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terça-feira, 24 de março de 2020

Morreu Albert Uderzo, o "pai" de Astérix

Morreu Albert Uderzo, o desenhador e criador, em 1959,  juntamente com René Goscinny (falecido em 1977), da série Astérix.

Tinha 92 anos, e morreu de crise cardiaca, na sua casa em Neuilly-Sur-Seine, em França.

Recordamos AQUI a sua obra.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Os Títulos manipulados do Jornal "Público"

Tal como acontece desde há muito, noutro jornal dito de "referência", o "Expresso", nos últimos tempos, outro jornal  de "referência", o "Público",  usa e abusa da manipulação de títulos de primeira página, com nítida má fé, e meias verdades, apenas com o intuito de provocar reacções de tipo populista.

É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!

Na edição de hoje do Público, o alvo, mais uma vez, diga-se de passagem, é a classe dos professores.

Não admira que um dos jornais que mais apoiou a acção da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores  e endeusou os malfadados e tendenciosos rakings , continue a usar e abusar da má fé.

O título que acima reproduzimos é um abusivo uso de uma meia verdade.

A intenção é dar a ideia que os professores forma beneficiados com uma subida de escalão  apenas num   ano, alimentando todo o tipo de reacções populistas que tanto têm contribuído para desprestigiar uma classe fundamental para o futuro do país.

Aliás, já se começa a ver o resultado desse tipo de campanhas, alimentadas por comentadores e políticos vários, como o dramático envelhecimento de um grupo profissional e a recusa dos mais novos em abraçar tão nobre actividade.

A escolha de um título manipulador e  de má fé como aquele  esquece que esse escalão foi criado há cerca de dez anos, sem que, ao longo de quase outros dez anos, nenhum professor tivesse beneficiado de uma subido de escalão, apesar de ter de se submeter a avaliação interna e frequentar regularmente acções de formação obrigatórias.

Para ser correcto, o título devia dizer que "ao fim de quase dez anos, finalmente alguns professores, com mais experiência e depois de frequentarem dezenas de hora de formação, paga do seu bolso e frequentada nas suas horas livres, começaram a aceder ao escalão a que têm direito"!.

Mas a intenção de grande parte do jornalismo dito de referência não é informar, mas fazer politica faccioso, servindo os interesses económicos e financeiros que os sustentam.

Depois admiram-se de serem "batidos" pelas redes sociais!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Ainda a “Ignóbil porcaria” de Mª de Fátima Bonifácio: a fase dos “limpa fundos”.



Quem tem ou conhece amigos com aquários, sabe bem o que são os “limpa fundos”.

São uns peixinhos que se alimentam e têm como função limpar a porcaria que os outros peixes fazem e que se vai acumulando no fundo do aquário.

Metaforicamente, nas últimas semanas temos visto a entrar em acção  os “limpa fundos”  para limpar o rasto de “porcaria” deixado pelas opiniões racistas da “catedrática” Bonifácio.

Não voltei ao assunto na semana passada porque não quis conspurcar uma semana marcada por um acontecimento tão nobre como o cinquentenário da chegada à lua com a referência a tão ignóbil criatura. Estive mesmo para não voltar ao assunto, mas como as ondas de choque daquela “ignóbil porcaria” continuam a ecoar na comunicação social, não quis deixar de dar o meu humilda contributo para o “debate”, reforçando o que na altura escrevi sobre o tema.

Embora, com a exclusão de Vasco Pulido Valente,  do bando do "Observador" do PNR, ninguém se tenha atrevido a defender os argumentos da dita senhora, tenho assistido a uma tentativa de branquear, não o que ela disse, mas o que ela representa para uma certa direita portuguesa.

É bom não esquecer que ela foi uma das principais apoiantes de Passos Coelho e Cavaco, uma espécie de legitimadora moral e intelectual das medidas do tempo da troika e da ideologia neoliberal portuguesa por aqueles ensaiada, com as resultado sociais conhecidos.

Começando todos por se demarcar do tal artigo, tentam depois desculpá-lo pelo feitio provocador de Bonifácio,  em defesa de tão tenebrosa figura.

Uns acham que as afirmações racistas e as bacoradas históricas do dito artigo (já referidas por vários intervenientes e por nós próprios em post anterior) foram um mero lapso ou uma mera provocação, como se o que ela escreveu nesse artigo não fosse o corolário lógico de todo o pensamento politico, intelectualmente “bem” elaborado,  de Bonifácio, revelado aliás noutras intervenções públicas em artigos de opinião ou em debates televisivos.

De facto, Fátima Bonifácio sabe o que escreveu e concorda com o que escreveu, não foi um simples lapso. Dizer que ela não queria escrever o que escreveu é mesmo um atentado contra a reconhecida inteligência da dita “catedrática”. Pelo menos reconheça-se a coragem de Fátima Bonifácio, coragem que não abunda muito entre os seus apaniguados e seguidores que, lá no fundo, concordam com o que ela escreveu, e o dizem nos bastidores, mas nãos se atrevem a escrevê-lo o dize-lo em público.

Outra forma de “limpar o fundo” da porcaria de Fátima Bonifácio é desviar a atenção do conteúdo daquele artigo.

Que o objectivo era nobre, dizem, o de questionar a questão da quotas e que aquela afirmações racistas foram um mero berloque a “enfeitar” a “intenção” principal do mesmo artigo.

Claro que, também nós questionamos a questão das quotas, embora se deve reconhecer que, em certas circunstâncias é a única forma de combater o preconceito, seja ele de género ou de “raça”. Toda a gente sabe que, em mais de 90% dos casos, se se apresentarem um cigano, um negro e um branco, em igualdade de circunstâncias de formação, sociais e económicas, para concorrerem a um emprego, a um lugar na Universidade ou a um simples aluguer de casa, e havendo lugar apenas para um, o branco é o escolhido.

Nesse tipo de situações parece-me que se justifica a imposição de um sistema de quotas.

Já noutra situação, onde apareça um branco com melhor nota e maior experiência, concorrendo contra outros brancos, ou negros, ou ciganos, ou mulheres,  apresentando estes menor formação ou experiência, o sistema de quotas torna-se injusto.

Ao contrário daqueles que desviam a atenção para a temática das quotas no dito artigo, o racismo revelado por Bonifácio não foi um assunto secundário. Para nós a questão das quotas é que foi pretexto para as afirmações boçais e racistas da dita “catedrática”.

Outros desviam a discussão para a questão da liberdade de opinião, mesmo quando esta é abjecta (leia-se, a propósito, AQUI a forma, meio irónica, como o insuspeito Pedro Marques Lopes desmascara esta situação, nas páginas do Diário de Notícias deste fim-de-semana).

Claro que afirmações boçais, racistas e ignorantes como as de Fátima Bonifácio são o preço a apagar pela liberdade de informação.

Mas Fátima Bonifácio tem lugar cativo em colunas de opinião e em debates televisivos devido ao seu “prestígio” como historiadora e, neste artigo, Fátima Bonifácio atropelou os mais elementares princípios da sua profissão, deturpando a própria História da Declaração dos Direitos do Homem, do Cristianismo e da Civilização Ocidental.
(As "Boas" companhias de Fátima Bonifácio)

Se era o seu prestígio como historiadora que lhe deu lugar como “fazedora” de opinião, o artigo em causa borrou toda a pintura e a suas opiniões não podem ter, a partir de agora, mais peso e importância que os mais reles argumentos que pululam nas redes sociais, estando ao nível de um Trump ou de um Bolsonero….a menos que a própria se venha retratar das ditas afirmações!

Mas, se Maria de Fátima Bonifácio tem o “direito” (discutível, basta ler a lei de imprensa, a Constituição Portuguesa, a legislação sobre o assunto ou mesmo a Declaração Universal dos Direitos do Homem) de ofender comunidades inteiras, porque é que reagir às opiniões da dita senhora passa a ser uma “condenável acto de ataque pessoal” ou uma tentativa de atentar contra ao direito de opinião?

Ou seja, umas opiniões têm o direito de se exprimir, outras não passam de “linchamentos públicos” de uma alta dignatária da Universidade Portuguesa.

Se há um discurso que legitima linchamentos públicos de minorias é o de Maria de Fátima Bonifácio.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Contra a demagogia : em defesa de Carlos Miguel


A Demagogia populista anda por aí. 

Desta vez foi o jornal "Público" a "borrar o pé", tentando insinuar que uma edição de autor, apoiada pelo município de Torres Vedras com a compra de metade da edição, prefigurava uma situação de favorecimento ilícito. 

Em defesa de Carlos Miguel e denunciando o carácter especulativo do título (mais do que da notícia em si) AQUI publicámos o que pensamos sobre o tema.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

15 anos de Inimigo Público

Completahoje 15 anos a edição do suplemento humorístico semanal editado pelo jornal "Público".

O humor politico é uma das características mais marcantes da história da Imprensa Portuguesa desde o século XIX, tendo Rafael Bordalo Pinheiro com "pai" fundador.

Essa característica tem sido mantida muito graças a esse excelente suplemento jornalístico.

Hoje, no tempo das "fake news" é por vezes difícil separar o que é verdadeiro do que é falso e este suplemento muito tem contribuído para desmistificar esta realidade.

Confesso que, muitas vezes, quando passo das páginas do "Inimigo Público" para as páginas "sérias" levo algum tempo a perceber que o absurdo de muitas situações que leio já não fazem parte daquelas páginas.

Esperamos que o "Inimigo Público" continue a desmistificar, com o humor corrosivo e inteligente que o caracteriza, situações da nossa realidade. Temas não faltam.

LONGA VIDA AOS "CAMARADAS" DO "INIMIGO PÚBLICO.!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Um título ignóbil!



Pensava que tinha comprado o “Público”. Afinal comprei o “Correio da Manha” disfarçado do jornal “Público”.

Foi essa a impressão com que fiquei ao ler o título de primeira página da edição de ontem, confrontando-a com a entrevista no interior das suas páginas.

De facto, todo o título é um programa de desinformação e de aviltamento sobre uma classe profissional.

Ao ler a entrevista não vejo nela a intenção desse título, por parte do entrevistado.

Quem ler a primeira página fica com a idéia de um  Ministro das Finanças a tentar rebaixar uma classe profissional.

Ou seja, fica a idéia que o Ministro das Finanças procura desvalorizar os professores, recorrendo à velha atitude “passos-coelhista” de atirar classes profissionais umas como outras, confrontando os “privilégios” de uns com a situação da “maioria”.

Ao ler o título, a idéia que fica é a de os professores querem ser tratados como privilegiados, atitude à qual o Ministro das Finanças responde com um “Orçamento que é para todos os portugueses”.

E foi isto que esteve na origem de mais um dia de comentários para desacreditar toda uma classe profissional, motivando até a interrupção das férias algarvias de Miguel Sousa Tavares, que se deu ao “incómodo” de se deslocar aos estúdios em Faro da SIC para mais uma sessão de “malhação” no seu ódio de estimação, os professores, atitude que provavelmente já lhe pagou essas mesmas férias.

Contudo, quem ler a entrevista, percebe que aquele sentido que o Público pretende dar no título de primeira página não é, de todo, o sentido dado pelo Ministro na entrevista.

Percebe-se que a orientação da entrevista procura justificar aquele título, como se este já tivesse escrito antes da entrevista, e agora fosse necessário encontrar justificação para o mesmo.

Numa entrevista sobre o próximo Orçamento, as primeiras sete (7!!!) perguntas centram-se na questão da recuperação do tempo de serviço dos professores. A todas elas o Ministro responde com a sua conhecida cautela, remetendo para a abertura de negociações e respondendo, obviamente, com a idéia de um Orçamento que tem de ser pensado para o conjunto dos portugueses, mas sem negar a especificidade de cada situação.

Tanto assim foi que os jornalistas, não conseguindo justificar o título que parecia previamente escolhido, acabam por reconhecer que “Portanto, o tema dos professores não é determinante no quadro do OE?”, respondendo o Ministro que “O OE é um exercício complexo e para todos os portugueses (…). Ninguém iria entender que não fizéssemos exactamente isto , portanto, não gostaria de singularizar num só tópico”, preocupação que continua a ser manifestada quando mais à frente se fala de salários na Função Pública, aumento de pensões ou investimento no Serviço Nacional de Saúde.

Ou seja, não se percebe aquele título, a não ser numa tentativa desonesta e forçada de virar o público contra os professores.

Na lógica de manipulação de informação daquele título, este podia ser: “Médico? “O OE é para todos os portugueses”…ou “Pensionistas? “ O OE é para todos os portugueses”…ou “Funcionários Públicos? “O OE é para todos os portugueses”….e tudo o mais que a manipulação jornalística do ´Público” do Dinis quisesse imaginar…

Uma vergonha…

Leitor desde o primeiro número daquele jornal, tenho-me sentido cada vez mais defraudado desde que o jornal foi tomado pela gente o “Observador”, como o David Dinis e o Diogo Queirós de Andrade…felizmente estes vão deixar o jornal, esperando que o “Público” retome rapidamente a sua qualidade como jornal de referência e credível.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A “correiodamanhãzação” da imprensa de “referência”.


Os títulos da “Expresso”, ao estilo do “Correio da Manhã”, mas para gente “culta” e “séria”, já não me espantam.

São a sua imagem de marca de há muitos anos para cá e foram um dos motivos, como um dia expliquei AQUi, que me levaram a deixar de comprar um semanário que eu segui desde o seu primeiro número.

Contudo este fim-de-semana foi longe de mais.

Confesso que ao ler este titulo, pensei que o “Expresso”  tinha encontrado dezenas ou mesmo centenas de mortos que não tinham sido declarados, aliás em linha como muitas das “fake news” que circulam nas “redes sociais” e que, ao que parece, estão na moda e já servem de “fonte” a esse jornal.

Afinal a discussão anda à volta de …uma (UMA!!!!!) presumível morte de “diferença”.

Que o “Expresso” tenha aderido ao estilo das “feke news” já é grave, mas que ande a explorar a tragédia de Pedrogão Grande da forma como o fez, raia já a indignidade e uma grande falta de respeito pelas vítimas dessa tragédia.

Mas o fim-de-semana não se ficou por este caso.

Outros jornal de referência, o jornal Público, enveredou pelo mesmo estilo, pela forma como, ontem, deu destaque , de uma forma que raia a pura manipulação, a uma carta, aliás bastante bem escrita e onde se apontam preocupações legítimas, mas da qual aquele mesmo jornal descontextualiza uma passagem, para tentar forçar, nessa carta, um ataque à “geringonça”.



No título lê-se: “O Estado Falhou. A Nação não existiu”, com a intensão que, numa leitura apressada, se lei nas entrelinhas: “A Ministra da Administração Interna Falhou.A Geringonça não existiu”, porque toda a gente identifica, neste momento, essa ministra e este governo com o Estado e as suas falhas.

Depois, para explorar o estilo “Correio da Manhã”  de dramatizar situações, acrescenta, “a carta de uma mãe que perdeu um fillho…”.

Que o Público, outro jornal que compro todos os dias desde o seu primeiro número, ande a viver um período de desorientação editorial, alinhando no clima generalizado das “fake news”, já não me admira.

Desde que foi colocado à frente do jornal David Dinis, que ainda recentemente assinou a meias um artigo com outro jornalista daquele jornal onde, mais de metade do artigo (sobre o debate do Estado da Nação) dava palavra aos argumentos da oposição e 1/3 era a transcrição de um comentário “independente”, publicada no facebook por Poiares Maduro, o autor de discursos de Passos Coelho, já nada me espanta.

David Dinis foi um dos mais activos comentadores televisivos da propaganda “troikista” e “alémtroikista”, que, antes de chegar à direcção do Público, “estagiou” ideologicamente no Observador.

Claro que, por enquanto, o Público ainda é ideologicamente mais equilibrado que o “Expresso”, mas começam a surgir cada vez sinais mais preocupantes sobre o futuro deste jornal de referência, com se revela pela primeira página de ontem.


O estilo “Correio da Manhã” já tinha contaminado os noticiários televisivos. Não se esperava é que começasse a contaminar alguma imprensa escrita de referência!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Noite de Polly Jean

PJ Harvey, regressa esta noite a Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho, The Hope Six Demolition Project.

A artista britânica, nascida numa zona rural do sul da Inglaterra, inspirou-se para este álbum nas viagens que fez entre 2011 e 2014 ao Afeganistão e ao Kosovo, na companhia do fotojornalista irlandês Seamus Murphy,(clicar para ver trabalho do fotógrafo) viagem que terminou em Washington, local onde se tomaram as decisões que decidiram a situação de guerra vivida por aqueles dois países.

Desta viagem, para além no novo albúm de Polly Jean, resultou também o primeiro livro de poesia da cantora, The Hollow of the Hands, editado no ano passado, com a colaboração fotográfica de Seamus.
 

Harvey, além de musica de grande mérito criativo, também se dedica às artes plásticas, actividade que muito a inspira nas suas performances musicais.

Esta noite promete ser mais um memorável momento no Coliseu de Lisboa.

Em baixo transcrevemos o texto de Mário Lopes, hoje editado no jornal Público, sobre este evento:
 
PJ Harvey tem coisas muito importantes para dizer – outra vez
Por Mário Lopes   In Público de 27/10/2016
 The Hope Six Demolition Project resultou de viagens ao Afeganistão, ao Kosovo e a Washington. É um álbum negro, habitado pelos fantasmas bem vivos deste nosso tempo. Agora chega ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
“Não será um concerto de blues endiabrado e guitarra em punho a corroer o rock’n’roll. Não. Isso já foi há muito tempo e, neste tempo, não é isso que PJ Harvey persegue. Ou melhor, será um concerto de blues, mas blues arrancado às entranhas, blues enquanto retrato e denúncia. Sabemos porque vimos o que aconteceu dia 10 Junho no Nos Primavera Sound, no Porto, quando PJ Harvey assinou o concerto mais relevante, o mais negro e emocionalmente intenso do dia, com entrada directa para a história do festival. Quem o viu, ou quem ouviu os relatos do que se passou, não pode não estar ansioso pelo reencontro esta quinta-feira no Coliseu dos Recreios, em Lisboa (21h, bilhetes a 40 euros).
“Cinco anos antes víramos a primeira parte desta história, quando PJ Harvey apresentou Let England Shake em duas datas esgotadas na Aula Magna, em Lisboa. Era um álbum inspirado em leituras sobre a Primeira Guerra Mundial e sobre a poesia que brotou daquele cenário. Um álbum habitado por fantasmas dolorosos e permanentes, os da guerra que tudo ceifa, das trincheiras que sufocam, da impotência do homem soldado que não passa de peão de uma máquina que não controla. Cantou-o vestindo de negro, plumas caindo-lhe sobre o rosto. “What is the glorious fruit of our land?”, perguntou em The glorious land, “Its fruit is deformed children”.
“The Hope Six Demolition Project foi o passo seguinte, o segundo tomo de um díptico (afirmamo-lo com margem para erro, dado desconhecermos se terá continuidade) que começou em terras distantes, o das trincheiras de 1914/1918, e que, depois, inspirada pelo trabalho do fotojornalista Seamus Murphy, levou PJ Harvey a perseguir a morte, a turbulência, a iniquidade das desigualdades e a impunidade de quem decide no Afeganistão, no Kosovo e em Washington – o título do álbum é uma referência a um programa federal americano de revitalização de bairros sociais problemáticos.
“No Nos Primavera Sound vimos um palco onde o negro imperava, onde a luz era trabalhada para que se destacassem mais as sombras dos músicos do que os seus corpos. As vozes graves uniam-se como um coro gospel, ou como um coro de tragédia grega, acentuando a sensação de que o presente cantado tinha raízes fundas no tempo. PJ Harvey não pegou na guitarra uma única vez, substituindo-a pelo saxofone que dardejava notas sobre as melodias e sobre as tarolas rufadas como marcha assombrada, acentuando o ambiente fantasmagórico vivido durante todo o concerto. The Hope Six Demolition Project foi, como não podia deixar de ser, o centro de tudo. PJ Harvey só se afastou dele para recuperar os longínquos To bring you my love e Down by the water ou The words that maketh murder, do antecessor Let England Shake.
“A julgar pelo alinhamento dos últimos concertos da digressão, em Itália, essa estrutura manter-se-á razoavelmente inalterada na apresentação portuguesa, em nome próprio, de The Hope Six Demolition Project. Não se espere, portanto, uma celebração de carreira, uma visita guiada ao percurso iniciado por PJ Harvey em 1992, com Dry. Polly Jean tem coisas muito importantes a dizer e quer mostrá-las sem distracções. A julgar pelo extraordinário concerto de Junho, onde surgiu acompanhada, por exemplo, pelos habituais cúmplices Mick Harvey ou John Parish, resta-nos ouvi-la muito atentamente”.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

UMA PRIMEIRA PÁGINA QUE É O RETRATO DE UM PAÍS

Olhamos para esta primeira páginas do jornal Público e vemos o Portugal de hoje.

Por um lado, uma iniciativa levada a cabo pela sociedade civil consegue, em poucos meses, angariar fundos para adquirir uma obra de arte fundamental para a nossa cultura.

Foram poucas as empresas e os bancos a contribuírem para essa iniciativa, com  honrosas excepções (como a Fundação Aga Khan, que contribuiu como um terço do seu valor, sem esquecer o Público, Fuel, RTP e o banco Millenium BCP).

Que se saiba, a esmagadora maioria das empresas cotadas em bolsa não deram um cêntimo...percebe-se, lendo o título de cima..andaram ocupados em desviar dinheiro para os offshores.

E este é o outro lado dessa primeira página.

Durante os anos da troika as grandes empresas deste país, tão "patrioticamente" gabadas pelo anterior governo e por Cavaco Silva, tiraram de Portugal 10 mil milhões de euros.

Sobre esta notícia ouvi hoje um comentário de um fiscalista tentando por àgua na fervura, dizendo que esse dinheiro já paga impostos em Portugal e também no local onde depositaram aqueles milhões (!!!).

Mas alguém acredita nisso? Ou será que os nossos grandes empresários são estúpidos ao ponto de pagarem duas vezes impostos para colocarem dinheiro fora do país? Ninguém desvia aquelas quantias sem tirar daí benefícios e os benefícios só podem ser ou para lavar dinheiro ilegal, ou para fugir aos impostos...senhores comentadores...não tomem os portugueses, e as empresas que pagam os seus impostos e trabalham, por parvos!!!.

Mas aquela primeira página mostra também porque é que alguma classe política anda arredada, por um lado, do apoio a iniciativas culturais como aquelas que referimos e, por outro lado endeusam as grandes empresas que fogem ao fisco, ao mostrar a ligação entre políticos e empresários corruptos, como aquele apanhado na operação "lava jato"....

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O RESPIGO DA SEMANA - "Luaty e a vergonha Angola-Portugal" por Alexandra Lucas Coelho


Luaty e a vergonha Angola-Portugal

Por Alexandra Lucas Coelho, in Público, 18 de Outubro de 2015

“1. Não sei como José Eduardo dos Santos dorme à noite. Não sei como Isabel dos Santos dorme à noite. Não sei como milhares de homens e mulheres de negócios dormem à noite. Não sei como o Governo português dorme à noite. E o PCP podia arranjar melhor companhia do que o governo português nesta matéria, a greve de fome de Luaty Beirão. Milhares de comunistas portugueses presos, torturados e mortos em nome da liberdade merecem muito mais.

“2. Não há número que diga tanto sobre um país como a taxa de mortalidade infantil. Angola tem a pior taxa de mortalidade infantil do mundo: 167 crianças em 1000, o que quer dizer que uma em cada seis crianças angolanas morre antes dos cinco anos (Unicef). Quando a taxa de mortalidade infantil de um país é alta, isso é uma urgência. Mas quando ela é a mais alta do mundo num país dominado por uma oligarquia milionária isso é uma espécie de crime por negligência na forma continuada. E não faltam dados contundentes sobre o statu quo em que essa espécie de crime acontece, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (calculado a partir da esperança de vida, taxas de escolaridade e rendimento nacional bruto). No último relatório, que abrange 187 países, Angola está em 149.º lugar. Ou seja: em Angola, segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, oficialmente uma democracia presidencialista com a qual Portugal tem estreitíssimos laços económicos, vive-se pior do que em quase todo o planeta, incluindo países em guerra, ditaduras, catástrofes. E a estes três números (mortalidade infantil, desenvolvimento humano, produção de petróleo) podemos acrescentar mais dois para completar a mão: o Presidente e líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, está há 36 anos no poder; e a sua filha Isabel dos Santos é a mulher mais rica de África, com 3,2 mil milhões de dólares.

“3. Foi neste país que, a 20 de Junho passado, a polícia do regime deteve sem mandato 15 jovens que estavam numa casa de Luanda a discutir a situação política. Tinham dois livros com eles, Da Ditadura à Democracia, de Gene Shar, e Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura — Filosofia política da libertação para Angola, do jornalista angolano Domingos da Cruz. Os 15, incluindo Domingos, foram acusados de preparar um golpe de Estado. Ao fim de quase quatro meses, continuam presos, sem culpa formada e sem julgamento. Vários fizeram greves de fome, um deles, Luaty Beirão, não desistiu. No dia em que escrevo, quinta-feira, 15 de Outubro, Luaty está sem comer há 25 dias. Terá perdido cerca de 20 quilos, não consegue beber água, foi posto a soro no hospital-prisão, tudo isto enquanto a polícia do regime reprimia vigílias de solidariedade e protesto. Luaty é um activista com experiência, foi preso logo a 7 de Março de 2011, dia-símbolo para o levantamento dos jovens angolanos inspirados pela Primavera Árabe. Entre 2011 e 2015, viu o regime desdobrar-se em raptos, espancamentos, tentativas de suborno, ameaças a familiares, perseguições políticas, tudo para tentar combater activistas. A posição de Luaty é clara: manter-se em greve enquanto os 15 estiverem presos, contra a lei, mesmo a lei de Angola. Visto que Angola, descontando censura, prisões arbitrárias, raptos, espancamentos, suborno, ameaças, perseguições e repressão, é oficialmente uma democracia. Os observadores internacionais nem têm achado prioritário observar as eleições angolanas. Como Luaty diz, na entrevista que o PÚBLICO transcreveu e disponibilizou em vídeo, primaram pela ausência.

“4. Foi bom ter visto, esta quarta-feira, em Lisboa, centenas de pessoas que fizeram o contrário, estiveram lá, na vigília convocada pela Amnistia Internacional, com a cara de Luaty, e dos outros 14 (Osvaldo Caholo, Afonso Matias, Albano Bingobingo, Nelson Dibango, Sedrick de Carvalho, Domingos da Cruz, Inocêncio António de Brito, Arante Kivuvu, José Gomes Hata, Manuel Baptista Chivonde Nito Alves, Fernando Tomás, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias e Chiconda ‘Samussuku’). Bom ter visto lá angolanos como Rafael Marques de Morais, José Eduardo Agualusa, ou Kalaf, a cabo-verdiana Mayra Andrade, e tantas dezenas tão jovens ou muito mais do que aqueles que estão presos. Era uma pequena multidão com música, palavras e imagens. Mas não sei onde estavam, nem o que pensam, angolanos que estiveram tanto tempo presos pelo que pensaram e escreveram, como Luandino Vieira. Gostava de saber.

“5. Enquanto Luaty, cidadão angolano e português, pode morrer a qualquer momento nestas circunstâncias, o Governo português tem, naturalmente, questões a debater, equacionar e mesmo ponderar, na sua relação com o Estado democrático de Angola, e portanto, até à hora de fecho desta crónica, que se saiba, fez exactamente zero. “Considera o Governo de Portugal a possibilidade de apresentar uma queixa junto do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e de todas as demais instâncias internacionais competentes devido à violação de direitos humanos essenciais por parte do Estado angolano neste caso concreto afectando um cidadão português?”, foi a pergunta de Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda. Através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, a resposta do Governo português, até à hora de fecho desta crónica, era: “Nós estamos a acompanhar a situação do ponto de vista humanitário, visto tratar-se de uma matéria interna de Angola no que diz respeito ao problema da averiguação se existe ou não existe uma infracção de carácter penal, e nisso não nos imiscuímos.”

“6. A declaração de Machete foi feita segunda-feira. Terça, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa este voto: “1. Exprimir solidariedade a Luaty Beirão, sua família e amigos; 2. Exprimir solidariedade para com todas pessoas detidas no dia 20 de junho; 3. Recomendar a imediata libertação das pessoas detidas no dia 20 de junho; 4. Remeter este voto aos órgãos de soberania e aos grupos parlamentares representados na Assembleia da República; 5. Remeter este voto à Embaixada de Angola em Portugal.” Pois, o PCP votou contra. E não só votou contra, como resolveu contrapor um voto que diz assim: “Apelar às autoridades angolanas, no quadro do respeito da sua soberania e ordem jurídico-constitucional, a consideração da situação humanitária de Luaty Beirão.” Ricardo Robles, do Bloco, argumentou: “Não é uma situação de cariz humanitário. É uma questão política. Ele é um preso político e está em risco de vida. Um preso político é um preso político. Em Angola, na China, em Cuba, nos Estados Unidos, na Turquia ou na Palestina. É um preso político e devemos respeitá-lo, porque houve tantos presos políticos no Partido Comunista Português e tanto respeito que eles merecem.” Mas o efeito, no PCP, foi exactamente zero, em consonância com a posição do Governo PSD-CDS. Para um partido que tanto preza a coerência, que desonra à sua própria história, a milhares e milhares de comunistas que deram tudo pela liberdade.


“7. Uma das coisas que Luaty diz no vídeo que o PÚBLICO pôs online esta semana é que um filho não é responsável pelo pai. Ele, Luaty Beirão, é filho de João Beirão (entretanto falecido), um próximo de José Eduardo dos Santos a ponto de ter dirigido a poderosa Fundação Eduardo dos Santos. Luaty tomou outro caminho; depois de estudar em França e Inglaterra, onde se tornou politicamente activo em manifestações e ocupações, fez uma viagem a pé de Lisboa a Luanda, com dois quilos de frutos secos e cem euros no bolso; conheceu parte de África, lentamente e sem rede; e de volta a casa manteve uma intervenção constante como rapper e activista. O extremo oposto do que aconteceu com a verdadeira filha do regime que é Isabel dos Santos, dez anos mais velha. Não só Isabel parece dormir bem com todos aqueles números sobre Angola, como a sua fortuna tem crescido inversamente às estatísticas dos miseráveis. E, como a Forbes detalhou numa investigação conjunta de Kerry A. Dolan, uma veterana da revista americana, e o incansável jornalista e activista angolano Rafael Marques de Morais, a presidência do pai favoreceu o império da filha. Isabel tem fama de trabalhar sete dias por semana para não deixar em mãos alheias o património conquistado, é um talentoso caso de estudo, alguém disse mesmo que Harvard devia estudar o talento dela. Também está bem posicionada em Portugal: Galp, BPI, NOS, BIC. Cada um faz da sua vida o que faz. O melhor que posso esperar é que esta noite Isabel dos Santos não durma assim tão bem e José Eduardo dos Santos menos ainda, e quando esta crónica sair Luaty esteja em liberdade, com todos”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Quando o actual momento político traz ao de cima o que há de pior no comentário jornalístico

Costuma-se dizer que “é na curva das estradas que que vê quem é bom condutor”.

O actual momento político tem trazido ao de cima o que há de pior (e, menos, de melhor) na política nacional e, principalmente, no comentário jornalístico.

A histeria da direita e dos seus comentadores de serviço (os pequenos “gobelzinhos”, como aqui lhes costumamos chamar) tem ultrapassado as raias do bom senso e do bom gosto e tem trazido ao de cima muita da retórica anticomunista que pensávamos morta e enterrada.

À histeria dessa gente junta-se o uso e o abuso das meias-verdades, da má fé, da simples intolerância, da pura mentira, da “mera” distorção da realidade, dos velhos ódios de estimação pessoais e, quase sempre, da pura ignorância .

aqui assumi muitas críticas ao PCP , mas isso não me tem impedido de dar o meu voto ou o meu apoio conjuntural a esse partido, em parte porque, objectivamente, nalguns momentos da nossa história política, foi o único partido que defendeu, com firmeza e coerentemente,  aqueles que vivem do seu trabalho e os mais fracos da sociedade portuguesa , batendo-se com firmeza pela justiça social neste país, combatendo e denunciando o aumento da pobreza e da das desigualdades provocadas pelo “austeritarismo” imposto pelas instituições antidemocráticas da União Europeia.

No fundo tem sido dos pouco partidos, na companhia do Bloco de Esquerda ou do Livre, a manter viva a verdadeira chama da social-democracia.

Sim, da social-democracia...

A social-democracia, convém recordar, defende a justiça social, combate as desigualdades, defende quem trabalha contra os interesse do corrupto sistema financeiro, tudo lutas que, parecendo ultrapassadas nos finais do século XX, voltam a ser necessárias neste miserável início do século XXI.

Hoje, esses princípios, em vez de serem defendidos pelos partidos que se dizem herdeiros dessa social-democracia, que foi responsável pelos anos de prosperidade, paz e desenvolvimento que a Europa conheceu na segunda metade do século XX, e pela construção dos alicerces do estado social que hoje está a ser desmantelado pelas antidemocráticas instituições europeias, são renegados por esses partidos, renegando toda a sua história e participando convicta e alegremente na destruição dessa Europa, entregando o seu destino aos corruptos interesses financeiros.

Além disso, ao contrário da história da maior parte dos partidos comunistas da Europa, que sujaram as mãos na construção de violentas ditaduras no leste, renegando igualmente as suas raízes e os seus objectivos, dando origem a corruptos sistema políticos, de que são exemplo, nos nossos dias, Angola ou a China, para não falar na tenebrosa caricatura da Coreia do Norte, o Partido Comunista Português cresceu na luta contra uma ditadura e na consolidação de uma democracia, revelando-se um força política credível a nível autárquico.

Claro que, como em todo os lados, existem erros, injustiças, retóricas ridículas (a célebre “cassete”), gente execrável, e, pessoalmente, podia nomear muitas divergências em relação ao programa político desse partido.

Mas a forma primária como alguns comentadores têm vindo a encher páginas de jornais, com destaque para os “talibãs” do neoliberalismo do Observador, ou o espaço televisivo, com retóricas de puro fanatismo anticomunista primário, já começa a cansar e não augura nada de bom nem positivo para o futuro do combate ao “austeritarismo”, para além de trazer ao de cima a verdadeira natureza da maior parte da nossa comunicação social e da nível onde navega a nossa “liberdade de imprensa”…

O irrascível e pré-histórico José Milhazes foi um dos que foi mais longe no primarismo da retórica anticomunista no jornal online Observador.

O jornalista Paulo Pena submeteu essa retórica à “Prova dos Factos” e o resultado é, para além de uma grande lição de jornalismo e de interpretação de texto, o interessante “estudo”, ontem editado pelo Público, e que reproduzimos em baixo:

“PROVA DOS FACTOS

Por PAULO PENA, in  “Público” de  12/10/2015

“O PCP nunca se demarcou do estalinismo e do leninismo?

“O jornalista José Milhazes afirmou que o PCP continua a ver Estaline e Lenine como “timoneiros do povo”. Terá razão?

“A FRASE

“O Partido Comunista Português, ao que eu saiba, nunca se demarcou dos hediondos crimes cometidos por Lenine e Estaline, continua a ver nestes dois carrascos “timoneiros do povo”, sempre foi fiel e servo do Partido Comunista da União Soviética até ao fim deste.”

“O CONTEXTO

“Esta frase foi publicada num artigo de opinião do jornalista José Milhazes no jornal online Observador. O título: “Não quero participar a segunda vez no mesmo filme” sobre a possibilidade de um acordo entre PS, PCP e BE para viabilizar um possível Governo em Portugal. Como se trata de uma opinião, procuramos analisar a veracidade de um dos pontos da argumentação, tendo em conta uma latitude de interpretações que não se esgota num mero “sim” ou “não”. Uma demarcação política, como aquela que Milhazes sugere faltar ao PCP, é sempre relativa. Depende de quem avalia a demarcação. Para uns, uma demarcação será sempre insuficiente, para outros, uma mera distanciação já será uma demarcação bastante. Tentemos olhar para esta questão com distância: Haverá sempre quem considere que alguém não se demarcou suficientemente de um facto embaraçoso. A nossa vida política tem disto inúmeros exemplos.

“Mas para responder à pergunta desta Prova dos Factos existem várias fontes disponíveis. O PÚBLICO contactou para isso vários historiadores portugueses, especialistas em História do PCP. Estas são as principais conclusões. A primeira crítica do PCP a Estaline surgiu no V Congresso do partido, na clandestinidade, em 1957, na sequência da “desestalinização” promovida por Nikita Krushov. O PCP, na altura, vivia um “desvio de direita”, que Cunhal viria a “corrigir”, depois da sua fuga de Peniche, em 1961. Mas isso são outras histórias… É o próprio Cunhal que, no seu livro Partido com Paredes de Vidro retoma a crítica: “O V Congresso, realizado em 1957, estimulado também pelo desvendar do culto da personalidade de Stáline e de todas as suas negativas consequências, instituiu normas de democracia interna e inseriu-as nos Estatutos do Partido então aprovados." (p.88). Pode-se alegar que a crítica a Estaline é mitigada. Cunhal, mais uma vez, em 1990, já depois da queda do Muro de Berlim, deu uma entrevista mais clara. Os entrevistadores, do Independente, eram Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas. Sobre Estaline, Cunhal disse o seguinte: “Eu não vou aqui propor ou sugerir a leitura, mas eu escrevi muitas páginas sobre a caracterização do estalinismo. O estalinismo é isto, e isto, e isto. E uma coisa que não queremos e que repudiamos. O estalinismo como ideologia, como acção política, como organização do Estado, como organização do partido, como intervenção antidemocrática interna ou externa do partido. Naturalmente que rejeitamos. Aliás, há um país muito acusado de métodos estalinistas, a Roménia. Já nós, os comunistas portugueses, tínhamos grande dificuldade de contactos com o Partido Comunista Romeno.”

“Outra questão, completamente diferente, é a da relação do PCP com Lenine. Neste caso, o partido não só se continua a afirmar como “marxista-leninista”, como não concordará com a expressão “hediondos crimes” usada pelo jornalista. Porém, no mesmo livro de Álvaro Cunhal, existe uma crítica à “infalibilidade” das referências comunistas: “Mas ser leninista não consiste em endeusar Lénine, em utilizar cada frase de Lénine como verdade universal, eterna e intocável, em substituir a análise pela citação, em responder aos acontecimentos através de afirmações de Lénine, mesmo quando se trata de novos fenómenos que Lénine não conheceu no seu tempo, em abafar, com a transcrição de textos e com a presença dominadora do nome e da efígie e da autoridade desse nome e dessa efígie, a investigação, a análise e o espírito criativo no estudo e interpretação dos novos fenómenos .” (pág.140).

“OS FACTOS

“Para o PCP, a “demarcação” bastante faz-se quando o partido afirma que “tem a sua própria concepção de socialismo e o seu próprio projecto para a edificação em Portugal de uma sociedade socialista”. O que significa que não vê em Lenine ou Estaline, ou Castro, ou qualquer outro modelo de sociedade socialista, um exemplo a seguir. Pelo contrário, o PCP afirma ter objectivos que se “diferenciam e distanciam” dessas práticas. No seu programa “Uma Democracia Avançada no Limiar do Século XXI”, o partido demarca-se da experiência da URSS e do antigo “bloco de Leste”. “Nesses países (…) acabou por instaurar-se (…) um "modelo" que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas.” Exemplos disso? “Um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia (…) a acentuação do carácter autoritário do Estado (…) uma economia excessivamente estatizada (…) um centralismo burocrático baseado na imposição (…) confusão das funções do Estado e do partido (…); “um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza.”

“EM RESUMO


“Cada um fará a sua interpretação, à luz das suas próprias convicções, se a demarcação face a Estaline é proporcional à gravidade dos crimes conhecidos do ex-líder soviético. Mas neste caso, parece indiscutível que houve um repúdio público do PCP e do seu histórico líder Álvaro Cunhal sobre aquele período histórico. Uma situação diferente é a de Lenine. Aí, o PCP continua a defender o seu legado teórico, embora procure distanciar-se de qualquer “culto da personalidade”. Ou seja, a expressão “timoneiros do povo” não é aplicada a nenhum dos dois por nenhum documento do PCP. Quanto ao “seguidismo” em relação à União Soviética, essa ainda é uma matéria controversa na historiografia”.

domingo, 19 de julho de 2015

Finalmente uma boa notícia do Parlamento Português : Sem-abrigo tomam a palavra na Assembleia da República

Temos vindo a assistir nos últimos tempos, quer na Europa quer em Portugal a acontecimento que em nada contribuem para dignificar as classes políticas europeias e desgastam e descredibilizam a democracia.

O Parlamento português tem sido palco ao longo destes últimos anos de demasiados episódios que só têm contribuído para desacreditar essa instituição, muito por culpa da má qualidade e oportunismo da maioria dos seus deputados, designadamente os dos "centrão" e pelos muitos casos de corrupção ética que têm vindo a lume.

Por isso é de realçar uma notícia que contribui para dignificar esse mesmo parlamento e que nos faz ter ainda alguma esperança no funcionamento dessa instituição que, sendo a casa da democracia, devia dar mais bons exemplos como o que é referido na reportagem de Maria João Lopes ontem editada no jornal Público, e que pode ser lido clicando no seu título em baixo.

Há contudo uma situação a manchar a boa notícia, o facto de a maioria dos partidos políticos com assento no parlamento não se terem feito representar, apesar de terem sido convidados.

A iniciativa foi realizada pelos grupo parlamentar do Bloco de Esquerda e contou com a presença de uma deputada eleita pela CDU, a líder da bancada dos Verdes Catarina Martins.

sábado, 11 de julho de 2015

A crónica de Paulo Granjo : "Demita-se, senhor Dijsselboem!"


Demita-se, senhor Dijsselbloem!

por PAULO GRANJO in Público de 11/07/2015 .

“Hoje, está claro por toda a Europa que o senhor não é nem pode ser parte da solução. O senhor é, sim, uma parte muito significativa do problema.

“Sr. Dijsselbloem: Escrevo-lhe na minha condição de cidadão europeu, ciente de que partilho com muitos outros milhões de concidadãos as preocupações e o apelo que lhe transmito.

“O senhor sabe (melhor do que nós, simples cidadãos informados) que o primeiro resgate à Grécia foi fundamentalmente aplicado na salvaguarda da exposição dos bancos alemães e franceses à dívida pública do país, no resgate aos bancos gregos e na manutenção das encomendas de submarinos alemães e de caças franceses. E sabe que essa utilização dos fundos foi condição para que o empréstimo se realizasse.

“O senhor sabe que, dos subsequentes resgates, quase nada foi gasto em despesas correntes e na economia grega, mas antes no pagamento dos elevados juros e do reembolso dos anteriores empréstimos a curto prazo.

“O senhor sabe que, nesse processo, os “contribuintes do norte da Europa” não pagaram um cêntimo “para as pensões e boa vida dos gregos”. Porque não foi esse o uso do dinheiro e porque, pelo contrário, os seus governos e as instituições internacionais lucraram biliões de Euros em juros.

“O senhor sabe que as condições políticas, económicas e sociais associadas a esses empréstimos (estranhamente consideradas legítimas e “normais”, no exclusivo caso em que o devedor não seja um indivíduo ou uma empresa, mas um país em situação vulnerável) destruíram a economia grega e mergulharam o país numa situação de calamidade social.

“O senhor sabe (ou tem obrigação de saber, tendo em conta a responsabilidade do cargo que ocupa) que a espiral de endividamento e recessão criada pelas exigências das instituições europeias e do FMI tornou, para além desses custos, a dívida grega impossível de pagar, exigindo a sua restruturação, até para o interesse dos próprios credores.

“O senhor sabe também (bem melhor que qualquer um de nós, cidadãos que pagamos o preço da sua atuação e decisões) que as tentativas de construir uma solução que quebrasse esse círculo vicioso e não passasse por “mais do mesmo” foram sistematicamente inviabilizadas, não por razões económicas ou financeiras, mas pelo afã de manter as relações de poder que conduziram à situação presente e de inviabilizar, num país membro da EU, um governo que não esteja disposto a aceitá-las.

“Estou também certo de que o senhor sabe, independentemente do que diga, que a linha de atuação que o Eurogrupo manteve ao longo dos últimos meses é, hoje, insustentável.

“É insustentável, porque a ausência de um diálogo sério e de uma restruturação adequada da dívida grega, que empurrasse a Grécia para fora do Euro, acarretaria a países como a Alemanha enormes prejuízos e, aos restantes países enfraquecidos por políticas de “austeridade”, ataques especulativos à sua dívida pública.

“É insustentável, porque uma saída da Grécia da zona Euro (fosse ou não eventualmente benéfica para os próprios) induziria também, com enorme probabilidade, uma forte turbulência cambial e o reacender da recessão por toda a Europa.

“É insustentável, porque as duas maiores economias mundiais não podem correr o risco quês tais efeitos teriam sobre os mercados financeiros, o comércio mundial e as suas próprias economias domésticas – tendo já deixado clara a sua exigência de uma solução que mantenha a Grécia no Euro e tendo-se abstido de envolvimentos mais directos apenas por respeito para com as instituições europeias.

“É insustentável porque, para além disso, os equilíbrios estratégicos e a situação mundial não permitem, aos Estados Unidos e à NATO, deixar que imposições de poder no Eurogrupo e da União Europeia empurrem um membro mediterrânico e à beira do médio-oriente para o colo da Rússia, por ausência de alternativas.

“A anterior atuação do Eurogrupo é hoje insustentável porque, sobretudo (e peço desculpa por lhe lembrarum tão traumático acontecimento), o governo grego convocou e venceu de forma estrondosa, este domingo, um referendo infelizmente raro na construção europeia. Dele, saiu em muito reforçado o seu mandato democrático (infinitamente mais do que os dos seus parceiros no Eurogrupo) para negociar uma solução que inclua a restruturação sustentável da dívida, exclua mais “austeridade” sobre os mais fracos e, em grande medida, salve a Europa.

“O senhor sabe que essa vitória foi obtida sob pressões e ameaças internacionais e das instituições europeias sem precedentes. Aliás, a par da ação do BCE (que, com ela, traiu e ameaçou a sua missão de salvaguardar a estabilidade financeira e bancária na zona Euro), o senhor foi, nestes dias, o mais notório apóstolo do Apocalipse. Não só nas várias ameaças que fez acerca da saída do Euro, mas sobretudo na sua irrevogável declaração de que uma vitória do “Não” significaria a impossibilidade de quaisquer negociações, a partir de agora.

“Ora o “Não” ganhou de forma eloquente. E é evidente a inevitabilidade, agora, de acelerar negociações e de chegar a uma solução que acolha as questões fortes saídas do referendo grego - para além de da mera racionalidade e bom-senso.

“Hoje de manhã, o governo grego deu um passo surpreendente de abertura ao diálogo, maturidade política e despojamento. Para que tensões pessoais e guerras retóricas passadas não se transformassem em escolhos artificiais, durante as negociações que necessariamente se avizinham, o ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, demitiu-se do seu cargo.

“E você, senhor Dijsselbloem?

“O senhor sabe que a senhora Merkel se resguardou no silêncio, durante a última semana, tal como sabe que o seu peso político e responsabilidades de liderança de facto a salvaguardam, no caso de um evidentemente necessário volte-face na sua posição.

“O senhor sabe que o senhor Shauble se pode modestamente resguardar na sua mera posição de ministro das finanças, que segue a sua liderança em defesa dos interesses alemães e europeus.

“O senhor sabe que, apesar de excessos verbais semelhantes ou piores que os seus, ao longo da última semana, o senhor Junker se pode resguardar nas tentativas de aproximação e diálogo que antes fez e na sua aparente inimputabilidade.

“Mas você, senhor Dijsselbloem, queimou as pontes ao declará-las queimadas e não tem para onde recuar. E é, hoje, impensável que a busca e construção de um inevitável acordo sejam feitas sob a sua liderança, mesmo que apenas nominal.

“Independentemente da forma como o senhor avalie a sua atuação ao longo dos últimos meses, hoje, está claro por toda a Europa que o senhor não é nem pode ser parte da solução. O senhor é, sim, uma parte muito significativa do problema.

“Por isso apelo (já que não existem mecanismos democráticos que me permitam exigi-lo) a que faça a única coisa digna e racional.

“Demita-se, senhor Dijsselbloem!”


Cidadão português e europeu, antropólogo

segunda-feira, 4 de maio de 2015

UMA VERGONHA : Primeiro-ministro elogia publicamente Dias Loureiro

Quando, no passado 1º de Maio, ouvi a afirmação de Passos Coelho, numa deslocação a Aguiar da Beira para inaugurar uma fábrica de queijos, elogiando o "exemplo" de empreendedorismo de Dias Loureiro (ver video em baixo), pensei que tinham trocado o 1º de Maio pelo 1ª de Abril (Dia da Mentira) ou que estava a ver um montagem de um qualquer sketch humorístico.

Afinal era verdade, Passos Coelho teve mesmo o desplante de elogiar Dias Loureiro, que assistia ao discurso do primeiro-ministro (eu até pensava que Dias Loureiro estava preso ou em fuga fora do país!!!), dando-o como  exemplo do "empresário bem sucedido": "Conheceu mundo, é um empresário bem sucedido, viu muita coisa por este mundo fora e sabe (...) que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos [como Dias Loureiro!!!!])".

Ficamos assim a saber que o percurso de Dias Loureiro que, recorde-se foi obrigado a demitir-se de conselheiro de Estado pela sua responsabilidade no caso BPN e por ter mentido ao Parlamento, é o grande exemplo do tal empreendedorismo e do tal sucesso que Passos Coelho tanto defende e apregoa.

Mas, mais espantado fiquei com a forma como esse elogio passou práticamente despercebido entre os comentadores do costume, sempre tão prontos a elogiar as medidas austeritárias do actual governo, em nome da "moralidade" e dos "bons costumes" .

De destacar a excepção do jornalista do Público, Manuel de Carvalho, que, na sua crónica dominical "Memória Futura", desmontou  os rasgados elogios  do primeiro.ministro a Dias Loureiro  ("Passos no país de Dias Loureiro") .

Também se esperava que o próprio primeiro-ministro, se tivesse um pingo de decência ou vergonha, viesse desculpar-se por tão desastrado elogio.

A intervenção de Passos Coelho teve pelo menos o mérito de ficarmos a conhecer o modelo de vida que defende para os portugueses e para Portugal.

Esperemos que, em Outubro, os portugueses lhe respondam à letra.

quinta-feira, 5 de março de 2015

25º aniversário do Jornal Público comemorado com edição gratuita: .

13 mil e 800 milhões de anos depois do principio de tudo e 25 anos depois da sua primeira edição, o jornal Público comemora o seu aniversário como uma edição especial e distribuida gratuitamente, tendo como tema central o Tempo.

Esta interessante edição é dirigida pelo físico João Magueijo e é "apenas" a primeira de um conjunto de iniciativas que o jornal vai realizar para comemorar um quarto de século de vida e que podem ser consultadas AQUI.

O Público é o mais inovador e independente projecto jornalístico português das últimas décadas e tem-nos acompanhado desde a sua primeira edição.

Daqui endereçamos os desejos de uma longa vida para o jornal que nos faz acredita que ainda é possível fazer jornalismo de qualidade e independente.

sábado, 25 de outubro de 2014

Máfia à portuguesa (não mata mas mói..) : Crónica do fim do império: Ascensão e queda dos Espírito Santo (1ª parte)

O jornal Público iniciou a semana passada um trabalho de investigação sobre a história da "ascensão e queda" do Império da Família Espírito Santo, desde os finais da década de 90 até à actualidade.

Percebe-se que a construção desse Império tem contornos verdadeiramente mafiosos, ao estilo do "Padrinho", com a diferença de não ter sido necessário matar para lá se chegar.

Bastou comprar políticos, jornalistas, economistas e advogados.

Ficamos a saber o que fazem, no mesmo "saco de lacraus" da "família" nomes como Artur Santos Silva, João Rocha, Sousa Sintra, Luís Filipe Vieira, José Manuel Durão Barroso, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Pires de Lima e a gente do "Compromisso Portugal", os irmãos Horta e Costa, Paulo Portas, Manuel Pinho, Miguel Frasquilho, Nobre Guedes, Temo Correia, Mexia, José Sócrates, Zeinal Bava, Miguel Relvas, Passos Coelho, Duarte Lima, José Eduardo dos Santos, ou orgãos de imprensa como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, Jornal de Negócios e Expresso, ou clubes de futebol como o Benfica, o Sporting e o Porto, entre tantos outros ...

Todos eles, num determinado momento, ou sempre, de forma mais ou menos evidente, "dormiram na cama" ou "comeram à mesa" do "padrinho" Salgado, fazendo favores à "família"...

O caso anedótico é o de Manuel Pinho, o ministro de Sócrates, aquele do dedo em riste, que, depois de não ser necessário ao "padrinho", foi colocado numa "prateleira dourada" recebendo um ordenado de 35 mil euros mensais para não fazer nada...

Isso, e muito mais pode ser lido nessa reportagem, cuja primeira parte pode ser consultada em baixo.

Para amanhã o jornal Público promete a segunda parte, a referente aos acontecimento do ano corrente.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Depois do "Polvo" PS, é a vez do "Polvo PSD":


Depois de a revista Visão ter divulgado  "A face oculta do PSD" , uma reportagem que tem como figura central Luis Filipe Menezes,  o Público de hoje, revela mais pormenores sobre essa situação.

Também ontem a revista Sábado revelou mais pormenores sobre outro escândalo, que já vem de longa data, que envolve Passos Coelho, o caso Tecnaforma , situação que é também hoje anunciada no jornal Público, que já se tinha referido ao caso há alguns meses atrás:


Depois dos casos que envolveram elementos do PS, como o processo Face Oculta ou o caso Maria de Lurdes Rodrigues, é a vez de vir agora ao de cima o "polvo do PSD".

É caso para dizer que o centrão está cada vez mais doente...só esperamo que estes casos sejam rápidamente esclarecidos para que, por tabela, não seja  a democracia a ser arrastada para a lama da corrupção política..


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma grande reportagem do jornal Público:A história nunca contada dos portugueses nos campos de concentração



São cada vez mais raras as grandes reportagens no jornalismo português e por isso é de realçar o excelente trabalho de Patrícia Carvalho, jornalista do Público sobre um tema que era até agora quase ignorado, mesmo pela historiografia portuguesa, a história dos portugueses que estiveram em campos de concentração durante a segunda guerra.
Ao longo de dois fins de semana o jornal Público editou duas excelentes reportagens,completadas pela publicação de outros materiais disponibilizados na edição on-line desse diário.

A primeira dessas reportagens,intitulada "A história nunca contada dos portugueses nos campos de concentração - PÚBLICO", pode ser lida clicando sobre o título. 

Nesta foi recolhido o depoimento da historiadora torriense, a viver e a trabalhar em Paris, Cristina Climaco,
" com estudos publicados sobre o internamento de opositores de Salazar nos campos do sudoeste de França, no tempo de guerra e que realça a importância deste trabalho jornalistico: “Não há nada trabalhado sobre portugueses nos campos de concentração ou envolvidos com a Resistência. Há muitas coisas que
se dizem, mas não há nada trabalhado”.

A segunda parte desse trabalho pode ser lida AQUI.

São ainda de realçar os seguintes trabalhos on-line, que completam aquele trabalho.

  Luiz Ferreira, um português que  esteve preso no campo de concentração de Buchenwald.