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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A entrevista "fofinha" de Sousa Tavares a André Ventura.

 


Na passada 2ª feira a TVI 24 iniciou uma série de entrevistas, conduzidas por Miguel Sousa Tavares, aos candidatos à Presidência.

Para respeitar a ordem crescente da representação parlamentar, o primeiro entrevistado foi André Ventura e a coisa não correu muito bem (ver comentário à mesma AQUI).

De facto Sousa Tavares mostrou-se, mais uma vez, mal preparado e muito condescendente com André Ventura.

Conhecido pela sua agressividade, a roçar a boçalidade e má criação, nos seus comentários e nas entrevistas, principalmente quando tem pela frente alguém de quem não gosta, desta vez viu-se um Sousa Tavares que deixou Ventura à vontade, sem usar o contraditório ou sem questionar aspectos polémicos e até abjectos do discurso do líder do Chega.

O próprio Ventura, tipo esperto, usou muitas vezes argumentos dos comentários populistas do próprio Sousa Tavares para defender as suas miseráveis idéias e calar Sousa Tavares, acrescentando (tratando-o por tu) "como o Miguel sabe" ou "como o Miguel diz".

há muito tempo que questionamos as qualidades jornalísticas de Sousa Tavares.

Embora escreva bem, revela-se quase sempre mal preparado, preconceituoso, parcial, roçando o balofo, nas opiniões que escreve, vivendo muito da fama do passado, granjeada pela sua colaboração na revista "Grande Reportagem".

Veremos se, nas próximas entrevistas, Sousa Tavares vai ser tão "fofinho" e condescendente como foi com André Ventura na passada 2ª feira.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Três Falácias acerca da luta dos professores.



O "argumentário" de comentadores habituais, como Miguel Sousa Tavares e outros “achistas” do seu gabarito, usado para denegrir os professores (existirão razões do foro psiquiátrico que desconhecemos, que justificam tanto rancor???…), baseia-se num conjunto de meias-verdades, má fé e num conjunto de  falácias :

Primeira falácia:

- Que os professores não podem ser privilegiados em relação a outros sectores da Função Pública!

Esta primeira falácia foi hoje desmentida pela seguinte notícia do Diário de Notícias (leiam principalmente o nosso sublinhado):

“Para Pedro Bacelar de Vasconcelos, constitucionalista e atual deputado do PS, liderando a Comissão de Assuntos Constitucionais na Assembleia da República, o facto de o governo estar já a reposicionar na carreira outros setores da Administração Pública que também sofreram o "congelamento" não implica a existência de uma inconstitucionalidade.

"Mesmo tendo o governo já aprovado a devolução, sem restrições, do tempo de serviço congelado à maioria dos trabalhadores da Administração Pública com carreiras gerais, deixando de fora - para já - apenas as que têm regimes específicos, como é o caso dos professores e dos polícias.

"Estamos a falar de políticas que têm também uma componente contratual, de negociação das carreiras e diferenças específicas quanto ao estatuto", defende ao DN, considerando "altamente improvável" a existência de uma inconstitucionalidade, "não a excluindo por completo"

"Já para Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista mais próximo do PSD, é "claro que há uma desigualdade de tratamento" face a outros trabalhadores. "isso parece-me evidente: viola o princípio da igualdade e também viola o princípio da confiança", diz, lembrando os compromissos assumidos sobre essa matéria.

"Recorde-se que além da devolução do tempo de serviço congelado ter sido objeto de um acordo de princípio, assinado em novembro entre os ministério das Finanças e da Educação e os sindicatos, a medida foi inscrita no orçamento do Estado deste ano, no artigo 19.º, tendo ainda sido objeto de um projeto de resolução aprovado por unanimidade na Assembleia da República”.

(sublinhado meu)

(in Pedro Sousa Tavares, “Quem tem razão na luta dos professores? Juristas divididos”, edição de 6/6/2018 do “Diário de Notícias”).

Ou seja, não são os professores os “privilegiados”  nesta situação, mas outros sectores da Administração Pública.

Segunda Falácia:

- Que os custos para o estado da contagem integral do tempo de serviço vão custar ao país cerca de 600 milhões de euros anuais.

Não se percebe onde se foi buscar esse número. Dividindo-o pelos cerca de 120 mil professores abrangidos pela medida (outro número a confirmar) dava qualquer coisa como 5 mil euros por ano a mais para cada professor…!!!!

Mas mesmo que esse número fosse o necessário para dignificar uma carreira, onde a maioria dos professores ganham pouco mais de mil euros por mês, pagam do seu bolso deslocações diárias de dezenas ou centenas de quilómetros e sofrem todo o tipo de pressões sociais, perdendo direitos todos os anos, pelo menos ao longo do últimos 15 anos, e ainda têm de fazer formação regular (apesar de terem estudado vários anos para se licenciarem), talvez  até não seja demasiado.

Como é que alguém que, para dizer meia hora de baboseiras semanais na comunicação social, umas mais certeiras, outras menos, (como acontece com qualquer pessoa informada…mas ninguém recebe salário por isso...), recebe de salário muito mais do que aquilo um professor, no topo da carreira, não sonha receber, se pode atrever a falar no salário dos outros???

E como é que existe “lata”, por parte de muito comentador, para se indignarem com os tais hipotéticos 600 milhões e ficar impávido e sereno perante a notícia, saída neste fim-de-semana, segundo a qual os portugueses pagaram 17 MIL MILHÕES DE EUROS para salvar a banca nos últimos dez anos (ou seja…MIL E SETECENTOS MILHÕES DE EUROS POR ANO PARA A BANCA!!!!).


TERCEIRA FALÁCIA

- Não há desemprego entre professores.

Esta é uma das falácias mais complicadas de provar.

Mas existe desemprego entre professores, só que ele confunde-se mais com emprego precário do que com o conceito clássico de desemprego.

Aliás, mesmo assim, basta percorrer os títulos da imprensa ao longo dos últimos anos para encontrar dezenas de notícias sobre o desemprego de professores.

Basta comparar a lista de candidatos a concursos anuais com os realmente colocados.

Muitos do que ficam de foram não são considerados  “desempregados” porque todos os professores têm de passar pelo “limbo” da precariedade antes de entrarem para o quadro.

No meu caso, passei dez anos nesse limbo, e era no tempo das “vacas gordas”, tinha de concorrer para tudo todos os anos e, se não fosse colocado, ficava no desemprego, mas não era classificado como tal, sem direito a subsidio de desemprego. Por isso tinha de me sujeitar a tudo, até a um ano inteiro a trabalhar para aquecer, pagando uma segunda casa longe da minha morada e da família… e fui dos que tiveram sorte.

Hoje a situação dos professores em início de carreira (um “início” que nalguns casos dura …10…15…20 anos…!!!!) é ainda pior. 

Não são desempregados, mas sujeitam-se a horários incompletos, mal pagos, a mudar todos os anos de casa e muitas vezes a centenas de quilómetros da família….e sem qualquer ajuda de custo…apenas para conquistarem uma melhor posição no concurso do ano seguinte, com a esperança de se efectivarem…


Enfim, ouvir comentadores, ditos “jornalistas”, falar nos privilégios dos professores…só por má-fé, ignorância (um jornalista ignorante???) ou pura desonestidade intelectual.


Podem existir razões financeiras e outras para ser difícil rever a situação do tempo perdido.

Pode haver uma intransigência exagerada dos sindicatos nesta questão.

Mas o que não se pode fazer, é usar este caso para atacar toda uma classe profissional que tem sido das mais sacrificadas e é, apesar disso, das mais empenhadas em melhorar as condições de vida de gerações de portuguesa.

Menos ainda é aceitável o afã com que alguns comentadores usam argumentos falaciosos, meias-verdades e falsidade para atacar toda uma classe profissional.

terça-feira, 24 de março de 2015

SOUSA TAVARES E O BES

Somos suspeitos, porque, já o confessámos, nutrimos um "ódio de estimação" por Miguel Sousa Tavares, quanto a nós um dos maiores "blufs" criados pela comunicação social.

AQUI explicámos que ,como muita gente, até começámos por achar piada às crónicas de Sousa Tavares e, ainda hoje, até concordamos em quase 80% com aquilo que ele escreve.

O problema é que, quando começámos a confrontar as suas opiniões com algumas realidades que conhecíamos bem por dentro e por fora, nos apercebermos da sua falta de imparcialidade, eivada muitas vezes de má-fé e falta de informação, como aconteceu, por exemplo, quando ele começou a falar da educação, em defesa da campanha de Sócrates contra os professores. 

Foi nessa ocasião que o mito nos caiu aos pés.

De facto, Miguel Sousa Tavares sobrevive graças ao mito e ao medo que criou à sua volta, à boçalidade que usa e abusa para ameaçar e chantagear inimigos e adversários, tudo disfarçado com umas pinceladas de escrita criativa e cuidada,embora  por vezes consiga ser genial.

Escritor pimba, bom escritor apesar de tudo, para quem gosta do género, conseguiu construir uma imagem de impunidade à sua volta.

Contudo o caso BES borrou a pintura e revelou o fim de um dos mitos que ainda iam sobrevivendo sobre as suas opiniões, o mito da independência.

Quem primeiro o desmascarou foi um humorista, que já tinha tido um caso polémico com Sousa Tavares no jornal A Bola, o José Diogo Quintela, que, em 31 de Março de 2013, escrevia no jornal Público a seguinte crónica:

"O que vale é que os compadres nunca se zangam

"Fim de Março, época do IRS. Enquanto nas casas da maioria dos portugueses se procuram facturas para apresentar, na de Ricardo Salgado esconde-se o camembert. Para que o banqueiro não se esqueça de declarar tudo o que ganhou. Como no ano passado, em que olvidou 8,5 milhões de euros.

"Duvido de que este ano Ricardo Salgado se esqueça de declarar um boião de brilhantina que seja. Ainda deve estar a tremer com o que foi dito nos jornais. Principalmente com o que escreveu Miguel Sousa Tavares no Expresso. Eis um resumo do que M.S.T. teve a dizer sobre a tentativa de fuga ao fisco:

"Logo na semana em que foi noticiada a amnésia fiscal, M.S.T. não hesitou e escreveu sobre esse tema prenhe de actualidade que é o acordo ortográfico.

"Não satisfeito com isso, na semana seguinte, zás!, falou sobre o excitante e nada programado regresso de Portugal aos mercados.

"Na terceira semana, com toda a gente impaciente para ler o que tinha a dizer sobre a falta de memória do CEO do BES, a original crónica de M.S.T. teve ainda mais impacto. Foi sobre o (também muito pertinente) descarrilamento (sic) de um camião de porcos na A1.

Também não falou de Salgado na quarta semana. Nem na quinta. Nem na sexta. Ou na sétima. Nem há duas semanas. Nem na semana passada.

"Como o leitor deve imaginar, Ricardo Salgado não dorme há dois meses. Tem terror do que M.S.T. irá dizer quando finalmente resolver falar. É que, para estar há tanto tempo calado, M.S.T. só pode andar a investigar, fundamentando bem a bordoada que irá aplicar no traseiro capitalista. Cada semana que passa mudo, é mais balanço que dá à perna alçada. O suspense é terrível.

"O silêncio a que se remete enquanto pesquisa não é de agora. Também não disse nada sobre o papel do BES na operação Monte Branco ou na privatização da EDP. Aliás, ao consultar o livro A História não Acaba Assim, que reúne os chamados "escritos políticos" de M.S.T. entre 2005 e 2012, também não se encontra nada sobre Ricardo Salgado e o BES. Ou seja, há pelo menos oito anos que o mais influente comentador português, principal colunista do principal semanário português, com uma página inteirinha só para si, consegue nunca escrever sobre aquele que é considerado o homem mais poderoso de Portugal. O esforço que não deve ser guardar a informação compilada para só usar quando for mesmo preciso? É um monumento à contenção.

"M.S.T. é um gavião, de olho acutilante para tudo o que sejam trambiquices de banqueiros. Já vituperou Jardim Gonçalves, amesquinhou João Rendeiro, mandou bocas acintosas a Fernando Ulrich, denunciou as negociatas da CGD no BCP, insultou Oliveira e Costa e o BPN, fustigou o Banif, descompôs Vítor Constâncio, censurou Carlos Costa e enxovalhou o Banco de Portugal em geral. Imagine-se o que não terá para dizer de Salgado. Estou ansioso para que esse topa-Shylocks aldrabões se decida por fim a dar uma lição ao prestamista amnésico. O dia em que M.S.T. finalmente falar sobre Ricardo Salgado vai ser histórico.


"Ou, então, como a sua filha é casada com o filho de Ricardo Salgado, M.S.T. vai permanecer caladinho. Mas, como é seu timbre, esse silêncio será corajoso e totalmente livre e independente".

Como é hábito, Miguel Sousa Tavares reagiu à bruta e de forma boçal, com ameaças à mistura:

Usando o espaço da revista que já tinha dirigido e com a qual mantinha relações pessoais, a revista Sábado dava-lhe espaço para responder a Diogo Quintela numa mini entrevista:

"É uma crónica que está a causar polémica. No domingo, no jornal 'Público', o humorista José Diogo Quintela usou quase todos os parágrafos do seu texto para notar algo que diz achar estranho: porque é que Miguel Sousa Tavares nunca escreveu ou falou sobre os casos judiciais que envolvem Ricardo Salgado, C.E.O. do Banco Espírito Santo?

"Mais estranho ainda, diz Quintela, porque Salgado é o "homem mais poderoso de Portugal" e Sousa Tavares é "um gavião de olho acutilante para tudo o que sejam trambiquices de banqueiros".

"No último parágrafo, Quintela avança uma explicação: "Ou então, como a sua filha é casada com o filho de Ricardo Salgado, M.S.T. vai permanecer caladinho." Acrescente-se que a crónica intitulava-se "O que vale é que os compadres nunca se zangam".

"Contactado pela SÁBADO esta tarde, Miguel Sousa Tavares reagiu de forma dura:

"Leu a crónica que José Diogo Quintela escreveu sobre si?

"- Sim, mandaram-se isso.

"E o que é que tem a dizer?

" - Apenas isto: ele é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas.

"Mas sobre a insinuação de que...

"-... É só isso que tenho a reagir: é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas, mas não lhe vou fazer isso.

"Quintela diz...

"-... estou-me nas tintas. Ele que que fale do sócio dele da panificação, o Dias Loureiro".

A entrevista é bem reveladora do estilo ultramontano de Sousa Tavares e da sua falta de respeito por opiniões contrárias à sua.

As insinuações que faz a Dias Loureiro tem a haver com o facto de Diogo Quintela ter sido sócio, entre Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2012 de Dias Loureiro na "Bakers Capital", a SGPS que detinha um terço da "Padaria Portuguesa", a rede de lojas de que Quintela era proprietário.

O recurso à calunia e à meia-verdade revelou-se mais uma vez o estilo da argumentação de Sousa Tavares.

O que é um facto, também denunciado por um outro cronista, João Miguel Tavares. mais recentemente, crónica já AQUI reproduzida. é que Tavares manteve o silêncio sobre o caso BES até à semana passada quando, numa entrevista ao jornal Diário de Notícias (14 de Março de 2015) saiu a terreiro em defesa do compadre Ricardo Salgado:

"Num almoço com o jornalista Nuno Saraiva, do Diário de Notícias, Miguel Sousa Tavares falou um pouco de tudo: do estado do país, das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, de Cavaco Silva e até mesmo da Grécia.

"Mas comecemos pelo colapso do Grupo Espírito Santo (GES), do qual o escritor se tentou desmarcar nos seus comentários por ter uma filha casada com um filho de Ricardo Salgado. “Sou amigo do Ricardo há muitos anos, para além das relações familiares. E continuo a achar que ele era o melhor banqueiro português”, revelou.

“O problema dele não foi falhar como banqueiro, foi querer ser chefe de uma família em que todos tinham de trabalhar para o grupo e só 10% tinha competências para o fazer. Querer sustentar a família toda e ter submetido o grupo ao banco é que acho imperdoável”, afirmou o comentador." (in DN online de 14 de Março de 2015).

...e ...sobre o tema, o jornalista palavroso e exuberante, nada mais disse.

O caso BES é apenas mais um prego na reputação do "jornalista critico e independente" Miguel Sousa Tavares....

terça-feira, 1 de julho de 2014

O respigo da semana : "Marcelo, Miguel, o BES e nós", por João Miguel Tavares:

Já nos referimos várias vezes por aqui à misturada entre políticos do centrão, banqueiros e comunicação social.

A propósito da bola de neve que se vai avolumando sobre o caso BES e das suas guerras familiares, começa-se agora a descobrir o poder que esse banco e a família a ele ligado têm em Portugal, movendo influências entre a classe política dominante e controlando a opinião pública.

Essa rede de influências, que envolve até alguns conhecidos comentadores da nossa praça, está acima de qualquer tribunal Constitucional ou de qualquer “Constituição Comunista”, como alguns comentadores de direita gostam de classificar esse documento fundamental para o regime democrático.

Acima da liberdade, da lei, da Constituição “comunista” ou da própria democracia pluralista, essa rede de influências é a principal responsável pelo estado a que o país chegou.

A última crónica de João Miguel Tavares, um dos mais lúcidos, independentes e criativos comentadores da direita (como o próprio se designa), é, nesse aspecto, insuspeita e coloca o “dedo na ferida” deste regime caduco em que vivemos, sendo por isso a nossa escolha para o “respigo da semana”:

“Marcelo, Miguel, o BES e nós"

Por João Miguel Tavares

In Público de 1 de Julho de 2014

(crónica semanal “0 RESPEITINHO NÃO É BONITO”).

“Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas - basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?

“A resposta é óbvia: porque a família Espírito Santo é demasiado grande e o país demasiado pequeno. Enquanto a família esteve unida, formou um bloco inexpugnável, pela simples razão de que o seu longo braço chegava a todo o lado, incluindo partidos (alguém já ouviu António José Seguro, sempre tão lesto a dar palpites sobre tudo, comentar o caso BES?), comunicação social (quem não se recorda do corte de relações com o grupo Impresa em 2005, na sequência de notícias sobre o envolvimento do BES no caso Mensalão?) e até aos próprios comentadores, por via das relações pessoais que Ricardo Salgado mantém com gente tão influente quanto Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares.

“Ora, ninguém à face da terra possui uma independência inexpugnável. Isso não significa que todos tenhamos um preço - significa apenas que somos condicionados por relações de amizade ou de sangue e que nesse campo uma família de 300 membros, que há décadas se move na alta sociedade portuguesa como peixe na água, acaba por chegar a quase toda a gente que interessa. O próprio Sousa Tavares referiu essas ligações há um ano, numa entrevista à Sábado: “O Ricardo Salgado é sogro da minha filha e avô de netos meus. Além disso, somos amigos há muitos anos, porque eu fui casado com uma prima direita dele. Nunca o critiquei e nunca o elogiei, porque acho que não se fala da família em público.” Pode apontar-se a Miguel Sousa Tavares muita coisa - eu já o fiz -, mas não falta de independência ou coragem. Simplesmente, quando o caso BES atinge esta dimensão, o silêncio de alguém com a sua importância torna-se efectivamente um favor a Salgado. Não há como fugir a isso. 

“Mas se Sousa Tavares não fala sobre o tema e já justificou porquê, o mais influente comentador português - Marcelo Rebelo de Sousa - necessita urgentemente de aproveitar algum do seu tempo dominical para fazer a sua declaração de interesses em relação aos Espírito Santo. E essa declaração é tanto mais premente quanto nas últimas semanas tem vindo a defender a solução Morais Pires, considerando até que a impressionante queda das acções do BES na passada semana era coisa “inevitável”, visto estarmos perante “um novo ciclo”. Que essa queda tenha acontecido exactamente por não estarmos perante um novo ciclo parece não ter passado pela sua cabeça, habitualmente tão veloz e atenta.


“Não admira, pois, que Nicolau Santos tenha chamado a atenção no Expresso para o facto de Marcelo e Ricardo Salgado já terem passado juntos “várias vezes férias no Mediterrâneo”. E,   já agora - acrescento eu - que Rita Amaral Cabral, há longuíssimos anos companheira de Marcelo, como é público, seja actualmente administradora não executiva do BES, e, entre 2008 e 2012, um dos três membros da comissão de vencimentos do banco. Marcelo, como todos sabemos, nunca teve quaisquer problemas em criticar aqueles que lhe são próximos. Mas há factos que devem ser verbalizados - porque é precisamente destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui”.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Censura no Expresso -Mário Crespo despedido após crítica violenta ao jornal.













Confesso que a atitude da direcção do Expresso não me surpreendeu.
Desde há muitos anos que esse jornal deixou de ser o meu jornal de referência e, nos últimos tempos, só entra cá em casa esporadicamente.
Deixar de comprar o Expresso foi uma decisão demorada e "dolorosa".
Começou quando esse jornal passou a usar títulos bombásticos sobre a política nacional que depois, lendo o conteúdo no seu interior, se revelavam um grande engodo para leitores incautos. Era um pouco a generalização do estilo "Correio da Manhã", mas para "intelectuais" , gente "séria" e “fina”.
Depois comecei a embirrar com a quantidade de "lixo" que era anexado ao jornal, ocupando-me muito tempo a seleccionar e a separar o que interessava daquilo que só servia para forrar caixotes.
Em paralelo, as excelentes reportagens que tinham sido apanágio da história do jornal, deram lugar a demasiados espaços opinativos e à generalização do estilo “cor-de-rosa” das poucas reportagens que ainda eram incluídas nas suas páginas.
Salva-se o seu suplemento cultural, mas também este  cada vez mais elitista e “lobista”.
A situação agravou-se quando esse jornal alinhou na guerra do Iraque ao lado do presidente Bush ou quando começou a dar voz às opiniões económicas e às ideologias do pensamento único neo-liberal, sem grandes contrapontos.
Finalmente o enfeudamento da maior parte dos seus comentadores e jornalistas ao "maria de ludes rodriguismo" levou-me a tomar a decisão final, precisando apenas da "coragem" de assumir o “acto”.
A gota de àgua final foi a entrada pela porta grande do “jornalista” Miguel Sousa Tavares. Aí deixámo-nos de hesitações e cortámos de vez com o jornal.
Já aqui o referimos o que pensamos de Sousa Tavares, o "Dantas" da segunda república.
Em tempos que já lá vão Sousa Tavares até fez algum bom jornalismo, escreve bem, por vezes até acerta nas situações que denuncia, mas depois deixou-se encostar à sombra do êxito do passado, tornando-se desleixado, sectário, arauto do senso comum, pouco rigoroso, embrulhando tudo numa escrita inteligente e numa gestão cuidada da sua imagem pública.
O que ainda não me tinha apercebido era do poder que ele já tinha dentro do Expresso, de tal ordem que uma divergência com outro jornalista, Mário Crespo, que neste caso até tem razão, levou toda a direcção do jornal, em vez de admitir o erro deontológico cometido nas suas página, a tomar a triste e arrogante decisão de  despedir o comentador.
O Expresso acabou por fazer o mesmo que tanto criticou ( e com razão) em relação à suspensão da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1.
Só que, a partir de agora, deixa de ter “moral” para criticar actos de censura.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A MINHA COLECÇÃO DE CROMOS - 2 - : Miguel Sousa Tavares: a basófia de quem está bem instalado no sistema.



(Vejam AQUI a resposta dos organizadores da Manifestação dos portugueses à Rasca).

Entre outras coisas, tão ilustre "jornalista" opinava que a manifestação não ía ter grande sucesso "a não ser que o PCP se associe à mesma"... já muitos se encarregaram de dar a resposta ao sr. Tavares.
Tão ilustre opinador dá ainda uma idéia do público alemão do festival da canção como um grupo de mentecaptos que, levando a sério a opinião dos "Homens da Luta", não sabendo distinguir o que é um festival de musica "rasca" da real dimesão cultural de um país como o nosso, vão, depois de verem a actuação do grupo português nesse festival, deixar de aprovar os apoios da Alemanha a Portugal!!!
Não acredito que o público alemão tenha tanta falta de humor ou que seja tão bronco que não saiba dar o devido valor a esse festival.
O sr. MST é um daqueles "bobos" necessários à credibilidade de todos os regimes instalados, que precisam de alguém que por vezes lance uma alfinetadas para dar uma idéia de liberdade de opinião e de contestação consentida, mas que está bem instalado nesse regime, que beneficia da cultura de imagem, que tão bem sabe usar a seu favor, que sempre se soube encostar à gente certa no momento certo, beneficiando do nome de família e do medo que muitos têm pelo seu poder mediático e pela qualidade da sua escrita.
Enfim, mais um "cromo" a juntar à nossa "colecção"...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MIGUEL SOUSA TAVARES VOLTA A ATACAR...

Tinha prometido a mim próprio que não perdia mais tempo a ler as crónicas de Miguel Sousa Tavares (MST) no Expresso.

Muitas vezes até posso concordar com algumas das suas opiniões, apesar do tom ressabiado, que já cansa, com que se refere a tudo e a todos.

Mas o modo como se refere, sempre que pode, por tudo e por nada, aos professores, como se estes fossem um párias, responsáveis por todos os males deste país, já enoja.

Já tinha deixado de comprar regularmente o Expresso há muito tempo, decisão que se consolidou a partir do momento que MST começou a colaborar com esse semanário, que acompanhei desde o seu primeiro número.

Mas, mais uma vez caí na esparrela, com o engodo das comemorações do nº 2000 daquele periódico.

Mais uma vez MST volta a referir-se aos professores de modo boçal e acintoso, como se tornou seu costume, mesmo que o faça nas “entrelinhas”.

Tudo serve para passar a imagem dos professores como preguiçosos, interesseiros, incompetentes, misturando a mentira pura e simples, com a ignorância e a meia-verdade, porque a mentira, como dizia o poeta, tem de trazer à mistura alguma coisa de verdade.

Segundo ele, parece-lhe criminoso que os professores exijam o pagamento de horas extraordinárias para além das “22 horas” de trabalho por semana.

E cá voltamos à mesma, a ideia do MST segundo a qual um professor só trabalha as 22 horas do horário escolar. Como jornalista tinha a obrigação de se informar melhor. Em primeiro lugar, quanto maior a redução da componente lectiva, mais aumenta a componente não lectiva de tempo presencial na escola. No meu caso estou na escola 24 e não 22 horas. E esse tempo não lectivo é dedicado a um número infinito de tarefas, mais ou menos burocráticas, mais ou menos de serviço à escola, não entrando nessas horas o tempo para preparar aulas, o tempo para fazer testes, o tempo para investigar documentos ou materiais que enriqueçam as aulas, o tempo de preparação de aulas.

Além disso, um professor está no activo 24 horas por dia, pois, como acontece no meu caso, sou frequentemente solicitado por alunos, ex-alunos, encarregados de educação e ex-encarregados de educação, colegas e ex-colegas, entidades públicas ou privadas para os apoiar ou para colaborar, quase sempre gratuitamente, em várias actividades relacionadas com a minha área científica, através de contactos de rua, telefone, e-mail, facebook….

Por esse tipo de lógica, e por absurdo, se só levo 10 minutos, ou nem tanto, a ler uma crónica de MST, devia chegar à conclusão que ele só trabalha 10 minutos na sua elaboração…!!!

MST mostra-se ainda indignado com o facto de os professores terem “direito a pagamento extra por corrigirem exames”. Talvez se devesse informar sobre o valor desse pagamento, que ele responsabiliza, ente outras situações, pelo despesismo do Estado. Posso concordar que essa função não devia ser paga, mas integrada nas funções lectivas, diferenciando de algum modo, em termos de horário, os que desempenham essas funções dos que não as realizam.

Mas tendo em conta o número reduzido de professores envolvidos nessas tarefas e os valores irrisórios do que por ela são pagos, não percebo como é que esta situação tenha algum peso para a bancarrota do Estado português. Só percebo o peso financeiro que MST pretende atribuir a esse pagamento com a sua já habitual má fé em relação aos professores deste país.

MST tem uma determinada “realidade” na sua cabeça (para ele, os professores fazem parte dos problemas do país), depois, com o seu reconhecido jeito para argumentar e escrever, todas as situações da profissão docente, descontextualizadas, devem encaixar nessa “realidade”.

Pela minha parte, quando alguém recorre à mentira, à meia verdade ou à má fé, para se referir a assuntos ou factos que eu conheço, deixo de dar qualquer credibilidade ao que essa pessoa escreve, mesmo que por vezes possa concordar com ele. Se ele erra quando se refere ao que eu conheço, o que não fará quando se refere àquilo que eu não conheço?.

É pena que alguém que escreve tão bem vá por aí...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ódio de estimação

Amanhã, os professores portugueses vão ter uma das suas últimas oportunidades para manifestar o seu descontentamento em relação à forma como têm sido tratados por este governo..
Antecipando-me desde já as bocas que se esperam, por estes dias, de gente como o Emídio Rangel ou o Miguel Sousa Tavares, transcrevo um texto que escrevi há pouco mais de um ano (30 de Setembro de 2007) num blogue, entretanto extinto, intitulado, exactamente, "Ódio de Estimação":
Desde há dois anos que ganhei um ódio de estimação ao Miguel Sousa Tavares [MST].
Até então era leitor assíduo e entusiasta da sua coluna de 6ª Feira no PÚBLICO, tendo sido anteriormente um entusiasta leitor da Grande Reportagem por ele dirigida.
Tudo mudou quando MST se deixou cair de amores pela Ministra da Educação do governo Sócrates e passou a aproveitar o espaço que dispunha, na imprensa de referência e na televisão, para descarregar todo o seu fel contra os professores e a sua profissão.
Desconheço as razões pessoais para tal campanha, mas desgostou-me o método usado, recorrendo à meia-verdade, a generalizações abusivas e mesmo a mentiras, reveladoras de uma grande dose de ignorância sobre o assunto.
MST, que foi em tempos um dos nossos jornalistas de referência, tornou-se relaxado, preguiçoso, irritante e descuidado, vivendo à sombra de louros passados.
Sobre os professores, já disse que eles trabalhavam poucos dias por ano, fazendo apenas contas aos horários lectivos e às interrupções lectivas, esquecendo-se que o trabalho que conta não é apenas o que é feito na sala de aula.
Seria o mesmo que comparar o trabalho jornalístico de MST com base no tempo que se leva a ler uma crónica sua, se bem que, ultimamente, o seu trabalho se revele cada vez mais descuidado e irreflectido, com recurso ao mero senso comum.
Assim não custa muito ganhar a vida [e já não me refiro ao "trabalho" das terças-feiras na TVI !!!].
Recorrendo às habilidosas manipulações estatísticas de alguns "economistas de referência", tão do agrado da Snrª Ministra da Educação, o sr. MST também já disse que os professores eram os mais bem pagos da Europa [!!!], para justificar as duras medidas de contenção da Srª Ministra.
O jornalista MST devia, para não desvirtuar o seu passado profissional, informar-se mais, não se deixando levar por tão grosseiras manipulações estatísticas. Só fica mal à sua reconhecida inteligência.
Mas não se fica por aqui a ofensiva de MST contra os professores.
Há mais de um ano, naquela que foi talvez a mais infeliz das suas crónicas, iniciava a sua colaboração no Expresso com um conjunto de vergonhosas mentiras e manipulações, generalizando uma situação pontual sucedida com um dos seus filhos para exagerar as razões das faltas dos professores.
Neste caso até conseguiu ir mais longe do que a bem oleada central de propaganda do governo que, ao descer à realidade, não conseguiu provar estatisticamente que o absentismo docente era pior que o absentismo da maior parte das profissões.
Ainda por cima MST aproveitou-se da situação pessoal dramática de um professor do seu filho para tentar levar a água ao seu moinho.
Ainda no mesmo artigo, lançou uma das mais descaradas e desmascaráveis mentiras ao afirmar, referindo-se aos professores do ensino secundário, que estes não aceitavam as novas condições de reforma propostas pelo governo porque não se queriam reformar com mais de 35 anos (sic) de trabalho. MENTIRA ! De facto, antes das actuais mudanças nas reformas, um professor desse nível de ensino só se podia reformar-se com... 36 anos de trabalho. Com as novas medidas a idade da reforma só se concretizará, para a maior parte dos professores, com 40 ou mais anos de trabalho.
Muitas outras mentiras e meias verdades foram exploradas nesse vergonhoso artigo.
Ainda sobre este tema, anteriormente, ainda no Público, MST mostrava-se indignado com as condições anteriores da reforma dos professores, perguntando o que é que estes eram mais do que os mineiros que não tinham as mesmas condições de reforma. Mais uma vez o cada vez menos jornalista MST estava mal informado ou a mentir descaradamente. Os mineiros já gozavam, merecidamente, de um sistema de reforma especial, e recentemente discutia-se se, nas novas condições da reforma, esses profissionais manteriam ou não essas condições.
Desde algum tempo a esta parte MST deixou de falar tanto nos professores, mas todas as ocasiões servem para umas alfinetadas de um ou dois parágrafos, como daquela vez em que afirmava, provavelmente com base nos grandes estudos do Ministério da Educação e do Medina Carreira, que os bons professores eram os que não estavam sindicalizados e todos os sindicalizados eram maus professores.
Que conhecimentos tão profundos possui o especialista de quase tudo em que se tornou o jornalista MST ...!Mais recentemente, no Expresso de 29 de Setembro de 2007, volta a namorar a Srª Ministra, defendendo o sistema de avaliação dos professores, ainda em processo de negociação, baseado em critérios tão pouco objectivos como o resultado dos alunos e o abandono escolar.
Só quem não conhece a realidade escolar é que acredita na "justiça" de tais critérios.
Tanta ignorância, má-fé e mentira por parte de MST, abona muito pouco a favor do seu profissionalismo.
Que pena os responsáveis do Expresso ou da TVI não adoptarem os mesmos critérios de avaliação que ele defende para os professores.
Provavelmente seria despedido com justa causa.
Venerando Aspra de Matos