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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ainda a Manifestação de 15 de Setembro: O Despudor do deputado, o "exílio" de Gaspar e a o silêncio do governo "clandestino"




 (Cartoon de Antero Valério)

Escrevi aqui, há uns posts atrás, depois de ouvir o Aguiar Branco a elogiar alguns amigos que tinham ido à manifestação de 15 de Setembro,  que ainda acabávamos a ouvir algum ministro a dizer que “esteve lá”.

O desplante ainda não chegou a tanto, mas um deputado/comentador da bancada do PSD, Carlos Abreu Amorim,  veio “elogiar” a manifestação defendendo que esta “não foi tanto contra o Governo e a situação actual mas contra as políticas dos últimos anos”!!!!!

Mas a mais despudorada  opinião, sobre a manifestação,  viria, na tarde de ontem, do próprio Ministro das Finanças Vítor Gaspar, numa conferência de imprensa dada ontem  no seu “exílio” em Berlim, sentado ao lado do sinistro ministro das finanças germânico, o sr. Schãuble.

Disse, num inglês escorreito, língua que parece dominar melhor que o português, que as “manifestações foram muito grandes, com muita gente de diferentes origens socias e políticas que quer que a sua voz seja ouvida, houve muita contenção e dignidade, e tínhamos a certeza de que não haveria incidentes”!!!!!

Por sua vez o “patrão” Schãuble apressou-se a reafirmar a sua confiança em Gaspar, “o homem certo no lugar certo e no momento certo”!!!!.

Dessa reunião, aliás, saiu um comunicado conjunto, assinado pelos dois ministros, onde se reafirma a “bondade” das actuais  medidas de austeridade, elogiando-se os seus “bons” resultados!!!!. Bons resultados?: aumento do desemprego, encerramento de milhares de empresas, redução drástica do rendimento e empobrecimento dos portugueses, recessão assustadora, tudo sem fim á vista e a níveis nunca conhecidos em Portugal nos últimos cinquenta anos!!!!

…E todos estes sacrifícios apenas para salvar o sector financeiro, sem o responsabilizar pelo descalabros, e para pagar os juros agiotas impostos pela “troika”….

Entretanto, o dia acabaria com a reunião da comissão política do PSD, à porta fechada e entregando um comunicado final à comunicação social, sem declarações, nem ninguém que desse a cara, e mantendo o total silêncio sobre a manifestação de 15 de Setembro.

Ao que parece o governo passou à clandestinidade….

A CRÓNICA DE DANIEL OLIVEIRA: O que se partiu no dia 15 de setembro.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A HISTÓRIA DE UM ÍCON: “Não fui a primeira pessoa no mundo a abraçar um polícia”.

 (Fonte: página do facebook de Adriana Xavier, fotografia de José Manuel Ribeiro/Reuters)

Todos os momentos históricos têm a sua iconografia. Esta fotografia tornou-se o ícon da grande festa da indignação que foi a manifestação, contra a troika, o governo e a injustiça da austeridade, do passado dia 15 de setembro.
O Público conta a história e analise o fenómeno iconográfico:

terça-feira, 18 de setembro de 2012

REACÇÕES ( OU FALTA DELAS) SOBRE O 15 DE SETEMBRO - OS PIRATAS, OS BUROCRATAS E A AMANTE DELES:




O silêncio do governo e dos responsáveis do PSD sobre a manifestação de 15 de Setembro começa a ser demasiado ruidosa.

Apenas um descarado Aguiar Branco tenta cinicamente desvalorizar o significado da manifestação , afirmando que muitos “amigos” dele também estiveram lá. Não falta muito e ainda vamos ouvir  algum ministro afirmar que andou nesse dia a gritar na rua contra a troika.

Mas, se por cá, ao que parece, não temos governo há uns três dias, lá por fora os responsáveis pela crise apressaram-se a vir em defesa das medidas de austeridade impostas aos portugueses pelos capatazes que por cá governam em seu nome.

Não faltaram os piratas da agência de rating Moody´s a dizer que é preciso ir ainda mais longe na austeridade. É incrível que se continue a dar crédito a esses criminosos, com grande responsabilidade na situação, dos principais beneficiados com a crise que criaram. Num mundo justo estariam em tribunal a responder pelos seus crimes financeiros…

Veio também um imberbe cinzentão burocrata da Comissão Europeia, uma instituição não eleita pelos cidadãos europeus,  que tem sido totalmente irresponsável e incapaz de fazer frente ao ataque especulativo contra o euro, mas  capaz de destruir alegremente o Modelo Social Europeu para agradar aos “mercados”, ameaçar os portugueses com o corte no empréstimo negociado com a troika, caso não se continue na via da austeridade cega contra os cidadãos portugueses ( e não só…).

Faltava a cereja no cimo do bolo podre que essa gente nos anda a cozinhas: -  a opinião da srªMerkel, a ex-comunista da Alemanha de leste, (que se defende dizendo que só se inscreveu no partido para poder estudar, resposta reveladora do seu carácter) e que só descobriu os malefícios do comunismo no dia em que caiu o muro, afirmando, em tom ameaçador, que a austeridade é para continuar.

Não se espera do governo português, mero executante dessas medidas,( cujos membros exibem descaradamente a bandeira portuguesa à lapela, provavelmente  para limpar a consciência de todo o mal que andam a fazer ao país), qualquer reacção a essa afronta contra os portugueses,  porque ninguém morde na voz do dono, mas já se exigia ao sr. Presidente da República, que também anda desaparecido, uma palavra em defesa de Portugal…

Enfim, já não há pachorra para essa gente…

O 15 de Setembro em Lisboa e Porto, visto pelas câmara fotográficas de Antero Valério e Gui Castro Felgas:

FOTOGRAFIAS DO 15 DE SETEMBRO EM LISBOA, DA AUTORIA DE ANTERO VALÉRIO...








...E NO PORTO, DA AUTORIA DE GUI CASTRO FELGAS:









Manifestação 15 de Setembro - o Filme do Dia, por Daniel Monteiro.

A MANIFESTAÇÃO DE 15 DE SETEMBRO, filmada pelo meu amigo e colega Daniel Monteiro, desde a tarde até à noite, junto da Assembleia da República: 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

15 DE SETEMBRO: FOI A FESTA DA INDIGNAÇÃO....MAS "ACABOU O RECREIO"...



Foi premonitória essa manhã do passado Sábado 15 de Setembro.

Tendo-me deslocado ao centro da cidade cruzo-me com um conhecido economista, comentador, ex-ministro das finanças e ex-administrador do Banco de Portugal (BP), personalidade com quem me cruzo várias vezes pelas ruas e eventos da cidade, visto que tem casa num condomínio de luxo dos arredores.

Vejo-o entrar num descapotável desportivo vermelho de luxo, ao princípio pareceu-me um Ferrari, mas depois vi que era um Lotus. Aliás, como tenho visto quando circulo pela marginal de Cascais, o Ferrari, de estar tão vulgarizado entre os ricos, tem vindo a ser substituído por outras marcas, com a Lotus, a Maseratti e outras do género.

Os contribuintes pagam-lhe uma pensão de 8 mil euros que recebe pelos anos que exerceu no BP, reforma que lhe foi concedida aos 45 anos de idade e que, actualmente,  recebe por metade,  por estar a acumular como professor universitário.

Essa mesma personagem, para além ter sido um responsável pelo sector financeiro que nos levou a esta crise, tem ainda  assento como comentador em várias televisões e nas páginas dos jornais de referência, onde defende, com veemência, as actuais medidas de austeridade (aliás, desempenha um alto cargo de nomeação deste governo, que exerce gratuitamente, mas da qual beneficiará de algumas vantagens pessoais).

Por isso parece-me afrontoso o exibicionismo do luxo em que vive, muito à custa do lixo para onde essa gente nos procura atirar com as medidas que defendem ou executam. Mais tarde na manifestação, li um cartaz que me recordou o meu sentimento dessa manhã: “Um Dia os Pobres Terão de Comer os Ricos por Falta de Opção”. 

Se não fosse dos primeiros e dos que há mais tempo, usando das tribunas que a comunicação social lhe disponibiliza, vem defendendo  as atuais politicas de austeridade baseadas nos cortes salariais, na destruição de direitos sociais e no ataque aos funcionários públicos, nada me movia a escrever este texto.

Não tenho nada a haver com o que cada um faz com o dinheiro que ganha, mas eles também não têm de se meter na minha vida.

E é exactamente porque muita desta gente se anda a meter na minha vida e na vida dos cidadãos e dos trabalhadores deste país há tempo de mais que mais me senti motivado a ir à manifestação dessa tarde em Lisboa.

A manifestação de 15 de Setembro foi uma grande prova de civismo do povo português, o que trabalha, o que estuda, o que produz, o avô e o neto, o desempregado e o funcionário público, pobres, remediados e ricos, pequenos e médios empresários,  e que se cansou de viver na resignação de um futuro desesperançado.

Uma palavra de apreço pelo comportamento da polícia, ela também vítima das medidas de austeridade, e para a comunicação social em geral, apesar de algumas excepções onde se tentou enfatizar algumas isoladas situações de violência, colando-as à manifestação.

O momento foi o mais oportuno, depois de todos os números conhecidos mostrarem a falência das actuais medidas impostas pela Troika e de ficar a nu o projecto ideológico de destruição executado pelo actual governo, o tal “ir além da troika”, do qual a trapalhada da TSU foi apena a ponta do iceberg.

A manifestação foi pacífica, em clima de festa, mas também de muita raiva contida, demonstrando que os portugueses, estando fartos das políticas dos últimos anos e dos últimos governos, ainda não perderam totalmente a paciência, dando uma última oportunidade aos políticos de arrepiarem o caminho anti-social e afrontoso que têm desenhado nos últimos tempos.

A manifestação reuniu gente das mais diversas tendências, dos monárquicos aos anarquistas, dos comunistas e socialistas aos bloquistas, mas, não haja dúvida, para atingir esta dimensão, teve de incluir muitos eleitores do PSD e do CDS.

Se o governo de Passos Coelho foi o principal alvo da manifestação, Cavaco Silva não foi esquecido como naquele bem humorado cartaz onde se podia ler: “Cavaco – Cultiva Tomates no Farmville, estão a fazer-te falta”. Mas , muitos cartazes recordavam também  a responsabilidade do último governo do Partido Socialista pela actual situação. Muita gente comentava ainda  a responsabilidade da esquerda que, pelo seu facciosismo,  continua a dificultar um entendimento para criar alternativas.

Esta manifestação, que só terá sido comparável ao 1º de Maio de 1974, foi um último aviso aos nossos políticos. 

Em 1974 foi a esperança no futuro que uniu os portugueses. Hoje á a falta de esperança que os volta a unir.

Em 1974 ainda se gritava que “O Povo Unido Jamais Seria Vencido”. Agora gritou-se que “O POVO UNIDO JÁMAIS SERÁ VENDIDO”.

A batata quente está agora do lado deles, principalmente do governo e do Presidente da República.

Contudo , o seu silêncio sobre a manifestação está a tornar-se demasiado ruidoso e não augura nada de bom.

Talvez fosse bom levarem em linha de conta um cartaz onde se lia: “Basta! Acabou o Recreio”.

O 15 de Setembro em França: Des dizaines de milliers de personnes manifestent contre l'austérité au Portugal

O 15 de Setembro em Espanha: La protesta crece en Portugal | Política | EL PAÍS