Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta fake news. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fake news. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Apagão e Fake News


Nos primeiros minutos depois do apagão, uma das primeiras notícias que li, divulgada aparentemente por um orgão de comunicação espanhol, posteriormente reproduzida por outros orgão de comunicação e pela rádio era que, na origem desse acontecimento, estava um incêncio no sudoeste da França que teria danificado cabos de alta tensão, afastando assim a hipótese de um cyberataque.

Entretanto foram surgindo outras versões, identificando-se  origem do apagão em Espanha, cujas cauasas foram atribuidas a um fenómeno atmosférico raro.

Contudo, também essa versão ainda não é certa.

A melhor forma de não espalhar fake news é não serem as próprias autoridades a lancarem suspeitas infundadas. 

Por cá, a primeira comunicação de um membro do governo foi colocar a hipótese de um cyberataque, e o Sanchez, em Espanha, foi pelo mesmo caminho durante o dia de ontem.

Nada disso contribuiu para acalmar a população. Felizmente as pessoas souberam comportar-se e estar à altura das circunstâncias. 

Até agora, todos os verdadeiros técnicos que tenho ouvido até ao momento (e não os "tudistas" do costume, nem os antigos ministros do ambiente ou gestores de empresas energéticas, por nomeação política, estes são tão crediveis como os "tudistas") apontam para uma falha técnica, embora ainda não identificada.

E já agora, qual é essa do Zelensky se vir meter ao barulho (notícia de rodapé que estava ontem a correr na CNNPortugal [ou na SIC notícias, já não me lembro])? Está maluco, já manda nisto tudo, ou é apenas oportunista? [a noticia dizia mais ou menos isto: Zelensky oferece ajuda a Portugal e Espanha (??!!!)].

Parece-me que, neste momento, alguns políticos, dentro e fora da Europa, procuram adiar a divulgação dos factos com o objecticvo de retirar dividendos políticos. Para eles tudo teria sido mais fácil se este apagão fosse mesmo um cyberataque, justificando a sua deriva belicista.

É também bom recordar que estão em jogo, e podem ser explorados demagogicamente, opções energéticas, cada uma ligada a lobbies poderosos.

Por tudo isto, é urgente que se divulgue rapidamente a origem deste apagão, para não deixar espalhar os vários oportunismos que se escondem por detrás das fake news que por aí circulam.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

A suspensão do Carnaval de Torres...ou, comparar o incomparável..ou, combatendo aproveitamentos políticos e as fake news..

(foto jornal Público)

Como resposta a umas mentirolas que andam por aí a circular sobre as “virtudes” do Estado Novo em relação ao pós-25 de Abril, no que respeita às proibições do Carnaval de Torres, recordo aqui alguns factos.

Durante os anos de 1927 a 1929, o carnaval de rua organizado conheceu a sua primeira interrupção, desde que se tinha iniciado  nos princípios da década, facto a que não terá sido estranho o inicio da Ditadura Militar, implantada em 28 de Maio de 1926, talvez premonitório da forma como o novo regime lidou com os “excessos” de liberdade permitida pela Carnaval.

Aliás, a história da censura e da perseguição ao Carnaval de Torres, durante esse período, ainda está por fazer.

Por ocasião da 2ª Segunda Guerra, em 1940,  o Carnaval foi mesmo proibido.

Para tornear esse obstáculo, constitui-se, Torres Vedras, uma comissão, formada por um representante de cada colectividade (Tuna, Grémio, Operário, Casino e Sporting Club de Torres) que pediu ao presidente da Câmara para autorizar a realização do tradicional carnaval de Torres. Este autorizou-o, desde que não se fizesse propaganda, para não chegar ao conhecimento das autoridades de Lisboa, e foi assim que o carnaval de Torres ainda se realizou nesse ano.

No ano seguinte, 1941,ensaiou-se o mesmo estratagema, desta vez sem êxito, devido à pressão das autoridades, mantendo-se a proibição no ano seguinte.

Em 1943, apesar da proibição do carnaval de rua, este regressou às colectividades, no Grémio, no Operário, na Tuna e no Casino. Nestas duas últimas colectividades exibiu-se a "Orquestra Sulfidrofónica", diversão musical formada por alunos da Escola Secundária Municipal de Torres Vedras. No Casino chegou mesmo a realizar-se uma recepção ao rei carnaval e reviveu-se o célebre corso, com desfile de “carros” e o tradicional discurso de carnaval.

O Carnaval regressou em 1947, mas com várias interrupções até 1960

Em 1959 realizou-se uma reunião magna no Teatro-Cine para relançar o Carnaval de Torres, formou-se uma comissão que, apoiada na estrutura organizativa da Física de Torres, recuperou, em 1960, o cortejo de rua, que teve lugar durante dois dias, agora ao Domingo e à terça-feira.

Contudo, em 1963 e 1964, o Carnaval voltou a ser proibido. Desta vez a desculpa das autoridades foi a do início da “guerra ultramarina”.

A partir de 1965 voltou a realizar-se, sem interrupções, até 1974. 

Em 1975 foi de facto interrompido, não por qualquer imposição ou proibição política, como tenho visto por aí escrito, sem povas documentais, a não ser o preconceito ideológico, fundamentado em fake news, mas devido à conjuntura política, que implicou mudanças na estrutura organizativa, quer na Câmara, quer nas associações organizadoras, para além do clima de agitação social que se vivia, dificultando a sua organização, mas não impedindo qualquer manifestaçao de rua.

Se no Estado Novo houve várias proibições, como vimos em cima, desde o 25 de Abril apenas se registaram interrupções por dificuldade de organização, no caso do Carnaval de 1975 e em 1984, devido a uma tragédia local, as cheias de 1983, e agora, em 2021 e 2022, por razões de saude pública.

Espero assim, com este breve resumo, repor a verdade e impedir o aproveitamento político que alguns estão a procurar fazer com a actual situação de excepção motivada, volto a repetir, por razões de saúde pública.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

“ANDRÉ VENTURA PELA VERDADE”, onde começa o humor e acabam as fake news?



Ontem caí na esparrela de divulgar uma fake new.

Era um texto, publicado num site credível, onde se reproduzia uma presumível afirmação de D. Manuel Clemente.

Punha na boca do Patriarca de Lisboa a seguinte afirmação:

“Esta narrativa de ódio aos nossos irmãos promovida pelo André Ventura e o seu partido Chega é totalmente contrário aos ensinamentos de Jesus, sendo uma aberração nesta sociedade que se pretende mais justa e mais fraterna. O Santo Padre foi claro quanto a isso na sua Encíclica Fratelli Tutti”.

Acontece que esse post fora retirado de um site intitulado “André Ventura pela Verdade”, acompanhado de um presumível comentário do “próprio” candidato da extrema-direita: “Também tu a atacar-me? Era só o que faltava…”.

Seguiam-se depois dezenas de comentários entre o apoio ao presumível Ventura atacado pelo presumível patriarca e a defesa do “ofendido” com ataques à Igreja.

Eu próprio caí na esparrela de acreditar que aquilo era verdade, mas, se tivesse parado um pouco para raciocinar, devia ter-me apercebido da estranheza daquela frase, por um lado porque aquele não é, não só o estilo de D. Manuel Clemente, que ainda  há poucas semanas se deixou fotografar ao lado do  líder do Chega em recepção cordial, por outro, porque a Igreja portuguesa costuma assumir uma postura mais metafórica e ambígua em termos políticos.

Também me deixei cair na esparrela porque me pareceu que uma frase como aquela era coerente com a nova atitude e a coragem do exemplo do Papa Francisco. Mas isto sou eu que sou um ingénuo…

Espantado fiquei com algumas reacções a esse texto no meu post. Algumas não se indignavam tanto com o facto de ser uma fake new, mas mais com a possibilidade de alguém da Igreja pensar nesses termos. Alguém até considerava aquelas palavras como um incitamento ao ódio (!!!).

Curioso e apercebendo-me do erro, procurei a origem e encontrei-a num site autointitulado “André Ventura pela Verdade”. É um site de humor que, explorando a arma da criação de “factos alternativos”, como se fosse um site do próprio candidato, e usando as próprias armas e argumentos do Ventura e dos seus apoiantes, desmonta assim, pelo ridículo da situação, os próprios argumentos.

Observando com tenção por baixo do cabeçalho, lá está o aviso que me escapou e a muita gente : "Sátira/Paródia" e no próprio cabeçalho outro aviso, em tom humorístico : "As Nossas Fake News São Mentiras Necessárias":



É curioso ver também a quantidade de gente que cai na esparrela de comentar tudo aquilo como se fosse verdade (como eu próprio, aliás, acabei por fazer), mas é um bom barómetro para ver o impacto do fenómeno “Ventura” e os próprios perigos do mesmo.

No fundo, este site faz aquilo que fazem páginas como o “Inimigo Público” ou, lá fora, um “Charlie Hebdo”, embora de forma mais disfarçada e não assumida.

O próprio título goza e glosa  com as muitas páginas “pela Verdade”, de divulgação de fake News e “verdades alternativas”, surgidas durante a actual crise, muita delas controladas pela extrema-direita.

Os extremistas não gostam de serem gozados este site mostra uma das formas mais eficazes de combater os "venturas" deste mundo.

(Em baixo o post falso):


sexta-feira, 29 de maio de 2020

COVID-19 : o 1º de Maio e o aumento de casos na região de Lisboa- o irreal imaginário de uma relação absurda.

Nas redes sociais o debate sobre o Covid-19 está cheio de irreais imaginários fanáticos e enraivecidos.

Das teorias da conspiração (o “vírus fabricado em laboratório”, os “números escondidos”, os remédios “milagrosos”…) ao voyerismo social (andar de régua em punho e máquina fotográfica a medir as distâncias nas ruas, nas praias e nas esplanadas) tudo serve para “afastar” o medo e revelar o irracionalismo ignorante, intolerante e fanático de muitos.

Ponto alto desse “debate” foram a celebração do 25 de Abril e, especialmente, a comemoração do 1º de Maio na Alameda.

Revelei dúvidas sobre esta comemoração, não tanto por achar que, pela forma como foi organizado o 1º de Maio, houvesse qualquer risco para a saúde pública, mas porque iria alimentar a argumentação fanática de alguns.

Não só essas comemorações, como seria previsível, não provocaram qualquer surto, como até colocaram a “barra” muito acima para quem, no futuro, queira organizar um evento público ao ar livre, em tempo de epidemia.

Fizeram-se até comparações absurdas com o 13 de Maio, situações diferentes, embora até se pudesse ter organizado se houvesse a mesma capacidade de organização demonstrada pela CGTP (isto é, apenas com uns mil padres e freiras distribuídos pelo espaço de Fátima, única comparação possível com o 1º de Maio…mas que nada tinha a haver com o espírito de Fátima, como sabe a hierarquia da Igreja, encerrando aí a polémica alimentada por alguns sectores mais fanatizados da direita).

Agora voltou a surgir o 1º de Maio na argumentação desses mesmos fanáticos, a propósito do aumento de casos de COVID-19 na região de Lisboa e, especialmente, num bairro pobre do Seixal.

Para esses, isto foi o resultado da 1º de Maio !!!!???

Ou seja, um surto que se começou a revelar a partir do dia 17 de Maio, com principal incidência a partir do 25 de Maio…teria resultado da deslocação de sindicalistas da outra margem transportados em autocarros da Câmara do Seixal para …o 1º de Maio!!!!

Na pressa de alimentarem o seu fanatismo “esqueceram-se” de alguns “pormenores”: que se saiba,  a doença revela-se geralmente entre o 4º e o 5º dia após a contaminação e, em casos menos frequentes, até 14 dias; os habitantes do bairro do Seixal, onde se revelou o surto, não tem ligação com os presentes no 1º de Maio; os maiores surtos da região de Lisboa registaram-se em Sintra, Cascais e Oeiras, localidades pouco dadas a manifestações “esquerdistas”….

Ora esse surto passou-se mais de 17 dias depois do 1º de Maio, a não ser que consideram que os “esquerdalhos” (como eles apelidam sindicalistas) sejam tão ruins que o “bicho” só se revela neles muito para além do tempo médio e cientificamente provado do seu desenvolvimento!!!!

Não deixa também de ser curioso que os mesmos que se apressaram a fazer essas absurdas comparações e relações da “causa-efeito”, sejam os mesmos que encheram as suas páginas com loas de apoio às manifestações da extrema-direita espanhola da Vox, defendendo uma “causa” diferente daquela que dizem defender por cá. Essa manifestação era contra as medidas de contenção impostas pelo governo espanhol, medidas essas que foram muito mais tardias e moderadas do que as tomadas por cá.

Enfim, a cegueira intolerante e fanática de alguns conduziram-nos a alimentar um absurdo mundo “irreal imaginário”!

domingo, 24 de maio de 2020

O vírus que alimenta monstros.


A “santa aliança” neoliberal-passos-coelhismo-direita conservadora-extrema direita, tem andado especialmente activa nas redes sociais ao longo destes dias de “confinamento”, tanto por cá, como por “lá”.

Das constantes “feke news” e meias verdades do costume, “com alguma verdade à mistura para a mentira se tornar segura” (já dizia o poeta Aleixo), à exploração irracional do medo, o objectivo é espalhar ignorância sobre o vírus.

Lendo essa gente, quase se diria que o vírus é um novo Stalin criado artificialmente em laboratório para acabar com a civilização cristã!!!

Há os que desvalorizam esse activismo ignóbil, defendendo mesmo que o vírus, pelo mau exemplo dado por Bolsonaro ou Trump, se vai tornar um vírus contra o populismo.

Enganam-se.

É ver o que se tem passado na Hungria e na Polónia, onde o vírus serviu que nem uma luva para reforçar as duas primeiras “quase” ditaduras no seio da União Europeia, as chamadas “democracias ILIBERAIS”.

Tem também servido para reforçar autoritarismos de outras estirpes, do chinês ao russo, do turco ao israelita, do indiano ao filipino, do brasileiro ao venezuelano…

Por cá, é ver o activismo crescente do Chega e aliados, do Vox e dos franquistas disfarçados do PP, dos lepenistas em França ou dos neonazis alemães, sem esquecer a Liga Norte em Itália.

O medo, a ignorância e o desespero sempre foram um bom alimento  para a intolerância extremista.

Por cá o inimigo a abater por essa gente é a DGS e, a nível mundial, a OMS.

Para esse discurso ignorante e intolerante crescer precisa de dar rosto aos inimigos.

O inimigo comum dessa gente é a Organização Mundial de Saúde, juntando o condimento da hipótese, já desmentida cientificamente, de o vírus ter sido criado em laboratório e de uma pretensa conspiração chinesa contra o “ocidente”.

É um facto que a OMS revelou algumas hesitações iniciais quanto à atitude a tomar (...quem não a teve??), e que a China, uma ditadura “social-capitalista”, devido à falta de liberdade interna, levou algum tempo a divulgar e a combater o novo coronavírus, alimentando as mais variadas teorias da conspiração, uma das grandes especialidades da “santa aliança”.

Contudo a OMS tem sido uma organização eficaz no combate a várias doenças, até porque reúne à sua volta muitos cientistas e laboratórios.

A destruição do trabalho da OMS, partindo de uma mistura de argumentos válidos com “fake news” diversas, interessa a muita gente.

Em primeiro lugar, a três países governados por ignorantes e/ou criminosos activos, o Brasil,  Austrália,  os Estados Unidos, Israel...;

Em segundo lugar, ao poderoso lobbie da indústria farmacêutica, pouco interessado em solidarizar-se com os países pobres, se e quando for descoberta uma vacina ou uma cura, não prescindindo dos lucros fabulosos que podem vir a obter;

Pelo contrário, é importante fortalecer organizações como a  OMS, embora seja necessário fazer um balanço do que correu mal, para que algumas situações de descoordenação não se voltem a registar.

Tentar fazer do vírus e do combate contra os seus efeitos uma questão partidária, e ideológica, como o pretendem fazer os adeptos da “santa aliança”, essa sim, é uma atitude realmente ignóbil e até anti-humanitária.

O exemplo de Bolsonaro e de Trump devia ser suficiente para nos vacinar contra esses demagogos que proliferam nas redes sociais.

Mas temo que, mais uma vez, com aconteceu muitas vezes ao longo da história, a ignorância, a intolerância e a mentira acabem por fazer o seu caminho.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

1 de Abril – uma tradição ultrapassada pela “realidade” (onde se recorda a maior mentira pregada em Portugal nos últimos 50 anos).



Tradicionalmente, neste dia, a comunicação social esmerava-se por inventar a mais criativa e verosímil mentira que levasse os seus leitores, pelo menos por alguns segundos,a acreditarem que tudo aquilo era verdade.

Hoje as  mentiras, que usam o pomposo nome de “fake news”, são diárias, não respeitam a tradição do 1 de Abril,  e é cada vez mais difícil distinguir as verdades das mentiras, até porque muitas “verdades verdadeiras” até parecem mentiras, pelo absurdo das situações e afirmações de gente “responsável”.

Bolsonaro, Maduro ou Trump são mestres desse absurdo.

Mas a mentira mais famosa na comunicação social portuguesa aconteceu em Fevereiro de 1971, por altura do Carnaval.

Um grupo de amigos encenou a visita de um grupo de magnatas “árabes” do petróleo que vinha a Portugal propôs vários negócios.

O jornal “O Século”, avisado pelo crédulo dono do Tavares Rico,  caiu na esparrela e, a mando do chefe de redacção José Mensurado, mandou o jornalista Roby Amorim para o restaurante “Tavares Rico” onde os “árabes se banqueteavam”, sem que o jornalista reparasse nas garrafas de vinho espalhadas pela mesa, "costume" muito pouco "árabe", pelo menos em público.

Apenas Pinto Balsemão, administrador do Diário Popular, sabia da fraude, tendo sido convidado a colaborar com o envio de dois fotógrafos, para tornarem a coisa mais real, mas acabou por não enviar ninguém.

No dia seguinte, 13 de Fevereiro, O Século, jornal do regime, titulava em toda a primeira página, acompanhada da fotografia que reproduzimos em cima:

"Uma missão da Arábia Saudita, presidida exatamente pelo príncipe Iben Seddack (primo de Iben Saud), esteve em Lisboa quase 48 horas e o assunto foi o petróleo."

Foi tudo uma brincadeira encenada por um grupo de amigos, “meninos bem” de Lisboa, o recém falecido Nicha Cabral, Manecas Mocelkek, que veio a ser gerente de discotecas, Frederico Abecassis, o chef Michel, Manuel Correia, Eduardo Oliveira Rocha  e Jorge Correia de Campos.

No livro de Joana Vilela “Lisboa LX70” alguns dos intervenientes foram entrevistados, contando como tudo se passou, e é nela que nos baseamos para descrever esse célebre acontecimento que ridicularizou o jornalismo português e as autoridades da época.

Reunidos no Stones aquele grupo começou a congeminar a brincadeira.

Para dar mais verosimilhança ao episódio, recorreram ao Rolls Royce de Correia de Campos  e ao Mercedes bem novinho em folha de Nicha Cabral,  para conduzir a comitiva do aeroporto ao Tavares Rico.

A roupa foi emprestada pelo embaixador de Marrocos ao chefe Michel, que já tinha vivido em Marrocos, e o resto foi alugado numa casa de fatos de carnaval.  

A comitiva fez-se acompanhar por dois falsos “fotógrafos” do "Paris-Match" e chegou ao restaurante com grande pompa, o que levou a policia a interromper o trânsito para a deixar passar.

Nicha Cabral fazia-se passar por segurança do “príncipe” e provava toda a comida, recusando-a ou aprovando-a.

Chegado ao restaurante, o jornalista de O Século entrevistou os falsos árabes, que inventavam uma conversa em “árabe” entre si, que era “traduzida” para o jornalista pelo chef Michel.

As autoridades portuguesas ficaram alertadas com a notícia publicada pelo “Século”, porque não sabiam de nada.

Marcelo Caetano telefonou irritado para o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patricio, que também de nada sabia.

 A notícia correu o mundo, primeiro acreditando na esparrela, gerando até expectativa na bolsa de Nova Iorque e, depois, gozando com a forma como os jornalistas e as autoridades portuguesas tinham sido enganadas.

O “Diário Popular” foi o primeiro a denunciar a fraude, em 14 de Fevereiro e O Século, na edição de 17 de Fevereiro, indignado, desculpou-se pelo erro cometido.

Os envolvidos ainda foram ouvidos pela PIDE e pelo Governo Civil, mas não tinham nada por onde pegar, até porque a conta do jantar , cerca de 500 escudos (mais que um ordenado médio na altura), tinha sido paga, estava-se em plena época carnavalesca e continuar a dar importância ao assunto era agravar o descrédito dos serviços informativos e das autoridades portuguesas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Eu e os impostos.


Parece que caiu “o Carmo e a Trindade” com a notícia do “Expresso” segundo a qual a ”carga fiscal em Portugal é mais baixa que na zona euro”, até porque desmonta o argumentário das fake news em circulação nas redes sociais

Claro que as contas contabilizam o total de impostos e cotizações sociais. Se formos ao pormenor vemos que o IVA que se paga em Portugal é superior à média.

Pessoalmente, por principio, não tenho nenhum problema em pagar impostos.

Até não me importava de pagar mais se soubesse que os impostos eram aplicados no combate às desigualdades sociais, na garantia de um sistema justo de segurança social e na manutenção de serviços de qualidade na educação, na saúde, nos transportes, na justiça,  no apoio ao património e à cultura e na gestão ambiental.

Ou seja, pagava de bom grado os impostos pagos nos países nórdicos e outros para ter os serviços desses países.

Para mim, contudo, o problema reside em saber como são cobrados e utilizados esses impostos.
Fugir aos impostos e usar outros estratagemas, como o recurso a subvenções estatais ou registos em paraísos fiscais é um crime que deve ser combatido e travado.

Usar o dinheiro dos impostos para salvar bancos e grandes empresas, que continuam a pagar chorudos salários aos seus administradores e lucros aos seus accionistas, é outro crime contra os contribuintes.

Aplicar os impostos para garantir privilégios, pensões chorudas e salários de luxo a administradores de empresas estatais, a assessores, a cargos de nomeação politica e a escritórios de advogados é outra prática que deve ser travada e, no mínimo, devidamente explicada.

Só aceito que os impostos que me cobram sejam aplicados para cumprir as obrigações constitucionais de um ensino, uma justiça, uma saúde, uma rede de transportes de qualidade e uma gestão ambiental e patrimonial adequada, e os direitos de soberania, culturais e sociais de forma racional.

Também não me choca, por exemplo, o aumento de impostos sobre bens que provoquem problemas de saúde pública ou que aumentem a poluição ambiental, como forma de fomentar a procura de soluções alternativas, que, estas sim, devem ser apoiadas pelo Estado, isto é, pelo dinheiro dos contribuintes, até se tornarem rentáveis ( como, por exemplo, a substituição da gasolina e do gasóleo pela energia eléctrica ou outra menos poluente), já que, nos nossos dias, as questões ambientais carecem de soluções urgentes e são questões de sobrevivência civilizacional.

Claro que, na visão neoliberal, há quem ache que os impostos se devem reduzir ao mínimo e que cada um se deve salvar com puder, vigorando a lei do mais forte ou capacitado, substituindo o apoio social pela caridade e os direitos pela lei da selva.

É uma opinião .Mas não é a minha.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Redes Sociais : A verdade da Mentira



O jornalista Paulo Pena continua ao seu excelente trabalho de investigação, nas páginas do cada vez melhor Diário de Notícias (agora semanário), sobre o papel dos sites de fake news a operar em Portugal.

Esta semana dedica-se a divulgar o negócio rentável de alguns desses sites de desinformação.

Para além de divulgarem notícias falsas com objectivos políticos muito precisos (quase todos ligados à extrema direita ou aos ressentidos com a “geringonça”), esses sites gerem milhões em negócios mais ou menos obscuros, desde a fuga de impostos à forma com acedem à informação dos incautos e ignorantes que partilham os seus conteúdos.

Um dos sites com maior êxito usa um título enganador e explora indecentemente o prestigio de uma profissão como a dos bombeiros, intitulando-se mesmo “Bombeiros 24”, que usa, no facebook, um nome vergonhosamente mais enganador: “Bombeiros Portugueses”.

Esse site consegue receber dinheiro pela publicidade que integra no seu espaço e está ligado a um outro site com o estranho nome “Bilbiamtengarsada”.

O “Bombeiros 24” usa ainda um software malicioso que “permite aos administradores dos site receber dinheiro de empresas de venda online. O truque é simples: deixa uma espécie de cookies nos computadores dos leitores que passam assim a ficar associados ao Bombeiros 24. Quando essa pessoa usar aquele computador para, por exemplo, comprar alguma coisa na Amazon, a empresa fica a saber que a venda foi “sugerida” pelo site português e paga-lhe uma comissão”

Uma outra prática desses sites é copiarem noticias de outros órgãos de informação verdadeiros sem pagar direitos e, pelo contrário, obterem lucro com isso, à custa dos “gostos” e partilhas dos incautos seguidores.

Ao reproduzirem noticias verdadeiras da comunicação social, fazem-no de forma cirúrgica, carregando nas noticias que falem de crime e corrupção e focando apenas uma tendência politica, para gerarem e potenciarem um sentimento de impunidade e criminalidade muito maior do que aquele que existe na realidade. Ao mesmo tempo acrescentam comentários tendenciosos e falaciosos.

Esses sites plagiam descaradamente órgão de imprensa, ganham dinheiro com isso e, como estão registados no estrangeiro e mantêm incógnitos os seus administradores, conseguem fugir ao pagamento de impostos pelos lucros obtidos com a publicidade.

Além daquele site, o jornalista identificou, no artigo desta semana e noutros que tem a vindo a publicar, vários sites que funcionam dessa maneira, espalhando desinformação, falsas verdades ou meias verdades (como dizia António Aleixo, “para a mentira se tornar segura tem de trazer à mistura alguma coisa de verdade”), ganhando milhões com isso e fugindo ao fisco em grande estilo.

Muitos usam títulos enganadores, fazendo-se passar por órgãos de informação, outros títulos “engraçados”, atraindo mais incautos que partilham essas “informações”, disseminando-as por milhares de seguidores.

Aqui fica a lista de alguns dos sites denunciados pela reportagem, todos registados no estrangeiro:

-“Semanarioextra”;
-“Jornaldiario”;
-“Noticiario.com”;
-“Magazinelusa”
-“Ptjornal”;
-“Lusopt”;
-“EventoXXI”;
-“JornalQ”;
-“Vamoslaportugal”
-“Lusonoticia”;
-“Altamente”;
-“Cura Natural”;
-“1001 Ideias”;
-“Muito Bom”;
-“Muito Fixe”;
-“Tafeio”;
-“Diariopt”;
-“Tuga.press”;
-“Direita Politica”;
-“Luso Jornal”;
-“Portugal Glorioso”;
-“Bilbiamtengarsada”.
-"Bombeiros 24";
-"Bombeiros Portugueses";
…e muitos outros.

Pela nossa parte tudo faremos para denunciar esses sites.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Cenas do ódio nas redes sociais (parte 2). As Notícias Falsas em Portugal.




O “Diário de Notícias” deste Domingo publica uma excelente reportagem da autoria do jornalista Paulo Pena, intitulada “Como funciona uma rede de notícias falsas em Portugal”.

Por ela ficamos a saber que vários “sites sediados no Canadá alojam fake news sobre a politica portuguesa. Depois, vários grupos no Facebook, com milhares de membros, divulgam-nas.”

Os referidos grupos e sites são: “Direita Politica”, o mais activo de todos, “A Voz da razão”, “Não Queremos Um Governo de Esquerda em Portugal”, “Video Divertido” e “Aceleras”).

Todos eles estão registados no protocolo de internet (IP) 198.50.102.106. registado no Canadá “em H3E Montreal, Quebec, na empresa iWeb Technologies".

Por detrás daqueles sites está uma mesma empresa de Santo Tirso, a Forsaken, que tem um único dono, João Pedro Roa Fernades, o responsável pelo conteúdo daqueles sites, todos ligados em Portugal à empresa Portugal na Web.

João Fernandes é também sócio de duas empresas têxteis a EMPA e a Larmoderno.

Ouvido na mesma reportagem, João Fernandes, que se considera uma espécie de justiceiro da direita, diz ter como referência jornalistas com Hernâni Carvalho ou Ana Leal, o falecido Medina Carreira, Paulo Morais e “alguns juízes e procuradores” , declarando-se também apoiante “desde o primeiro momento” de Trump e Bolsonaro.

Justifica as mentiras, as meias verdades e as manipulações das notícias publicadas (como “relógio de 21 milhões” de Catarina Martins ou a montagem fotográfica que “mostrava” a nova PGR, Lucília Gago, num “jantar em casa de José Socrates", noticia que chegou a ser divulgada por um site do PSD, mas que a desmentiu depois, com pedido de desculpa) com a possibilidade de pode acontecer “termos uma notícia que não seja 100% precisa”.

Hoje o jornal Público denuncia uma nova fake new que está a ter algum impacto nas redes sociais, mostrando como um sindicato de policias decidiu atacar o ministro da administração interna com imagens falsas.

Essas imagens divulgadas nas redes sociais mostram idosos, vítimas de violência, sugerindo que tinham sido agredidos pelos criminosos que fugiram à policia em Gondomar.

Contudo, os idosos das fotografias  não foram os agredidos pelos assaltos perpetrados por aqueles criminosos, não são portugueses, nem as imagens são  actuais.

O fenómeno, à boleia do apoio implícito ou explicito da opinião pública de parte da direita portuguesa a Bolsonaro, começa a fazer o seu caminho de ódio e intolerância, alimentando o medo e insegurança que estão historicamente na origem da ascensão de todo o tipo de "fascismos" e autoritarismos.

Noutros tempos, o “fascismo” usava a rua para atemorizar, ameaçar, espalhar a intolerância e o ódio.

Hoje usa as redes sociais, espalhando a mentira e a calunia para minar a democracia.

A mentira é o pior inimigo da verdade e a indignação não justifica o recurso à mentira.

Como dizia o ministro da propaganda de Hitler,  a mentira várias vezes repetidas acaba por se tornar verdade.

É assim que funcionam as Fake News, com mentiras, manipulações ou meias verdades, e é assim que os Trump's e os Bolsonaros do nosso tempo chegam ao poder.

A alternativa ao funcionamento de uma justiça democrática, por muito mal que ela funciona, é uma ditadura, onde "não existe corrupção" ou "crime" porque esses assunto são proibidos de divulgar pela censura e os corruptos e criminosos estão no poder ou são coniventes com ele (Salazar até publicou um decreto para acabar com a pobreza...mandando prender os pedintes e os sem-abrigo que fossem apanhados na rua, “acabando” assim com a pobreza em Portugal e, quando das cheias de 1967, proibiu a divulgação do número de mortos para não se notar tanto a tragédia, que também trazia ao de cima a vida miserável de muitos portugueses, os mais atingidos pela tragédia).

Numa ditadura também “não existe crime” porque as notícias sobre ele são proibidas e tudo conduz para uma imagem de “paz e estabilidade”, que era o que acontecia no “Portugal de Salazar”.

Devemos denunciar a corrupção, a mentira e as injustiça, mas quando se usa a manipulação estamos a descredibilizar esse combate, ao mesmo tempo que damos força à intolerância e ao ódio.

Pela minha parte, que acredito que ainda vivemos num estado de direito, só posso exigir justiça contra criminosos e corruptos, mas não alinho na histeria de mentiras, intolerância  e ódio que prolifera nas redes sociais.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

As "inventonas" de um jornal de "referência".


O “caso das armas de Tancos” está a tornar-se um dos mais vergonhosos casos do jornalismo português.

Para o jornal “Expresso” qualquer “fonte” serve para “entalar” a “geringonça”.

Depois de ter feito parangona por ter descoberto um morto não registadona tragédia de Pedrogão Grande, aquele jornal volta a repetir o estilo “Correio da Manhã” divulgando um pretenso relatório secreto, elaborado por um “serviço de informação militar” cuja existência  ninguém conhece (ler AQUI a opinião insuspeita de João Miguel Tavares).

Ao que parece estamos mais uma vez perante um caso parecido com o célebre “panama papers”, uma investigação jornalística internacional, representada em Portugal por esse semanário, que anunciou revelações escaldantes sobre a elite politica e económica portuguesa, mas que acabou por “parir um rato”, caindo no esquecimento.

Segui regularmente o Expresso durante os seus primeiros 30 anos de vida e habituei-me a respeitar a credibilidade do seu jornalismo.

Infelizmente essa credibilidade tem andado pelas ruas da amargura, principalmente desde que saíram os seus melhores jornalistas para fundar o “Público”, e, em boa-hora, deixei de comprar esse jornal.

Mas é triste ver a decadência daquele que já foi um grande jornal de referência, onde ainda trabalham alguns grandes jornalistas portugueses, sobrevivendo cada vez mais da exploração das “fake news”…

Que miséria!!!