Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta ignorância. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ignorância. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de abril de 2026

“Ventureira” da Figueira.


Hergé criou a figura de Oliveira da Figueira, um português representado como um charlatão, um dos raros personagens de origem portuguesa a aparecer nas aventuras de TinTin.

A forma como esse personagem português foi representado por Hergé não escapou à censura salazarista. Em contramão como uma das principais interferências da censura no universo da Banda Desenhada, que obrigava a “aportuguesar” os nomes de heróis estrangeiros da BD publicados em Portugal ( o caso mais famoso foi o do Major Alvega), o português mais famoso da BD franco-belga foi “transformado” num espanhol de Málaga.

A figura do charlatão, vendedor da banha da cobra e de pechisbeque, não se coadunava com o ideal salazarista da representação nacionalista do "português de bem".

Contudo, essa figura representa bem a figura do desenrasca português, aldrabão ingénuo, o "homem novo" que o salazarismo pretendia "construir".

Ingenuidade é um rótulo que não podemos atribuir ao líder da extrema-direita portuguesa.

Já a classificação de charlatão, vendedor da banha da cobra e de aldrabão, cola bem com o nosso Oliveira da Figueira dos tempos modernos, André Ventura, como ontem se viu no “debate” com José Pacheco Pereira na CNN.

Mal criado do principio ao fim, “Ventureira” da Figueira,  mistura alhos com bugalhos, descontextualiza factos, recorre à meia verdade, à falácia e à ignorância atrevida para vender a sua banha da cobra racista  e a sua ideologia de pechibeque.

Que muita gente vá atrás da sua conversa “comprar” as sua bugigangas ideológicas é bem sintomático da ápoca em que vivemos, onde a gritaria ignorante e o recurso a documentação duvidosa leva mais aplausos do que a análise fundamentada e inteligente.

Em Espanha a extrema-direita tem o seu mais perigoso Abascal. A nossa extrema-direita contenta-se, por agora, a apoiar o seu…chavascal, "Ventureira da Figueira"!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Novak Djokovic - os milionários mimados estão acima da lei?


O Estado australiano tomou uma posição exemplar e corajosa ao impedir um negacionista como o tenista Djokovic de participar no open da Austrália.

Pelo que se sabe, o Estado francês vai tomar decisão idêntica em relação à participação do mesmo tenista no Roland Garros.

O caso Djokovic é exemplar da postura arrogante de certas figuras públicas que se acham acima da lei e, mais grave ainda, incentivam comportamentos condenáveis, como a recusa da vacinação.

Claro que cada um é livre de seguir atitudes idiotas e irresponsáveis, mas não é livre de por em risco a segurança dos outros.

Além disso, se quer recusar a vacina, tem de submeter às consequências legais, tal como acontece com um condutor que insiste em conduzir sem carta ou com excesso de álcool.

Mas a atitude de Djokovic foi ainda mais grave, ao incentivar manifestações de negacionistas no país que o recebeu, tornando-se uma espécie de símbolo para essa gente.

A responsabilidade de figuras como  Djokovic é tanto maior, quanto deve a sua fortuna e a sua fama ao facto de ser uma figura pública.

Recordo aqui um texto de António Guerreiro, no Público de 14 de Janeiro (suplemento ìpsilon”), onde explicava de onde vem a fortuna dessas figuras públicas:

“(…) uma grande parte dos rendimentos gerados pela nossa economia não remuneram nenhuma forma de trabalho”, referindo-se à actividade financeira, mas também aos “muitos rendimentos salarias que não são justificáveis pela quantidade e pela qualidade do trabalho investido. Há quem ganhe milhões só pelo facto de conseguir atrair a atenção dos outros a nível mundial. É o caso de certas vedetas pop ou de desportistas (…) por maior mérito que tenham. O Rendimento milionário que auferem devem-se em grande parte ao trabalho dos outros: o trabalho que consiste em prestar-lhes atenção”.

Djokovic está neste caso e, por isso, a sua responsabilidade pública é acrescida.

O exemplo que ele deu aos seus admiradores foi o da aldrabice, da falsificação e, pior ainda, o de justificar atitude que põem em risco a saúde publica.

Só isso devia ser suficiente para ser erradicado ou fortemente penalizado da actividade a que se dedica, já que ele só existe através dos mecanismo da fama, ou então, que se deixasse de dar atenção às suas atitudes irresponsáveis.

Aliás, a fortuna de gente como essa, contrata com gente de outras área desportivas, onde é necessário investir um grande esforço, como, por exemplo, na patinagem artística no gelo, cujo campeonato europeu decorreu no último fim-de-semana e onde a vencedora teve um prémio de…20 mil euros …e a 6ª classificado um prémio ainda mais reduzido…3 mil euros, .

Nada que se compare ao rendimento milionário de figurões como Djokovic, só para exibir o seu mau feitio e a sua arrogância num court de ténis, ou, pior ainda, em público.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

No país do "dito cujo"


Por cá, o “dito cujo” ficou em 2º, situação que se repetiu em 10 das 13 freguesias, com um total  de mais de 4 mil votos obtidos.

Ana Gomes só ficou à frente do “dito” na maior freguesia (a urbana), na do Turcifal (uma terra com pergaminhos, dominada por uma elite culta e endinheirada, alguma brasonada) e na freguesia onde o PCP tem mais peso, a da Carvoeira.

Muita da minha  gente que vota à esquerda, mesmo PCP, votou Marcelo, para evitar uma segunda volta, outros votaram Ana Gomes, para travar o xenófobo. 

As poucas pessoas que conheço que estão com o Ventura vieram maioritariamente do CDS, menos do PSD, outros da abstenção ressabiada com tantos anos de democracia, alguns têm origem na extrema-direita de sempre, saudosos de Salazar, há mesmo monárquicos, da monarquia mais retrógrada (ainda saudosos do miguelismo, onde militaram antepassados), e alguns "anarco-convencido", daqueles que falam mal de tudo.

Esta é a minha "análise" empírica.

“Cientificamente”, recordo uma sondagem publicada no Público de 6ª feira, com análise da origem dos eleitores de cada partido, onde a maioria dos votantes do Chega que não tinham votado já no Chega nas anteriores legislativas, tinham origem no PSD (cerca de 10%) e no CDS (outros 9%). Seguiam-se os que votaram na Iniciativa Liberal (6%),no BE (5%),no PS (3%) e, só então,  no PAN (2%) e na CDU (2%).

Esta situação, mais a que eu observei em cima de forma empírica, e uma análise fina dos resultados, mostra que, ao contrário da intervenção disparatada do Rui Rio, a origem do crescimento do Chega não está nos eleitores do PCP, mas da direita clássica.

A forte votação do “dito” no Alentejo deve-se, não tanto aos eleitores tradicionais do PCP, embora possa haver uma pequena minoria nessa situação, mas a uma espécie de coligação negativa anticomunista, ressabiada com a longa influência da esquerda nesse território, já que o candidato do PCP, numa situação de maior abstenção, teve, nessa região, quase os mesmos votos e percentagem do candidato desse partido em 2016.

O CDS, como se verá em próximas eleições, e as sondagens já revelam, é, para já, o mais penalizado com o crescimento da extrema-direita, o que mostra de onde vem o crescimento do Chega, mas, se Rui Rio continuar por esta via, de euforia pelos resultados do “dito”, normalizando-o, então o PSD corre risco idêntico, e, com o desaparecimento do CDS e o enfraquecimento do PSD à direita, é a nossa democracia vai estar em perigo.

Por outro lado, a esquerda, enquanto andar preocupada com as capelinhas próprias e a ver quem é a "verdadeira esquerda", numa espécie de campeonato dos pequeninos, sem se unir no essencial, também presta um grande favor ao dito intolerante.

Também não é numa posição de gritaria histérica “antifascista” que se combate o crescimento da “coisa”.

O “fascismo” teve o seu momento histórico, mas foi um movimento “pragmático”, de tal forma que  quem defenda que nunca houve um fascismo puro.

Enquanto andar à caça do “fascista”, vai continuar deixar escapar a verdadeira origem do crescimento do dito: a intolerância, o medo, a ignorância, a raiva, a pobreza, a desigualdade, a corrupção.

Embora com pontos em comum    na  origem do "coiso", esse conceito de “fascismo” não é o que melhor pode ajudar a compreender e combater o fenómeno.

É através de argumentos sólidos, do exemplo, da desmontagem das mentiras, do desmascarar das falácias, da informação fundamentada, mostrando a superioridade da democracia, da liberdade e da tolerância, que se consegue isolar esses intolerantes de discurso fácil, de promessas tentadoras, gente sinistra que gravita à volta do “dito”, remetendo-os para as "catacumbas" de onde vieram.

Esta é a minha modesta e superficial análise da trágica situação a que chegámos.

Que "são Marcelo" nos valha!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A Terra é Plana ??!!!



Parece que a evolução tecnológica, que permite o acesso democrático à internet, tornou possível ampliar, até ao absurdo, as ideias do mais mesquinho ignorante.

Nas redes sociais, que se substituem cada vez mais aos jornais, aos livros e às aulas universitárias como fonte de informação e formação, colocam-se, ao mesmo nível, as informações de um cientista e as do “maluquinho de aldeia”, distinguindo-se apenas pelo número de likes que cada um obtém no seu post.

Assim, até ideias absurdas, mesmo aquelas em que qualquer homem da Idade Média já não acreditava, tornam-se hoje palco de absurdas divulgações  e reverências, como, entre muitas outras, a crença, que até tem adeptos entre políticos “respeitáveis”, segundo a qual a Terra , afinal, "pode ser plana".

Se, aqui, estamos ainda ao nível do absurdo, apesar dos seguidores, outras, ainda “credíveis”, até com alguma pseudocientificidade pelo meio, como a negação das alterações climáticas, vão fazendo o seu caminho de forma mais consistente e “séria”, entre comentadores, políticos e até gente com alguma formação.

No futuro, essa gente, que continua a achar que as evidentes alterações climáticas não se devem ao tipo de desenvolvimento económico dominante (sim, cama-se capitalismo financeiro e neoliberal),  e à acção humana, mas a uma conspiração de “esquerdistas”,  vai ficar para história ao nível das crendices “medievais” e da ignorância mais abjecta que se revelou ao longo da história humana (das curas “milagrosas”, à superioridade racial, entre outras) .

O problema é, se essa gente vencer hoje, elegendo ignorantes como eles para nos governarem, como já acontece nos Estados Unidos, no Brasil e na Austrália, não haverá futuro para os julgar e, todos, incluindo os próprios, seremos vitimas da "democratização da ignorância", alimentada pelas redes sociais, sofrendo na pele as consequências ambientais dessa ignorância.

Ao ler por aí a convicção com que essa gente manifesta a sua ignorância, até eu, por vezes, me começo a questionar, se afinal … a Terra não será mesmo plana!!!! (A cabeça deles é, de certeza...).

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Ambiente: Tanta Raiva e Mentira por aí, à solta!



“ (…) E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta(…)
“ (…) E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta (..)”

(José Mário Branco, extracto da canção “Eu vim de longe”)

Nunca pensei que a evidência das alterações climatéricas e a defesa da tomada de medidas para travar o desastre climático, levantasse tanta controvérsia entre comentadeiros e nas redes sociais.

Dos ataques pessoais aos ambientalistas, atingindo principalmente Greta Thundberg, à difusão em larga escala de fake news que tentam desacreditar a evidência cientifica da catástrofe ecológica que se avizinha (como umas fotos que por aí circulam, que tentam desmentir a redução de glaciares ou da água a correr em cataratas africanas, através da manipulação de imagens ou da reprodução de fotos antigas como se fossem actuais, ou as tentativas  de desvalorizar o efeito dos incêndios na Amazónia), tudo serve como arma de arremesso em defesa do “status quo” económico-social dominante.

Que à frente dessa campanha estejam os poderosos lobbies ligados às empresas petrolíferas e outras poluentes (aviação, automóvel, criação de gado, madeireiros, celuloses …), não é de admirar. Já nos anos 70, quando os ecologistas eram vistos como meros lunáticos , alguns autores que estudavam o tema alertavam exactamente para a forma como tais lobbies tentariam adiar as medidas de protecção ambiental durante o máximo de tempo possível.

Sabe-se hoje que existem mais de duas centenas de lobistas dessas empresas (para referir apenas os que estão legalmente registados) a actuar junto dos burocratas de Bruxelas, e a influência dessa gente junto de Trump e Bolsonaro, sem esquecer que noutros países poderosos, como na Rússia, na Índia e na China, esses lobies funcionam no seio do próprio poder político.

Ignorar a evidência científica ou , até, a própria experiência dessas alterações que qualquer um de nós já pode sentir no dia a dia, é um preocupante sinal do fomento da ignorância, da raiva ideológica e da má fé que cresce à solta, à nossa volta, principalmente nas redes sociais, cada dia que passa.

Sei que  é difícil aceitar que a catástrofe ambiental só pode ser travada com medidas drásticas, que vão implicar mudanças profundas na nossa maneira de viver.

Essas medidas passam por alterar a forma como usamos os meios de transporte, o uso de energias renováveis, alterações de hábitos alimentares, e, principalmente, o que custa a engolir a muita gente, travar o desenfreado consumismo em que todos caímos e que atinge uma dimensão desmesurada nesta época do ano.

Tentar negar as evidências, recorrendo a uma argumentação reles e desinformada, não vai evitar o que se anuncia.

Talvez alguns acreditem que isso vai ser um problema de outros países, dos mais pobres e das gerações futuras.

Ainda posso perceber essa atitude egoísta de quem não tem filhos e é suficiente velho para pensar que as consequências dos actos das últimas décadas não o vão atingir. Mas as gerações mais jovens nunca poderão perdoar os desvarios, as mentiras e a ignorância assumida das gerações que os antecederam.

Da velha sabedoria dos índios, recordo,  um velho ditado,que devia ser seguido por todos: “não são os nossos filhos que herdam a Terra de nós, nós é que herdamos a Terra dos nossos filhos”.

Não sei se, no meio da cegueira raivosa , da ignorância presumida e da intolerância ideológica em que navegam as redes sociais, alguns desses atingem a profundidade dessa frase.

Mas se algum deles parar para pensar nela, talvez sirva de alguma coisa tê-la recordado aqui.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Cimeira da Acção Climática. Até onde estamos disposto a abdicar do nosso estilo de vida para salvar o planeta?



Tudo o que até agora nossa geração tem feito para salvar o clima da catástrofe ambiental que  já se adivinha, não passa de retórica, boas intenções ou discurso balofo.

Há também aqueles que olham para o lado, como se não tivessem nada a haver com a situação.

Pior ainda, é a forma ignorante como alguns países, os mais responsáveis pela catástrofe ou o que têm dimensão suficiente para mudar alguma coisa, continuam a ser governados, como é o caso do Japão, da Índia, dos Estados Unidos e do Brasil ( a China, a França, a Alemanha, O Canadá e a Rússia parece que já perceberam o que se passa, se bem que, até agora, pouco mais fazem que promessas de boas intenções).

Em artigo editado no suplemento Ípsilon do Público, na passada 6ª feira 20 de Setembro, António Guerreiro assinava uma crónica, intitulada “A Terra é redonda” (que pode ser lido integralmente AQUI), colocando o dedo na ferida sobre o que verdadeiramente está em causa:

“Curioso, e até divertido, é ver como nos vão sendo ministrados todo os dias ecopaliativos:. 
Dizem-nos: viaja o menos possível de avião, vai para a escola ou para o emprego de bicicleta, bebe só água da torneira, reutiliza os sacos plásticos, não deixes a torneira aberta enquanto lavas os dentes, toma atenção a todos os teus gestos quotidianos, torna-te um herói da salvação do planeta (como se o planeta estivesse interessado nos nossos esforços e não continuasse a existir depois de nós, tal como já existia antes de nós). Tudo isto não passa de formas de exorcismo e de recalcamento do medo, ao mesmo tempo que cria a ilusão de que estamos a responder à urgência.

“(…) Se olharmos com atenção e utilizarmos o bom senso (nem é preciso muita ciência) facilmente concluímos que muito pouco se faz porque era preciso virar os nossos modos de vida de pernas para o ar para se fazer alguma coisa eficaz (se ainda há tempo para isso porque obviamente não se pára de um dia para o outro um processo que começou há séculos). Não é que devamos continuar a agir como sempre agimos, mas todas estas ideias de boa vontade que surgem todos os dias como injunções acabam por esconder a questão política essencial.

“Na verdade, passámos em pouco tempo de uma política com pouquíssima ecologia a uma ecologia de boa vontade à qual falta política. E essa falta torna vãs todas as boas intenções. O que vemos é que continua a ser difícil declinar essas duas palavras - ecologia e política - sob a forma de uma ecopolítica digna desse nome. Uma ecopolítica à altura dos desafios com que estamos confrontados terá de ser capaz de mostrar que as situações ecológicas, políticas, sociais, económicas, institucionais, tecnológicas e psíquicas estão em total conexão umas com as outras. Sem agir sobre todas estas dimensões, o “impasse planetário” mantém-se. Por isso é que são tão ingénuos os regulamentos avulsos e o pretenso “regresso à natureza” de tonalidade romântica.
Se já estamos a viver em pleno “perigo absoluto”, como afiançam até os cientistas colapsólogos e os catastrofistas esclarecidos, então só podemos concluir que não saímos ainda da imobilidade nem se vislumbra que iremos sair (…)”.

De facto, a pergunta que todos nós, que temos consciência da catástrofe anunciada, que queremos que os nossos filhos e netos possam ter um futuro neste planeta, é se estamos de facto dispostos a prescindir, de forma abrupta e urgente, do nosso estilo de vida, a nível universal, isto é, se estamos preparados para deixar de usar transportes motorizados individuais, de consumir tanta carne, de viver com menos energia e menos àgua, cortarmos na maior parte dos nossos consumos?

Muitas das medidas para alterar rapidamente os nosso hábitos consumistas, porque a resposta é urgente, num prazo máximo de 10 a 15 anos, só podem resultar mudando radicalmente a sociedade capitalista-consumista em que vivemos, por imposição legal e, nalguns casos, repressiva, que vai limitar a liberdade dos “mercados” e penalizar, a doer, os prevaricadores.

Outra medida é a criação de um Tribunal Penal Internacional para os crimes ambientais e quem os fomenta, podendo, desde já, começar a preparar o julgamento nesse tribunal de criminosos ambientais como Bolsonaro ou Trump, assim que deixem o poder, aos quais se podem juntar outros líderes e gestores de empresas responsáveis pela crise ambiental.

Estamos dispostos a isso?

Estamos dispostos, nós que vivemos na parte “rica” do Mundo, a pagar por tudo isso, ou vamos reagir como os “coletes amarelos” em França?

Ou vamos a continuar a “limpar” a nossa consciência com pequenos gestos que pouco vão mudar no trágico destino anunciado do planeta, continuando a escolher políticas de “desenvolvimento” em vez de políticas ecológicas (veja-se, por cá, o debate sobre o aeroporto do Montijo ou sobre a plantação de eucaliptos..), continuando a optar por transportes privados poluentes, em vez de exigirmos mais e melhores transportes públicos, menos poluentes (como o transporte ferroviário)?

O tempo escasseia e, um dia, se houver esse dia, a nossa geração será responsabilizada por pouco ter feito para mudar o rumo deste capitalismo suicida. Vamos ser vistos ainda pior do que os alemães face ao nazismo ou os franceses face ao colaboracionismo.

E os nosso líderes, que nada fizeram ou, pior ainda, negaram a realidade e fomentaram a ignorância ambiental, serão vistos com o mesmo desprezo e horror com que hoje vimos um Himmler, um Hitler ou um Stalin, até porque as suas politica vão provocar um holocausto ainda maior.

Vamos continuar, (nós, humanos, no geral) a escolher políticos ignorantes, criminosos ambientais, como os Trump´s e Bolsonaros, deste mundo?

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

"Fake News" e "novilingua" :“corporação” , “extremo” e “populismo”


Na novilíngua neoliberal que se expandiu por cá nos anos da troika, como uma espécie de antecipação à portuguesa das “fake news” , numa atitude revisionista na utilização de conceitos, com o objectivo de lançar a confusão, há três “conceitos” que continuam a fazer o seu caminho, ao sabor da propaganda e das conveniências de cada momento.

São eles os de “coporação”, “extremismo” e “populismo”.

Hoje, muitos jornalistas e comentadores, alguns, pasme-se, com formação universitária, usam a abusam desses conceitos de forma falaciosa e tendencioso, pois, não acredito  que o façam por ignorância.

É assim que confundem,propositadamente, interesses “corporativos” com lutas sindicais ou reivindicações profissionais.

Existem milhares de obras a explicar as diferenças entre “sindicato” e “corporação”, mas essa gente insiste em usar, de forma pejorativa,esta designação, exactamente porque sabem que as “corporações” são conotadas com um passado medieval não liberal nem democrático, ou com a recuperação dessas instituições pelos regimes fascistas ou de filiação ideológica próxima, corporações que apareceram e estiveram na base institucional destes regimes para, entre outros objectivos, retirarem influência aos sindicatos.

Por cá, existem ainda corporações, devidamente enquadradas no regime democrático e com um funcionamento legal, mas que nada têm a haver com os objectivos da luta sindical, embora possam colaborar nesta em certas conjunturas, mas com a designação de “ordem” em vez de “corporação”, como  as ordens dos médicos, dos advogados, dos enfermeiros, dos engenheiros … e, embora, neste caso, sim gerador de alguma confusão, um sindicato dos jornalistas que, na realidade, funciona como uma “ordem”.

Outro conceito abusivamente usado, quase sempre pelos mesmos comentadores e jornalistas, é o de “extrema-esquerda” para designar, a nível português, mas que também usam e abusam a nível internacional, o BE e o PCP e, lá fora, a actual liderança trabalhista britânica, o Melanchot e o seu movimento, o Podemos, o Syryza e outros movimentos do género, confundindo, propositadamente, o radicalismo, no sentido de defesa de mudanças estruturais anticapitalistas e  o radicalismo, no sentido da coerência de valores, ou a ideia de ir à raiz dos problemas, com a intolerância, o sectarismo e a violência, caractaristicas do verdadeiro Extremismo (que existe tanto à esquerda como à direita), apenas para lançar a confusão e o anátema sobre forças politicas que, em democracia, têm um importante e legitimo papel de absorver as vozes de protesto, de defenderem minorias ou de manterem acesos ideais de justiça social.

Uma classificação tão idiota como seria o de classificar o CDS de "extrema-direita"...

Por último, há um terceiro conceito abusivamente usado por essa gente, hoje muito actual, que é o de “populismo”, confundindo essa característica, que existe em quase todas as formas de actuar politicamente, transversal a todos os partidos, da direita à esquerda, que têm, ou deviam ter por objectivo, ouvir as preocupações da população e darem voz a essas preocupações, com um conceito, este sim ligado a uma tendência politica,a extrema-direita neofascista, que tem como principal motor da sua existência fazerem-se porta-voz de preocupações populares, mas arvorando-se, ao mesmo tempo, como únicos responsáveis por essa vontade, ditos representantes de um “povo” que fazem coincidir com a “Nação” e a “raça”.

Ao confundirem a legitima defesa de direitos socias e económicos, no seio de uma Europa (que, em vez de se preocupar com os seus cidadãos e o seu bem-estar, tem como preocupação quase exclusiva agradar aos “mercados”), com o dito “populismo”, onde misturam tudo numa amálgama “antieuropeia” (como se defender esses direitos sociais, não fosse uma forma de ser Europeu…), apenas procuram desacreditar essas legitimas e democráticas reivindicações.

Quem usa o termo “corporação” para caracterizar lutas sindicais, quem usa a designação de extrema-esquerda (em vez de esquerda ou esquerda radical) para caracterizar BE, PCP, Podemos e outros movimentos do género, quem chama “populistas” aos que criticam a destruição do estado social europeu  e defendem os seus cidadãos contra os interesses dos ditos “mercados”, não tem, para mim , qualquer credibilidade, mesmo que embrulhe as suas diatribes em belas palavras ou numa argumentação aparentemente fundamentada e “informada” (mas, quem usa aqueles conceitos no contexo referido, destrói, à partida,  a credibilidade dessa mesma “fundamentação” ou “informação”…).

Hoje, quando procuro saber da credibilidade de um jornal ou de um comentador, uso como forma de aferir, o modo com aplicam esses três conceitos.

Quem fomenta,deliberadamente, a ignorância, não merece credibilidade.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Para concluir uma semana de "Fátima" e "Futebol": O Cartoon da semana..

Para concluir uma semana de Fátima e Futebol:

(A propósito,podem reler o que aqui há umas semanas escrevi sobre os três FFF' s deste regime "democrático" em que vivemos).


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

No "Último" 5 de Outubro...




A eliminação do feriado do 5 de Outubro, que hoje se comemorou como feriado pela última vez, é mais uma prova da estupidez  das nossas elites políticas.

A extinção deste e de outros feriados, como por exemplo o 1º de Dezembros, tem motivações ideológicas, à mistura com falácia economicista e muita ignorância.

Ideologicamente o 5 de Outubro é uma daquelas datas que nunca agradou à direita radical que nos governa, ódio que só é ultrapassado pelo que têm por datas como o 25 de Abril ou o 1º de Maio. Mas, como o momento não é ainda propício à eliminação destas duas datas, optou-se pela supressão da data de hoje para agradar aos sectores ideológicos que sustentam o actual governo. Para disfarçar as intenções profundas da eliminação do feriado, resolveu-se fazer o mesmo com o 1º de Dezembro.

Por outro lado, eliminando duas datas com grande significado para identidade nacional, tenta-se assim agradar aos sectores europeus que vêem qualquer manifestação de identidade nacional como uma ameaça ao seu federalismo, numa atitude que se enquadra na preocupação que este governo tem manifestado em comportar-se como o “bom aluno” da Europa, mesmo que à custa da nossa soberania e da nossa identidade histórico-cultural, como se as outras nações, mesmo as mais integradas no modelo europeu, tivessem os mesmos complexos em comemorar as datas que mais identificam as suas próprias características histórico-culturais.

Como alguém dizia, ser o “bom alunos” de uma má “escola” (Comissão Europeia, Conselho Europeu, Eurogrupo e BCE…) com maus “professores “(Durão Barroso, Oli Rhen, Srª Merkel, Vitor Constâncio e tantos outros…), não é um sinal de sensatez mas de estupidez aguda, que terá grandes custos para o futuro deste país.

Outro aspecto que está por detrás da eliminação dos feriados é a falácia economicista dessa decisão, que nos quer fazer crer que, reduzindo feriados, aumenta-se a produtividade do país. Falso! Este país já é um daquele onde mais se trabalha. O problema é a produtividade do trabalho e este não se altera trabalhando mais tempo e com mais esforço, mas sim com melhor gestão e qualificação. Ora são exactamente os gestores, principalmente das grandes empresas, públicas e privadas que estão entre os principais responsáveis pela situação grave que se vive em Portugal. Até podemos trabalhar o dobro, mas com gestores tão maus e incompetentes, ainda por cima quase todos eles próximos do poder, ou por ele nomeados, não é cortando nos feriados que o país vai melhorar a sua situação.

Podemos juntar a tudo isto uma grande dose de ignorância histórica e cultural.

Não é porque temos “muitos “ feriados que o país não evolui, mas porque somos governados por gente tão estúpidaa.

Quando a estupidez, a ignorância e a intolância ideológica se combinam ao mesmo tempo para governar um país, então esse país e o seu povo estão em grave perigo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DECISÃO DO GOVERNO DE EXTINGUIR OU TIRAR APOIO A FUNDAÇÕES...MAIS POPULISMO DE FACHADA!!



Foi ontem publicada em Diário da República (ver AQUI) a lei que toma uma decisão sobre centenas de fundações, umas pertencentes ao Estado, outras que beneficiavam de apoio directo estatal, e muitas beneficiando de condições de apoio indirecto através de isenções fiscais.

Mais uma vez, numa decisão que parte de uma necessidade moralizadora da sociedade e da economia portuguesa, a governo deixou vir ao de cima os seus preconceitos ideológicos , a sua cedência aos interesse financeiros instalados e a sua falta de formação cultural, desbaratando uma oportunidade para corrigir alguma coisa.

Só assim se percebe que, entre as cerca de cem Fundações que continuam a beneficiar das mesmas regalias e apoios já existentes, mais de 80 sejam privadas “muitas delas criadas por grandes empresas” , as quais, por manterem o estatuto de utilidade pública, beneficiam “de dezenas de milhões de euros de isenções e benefícios fiscais”, nomeadamente em sede de IMI, IRC e devolução de IVA.

Entre elas, continuam a beneficiar as Fundações da EDP, de Francisco Manuel da Silva, da Galp, do Millenium BCP, da Telecom, da Vodafone e de Belmiro de Azevedo.

Diz o jornal Público, numa investigação da jornalista Rosa Soares, que a “decisão do governo também permite manter um quadro de duplos benefícios fiscais para muitas empresas (quando transferem património e outros donativos para a sua própria fundação) e continua a manter uma situação de confusão entre o estatuto de verdadeiras fundações de utilidade pública e as acções avulsas de apoio a projectos a favor da comunidade, que, de acordo com especialistas, se devem enquadrar no regime de mecenato das empresas”.

Entre as empresas que continuam o seu estatuto de beneficiária dos apoios públicos, está uma obscura Fundação Social Democrata da Madeira, que está a ser investigada pelo Ministério Público, sob suspeita de corrupção, mas cuja investigação está parada porque a Assembleia da Madeira, controlada pelo PSD local, não autorizou o levantamento de imunidade parlamentar a João Jardim, que devia responder por essas acusações.


Por outro lado, a lista de extinções ou cortes no apoio a outras fundações inclui um vasto rol de instituições que têm prestado um reconhecido trabalho de divulgação e defesa da cultura e do património português, como se pode ver pelo seguinte levantamento:

Com sentença de extinção, entre outras:

- Fundação Museu do Douro;
- Côa Parque;
- Fundação para a protecção das salina do Samouco;
- Fundação Paula Rêgo;
- Fundação da Bienal de Arte de Cerveira.

Com decisão de cancelamento total de apoios, entre outras:

-Fundação Casa de Mateus;
-Fundação Oriente;
-Fundação Alter Real;
-Fundação Mata do Buçaco;
- Fundação Nadir Afonso.

Com decisão de cortes no apoio do estado, entre 30% (a maioria) e 20%:

- Fundação Arpad Szénes/Vieira da Silva;
-Fundação Casa da Música;
-Fundação de Arte Moderna e Contemporânea/Colecção Berardo;
-Fundação de Serralves;
- Fundação Espírito Santos Silva;
-Fundação Centro Cultural de Belém;
-Fundação Júlio Pomar;
-Fundação AMI;
-Fundação Mário Soares;
-Fundação INATEL;
-Fundação Manuel Cargaleiro;

A extinção da Fundação do Côa e da das Salinas do Samouco, sem alternativas credíveis, vai abrir caminho a mais crimes ambientais e patrimoniais. No caso do Côa isso é evidente: está o caminho aberto para os apetites dos “chineses” da EDP em retomar a construção da barragem…

O caso da Casa de Mateus, que apena beneficiava de apoios do Estado para a atribuição do prémio D.Dinis, este ano foi atribuído a Maria Teresa Horta, que se recusou receber o prémio das mãos de Passos Coelho, parece configurar um claro caso de vingança política.

Altamente escandalosos e lesivos da identidade cultural portuguesa, são as decisões tomadas em relação à Fundação Paula Rêgo, Fundação Oriente, Fundação Arpad Szénes/Vieira da Silva, Fundação Casa da Musica, Colecção Berardo, Fundação de Serralves, Centro Cultural de Belém, AMI ou INATEL.

É significativa a diferença de tratamento entre fundações da área da cultura e da defesa do património, e o tratamento dado a fundações ligadas a grandes empresas e grupos económicos, como se a função do Estado não fosse apoiar principalmente as áreas, como a da cultura, que raramente são lucrativas. É para isso que pagamos impostos, e não para encher o bolso do sector financeiro…

Aliás, a única fundação ligada a um grupo económico que realiza algum trabalho conhecido e válido, a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, é a única a ser penalizada…

Também seria interessante comparar as tendências político/ideológicas das administrações dessas Fundações para se perceber, como me parece empiricamente ser o caso, que são mais penalizadas aquelas que não são controladas pela seita político/ideológica que domina o atual poder político, do que aquelas que apoiam e beneficiam com as medidas económico/sociais deste governo.

Isso é evidente no caso das fundações ligadas às Universidades: penalizadas a Universidade Nova, a Universidade de Coimbra e a do Minho; beneficiadas a Católica, o ISCTE ,a do Porto, e a Lusíada.

Fazendo uma rápida “sondagem” mental pelos comentários de professores universitários na comunicação social, nomeadamente na área da economia, no primeiro grupo de universidades “residem” os que, maioritariamente criticam a atual política governamental, e , no segundo, embora o ISCTE esteja um pouco dividido nessa tendência, os grandes defensores das medidas de austeridade e deste governo. Parece-me curioso, embora esta análise esteja sujeita a uma aferição mais rigorosa.

Resumindo e concluindo, mais uma vez “a montanha pariu um rato”, uma medida necessária é desbaratada pelos preconceitos ideológicos e pela má-fé do actual poder político, e o oportunismo político de impor o programa anti-social e anti-cultural deste governo, aproveitando-se da atual crise e do populismo da medida, dando razão àqueles que dizem que estamos a viver um verdadeiro PREC da direita .

Tudo isto leva-nos a concluir que o poder atual está entregue a verdadeiros selvagens e iconoclastas do mais reles populismo e reaccionarismo político, cultural, social e económico, tudo “barrado” com muita incompetência, ignorância, irresponsabilidade, infantilidade e incultura.