado do jornal Público revela uma série de e-mail comprometedores para Durão Barroso e para as suas relações com a Goldman Sachs.
Ficamos também a saber que essa relação ainda vem dos seus tempos de governante português, mas também que envolve muita gente na Comissão Europeia, ao ponto de se confundirem os interesses daquele sinistro banco, responsável pela aldrabice das contas gregas e pelas medidas de austeridade de que foi um dos principais beneficiários, com as medidas financeiras que a própria Comissão Europeia tomou, muitas por sugestão de responsáveis por aquele banco.

É caso para se dizer que a Comissão Europeia, pelo menos nos tempos de Durão Barroso, funcionou como uma verdadeira sucursal do Goldman Sachs.

Ou seja, se as atitudes de Durão Barroso são eticamente condenáveis, ele não está sozinho nessa atitude no meio dos burocratas de Bruxelas.

O problema é que Juncker não tem moral para acusar Barroso.

Por outro lado, quando Barroso tem de vir a público negar que aquele banco é “um cartel de droga”, vem, implicitamente reconhecer o carácter mafioso daquele banco, aliás bem evidente na reportagem que transcrevemos em baixo.

Também não pega e é repugnante que Durão Barroso venha agora fazer o papel de virgem ofendida, que estaria a ser atacado por pertencer a um pequeno país, o mesmo país que ele ajudou a afundar, primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente da Comissão europeias que, através da troika, destruiu a vida de muitos portugueses, tudo para salvar os bancos e servir os objectivos de Goldman Sachs…

É caso para dizer que…zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades…do funcionamento da União Europeia..:

“Arquivos da Comissão Europeia revelam que havia proximidade entre Barroso e Goldman Sachs

Por Paulo Pena  

In Público de 24/09/2016

 Os banqueiros faziam chegar “confidencialmente” ao gabinete de Barroso sugestões de alteração às políticas da UE, que os seus conselheiros liam “com grande interesse”. São emails e cartas que mostram como o Goldman se dizia “encantado” com algumas posições de Barroso.

“No dia 30 de Setembro de 2013, Durão Barroso recebeu uma carta de Lloyd Blankfein. “Caro Presidente Barroso”, escreveu o polémico CEO do Goldman Sachs – o homem que numa entrevista comparou o seu trabalho de banqueiro ao “de Deus”. “Muito obrigado por ter conseguido roubar tempo à sua agenda para vir ao Goldman Sachs. Gostei muito da nossa discussão produtiva sobre as perspectivas económicas mundiais.”

“Nessa mesma carta, Blankfein agradece ainda a Barroso por ter participado numa reunião com os “senior partners” do banco. “Sei que eles consideraram a sessão extremamente enriquecedora.” Estes encontros, que não foram tornados públicos na altura, estão descritos num dos 11 documentos (emails, cartas e mensagens) relativos à relação do gabinete do ex-presidente da Comissão Europeia com o banco de investimentos norte-americano entregues ao PÚBLICO depois de um pedido formal ao secretariado-geral da Comissão, em Julho.

“Nesse mês foi revelado que Durão Barroso passaria a desempenhar as funções de presidente não-executivo do Goldman Sachs International, com funções de aconselhamento sobre a estratégia para enfrentar a saída do Reino Unido da União Europeia, o que gerou uma polémica internacional e acusações, ao mais alto nível, na Comissão Europeia. O seu sucessor, Jean-Claude Juncker, anunciou recentemente que Barroso deixaria de ser recebido como ex-presidente da Comissão. Passará a ser um “representante de interesses”, ou seja, um lobbyista. Ainda esta sexta-feira, Durão Barroso disse estar ser alvo de "discriminação".

“Nos documentos do mandato de Durão Barroso arquivados na Comissão Europeia não existe qualquer acta deste encontro na sede do banco norte-americano. Não há, sequer, registos de uma visita ao imponente edifício do n.º 200 da West Street, em Manhattan, nas agendas públicas do presidente da Comissão, esclarece a responsável pelo departamento europeu de acesso a documentos. Não se conhece outra deslocação do presidente da Comissão à sede de um banco de investimentos, para uma reunião discreta e fora da agenda pública.

“Durão Barroso, numa resposta por escrito às perguntas do PÚBLICO, contextualiza: “Fui presidente da Comissão Europeia durante os anos em que a Europa e o mundo viveram uma das maiores crises financeiras da sua história. Naturalmente, mantive contactos institucionais – transparentes e convenientemente registados nos arquivos da Comissão – com as mais variadas entidades políticas, empresariais, sindicais e financeiras. Entre estas encontrei-me, como seria de esperar, com muitos dos principais bancos que operavam no mercado europeu. Tratava-se não só de conhecer o sentimento dos mercados, mas também de passarmos mensagens claras com a posição da Comissão e da União Europeia.”

“Durão Barroso não quis, no entanto, especificar se visitou outros bancos, nem se se reuniu com outros conselhos de administração.

“Os documentos do arquivo da Comissão dão conta de vários encontros de Durão Barroso com representantes do Goldman Sachs (Lloyd Blankfein, Peter Sutherland e Richard Gnodde) nos seus dez anos na presidência, e de alguns outros encontros entre membros do seu staff e dirigentes daquele banco. Porém, este arquivo não é exaustivo. Só a partir do final de 2014 passou a ser regra, na Comissão, a publicidade de todos os encontros de comissários com representantes de instituições ou interesses privados. Logo no primeiro email deste conjunto que o PÚBLICO revela, uma funcionária pergunta se o email com um pedido de reunião de Hank Paulson, então CEO do Goldman, deve ser registado, para constar do arquivo. Uma outra funcionária (não identificada, uma vez que os serviços da Comissão rasuraram os nomes de todos os participantes nesta troca de correspondência que não fossem altos dirigentes ou titulares de cargos políticos) remete a pergunta para um superior hierárquico, com a indicação de que o conselheiro principal de Barroso “é desfavorável” ao arquivamento.

“Ao contrário de Paulson, que saiu do Goldman para secretário do Tesouro de George W. Bush, nos EUA, os responsáveis europeus não doaram o seu telemóvel a nenhum museu, nem tornaram público o registo de chamadas ou as agendas de reuniões. A Europa divulga as reuniões “formais” e “informais” em que participam os seus dirigentes, mas não existe nenhum registo para encontros como o que juntou, lado a lado, Barroso e Peter Sutherland num jogo de futebol, no estádio do Manchester United, a 13 de Março de 2007. O que torna impossível detalhar a frequência dos contactos. Embora não a proximidade.

“Barroso desmente “categoricamente” favorecimento

“Quando Durão Barroso visitou o Goldman Sachs em 2013,  este não era um banco qualquer. Em 2010 tinha sido acusado por fraude pela Securities and Exchange Commission (SEC, o regulador do mercado de capitais norte-americano) e aceitara pagar, para ver o caso arquivado, aquela que era, à data, a maior multa de sempre na história da regulação dos EUA: 550 milhões de dólares. Mas além das responsabilidades apuradas na crise de 2008 – que teria um efeito na crise das dívidas do Sul da Europa –, havia um outro caso que, na altura, agitava Bruxelas. No debate político na Grécia, e nos restantes países europeus, o nome “Goldman Sachs” era tóxico.

“O ex-presidente da Comissão Europeia nega qualquer tipo de relação preferencial com o Goldman Sachs. “É importante sublinhar que se enquadra naturalmente nas competências e deveres do presidente da Comissão a realização de contactos com entidades externas. Mas, ao singularizar-se uma determinada entidade financeira, pode estar a sugerir-se que houve de algum modo uma relação privilegiada. Desminto categoricamente qualquer contacto ou relação especial com qualquer entidade financeira durante o exercício dos meus mandatos na Comissão.”

“De uma forma inédita, o actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, lançou, a 12 de Setembro, uma investigação que pretende apurar se Barroso quebrou alguma norma europeia ao transitar da Comissão para o banco de investimento. Juncker decidiu ainda que Barroso passaria a ser recebido nas instituições europeias como um “representante de interesses” e não como um ex-presidente.

“Estas decisões foram tomadas após a provedora europeia Emily O’Reilly ter solicitado à Comissão um esclarecimento sobre a “aparente arbitrariedade” que o estipulado período de cooling-off, de 18 meses, coloca. É um facto que Barroso cumpriu esse tempo, entre ter deixado as suas funções públicas e ter assumido as novas funções privadas, mas O'Reilly considera que “certos casos não deixam de ser problemáticos apenas porque passaram 18 meses”.

“Além de Juncker e de O’Reilly, também o Presidente francês, François Hollande, fala na necessidade de afastar qualquer dúvida sobre um possível “conflito de interesses” nesta passagem de um responsável europeu para uma instituição financeira: “Já tinha manifestado não apenas perplexidade em relação à escolha profissional de Barroso como também a exigência de que as regras éticas sejam respeitadas e qualquer conflito de interesses afastado”, afirmou Hollande há poucos dias, mostrando agrado pela iniciativa de Juncker.

“Onde acaba o lobbying?

“Os documentos oficiais que o PÚBLICO consultou mostram que o Goldman Sachs acompanhava de perto a actividade da Comissão Europeia. Lloyd Blankfein, por diversas vezes, elogiou as medidas tomadas por Barroso: “Introduziu importantes reformas que vão fortalecer a União Monetária, restaurar a confiança na supervisão bancária da zona euro e separar os bancos do risco soberano” (carta de Setembro de 2013). No entanto, outros dirigentes do banco foram ainda mais longe. Lisa Rabbe, directora executiva do banco (actualmente trabalha num banco suíço), já em Janeiro de 2005, pouco depois da posse da Comissão, afirmava, num email para o conselheiro principal do presidente da Comissão, Jean-Claude Thébault: “o Goldman Sachs está encantado” com algumas políticas do “presidente Barroso” e “pronto a ajudar”.

“A “ajuda” podia ter várias formas. Lisa Rabbe, que tinha a seu cargo o departamento de relações com governos na Europa, exemplifica: “O Goldman Sachs tem contribuído com dados e ideias para a iniciativa da presidência holandesa sobre a redução de barreiras a M&A [fusões e aquisições] de bancos na Europa.”

“Noutro email, de Junho de 2008, a mesma responsável apresentava-se como “antiga colega de António Borges” (que fora director do Goldman Sachs até essa altura e tinha sido nomeado, em 2006, conselheiro de Durão Barroso). A mensagem era dirigida a dois membros do gabinete do presidente da Comissão, o português António José Cabral e o inglês Matthew Baldwin. Desta vez, a representante do Goldman sugeria um encontro com um colega seu, do banco, para falar de vários assuntos, entre eles como “as restrições nas políticas de livre circulação de capitais, trabalho e tecnologia” estavam “a limitar o crescimento da oferta”.

“A actividade de lobbying está regulamentada na União Europeia, e o Goldman Sachs está acreditado na base de dados pública Transparency Register. O banco declara que gastou, em 2015, perto de 1,3 milhões de euros em lobbying na UE. Tem seis representantes registados.

“Um deles é Jenny Cosco, que tem credenciais para abordar deputados e serviços do Parlamento Europeu. Porém, Cosco tinha, também, acesso directo ao gabinete de Barroso. A 5 de Agosto de 2005, a representante do Goldman Sachs enviou, “confidencialmente” (sic), para a presidência da Comissão um relatório com sugestões sobre a legislação em matéria financeira, com a posição do banco sobre as regras que limitam o short selling (venda a descoberto).

“Menos “confidencialmente”, Cosco enviou ainda as posições tornadas públicas pelas associações que agrupam os interesses do sector financeiro (Association for Financial Markets e ISDA) sobre produtos financeiros derivados (CDO, CDS, swaps...). Em resposta, recebeu a garantia, de um funcionário do gabinete de Barroso, de que aquelas posições seriam lidas “com grande interesse”.

“Barroso argumenta que essas abordagens são comuns. “Foi sob a minha liderança da Comissão Europeia que esta promoveu o maior programa de regulamentação do sector financeiro de que há memória. Mais de 40 textos legislativos, propostos pela Comissão, viriam a estabelecer regras e princípios de responsabilização e transparência no sector financeiro, o qual, até então, se encontrava em larga medida fora da regulamentação efectiva dos poderes públicos europeus. É natural que os visados tenham de algum modo procurado transmitir o seu ponto de vista sobre a legislação em preparação pela Comissão. Mas posso garantir que nunca nenhuma entidade financeira me abordou sobre a matéria nem chegou ao meu conhecimento qualquer démarche específica eventualmente feita nesse sentido.”

“Nomeações polémicas de banqueiros Goldman

“Esta troca de correspondência consultada pelo PÚBLICO termina em 2014, com um convite dirigido por Barroso ao número dois de Blankfein, Richard Gnodde, para um pequeno-almoço em Davos, a 24 de Janeiro, à margem do encontro anual do Fórum Económico Mundial, naquela estância suíça. O mesmo convite terá sido dirigido a outros representantes de outras empresas, assegura ao PÚBLICO fonte próxima de Barroso.

“O seu mandato estava prestes a terminar. Ainda durante os previstos 18 meses de hiato, Barroso foi acumulando, com a concordância expressa da Comissão Europeia, várias actividades profissionais. A 5 de Novembro, a Comissão autorizou-o a assumir funções no Fórum Económico Mundial e nas universidades Católica de Lovaina e de Genebra. Um mês depois, nova autorização, desta vez para cargos especificamente não-remunerados: presidente honorário da Cimeira de Negócios Europeia, membro da Fundação Jean Monet, professor honorário do Politécnico de Macau, co-presidente do Centro Europeu para a Cultura, membro do Conselho Internacional da Ópera de Madrid e do conselho consultivo da associação Mulheres no Parlamento. A 16 de Dezembro de 2014, Barroso foi autorizado a integrar os quadros do Instituto de Políticas Públicas de Belgrado, o Conselho de Curadores do Europaeum, o Comité de Directores do grupo Bilderberg, o conselho consultivo da McDonough School of Business da Universidade de Georgetown e a presidência da Fundação UEFA para as crianças. A 15 de Abril de 2015, Barroso recebeu o último lote de autorizações da Comissão para ser professor visitante da Universidade da Califórnia e presidente da Fundação Palácio das Belas Artes em Bruxelas.

“A presidência não-executiva do Goldman Sachs International não carecia de aprovação, por ser assumida mais de 18 meses após o final do mandato. Curiosamente, Barroso passou a ocupar um cargo que fora de um homem por si nomeado conselheiro: Peter Sutherland, que Barroso anunciou em Salzburgo, aos jornalistas, em Janeiro de 2006, que iria ser um dos quatro membros de um restrito painel de consultores especiais para a Energia, ao lado de António Borges, que nessa altura era vice-presidente do Goldman.

“Porventura a mais polémica das nomeações de Barroso no universo de quadros do banco foi a de Otmar Issing para o “Grupo de Alto Nível” que lançou as bases da reforma europeia do sector financeiro. Num relatório de quatro ONG (Corporate Europe, SpinWatch, Lobby Control e Friends of the Earth/Europe), este “grupo de sábios” nomeado pelo presidente da Comissão Europeia é muito criticado: “É composto por pessoas com ligações próximas à indústria financeira, ou a instituições que, em maior ou menor medida, estão implicadas na crise.” O alemão Otmar Issing, consultor do Goldman Sachs, era, nesse relatório, acusado de estar numa situação de “conflito de interesses”, por aconselhar políticas que afectavam directamente a actividade do banco para o qual trabalhava.

“Barroso no entanto orgulha-se da legislação que fez aprovar e o próprio CEO do Goldman não poupou elogios às suas “importantes reformas”. Nas respostas que enviou ao PÚBLICO, o ex-presidente da Comissão recorda que, apesar de tudo, o mundo financeiro não esgotava a sua actividade em Bruxelas: “Para além do relacionamento político ao mais alto nível, nomeadamente com os chefes de Estado do G8 e do G20, tive um elevado número de reuniões com as principais associações empresariais europeias (como as da indústria) e com as principais organizações dos sindicatos europeus e, estes contactos, que parecem não suscitar o mesmo interesse mediático, foram com certeza muito mais frequentes do que aqueles que a Comissão e eu próprio tivemos com entidades financeiras em geral, ou com qualquer banco em especial.”

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(Barroso, um nojo de politico):"Por Favor, não nos confundam com o sr. Barroso"

Durão Barroso tem vindo a comportar-se, na sua longa vida política, como o estereótipo de tudo aquilo que mais abominamos na vida política : o carreirismo e o oportunismo, para além do abuso da  paciência cívica dos cidadãos cumpridores e trabalhadores, ao tomar atitudes que atingiram negativa e dramaticamente a vida desses mesmos  cidadãos e contribuíram para desprestigiar uma instituição, como a União Europeia, que tanto sacrifício exigiu para ser construída.
Durão Barroso está ligado a alguns dos mais negros episódios da história recente, como a célebre cimeira das Lajes, que conduziu o mundo para o desastre actual, e o programa de austeridade imposto aos cidadãos trabalhadores e honestos da Europa para salvar  e manter o corrupto sistema financeiro europeu.
A sua incompetente passagem pela presidência da Comissão Europeia contribui igualmente para a decadência do projecto europeu e para o arrastar do criminoso processo dos refugiados.
Não é por isso de espantar a sua grande falta de escrúpulos em aceitar o emprego no mafioso grupo financeiro que dá pelo nome da Goldman Sachs.
O que é de espantar é a reacção do politburo de Bruxelas, nomeadamente do sr. Juncker, o sr. “Luxleaks”.
….gente eticamente corrupta que critica outro eticamente corrupto…tem mil anos de …corrupção ética!!!????

(Em baixo transcrevemos a notícia editada pelo "Diário de Notícias" de hoje):
 
"Trabalhadores públicos das instituições europeias esperam que Barroso "entenda que errou". Durão "vai trabalhar para o outro lado".
 
"Os funcionários europeus vieram demarcar-se do "gesto" de Durão Barroso ao aceitar um cargo no banco que consideram responsável pela crise que se abateu sobre a Europa. Em declarações ao DN, um dos funcionários do grupo informal que lançou uma petição para que o português perca todas as regalias do cargo que exerceu em Bruxelas pede "por favor" para não serem confundidos com o ex-presidente da Comissão Europeia.
 
"O que queremos é dizer às pessoas, por favor, não pensem que somos todos como o nosso ex-presidente. Já chega sofrermos pela má reputação do trabalho que se faz em Bruxelas. Somos acusados de trabalhar para os grandes grupos ou para os lobistas, mas também temos pensamento próprio e também somos cidadãos europeus e consideramos que há coisas que não podem ser feitas", considera o funcionário da Comissão.
 
"O grupo que junta "trabalhadores públicos de todas as instituições europeias" espera que "Barroso entenda que errou ou que o Goldman Sachs perceba que talvez não seja bom [contratar] essa pessoa que tem sido amplamente denunciada".
 
"Numa carta enviada ontem ao atual presidente da Comissão Europeia, Durão alega que levantar "questões de integridade" sobre a sua contratação para o Goldman Sachs são "afirmações sem fundamento e completamente sem mérito" e, além do mais, "são discriminatórias" contra ele e "contra o Goldman Sachs, uma firma regulada que opera no mercado interno".
 
"Porém, os funcionários dizem--se "chocados" e consideram que "o gesto de Durão Barroso é uma traição aos interesses europeus e às instituições europeias".
 
"Estamos profundamente chocados com esta mudança e com este desejo em particular de trabalhar para um banco privado internacional, que esteve no centro da crise do subprime que, na realidade, levou centenas de milhares de milhões de cidadãos europeus a ter problemas económicos e sociais", afirma o funcionário que, sob anonimato, aceitou falar com o DN.
 
"Saber que o homem que foi nosso presidente durante dez anos e por quem nós demos plenamente o nosso trabalho vai agora trabalhar para o outro lado... não podemos aceitar", afirma o funcionário da Comissão, acrescentando que "o Goldman Sachs tem sido o inimigo do bem-estar europeu e da construção europeia".
 
"Barroso defende-se das acusações dizendo que, do ponto de vista legal, foi "extremamente cuidadoso para assegurar o estrito cumprimento das regras da Comissão", quando aceitou o contrato. "Fui para o Goldman Sachs 20 meses após o fim do meu mandato, um período que excede o alargado período de nojo de 18 meses (antes 12 meses) instituído por mim durante a minha presidência", escreve o antigo presidente da Comissão.
 
"No entanto, os funcionários esperam que "o relatório do comité de ética", lançado pelo presidente Jean--Claude Juncker, no âmbito deste caso, se traduza na "conclusão de que algumas medidas têm de ser adotadas contra o senhor Barroso".
 
"Rangel ataca Juncker
 
Já o PSD continua a sua defesa do seu ex-líder, em Portugal e na Europa. O vice-presidente do Partido Popular Europeu Paulo Rangel defendeu ontem que não se pode transformar a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs numa "questão política" e que a Comissão Europeia não pode "ter estados de alma, tem de se restringir às leis".
 
"Num ataque à comissão de Junker, Rangel denuncia uma "perseguição pessoal" e uma "fulanização" que é igualmente uma "discriminação", pois "já vimos episódios destes com Mário Monti, com Romano Prodi, com Neelie Kroes e com outros e que após um período de nojo foram para atividades privadas e, nalguns casos, na mesma empresa em que está Durão Barroso e não houve nenhuma destas reações".
 
"Rangel acusa Juncker de estar a ceder aos "populismos de extrema-direita e de extrema-esquerda" e a alimentar "telenovelas" que só servem interesses de "partidos como o da senhora Le Pen ou como o Bloco de Esquerda".
 
"O eurodeputado do PSD alerta também para uma "coincidência muito infeliz de timings". Rangel denuncia que o apoio público manifestado pelo chefe de gabinete de Juncker a uma eventual candidatura de Georgieva coincide com a tentativa de "enfraquecer uma candidatura portuguesa [à ONU], que é neste momento a mais forte".
 
"Para Rangel, a Comissão Europeia "tomou a iniciativa de encorajar uma candidatura da senhora Georgieva e na mesma semana existe a tentativa de procurar apoucar a imagem de um português que teve, até agora, o cargo internacional mais relevante nas vésperas de outro português ter outro."

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Dos Portugueses que nos orgulham (selecção nacional) ao português que nos envergonha (Durão Barroso).


Não será por acaso que a maior parte da imprense francesa coloca, em sequência ou lado a lado,  a notícia da vitória da selecção portuguesa no final do campeonato da Europa, e a notícia, com o mesmo destaque, da vergonhosa contratação de Durão Barroso.
Ao estilo “Correio da Manhã”, tentam relacionar as duas coisas, como que a dizer que os portugueses são todos a mesma coisa e, com isso, desvalorizando os portugueses.
De facto, a vergonhosa atitude de Barroso ensombra esta hora de orgulho em ser português.
Mas, rematando com a crónica de hoje de Rui Tavares, onde demonstra a falta de ética de Barroso, crónica escrita ainda antes de se saber do resultado da final, referindo-se à satisfação dos emigrantes portugueses em França com uma vitória da sua selecção, se, chegando hoje ao trabalho “de peito cheio e sorriso de orelha a orelha”, algum colega “lhes disser que isto do Durão Barroso na Goldman Sachs é uma vergonha”, podem responder: “tens toda a razão. Mas nós temos a taça”.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

"Brexit" : A União Europeia morreu…viva a União Europeia!!!


 
A vitória do “Brexit” foi o desfecho lógico da irresponsabilidade das lideranças não democráticas das instituições europeias nos últimos 15 anos, que tiveram como responsável máximo Durão Barroso.
A vitória do “Brexit” é igualmente o desfecho lógico das “reformas estruturais” impostas aos cidadãos europeus nos últimos anos por instituições europeias sem controle democrático, para salvar o corrupto sistema financeiro, à custa de cortes salariais e nas pensões, desemprego e aumento de precariedade, retirada de direitos socias, degradação do Estado Social e aumento das desigualdades e da pobreza.
A vitória do “Brexit” é ainda o desfecho lógico da legitimação dada pelos políticos da direita europeia ao discurso xenófobo e anti-emigração da extrema direita, e que esses políticos neoliberais integraram nos seus programas e discursos para se salvarem eleitoralmente.
A vitória do “Brexit” não foi a vitória dos defensores deste discurso, porque estes estavam nos dois lados da barricada e a União Europeia, em desespero, já tinha cedido, de forma oportunista e vergonhosa, às propostas de Cameron que íam ao encontro dos desejos da extrema direita britânica em relação a essa matéria. Não foi por isso o problema da emigração que pesou na decisão final, mas o descrédito da União Europeia.
Cameron teve a nobreza de se demitir. Espera-se que os arrogantes e irresponsáveis lideres da “troika” europeia (lideranças nunca legitimadas democraticamente, como as do sr. Tusk, do, Conselho Europeu, do sr. Juncker, da Comissão Europeia, e, o pior de todos, a do sr. Dijssolbloem do Eurogrupo), saibam tira as devidas consequências e se demitam para permitir, não só renovar essas instituições, como contribuir para criara condições de melhor controle democrático das mesmas.
Infelizmente os primeiros sinais dados por essa gente não são os melhores, como o revelam as afirmações, com a arrogância do costume, do presidente do eurogrupo, o “trabalhista” (???) holandês Jeroen Dijssolbloem, afirmando que “a Europa não está em pânico”  (uma afirmação que, analisada por um psiquiatra deve ser lida como uma prova de que, pelo menos quem as declarou, está mesmo em “pânico”) e que, desrespeitando a escolha democrática dos britânicos, a Grã-Bretanha escolheu a “instabilidade”, mas a União Europeia deve “escolher outro caminho” (… nós já conhecemos o “caminho” defendido pelo sr. Dijssolboem!!!) e, a rematar do alto de toda a sua arrogância, conclui que não se deve “aprofundar” e alargar a União Europeia (quando, a saída que resta ao projecto europeu, é aprofundá-lo, social, democrática e economicamente).
A União Europeia e o seu generoso e ambicioso projecto fundador está numa encruzinhada: ou continua a caminhar nas mãos do sr.Juncker, do sr. Tusk, do sr.Dijssolbloem, sob a batuta do sr. Schauble, ou se livra desses burocratas, ao serviço do corrupto poder financeiro europeu relançando, sob novas lideranças, com instituições mais democráticas, os princípios da solidariedade, igualdade, subsidiariedade, aprofundando o Estado Social europeu. Infelizmente não se vislumbram no seio da União Europeia lideres com a envergadura  para recolocarem o projecto europeu nos carris.
Por outro lado, uma das consequências para a Grã-Bretanha vai ser a legitimação dos desejos independentistas internos. Vai ser engraçado ver os líderes europeus, que há apenas uns meses atrás usaram todo o tipo de ameaças e chantagens para combater o desejo de independência da Escócia, alterar agora, de forma oportunista, como de costume,  a sua posição.
A procissão ainda vai no adro, mas a Europa, a partir de hoje, não vai voltar a ser a mesma: ou é o início da sua desintegração, com custos humanos muito elevados, ou é o início de uma nova etapa regeneradora, mas que só pode ser feita varrendo a actual liderança e reformando profundamente o funcionamento das suas instituições…

terça-feira, 9 de junho de 2015

O BCE explicado às criancinhas...ou ...uma cambada de ladrões muito competentes e... bem pagos


Do site Free Zone, um site de informação alternativo, alertado por um amigo, encontrei um interessante texto, da autoria de Luís Arriaga, intitulado "Explica-me como se eu fosse muito burro", sobre o funcionamento do Banco Central Europeu e como essa instituição serve para resgatar bancos à custa da austeridade sobre os cidadãos europeus.

É mais uma prova do modo com a actual crise foi organizada para efectuar o roubo mais bem organizado da história.

Ao longo da minha vida fui roubado algumas vezes.

Lembro-me de me terem roubado uma carteira na Feira de S.Pedro, quando era míudo. Perdi uma carteira boa e vinte cinco tostões que lá tinha para gastar na feira.

Já em adulto, numa viagem a Madrid, roubaram-me uma mala do carro, partindo um vidro, onde estava um rádio portátil e uma máquina fotográfica que não era minha mas que me tinha sido emprestada, e por isso tive de encontrar uma máquina parecida para devolver ao dono. Não sei calcular exactamente o valor desse roubo, talvez o equivalente a uns cem euros.

Mais tarde assaltaram-me o sótão de onde me roubaram uma bicicleta com os pneus furados, aí no valor de uns 50 euros.

Por três vezes partiram os vidros de carros da minha família, sem encontrarem nada para roubar, tendo-me custado uma despesa que, na totalidade, nos custou uns trezentos euros.

Conheço também histórias de assaltos sofridos por conhecidos ou amigos meus, ou velhas histórias de assaltantes de estrada, no caminho que ligava Torres Vedras a Lisboa.

Hoje, perante a roubalheira de que fui vítima nos últimos anos, desde que nos impuseram o euro e desde que a Comissão Europeia, principalmente a de Barroso, o BCE, de Vitor Constâncio, e o FMI de Vitor Gaspar,  inventaram este roubo generalizado às pensões e aos salários e este aumento "brutal" da carga fiscal sobre o trabalho, e depois de ler o artigo em baixo transcrito, considero que os assaltantes acima descritos foram uns heróis, que arriscaram a liberdade por uma valor irrisório que me conseguiram roubar o equivalente a uma pequena migalha, face àquilo que gente engravatada, da Comissão Europeia, do BCE, do FMI e outros, gente muito bem vista pela comunicação social e bem paga, que continua a aparecer sorridente e sem vergonha em conferências e entrevistas, me tem roubado na última década.

Aqueles, acima referido, que me roubaram sem rodeios ao longo da minha vida, afinal são mais honestos e humanos que todos os Barrosos, os Constâncios ou os Gaspares que povoam este filme de terror social chamado União Europeia....

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O "Crime Compensa"...ou "Estão bem um para o outro" : Balsemão escolhe Durão Barroso para lhe suceder no "Clube" Bilderberg.


Barroso acaba de ser recompensado pelas malfeitorias que executou contra os cidadãos europeus ao longo dos piores anos da história da União Europeia:


Durão Barroso, recorde-se, foi um dos mais ferrenhos apoiantes da política de Bush para o Médio Oriente, que abriu o caminho à formação do Estado Islâmico, sendo premiado com a presidência da União Europeia, cargo em que conduziu a Europa para a actual crise financeira, que resgatou a alta finança à custa da perda de direitos dos cidadãos europeus.

Durão Barroso acabou com a solidariedade europeia e começou a desmantelar o modelo social europeu, para beneficiar o corrupto sector financeiro europeu e fortalecer o poder da Alemanha.

Não é por isso de admirar que receba um alto cargo na organização secreta que está por detrás da organização do roubo mais bem organizado da história, a actual "crise" financeira.

Podem consultar AQUI como é que esse sinistro grupo ultra secreto da alta finança internacional planeou a crise em que vivemos.

Num livro recentemente editado em Portugal, a jornalista Cristina Martinez Jimenes foi uma das muitas que teve a coragem de desmontar as intenções dessa organização, que funciona ao estilo mafioso. Entre uma dessas intenções está a de substituir a  democracia por um governo sombra de poderosos, uma das principais missões desse bando mafioso, como podem ler também AQUI .

Aliás, em Março já essa jornalista chamava a atenção para a importância que Durão Barroso tinha para os objectivos dessa organização, como se pode ler AQUI.

Também nós já nos tinhamos referido a essa organização anti-democrática AQUI.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mais uma herança do "comissário" Barroso: Histórias de horror à partida, intolerância à chegada

Chegou a hora de os governos europeus  “enfrentarem as suas responsabilidades”. Foi neste termos que Jonh Dalhiusen, responsável da Aministia Internacional na Europa e na Ásia Central, se referiu à tragédia que mais uma vez aconteceu no Mediterrâneo.

A “Europa” e grande parte dos seus governos tem  graves responsabilidades na situação que resulta do aumento de insegurança, nas guerras incontroláveis e no caos económico e social em que o Norte de África, a África central e o Médio Oriente estão envolvidos.

Foi a “Europa”, nomeadamente através daquele que foi o seu líder máximo nos últimos dez anos, Durão Barroso, que apoiou a guerra do Iraque que conduziu à actual situação no Médio Oriente e disseminou as sangrentas guerras religiosas que se espalharam por aquelas regiões.

Foi a “Europa” que, desrespeitando a ONU, destruiu os equilíbrios no Norte de África, por via da forma irresponsável como apoiou a acção da NATO contra o ditador Kadhaffy, deixando populações inteiras entregues ao caos e à mais absoluta miséria.

Foi a “Europa” que, mercê das suas políticas de austeridade, resolveu retirar o apoio financeiro ao programa de resgate e salvamento “Mare Nostrum”, aplicado em 2013 e abandonado passados poucos meses, porque os parceiros europeus da Itália se recusaram a partilhar os gastos dessa operação.

Uma das razões das tragédias diárias no Mediterrâneo prende-se com o facto de “navios mercantes mal equipados” estarem a ser “enviados para cumprir funções, para as quais não foram preparados”, como afirmou um repórter do jornal Times of Malta, exactamente porque países como a Itália e Malta, ameaçados financeiramente pelas políticas de austeridade impostas pela União Europeia, sem apoio para operações e meios de equipamento caros, têm estado práticamente sozinhos a actuar em acções de salvamento e resgate.

As guerras, que se acentuaram pela desagregação e descritibilidade da ONU, levada a cabo por George Bush jr no principio do século, com  o apoio de Durão Barroso, Tony Blair e Aznar, levam populações inteiras a terem de se deslocar à procura de melhores condições de vida e, essencialmente, de um futuro e de paz.

Ainda no último Sábado o representante da Agência da ONU para os refugiados em Itália culpava a “retórica extremista e irresponsável” contra a imigração pelas falhas nas operações de resgate, acrescentando que, neste “momento, em muitos países europeus, o diálogo político e a retórica são bastante extremistas e irresponsáveis” devido ao medo de perderem eleições que estão calendarizadas para os próximos tempos, como é o caso britânico, o país que tem sido o principal responsável por se andar a adiar o apoio eficiente aos países que têm de enfrentar o drama.

A União Europeia é também responsável por ter feito do Mediterrâneo a principal via da imigração clandestina, ao apoiar e fomentar autêntico muros fronteiriços nas fronteiras terrestres de Espanha, Grécia e Bulgária.

A afirmação do presidente da Câmara da ilha grega de Kos é o exemplo máximo da mentalidade com que muitos políticos europeus encaram a situação ao afirmar, na semana passada, que “não dava nem uma garrafa de água aos refugiados que chegam à ilha, porque estes afastam os turistas” (!!!!).

De uma União Europeia refém do poder financeiro, poder este construído através da miséria de povos inteiros, através dos negócios de armamento e onde circula o dinheiro dos traficantes que estão por detrás da organização das vagas de imigrantes que são lançados no Mediterrâneo a caminho da Europa, não será de esperar qualquer resolução série a permanente para o problema,                 quanto muito algumas afirmações de circunstância e medidas avulso.

Procurem os responsáveis pela miséria africana, pela desintegração do Iraque, do Afeganistão, do Paquistão, da Líbia e da Síria e encontrarão os verdadeiros responsáveis , pela fuga em massa de populações inteiras que se afogam depois no Mediterrâneo…mas isso não interessa aos políticos europeus nem ao sistema financeiro que eles representam, nem à comunicação social por eles controlada.

A tão apregoada globalização só é defendida para a circulação de capitais e para a deslocalização de grandes empresas. Os povos, esses estão condenados a viver na miséria, sem poderem fugir, ou arriscando a vida em travessias mortais.

Histórias de horror à partida, intolerância à chegada (clicar para ler).

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Como descreditar uma Universidade: Durão Barroso recebe hoje em Madrid um doutoramento "honoris Causa


Segundo notícia hoje divulgada, Durão Barroso vai receber hoje  um doutoramento 'honoris causa' pela Universidade Europeia de Madrid. "Considerado um dos principais políticos da história recente, Durão Barroso trabalhou a favor da cidadania no processo de integração europeia e exerceu um importante papel mediador a favor da paz e da conciliação dos povos", indicou a instituição numa nota de imprensa

E assim se presta um valioso contributo para desacreditar um instituição universitária do país vizinho.

Como é que se pode afirmar que o homem "trabalhou a favor da cidadania no processo de integração europeia"? Estamos a falar da mesma pessoa que contribuiu para destruir a solidariedade europeia, que contribui para tornar as instituições europeias meras serviçais dos obscuros interesses do sistema financeiro,  que governou contra a vontade e os direitos dos cidadãos europeus que, em democracia, sempre se manifestaram contra a austeridade que ele tão bem defendeu enquanto representante da Comissão Europeia e que tanto contribuiu para desarticular um dos pilares da União Europeia, o Estado Social com tanto esforço construído pelos seus antecessores no seu cargo? .

E como é que se pode afirmar que "exerceu um importante papel  mediador a favor da paz e da conciliação dos povos"? Estamos a falar do mesmo homem que tão diligentemente se prestou a apoiar Bush na invasão do Iraque, acção que teve os resultados hoje visíveis no Médio Oriente, e que, por esse serviço, abandonou o governo do seu país para receber como prémio a liderança da Comissão europeia?

Não havia melhor maneira de desacreditar os valores que são ensinados na Universidade Europeia de Madrid!!!


Mas de Espanha não vêem só más notícias. Em baixo podem ler uma notícia que é um importante contributo para desmascarar a acção de Durão Barroso:



quarta-feira, 18 de março de 2015

Crise e austeridade tiveram impacto acentuado nos direitos fundamentais em Portugal


A notícia tem passado quase despercebida na comunicação social.

Foi apenas notícia num canal por cabo de ontem, numa hora de pouca audiência.

Um relatório elaborado pela única instituição com legitimidade democrática da União Europeia, mas sem qualquer poder efectivo, o Parlamento Europeu, denuncia os resultados das políticas de austeridade levadas a cabo pela troika em Portugal.

Segundo esse relatório, os Direitos do Trabalho têm sido os mais violados, com reflexos negativos nos direitos à saude e à educação, atingindo directamente a situação social de uma parte significativa das crianças portuguesas.

Um relatório que confirma aquilo que recentemente a Amnistia Internacional já tinha referido em relação à mesma austeridade imposta a Portugal e a outros países  da UE.

É uma vergonha !!!!

terça-feira, 10 de março de 2015

A "aparição" : Cavaco protege Coelho e "designa" sucessor...

Nos últimos dias o Presidente da República tem estado no centro das atenções.

Por maus motivos, acrescentamos nós.

Por um lado, porque veio romper o seu longo mutismo para vir defender a sua dama, o mesmo é dizer, o seu querido governo coelhista, procurando desvalorizar a gravidade da situação fiscal do Primeiro-Ministro.

Ao que parece, para Cavaco Silva, esquecer-se de pagar vários milhares de euros à segurança social e atrasar-se no pagamento do IRS, ao longo de anos sucessivos, é algo rotineiro e normal, principalmente quando essa prática é assumida por um primeiro-ministro seu protegido que andou a apelidar os portugueses de “piegas” , lançou uma violenta perseguição fiscal aos portugueses que trabalham e produzem, veio invocar os compromissos com o corrupto mercado financeiro internacional para justificar a espoliação fiscal dos portugueses e travou, através dos seus apoiantes políticos, uma proposta parlamentar que visava impedir que portugueses com dificuldades financeiras ficassem sem as suas habitações por dívidas ao fisco.

Se alguém tinha dúvidas sobre a parcialidade do mandato de Cavaco Silva e sobre o seu apoio à austeridade imposta pelo governo, elas ficaram mais uma vez evidentes.

Mas Cavaco Silva não se ficou por aqui.

Em mais um dos seus actos de mera vaidade pessoal, acaba de editar, com o dinheiro dos contribuintes, diga-se, o 9º volume da sua “obra” “Roteiros”, onde reúne as suas inócuas, cabalísticas e literariamente enfadonhas intervenções políticas, “obra” sempre acompanhada de um prefácio que não passa de um mal amanhado comentário à situação política portuguesa.

Desta vez o tema é o perfil que ele traça para o seu sucessor. A Coreia do Norte, a Síria, Cuba ou a Venezuela não fariam melhor.

O perfil traçado faz lembrar aqueles concursos públicos do tempo em que Cavaco era governante e que fez escola nos anos seguintes, onde  os critérios para o perfil de um candidato eram de tal forma afunilados que apenas faltava colocar à frente o nome do escolhido.

O escolhido de Cavaco, já se percebeu, é Durão Barroso, o “grande timoneiro” que conduziu a Europa para o desastre, o lambe botas de George Bush, que abriu caminho à formação do Estado Islâmico, e aquele que tanto contribuiu para as malfeitorias impostas aos portugueses pela troika. De facto o “escolhido” tem uma grande experiência de “relações internacionais”.

Não fosse trágico para os portugueses, terem um presidente como este, num momento destes, candidato ao pior da história de democracia, e tudo isto não passava de uma grande anedota…

Com gente como esta apenas um grupo profissional continua a ter o futuro garantido….o dos cartoonistas…

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

SOMOS TODOS GREGOS: Contra a chantagem da União Europeia, cartoon's solidários com o povo grego...

É uma vergonha a chantagem que está a ser exercida pelas instituições europeias em relação ao povo grego, por causa da possível escolha que os gregos vão fazer em acto eleitoral live, uma escolha que não agrada aos burocratas da troika (Comissão Europeia, Alemanha, BCE, FMI...).

O que aconteceu na Grécia é apenas o retrato futuro de muitos outros povos europeus se a política de austeridade que nos tem sido imposto continuar nos próximos tempos.

Por isso estamos solidários com os gregos e, uma forma de os apoiarmos,é divulgar um conjunto de cartoon's que, com ironia, resumem a atitude europeia e as consequências das medidas de "ajustamento" na Grécia e, a prazo, noutros países da europa sujeitos à ditadura da troika.

É caso para dizer: SOMOS TODOS GREGOS!!!