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quinta-feira, 27 de junho de 2013

ESTAMOS EM GREVE!


Este é o homem que não faz Greve...



Este é o homem que convidou, há pouco mais de uma semana, os professores a aderirem à greve geral, para não fazerem greve aos exames, esquecendo-se que, quando falou, estavam marcados exames para o dia da Greve Geral.

Este é o homem que vem criticar a Greve Geral porque “ o país precisa de trabalho”, mas cujas políticas mandam para o desemprego mais de mil pessoas por dia, precariza o emprego da maior parte dos que trabalham e retira direitos fundamentais.

Este é o homem que conseguiu unir, pela segunda vez, as duas centrais sindicais e que consegue a compreensão dos patrões para a Greve Geral.

Este homem, ou é idiota, ou é cínico, ou é ignorante, ou é irresponsável. Tenho por mim que ele é um pouco de tudo isso.

Só por isso, esse homem merece que esta seja uma das maiores Greves Gerai da história recente de Portugal…

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

BEM VINDOS À "GRÉCIA":



Quem achava que cenas como aquelas que víamos na televisão, passadas em Atenas ou em Madrid, não se repetiriam em Portugal, ficou ontem desenganado.

Há muitos anos que não  assistíamos em Portugal a cenas de violência como aquelas que ocorreram ontem à frente da Assembleia da República.

À distância, para quem como eu viu o que se passou pela televisão, tudo terá começado já após o final da manifestação da CGTP, culminando um dia da bem sucedida Greve Geral.

O que vimos foi um grupo de uma ou duas dezenas de manifestantes que não se cansavam de apedrejar com bastante violência a primeira linha da polícia de intervenção.

Não contei o tempo, porque também não vi tudo, mas dizem que essa situação durou cerca de duas horas. Pelo meio alguns manifestantes pacíficos ainda tentaram demover os ânimos desse grupo, sem resultado.

Muita gente ficou por ali a observar, sem se aperceber do risco que estava a correr, ou assumindo esse risco.

De repente, e depois de avisarem os manifestantes, as forças policias carregaram com uma violência correspondente àquela de que estavam a ser vítimas, levando a eito o justo e o pecador.

Segundo leio hoje a “caça” aos manifestantes durou a noite toda pelas ruas de Lisboa, com apoio de helicópteros.

Como gostava de me poder continuar a manifestar pacificamente, até porque hoje a única forma de luta eficaz é na rua, exijo que me esclareçam sobre a identidade dos lideres dessa arruaça, ligações políticas, origem social e motivações, para que no fundo, tanto os manifestantes pacíficos como a polícia possam estar mais atentos, agindo de forma mais eficaz, para que, no futuro, não venha pagar o justo pelo pecador.

Não gostava que acontecesse ao direito de manifestação o mesmo que acontece nos estádios de futebol.

Gostava também que me esclarecessem sobre o papel dos polícias infiltrados nesta manifestação e a razão de terem esperado tanto tempo para tomarem uma decisão.

Espero que este tenha sido apenas um episódio isolado, embora o desespero de muitos e o modo incendiário como este governo trata a sociedade portuguesa e os seus cidadãos possam vir a tornar a violência incontrolável, extravasando os arruaceiros do costume e generalizando-se a toda a sociedade, como acontece na Grécia ou em Espanha.

Além disso será bom não esquecer a velha interrogação berchtiana: quem inicia a violência, o rio que tudo arrasa ou as margem que o comprimem?

AFINAL OS CULPADOS FORAM A TROIKA E O GOVERNO:Violência veio de "pessoas que querem destruir a sociedade".

Tendo regresado da sua letargia das últimas semanas, Cavaco apontou as culpas da violência na manifestação de ontem às "pessoas que querem destruir a sociedade".

Como quem mais tem contribuido para "destruir a sociedade" portuguesa têm sido a Troika e o Governo, destruindo empregos, agravando as condições de vida dos reformados e dos que trabalham, convidando os jovens qualificados a emigrar, apelando ao empobrecimento dos portugueses, contribuindo para o encerramento de empresas e para o agravamento da recessão, para além de ameaçar "refundar" o Estado à custa do desrespeito pela Constituição e da destruição do já de si irrisório Estado Social português, e vender ao desbarato empresas portuguesas a chineses, colombianos, alemães e angolanos, penso que Cavaco só se pode estar a referir a essa mesma Troika e ao refrido Governo.
Contudo parece-me que, mais uma vez, o presidente só diz disparates, poir não vi nenhum membro do governo ou da troika a mandar pedras à polícia....

IMAGENS DE UM DIA DE LUTA NA EUROPA (The Guardian):










Boaventura de Sousa Santos analisa a violência de ontem:

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Breves Notas, escritas em cima do joelho, sobre um dia de Greve Geral



O Sol resolveu apoiar a greve geral e o mar de Santa Cruz estava magnífico.

Costuma-se dizer que, no amor, quem perde, quando não é correspondido, é quem é amado e quem ganha é quem ama.

Neste dia de Greve quem ganhou foi quem a fez, mesmo perdendo o ordenado do dia .

Infelizmente muita gente que tinha razões para a fazer e a queria fazer não a pode fazer, muitos porque estão no desemprego, outros porque vivem em condições de trabalho precárias, sujeitos a muitas arbitrariedades e ameaças por parte das entidades patronais, uns porque já vivem em situações económicas tão más que perder um dia de salário faz diferença.

Por isso, porque estou numa situação um pouco mais confortável (por enquanto) do que muitos desses, fiz esta greve também por eles, porque entre aqueles casos estão muitos amigos e familiares meus.

Esta Greve Geral terá sido um êxito, mas esperamos que não se banalize esta forma de luta. Uma das novidades desta Greve foi a sua dimensão europeia, colocando novos desafios ao sindicalismo. Há muito tempo que defendo que, hoje em dia, a luta tem de ser global, ao nível de toda a Europa e só assim terá efeito e fará sentido.

Patéticas foram as aparições de Cavaco Silva e Passos Coelho e as afirmações que fizeram.

O presidente fez uma das suas raras aparições dos últimos meses para dizer que …ía “trabalhar”. Fez-me lembrar alguns colegas de trabalho que pouco trabalhavam ao longo do ano, faltavam a torto e a direito mas, em dia de greve, lá estavam a marcar a sua presença no local de trabalho.

Já Passos Coelho veio dar uma de Rajoy felicitando os que tiveram “coragem para ir trabalhar” ele que tanto se tem empenhado para aumentar o desemprego e a precaridade no mundo do trabalho.

Infelizmente o dia acabaria mal, com  a aparição de grupos extremistas que resolveram provocar cobardemente a polícia, que se tem portado com dignidade. Desta vez a polícia teve razão. Bem fez a Intersindical em demarcar-se desses grupos e bem esteve igualmente o Ministro da Administração Interna, separando o trigo do joio e desresponsabilizando a CGTP pela violência desses grupos.

Por enquanto a violência nas manifestações é minoritária e lideradas por provocadores extremistas, mas a continuar pela via de destruição da classe média e de empobrecimento geral dos portugueses, o governo pode ter de enfrentar, no futuro, outro tipo de violência, mais “genuína” por parte daqueles que cada vez têm menos a perder e cujo número está a aumentar como desemprego e a precaridade que atinge fortemente a juventude.

Embora esses acontecimentos tivessem feito as delícias se certa comunicação social, sempre disponível a valorizar a árvore em vez da floresta, penso que esses lamentáveis acidentes não nos podem fazer esquecer o carácter do protesto pacífico que esta jornada de greve representou e o impacto Europeu desta primeira jornada de protesto global.

EM ESPANHA AS GREVES E AS MANIFESTAÇÕES SÃO A SÉRIO:.La huelga general culmina en una marcha gigantesca en Madrid bajo el lema: "Nos dejan sin futuro" - Público.es

O SOM DO DIA - 466 - Um tema para um dia de Greve GeralTrês Cantos - Que Força É Essa


467 - O SOM DO DIA - Um tema para um dia de Greve geral - Três Cantos - Eu Vi Este Povo A Lutar


ESTAMOS EM GREVE


sexta-feira, 23 de março de 2012

O Cartoon do Dia


Confrontos em Lisboa: Uma Foto a Correr o Mundo


 A agressão policial, esta tarde em Lisboa, a uma jornalista da France Press, está a correr o mundo. A Fotografia é de Hugo Correia, da Reuters.
Uma fotoreportagem sobre a Manifestação e a greve de hoje pode ser seguida em baixo:

quarta-feira, 21 de março de 2012

ESTE BLOG ESTÁ EM GREVE GERAL

Faço Greve...mas...

Mais uma vez vou fazer Greve.

…Mas…

…Penso que esta forma de luta se começa a esgotar.

Não que não existam razões mais que suficientes para desencadear esta e outras formas de luta…

…mas as dúvidas assaltam-me quando sei que a Greve Geral agora convocada deixa muita gente de fora:

- em primeiro lugar, a UGT…mas neste caso pode-se afirmar…problema dela…

- em segundo lugar, e esta situação é mais grave, deixa de fora muitos precários que não podem fazer greve porque podem ser despedidos pela respectiva entidade patronal, dominada ainda em parte por uma mentalidade "troglodita" e que se está a “marimbar” para os direitos sociais, até porque têm o poder e a lei do seu lado…

- em terceiro lugar, cerca de um milhão de desempregados não vai contar para esta luta…

…sobram aqueles que não correm risco de despedimento por exercerem o seu direito à greve, situação em que quase apenas se enquadram os funcionários públicos…

Contudo, muitos destes, espoliados dos seus rendimentos pela roubalheira dos “troicanos” de serviço, vão pensar duas vezes antes de fazer esta ou outra greve, porque vão ter de tirar do seu ordenado esse dia de greve…e já começam a ser muitos cortes.

Considero ainda que, ao insistir-se repetidamente nesta forma de luta, ela começa a esgotar-se.

Infelizmente, confesso que, apesar das minhas dúvidas, não consigo vislumbrar outra forma de luta alternativa e eficaz..apenas me ocorrem, para manifestar eficazmente desagrado pela actual situação, métodos mais radicais, talvez até ilegais, e a esses não queria ver ninguém a recorrer.

Por fim, penso que neste momento a única forma de luta eficaz terá de ser pensada a nível mais global, envolvendo todos os sindicatos europeus, de forma coordenada, ao mesmo tempo, com concertação de objectivos comuns.

Enquanto se continuar a marcar greves de âmbito “regional”, em datas diferentes, de costas voltados uns para os outros, a burocracia europeia, os seus esbirros locais e os “mercados” vão continuar a destruir a vida dos cidadãos europeus a seu belo prazer e o previsivel fracasso dessas greves apenas lhes vai dar mais força para continuarem a cometer os seus crimes antissociais impunemente.

Vou fazer esta greve…mas não sei se não será pela última vez…