Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Evocando o DIA MUNDIAL DO LIVRO
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Recordar Jack Kerouac
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Jorge de Sena regressa à Pátria
Ode à Mentira
Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,
como sereis cruéis, como sereis injustas?
Quem torturais, quem perseguis,
quem esmagais vilmente em ferros que inventais,
apenas sendo vosso gemeria as dores
que ansiosamente ao vosso medo lembram
e ao vosso coração cardíaco constrangem.
Quem de vós morre, quem de por vós a vida
lhe vai sendo sugada a cada canto
dos gestos e palavras, nas esquinas
das ruas e dos montes e dos mares
da terra que marcais, matriculais, comprais,
vendeis, hipotecais, regais a sangue,
esses e os outros, que, de olhar à escuta
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,
vos contemplam como coisas óbvias,
fatais a vós que não a quem matais,
esses e os outros todos... - como sereis cruéis,
como sereis injustas, como sereis tão falsas?
Ferocidade, falsidade, injúria
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso
o coração que apavorado em vós soluça
a raiva ansiosa de esmagar as pedras
dessa encosta abrupta que desceis.
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?
Descereis, descereis sempre, descereis.
(Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal')
quarta-feira, 3 de junho de 2009
No Aniversário do nascimento de Allen Ginsberg

Expoente máximo da Beat Generation, poeta preferido de Jim Morrison e dos The Clash, com quem chegou a actuar, foi também um dos símbolos da cultura gay.
Uma faceta sua pouco conhecida foi a de fotógrafo, revelada no site que lhe é dedicado, (http://www.allenginsberg.org/) , algumas das quais divulgamos em baixo.
Entre a sua imensa obra poética, deixo-vos com “Um Supermercado na Califórnia”,um bom exemplo da ironia e da crítica social que a sua poesia sempre revelou:
UM SUPERMERCADO NA CALIFÓRNIA
Muito tenho pensado em ti nesta noite, Walt Whitman,
Vi-te, Walt Whitman, sem filhos, velho comilão solitário,
Ouvi-te perguntar a eles todos: quem matou as costeletas
Percorremos os grandes corredores, juntos em nossa solitária
Allen Ginsberg
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Um Blog para o Dia Mundial da Criança

Chama-se “O Livro Infantil”, e foi elaborado pelos responsáveis pelo curso de pós-graduação da Universidade Católica.
Com um cabeçalho sempre em “movimento”, com ilustrações de vários livros para crianças, visitá-lo é uma excelente forma de comemorar este Dia Mundial da Criança.
Transcrevemos igualmente um texto publicado nesse blog no passado dia 25 de Maio, intitulado “Mitos e Preconceitos sobre o Livro Infantil”:
“No módulo de Edição do curso de Pós-Graduação em Livro Infantil fomos desafiados pela docente Isabel Minhós Martins (uma das mentes criativas da editora Planeta Tangerina) a alinhar num papel alguns dos preconceitos mais comuns que existem à volta do livro infantil.
“E são muitos. Ideias erradas, superficiais e generalistas que tomam a forma de verdades absolutas, reproduzindo-se nos leitores, na crítica, nas instituições e na própria comunidade produtora, sejam escritores, ilustradores ou editores.
“O que se segue é a síntese desse exercício, enumerada em tópicos pela nossa colega Paula Guerra. Para ler, acrescentar, contestar e, sobretudo, reflectir:
domingo, 12 de abril de 2009
Edição de Abril da "Black & White"
A edição de Abril da revista Black & White dedica um dossier especial à agência Magnum.Richard Pitnik é o autor da reportagem sobre essa agência fotográfica, fundada em 22 de Maio de 1947 por quatro fotojornalista, Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, David “Chim” Seymour e George Rodger.
Alguns dos grandes ícones da segunda metade do século XX foram produzidos pelos fotógrafos daquela agência.
Na actualidade, um núcleo de jovens foto-repórteres dão continuidade ao projecto iniciado há 60 anos, divulgando a B&W o trabalho de alguns dos seus mais promissores fotógrafos : o chinês, de Taiwan, Chien-Chi Chang; o belga Martine Franck; o britânico Stuart Franklin; o novaiorquino Bruce Gilden; o italiano Alex Majoli; Trent Parke, natural de Newcastle; o italiano, de Roma, Paolo Pellegrin; o canadiano Lerry Towell.
De entre os habituais portefólios publicados por esta revista, destaca-se o que é dedicado a Elliot Erwitt que fez de Nova Iorque e do quotidiano desta cidade, um dos grandes temas da sua obra. É da sua autoria a capa desta edição, tirada na Provença francesa em 1955.
quarta-feira, 11 de março de 2009
UM DIA DE CÓLERA
Em “Um Dia de Cólera”, Arturo Pérez-Reverte consegue misturar o romance e a grande reportagem.Este grandioso fresco literário relata um dos dias mais violentos da história de Madrid, o célebre 2 de Maio de 1808.
Para o seu autor, esta obra “não é ficção nem livro de História”, mas pretende “devolver a vida àqueles que, durante duzentos anos, foram apenas personagens anónimas em gravuras e telas contemporâneas, ou concisa relação de vítimas nos documentos oficiais”.
Baseado em relatos verídicos, com personagens que existiram de facto, Pérez-Reverte faz uma descrição minuciosa dos acontecimentos desse trágico dia.
Apesar da narrativa ser cruzada pelas histórias de muitos anónimos que deram a sua vida por Espanha, que ganham aqui um rosto e um nome, existe, como fio condutor, a acção de dois dos poucos militares espanhóis que, nesse dia, se puseram ao lado do seu povo, os capitães Pedro Velarde y Santillan e Luis Daoiz Y Torres, que resistiram até ao fim, até à sua morte, naquele que foi o último baluarte da resistência madrilena, o parque Monteleón.
Um povo, considerado por Napoleão uma “chusma de aldeões embrutecidos e ignorantes, governada por padres” conseguiu resistir várias horas ao mais poderoso exército do mundo, na maior parte armado com navalhas, facas de cozinha e machados de cortar lenha.
A população que participou nessa insurreição era maioritariamente formada por “gente do povo miúdo, operários, artesãos, funcionários humildes e pequenos comerciantes”, quase não contando com a participação dos mais abastados, dos representantes da nobreza e da hierarquia militar.
A vingança sobre os franceses foi terrível e cruel.
A descrição dos excessos de parte a parte, o sangue derramado, o fumo e a pólvora, enfim a tragédia humana desse acontecimento, conhece um retrato fiel na vivacidade da escrita de Pérez-Reverte , só possível de fazer por quem, noutros tempos, foi um exímio repórter de guerra, experiência que enriquece imenso este romance.
Às três da tarde dessa segunda-feira sangrenta, já os franceses dominavam a situação, iniciando uma das jornadas repressivas mais brutais que Madrid conheceu, imortalizada no célebre quadro de Goya, “3 de Maio”.
Para escrever este romance o autor efectuou “longos passeios pelas ruas de Madrid”, e, para acompanhar a narrativa pelo emaranhado de ruas dessa cidade no ano de 1808, o leitor pode socorrer-se do mapa, incluído no livro, dentro da lombada (pessoalmente, só me apercebi deste precioso auxiliar de leitura quando já ia a meio da leitura).
Com este romance, não temos dúvidas em afirmá-lo, Pérez-Reverte torna-se um dos grandes escritores espanhóis deste século.
Em Portugal, esta obra foi editada pela ASA.
quarta-feira, 4 de março de 2009
A "Minha" África...

África esteve no meu horizonte por duas ocasiões na minha vida:
Uma, durante a adolescência e a juventude, com a possibilidade, sempre presente, de ser mobilizado para a guerra colonial, tendo o 25 de Abril chegado no limite, pois completei os 18 anos, 2 meses e 15 dias antes do 25 de Abril;
Outra, quando, nos finais da década de 70, me inscrevi como cooperante para a Guiné-Bissau, tendo a viagem sido adiada em definitivo, poucas horas antes da partida, por causa de um conflito diplomático, mal esclarecido, entre o governo português e o guineense.
Duas partidas falhadas, provavelmente decisivas para a minha vida.
A África tem sido um continente sacrificado ao longo da História.
Os recentes e trágicos acontecimentos na Guiné-Bissau trouxeram-me à memória um livro, lido há uns anos, ÉBANO, do jornalista polaco Ryszard Kapuscinski, falecido o ano passado.
Tendo acompanhado a realidade africana durante cerca de três décadas, exactamente aquelas que assistiram à descolonização e à formação das primeiras nações africanas, Kapuscinski conseguiu captar o espírito africano e as raízes do drama, num continente onde a vida humana tem muito pouco valor.
As moscas que invadem tudo, o calor sufocante, os odores nauseabundos de algumas cidades, o total desordenamento da vida social e económica que muito devem agradar aos neo-liberais, a corrupção e a violência dos poderosos, o saque permanente das suas riquezas, as intermináveis guerras civis, tudo isto atravessa a obra, escrita com a dinâmica e o colorido de um grande romance, infelizmente bem real.
Mas também o colorido dos mercados, a ingenuidade genuína dos seus habitantes, o mistério da sua cultura e a imensidão da sua paisagem.
O drama africano começou no século XV, com o início dos descobrimentos, situação que se agravou nos séculos seguintes com o desenvolvimento de um novo tipo de escravatura, que implicava guerras constantes para capturar cada vez mais escravos.
As guerras tribais africanas, que até então não passavam de meras escaramuças ou guerras rituais, tornaram-se cada vez mais violentas e uma questão de sobrevivência. Os Europeus forneciam armamento às populações africanas em troca de escravos, e a posse das armas tornou-se essencial para resistir à escravização.
O fornecimento de álcool pelos ocidentais, em grande escala, às populações africanas, ajudava a manter os conflitos, necessários para o clima de guerra permanente que alimentava o mercado esclavagista.
O Ocidente nunca se preocupou em olhar o continente africano com olhos de ver, percorrendo “apenas a superfície sem penetrar mais fundo”.
Para o jornalista polaco, o “drama de algumas culturas – entre as quais a europeia – foi devido ao facto de, no passado, os seus primeiros contactos com outras culturas terem sido estabelecidas por pessoas da mais estranha espécie – mercenários, aventureiros, criminosos, traficantes de escravos, etc. Havia também outros, mas em menos número – missionários honestos, viajantes e exploradores entusiasmados. Porém o tom, o clima, era ditado por esta internacional de salteadores. É óbvio que eles não perdiam tempo a pensar em conhecer outras culturas, em encontrar um língua comum, em respeitar as pessoas. (…) O seu único interesse era pilhar, saquear e matar” (p. 359).
Neste círculo vicioso destruíram-se civilizações milenares, desequilibrou-se demograficamente todo um continente e destruíram-se estruturas económicas e sociais.
Quando a escravatura foi extinta, de forma significativa apenas no século XIX, seguiu-se a partilha do continente pelas potências europeias na famigerada Conferência de Berlim de Novembro de 1884 a Fevereiro de 1885.
O Continente Africano foi dividido a régua e esquadro em colónias com fronteiras totalmente artificiais, ora separando povos inteiros, ora misturados populações com culturas muito diferentes.
Refere Kapuscinski que, nos “tempos anteriores ao colonialismo, havia em África mais de dez mil pequenos Estados, reinos, associações étnicas, federações. No seu livro The African Experience (…) Ronald Oliver chama a atenção para um paradoxo muito vulgar: consagrou-se a teoria de que os colonialistas europeus são os causadores da divisão africana.”Uma divisão?”, pergunta Oliver surpreendido. “Foi uma união criada à força, imposta a ferro e fogo! De dez mil passou-se para cinquenta” (p.361).
Iniciou-se então o saque final desse continente de todas as suas riquezas, impondo-lhe um sistema económico, cultural e político totalmente antagónico com a sua cultura e a sua história.
Mas o drama desse continente não terminou quando, nas décadas de 50 e 60 do século passado, se deu início aos movimentos de independência.
Os novos Estados Africanos foram construídos com bases em tais fronteiras antagónicas, numa economia e numa ideologia importada da Europa e, com algumas honrosas excepções, dirigidas por líderes corruptos, que usavam a violência para se manterem no poder, desrespeitando os mais elementares direitos humanos das populações que governavam.
A guerra fria alimentava essa gente, com cada um dos lados do conflito a exibir os seus ditadores de estimação, fornecendo-lhes armamento em troca de vantagens estratégica ou económica. Era o neo-colonialismo em toda a sua força.
Com o fim da guerra fria, a situação não melhorou, as velhas guerras ideológicas transformaram-se em guerras tribais ou de bandos de malfeitores, com massacres de milhões de pessoas, como aconteceu na região dos grandes Lagos.
Um documentário, recentemente exibido na televisão, mostra com as coisas funcionam actualmente.
A um aeroporto da região dos Grandes Lagos, no Uganda, onde se aterra com apoio de um telemóvel, quando este funciona, pejado de destroços de aviões aí acidentados, chega um avião russo que vai descarregar ajuda alimentar da ONU, transportando igualmente armamento para os grupos responsáveis pelos milhares refugiados da região que esperam por aquela ajuda.
Na volta, o mesmo avião transporta para a Europa a valiosa perca do Nilo, peixe muito apreciado, mas cuja criação descontrolada dizimou outras espécies daquela região, arruinando as pequenas comunidades de pescadores locais, que engrossam os milhares de refugiados ou os bandos de salteadores locais.
Os restos da perca, que não são enviados para os consumidores ricos do norte, são transportados em camionetas, percorrendo um caminho em mau estado, durante horas, debaixo de um Sol abrasador, até uma imensa lixeira, com um chão coberto de larvas, onde centenas de africanos recolhem as partes do peixe “aproveitáveis”, para fornecer os vendedores ambulantes da cidades próximas, que fritam esses restos para alimentar os seus habitantes.
Mesmo assim, pode haver esperança para um continente que não deixa indiferente ninguém que o visita, ou que deu à luz o mais humano e grandiosos de todos os políticos dos últimos 50 anos, Nelson Mandela.
Berço da humanidade, esta deve a África um sinal de esperança…
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Os Bonecos do Antero

O Antero Valério nasceu aqui em Torres Vedras, nos idos de 25 de Abril de 1960.Pessoalmente, tive o privilégio de privar desde os meus tempos do liceu com a sua amizade, que se mantém até hoje.Na altura, aí por volta de 1972, dirigi um dos primeiros fanzines de Banda Desenhada editados em Portugal, "O Impulso". Foi então que conheci o Antero que se tornou, desde a primeira hora, um dos membros permanentes da equipa desse fanzine.
Dos cerca de 10 membros dessa equipa ele acabou por ser o único a enveredar pelas artes visuais.
Tendo tirado o curso de Belas Artes, lecciona actualmente numa escola nos arredores de Lisboa. Artisticamente tem-se revelado na Pintura e na Banda Desenhada .
Colaborador habitual do “Barrete”, uma publicação humorística independente do Carnaval de Torres, publicada anualmente, o Antero tem participado em vários projectos editoriais, como ilustrador e gráfico.
É dele o painel de azulejos do terminal rodoviário de Torres Vedras, alusivo ao Carnaval de Torres.
Contudo, foi o seu blog “Anterozóide” que o projectou a nível nacional, graças ao humor dos cartoons aí publicados, que têm como temática a actual política educativa. Não há escola neste país que não tenha nos seus placards os bonecos do Antero.
Recentemente o Antero Valério reuniu alguns dos seu melhore bonecos no livro, por si editado, com o título “Como Se Tornar um Docentezeco” que pode ser adquirido através do seu blog ou nalgumas livrarias do país.
Reúnem -se aí algumas das sátiras mais corrosivas sobre os disparates da actual equipa do Ministério da Educação. Na brincadeira já lhe têm dito que o único defeito dos seus bonecos reside no facto de conseguir humanizar uma figura como a Ministra da Educação…
O único motivo que nos pode levar a desejar uma longa vida para esta equipa ministerial (lagarto! lagarto! lagarto!) é que continue a inspirar os bonecos do Antero.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Wellington Contra Massena
Algumas das obras mais interessantes sobre a Guerra Peninsular têm sido escritas em Inglaterra. Infelizmente, raramente encontram editores portugueses interessados na sua publicação entre nós.Apesar de se assumir como uma obra de divulgação, este livro é uma muito boa e bem documentada síntese sobre esse período da nossa história, agora que estamos próximos de iniciarmos as comemorações bicentenárias das Linhas de Torres Vedras.
Podemos dividir a estrutura deste livro em cinco partes distintas.
Numa primeira parte faz a contextualização da Guerra Peninsular , desde os seus antecedentes com o Bloqueio Continental à expulsão de Soult de Portugal em 1809.
Numa segunda parte traça o perfil biográfico, em capítulos distintos, de Wellington e Massena.
Na terceira parte, a mais importante da obra, aborda o período histórico identificado em Portugal como o da IIIª Invasão Francesa, desde a chegada de Massena a Valladolid, em 10 de Maio de 1810, para assumir o comando do chamado “Exército de Portugal”, até à sua destituição por Napoleão, exactamente um ano depois.
Aqui vamos encontrar uma descrição pormenorizada das tácticas seguidas por ambos os lados, das principais batalhas e da importância das Linhas de Torres, sem nunca esquecer os custos humanos, para as populações locais, desse acontecimento.
Se, em relação às Linhas de Torres, o autor pouco acrescenta àquilo que é conhecido por quem estuda este tema, é de realçar o pormenor descritivo dos cercos e das batalhas, onde se revela a especialização do autor na História Militar do século XIX.
Numa quarta parte, refere a evolução política de Massena, após ter caído em desgraça perante Napoleão, o seu regresso à ribalta política, após a derrota do Imperador e a restauração da monarquia e a amizade pessoal que se desenvolveu entre Massena e Wellington, quando se encontraram em Paris, durante um jantar oferecido por Soult, no principio de 1815.
Então, os dois antigos rivais conversaram sobre as Linhas de Torres Vedras, ironizando Massena que Wellington lhe estava a dever um jantar “pois quase me matou à fome”, ao que o irlandês retorquiu, sorrindo, que devia ser o marechal francês a pagar “pois impediu-me de dormir”. Seguiu-se depois uma animada conversa sobre as estratégias de ambos durante a Guerra Peninsular (pp.246 e 247).
A última parte do livro é dedicada a uma descrição da viagem que o autor do livro fez à Península Ibérica, pelos lugares onde decorreram os principais acontecimentos narrados, com indicações preciosas para os viajantes.
Em Torres Vedras visitou o castelo e o forte de S. Vicente, recomendando aos visitantes para deambularem “pelas ruelas que sobem para o castelo” (p. 265).
Na sua visita aos últimos vestígios das linhas, o autor queixa-se de, em Portugal, “ao contrário de muitos países, os locais de interesse histórico nem sempre são adequadamente assinalados – o que é uma pena, dada a abundância de sítios interessantes” (p.266).
O livro inclui ainda uma detalhada cronologia do período, uma interessante documentação iconográfica (mapas, gravuras e fotografias), e uma vasta e completa bibliografia, de origem britânica, sobre estes acontecimentos.
Um livro de leitura obrigatória.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A Fábula de Bush

Refiro-me á “Fábula de Bagdad”, da autoria do escritor californiano Brian K. Vaughan e do desenhador quebequiano Niko Henrichon.
Esta obra, editada entre nós pela BDMania, em Dezembro de 2007,apenas um ano depois da sua edição original norte-americana, baseia-se num acontecimento verídico, acontecido em Abril de 2003 quando, na sequência dos bombardeamentos norte-americanos a Bagdad, se deu a fuga de um bando de leões do zoo daquela cidade martirizada.
A história desenrola-se num ambiente de autêntico pavor provocado por um clima de guerra total.
O grupo de leões encontra a sua libertação graça à destruição das grades das suas jaulas e dos muros do zoo, destruídos pelos bombardeamentos norte-americanos, percorrendo as ruas destruídas de Bagdad, num cenário de autêntico pesadelo.
Paradoxalmente acabam todos mortos por soldados americanos.
A “Fábula de Bagdad” questiona a legitimidade de impor a liberdade pela força das armas, revelando toda a inutilidade da guerra.
Uma obra a ler ou reler, neste dia que marca o fim de uma das épocas históricas mais pavorosas do mundo ocidental.
Uma verdadeira “Fábula da Era Bush”.



