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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Venezuela : Nem Maduro nem Guaidó.



Não nutro, nem nunca nutri, qualquer ilusão sobre o triste destino da chamada “Revolução Bolivariana”, iniciada por Chavez em 1999, ano em que chegou ao poder, muito graças ao descrédito de um regime democrático corrupto e incapaz de combater a pobreza e a desigualdade.

Nos primeiros dez anos de governo, o chavismo tirou da pobreza e do analfabetismo milhões de venezuelanos, mas essa melhoria revelou-se estruturalmente débil, muito dependente das variações do preço do petróleo.

Quando Chavez morreu em 2013 e foi substituído por Maduro, já o chavismo tinha iniciado o seu percurso descendente a caminho do desastre social em que o país se encontra hoje mergulhado, minado pela corrupção e pela desorganização generalizada da economia.

A incompetência, a irresponsabilidade e a retórica demagógica de Maduro só contribuíram para agravar a situação, agravada pela existência de uma oposição dividida, e tão irresponsável e demagógica como Maduro.

Em 2013 Maduro ganhou as eleições, embora por uma pequena margem de diferença em relação ao seu adversário.

A oposição não reconheceu a vitória de Maduro, iniciando um período de violentas manifestações de rua que continuam até aos nossos dias.

Em 2015, contudo, essa mesma oposição, com base na mesma Constituição e no mesmo processo eleitoral que tinha dado a vitória a Maduro, ganhou a maioria no parlamento, sem questionar, desta vez o resultado. Pelo contrário, Maduro apressou-se, então, em reconhecer a derrota.

De forma irresponsável, em vez de ter enfrentado Maduro nas eleições de 2018, eleições das quais teria saído vencedora, a oposição resolveu boicota-las,enquanto  parte dos líderes da oposição estavam  presos.

Maduro voltou a ser eleito, com mais de 6 milhões de votos, num total de 9 milhões de votantes (quase 80% dos eleitores foram às urnas disputadas por três candidatos).

Aproveitando-se da incompetência da oposição, Maduro aproveitou a oportunidade para, de forma demagógica e irresponsável, violar a Constituição de 1999, retirar poderes ao parlamento e convocar uma fantochada eleitoral que levou à formação de um parlamento ilegal, e paralelo ao parlamento legitimo, chamado de Assembleia Constituinte, que visa criar uma nova Constituição, que substituía a de Chavez, aumentando o poder da presidência e permitindo a recandidatura de Maduro a um terceiro mandato.

Pelo meio de tanta irresponsabilidade de parte a parte, a Venezuela caiu numa crise económica e social profunda, a pobreza, que tinha diminuído drasticamente no inicio do chavismo, atingiu níveis nunca vistos na história da Venezuela e milhões de venezuelanos tiveram de fugir do país.

As sanções económicas impostas por  alguns países e o boicote dos grandes empresários contribuíram igualmente para agravar a situação da maior parte da população.

No meio do caos surgiu agora um novo demagogo ,que,  aproveitando-se da situação desesperada da população e da própria conjuntura internacional, se proclamou presidente interino.

Resumindo e concluindo:

- Maduro, em eleições manipuladas, pela ausência forçada, nuns casos, irresponsável, noutros, dos mais fortes candidatos da oposição, foi eleito presidente de forma que, sendo legal, é moralmente ilegítima;

- A Assembleia Constituinte, esmagadoramente dominada por apoiantes de Maduro, é toda ela ilegítima;

- O Parlamento, embora em final de mandato e desfalcado dos apoiantes de Maduro que dele faziam parte, é de facto o único órgão politico ainda com alguma legitimidade, mas que se deixou enredar na demagogia irresponsável de alguns líderes da oposição;

- O auto-proclamado presidente  Gauidó, abrindo um grave precedente para justificar qualquer situação idêntica que se passe pelo mundo fora, dando força a que outros sigam o exemplo de se auto-proclamarem presidentes perante um qualquer gigantesca manifestação de rua, uma atitude de legitimidade duvidosa, teve  o condão de alertar para a grave situação da Venezuela

Saída para a situação?

A ideal seria o diálogo entre as partes  e a convocação de Eleições Parlamentares no mais curto espaço de tempo e novas eleições presidenciais num prazo mais dilatado, talvez de um ano.

Para isso era necessário que vivêssemos numa era de consensos e diálogo nas relações internacionais e onde o ONU tivesse peso, o que não acontece na actualidade

Infelizmente não existem condições para esse diálogo, aliás já afastado pela oposição.

Assim, o que se previsivelmente se  vai passar é uma das seguintes situações (ou um pouco de todas elas):

- Um banho de sangue perpetrado  por Maduro contra a oposição:

- Um golpe de Estado sangrento, à Pinochet, depondo Maduro;

- Uma guerra Civil igualmente sangrenta.

Pobre povo venezuelano tão irresponsavelmente liderado e com um “alternativa” na oposição igualmente tão irresponsável e demagógica, que se tornou o joguete de obscuros interesses económicos e financeiros e da arrogância incompetente das principais lideranças internacionais.

Se a oposição é mal acompanhada por Trump ou Bolsonaro, Maduro está acompanhado por outros facínoras, como Putin ou Edrogan.

Entretanto a União Europeia, que podia surgir como força de diálogo,  vai seguir quem os interesses financeiros ordenarem que siga, dando mais uma vez tiros nos pés, como fez no Iraque, no Médio Oriente, no Norte de África, na Ucrânia, na Turquia ou na Rússia, talvez para tentar fazer esquecer os seus próprios “Maduros” (na Hungria, na Polónia e noutros países do leste).

Por sua vez, neste como noutros casos, a  preocupação da comunicação social não é esclarecer a verdade mas tomar partido, apresentar uma "realidade" a preto e branco, de "bons" contra "maus", e a  preocupação dos líderes mundiais não é a defesa dos Direitos Humanos, da liberdade e da Democracia, mas apenas os interesses estratégicos e políticos da agenda de cada um e os servir os grandes interesses financeiros ligados à actividade petrolífera e que especula com a dívida da Venezuela.

Pobre povo da Venezuela que, mais uma vez, e como tem acontecido noutros pontos do mundo, não tem o destino nas suas mãos.

Por tudo isso, é de temer o pior.

terça-feira, 4 de abril de 2017

As Baratas tontas que lideram a União Europeia e o sr. Dijsselqualquercoisa….


Parece que agora, para as baratas tontas que, para nossa desgraça e miséria, lideram a União Europeia, o sr. Dijsselbloemoulácomosechama tornou-se o bode expiatório de década e meia de destruição do projecto europeu.

Claro que, se precisarem, eu também contribuo para “bater no ceguinho”. Aliás o sr. Dijsselqualquercoisa nunca me enganou e até há muito tempo que o aponto como um dos “rostos do mal” que assolaram esta triste Europa e muito tem contribuído para a destruição e descaracterização de um belo projecto de cidadania e democracia, em nome da rendição a obscuros interesses financeiros.

Mas, o que não deixa de ser curioso, é que os lideres das duas principais famílias políticas europeias só agora se tenham apercebido do “monstro” que apoiaram e puseram à frente do moribundo e antidemocrático “eurogrupo”.

Já se esqueceram da forma como aplaudiram e apoiaram as atitudes dessa louco holandês quando este humilhava diariamente os países do sul?

Agora que essa triste figurinha do “trabalhismo”(????) holandês deixou cair a máscara e sofreu uma humilhante derrota eleitoral é fácil e “politicamente correcto” desancar no homenzinho.

Mas seria bom que se lembrassem que essa figurinha foi até há pouco tempo o rosto das politicas “austeritárias”, da humilhação dos países do sul, do ataque e destruição aos direitos socias, da defesa dos salários baixos, da submissão ao poder financeiro que tanto contribui para desacreditar o projecto europeu junto dos cidadãos da Europa e que têm atirado muitos eleitores para os braços da extrema direita populista.

E, mais ainda, que todas essas “reformas estruturais” que têm conduzido a Europa para o desastre, executadas e preconizadas pelo sr. Dijssalbloem, têm sido alegremente e despudoradamente apoiadas pelos partidos do centrão europeu que agora se mostram tão chocados com a boçalidade do dito senhor.

Seria bom recordar que, atacar e criticar o dito figurão, implica a autocritica desses partidos à sua própria atitude face ao rumo recente da União Europeia e têm de incluir na “àgua do banho” do projecto Europeu, não só o dito sr., mas também toda a trupe da troika, do BCE, da Comissão Europeia, com especial destaque para a herança da presidência Barroso, para as aldrabices financeiras do sr. Juncker, para a boçalidade do patrão do dito senhor, o irrascível Wolfgang Schäuble, (aliás, o grande inspirador das acções do holandês da brilhantina), ou para o seu braço direito nisto tudo, o sr. Moscovici.

Será que estão assim tão empenhados em mudar alguma coisa, ou tudo não passa de, como se diz por cá, entre “copos e mulheres”, pura “tesão de mijo”???.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Tenham lá calma!!!...(Parte 3) …Cavaco ainda é líder de facção e “nunca erra e raramente se engana”!!!


Ainda é cedo para comemorar o que quer que seja, ou voltar a ter esperança de ver o país a sair do buraco em que o meteram os último dez anos de governação (mais as consequências da herança cavaquista dos finais do século XX)…

É que Cavaco ainda está aí e tem a faca e o queijo na mão..

O homem que contribuiu para afundar o país por duas vezes, não vai abandonar o poder para o salvar:

- Da primeira vez como “homem rico”, enquanto primeiro-ministro, destruindo o aparelho produtivo do país e esbanjando os fundos europeus em betão, em empregos e negócios para os “boys” da facção e da banca , fazendo do consumo desenfreado e do empreendedorismo de “pato bravo” a sua ideologia de “capitalismo popular”,  cujos custos nos estão agora a ser cobrados, ideologia que contaminou a própria “esquerda;

- Da segunda vez , enquanto Presidente da República de facção, que deixou terreno livre a um governo que, governando para “além da troika”, destruiu a “classe média”, empobreceu o país, destruiu equilíbrios sociais, desrespeitou sistematicamente os compromissos constitucionais, correu com a juventude mais qualificada para a emigração, enfim, andou a “roubar aos pobres e remediados” cidadãos deste país para dar aos “ricos” mercados.

Fez tudo isso, colaborou em toda essa festa da “direita” e nunca se arrependeu. Antes pelo, contrário, está empenhado em defender, com unhas e dentes, a sua obra .

Para ele é mais importante garantir os compromissos com os especuladores financeiros (os “mercados”) do que os compromissos com os cidadãos (como se vê pelo modo como fechou os olhos às medidas anticonstitucionais do governo agora em gestão).

Cavaco vai lutar até ao fim para resistir a dar posse a um governo de “esquerda”, e por isso vai:

- primeiro, arrastar todo o processo pelo máximo tempo que puder, esperando qualquer desentendimento entre a “esquerda”, explorando, com a ajudazinha preciosa dos gobelzinhos do comentário politico e de uma  comunicação social nas mãos, ora da sua facção, ora dos “mercados” que defende, todas as contradições e vírgulas postas fora do lugar nos acordos à esquerda, como, aliás, já está a acontecer;

- segundo, ouvir todas as “personalidades” beneficiados por aquela política, que lhe dirão exactamente o que quer ouvir, e lhe darão os argumentos de que precisa para decidir contra a vontade do voto popular e dos seu representantes no parlamento ;

- terceiro,  através da sua  influência, com uma ajudinha de  Durão Barroso  e do PPE, colocar em movimento toda a máquina europeia da chantagem e do medo para travar qualquer tentativa em sonhar, sequer, com o fim do modelo “austeritério”.

- quarto, explorar até ao limite todas as possibilidades legais ou semi-legais para impedir a tomada de posse de um governo de “esquerda” e manter, nem que seja no modo de  “zombie”, a coligação de direita em gestão do país.

Mas, se mesmo assim não conseguir evitar a chegada ao poder de um governo do PS com apoio parlamentar à esquerda, vai deixar o terreno o mais minado que lhe seja possível e dificultar, quanto puder, a acção desse governo.

Quem ajudou o país a fundar-se por duas vezes, pode voltar a fazê-lo pela terceira vez.

Por isso, ainda é cedo para festejar…

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O RESPIGO DA SEMANA -“O casamento é difícil, mas podem ter a certeza de que o divórcio é muitíssimo mais difícil" Por JOSÉ PACHECO PEREIRA


O casamento é difícil, mas podem ter a certeza de que o divórcio é muitíssimo mais difícil"

Por JOSÉ PACHECO PEREIRA, in Público de  31/10/2015 .

“A esquerda portuguesa prepara-se para um casamento, ou, se se quiser, para uma união de facto. Terá os seus votos de noivado no momento em que derrubar o Governo PSD-CDS e casará no dia em que um Governo do PS, com participação ou apoio do BE e do PCP, for empossado pelo Presidente e vir o seu programa aprovado pela Assembleia. O casamento poderá ter muitas fórmulas, ter ou não “papel passado”, diferentes regimes de bens, ser um casamento de necessidade com mais ou menos “amor”, juntarão ou não os “trapinhos”, mas, seja qual for a fórmula, vão selar o seu destino.

“O casamento não se faz em momentos amáveis, após uma longa coabitação ou namoro, mas faz-se em circunstâncias dramáticas, com muitos a prepararem-se para deitar pedras em vez de confetis, e, queira-se ou não, contra muitos que não o desejam, e que pensam que ele não vai resultar. Mesmo nos melhores amigos dos esposos, há muito mais prudência e reserva do que confiança pura e simples. É um casamento de alto risco e tem muita coisa que o pode levar a correr mal. Mas há uma coisa que os esposos devem ter clara na sua cabeça, escrita em letras de fogo, tatuada nas mãos e nos braços, para que estejam sempre a ver, é que o divórcio será muito mais gravoso e penoso.

“Há várias coisas de que todos os que abraçam esta solução de um Governo de esquerda devem saber, uma das quais é que nada contribuirá mais a favor da legitimidade da solução encontrada do que se cumprir a legislatura inteira. E, se há coisa que este Governo precisa é de um acrescento de legitimidade política, visto que legitimidade formal, tem-na. E isso só vem de governar razoavelmente, onde o óptimo é inimigo do bom, e se o fizer com durabilidade, provocará um ponto sem retorno na vida política portuguesa. Até lá, as fragilidades serão enormes e exigem de quem é parte desta solução que se atenha ao essencial, sem hesitações.

“Se o esquecerem, garantem para muitas décadas que a direita governe Portugal, não de forma amável e delicodoce, como esteve neste ano eleitoral (e está agora a pensar que nos engana com Ministérios da Cultura), mas de forma vingativa e agressiva. A direita que se vai levantar das cinzas de um Governo de esquerda, caia ele pelo PS, pelo BE ou pelo PCP, falará a mesma linguagem que hoje usam Nuno Melo, Paulo Rangel e os articulistas do Observador. E, por trás dela, em formação regular e militar, estarão os anónimos comentadores, genuínos e avençados, que pululam nas redes sociais, que espumam de fúria e falam numa linguagem que torna o pior do PREC num conjunto de amabilidades. Estes anos de crise do “ajustamento” alimentaram todos os monstros e deram-lhes uma sustentação em fortes interesses, que eles sabem muito bem quanto é perigoso o que se está a passar para a hegemonia assente no autoritarismo do “não há alternativa”. De um lado sabe-se, espero que do outro também se saiba.

“Qualquer queda do Governo, em particular se os motivos dessa queda estão na desunião, antes de ter tido tempo necessário para mostrar que é uma melhor solução para as pessoas e para o país do que a continuidade dos “mesmos”, penalizará fortemente toda a esquerda e não só PS, mas também o PCP e o BE. O rasto de azedume e o atirar mútuo de culpas e recriminações irão durar muitos anos e bloquearão a repetição da experiência.

“É por isso que é vital compreender que esta alternativa exige uma enorme firmeza e capacidade de separar o essencial do secundário. Não se está a jogar a feijões, isto é tudo muito a sério, demasiado a sério, para ser apenas um devaneio ideológico e experimental de homenzinhos e mulherzinhas, mas é para homens e mulheres a sério. Ou então mais vale irem para a casa medíocre do Portugal submisso onde as hierarquias do poder e do dinheiro fazem o que querem, para além da lei e da ética.

“Portanto, se entram numa solução deste tipo, têm que dar, neste caso ao PS, alguma margem de manobra para fazer o equilibrismo financeiro que é necessário para cumprir, sem qualquer zelo, o Tratado Orçamental, antes de haver alguma negociação que o modere. Isto exige compreender que não é a mesma coisa ser um Governo PS a fazê-lo nestas circunstâncias graves do que ser um Governo da coligação PSD-CDS. Nem para o bem, nem para o mal. Quando os salários e as pensões forem recuperados, como aliás a coligação também disse que ia fazer, para quem vê o que recebe no fim do mês aumentar, faz toda a diferença saber se isso vem de um Governo de esquerda, que lhe dirá que o faz porque isso é a reposição de um direito que foi sonegado, e que é bom para economia, ou da coligação PSD-CDS, que lhe dirá (se o fizer) que isso se deve à justeza da sua política económica e quererá dessa eventual devolução justificar outros cortes de salários ou pensões e, mais grave ainda, o corte de direitos económicos, sociais e políticos, para prosseguir a mesma política de desigualdade social. Insisto, faz toda a diferença e as pessoas sabem isso.

“PS, PCP e BE devem compreender que não ser a coligação PSD-CDS a governar é um factor de tão grande importância que, mesmo que o PS tenha que manter algumas políticas vindas do mesmo obscuro poço europeu, não é a mesma coisa do que se fosse um Governo PSD-CDS a fazê-lo. A “farinha do mesmo saco” era verdadeira até que o PS se distanciou daquela que era a sua expressão política, o “arco da governação”, e abriu um espaço para mudar a farinha ou o saco. Pode vir a fracassar, mas reconheça-se que está a tentar, correndo imensos riscos. Isso exige que o BE e o PCP lhe dêem uma contrapartida que pode ser mínima, mas que tem que ser sólida.

“Acresce este aspecto de que não se tem falado: se houver queda de um Governo PS, porque um Presidente hostil ao entendimento à esquerda e próximo do PSD-CDS quer convocar eleições, a aliança política que está a sustentar um Governo de esquerda tem que ir junta, coligada ou pactuada, às eleições. Pode o acordo ser apenas uma futura promessa de entendimento parlamentar, mas PCP, BE e PS não têm muita margem de manobra para defrontarem cada um de per si uma coligação sólida de direita. As vantagens de medirem os seus votos é ínfima, comparada com o que vão perder se se tornarem responsáveis pela queda de uma solução de alto risco, e, por isso, criadora e nova. O que estão a fazer, implica consequências, senão ficam presos na frase de Saint-Just a propósito da Revolução Francesa, “quem quer fazer a revolução pela metade está apenas a cavar o seu próprio túmulo”. Não se trata de uma revolução, mas é uma mudança tão relevante, que implica idênticos riscos.

“Por isso, tudo o que se está a fazer nestes dias pode ser uma clamorosa derrota, ou uma mudança na relação das forças na política portuguesa. Só essa mudança pode reequilibrar a enorme deslocação à direita que se deu nos últimos anos no PSD e no CDS e a desertificação do centro. Qualquer tentativa, mais que necessária, de reconstruir o centro político, o lugar das reformas e da moderação, que era tradicionalmente o lugar que PSD e PS partilhavam, só pode realizar-se após este reequilíbrio que o acesso de toda a esquerda ao poder pode permitir. O risco aí é cristalizar uma bipolarização esquerda-direita, frente contra frente, que impeça qualquer emergência de um centro-direita, ou centro-esquerda. Mas isso é uma conversa para ter depois.

“Se houver uma recuperação da dinâmica da classe média, destruída e radicalizada nestes últimos anos, um afastamento e uma mitigação do poder do PPE, que é aquilo a que hoje chamamos “Europa” (e isso faz com que a experiência portuguesa seja decisiva para as eleições espanholas ainda em 2015), um efeito de moderação, pela experiência de governação, de partidos como o BE e o PCP, uma melhoria das condições de vida dos portugueses e um retomar da sua dignidade, um repor dos equilíbrios no mundo laboral, uma diminuição da radicalização inscrita na sociedade pelo aumento das desigualdades, o extremismo da direita pode ficar acantonado e perder força. Vamos ver”.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

É isto que acontece quando temos um presidente da República incompetente e que nunca despiu o fato partidário.


Já nos referimos por aqui, muitas vezes, à incompetência deste presidente da República, o pior dos últimos 40 anos e, na história da República, só suplantada por Américo Thomaz.

A confusão que está lançada no panorama político português muito deve à incapacidade deste presidente em resolver questões complicadas ou, pior ainda, à falta de imparcialidade política do mesmo.

Tudo começou quando, no actual e complexo panorama político saído das últimas eleições, e quando o presidente devia agir com serenidade e prontidão, resolveu executar manhosas manobras políticas, uma prática a que nos habitou, primeiro como líder do PSD, depois como primeiro-ministro, e agora com presidente da República.

Apressadamente convocou a sua facção política para Belém, que tinha ganho eleições mas perdido a maioria absoluta, enquanto a maioria absoluta dos eleitores escolheu votar só em forças políticas que repudiaram as política austeritárias do “seu” governo.

Sem ouvir os outros partidos políticos, faz uma comunicação ao país, uma confusa e cabalística colagem de frases feitas, onde , a única coisa perceptível, é que ia mandatar Passos Coelho tentar formar governo.

Aquilo que um presidente da República, digno da função que exerce, devia ter feito era, em primeiro lugar, ouvir todos os partidos políticos eleitos para o parlamento e, depois, mandatar o líder da coligação que ganhou as eleições tentar, no prazo máximo de uma semana, negociar condições, com os partidos da oposição, para formar um governo estável.

Para isso, em vez de dividir, como o fez no seu confuso discurso, devia liderar essas negociações, interpretando a recusa do eleitorado das medidas de austeridade, ou , pelo menos, a forma como elas foram aplicadas pelo governo da coligação. Isso implicava cedências do governo e uma verdadeira vontade de chegar ao tão apregoado “consenso” , palavra que, na boca do presidente da República faz lembra, cada vez mais, o “irrevogável” de Portas.

Caso a coligação não chegasse a bom termo, então teria de convidar o segundo partido eleito a tentar formar governo , tal como acontece em qualquer democracia avançada (até há países onde o terceiros partido já liderou, ou lidera, como na Dinamarca, um governo de coligação).

Quanto a mim, são legítimos os dois lados da argumentação, quer aqueles que defendem que deve ser convidado para formar governo o partido mais votado, quer  aqueles que interpretam que a maioria dos eleitores votou contra a austeridade, tal como ela foi aplicada pelo governo, e têm a maioria absoluta no parlamento.

E por isso parece-me que, se o presidente da República fosse um homem sensato, que não quisesse ser o líder de uma facção política, como a sua prática tem demonstrado, a situação no país estava hoje mais clarificada, reinaria o tão apregoado, mas por ela pouco praticado, consenso, e a democracia portuguesa mostrava a sua maturidade.

Foi para isto que faltou, vergonhosamente, às comemorações do 5 de Outubro?

Bastava que o presidente da República ouvisse as palavras sensatas de Adriano Moreira. 

terça-feira, 25 de março de 2014

O crescimento da extrema-direita europeia: "Eles andam aí..."

A subida espectacular da extrema-direita nas eleições municipais francesas é apenas mais uma etapa na crescente influência eleitoral dessa corrente política, um pouco por toda a Europa, da Ucrânia à Grécia, da Holanda à Suécia..

Dada a falência generalizada do projecto europeu e da democracia, incapazes de garantirem a continuidade de um mínimo de qualidade de vida a muitos dos seus  cidadãos, incapazes de combaterem o desemprego jovem, desistindo da defesa  dos direitos sociais, reduzindo a democracia a uma mera formalidade, entregando-se ao ditames da alta finança, aumentando as desigualdades sociais, destruindo a classe média, não é de admirar que a demagogia extremista vá fazendo o seu caminho.

Quando a própria União Europeia sustenta instituições não-democráticas, como a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou o Eurogrupo,  com poderes que se sobrepõem aos parlamentos eleitos e à vontade dos cidadãos, sem qualquer controle democrática, tomando decisões ditadas pelo poder financeiro, é a credibilidade democrática que sai enfraquecida.

A direita, para se manter no poder, integra muitos dos princípios e dos valores dessa extrema-direita, apadrinhando leis xenófobas e anti-sociais, responsabilizando-se por uma política “austeritária” que aumenta o desemprego, precariza o trabalho, retira direitos socias, desvaloriza os salários, empobrece os cidadãos, vulgarizando assim o ideário sócio-politico dessa extrema direita e tornando-a “respeitável”.

A esquerda, principalmente a social-democrata, também tem responsabilidades acrescidas no crescimento da extrema direita, pela forma como se tem entregue nos braços do ideal neo-liberal, incapaz de se apresentar com um projecto em defesa dos direitos sociais e de afrontar os interesses do sector financeiro, deixando-se corromper por este.

Não é assim de admirar que a democracia se corrompa, levando ao crescimento de tendência políticas antidemocráticas, mas que se sabem servir da própria democracia para atingirem os seus fins.

Os resultados eleitorais da extrema-direita em França, e que se irão repetir um pouco por toda a Europa nas próximas eleições para o parlamento europeu são apenas um pequeno aviso da tempestade que se aproxima, semeada pelos ventos da austeridade imposta pela Comissão Europeia aos cidadãos deste velho continente.

A propósito deste tema, divulgamos em baixo um muito interessante artigo de opinião publicado ontem no blogue "A Face Oculta da Terra":


A FACE OCULTA DA TERRA: Eles andam aí...: Os resultados de Marine Le Pen, na primeira volta das eleições municipais em França, não devem espantar-nos. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Chilique de Cavaco



De Cavaco só se esperavam duas coisas: demitir o governo e convocar eleições antecipadas ou dar posse ao “novo” governo.

A imagem de defensor da “estabilidade” apontaria mais para segunda solução.

Mas o presidente mais uma vez optou pela “solução Nim”, para agradar a gregos e troianos, sem se comprometer, e, ao mesmo tempo, passar algumas rasteira política e ajustar algumas contas pessoais .

Para quem defendia a estabilidade, a sua intervenção contribui para agravar a situação política nacional e para aprofundar o buraco em que todos nos encontramos.

Claro que o Passos Coelho pode fazer birra com o PS, o Portas pode fazer birra como o Passos Coelho e o Cavaco fazer birra com todos.

Não são eles que pagam o resultado dos desmandos e das tácticas dessa política rasteirosa.

Mais uma vez cá estarão os de sempre (funcionários públicos e trabalhadores em geral, os pensionistas, os desempregados, os contribuintes que não fogem aos impostos) para pagar e manter o nível de vida de banqueiros, políticos, economistas de “topo” e dos comentadores do costume, mesmo que a crise se agrave.

…e pelo meio da confusão os “mercados” vão metendo dinheiro ao bolso com a especulação bolsista provocada por essas atitudes irresponsáveis.

De “birra em birra”, de “chilique em chilique”, de vingança pessoal em vingança pessoal (entre Cavaco e Portas) o “povo é que paga”….

quarta-feira, 3 de julho de 2013

..E AGORA CAVACO?




Cavaco Silva vai ficar na história como o pior Presidente da República do regime democrático.

Não sei porquê, mas sempre que vejo Cavaco Silva recordo-me de Américo Tomás, que, nas circunstâncias da época, foi o pior presidente do Estado Novo.

Tal como Américo Tomás na ditadura, Cavaco tem sido um mero “corta-fitas” do regime democrático.

Tal como Américo Tomás, os “discursos” de Cavaco Silva não passam de retórica vazia, cheia de lugares comuns, eivado por vezes de tentativas desastradas de fazer humor, muita vezes de um cinismo arrebatador, sempre a fazer pontaria ao lado e longe daquilo que os portugueses gostariam de ouvir da parte de um presidente de um país em crise.

Cavaco Silva ainda não chegou ao nível das gafes de Tomás. No tempo de Américo Tomás os discursos deste raiavam de tal modo o ridículo, que a própria Censura se encarregava de censurar a sua publicação, para não aumentar o descrédito sobre a ditadura. O curioso era ver publicações da oposição, como por exemplo a Seara Nova, a dedicar páginas à reprodução desses discursos. Como eram discursos do presidente, desviavam as atenções da censura, mas esses mesmos discursos eram usados pela oposição para ridicularizar o regime salazarista, e era esse o objectivo da revista ao reproduzi-los.

Contudo, houve um momento em que Tomás surpreendeu tudo e todos, talvez a única decisão corajosa que tomou, contra o que se esperava dele, que foi o de demitir Salazar, gravemente doente, e nomear para o seu lugar Marcelo Caetano, um homem que era visto então como um liberal do regime, em ruptura de longos anos com o salazarismo.

Na altura essa nomeação criou expectativas de mudança, e os primeiros tempos confirmaram essa esperança. Contudo, rapidamente o regime voltou à “normalidade” e o que se seguiu já de todos é conhecido.

Mesmo assim, nas circunstâncias da época, essa decisão de Tomás revelou alguma sabedoria.


Se Cavaco Silva continuar impávido e sereno a ver passar os “navios” deste governo moribundo, que ele, aliás, assumiu como o "seu" governo, à espera de um milagre de Nossa Senhora de Fátima, ou que outros resolvam por ele esta grave crise política, ficará ainda pior na fotografia dos presidentes da República do que Américo Tomás. 

Ao menos Tomás  teve a “coragem” de tomar a decisão certa, nas circunstâncias da época.


AS PRIMEIRAS PÁGINAS DA IMPRENSA NACIONAL E A CRISE POLÍTICA, e os acontecimentos na imprensa internacional:












...Também podem ler o que a alguma imprensa internacional diz sobre a crise portuguesa, como o El Publico, o El País, o Le Monde, o The Guardian ou o New York Times...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

São as pessoas, ó economistas, comentadores e governantes estúpidos!


Já alguém definiu esta crise como o roubo mais bem organizado ao bolso dos cidadãos.

Os responsáveis estão identificados: os especulativos sectores financeiros, os accionistas das grandes empresas preocupados exclusivamente com o lucro chorudo e imediato, os corruptos de toda a espécie (com são em Portugal os casos BPP, BPN, os off-shores,os  branqueamentos de toda a espécie, a  fuga aos impostos, e etc…), os políticos que deixaram de representar os cidadãos e se tornaram meros lacaios e executantes dos interesses dessa gente, tudo misturado com as opções económicas erradas e irresponsáveis dos últimos anos( auto-estradas a mais e mal planificadas, PPP´s, monopolização privada de bens públicos, urbanização caótica, destruição do aparelho produtivo, benesses e contratação de incompetentes “boys” para gerirem os bens públicos, adesão apressada ao euros, disseminação anárquica de grandes superfícies… ), tudo isto com a criminosa conivência da Comissão Europeia.

Agora que o dinheiro se acabou querem fazer-nos quere que fomos nós, os cidadãos trabalhadores e produtivos, que “andámos a viver acima das nossas possibilidades”!!!. …que é preciso acabar com o estado social, que é preciso cortar no investimento em cultura, em educação e em saúde.

Os sacrifícios e a austeridade, se, nas actuais circunstâncias criadas por aquela gente, é uma situação inevitável, podiam ser aceitáveis se não continuassem a ser sempre os mesmos, os trabalhadores e as empresas produtivas, e os socialmente mais vulneráveis, os pobres, os desempregados, os jovens, os reformados, a pagar para que toda a aquela gente continue a beneficiar de salários e reformas douradas, de lucros que, mesmo em queda, continuam a ser lucros fabulosos, continuando a escapar à justiça e aos sacrifícios que tanto exigem aos outros.
O argumento com que justificam esta desigualdade de tratamento é o de que, por um lado não existe outro caminhos e, por outro, como essa gente é minoritária e “está no mercado”, cortes nas suas reformas , nos seus ordenados, nos seus privilégios, nos seus lucros e nos seus luxos, não alteravam nada, nem eram compatíveis com as “necessidades” dos “mercados”.

Mas como se vê no caso da Islândia, existem alternativas. Aí os sectores financeiros e especulativos e os políticos que os apoiaram, foram banidos de qualquer apoio financeiro, tiveram que arcar com as perdas financeiras que resultaram da sua irresponsabilidade e, em muitos casos, tiveram que responder em tribunal pela sua responsabilidade na crise. Com essa atitude o governo islandês  teve o apoio dos seus cidadãos para as medidas de saneamento financeiro e para as reformas necessárias para a recuperação do país, o que, aliás, já está a acontecer a bom ritmo.

Claro que a Islândia tem várias vantagens em relação a Portugal: tem cidadãos atentos, activos e interventivos, não está sujeita às politicas financeiras cegas e irresponsáveis impostas pela srª Merkel, pela Comissão Europeia ou pelo BCE.

Por sua vez, por cá, a CGTP, com se pode ver no artigo em baixo transcrito, apresenta um conjunto de medidas alternativas à austeridade cega que o governo continua a insistir a impor aos trabalhadores, deixando de fora, ou beliscando apenas ao de leve, os sectores financeiros e as grandes fortunas.

A CGTP propõe um taxa de 0,25% (sim, apenas 0,25%) sobre as especulativas transacções financeiras, que permitiria uma receita de cerca de dois mil milhões de euros, uma sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos pelas grandes empresas aos seus accionistas, (que estão isentos…10% é uma taxa modesta se comparada com os 20 a 30% que muitos trabalhadores pagam de IRS…), que permitiria arrecadar cerca de 1600 milhões de euros, a criação de um escalão de IRC com uma taxa de cerca de 33% para as empresas com mais de 20 milhões de euros de lucro, que permitia arrecadar mais mil milhões de euros. Por último propõe um combate mais eficaz à evasão fiscal, tendo por objectivo imediato reduzir em 2% o peso da economia paralela na economia, o que permitiria arrecadar mais algumas centenas de milhões de euros.

Se acrescentarmos a estas propostas o aumento de imposto sobre tabaco e bebidas alcoólicas proposto pela CIP, e uma taxa de 0,3% (equivalente à taxa mínima de IMI) sobre o património financeiro, defendida num estudo editado no passado dia 21 nas páginas do jornal Público, o qual permitiria arrecadar mais 2500 milhões de euros, o governo e a troika deixam de ter argumentos para continuar a insistir no seu modelo de austeridade, que já deu provas de ser errado, como o demonstram  todos os números após dois anos de austeridade, o qual só tem levado ao aumento de desemprego e falências, redução das receitas fiscais aumento da recessão muito para além do previsto, sem qualquer resultado na redução do deficit, antes pelo contrário, sendo a situação Grega um bom exemplo do que resultará da insistência dessas políticas para Portugal .

Podíamos acrescentar que o governo podia insistir junto do BCE e da Comissão Europeia para que fossem tomadas medidas políticas contra a especulação da dívida por parte das agências de rating e contra os off-shores.

Infelizmente este governo parece cego surdo e mudo, visando apenas ir buscar aos mesmos de sempre por outra via o que não conseguiu, por pressão da rua, através da sua proposta para a TSU. Infelizmente, também, este governo não tem coragem para enfrentar os poderes instalados do FMI, do BCE, da Comissão Europeia e da sr. Merkel e dos obscuros interesses financeiros que mexem os cordelinhos dessas instituições.

Para além da agenda neoliberal que está por detrás da atitude deste governo em “ir além da troika”, uma atitude de puro oportunismo político, a insistência do governo nas suas medidas de austeridade já começa a raiar a simples estupidez.

Se, da reunião do Conselho de  Concertação Social de hoje não sair a aceitação de algumas das medidas propostas pela CGTP, então essa estupidez vai ficar confirmada e este governo não pode querer continuara  ter paz social. Por outro lado, a proposta da CGTP retira argumentação ao governo e aos comentadores e economistas que continuam a defender este tipo de austeridade, por “falta de alternativas”. Agora existe um projecto alternativo. Se a esquerda for inteligente, tem na proposta da CGTP uma boa base de trabalho para um projecto alternativo a estas políticas estúpidas e descaradas.

Parafraseando alguém, “são as pessoas, ó governantes, economistas e comentadores estúpidos!”.