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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Premiado em Cannes, Ken Loach critica austeridade neoliberal e alerta para a ascensão da extrema-direita



O filme “I,Daniel Bake” do veterano realizador britânico Ken Loach, venceu a palma de ouro do festival de Cannes.
O filme premiado é uma critica humana, mas ferozmente crítica, ao modo como funciona a segurança social na Grã-Bretanha, fortemente destruturada pelo modelo neoliberal imposto na época Thatchere continuado pelos governos seguintes, mostrando as dificuldades que os serviços colocam para prestar assistência aos mais desfavorecidos.
Ao receber a Palma de Ouro, Loach salientou que "receber este prémio neste momento é muito estranho", recordando "as pessoas que não têm comida na quinta nação mais rica do mundo, o Reino Unido."
Na sua intervenção denunciou o neoliberalismo que vigora na Europa, e que nos conduz à catástrofe:
“Este mundo onde vivemos encontra-se numa situação perigosa. Nós estamos a bordo de um projecto de austeridade que é conduzido por ideias que nós chamamos de neoliberais, e que nos conduz para uma catástrofe”, denunciando as “práticas neoliberais” que “lançam na miséria milhões de pessoas, da Grécia a Portugal”, beneficiando apenas uma minoria “que enriqueceu de forma vergonhosa”.
Alertou também para a ascensão da extrema-direita um pouco por toda a Europa:
“Aproximamo-nos de um período de desespero e com o desespero é a extrema-direita que se aproveita.
“Alguns de nós, os que já temos alguma idade, lembramo-nos o que essa extrema-direita fez”.
Loach não esqueceu o poder do cinema, recordando que "uma das tradições do cinema é o de dissidência, representando o interesse das pessoas contra os que são grandes e poderosos", desejando “que esta seja uma tradição que possamos manter viva."
Apesar do seu tom pessimista ficou no ar a seu apelo:
“É preciso, neste mundo de desesperança, recuperar a esperança, dizer que um outro mundo é possível”.
Ken Loach já apresentou 15 filmes no Festival, desde 1979, e já ganhou anteriormente uma  Palma de Ouro com o filme  "Brisa de Mudança" (2006) e três prémios do júri com "A Parte dos Anjos" (2013), "Agenda Secreta" (1990), e "Chuva de Pedras" (1993). Além disso recebeu seis prémios paralelos do júri ecuménico (3) e da crítica internacional, FIPRESCI (3).


 
A intervenção integral de Ken Loach na cerimónia de encerramento do Festival de Cannes, pode ser vista AQUI.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Festival de Cannes 2015

Começa hoje mais uma edição do histórico Festival de Cinema de Cannes.

No site oficial do evento podem ver a lista da selecção oficial: La Sélection officielle 2015(clicar para ver)

Podem tambéms seguir em Directo a abertura do Festival de Cannes AQUI.

Tem ainda interesse acompanhar o dossier do jornal Público sobre o evento AQUI.




sexta-feira, 23 de maio de 2014

Filme sobre Sebastião Salgado exibido em Cannes


Julio Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado, juntamente com o cineasta alemão Wim Wenders apresentaram em Cannes um documentário, intitulado "O SAL DA TERRA", onde o fotojornalista brasileiro fala das experiências humanas das suas reportagens:  

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Começa Hoje a 66º edição do Festival de Cannes

O prestigiado festival de cinema de Cannes (podem aceder AQUI ao seu site oficial) abre hoje as suas portas, com a exibição de mais uma adaptação de "O Grande Gatsby", a obra prima de Scott Fitzgerald.

O filme, que estreia amanhã em Portugal, é aguardado com grande expectativa. Realizado pelo australiano Baz Luhrmann conta com Leonardo DiCaprio no papel principal .

Mas este não vai ser o único grande filme a marcar esta edição. No site em baixo é possivel ver a apresentação daqueles que são considerados os dez filmes mais importantes deste Festival.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

COMEÇA HOJE MAIS UMA EDIÇÂO DO FESTIVAL DE CINEMA DE CANNES

Clicando em baixo podem aceder à página oficial do Festival de Cannes, que inclui os traillers dos filmes em exibição:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Canes começa Hoje

Tem hoje início, prolongando-se até ao próximo dia 23, mais uma edição, a 63ª, do prestigiado Festival de Cinema de Cannes.
São do Libération as fotografias aqui reproduzidas que documentam os últimos preparativos antes da abertura oficial daqui a poucas  horas.







sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O FESTIVAL DE CANES E A GUERRA

Tudo terá começado com uma ideia de Philippe Erlanger, quando este, em Setembro de 1938,regressava do Festival de Cinema de Veneza.

Erlanger era inspector geral do Ministério da Educação francês, nomeado em 1938 director da Associação Francesa de Acção Artística (funções que ocupou até 1968) e tinha sido enviado a Veneza em representação do seu país.

Indignado com a influência da propaganda nazi e fascista neste festival, idealizou a criação de um festival que concorresse com o de Veneza, que tinha sido criado em 1932 .

De facto, para evitar que se repetisse a situação de 1937, marcada pelo Prémio do Júri atribuído ao filme “pacifista” de Jean Renoir, “A Grande Ilusão”, Hitler procurou influenciar a atribuição do grande prémio, intimando os países seus aliados a apoiarem o filme “Deuses do Estádio” de Leni Riefenstahl, que assim acabou por vencer em 1938, ex aequo com um filme produzido pelos filhos de Mussolini.

A edição de 1938 do Festival de Cinema de Veneza tinha sido inaugurada por Joseph Goebbels, recebido com todas as honras.

Chegado a França, Philippe Erlanger convenceu o então Ministro da Educação, Jean Za, para criar um festival de cinema alternativo ao de Veneza, um festival do “mundo livre”, ideia que ganhou algum alento após a invasão da Checoslováquia pelos nazis em Março de 1939, que motivou a adesão do Ministro francês do Interior, Albert Sarraut, a esse projecto.

Procurou-se então escolher um local para a realização do Festival. Entre Deauville, Vichy, Alger, Biarritz e Cannes, foram escolhidas como finalistas as duas últimas.

Biarritz e Cannes possuíam excelentes infra-estruturas . Dois dos empresários mais endinheirados de Cannes, Henri Gendre e Jean Fillioux, colocaram à disposição equipamento hoteleiro e uma boa sala de projecção, fazendo pender a escolha final para a cidade de Cannes.

De imediato puseram “mãos-à-obra”: o conde d’Herbemont assegurou a organização de festas e eventos por toda a cidade durante a realização do festival. As estrelas norte-americanas Gary Cooper e Tyrone Power garantiram a sua presença. Louis Lumière aceitou presidir ao Júri.

Foram muitos os países que aceitaram o convite para participarem nesse festival: Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Suécia, Estados Unidos, União Soviética e mesmo a Checoslováquia ocupada.

A jornada inaugural do festival foi marcada para o dia … 1 de Setembro de 1939, o dia em que Hitler invadiu a Polónia. Por causa desse acontecimento a inauguração do festival foi adiada para 10 de Setembro…. Mas, entretanto, começava a 2ª Guerra e o festival foi definitivamente adiado.

Só em 1946, após 6 anos de guerra, aquele Festival conheceu finalmente a luz do dia, tornando-se um dos mais famosos de sempre.

(Fonte : FERRANDO, Jérémy, “Cannes-un festival dans la tourmente”, in “Histoire(s) de La Dernière Guerre [1939-45, au jour le jour]”, nº 1, Setembro-Outubro de 2009, pág.25)