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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MAS ESTE PAÍS ESTÁ CHEIO DE BESTAS? : Conselho de Ética dá luz verde ao racionamento de tratamentos para o cancro.

As nossas elites (????) atingiram o limite do admissivel,  da ignomínia e do despudor.
Leiam esta notícia e vejam se essa gente ainda merece algum respeito...


COM ESTA NOTICIA GANHA TODA A ACTUALIDADE A CRÓNICA DE JOSÉ VÍTOR MALHEIROS, EDITADA NO JORNAL PÚBLICO NO PASSADO DIA 14 DE SETMBRO (Cópia da transcrição feita para a sua página do Facebook pela minha amiga Fidélia Proença de Carvalho, a que, agradeço o trabalho que me poupou...):

"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los me
smo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

"Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

"Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.


"O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.


"O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.


"Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."

José Vítor Malheiros

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DECISÃO DO GOVERNO DE EXTINGUIR OU TIRAR APOIO A FUNDAÇÕES...MAIS POPULISMO DE FACHADA!!



Foi ontem publicada em Diário da República (ver AQUI) a lei que toma uma decisão sobre centenas de fundações, umas pertencentes ao Estado, outras que beneficiavam de apoio directo estatal, e muitas beneficiando de condições de apoio indirecto através de isenções fiscais.

Mais uma vez, numa decisão que parte de uma necessidade moralizadora da sociedade e da economia portuguesa, a governo deixou vir ao de cima os seus preconceitos ideológicos , a sua cedência aos interesse financeiros instalados e a sua falta de formação cultural, desbaratando uma oportunidade para corrigir alguma coisa.

Só assim se percebe que, entre as cerca de cem Fundações que continuam a beneficiar das mesmas regalias e apoios já existentes, mais de 80 sejam privadas “muitas delas criadas por grandes empresas” , as quais, por manterem o estatuto de utilidade pública, beneficiam “de dezenas de milhões de euros de isenções e benefícios fiscais”, nomeadamente em sede de IMI, IRC e devolução de IVA.

Entre elas, continuam a beneficiar as Fundações da EDP, de Francisco Manuel da Silva, da Galp, do Millenium BCP, da Telecom, da Vodafone e de Belmiro de Azevedo.

Diz o jornal Público, numa investigação da jornalista Rosa Soares, que a “decisão do governo também permite manter um quadro de duplos benefícios fiscais para muitas empresas (quando transferem património e outros donativos para a sua própria fundação) e continua a manter uma situação de confusão entre o estatuto de verdadeiras fundações de utilidade pública e as acções avulsas de apoio a projectos a favor da comunidade, que, de acordo com especialistas, se devem enquadrar no regime de mecenato das empresas”.

Entre as empresas que continuam o seu estatuto de beneficiária dos apoios públicos, está uma obscura Fundação Social Democrata da Madeira, que está a ser investigada pelo Ministério Público, sob suspeita de corrupção, mas cuja investigação está parada porque a Assembleia da Madeira, controlada pelo PSD local, não autorizou o levantamento de imunidade parlamentar a João Jardim, que devia responder por essas acusações.


Por outro lado, a lista de extinções ou cortes no apoio a outras fundações inclui um vasto rol de instituições que têm prestado um reconhecido trabalho de divulgação e defesa da cultura e do património português, como se pode ver pelo seguinte levantamento:

Com sentença de extinção, entre outras:

- Fundação Museu do Douro;
- Côa Parque;
- Fundação para a protecção das salina do Samouco;
- Fundação Paula Rêgo;
- Fundação da Bienal de Arte de Cerveira.

Com decisão de cancelamento total de apoios, entre outras:

-Fundação Casa de Mateus;
-Fundação Oriente;
-Fundação Alter Real;
-Fundação Mata do Buçaco;
- Fundação Nadir Afonso.

Com decisão de cortes no apoio do estado, entre 30% (a maioria) e 20%:

- Fundação Arpad Szénes/Vieira da Silva;
-Fundação Casa da Música;
-Fundação de Arte Moderna e Contemporânea/Colecção Berardo;
-Fundação de Serralves;
- Fundação Espírito Santos Silva;
-Fundação Centro Cultural de Belém;
-Fundação Júlio Pomar;
-Fundação AMI;
-Fundação Mário Soares;
-Fundação INATEL;
-Fundação Manuel Cargaleiro;

A extinção da Fundação do Côa e da das Salinas do Samouco, sem alternativas credíveis, vai abrir caminho a mais crimes ambientais e patrimoniais. No caso do Côa isso é evidente: está o caminho aberto para os apetites dos “chineses” da EDP em retomar a construção da barragem…

O caso da Casa de Mateus, que apena beneficiava de apoios do Estado para a atribuição do prémio D.Dinis, este ano foi atribuído a Maria Teresa Horta, que se recusou receber o prémio das mãos de Passos Coelho, parece configurar um claro caso de vingança política.

Altamente escandalosos e lesivos da identidade cultural portuguesa, são as decisões tomadas em relação à Fundação Paula Rêgo, Fundação Oriente, Fundação Arpad Szénes/Vieira da Silva, Fundação Casa da Musica, Colecção Berardo, Fundação de Serralves, Centro Cultural de Belém, AMI ou INATEL.

É significativa a diferença de tratamento entre fundações da área da cultura e da defesa do património, e o tratamento dado a fundações ligadas a grandes empresas e grupos económicos, como se a função do Estado não fosse apoiar principalmente as áreas, como a da cultura, que raramente são lucrativas. É para isso que pagamos impostos, e não para encher o bolso do sector financeiro…

Aliás, a única fundação ligada a um grupo económico que realiza algum trabalho conhecido e válido, a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, é a única a ser penalizada…

Também seria interessante comparar as tendências político/ideológicas das administrações dessas Fundações para se perceber, como me parece empiricamente ser o caso, que são mais penalizadas aquelas que não são controladas pela seita político/ideológica que domina o atual poder político, do que aquelas que apoiam e beneficiam com as medidas económico/sociais deste governo.

Isso é evidente no caso das fundações ligadas às Universidades: penalizadas a Universidade Nova, a Universidade de Coimbra e a do Minho; beneficiadas a Católica, o ISCTE ,a do Porto, e a Lusíada.

Fazendo uma rápida “sondagem” mental pelos comentários de professores universitários na comunicação social, nomeadamente na área da economia, no primeiro grupo de universidades “residem” os que, maioritariamente criticam a atual política governamental, e , no segundo, embora o ISCTE esteja um pouco dividido nessa tendência, os grandes defensores das medidas de austeridade e deste governo. Parece-me curioso, embora esta análise esteja sujeita a uma aferição mais rigorosa.

Resumindo e concluindo, mais uma vez “a montanha pariu um rato”, uma medida necessária é desbaratada pelos preconceitos ideológicos e pela má-fé do actual poder político, e o oportunismo político de impor o programa anti-social e anti-cultural deste governo, aproveitando-se da atual crise e do populismo da medida, dando razão àqueles que dizem que estamos a viver um verdadeiro PREC da direita .

Tudo isto leva-nos a concluir que o poder atual está entregue a verdadeiros selvagens e iconoclastas do mais reles populismo e reaccionarismo político, cultural, social e económico, tudo “barrado” com muita incompetência, ignorância, irresponsabilidade, infantilidade e incultura.