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quarta-feira, 28 de março de 2018

Como desviar as atenções da consequência do Brexit

Em situações mal esclarecidas e pouco claras, como a tentativa de assassinato de um antigo espião russo em solo britânico, a pergunta que faço, em primeiro lugar, é: a quem interessa essa acto?

Até agora não existem provas credíveis sobre a origem desse crime ignóbil, embora a resposta mais óbvia e mais fácil seja acusar Putin por estar detrás desse atentado às relações internacionais.

Quando, sem provas credíveis, se lança de imediato uma acusação, não baseada em provas credíveis e concretas, recorrendo à velha técnica segundo a qual “uma mentira várias vezes repetida se torna verdade”, com acusações ao “suspeito do costume”, devemos manter todas as nossas reservas sobre qualquer conclusão apressada.

É sempre bom recorrer aos exemplos da História, como o caso do incêndio do Reichtag ou, bem mais recente, o caso das célebres armas de “destruição maciça” de Saddam.

Em ambos o caso a técnica foi a mesma:

- encontrar um acusado “credível”, os “comunistas” no caso alemão [até puseram no lugar um louco de passado comunista], um ditador sanguinário, no caso do Iraque;

- apresentar “provas” “credíveis”, que consigam enganar toda a gente, explorando receios e preconceitos ideológicos, repetindo a “mentira” da “prova” até esta se tornar verdade;

- diabolizar os que duvidam dessas “provas”, acuasando-os de serem mal informados ou aliados de ideologias assassinas e de ditadores, impedindo assim, pela “superioridade moral”, qualquer tentativa de análise contrafactual.

Em situações como a do caso britânico, a pergunta não deve ser se Putin era capaz de o fazer, mas em que é que esse acto o beneficiava, a não ser que se considera Putin um idiota.

A resposta a esta última questão é a de que Putin era capaz de o fazer, mas em nada podia beneficiar com esse acto, porque, pode-se não gostar de Putin e de tudo o que ele representa, e nós já aqui escrevemos várias vezes que não gostamos, mas ele não é um idiota.

O crime ocorreu em plena campanha eleitoral russa, e a sua divulgação só podia prejudicar a sua eleição.

Por outro lado, numa situação de crescente isolamento da Rússia, devido ao caso Ucraniano e à sua intervenção na Síria, não lhe interessava agravar essa situação.

Por último, se Putin estivesse interessado em mostrar a sua força face ao “ocidente” tinha outras formas mais sofisticadas e credíveis de o fazer.

Até agora não existe uma prova credível do envolvimento russo nesse condenável acontecimento e tudo o que tem acontecido é atirar areia aos olhos da opinião pública.

Então quem ganha com esta situação?

Sem duvida o poder politico britânico, que assim pode desviar as atenções do descalabro a que está a conduzir o país, numa altura em que decorrem as negociações do Brexit.

Claro que isto não quer dizer que tenham sido os serviços secretos britânicos. Mas existe um claro aproveitamento politico de certos sectores políticos britânicos para ganharem credibilidade internacional à custa deste lamentável caso.

Por detrás deste caso podem estar serviços secretos de países inimigos da Rússia,  máfias russas, "putinistas" descontrolados, adversários internos de Putin ou quem queira agravar a já de si pouco credivel diplomacia russa.

Tudo é possível, mas só um inquérito independente, que explore, sem preconceitos, todas as hipóteses, e sem explorar apenas a pista dos “suspeitos do costume” é que pode tornar credível uma explicação para a situação.

Até lá, todas as conclusões e todos os aproveitamentos políticos da situação só servem para destruir [convenientemente ?...} provas e agravar a já de si muito perigosa situação internacional.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Bagdad à beira de cair nas mãos de extremistas islâmicos, ainda piores que a Al Qaeda:


Enquanto a Europa anda distraida com as suas pequenas guerras de poder e em agradar aos "mercados", Bagdad está à beira de cair nas mãos de radicais islâmicos,ainda piores que a Al Qaeda ( ver a propósito :Más brutal que Al Qaeda | Internacional | EL PAÍS (clicar para ler)).

É bom não esquecer que foi a forma irresponsável como, no passado recente, Bush jr. e Tony Blair, com o apoio de Barroso, destruiriam os equilíbrios estratégicos no Iraque e do Médio Oriente que permitiu potenciar a influência e o poder desses grupos.

É bom não esquecer que a pressa da NATO em derrubar o ditador Kadafhy, sem pensar em alternativas, deu força ao radicalismo islâmico, que aí passaram a ter uma base permanente de apoio .

É bom também não esquecer que a forma como o ocidente lidou com a situação dramática que se vive na Síria, contribuiu para que esses grupos extremistas tivessem ganho influência no Médio Oriente e conseguido avançar militarmente no Iraque.

Não deixa de ser irónico que agora, para que o extremismo islâmico não se instale numa vasta zona do Iraque, que pode estender-se a todo o país, iniciando daí a destabilização total do Médio Oriente e do Mediterrâneo ( e a prazo da Europa) seja determinante a oposição que lhe é feita pelo...Irão (!!!) ...pela ....Síria(!!!) e ....pela Rússia (!!!!)....



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

No 30º aniversário do "23 F", uma data que traçou o percurso democrático comum das nações ibéricas


Passam hoje 30 anos sobre a falhada tentativa de Golpe Militar em Espanha, que passou à história como o 23 F.

Nessa altura, nos inícios de 1981, a democracia, tanto em Espanha como em Portugal, dava ainda os primeiros e ténues passos.

Caso esse golpe vingasse era, não só a democracia espanhola que ficaria comprometida, mas também a democracia em Portugal.

Nunca, como ao longo do século XX, o caminho das duas nações ibéricas esteve tão ligado.

Quando foi proclamada a República portuguesa em 1910 a Espanha acolheu, nos primeiros tempos, os monárquicos que usaram o país vizinho como base para as suas incursões contra-revolucionárias, entre 1911 e 1914. Já no período final da república foi instaurada em Espanha uma das primeiras ditaduras de tipo fascista, a ditadura militar de Primo de Rivera, que durou entre 1923 e 1930, com a conivência da monarquia espanhola. Esta ditadura, principalmente a sua primeira fase do “Directório Militar” (1923-1925) serviu de inspiração à Ditadura militar instaurada em Portugal em 1926. Contudo, com o fim da ditadura de Rivera e com a consequente queda da monarquia espanhola, foi proclamada a IIª República Espanhola, em 1931 e de novo as duas nações seguiam caminhos divergentes.

Em Portugal consolidava-se o novo regime da ditadura militar, liderado por Salazar a partir de 1932 e que dá origem ao Estado Novo a partir de 1933, um regime que, apesar das nuances, bebia as influências orgânicas e ideológicas no fascismo italiano fundado em 1922. Salazar tinha, aliás, uma admiração especial por Mussolini.

Por sua vez, em Espanha a República desenvolvia as suas instituições democráticas e acolhia os opositores de Salazar. Quando, em 1936, a Frente Popular, coligação de republicanos de esquerda, de socialistas, comunistas e anarquistas, chegou ao poder, a situação no país vizinho torna-se uma questão de vida ou de morte para o Estado Novo português.

Quando se dá o pronunciamento militar de Julho de 1936, Salazar não hesita em colocar-se ao lado dos insurrectos que encontram no território português uma importante base de apoio.

A Guerra Civil de Espanha, que irá durar até Abril de 1939, une no mesmo campo de batalha Salazar, Mussolini e Hitler, naquele que foi considerado o ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, que teve inicio apenas 5 meses depois da vitória de Franco.

A partir daí os dois países partilhariam um destino político comum de mais de 35 anos e tornou-se evidente, depois do final da Guerra em 1945, que o destino dos dois ditadores estava ligado.

Salazar foi mais habilidoso, mantendo um papel ambíguo durante a guerra, facilitando a vida aos aliados quando, a partir de 1942, se tornou evidente que a derrota das forças do eixo seria uma questão de tempo e quando soube jogar em seu benefício o desencadear da guerra fria no pós-guerra, sendo premiado com a sua aceitação no sei da NATO.

Já Franco, que segundo alguns só não entrou na guerra ao lado de Hitler porque foi pressionado por Salazar nesse sentido, foi visto com maior desconfiança pelos aliados.

Quando se deu em Portugal o 25 de Abril, temeu-se a aplicação do Pacto Ibérico, assinado pelos dois ditadores, onde se previa o auxilio mútuo, em caso de perigo para os respectivos regimes. Contudo os tempos eram outros e o próprio Franco acabaria por falecer ano e meio depois da implantação da democracia em Portugal e apenas 5 dias antes do 25 de Novembro de 1975, que encerraria o conturbado período do PREC, que conheceu, entre outros episódios, um crescendo de tensão entre os dois regimes ibéricos quando a embaixada espanhola de Lisboa foi incendiada por manifestantes poucos meses antes do falecimento do “caudillo”.

Com a morte de Franco, a Espanha iniciou um período de transição democrática, aprendendo com os erros cometidos em Portugal e liderado pelo rei D. Juan Carlos, nomeado pelo ditador como seu sucessor.

A forma como o monarca agiu quando do Golpe de 23 de Fevereiro acabaria por ser decisivo, quer para a consolidação da democracia na Península Ibérica, quer para a própria consolidação e sobrevivência da monarquia espanhola.

O falhado golpe militar teve o condão de separar as águas em Espanha entre os que viam o regime democrático espanhol como um mero acto formal, de algum modo continuador do regime franquista, e os que tinham como convicção que, para se consolidar e sobreviver a democracia espanhola devia romper de vez com o passado franquista.

A vitória da democracia em Espanha nesse 23 de Fevereiro de 1981 acabou por contribuir para a aceitação plena das democracias ibéricas no seio das democracias ocidentais, acabando por aderir poucos anos depois, e em conjunto, à então Comunidade Económica Europeia.

Por tudo isso esse momento histórico da Espanha moderna foi também um momento decisivo para a jovem democracia portuguesa.

Podem consultar aqui a imprensa espanhola da época:

23-F: Las ediciones especiales de EL PAÍS (clicar para aceder aos documentos históricos)

O filme com o ataque dos golpistas ao parlamento espanhol e outras informações também podem ser lida AQUI, no dossier do El Mundo

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Há 80 anos - Primo de Rivera elabora uma Constituição para a sua ditadura

Notícia da instauração da ditadura por Primo de Rivera (Setembro de 1923)


Instaurada em Espanha a 13 de Setembro de 1923, a Constituição da Ditadura de Primo de Rivera foi elaborada pelo ditador espanhol em 6 de Julho de 1929, passam hoje 80 anos.
A propósito dessa efeméride divulgamos hoje um estudo, publicado por nós na revista História, em 1998, sobre as “Relações Luso-espanholas durante a Ditadura de Primo de Rivera”, que durou entre Setembro de 1923 e Janeiro de 1930.
É objectivo deste texto fazer um balanço do que se conhece àcerca das relações entre Portugal e Espanha durante o período em que durou essa ditadura .
Grande parte das obras que se têm escrito àcerca das relações entre Portugal e Espanha ao longo deste século, debruçam-se geralmente sobre o período que em Portugal corresponde ao regime do "Estado Novo" e principalmente à fase da guerra civil de Espanha.
Com raras excepções, as referências a essas relações no período em que vigorou a ditadura de Primo de Rivera (1923-1930), são analisadas ou de forma superficial, ou esbatendo-se no estudo mais geral dessas relações, ora centrando-se no período republicano, ora no período da ditadura militar portuguesa instaurada em 28 de Maio, dividindo quase sempre o relacionamento com a ditadura de Primo de Rivera em dois períodos descontínuos, "antes e depois" do 28 de Maio.Apenas no estudo de Hipólito de La Torre Goméz, citado na bibliografia anexa, o período referido é abordado em bloco.
Baseando-se exclusivamente em fontes secundárias, pretende-se aqui fazer um ponto da situação sobre as relações luso-espanhola no período referido, procurando relançar algumas questões em aberto para a sua compreensão e encontrar, numa época que correspondeu em Portugal ao final de um regime e ínicio de outro, o modo como a situação política interna portuguesa marcou ou não rupturas ou continuidades nesse relacionamento.


OS ANTECEDENTES - RELAÇÕES LUSO-ESPANHOLAS ENTRE O FINAL DA MONARQUIA PORTUGUESA E A INTAURAÇÃO DA DITADURA EM ESPANHA.

No início do século XX uma das principais preocupações da diplomacia portuguesa centrou-se na crescente aproximação entre a Espanha e a Inglaterra, revelada ao mais alto nível quando Afonso XIII e Eduardo VII se encontraram em Cartagena no ano de 1907.
Tal situação motivou a insistência do governo português junto do inglês para que este confirmasse os seus compromissos históricos com Portugal.
A Inglaterra confirmou a Portugal que o entendimento com Espanha visava apenas "manter o "statu quo" na região do Mediterrâneo ocidental - era Marrocos e a possível penetração alemã que estavam em causa- sem que se tivesse estabelecido entendimento algum entre a Espanha e a Grã-Bretanha que prejudicasse Portugal" (FERREIRA, Medeiros, ob.cit., p.24).
Contudo a preocupação portuguesa era fundamentada, pois hoje sabe-se que o almirantado britânico defendia que a aliança mais importante era com a Espanha : "As pretensões alemãs sobre Marrocos estavam então bem presentes e o Norte de África revelou-se bastrante mais importante para as potências europeias do que a África Negra" (FERREIRA, Medeiros, ob.cit., p.24).
Entre 1907 e 1913 a diplomacia espanhola desenvolveu uma série de iniciativas de aproximação aos países da "Entente", destacando-se o acordo hispano-francês de 1912 e, no ano seguinte, a visita triunfal de Afonso XIII a Paris.
Estabelecendo "as mesmas alianças extra-peninsulares " de Portugal, a Espanha contribuiu para a "desvalorização da posição estratégica e política de Lisboa", face a Paris e Londres.(FERREIRA, Medeiros, ob. cit., p.24).
A proclamação da República portuguesa em 1910 foi outro factor que contribuiu para a aproximação da Espanha e da Grã-Bretanha, tendo o monarca espanhol efectuado, entre 1910 e 1912 , "inúmeras viagens a Londres para discutir a possibilidade de uma intervenção espanhola em Portugal, com o pretexto da anarquia em Lisboa" (FERREIRA, Medeiros, ob.cit., p.27).
A partir daquela data o monarca espanhol vai passar a intervir, mesmo que de forma indirecta, na política interna portuguesa, apoiando e protegendo os monárquicos portugueses que, refugiados em território espanhol, prepararam as incursões monárquicas de Outubro de 1911 e Julho de 1912.
Contudo o fracasso das tentativas restauracionistas, as desavenças internas dos monárquicos portugueses e as próprias pressões inglesas junto do governo espanhol, terão contribuido para diminuir a hostilidade espanhola em relação à República portuguesa: "o reconhecimento da República por parte da Inglaterra, após as eleições para as constituintes republicanas, no verão de 1911, veio facilitar a melhoria nas relações entre Lisboa e Madrid, pois seria a partir do reconhecimento formal do regime britânico, a 11 de Setembro de 1911, que logo, e de imediato, "precipitaram" outros actos formais de reconhecimento por parte de uma série de potências europeias : Espanha, Alemanha, Áutria-Hungria, Itália" (OLIVEIRA, César, Cem Anos..., p.21).Londres temia principalmente a instabilidade política da península.
A acção do embaixador de Portugal em Madrid, José Relvas, terá sido igualmente determinante, tendo conseguido que o governo espanhol pusesse "termo às facilidades permitidas" aos "exilados monárquicos em Setembro de 1912, obrigando mesmo muitos a abandonar o território espanhol" (FERREIRA, ob.cit., p.28).
Tal melhoria no relacionamento entre os dois estados não obstou a que Afonso XIII espreitasse uma oportunidade para intervir em Portugal.
A entrada de Portugal na 1ª Guerra ao lado dos aliados permitiu uma aparente recuperação do peso de Portugal, face à Espanha, no relacionamento com a Grã-Bretanha.
Para tal situação não contribuiu apenas o intervencionismo português mas, talvez principalmente, o conjunto de condições impostas por Espanha para intervir na guerra ao lado dos aliados.Pedia este país, como compensação, Tânger, Gibraltar e "Mão livre em Portugal", de acordo com um documento datado de 1917 do Foreign Office inglês: "(...) as exigências de Afonso XIII, nomeadamente a de ter as mãos livres em relação a Portugal, terão levado o governo inglês a prescindir da colaboração espanhola durante a 1ª Guerra Mundial e a preferir a neutralidade de Madrid" (FERREIRA, Medeiros, ob. cit., p.33).
Contudo, a conferência de Paz, iniciada a 28 de Abril de 1919, depressa se revelou frustrante para Portugal.Começou logo quando o presidente dos Estados Unidos propôs a nomeação da Espanha como um dos quatro membros do Conselho Executivo da Sociedade das Nações, motivando os protestos do representante português a essa conferência, Afonso Costa.
Outra reivindicação portuguesa em relação à Espanha era a recuperação de Olivença, mas também esta pretensão nunca foi aceite."Portugal que fora beligerante não consegue readquirir Olivença à Espanha e não faz parte do Conselho Executivo da Sociedade das Nações!" (FERREIRA, Medeiros, ob.cit., p.38)
Mas não se ficou por aqui o "vexame" de Portugal.Os aliados revelaram igualmente preferência pela Espanha no domínio dos investimentos económicos, beneficiando a modernização do porto de Vigo com capitais norte-americanos, ameaçando os interesses portugueses neste domínio.
"O tratamento dado pelas grandes potências vencedoras (...) a Portugal e a Espanha foi favorável a este último país e pôs termo, quiçá de forma súbita e inesperada para os paladinos republicanos que advogaram as vantagens e benefícios da participação portuguesa na Guerra, às pretensões de hegemonia portuguesa na representação ibérica junto das potências vitoriosas"(OLIVEIRA, César, Cem Anos..., p.25).
Se aparentemente, no pós-guerra, a Espanha bateu Portugal no plano das relações internacionais, foi a partir de 1919 que o nosso vizinho ibérico abandonou definitivamente a vontade de intervir em Portugal, iniciando uma política de respeito, amizade e aproximação, iniciando-se, nas palavras de Torre Goméz, "um abrandamento positivo" no estado de tensão entre as nações ibéricas.(GÓMEZ,Torre,ob.cit., p.11)
Para tal situação muito terá contribuido a derrota definitiva do sonho de restauração monárquica, na "guerra civil", provocada pela instauração da chamada "Monarquia do Norte", entre 19 de Janeiro e 13 de Fevereiro de 1919.
Aliás, esses acontecimentos marcaram a última tentativa séria de intervenção espanhola na política interna portuguesa, tendo aquele país procurado aproveitar a sua posição privilegiada na Sociedade das Nações para obter luz verde numa acção dessas, "tendo em vista assegurar a estabilidade e, eventualmente, a restauração da Monarquia" (OLIVEIRA, César, Cem Anos...,p. 26).
Mas também as crescentes preocupações político-militares com que a Espanha se confrontava no Norte de África, cuja situação se agravou a partir de 1920, contribuiu para essa nova postura. Entre procurar salvar o que tinha nesse território e meter-se numa aventura em Portugal, de efeitos imprevisíveis, os espanhóis optaram pelo caminho mais seguro.
Não se pode igualmente pôr de lado, para explicar a mudança de atitude do nosso vizinho ibérico, o facto de a Espanha se sentir agora mais segura, face a Portugal, na esfera internacional, após as vitórias obtidas na conferência de paz.
Por sua vez a Espanha podia substituir as suas pretensões de domínio político-militar sobre Portugal por uma mais subtil tentativa de domínio económico, bem patente na entrevista concedida pelo monarca espanhol, em Setembro de 1922, ao "Diário de Notícias", onde, depois de sugerir vários temas para uma discussão entre as duas nações (vias férreas, pescas, problemas cambiais, tratado de comércio, melhoria das ligações ferroviáris), lançava a ideia de um grande empréstimo espanhol a Portugal (entrevista citada por Medeiros Ferreira, ob. cit, pp.34-35).

A DITADURA DE PRIMO DE RIVERA

Em 13 de Setembro de 1923, por golpe de Estado, o general Primo de Rivera instaurava em Espanha uma ditadura militar.
Filomeno da Câmara, um dos militares que mais se destacou no conjunto de iniciativas militares para instaurar uma ditadura militar em Portugal, que culminaram no 28 de Maio, explicava, do seguinte modo, a origem daquele regime, em prefácio datado de Agosto de 1926, para a obra de António Ferro "Viagem à Volta das Ditaduras" :
"A agitação comunista de Barcelona, as aspirações separatistas da Catalunha, o movimento republicano e o problema de Marrocos, tornavam um conjunto de graves problemas nacionais, para cuja resolução impertinentemente se revelavam incapazes os desacreditados partidos do constitucionalismo liberal e parlamentarista, a cuja sombra, senão por agência, medrava a corrupção administrativa" (Viagem à volta..., pp. 33 e 34).
Situação comum à que se passava na maior parte das nações europeias desse período, era o receio das classes médias perante o exemplo da revolução bolchevique de 1918 e a incapacidade das democracias parlamentares em enfrentar a crescente agitação social "que promovia o crescimento das forças operárias que viam na Revolução Russa vitoriosa e duradoira um exemplo a seguir" (OLIVEIRA, César, Cem Anos..., p.24).
As consequências da guerra sobre a economia de todas as nações europeias, mesmo entre as que se haviam mantido neutrais, explicam em parte as graves tensões sócio-económicas que então se registaram, tendo atigido um ponto alto em Espanha com a greve geral de 1917, que na Catalunha gerou um clima pré-insurreicional, unindo republicanos e nacionalistas catalães.Toda a Espanha, de 1917 a 1923, viveu num clima de instabilidade crescente.Em cerca de sete anos foram empossados 13 governos diferentes.
Mas uma outra causa terá tido um peso significativo: O conflito no Norte de África, no territótio do Rif, em Marrocos, onde, desde 1920, as populações resistiam militarmente, e de forma organizada, ao domínio espanhol, unidos à volta de Abd-el-Krim, que em 1921 conseguiu infligir ao exército espanhol uma pesada derrota em Annual (o chamado "Desastre de Annual").
"As tribos de Abd-el-Krim causaram mais de 12.00 baixas e apoderaram-se de 14.000 fusis. 1.000 metralhadoras e 115 peças de artilharia. Em poucos dias perderam-se 5.000 kilómetros quadrados e a própria Melilla esteve em perigo".(PANIAGUA,Javier, ob.cit., pp.66 e 67)
Essa tremenda derrota abalou o poder político de Madrid e dividiu os militares sobre a solução a seguir.
A historiadora espanhola Genoveva Queipo de Llano acentua o peso da questão marroquina como causa do golpe de Estado de Primo de Rivera, o qual, na sua opinião, não "foi produzido por medo da revolução, mas pela incapacidade do próprio sistema parlamentar, num momento em que a derrota de Marrocos dava uma especial relevancia ao Exército" (QUEIPO DE LLANO,Genoveva,ob.cit., p.4).
Quanto aos apoios do ditador, António Ferro, no seu modo peculiar, resumia-os do seguinte modo:
"Primo de Rivera tem a Espanha a seu lado, a Espanha disciplinada, a Espanha solarenga da província, a Espanha que não lamenta a ausência da liberdade porque nunca abusou dela...A Espanha que precisa de assunto para conversar nos cafés não gosta de Primo de Rivera(...)"(FERRO,António, Viagem à volta..., p.227).
O novo regime foi, no seu início, apoiado por vários sectores de Espanha:"Na imprensa madrilena dos dias imediatamente posteriores ao 13 de Setembro é bem perceptivel uma clara popularidade de Primo de Rivera, exceptuando na de tendência republicana, que mostra algumas reticencias. Nenhum político destituido pelo golpe o condenou de forma imediata. Os socialistas apareceram em posição expectante, e não mostraram qualquer apoio à classe política que havia sido afastada. Quanto ao restante movimento operário, os comunistas naquele momento tinham uma força muito reduzida, e os anarquistas por causa do terrorismo, tinham uma força escassa. Entre o mundo intelectual, que com o passar do tempo se converteria na mais clara oposição ao regime primorriverista, apenas Unamuno, Azaña e Pérez de Ayala se mostraram desde o principio de forma inequívoca contra o ditador"(QUEIPO DE LLANO,Genoveva, ob.cit., p.6).
Não é nosso propósito analisar a evolução da ditadura espanhola, mas apenas contribuir para perceber a sua origem e encontrar nela, não só algumas razões para o relacionamento que teve com Portugal, como o fascínio que exerceu sobre alguns sectores polítio-sociais e intelectuais portugueses.
Nesta perspectiva penso ser ainda de abordar uma última questão que o assunto suscita- a inevitável comparação entre o regime de Mussolini, que tinha chegado ao poder no ano anterior, e o de Primo de Rivera.
O ditador espanhol era admirador de Mussolini, mas desde logo se revelou diferente na sua acção e no seu estilo.
Mesmo os simpatizantes portugueses desses dois regime se aperceberam desde logo das diferenças.
Para Filomeno da Câmara, no texto acima citado, a ditadura de Primo de Rivera não era um "movimento popular contra-revolucionário como o da Itália, no qual o exército regular não tomou parte. Daí a falta de atmosfera, a indiferença duns e a hostilidade de outros, que o golpe de Estado encontrou no seu início.
"Primo de Rivera não é um homem espectaculoso nem foi em qualquer fase da sua vida jornalista incendiário ou orador subversivo como Mussolini"(ob.cit., p.34).
Para António Ferro "Primo de Rivera, amado pela Espanha, é uma figura popular que não tem popularidade...o ditador confunde-se demasiado com a turba, anda poucas vezes de automóvel, dança no Ritz, janta no Palace, frequenta os teatros baratos, os teatros do povo..." (FERRO, Viagem..., p228).
Nota a historiadora Genoveva Queipo de Llano que os verdadeiros fascistas espanhois consideravam a ditadura demasiado prosaica e pouco moderna (ob.cit., p.12).

AS RELAÇÕES DA DITADURA ESPANHOLA COM A REPÚBLICA PORTUGUESA(1923-1926)

Quando Primo de Rivera assumiu o poder, em Portugal era Presidente da República Manuel Teixeira Gomes, recentemente eleito pela câmara dos deputados, a 6 de Agosto de 1923, tendo derrotado Bernardino Machado, o candidato apoiado pelo recém criado (em Abril desse ano) Partido Nacionalista.
Manter-se-ia no cargo até renunciar em 11 de Dezembro de 1925, sendo substituido pelo seu rival Bernardino Machado, último presidente da Primeira República.
Teixeira Gomes era um diplomata experiente, tendo sido nomeado nosso representante junto do governo de Londres, logo em 1911, ainda pelo governo provisório, cargo que ocupou até ser demitido, e preso à sua chegada a Portugal, por Sidónio Pais , em Janeiro de 1918.
Após a derrota da "Monarquia do Norte" volta a ser nomeado para uma missão diplomática, desta vez como ministro português em Madrid, cargo que exerceu por pouco tempo, entre Fevereiro e Abril de 1919, sendo de novo transferido para Inglaterra e tendo feito parte da delegação portuguesa à Conferência de Paz e à Sociedade das Nações.
No meio da instabilidade geral em que o país viveu entre 1923 e 1926, tendo conhecido 9 governos nesse período, perante uma agitação social crescente, várias tentativas insurreccionais de tendências diversas, mas que davam aos militares uma influência cada vez maior na vida política, o facto de Teixeira Gomes ter permanecido no seu posto quase até ao fim deste período terá contribuido para alcançar um certo prestígio junto das autoridades espanholas, evidente no teor da correspondência diplomática transcrita por Torre Goméz na obra citada.
Não terá sido igualmente estranha a experiência diplomática do próprio presidente, que incluiu até uma estadia, mesmo que curta, em território espanhol, usando Teixeira Gomes um espanhol fluente nos encontros que mantinha com o representante de Madrid em Lisboa.
Por ocasião da visita que Teixeira Gomes realizou a Londres, no início do seu mandato, o embaixador espanhol na capital britânica, em correspondência enviada para Madrid, referia-se em termos elogiosos ao seu encontro com o presidente português: "Continuou o Presidente eleito observando que,embora pela sua formação política se opusesse a todo o acto de força, não pode pelo menos deixar de reconhecer que todos os povos se acham sedentos de ordem e autoridade no seu Governo e Administração, pelo que formula votos sinceros de êxito para o regime que em Espanha se acaba de instaurar, já que tudo o que sucede no nosso país é seguido com a maior atenção em Portugal, revestindo para esta Nação a maior importancia pela sua proximidade com a nossa e similaridade de raça e língua. De nenhum modo, declarou, se fixa na forma de governo, estimando que cada país é livre para escolher a que mais lhe convenha, seja Monarquia em Espanha ou República em Portugal, nem uma das Nações pode criticar o regime da outra simplesmente porque é diferente, nem deve influenciar na política que cada uma deve seguir em relação à outra. Como exemplo prático deste seu critério assegurou-me que sempre o manifestou em Portugal, inclusive aos emissários republicanos espanhois em Lisboa(...)" .(excerto da carta do embaixador de Espanha em Londres para o subsecretário de Estado espanhol, datada de Londres de 24 de Setembro de 1923, transcrita por Torre Gómez na obra citada,pp.215 e 216. e aqui traduzida de forma adaptada).
O próprio Primo de Rivera, em entrevista concedida a António Ferro reafirma o desejo de um relacionamento entre as duas nações baseado no respeito mútuo pelas suas diferenças políticas :
"Sou partidário duma política fraternal com Portugal. É bom, porém esclarecer este ponto. Eu sou um grande amigo de Portugal mas um inimigo, muito sincero, do Iberismo. Irmãos, sim, mas vivendo em casas diferentes...Nem desejo saber como Portugal se governa. A Espanha não tem que se meter onde não é chamada" .E logo na ocasião, em Fevereiro de 1924, revelava a vontade de visitar Portugal, "talvez ainda este ano..."(FERRO,Viagem...,pp.234 e 235).
Em Dezembro de 1924, provando a crescente aproximação entre os dois Estados, teve lugar em Madrid, nas instalações da Biblioteca Nacional, uma importante "exposição camoneana", para cuja inauguração o município dessa cidade convidou o governo português, a Câmara Municipal de Lisboa, as Universidades e outras agremiações a fazerem-se representar. A delegação portuguesa seria recebida pelo soberano espanhol que assistiu, na companhia de toda a família real, à inauguração dessa exposição ("As Festas de Camões em Madrid", in ABC, nº 232, de 25/12/1924).
Esta política de aproximação entre as duas nações durante o período da ditadura espanhola e a chamada "política de lealdade para com Portugal" é reafirmada pelos estudos de Torre Goméz sobre as relações peninsulares nesse período, concluindo que "a partir de 1923, existe um ditador em Espanha que, desde o princípio do seu mandato e portanto, muito antes de os portugueses caírem também sob um regime de "ordem", declara e demonstra com factos respeitar as instituições, a soberania e até a sensibilidade nacional do povo vizinho" ( GOMÉZ, Torre, ob. cit., p.12).
Mas se esta era a realidade no bastidores dos gabinetes diplomáticos e governamentais, o reflexo dos acontecimentos espanhois junto da opinião pública portuguesa evidenciava velhas desconfianças.
A opinião pública republicana tinha-se habituado durante treze anos a identificar o "perigo espanhol" com o "perigo da reacção monárquica", não sendo de estranhar "que quando a monarquia vizinha cai em poder de um Directório Militar, surjam certas apreensões que davam como iminente uma intervenção espanhola em Portugal" (GOMÉZ, Torre, ob.cit.,p.109).
Vai nesse sentido o teor da informação enviada a partir de Tuy pelo cônsul de Portugal para o Ministro dos Negócios Estrangeiros português que, baseando-se apenas em rumores e boatos alertava para o facto de " na Côrte de Madrid se pensar a sério n'uma intervenção armada em Portugal"(Documento transcrito por Torre Gómez, ob.cit., p.218).
Também houve quem visse nos conflitos pesqueiros dos verões de 1924 e 1925 uma prova das dificuldades de relacionamento entre as duas nações. Contudo, não só os dois Estados procuraram uma solução apaziguadora para a resolução desses casos, como as dificuldades pontuais de relacionamento entre dois estados não anularam, só por si, a vontade de melhorar o relacionamento entre eles.
Aponta-se ainda o facto, comprovado, de o governo espanhol ter tido conhecimento das conspirações militares contra a República portuguesa, nomeadamente em relação à intentona de 18 de Abril de 1925, para tentar provar a má fé do regime espanhol.
Mas o conhecimento desses factos não comprova o envolvimento desse Estado.A atitude da representação diplomática espanhola em Lisboa, em relação aos conspiradores que procuraram refúgio naquela delegação, revelou, pelo contrário, a vontade espanhola de não desagradar ao governo português. O representante espanhol em Lisboa, em carta enviada a Primo de Rivera, datada de 21 de Abril de 1925 escrevia que o facto de ter aceite o pedido de refugio (e não asilo) solicitado pelos militares envolvidos na falhada intentona, não significava que quisesse "intervir na vida política portuguesa", mas apenas defender esses oficiais de possíveis represálias que pusessem em causa a sua integridade física, frisando mesmo ter o governo português "agradecido sinceramente o meu procedimento no que respeita aos oficiais portugueses " (transcrito por Torre Gómez, ob.cit., p.225).
Para o historiador espanhol o "desenlace reaccionário" foi um processo próprio da política interna portuguesa, servindo o caso espanhol apenas de exemplo
E aqui reside a posição de outra parte da opinião pública portuguesa, a opinião conservadora, em crescimento, e que via na ditadura espanhola uma possível aliada para os seus intentos:"(...) o interesse da imprensa portuguesa pelos acontecimentos de Espanha, se não assumia frontalmente a necessidade de em Portugal se seguir o exemplo dado pela iniciativa de Primo de Rivera mostrava, contudo, a importância que a solução escontrada pelo Exército espanhol não poderia ser ignorado num Portugal envolvido num ciclo permanente de crises políticas, de instabilidade, de agitação social e de desentendimento partidário" (OLIVEIRA, César,Portugal e a II República...,p.45).
Grande parte das interpretações sobre o relacionamento entre o regime de Primo de Rivera e a República Portuguesa baseia-se quase sempre numa dessas duas visões : ora na desconfiança dos republicanos face a Espanha e ao regime ditatorial; ora na identificação dos sectores mais conservadores e reaccionários com esse regime, apontando-se até todo um conjunto de encontros ibéricos após o 28 de Maio para acentuar a diferença de tratamento que a ditadura espanhola teria dado aos dois regimes portugueses.
Contudo, e na opinião de Torre Gómez, o relacionamento com Portugal no pós 28 de Maio foi a continuidade das boas relações oficiais entre os dois estados anteriormente iniciadas.
Existe um outro factor, que geralmente é esquecido, para explicar porque é que o bom relacionamento só começa a ter marcas visiveis após o 28 de Maio. Referimo-nos à questão marroquina que só seria resolvida em 1926, mais precisamente com a rendição de Abd-el-Krim, ao exército francês, a 26 de Maio de 1926, isto é, dois dias antes do golpe militar em Portugal.
Até essa altura, toda a prioridade nas relações externas espanholas ía para a resolução da questão marroquina.
O facto de os guerrilheiros marroquinos, julgando o território espanhol controlado, terem, em 1925, atacado as posições francesas do norte de África, aproximou a Espanha da França, que procuraram coordenar esforços para combater o inimigo comum, situação que contribui para a solução do problema em 1926.
Só então o regime espanhol estava em condições para se virar a sério para a resolução dos diferendos que mantinha com Portugal, num momento em que neste país começava a vigorar um regime que, teóricamente, lhe era políticamente mais favorável.

Há 80 anos - Primo de Rivera elabora uma Constituição para a sua ditadura

Primo de Rivera com membros do seu governo,

Retrato oficial de Primo de Rivera


Primo de Rivera reunido com o rei Afonso XIII.


Notícia da instauração da ditadura.



O rei Afonso XIII, conivente com a ditadura.

Há 80 anos - Primo de Rivera elabora uma Constituição para a sua ditadura

AS DITADURAS IBÉRICAS E AS RELAÇÕES PENÍNSULARES(1926-1930)

A 28 de Maio de 1926 um golpe de estado instala em Portugal uma ditadura militar que estaria na origem, poucos anos depois, do "Estado Novo" salazarista.
Refere Torres Gómez que a "mudança de regime seria recebida pela ditadura espanhola com uma natural e indisfarçada satisfação. Havia nisso elementares razões políticas e também a compreensível esperança de que o parentesco de regimes contribuiria para favorecer os desígnios de entendimento e fraternidade hispano-portuguesa" (ob. cit., p.121).
Essa situação é confirmada por Ivens Ferraz que refere nas suas memórias que, assim que se instalou a ditadura militar em Portugal, Primo de Rivera desejou desde logo avistar-se com um representante do novo governo português para "trocar impressões sobre alguns problemas de ordem económica que interessam os dois países", interesse que não seria satisfeito de imediato "por não poderem os governos de então desviar as suas atenções de questões de ordem interna"(FERRAZ, Ivens, ob. cit., p.73).
Em contrapartida, sinal da crescente aproximação estre os dois vizinhos, logo a 15 de Junho desse ano a legação espanhola em Lisboa seria elevada à categoria de embaixada e a 22 de Julho seria a vez da representação portuguesa em Madrid ser elevada à mesma categoria.
É de referir, porém, que o projecto de promover embaixadas nas duas capitais era anterior, já se tendo sondado nesse sentido os governos dos dois países em 1921, isto é, mesmo antes do estabelecimento da ditadura de Primo de Rivera.
O incremento das relações penínsulares a nível oficial desenvolver-se-ia de modo eficaz a nível económico com a assinatura do "Acordo Luso-Espanhol sobre o Douro Internacional", uma velha questão por resolver entre os dois estados.
A 6 de Setembro de 1913, representantes dos dois governos de então já haviam estabelecido os princípios gerais para o aproveitamento hidraulico das quedas do Douro.
Em 1919 foi nomeada uma comissão composta por um engenheiro português e outro espanhol com o objectivo de fixar as regras para execução daquele acordo.
Contudo as condições impostas pela parte espanhola não agradavam a Portugal, tendo as negociações sido interrompidas, só se voltando a reatar em 1924, em Madrid.
"Mas ainda d'esta vez foi impossivel chegarem a um acôrdo as duas delegações, (...)" entendendo a parte espanhola " que, na partilha das águas, a Portugal só pertenceria metade do caudal normal, avaliado, em média, n'uns trinta metros cúbicos por segundo"(RODRIGUES, Bettencourt, ob.cit., p.53).
Foi necessário esperar por 25 de Agosto de 1926, data em que se publicou em Espanha o Real Decreto que previa o reatar das negociações com Portugal para fixar as regras complementares do acordo sobre aproveitamento hidro-electrico das quedas do Douro.
Assim, finalmente a 18 de Julho de 1927, dava-se início, em Lisboa, à "Conferência luso-espanhola para a solução do problema relativo ao aproveitamento hidro-electrico do troço internacional do Douro".
Os trabalhos dessa conferência duraram até 11 de Agosto, data em que foi assinado o convénio entre Portugal e Espanha e que consistiu no seguinte:
"A Portugal fica pertencendo a utilização de todo o troço superior, desde a sua origem até ao ponto de confluencia dos rios Tornes e Douro; e à Espanha cabe o troço inferior, desde essa confluencia até ao limite inferior do mesmo troço internacional".
Quanto ao aproveitamento hidro-electrico das quedas do rio Douro "a parte que compete a Portugal (..) representa um mínimo previsto de 285.000 cavalos, o que corresponde, como energia, a uns dois milhões de toneladas de carvão (...) por ano.E a que compete à Espanha (...) anda por cerca de uns 339.000 cavalos".
Esta diferença a favor da Espanha representava uma compensação pelo facto da as "obras de regularisação das aguas do Douro feita pela Espanha, em territorio espanhol, (obras dispendiosíssimas, avaliadas n'uns 400 milhões de pesetas) resultará para o Douro fronteiriço um enorme augmento de caudal (...) de que nós, Portugal sem mais ameaça de devastadoras cheias, grandemente beneficiaremos, e para cujas despezas e custeio em nada contribuiremos e nada nos foi exigido" (RODRIGUES, ob.cit., pp. 63 e 64).
O êxito nas negociações para o aproveitamento hidro-electrico do Douro motivou as duas partes a voltar a reunir-se para tratarem de outros asssuntos de ordem económica de interesse mútuo.
Foi assim aprazado nova reunião em Lisboa para Novembro de 1927, para debater a "cortiça, pesca, fabrico de conserva de peixe, resinas, produtos similares das duas nações, produtos coloniais, comunicação por estrada de rodagem, ferroviária, marítimas, fluviais, aereas,telefones e rádio-telegrafia" (citado em nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal de 15 de Agosto de 1927, in RODRIGUES, ob. cit., p.68).
A importancia das questões a abordar e a necessidade de as preparar convenientemente levou ao adiamento da "Conferência económica luso-espanhola", que se iniciou finalmente a 12 de Abril de 1928, tendo-se os trabalhos prolongado até Maio, sendo aprovadas várias recomendações aos respectivos governos àcerca da resolução dos temas acima referidos, não se tendo, contudo, chegado a acordo no respeitante à navegação aérea, às pescas e às conservas.
Por sua vez, logo no início desse ano, em Janeiro de 1928, tinha sido assinado um "tratado de conciliação e arbitragem", delimitando uma zona fronteiriça entre os dois Estados, aprovando a "linha divisoria que vai desde a confluencia do rio Cuncas com o Guadiana até à foz d'este rio" (RODRIGUES, ob. cit., p.86).
Em termos políticos, outro sinal de aproximação entre os dois regimes seria dado em 1927 quando o representante espanhol em Lisboa se avista com o Ministro dos Negócios Estrangeiros para propôr a colaboração policial entre as duas nações para "se preservarem mutuamente perante a subversão social, comunista"(GÓMEZ, Torre, ob.cit., p.122).
Afonso XIII, em entrevista concedida em Fevereiro de 1928 a António Ferro, afirmava que "Portugal e a Espanha, com as suas fronteiras bem marcadas, só teriam a lucrar com uma política de aproximação, de entendimento.." e apelava à aproximação entre os dois povos: "Aproximemo-nos sem nos confundirmos.Deve ser êste o nosso caminho, o verdadeiro caminho...". À pergunta de António Ferro sobre o que era necessário para intensificar as boas relações entre os dois países respondeu o monarca: "Simplificar antes de mais nada as comunicações entre Espanha e Portugal. Torná-las rápidas, seguras e confortáveis" ("Afonso XIII - Rei de Espanha e de Madrid...", in FERRO, António, Homens ..., ob. cit.,pp 31 a 55).
Um ano depois, em 14 de Abril de 1929, António Ferro entrevistava Primo de Rivera, que, aproveitando a ocasião, fazia o balanço das relações entre as duas ditaduras: "(...) vive-se uma hora clara, límpida, uma hora de compreensão e entendimento. Os dois países, através dos seus govêrnos, deixaram de medir-se com desconfiança, com reserva. São duas potências que se olham com amizade, mas com a inteira confiança da sua fôrça e do seu perfil. E é essa a única base de uma amizade séria, definitiva, entre as duas nações : a aliança espiritual de duas fôrças que serão sempre, eternamente, duas fôrças..." ("Primo de Rivera, o ditador alegre e confiado", in FERRO, António, Homens..., ob. cit.,pp. 85 a 101).
Em coerência com essas palavras, e na sequência dos êxitos negociais já alcançados, a 15 de junho de 1929 Primo de Rivera toma a iniciativa de convidar o Presidente Carmona para se encontrarem nas termas galegas de Mondariz, onde o ditador espanhol pretendia passar três semanas, entre 20 de Julho e 15 de Agosto, com o objectivo de prosseguir "um período de maior aproximação entre os dois países (...) uma vez que, afortunadamente, desapareceu todo o receio, que sempre foi injustificado e era apenas acolhido por pessoas incultas, de que a Espanha pretenderia exercer sobre Portugal" a sua supremacia, reafirmando o ditador "uma leal e recíproca amizade que, respondendo aos sentimentos de ambos os países, também fortalece a posição política e económica dos dois".
Propunha mesmo alguns temas a debater: no plano económico o contrôle dos mercados das industrias corticeiras e das conservas; no plano cultural o incremento das viagens recíprocas entre as duas nações, "formando expedições culturais, artísticas, económicas e técnicas"; a nível político uma melhor coordenação entre as polícias de ambos os países para enfrentar "as tentativas de perturbação política que nunca hão- de faltar por parte do comunismo".
Por último proclamava que Portugal era para a Espanha "Nação preferida com a qual deseja manter relações íntimas" (carta citada por Torre Gómez, ob. cit., pp.251-252).
Tal encontro acabaria por se realizar mas apenas entre os chefes dos respectivos governos,o general Ivens Ferraz por Portugal e Primo de Rivera por Espanha, tendo decorrido a primeira entrevista entre ambos a 9 de Agosto em Viana do Castelo, e proseguindo em Mondariz.
Ivens Ferraz descreve esse encontro nas suas memórias: "trocaram-se impressões sobre um mútuo entendimento para a repressão do comunismo na Península, desenvolvendo aquele general" P.Rivera "com profundo conhecimento, tão intrincado tema social, fazendo uma nítida exposição das suas ideis acerca da marcha do comunismo através da Europa. Entendia que, para evitar a propaganda e dessiminação das novas ideias na Península Ibérica, se tornava necessário um entendimento constante entre as polícias internacionais de Portugal e Espanha" (FERRAZ, Ivens, ob.cit., pp.75 e 76).
Em termos económicos foram debatidas as questões das pescas e das cortiças.
Em relação ao tema das pescas foi considerada a necessidade de um mútuo acordo, tendo-se proposto que esse assunto voltasse a ser estudado por delegados de ambas as nações.
Quanto à cortiça, Primo de Rivera colocou a questão de, sendo a Península Ibérica a sua maior produtora , essa produção "estava sendo açambarcada por dois trusts, um belga e outro americano, que a transformava em produtos derivados, com os quais inundavam os mercados estrangeiros", não compreendendo a razão pela qual "Portugal e Espanha se não juntavam para constituir um "cartel" que se encarregasse da industrialização da cortiça peninsular".
Ivens Ferraz, embora considerando a importância da questão alertava para o facto desta , "e muitas outras", apresentarem "aspectos técnicos e financeiros muito delicados e que demandavam um cuidadoso estudo do qual só os técnicos se poderiam ocupar", propondo que, "como seguimento da conferência luso-espanhola, poderiam enviar a Madrid delegados dos nossos, os quais estudariam com os delegados espanhois para esse fim designado, essas e outras questões económicas já abordadas em Lisboa". (FERRAZ, Ivens, ob. cit., p.77).
Primo de Rivera aceitou a proposta, dando-se assim por encerrada a entrevista entre ambos os chefes de estado em Viana do Castelo.
Ivens Ferraz voltou a encontrar-se com o governante espanhol em Mondariz e nesta ocasião Primo de Rivera comunicou o interesse espanhol em receber a visita do Presidente da República, Óscar Carmona, por ocasião da "Semana de Portugal" que iria decorrer durante a Exposição Internacional de Sevilha, inaugurada em Maio e cujas actividades se desdobravam por Sevilha e Barcelona, devendo deslocar-se posteriormente a Madrid, como convidado oficial do rei Afonso XIII, que retribuiria a visita, deslocando-se dois meses depois a Lisboa.
Este último objectivo nunca se concretizou.
Já quanto à viagem de Carmona a Espanha , ela teve início em 17 de Outubro, decorrendo até 25 desse mês, acompanhado por Ivens Ferraz, embora o programa fosse alterado em relação à previsão inicial, dirigindo-se o Presidente português directamente a Madrid, "onde foi recebido com honras que não é vulgar conceder aos chefes de Estado Estrangeiros" (descrição feita por Ivens Ferraz, ob. cit., p.120).
Em entrevista concedida ao "Diário de Notícias", durante a viagem para Madrid, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, coronel Jaime Monteiro, à pergunta que lhe foi dirigida sobre o objectivo da visita, respondeu:
"Não há um objectivo político, mas sim um ensejo que se proporciona de Portugal e Espanha, por intermédio dos seus mais altos magistrados, estreitarem mais as suas relações. É um entendimento de ordem espiritual, de povos da mesma Raça com interesses comuns e aos quais, neste momento, mais do que em nenhum outro, cabe conhecerem-se melhor,mais profundamente. Depois (...) Portugal tem actualmente uma representação em Espanha - nas exposições de Barcelona e Sevilha, onde Portugal está vivendo a sua vida de Trabalho, agrícola, industrial e artistica" ("Diário de Notícias", 17 de Outubro de 1929).
Mais pragmático, em entrevista a um jornal madrileno, Carmona referia que a "visita não é puramente protocolar (...) Muito breve tecnicos dos dois países vão começar a trabalhar para a solução de importantes problemas num ambiente de magnífica tranquilidade" (trancrição no "Diário de Notícias" de 19 de Outubro de 1929).Tal objectivo confirmava-se do lado espanhol, como anunciava o "El Debate", referindo que "das visitas do general Carmona a Madrid e de Afonso XIII a Lisboa, resultará, antes mesmo de findo o ano corrente, o início de importantes conferências de técnicos sobre assuntos comerciais e industriais de maior interesse para os dois países" (citado no "Diário de Notícias" de 17 de Outubro de 1929).
A visita prosseguiu a Toledo, Barcelona e, finalmente, Sevilha.Nesta cidade Ivens Ferraz declarou aos jornalistas que acompanhavam a comitiva: "com a República dum lado e com a monarquia de outro, Portugal e Espanha podem caminhar livremente, seguindo vidas paralelas, sem jamais se fundirem ou sequer confundirem marchando unidos para o mesmo fim, que consiste em tornar os dois povos ibéricos cada vez mais prósperos, mais respeitados e mais cheios de prestígio".
"Portugal e Espanha não necessitam de nenhuma união política para serem bons e leais amigos, do que precisam é de melhor solidariedade mútua, para irem, fortalecidos, à conquista dos seus destinos".
E, em forma de aviso, rematava :"os sentimentos de altivez do povo lusitano são tradicionais.Tentar feri-los, seria, pelo menos, loucura.Os seus sentimentos de independência só têm que ser cada vez mais fortalecidos, com exemplos de dignidade e honradez. O que se está passando entre os dois Governos Ibéricos não se parece nada com a diplomacia à antiga, gerada no escuro das chancelarias" (transcrito pelo próprio Ivens Ferraz, ob.cit., p.122).
Durante essa visita teve lugar em Portugal um episódio, preconizado pela direita católica, que mantinha no interior da ditadura uma luta pelo poder , e que constituiu mais um degrau na ascensão de Salazar, aproveitando a ausência de Ivens Ferraz, com a cumplicidade do primeiro ministro em exercício, Lopes da Fonseca.
De facto, a 21 de Outubro, realizou-se em Lisboa "uma ruidosa manifestação de apreço promovida pelas câmaras municipais ao sr. Ministro das Finanças Salazar pelo sucesso da sua obra financeira" e para a qual o próprio Ivens Ferraz nunca tinha sido consultado : "Em certo dia reuniram-se os promotores na sala do conselho de estado onde se lhe juntaram númerosos amigos e admiradores do ministro das Finanças. Compareceram, igualmente, quase todos os membros do Governo.Presidiu à cerimónia o ministro da Justiça primeiro ministro em exercício, que lamentou a minha ausência e depois das saudações do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o Ministro das Finanças leu uma extensa oração à qual, dificilmente, se poderá negar carácter político"(FERRAZ, Ivens, ob. cit., pp.122 e 123).
Um facto curioso, revelador dos fortes apoios de Salazar, regista-se no facto de alguma imprensa, nomeadamente o "Diário de Notícias" e o "Século", que até essa manifestação davam ampla cobertura de primeira página à visita de Carmona a Espanha, terem relegado este acontecimento para segundo plano e páginas interiores, quando da realização daquela manifestação, que passou para assunto de primeira página nas edições de 22 de Outubro.
A manifestação dos Municípios constituiu uma "rampa de lançamento de Salazar como substituto de Ivens Ferraz, e marcou um dos pontos altos na luta entre a corrente política representada por Salazar, apoiado pela Igreja, pela extrema-direita e direita do regime, contra a facção republicana representada por Ivens Ferraz ". (OLIVEIRA, César, Portugal e a IIª República..., ob.cit., pp. 71 a 74).
Poucos meses após ter realizado a visita triunfal a Espanha, da qual foi um dos principais obreiros, Ivens Ferraz, agastado com as constantes manobras da direita pró-salazarista e cada vez mais isolado no regime, pede a sua demissão, a 10 de Janeiro de 1930.
Primo de Rivera, o outro parceiro de Ivens Ferraz da aproximação entre as nações ibéricas, não lhe sucederia no poder do país vizinho muitos mais dias:
"Poucos dias após a constitução de um governo onde Salazar criou condições para começar a lançar os alicerces do novo regime" governo de Domingos de Oliveira, constituido a 21 de Janeiro ", Primo de Rivera, com a cumplicidade de Afonso XIII e a conveniência dos militares e da direita que o haviam apoiado, era obrigado a demitir-se, a 28 de Janeiro de 1930" (OLIVEIRA, César, Portugal e a IIª República..., ob. cit., p.74).
Enquanto em Portugal se iniciava a rápida ascensão de Salazar , em Espanha iniciava-se um período políticamente confuso que culminaria na proclamação da IIª República, a 14 de Abril de 1931.
As relações entre as duas nações voltariam a passar por um período difícil que só voltou a registar uma nova aproximação com a vitória do generalíssimo Franco na guerra civil de 1936-1939.
Mas isto já é outra história.

CONCLUSÃO

Apesar de ser notoria uma maior aproximação entre as duas nações,no pós 28 de Maio, pela quantidade e qualidade de iniciativas diplomaticas realizadas, não se pode falar própriamente em ruptura entre os períodos antes e depois daquela data, mas antes em continuidade, pois muitas das iniciativas tomadas a partir de 1926 tinham sido alicerçadas anos antes.
Por esclarecer está o saber-se até que ponto a experiência diplomática do Presidente Teixeira Gomes contribuiu para, a partir da chegada de Primo de Rivera ao poder, se ter iniciado um sério desanuviamento entre as duas nações.
Por outro lado, mais do que a vontade espanhola, que parece ter sido idêntica nos dois períodos analisados, terá pesado a vontade portuguesa, muito marcada durante a Républica pelo "perigo espanhol", que condicionou muitas iniciativas de aproximação ensaiadas pelo vizinho ibérico, a partir de 1919.
Por sua vez, há que considerar que "a partir do momento em que Carmona toma o Poder, há uma certa e matizada viragem da política externa portuguesa que, sem abandonar o seu secular enfeudamento britânico, insinua uma pouca convincente projecção para horizontes americanistas e peninsularistas, simultaneamente". (GÓMEZ, Torre, ob. cit., p.128).
Também a aparente maior disponibilidade, por parte do governo de Primo de Rivera, para negociar com Portugal, após o 28 de Maio, não pode ser explicada apenas à luz das afinidades políticas que desde então existiam entre os dois regimes peninsulares, mas também pelo facto de, até àquela data, a política externa espanhola ter como principal preocupação a situação Marroquina, cuja resolução coincide quase com o dia da instauração da ditadura militar em Portugal.
Procurou-se com este trabalho elaborar uma breve síntese sobre o que foi o relacionamento entre Portugal e Espanha ao longo dos sete anos em que, no nosso vizinho país ibérico, governou Primo de Rivera.
Esperamos ter conseguido sintetizar o conhecimento actual em Portugal sobre esse período de relacionamento ibérico, e, ao mesmo tempo, alertar para alguns pontos ainda por esclarecer sobre o tema.


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