quarta-feira, 3 de julho de 2013

..E AGORA CAVACO?




Cavaco Silva vai ficar na história como o pior Presidente da República do regime democrático.

Não sei porquê, mas sempre que vejo Cavaco Silva recordo-me de Américo Tomás, que, nas circunstâncias da época, foi o pior presidente do Estado Novo.

Tal como Américo Tomás na ditadura, Cavaco tem sido um mero “corta-fitas” do regime democrático.

Tal como Américo Tomás, os “discursos” de Cavaco Silva não passam de retórica vazia, cheia de lugares comuns, eivado por vezes de tentativas desastradas de fazer humor, muita vezes de um cinismo arrebatador, sempre a fazer pontaria ao lado e longe daquilo que os portugueses gostariam de ouvir da parte de um presidente de um país em crise.

Cavaco Silva ainda não chegou ao nível das gafes de Tomás. No tempo de Américo Tomás os discursos deste raiavam de tal modo o ridículo, que a própria Censura se encarregava de censurar a sua publicação, para não aumentar o descrédito sobre a ditadura. O curioso era ver publicações da oposição, como por exemplo a Seara Nova, a dedicar páginas à reprodução desses discursos. Como eram discursos do presidente, desviavam as atenções da censura, mas esses mesmos discursos eram usados pela oposição para ridicularizar o regime salazarista, e era esse o objectivo da revista ao reproduzi-los.

Contudo, houve um momento em que Tomás surpreendeu tudo e todos, talvez a única decisão corajosa que tomou, contra o que se esperava dele, que foi o de demitir Salazar, gravemente doente, e nomear para o seu lugar Marcelo Caetano, um homem que era visto então como um liberal do regime, em ruptura de longos anos com o salazarismo.

Na altura essa nomeação criou expectativas de mudança, e os primeiros tempos confirmaram essa esperança. Contudo, rapidamente o regime voltou à “normalidade” e o que se seguiu já de todos é conhecido.

Mesmo assim, nas circunstâncias da época, essa decisão de Tomás revelou alguma sabedoria.


Se Cavaco Silva continuar impávido e sereno a ver passar os “navios” deste governo moribundo, que ele, aliás, assumiu como o "seu" governo, à espera de um milagre de Nossa Senhora de Fátima, ou que outros resolvam por ele esta grave crise política, ficará ainda pior na fotografia dos presidentes da República do que Américo Tomás. 

Ao menos Tomás  teve a “coragem” de tomar a decisão certa, nas circunstâncias da época.


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