quinta-feira, 30 de maio de 2019

quarta-feira, 29 de maio de 2019

E agora europa?


As duas grandes famílias europeias, responsáveis pela austeridade e pelas políticas antissociais na União Europeia nos últimos cinco anos, perderam a tradicional maioria absoluta que mantinham desde o início da fundação do Parlamento Europeu.

O grupo maioritário nesse parlamento, o Partido Popular Europeu (PPE) passou a ter 178 deputados, quando anteriormente detinha 219. Esta é a família política que integra o PSD e o CDS, que até não foram dos que mais contribuíram para essa queda acentuada, perdendo, no seu conjunto, apenas um deputado (de 8 passaram a 7). Se se concretizar a expulsão dos deputados húngaros do partido de extrema-direita de Órban, (que elegeu 13 deputados), aquele número vai ficar ainda mais reduzido (165 deputados).  

O PPE pretendia continuar a presidir à Comissão Europeia, apesar dos resultados desastrosos para os cidadãos europeus e para o projecto europeu, sob a liderança, respectivamente, de Durão Barroso e Juncker.

Com estes resultados está caminho aberto para uma nova liderança e um maior equilíbrio na distribuição de pelouros da Comissão Europeia.

Contudo, o grupo que tem sido uma alternativa mais simpática para os interesses dos cidadãos europeus (embora muitas vezes se tenha limitado a fazer de “polícia bom”), a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), também obteve um resultado, que se não foi desastroso, foi “poucochinho”.

O grupo S&D, ao qual pertence o PS, perdeu 36 deputados. Tinha 189 deputados, passou a ter 153. Nesta família política não deixa de ser significativo que os únicos resultados positivo foram obtidos pelos seus filiados ibéricos, o PS e o PSOE que aumentaram a representação, remando assim contra a maré. Talvez o facto de serem os únicos que têm uma atitude crítica em relação ao modelo "austoritário" das “troikas” e assumindo-se à esquerda, tenha evitado o descalabro mais acentuado desta família politica.

Seja como for, o tradicional “centrão” que governava a Europa, com maioria absoluta no PE, nas últimas décadas, desfez-se. De uma maioria absoluta de 408 deputados, ficaram reduzidos a 331 deputados, num universo de  751 deputados, redução que ainda se pode acentuar com a saída da extrema-direita húngara do PPE.

Isto não quer dizer que esse centrão não possa ser reformulado, agora integrando uma outra família política, os “liberais” do ALDE que inclui o partido do presidente francês Macron, e os Cidadãos espanhóis, sem representação portuguesa. Este grupo cresceu de 68 para 105 deputados, tornando-se a 3ª força política no PE, ultrapassando o grupo de extrema direita ECR (que integra o partido Lei e Justiça da Polónia e onde se incluirá o Vox espanhol).

O ALDE vai ter uma importante palavra na distribuição de lugares na Comissão Europeia e nas futuras reformas do projecto europeu.

À esquerda o GUE/NGL (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde), foi um dos derrotados nestas eleições. Integra alguns dos principais grupos anti austeridade, como o Podemos, a França Insubmissa, o Syriza e os portugueses PCP e BE.

Este grupo, de 52, passou para 38 deputados. Os deputados portugueses deste grupo mantiveram a mesma força, 4 deputados (2 do BE e 2 da CDU), e já representam mais de 10% do grupo.

Destino contrário conheceu outro grupo, situado maioritariamente à esquerda, os Verdes, que passaram de 51 para 69 deputados, tornando-se a 4ª maior força politica e integrando, pela primeira vez, um representante português, eleito pelo PAN. Este grupo pode ter uma importante palavra a dizer nas negociações que decorrem em Bruxelas para a distribuição de cargos e responsabilidades, até porque representa uma preocupação crescente entre os Europeus, principalmente entre os mais jovens.

Já a  extrema-direita, apesar de ter sido uma das vencedoras das eleições, aparece muito dividida, sendo representada pelo ENL (que inclui a Liga de Salvini, a UN de Le Pen e a AfD alemã), passando de 35 para 58 deputados, pelo ECR (que incluía Le Pen, que mudou de grupo, que inclui o Lei e Justiça da Polónia e deverá integrar o Vox), que perdeu votos, por causa da saída de Le Pen para o grupo anterior, passando de 71 para 63,  e o EFDD (que inclui o Partido do Brexit de Farage, perdendo a AfD alemã para outro grupo), que cresceu de 45 para 54 deputados, mas poderá sofrer grandes alterações se se concretizar a saída da Grã-Bretanha (o Partido do Brexit de Farange elegeu 28 deputados). Há que contar ainda com a possível integração do partido de Órban num destes grupos (mais 13 deputados).

No seu conjunto a extrema-direita passou de 151 deputados para 175, aos quais se podem juntar os extremistas do Fidesz que governam a Hungria (+ 13), e os representantes de outras pequenas forças que ainda não optaram por qualquer dessas três formações, que coloca essa tendência à beira dos 200 deputados.

É igualmente significativo que a extrema-direita, crescendo em quase todos os países, saiu vitoriosa na maior parte dos grandes países da EU, como na Itália, na França, na Grã-Bretanha, e na Polónia.

Teremos assim, no próximo Parlamento Europeu, cinco grandes grupos : Direita Conservadora (PPE, menos  o Fidesz) – 165 deputados (178 com Órban);  Socialistas – 153 deputados; Liberais – 105 deputados; Esquerda progressista (Verdes + GUE) -  107 deputados; Extrema-direita (com o Fidesz ) – 188 deputados. Sobram ainda 33 deputados sem posição definida. Para formar a maioria de 376 deputados nunca será possível juntando apenas duas dessas tendências.

Existem várias combinações em aberto: Direita + extrema-direita  = 353 deputados (faltando 23 para uma maioria) ;  PPE+Socialistas+Liberais = 420 ;  Socialistas+Verdes+Liberais+Esquerda = 365 deputados (faltando 11 para uma maioria). De tendência variada, parte dos 33 deputados não filiados podem contribuir para a primeira ou para a última maioria (sendo que a maior parte desses deputados estão mais à direita).

Uma das boas notícias da noite foi o decréscimo da abstenção (ao contrário do que se passou em Portugal), tendo beneficiando, por um lado o crescimento dos Verdes e, por outro, o crescimento, embora mais lento do que era previsto, da extrema-direita.

Seria bom que os novos responsáveis pelo destino do projecto Europeu mudassem mesmo alguma coisa, preocupando-se mais com o bem estar dos cidadãos do que com o bem estar dos bancos, fizessem urgentemente alguma coisa pelo ambiente e deixassem de legitimar o discurso da extrema-direita sobre a emigração.

A quebra dos partidos tradicionais é um sério aviso.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Resultados Eleitorais no Concelho de Torres Vedras

Podem ler AQUI os resultados e a análise das eleições para o Parlamento Europeu no Concelho de Torres Vedras.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

O Cartoon da Semana

(por Vladimir Khakhanov/Cartoon Movement)

Contra a demagogia : em defesa de Carlos Miguel


A Demagogia populista anda por aí. 

Desta vez foi o jornal "Público" a "borrar o pé", tentando insinuar que uma edição de autor, apoiada pelo município de Torres Vedras com a compra de metade da edição, prefigurava uma situação de favorecimento ilícito. 

Em defesa de Carlos Miguel e denunciando o carácter especulativo do título (mais do que da notícia em si) AQUI publicámos o que pensamos sobre o tema.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Eleições Europeias – uma campanha (pouco) “alegre”!



A Europa vive uma encruzilhada.

Contudo, quem siga a campanha eleitoral para as eleições do Parlamento Europeu nem se apercebe que estas eleições são “europeias” e podem decidir o rumo do projecto Europeu.

Não sei se a “culpa” é da comunicação social, mais interessada em explorar casos e  fazer destas eleições uma espécie de primárias das legislativas de Outubro, não divulgando as referências dos candidatos à situação europeia, se os “culpados” são os próprios candidatos, enredados em ataques pessoais ( em que Rangel se revelou um grande especialista) e em questões da pequena politiquice interna, do que em discutir o projecto europeu que defendem.

Até parece que, na Europa, vai tudo bem e não existem graves questões a debater, cruciais para a própria sobrevivência do projecto Europeu.

Por alto, aqui referimos algumas dessas questões que andam arredadas da campanha ou são abordadas apenas ao de leve, no meio de lança culpas e ataques pessoais:

- a urgência em enfrentar as alterações climatéricas;

- a questão energética, encarada em duas frentes, a substituição energética e a resolução da dependência energética da Europa;

- a resolução humanitária das migrações;

- o combate ao envelhecimento demográfico;

- a necessidade de aproximar as instituições dos cidadãos;

- o combate às desigualdades no seio do espaço europeu (salários, pensões, direitos sociais….);

- o combate à corrupção, fraude e evasão fiscal, acabando rapidamente com, por um lado as excepções  das grandes empresa e do mundo financeiro e, por outro, os “offshores” no seio do espaço Europeu;

- a aposta forte numa rede de transportes eficaz, baseada no caminho-de-ferro (generalizando o TGV) e na construção de um rede de portos eficiente;

- o combate à `expansão do populismo, penalizando países e governos que, no seio da própria União Europeia, não respeitem os direitos humanos, os direitos socias e o próprio modelo social europeu, com medidas, no mínimo tão duras como aquelas que tomaram contra os países que não cumpriram com os critérios financeiros;

- o combate ao dumping social dos mercados internacionais, que contribuem para a perda de empregos, salários e direitos sociais no seio do espaço da UE;

- a resolução do BREXIT e a aproximação à Turquia, a África e ao Médio Oriente, como forma de contrabalançar a influência crescente da Rússia, da China e dos Estados Unidos.

Estes são alguns dos exemplos dos temas que deviam estar em cima da mesa nesta campanha eleitoral.

Têm ouvido falar neles?

Tirando um ou outro tema, abordado apressadamente antes de se lançarem nos “sound bites” para abrir telejornais, pouco se tem ouvido sobre os verdadeiros problemas que a Europa tem de enfrentar.

Depois admirem-se da grande abstenção ou do avanço da extrema-direita.

terça-feira, 21 de maio de 2019

O Sr. Comendador



Em Portugal sempre se valorizou muito o uso de títulos.

Claro que existem títulos merecidos, mas a vulgarização do seu uso acaba por retirar o prestígio que se é suposto atingir-se com a sua exibição.

Quando o liberalismo procurou acabar com os privilégios dos títulos de nobreza, rapidamente se inventaram os “barões”.

Com o Estado Novo rapidamente se expandiram os “comendadores”, título chique para distribuir aos “vassalos” do regime e aos velhos caciques de sempre.

A democracia não alterou muito essa feira de vaidades, quanto muito criando títulos mais de acordo com os novos tempos, “democratizando” a sua atribuição.

Leu-se por aí que, nos últimos 40 anos, foram atribuídas quase 10 mil “comendas”, por “bons e excelentes serviços prestados ao país”.

Sem entrar no debate do merecimento ou não desse reconhecimento, é caso para dizer que, com tantos milhares a prestarem tão relevantes serviços ao país, não seria caso para, em proporção,  termos um país de excelência!!??

…No 10 de Junho haverá mais!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Eleições para o Parlamento Europeu : “ só sei que não vou por aí”.



Ainda não tomei uma decisão definitiva sobre o meu sentido de voto para o Parlamento Europeu.

Percebo o desinteresse geral por este acto eleitoral, em parte porque o Parlamento Europeu, que é o único órgão politico democraticamente legitimo da União Europeia, detém muito pouco poder, está muito longe dos cidadãos (começando pelo nível salarial e pelos privilégios descarados dos deputados) , quando toma decisões está, geralmente, ao lado dos interesses mais poderosos contra o interesse dos cidadãos que diz representar, sem esquecer que o peso dos deputados eleitos por Portugal, cerca de 20, mesmo que agissem em conjunto, é esmagado pela dimensão numérica desse mesmo parlamento.

Os números da abstenção aí estão para mostra que os cidadãos não sentem que esse parlamento os representa.

O problema é que, de facto, esse parlamento detém mais poder que os parlamentos nacionais, impondo-se a estes em muitas decisões que influenciam a vida dos cidadãos europeus e, apesar de tudo, ainda é a única instituição onde algumas vozes de protesto podem colocar na agenda das elites europeias as preocupações desses mesmos cidadãos.

Por outro lado, é preciso perceber que a abstenção, tal como o voto nulo e branco, não tem qualquer peso prático e apenas contribui para aumentar o peso de quem vota, beneficiando os partidos com mais votos expressos e contribuindo para tornar relevante candidaturas irrelevantes.

Uma abstenção (ou um voto nulo ou em branco) faz com que o voto de quem vai às urnas valha sempre mais. Se a abstenção ultrapassar os  50% , então quem votar vê o seu voto valer por dois.

Assim, apesar de tudo, e tendo em conta que esta ainda é a única forma dos cidadãos europeus manifestarem o seu desejo ou o seu protesto em relação ao projecto europeu, e tendo em conta que, pelo menos em Portugal, existem partidos concorrentes de todas as tendências e para todos gostos, a abstenção só vai contribuir para dar peso a tudo aquilo que mais detestamos e só vai contribuir para reforçar o peso de partidos com os quais não nos identificamos.

Sendo assim, é importante votar, nem que seja com um voto de protesto.

Pessoalmente, ainda não decidi o sentido do meu voto, mas já sei para onde não vai o meu voto:

- não vai para a extrema direita (PNR e Basta), nem para o populismo (Nós, PURP e PDR);

- também não vai para a extrema esquerda (PCTP/MRPP);

- não vai para partidos populistas de esquerda (PTP e MAS)

- não vai para partidos assumidamente neoliberais (Aliança e Iniciativa Liberal);

- por uma questão de valores e princípios, também não vai para direita (PSD e CDS), ainda por cima porque estes partidos integram uma tendência no Parlamento Europeu (PPE) que, para além de integrar tendências mais de extrema direita do que de direita (como o partido do húngaro Órban), apresenta como candidato a presidente da Comissão Europeia uma figura tenebrosa como o sr.Manfred Weber, uma das figuras que mais tentou humilhar Portugal no tempos da troika, e não só, ainda mais papista que Merkel;

- embora me identifique mais com o actual PS do que com o “PS do costume”, parece-me que é o “PS do costume” que está de regresso nesta campanha eleitoral, e por isso o meu voto também não vai para esse partido, até porque ainda tem no seu seio muita "tralha" socrática e, no grupo europeu, muita "tralha" da "terceira via" neoliberal que se infiltrou na social democracia e no trabalhismo europeu.

Sobram como hipóteses de voto, pela minha parte, O PAN, o Bloco de Esquerda, O Livre e a CDU.

Por agora apenas “só sei por onde não vou”.

A decisão, provavelmente, só a vou tomar à boca das urnas

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Europa que eu queria



Se calhar, antes de pensarmos onde votar, ou mesmo se vamos vota nas próximas eleições europeias, talvez fosse bom pensar que Europa queremos, e depois ver qual o partido cujo programa e prática (mais que o programa, é a prática que define um partido politico) que está mais próximo daquilo que defendemos.

Em primeiro lugar, uma Europa solidária com os que cá vivem e trabalham e com aqueles que querem viver por cá. Para isso tem de aprofundar a construção do Estado Social, combatendo a precariedade, os salários e as pensões baixos, e defendendo quem trabalha e os direitos sociais básicos (educação, saúde, transportes, habitação, trabalho…);

Em segundo lugar, uma Europa que combata eficazmente a corrupção, através de um sistema fiscal equilibrado ( que não permita os off-shores em concorrência desleal com os cidadãos , as empresas e os Estados), com regras que penalizem os desvarios do sistema financeiro e com um sistema de justiça célere, acessível e que penalize fortemente quem se serve dos cargos públicos e políticos para enriquecer e enganar os cidadãos;

Em terceiro lugar, um Europa menos desigual, nas oportunidades, nas leis do trabalho, nas reformas e nos salários, onde a livre circulação de pessoas seja mais importante que a livre circulação de capitais e mercadorias;

Em quarto lugar, uma Europa criativa, progressista e inovadora, em termos culturais, educativos e tecnológicos;

Em quinto lugar, uma Europa que ponha o bem-estar geral dos cidadãos acima das negociatas do mundo financeiros e dos interesses das grandes empresas;

Em sexto lugar, uma Europa que seja pioneira e eficaz no combate à crise ambiental, na defesa da vida animal e da natureza e apostando fortemente em energias não poluentes, penalizando fortemente pessoas e empresas que contribuam para agravar a poluição;

Em sétimo lugar, que funcione, a nível mundial e nas instâncias e instituições onde os seus países têm lugar, como um exemplo na defesa da paz, dos Direitos Humanos e dos Direitos Sociais;

Por último, e embora todos usem a defesa da Democracia e da Liberdade nos seus slogans, estes principio devem ser apanágio e conclusão lógica da aplicação dos outros sete princípios, sob pena de não passarem de mentirosas palavras vãs e oportunistas.

Agora é olhar para a prática dos partidos que se propõem representar-nos no Parlamento Europeu e escolher o partido que mais se aproxima da tal Europa que queremos.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

"Viver entre o que foi deixado para trás" de Mário Cruz

A FORMA E A LUZ: "Viver entre o que foi deixado para trás" de Mário Cruz...: Já restam poucos dias para se ver a exposição de fotografias de Mário Cruz sobre a vida no rio Pasig, o rio mais poluído do mundo, em Manila, exposição que pode ser visitada no Palácio Anjos em Algés, até 26 de Maio. (Clicar para ver mais)

quarta-feira, 15 de maio de 2019

"Anda uma vaca à solta pelas ruas da vila" .



Não se assustem com o título.

Mas essa era uma frase que ouvia muitas vezes em criança.

Nunca me cruzei com uma vaca à solta, mas quando ocorria esse rumor, a criançada vivia dias de medo, que duravam até alguém informar que a vaca tinha sido apanhada.

Nessas ocasiões, a travessia da escola primária (a que ficava frente ao cemitério de S. João) até casa (na Praceta Afonso Vilela), por um caminho de terra batida (ainda não existia a Rua Henriques Nogueira e o espaço da escola do mesmo nome era ocupado por vinhas e baldios), era feito sempre a medo, receando que a qualquer momento, a vaca saltasse para a nossa frente.

No último congresso Turres Veteras, numa excelente comunicação de André Baptista sobre o Matadouro Municipal de Torres Vedras, fiquei a saber que aquele medo de infância não era um “mito urbano”.

De facto, era frequente existir gado que fugia dos currais do matadouro, nalguns casos solto deliberadamente pela miudagem desse bairro, vingando-se assim das queixas que os funcionários faziam aos pais dos miúdos, quando, jogando à bola junto do edifício, muitas vezes partiam um vido do matadouro com uma bola mal calculada.

Algum desse gado chegava a andar dias “a monte” e algum acabava a percorrer as ruas da vila, principalmente no centro histórico.

E eram essas histórias que chegavam à escola primária, pela voz de colegas que viviam na zona histórica ou junto ao matadouro  e que nos aterrorizavam a todos.

Como vivia numa zona mais afastada, a sul, aí nunca chegou uma dessas célebres vacas.

Contudo, certo dia, pregámos um valente susto a um nosso companheiro de brincadeira.

Brincávamos na Praceta Afonso Vilela, então ainda inacabada, ou nos quintais das traseiras dos prédios e, entre os meus vizinhos, havia um miúdo que tinha família em Salvaterra de Magos e se gabava das touradas a que assistia no Ribatejo e jurava a pé juntos que queria ser toureiro.

Certo dia, quando brincávamos no quintal, espaço fechado com cancela, e correndo mais uma vez o rumor de que andava uma vaca à solta pela vila, virá-mo-nos para esse colega e gritámos “olha a vaca atrás de ti!”. O “futuro toureiro”,  nem olhou a confirmar, desatou numa correria pelas escada acima, a chorar e a gritar, fechou-se em casa por umas horas.

Foi gozado o resto do tempo pela miudagem e, pelo que se sabe, não seguiu a profissão de toureiro.

Foi a única vez que alguém do nosso bairro “viu” uma das “célebres” vacas à solta, que, afinal, não era um mito urbano

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Europa que “queremos”.



No dia de abertura da campanha eleitoral para a eleição do Parlamento Europeu, era bom que reflectíssemos sobre o destino da “Europa” e sobre a “Europa” que queremos.

Pela minha parte, nunca tive dúvidas que sou europeu e pertenço à Europa e por isso parece-me perfeitamente provinciana tanta "profissão de fé"europeísta de gente nascida no Continente.

As minhas dúvidas começam quando se pensa na “Europa” que queremos.

Parece-me verdadeiramente disparatada a forma como se dividem as opiniões europeias entre “europeístas” e “cosmopolitas” , de um lado, e “eurocepticos” e “identitários” , do outro.

No fundo, foi a capacidade de integrar todas essas formas diferentes de ver a Europa que permitiu o desenvolvimento e a longevidade do projecto Europeu.

Ao integrar esses diferentes pontos de vista foi possível construir aqueles que, quanto a mim, são os quatro pilares fundamentais do projecto europeu: Paz, Democracia, Desenvolvimento e Liberdade.

Ora, foram esses quatro pilares que foram abalados e correm o risco de serem destruídos durante a crise financeira da última década, destruição que se iniciou uma década antes.

Quando acabou a Guerra Fria, paradoxalmente, a Europa conheceu pela primeira vez, desde o início da União Europeia, uma violenta guerra no seu espaço geográfico, a Guerra da Jugoslávia, muito fomentada pelas elites europeias, e a Guerra, fomentada por essas elites, ligadas ao poder financeiro e do armamento, nunca mais acabou, expandindo-se para o Mediterrâneo, no Norte de África e para o Médio Oriente e regressando ao espaço Europeu na Ucrânia.

Por sua vez, ao fazer de um dos seus principais objectivos a humilhação dos povos do leste,especialmente os russos, e ao desprezarem a Turquia, para agradarem à expansão militarista da NATO para leste,  criaram condições para o aparecimento de um Erdogan ou de um Putin e, no próprio seio da União Europeia, para o crescimento de tendência populistas, já no poder na Hungria e na Polónia.

Sendo assim, o  pilar da paz deixou de ser um dado adquirido.

O pilar da democracia também tem sido fortemente abalado, e o seu enfraquecimento deve-se, em muito, à forma como as realidades nacionais e a vontade politica expressa nos parlamentos nacionais foram desprezados pelas instituições europeias ( a maior parte destas sem qualquer controle democrático), com a imposição de medidas de austeridade aos países do sul, não respeitando a vontade dos seus próprios cidadãos, enquanto, por outro lado, se foi condescendente com o crescimento dos regimes da “democracia iliberal” no seu próprio seio.

Também o pilar do desenvolvimento tem vindo a ser fortemente abalado por essas mesmas medidas  de austeridade impostas pelas instituições europeias (repetimos, a maior parte destas sem controle democrático) que têm vindo a conduzir à destruição de direitos sociais e do Estado Social, duas das condições que permitiram dar à Europa Ocidental, durante as décadas que se seguiram à 2ª Guerra, uma imagem de superioridade “moral” em relação ao “socialismo real” do leste.

Ao colocarem-se ao lado do poder financeiro, muito dele corrupto, contra os cidadãos, as elites que lideram as instituições europeias acentuaram as desigualdades sociais e a desconfiança dos cidadãos em relação ao próprio futuro do projecto europeu, situação que tem sido aproveitada pela extrema direita populista para ganhar terreno politico e eleitoral, sendo o caso do Brexit e da governação italiana as consequências  mais conhecidos e mais graves.

Resta ainda, com algum vigor, o pilar da Liberdade, contudo cada vez mais ameaçado, por um lado,  pelo controle do poder financeiros sobre a maior parte dos órgão de comunicação social e, por outro lado, pela crescente influência da extrema direita nas redes sociais, alimentado as “fake news” que influenciam uma opinião pública cada vez mais confusa e socialmente desesperada.

A forma como as forças politicas. que se apresentam ao próximo acto eleitoral para o parlamento europeu, se posicionam em relação aos quatro pilares Europeus (Paz, Democracia, Desenvolvimento e Liberdade), aos quais se deve juntar um quinto pilar, a questão Ambiental, deve ser o indicador que devemos levar em conta no momento de votar e como critério para as nossas opções.

Para reforçar o pilar da paz, devemos exigir que os nossos futuros representantes no Parlamento Europeu deixem de alinhar com o belicismo norte-americano e israelita no Médio Oriente e tomem medidas corajosas em defesa dos direitos humanos em relação à situação dos emigrantes, contribuindo para melhorar as condições de vida em África e no Médio Oriente, ao mesmo tempo que tratam com humanidade esses emigrantes.

Para reforçar o pilar da democracia devemos exigir que o Parlamento Europeu se torne um forúm em defesa dos cidadãos europeus contra o poder financeiro, aumentando os seus poderes para controlar e escrutinar  as instituições europeias que não são eleitas directamente (eurogrupo, comissão europeia, conselho europeu e Banco Central Europeu), ao mesmo tempo que deve respeitar as decisões dos parlamentos nacionais.

Para reforçar o pilar do desenvolvimento, devemos exigir que ao Parlamento Europeu combata as crescentes desigualdades no seio da União Europeia, em relação a salários, pensões, e preço, reforçando os direitos sociais dos cidadãos e o Estado Social.

Para reforçar o pilar da liberdade, devemos exigir ao Parlamento Europeu que penalize fortemente estados, como o Húngaro e o Polaco, que não respeitam a independência dos tribunais e dos  orgãos de comunicação social, combatendo igualmente a as "fake news" nas redes sociais e o domínio do sector financeiro sobre sobre esses meios.

Por último, deve o Parlamento Europeu adoptar medidas coerentes, urgentes e concretas em defesa do meio ambiente, custem a quem custarem.

A nossa escolha deve, assim, depender do compromisso eleitoral na defesa desse conjunto de princípios, os únicos que ainda podem salvar o projecto europeu

Voltaremos ao tema em próximas ocasiões

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Durão e Passos: Com “amigos” como estes, a “Europa” não precisa de inimigos!



Por ironia do destino, ou talvez não, o Dia da Europa, que ontem se comemorou, ficou marcado pela aparição conjunta de Durão Barroso e Passos Coelho numa iniciativa da Universidade Católica ( a tal que está isenta de pagar os impostos pagos pelas outras universidades…) para assinalar o Dia da Europa.

Não deixa de ser curioso que ambos tenham revelado uma “grande preocupação” pela ascensão dos “populismos” na Europa e se tenham apresentado como “moderados”.

À frente da Europa, Durão Barroso foi uma das figuras que mais contribui para o descrédito do projecto europeu e para o afastamento dos cidadão desse projecto, pela forma como impôs uma austeridade que favoreceu os “mercados” e o corrupto sistema financeiro, em detrimento da qualidade de vida dos cidadãos europeus.

Durão Barroso, o “moderado” , é o mesmo que teve um dos mais indignos actos de falta de ética quando, depois de, em boa hora, ter abandonado a presidência da Comissão Europeia, ter entrado de imediato ao serviço de uma das instituições financeiras que mais beneficiou com a austeridade antissocial que ele defendeu enquanto exerceu aquelas funções.

Durão Barroso foi um dos rostos mais poderosos das medidas tomadas pelas várias “troikas” contra o bem-estar e os direitos sociais dos cidadãos europeus (principalmente na Grécia, em Portugal e na Irlanda, mas também, de forma menos visível, na França, na Itália e nalguns países do leste), contribuindo com ninguém para a ascensão do populismo de extrema-direita que assola o espaço europeu.

Ao tentar pôr no mesmo saco do estafado “populismo” todos os que criticaram as medidas antissociais tomadas durante o seu mandato e aqueles outros que impõem uma agenda de extrema-direita, alimenta a confusão que mais tem contribuído, para a ascensão do verdadeiro populismo, sem esquecer que foram os partidos da família politica de Barroso que legitimaram o discurso da extrema direita ao adoptarem muitas das reivindicações desses mesmos partidos.

E já agora, tendo em conta que uma das situações que mais tem sido explorada, de forma demagógica, por esses populismos, a questão da emigração, convém recordar que grande parte desses migrantes fogem das guerras e dos conflitos que foram fomentados, entre outros, por Durão Barroso, um dos rostos da célebre cimeira das Lajes que levou à Invasão do Iraque, ou durante o seu mandato, como aconteceu como o apoio irresponsável à “Primavera árabe” que conduziu à situação na Líbia e na Síria.

Quanto a Passos Coelho, foi um mero executante e colaboracionistas das acções socialmente criminosas da “troika” em Portugal, indo mesmo “além da Troika”, com todas as consequências sociais, económica e financeiras que são conhecidas.

Comemorar o “Dia da Europa” com aquelas duas figuras é a melhor maneira de dar mais uma machadada no ideal europeu.

Para a "festa" ser completa, só por lá faltaram Portas e Cavaco.

É caso para dizer que, com “amigos” como esses, o projecto Europeu não precisa de inimigos!

Turres Veteras XII

Tem hoje início a 22ª edição dos Encontros de História Turres Veteras . O programa pode ser consultado clicando AQUI.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Banqueiros de Portugal, uni-vos (que o povo paga)!


A Banca preparar-se para mais um assalto aos cidadãos.

Depois do desvario dos últimos anos, em que todos tivemos (e continuamos) a pagar os desmandos da banca portuguesa e europeia, ei-los de volta com nova sugestão de “assalto” aos cidadãos.

Para já estão apenas a apalpar o terreno, mas a ideia é cobrar pelo uso do multibanco, como se já não pagássemos pela posse do cartão.

O problema é que ninguém, a não ser os criminosos e os corruptos, pode ter o dinheiro fora dos bancos.

Todas as pensões e ordenados estão domiciliados obrigatoriamente numa conta bancária e, sendo assim, todos somos obrigados a usar os cartões multibanco.

Recorde-se que, se a maior parte da banca voltar a estar em dificuldades, o deve à sua própria conduta, oferecendo condições de crédito que quase obrigam o incauto cidadãos a fazer compras acima das suas possibilidades.

Ainda recentemente um banco público “oferecia” empréstimos para compar Mercedes topo de gama a “preços e juros convidativos”.

Sem esquecer que a maior parte dos bancos que recorreram aos apoios do Estado (leia-se, dos contribuintes) continuam a pagar ordenados escandalosos aos administradores que destruíram o sistema financeiro, a pagar pensões de luxo e a oferecer lucros fabulosos aos seus accionistas, ao mesmo tempo que andam a perdoar os grandes devedores em milhões de euros!

Claro que a única forma de cobrirem os seus desmandos é propôs o assalto aos cidadãos que estão praticamente obrigados a usarem o cartão multibanco para quase tudo.

Com o apoio dos políticos e "comentadeiros" que estão ao seu serviço, talvez consigam o seu objectivo, mas para já é apenas atirar "barro à parede" a ver se "pega".

Já não há pachorra!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Sobre os Professores e o os aldrabões do costume



Tem sido triste e revoltante de ler, ouvir e ver a reacção da maior parte dos comentadores e jornalistas de plantão acerca do reconhecimento da contagem do tempo de serviço dos professores pelo Parlamento.

A maior parte revela uma grande e vergonhosa falta de escrúpulos, misturando má fé e meias verdades ou nem se dando a esse trabalho, ficando-se pela mentira pura e simples.

A maior parte revela uma grande dose de intolerância em relação às justas reivindicações dos professores.

Nalguns casos percebe-se essa raiva, contida a custo nos últimos tempos, mas  que tem sido constante e coerente, por parte dessa gente, os “fazedores de opinião”, pelo menos desde os tempos da malfadada Maria de Lurdes Rodrigues.

Muitos não sabem o que é investigar ou estudar um assunto, confundindo opinião e dom da palavra com aquele que devia ser o seu trabalho: esclarecer e informar.

Ao esclarecimento público, que devia ser apanágio da sua profissão, sobrepõem preconceitos ideológicos e mera acção de propaganda em prol do estafado discurso “austoritário”.

Muita dessa gente, paga a peso de ouro para debitarem tanto disparate preconceituoso e propagandístico, (recebem ao fim do mês muito mais que qualquer professor no topo da carreira) são os mesmos que andaram a justificar as criminosas medidas antissociais dos tempos da troika.

Essa gente é a mesma que, depois, se vem lamentar das “fake news” e do peso das redes socias.

Esquecem-se que foram eles os primeiros, com todo o seu discurso de intolerância, de  meias verdades, de falta de rigor, de má fé, preconceituoso, que legitimaram a maior parte dos discursos debitados nas redes socias que reproduzem a mesma intolerância, preconceito ideológico, falta de rigor.

Bastava terem lido com atenção as duas únicas reportagens jornalísticas dignas desse nome, e evitariam descredibilizarem-se como jornalistas com tanto disparate debitado na comunicação social nos últimos dias.

Refiro-me às reportagens de Pedro Sousa Tavares (“A guerra que abre caminho à paz nas escolas no fim das aulas” e “O que implica a devolução do tempo de serviço?”) e de Maria Caetano e Paulo Ribeiro Pinto (“Os números explicados”) publicadas nas páginas do único jornal sério que se publica, o “Diário de Notícias”, na sua edição do passado Sábado dia 2 de Maio.

Aliás, não deixa de ser curioso que a maior parte do trabalho de investigação publicado por Pedro Sousa Tavares, quase todo na área da educação, desminta os dislates do seu pai, o “comentadeiro” Miguel Sousa Tavares, sobre o mesmo tema. Ao que parece este último coloca o seu ódio visceral contra os professores à frente do rigor jornalístico. Bastava informar-se junto do filho para não debitar tanto disparate.

Mas vamos à inverdade, meias verdade e má fé debitada por aquela gente e desmentida naquelas reportagens:

“Os professores não podem ser privilegiados em relação à restante função pública e o reconhecimento da necessidade de negociar futuramente o reconhecimento dos anos de serviço congelados abriria a arca de pandora”: - MENTIRA! 

A “árvore de pandora” já foi aberta há muito tempo quando o governo reconheceu e devolveu o tempo congelado a toda a função pública, MENOS  nas chamadas carreiras especiais (Professores, Forças de Segurança e Magistrados). Ou seja, os "privilegiados" foram outros;

“O professores não podem ser privilegiados em relação a outros trabalhadores que tiveram cortes nos salários, aumento de impostos e ficaram desempregados”: FALÁCIA e MEIA VERDADE!

Os professores, além do congelamento do tempo de serviço também sofreram grande cortes salariais e aumento de impostos (são dos poucos, juntamente com o resto da Função Pública, que nunca podem fugir ao pagamento total de impostos) e, se não se registou oficialmente desemprego, oficiosamente, com a forma como empurraram muitos professores para a reforma antecipada, em situação muito desvantajosa, e como foi reduzido o número de professores que entravam anualmente por concurso, houve uma redução drástica do número de professores, uma forma artificial de desemprego, aumentando a precarização da profissão, principalmente entre os mais novos, ou o empobrecimento dos mais velhos pela forma como foram calculadas as reformas.

“A contagem do serviço congelado colocaria automaticamente metade dos professores no último escalão, onde ganham mais de 3 mil euros mensais, porque a progressão é automática” : MEIA-VERDADE, FALÁCIA E MENTIRA.

A progressão na carreira já não é automática e obedece a um rigoroso sistema de avaliação, pelo menos desde 2010. No último escalão o ordenado é superior a 3 mil euros mas a maioria dos professores pagam logo à cabeça descontos para IRS, ADSE e CGA, recebendo pouco mais de 2 mil euros.

Muitas outras falácias e mentiras temos ouvido nos últimos dias, mas ficamo-nos por aqui, tentando demonstrar a falta de honestidade intelectual de uma parte considerável de “opinadores” e “jornalistas”.

Depois admirem-se das “fake news” e da decadência do jornalismo!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

BêDêZine: Um cartoon pela liberdade (solidários com António)...

Contra a censura sionistas do governo racista de Israel, e pelo respeito que nos deve a memória do judeus perseguidos ao longo dos séculos e mortos no Holocausto :

BêDêZine: Um cartoon pela liberdade (solidários com António)...: (Não deixa de ser curioso que um jornal como o New York Times, sempre pronto a falar em nome da "liberdade", se tenha intimidado com a reacção dos sionistas (clicar para ler mais).

quinta-feira, 2 de maio de 2019

O Muro dos Justos



Foi inaugurado oficialmente no passado dia 25 de Abril, com um sessão popular no dia 27, o memorial com o nome dos mais de 2 500 presos que passaram pela Prisão de Peniche durante o Estado Novo.

A esse número devem juntar-se os cerca de 30 mil presos políticos que passaram por outras prisões (como o Tarrafal, Caxias, o Aljube ou a várias sedes da policia politica), sem esquecer o número não contabilizado de presos africanos durante o período da Guerra Colonial.

Se juntarmos a esse número, os cerca de 5 milhões de portugueses fichados (isto é, vigidos) pela PIDE, os mais de 10 mil mortos na Guerra Colonial (sem contar com os africanos) e as vitimas da economia de miséria (mortalidade infantil, doenças por subnutrição ou falta de assistência médica adequada,  acidentes de trabalho, etc…), os vários assassinatos políticos (Humberto Delgado é o mais conhecido, sem esquecer a prática de “soltar” presos à beira da morte, para não morrerem nas prisões) ficamos com a verdadeira dimensão daquilo que foi o salazarismo.

Resta recordar os “justos” que, em prejuízo pessoal e familiar, se bateram toda a vida contra esse regime ditatorial e injusto.

Bem hajam!