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terça-feira, 24 de setembro de 2024

O governo terrorista de Israel e a Banalização do Mal!!

 


O governo terrorista de Israel e as organizações terroristas que aplicam a sua política de terra queimada, a IDF (Forças Militares Israelitas) e a MOSSAD ( a Gestapo local), praticam todos os dias, há décadas, mas especialmente durante o ultimo ano, os mais hediondos crimes de guerra, com a benevolência ocidental, que arma esses terroristas.

Comparados com a acção desse bando terrorista, organizações terroristas como o Hamas o Hezbollah ou o Estado Islâmico fazem papel de meninos do coro…

Recorde-se, aliás, que quem introduziu no Médio Oriente o terrorismo como método de acção política foi Israel, na sua luta contar a presença britânica no pós-guerra-

Vejam a diferença de tratamento que o dito “ocidente” e a maior parte dos seus “comentadores” e jornais dão aos crimes diários praticados por Israel e aos crimes diários (mas em menor grau, diga-se de passagem…) praticados na Ucrânia.

A Rússia foi banida de quase todos os eventos culturais e desportivos, Israel continua todos os dias a participar nesses mesmos eventos, integrados  muitos desses eventos em representação da  Europa (???).

Igualmente inconcebível é a posição do poder ucraniano em relação a Israel. Não se percebe como é que a Ucrânia, vítima de uma agressão idêntica àquela que é todos os dias praticada pelo governo terrorista de Israel, se recuse a condenar a acção israelita.

Não perceberam ainda que essa posição e a posição ocidental de “dois pesos e duas medidas” estão a contribuir para reduzir o apoio da opinião pública mundial, principalmente a que vive fora da Europa, para a sua causa?

Aliás, quem, e bem, critica a invasão da Ucrânia e a acção do governo russo, mas, e mal,  tenta justificar a acção do governo terrorista de Israel, ou diz apoiar o povo ucraniano mas nega o apoio aos palestinianos, perde toda a legitimidade moral para defender as suas posições.

O governo terrorista de Israel, com os seu crimes diários, está a emporcalhar e  a envergonhar a memória das vítimas do Holocausto, o que nos leva a pensar que os actuais lideres desse estado terrorista não descendem dos judeus perseguidos mas dos kapos, ou até de nazis que se infiltraram entre os refugiados judeus, fazendo-se passar por eles para escaparem a serem julgados como criminosos de guerra.

A  acção terrorista desse governo é o mais contributo para o preocupante crescimento do antisemitismo, ao acusar qualquer critica, por mais moderada, à sua acção crimininosa de "antisemita", confundindo o antisemitismo com o antisionismo.

Claro que o estado terrorista de Israel está rodeado por países igualmente governado por gente pouco recomendável, entre ditaduras sanguinárias e extremistas religiosos.

A maior parte desses estados nada fazem para proteger os palestinianos, por razões de xenofobia ou por fundamentalismo religioso.

Contudo, a questão não é o asilo de palestinianos, mas a construção de um Estado Palestiniano onde possam conviver todas as religiões da região e a população nativa, com ou sem religião.

Aliás, tem sido contra isso que foi criado o Estado de Israel, um Estado religiosamente fundamentalista, um Estado de Apartheid,  onde existem cidadãos de primeira, os judeus, e uma população de segunda, com menos direitos, todos os não judeus. Enfim, uma “verdadeira” “democracia liberal” para uns, se forem judeu, mesmo que não tenham nascido em Israel, e uma ditadura radical para todos os outros habitantes desse território.

É essa banalização do mal que o “ocidente”, com a conivência de países como a Ucrânia, continuam a alimentar, colocando o mundo à beira do abismo….mas a industria militar e quem a financia agradecem!!!

sábado, 26 de outubro de 2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Solidariedade para com os Curdos!

(Carmelo Kalashnikov - Cartoonmovement.com)

Os curdos estão, mais uma vez, a ser vítimas de massacres e perseguições, com a conivência do mundo ocidental e em especial da NATO.

É significativo que o actual secretário da NATO apareça a defender, mesmo que veladamente, como é aliás o timbre do cínico  Jens Stoltenberg, as posições da Turquia.

Mais uma vez temos o principio de “dois pesos, duas medidas”.

Se aquilo que está a ser a atitude Turca em relação aos curdos na Síria fosse levada a cabo pelo Irão, pela Venezuela ou pela Coreia do Norte, a atitude seria outra.

Ou seja, um país da NATO pode violar todas as regras internacionais e pisar os mais elementares Direitos Humanos, só porque é…membro da NATO.

Claro que se ouvem condenações, “pareceria mal” se não o fizessem, mas tudo não passa de mera retórica, sem qualquer consequência.

“Percebe-se” o “medo” em encarar a condenável atitude do governo turco em relação aos curdos : o exército turco é um dos exércitos mais poderosos no seio da NATO, na Europa só ultrapassado pelos britânicos; a NATO tem importantes e estratégicas bases militares na Turquia, como recordou o Cínico Stoltenberg, para justificar a apatia ocidental em relação à Turquia; a União Europeia “comprou” ao governo turco a manutenção de verdadeiros campos de concentração para conter os refugiados das guerras financiadas e armadas pelo ocidente no Médio Oriente, ficando refém do autoritário Erdogan.

No meio de tudo isto a razão está do lado dos Curdos.

Foram os Curdos que tiveram um papel crucial no combate ao Estado Islâmico, como já tinham tido anteriormente no combate ao ditador iraquiano Saddam Hussein.

Agora foram abandonados aos superiores interesses da NATO e dos Estados Unidos, caindo nos braços dos Russos e do ditador Assad.

A traição do ocidente e da Europa ao legitimo direito de criação de um Estado Curdo independente não é nova.

Historicamente os curdos tiveram origem no povo Medo, oriundo da Ásia Central, quando ocuparam a cidade assíria de Nínive em 612 a.C.

Durou pouco tempo essa primeira autonomia. Os Persas dominaram a região em 550 a.C.,  iniciando-se aí a sua saga de perseguições e massacres.

Após a 1ª Guerra mundial, com o desmembramento do Império Otomano, o Tratado de Sévres, de 1920, defendeu a criação de um Estado Curdo, o Curdistão, ideia logo rejeitada pelos turcos.

Com o Tratado de Lausanne, em 1923, o território do que devia ser o Curdistão foi integrado, na sua maior parte, na actual Turquia, e nos novos Estados então criados do Iraque e da Síria e, em menor quantidade, no Irão.

Perseguidos por todos, com maior ou menor violência, os curdos têm lutado, desde então, pela sua independência.

Calcula-se quase metade dos curdos, cerca de 14 milhões,  vivam no território turco, onde representam 20% da população deste país.

Entre 1984 e 1999 o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) entrou em guerra aberta contra o exército turco, recorrendo a actos de extrema violência, de terrorismo até. Isso não evitou a sua contenção e, a partir de então o exército turco tem procedido a uma verdadeira limpeza étnica na região, dispersando ou massacrando os curdos e varrendo do mapa mais de três mil aldeias e vilas curdas.

No Iraque, onde está a segunda maior fatia do território curdo, representando 15 a 20% da população deste massacrado país, a situação não foi muito melhor, principalmente durante o governo do ditador Saddam Hussein, apoiado militarmente pelo ocidente na sua guerra contra o Irão, ocidente esse que, enquanto lhe convinha manter o apoio ao ditador do Iraque, fechou os olhos aos massacres e perseguições contra o povo curdo neste país. Só a partir de 1991 a sua situação começou a melhor, quando, no território curdo no Iraque, foi estabelecida, pelo Conselho de Segurança da ONU, uma zona de exclusão aérea que permitiu a criação do Curdistão Iraquiano, que passou a gozar de grande autonomia. Recentemente foi a sua região uma das que  mais sofreu  com a expansão do Estado Islâmico.

O território curdo espalha-se ainda pela Síria, pelo Irão e, em número bem menor, pelo Líbano e pela Arménia.

Na Síria, centro do actual conflito, representam quase 10% da população, são cerca de 2 milhões, concentrados mais no norte e nordeste, sendo a maior minoria étnica deste país em guerra civil. Também aqui, embora com menos violência do que a sofreram no Iraque de Sadam ou na Turquia, têm sido perseguidos, uma perseguição que é essencialmente cultural, com a proibição do uso da sua língua e das suas tradições e de assimilações mais ou menos forçadas.

Contudo, o  papel crucial dos curdos no combate ao Estado Islâmico granjeou-lhe apoio e simpatia por parte do Ocidente e eram, até há poucas semanas, o principal aliado dos Estados Unidos no combate contra aquele estado terrorista.

Abandonados agora pela irresponsabilidade de Trump e pelo cinismo da NATO e da União Europeia, aproximaram-se da Rússia e do ditador sírio Assad, para se defenderam do massacre do exército turco.

Tal como os judeus no passado, e os palestinianos no presente, os curdos merecem respeito e, principalmente, o direito a terem um Estado.

Apesar das dificuldades chegou a hora dos Curdos.

Se existe causa justa no presente, sobre a qual não temos qualquer dúvida sobre de que lado estamos, ela  é a causa Curda.

Ficar calado é pactuar com o cinismo e a irresponsabilidade nas relações internacionais e, é pactuar com  a violação dos mais elementares direitos humanos perpetrada por Erdogan e, no
 imediato, é apoiar o renascimento do Estado Islâmico.

Esta é daquelas causas em que cada um deve definir de que lado está.

Nós estamos do lado dos curdos.



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Arábia Saudita, um Estado Pária que serve ao Ocidente



Se existem países actuais aos quais se pode aplicar a classificação de Estados Totalitários, eles são, sem qualquer dúvida, a Coreia do Norte e a Arábia Saudita.

A principal diferença entre a forma como esses países olhados reside no facto de um ser extremamente pobre e outro extremamente rico, para além do tratamento das mulheres também ser diferente.

Outra semelhança entre esses dois estados governados por criminosos reside no seu poderio militar.

Contudo, se, até hoje, apesar das ameaças constantes, a Coreia do Norte nunca ter usado o seu poder militar contra outro Estado, pelo contrário a Arábia Saudita tem-se envolvido nalgumas das mais criminosas intervenções militares, de que é exemplo máximo a  sua sangrenta intervenção no Iémen.

Também o modo como esses países tratam os dissidentes não difere muito, não hesitando em recorrer à eliminação física dos mesmos, como aconteceu recentemente com o assassinato de um irmão do ditador norte coreano ou com um intelectual saudita dissidente, morto, com laivos de extrema crueldade, no interior da embaixada saudita em Istambul.

Contudo, a imagem que o cinema de Hollywood dá desses dois países desumanos é diferente. Os norte-coreanos surgem sempre por detrás do terrorismo internacional. Contudo, também nesse ponto, a realidade se tem revelado diferente. Nos maiores actos do terrorismo internacional das ultimas duas décadas têm estado sempre envolvidos cidadãos da Arábia Saudita. Por detrás do Estado Islâmico ou da Al Qaeda estão sunistas sudaneses e não deixa de ser significativo que, no Iémen, exista uma colaboração clara entre os terroristas da Al Quaeda e o exército saudita.

Se é condenável o ataque de rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão na guerra do Iémen, contra instalações petrolíferas no interior da Arábia Saudita, acto de retaliação, defendem esses rebeldes, pelos crimes sauditas no Iémen, é de facto diferente esse acto, causando danos materiais, da destruição de hospitais, escolas, depósitos de àgua, perpetrados pela coligação internacional liderada pela Arábia Saudita junto das populações que vivem e apoiam os Huthis.

A Arábia Saudita não merece qualquer crédito ou confiança para liderar um inquérito àqueles ataques e esperamos que, mais uma vez, a comunidade internacional não caia na esparrela de dar crédito a esse inquérito, conduzido pelos sauditas e pelos Estados Unidos, o seu principal aliado e fornecedor de armamento.

Se Bush filho tinha uma obsessão pelo Iraque de Sadam, com o resultado conhecido, Trump tem uma obsessão pelo Irão.

Durante décadas o Iraque do ditador Sadam foi armado pelo ocidente para combater o Irão, sendo descartado quando os seus crimes se tornaram demasiado evidentes.

Agora armam o estado pária da Arábia Saudita com o mesmo objectivo, esquecendo-se que, por mais do que uma vez, os interesses militares e financeiros sauditas não hesitaram em apoiar, mesmo que indirectamente, o Estado Islâmico ou a Al Qaeda, que tanto mal têm feito ao mundo ocidental.

A Arábia Saudita é um Estado pária que convém a algumas forças políticas regionais e  ocidentais , aos interesses petrolíferos, ao poder financeiro e ao negócio de armamento.

Tanto ou mais que o Irão, se há Estado que já mostrou mais uma vez que merecia sofre todo o tipo de sanções da comunidade internacional é o criminoso reino saudita.

Espera-se que a história não se repita e o Ocidente não cai noutra esparrela que leve o Médio Oriente a uma situação ainda pior do que aquela que foi criada no Iraque e nos países vizinhos com a conveniente colaboração dos Estados Unidos e Israel.

Um Estado pária, que não respeita os mais elementares direitos humanos e se envolve em guerras criminosas, é sempre um Estado pária, seja qual for a sua cor política e o seu poder económico.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

ISRAEL – De um Estado merecido a um Estado pária.



Quando nasceu, há 70 anos, o Estado de Israel foi saudado pelos progressistas de todo o mundo.

Estava ainda fresco o Holocausto e a esmagadora maioria dos judeus, que se deslocaram para Israel, sonhavam deixar para trás um período terrível e construir um futuro de paz e prosperidade.

Foi um Estado construído contra ventos e marés, no meio de uma população árabe hostil, dominada por governos semifeudais e muitos deles colaborantes com o nazismo durante a IIª Guerra.

Ficou na memória a aventura do “Exodus”, literária  e magistralmente descrita por Leon Uris.

Mas o nascimento daquela nação trazia logo o vírus que haveria de desbaratar a simpatia por Israel.

Desde logo a forma como tratou os Palestinianos que viviam no país, espoliados das suas terras e dos seus bens e condenado a gerações de pobreza no seio de uma população judaica próspera, raiando muitas vezes um tratamento desumano e a mais abjecta e condenável descriminação étnica, por vezes à beira da limpeza étnica.

Houve momentos em que parecia que essa mancha na sua história ia ser resolvida, mas o assassinato de Yitzhak Rabin, às mãos de um radical judeu, em 1995, em vez de levar os israelitas a repudiarem o crime, levou-os a colocar no poder radicais que, ideologicamente, estão mais próximos do assassino do que da intenção de Rabin.

Um outro momento que colocou Israel entre os Estados párias deste mundo foi quando, depois da queda do muro de Berlim, a maioria da população israelita passou a ser dominada por judeus vindos do leste e por uma geração que já nenhuma relação tinha com as vítimas do Holocausto, imigrando para Israel  por puro oportunismo económico.

É uma geração que, pela forma como trata os palestinianos, envergonha todos os dias a memória dos judeus que sofreram o Holocausto e os próprios pais fundadores do Estado de Israel.

Passaram também a usar o Holocausto como pura chantagem emocional para manterem o financiamento e a ajuda militar do ocidente, não respeitando resoluções da ONU ou tratados internacionais contra a proliferação de armas nucleares.

A sua própria cegueira radical levou-os a estar por detrás da formação de grupos “neoterroristas” como o Hamas, para destruir a influência da OLP, estando ainda por esclarecer a sua influência no aparecimento do Daesh, dois monstros, o Hamas e o Daesh, que acabaram por fugir ao controle do próprio mentor (como aconteceu com os Estado Unidos em relação à Al-Qaeda).

Hoje o principal aliado de Israel na região é o Estado criminoso e feudal da Arábia Saudita e , a nível internacional, o populista irresponsável Donald Trump.

Negar o Holocausto e o direito de existência do Estado de Israel é criminoso.

Mas apoiar os fanáticos radicais que governam Israel não o é menos.

Felizmente ainda existem alguns israelitas com coragem para denunciar as atrocidades diariamente cometidas pelo Estado de Israel contra os palestinianos.

São uma voz incómoda e minoritária, mas são a semente que pode contribuir para que Israel volte ao seu espírito fundador.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Da Guerra esquecida do Iémen, à guerra esperada contra o Irão

A situação na Síria tem feito esquecer,de forma conveniente diga-se, a tragédia do Iémen

De forma "conveniente", porque, neste caso, quem mata crianças é um "amigo" do "ocidente" e de Israel, a Arábia Saudita.

Se a guerra na Síria tem sido humanamente devastadora e criminosa, com responsabilidades do regime criminoso de Assad e da Rússia de Putin, mas também com a "colaboração" do ocidente e de um país da NATO, a Turquia, a guerra no Iémen é uma "Síria" ao "quadrado", pouco se sabendo sobre o que aí se passa, porque, desta vez são os "amigos" do "ocidente" os grandes responsáveis pela carnificina. 

Num Médio Oriente envolvido em conflitos cada vez mais descontrolados, criminosos e sangrentos, já só falta que os novos falcões nomeados por Trump nomeados para a sua administração, declarem uma "esperada" guerra contra o Irão, nem que seja para distrair a opinião pública dos casos sexuais do presidente norte-americano e da contestação crescente contra a influente Associação defensora de armamento vendido a civis.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A Foto da Semana - Referendo no Curdistão iraquiano

(Foto de Christophe Petit Tesson)

O Curdistão iraquiano referendou esta semana por ampla maioria o seu direito à criação de um estado independente.

Se há povo que merece esse direito é o povo do Curdistão.

Infelizmente tem inimigos poderosos, como a Turquia, o Irão, a Síria e próprio Iraque.

Enquanto esse sonho não se concretiza, aqui deixamos uma fotografia de homenagem a esse sofrido povo.

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Médio Oriente de Trump


A recente visita de Trump ao Médio Oriente começa a dar frutos.

A forma como acentuou o apoio dos Estados Unidos à ditadura saudita, ao mesmo tempo que ameaçava o Irão, no mesmo dia em que os eleitores iranianos escolhiam para presidente o mais liberal dos candidatos, resultou no actual aumento de tensão, na forma absurda como vários Estados (?) àrabes resolveramcortar relações com o pequeno Qatar.

E quem são esses Estados?: no anárquico “Estado” da Líbia, a facção apoiada pela Arábia Saudita; no “Estado” falhado do Iémen, a facção apoiada pelo mesmo reino (paradoxalmente em aliança com o mesmo Qatar); a ditadura militar do Egipto; os tradicionais aliados da Arábia Saudita dos Emirados Árabes Unidos…
 
Recorrendo à moda “trumpista” dos “factos alternativos”, a imprensa saudita foi preparando o terreno para que a opinião pública aceitasse a diabolização do Qatar, misturando a verdade, o apoio do Qatar à Irmandade Muçulmana, no Egipto, e ao Hamas na Palestina, bem como alguma abertura ao regime iraniano, com a mais absurda mentira, a do apoio do Qatar à Al-Qaeda e ao Daesh!!!.

Como toda a gente sabe, a Al-Qaeda e o  Daesh são apoiados, militarmente e financeiramente, pelos sunitas, não se conhecendo até onde vai o envolvimento do próprio Estado saudita nesse apoio.

Não deixa, aliás, de ser desconcertante o prometido negócio de armamento de milhões, entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, feito por Trump na visita ao Médio Oriente, sabendo-se que grande parte desse armamento vai ser canalizado para grupos jhiadistas apoiados pelos sauditas, entre os quais a Al-Qaeda e o Daesh, que combatem na Líbia, na Síria, no Iraque e no Iémen…

O grande objectivo de Trump para o Médio Oriente  não é o combate ao Daesh ou à Al-Qaeda, mas diabolizar o Irão.

Ao armar a Arábia Saudita da forma como prometeu, aposta tudo neste país para uma guerra, de consequências imprevisíveis contra o Irão, exactamente no momento em que este país, de maioria xiita, começava a abrir-se ao mundo.

O objectivo é, seguindo a velha máxima guevarista, criar “dois, três, muitos Daeshs” para desestabilizar ainda mais toda a zona, reforçando a ditadura egipcia, o Estado totalitário da Arábia Saudita e os falcões extremistas que tomaram conta do estado de Israel.

Os objectivos são muitos: derrotar os xiitas, destruir e desestabilizar o Irão, afastar o torcionário Assad, não por razões humanitárias, mas para reforçar a influência sunita e afastar os Russos do terreno, controlar a historicamente importante região do Médio Oriente do Iraque, e todos os seus recursos, em especial o petróleo, que continua a ser crucial na cruzada anti ambiental de Trump e, pelo meio, afastar igualmente a Europa e as suas “absurdas” ideias democráticas e liberais para a  região.

O que aconteceu ontem é já o primeiro sinal da nova era pós-Daesh que Trump pretende construir no Médio Oriente.

As consequências vão ser trágicas...mas muito lucrativas para alguns!!!.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"JE SUIS" ALEPO...mas também sou Mossul,sou Palmira, sou.....


Apesar de não existirem notícias de fontes independentes sobre a batalha pela libertação de Alepo, não há duvida que esta cidade se tornou um símbolo (mais um…) do sofrimento humano.
De quem é a culpa? Do regime ditatorial Sírio e da Rússia que não olham a meios nem a alvos para controlarem a cidade mártir? Dos terroristas apoiados pelo ocidente que fazem as populações reféns das suas atrocidade?
 
Para isto não tenho resposta.
O que eu sei é que aquela população tem sofrido o que é humanamente insuportável, entalada entre os cegos bombardeamentos dos canhões do regime e da aviação russa e as atrocidades dos terroristas apoiados pelo ocidente e pela Turquia.
O que eu sei é que vejo imagens (manipuladas?) de alegria dos habitantes que fogem para o lado da cidade controlada pelo exército sírio, enquanto outros fogem em desespero para território controlado pelos terroristas associados à Al  Qaeda ou ao Daesh.
O que eu sei é que este é o trágico resultado da desastrosa “primavera árabe” e da tentativa de “exportar a democracia” para países como o Iraque, a Síria ou a Líbia, como se a democracia se construísse com guerras e invasões ou apoiando militarmente “oposições” formadas por fanáticos e não na vontade das populações que as sofrem no terreno.
 
O que eu sei é que existem dois pesos duas medidas e as forças apoiadas por Assad, pelo Irão ou pela Rússia são justamente condenados pelas atrocidades cometidas, mas as forças apoiadas pela  Arábia Saudita, pela Turquia e pelos Estados Unidos podem cometer as mesmas atrocidades, naquela ou noutras cidades do Médio Oriente ou do Norte de Africa, e são elogiadas porque  são combatentes da “liberdade” e da “democracia” .
Eu sou Alepo…mas também sou Palmira, também sou Mossul, também sou Tripoli, também  sou Cairo, também sou Damasco, e.... também sou……….humanidade!!!!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O RESPIGO DA SEMANA - “Guerra ao ISIS? Talvez começar pelo namoro com a Arábia Saudita" por Alexandra Lucas Coelho

“Guerra ao ISIS? Talvez começar pelo namoro com a Arábia Saudita.

Por Alexandra Lucas Coelho, in Público de 29 de Novembro de 2015

George W. Bush com rei Abdullah em Abril de 2005 e François Hollande com o príncipe Salman bin Abdulaziz no início de 2015( REUTERS).

“1. Se algum estado multiplicou embriões que contribuíram para o “Estado Islâmico” foi a Arábia Saudita. E quem calou e consentiu estava no Texas em 2005 como hoje está em Paris. Em 2005, George W. Bush a beijar o rei Abdullah, de mãos dadas entre as flores. Em 2015, François Hollande e Manuel Valls desdobrando-se em contratos de milhões com o sucessor de Abdullah, a tal ponto que a imprensa francesa falou em “lua-de-mel”. O terror de estado saudita fez bastante pelo estado de terror de 2015, enquanto boa parte do dito “Ocidente” calava e consentia. Obama esfriou o namoro, estendeu a mão ao Irão? Pois a Arábia Saudita achou que teria sempre Paris e sem deixar de cortar cabeças. O poeta e artista palestiniano Ashraf Fayadh, que está preso pelos sauditas há quase dois anos, é só o mais recente condenado à morte por “insultar Deus”, “renunciar ao islão”. Nada disso impediu que os negócios ocidentais com a Arábia Saudita prosperassem, entre armamento e fotos de família. Uma cumplicidade a que nenhum atentado contra alvos ocidentais pôs fim. Ao contrário, foi ver como no pós-11 de Setembro a Casa Branca protegeu o ninho saudita e depois invadiu o Iraque, que não tinha nada a ver com o assunto. Estive lá então, e voltei lá este ano, à “fronteira” que separa o “Estado Islâmico” do Curdistão, agora que a Síria está em ruínas, e o Iraque numa divisão fratricida: é esmagador ver como a força do “Estado Islâmico” veio de todos os erros cometidos desde aí, todos os maus jogos de xadrez. Então, para honrar os mortos e cuidar dos vivos, no luto do que aconteceu em Paris, o pós-13 de Novembro podia começar por aí, acabar este namoro complacente, exercer uma pressão real sobre a Arábia Saudita. Quem defende a vida em liberdade não pode ganhar dinheiro incondicionalmente com estados que fazem do extremismo o seu império, explorando centenas de milhões em África e no Oriente, enquanto se declaram contra o “Estado Islâmico”.

“2. Da Bósnia ao Paquistão, o dinheiro do petróleo saudita foi-se materializando em mesquitas, escolas corânicas, centros culturais, sites, jornais, que assim se tornavam frentes avançadas do wahhabismo, a corrente fundamentalista do sunismo imposta na Arábia Saudita. Uma colonização dos espíritos em territórios ultravulneráveis, devastados pela guerra, pela repressão ou pela miséria, prontos a ficar dependentes dessa protecção. Em muitos lugares, a alternativa é estudar nas madrassas pró-sauditas ou não estudar. Os cálculos de quanto foi gasto na exportação do wahhabismo variam entre 100 biliões e o dobro, ou seja, nem se alcança. Paralelamente, acima da arraia-miúda ou nos subterrâneos, passou todo o resto, petróleo, treino e arsenal. Mas não era segredo para ninguém, começando pelo círculo íntimo de Bush, o quanto a Arábia Saudita, através da família real ou de homens de negócios, financiava terroristas. Tanto que a administração Obama alterou as relações com Riad. Entre o material divulgado pela Wikileaks, a então secretária de Estado Hillary Clinton é citada dizendo que “doadores na Arábia Saudita constituem a mais importante fonte de financiamento de grupos terroristas sunitas no mundo”. Ou: “Temos de tomar mais medidas, visto que a Arábia Saudita continua a ser uma base financeira essencial para a Al-Qaeda, os taliban e outros grupos terroristas.” Nesta comunicações, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos também são referidos como apoiando terroristas. Entretanto, rebentou a guerra na Síria, e tanto a Arábia Saudita como aliados ocidentais armaram rebeldes ou supostos rebeldes anti-Assad que se vieram a revelar jihadistas. Tudo isto são embriões do “Estado Islâmico”. Há um ano, o vice-presidente americano Joe Biden disse em Harvard: “Os nossos aliados na região eram o nosso maior problema na Síria. Os turcos eram grandes amigos […] e os sauditas, os Emirados, etc. Que estavam eles a fazer? A dar centenas de milhões de dólares e dezenas de toneladas de armas a quem quer que combatesse Assad. Só que essa gente que estava a ser equipada era da al-Nusra e da Al-Qaeda e de elementos extremistas da jihad vindos de várias partes do mundo.”

“3. No relatório sobre o 11 de Setembro, 28 páginas continuam secretas, enquanto ainda se arrasta o inquérito e os familiares das vítimas permanecem na dúvida. Um dos advogados das famílias, Sean Carter, disse em Agosto que “a natureza do apoio dos sauditas à Al-Qaeda continua a ser mantida em segredo, quando é referida num conjunto de documentos classificados”. De acordo com o antigo senador Bob Graham, essas 28 páginas “apontam um dedo muito forte à Arábia Saudita como o principal financiador” do 11 de Setembro. Graham acrescentou recentemente: “A Arábia Saudita não pôs fim ao seu interesse em espalhar wahhabismo extremista. O ISIS é um produto dos ideais sauditas, do dinheiro saudita e de apoio organizativo saudita, apesar de agora eles posarem como sendo muito anti-ISIS.”

“4. Ensaf Haidar (mulher do blogger saudita Raif Badawi, refugiada no Canadá porque a sua vida corria perigo) diz que “o Governo saudita se comporta como o Daesh [outro termo para ISIS ou “Estado Islâmico”]”. O seu marido continua preso por “apostasia”, ou seja, “renúncia ao islão”. Condenado a dez anos e mil chicotadas, o blogger já foi alvo de 50. É hipertenso, e a mulher teme que ele não sobreviva a nova série.

“5. O físico nuclear Yousaf Butt (consultor de segurança nacional, de Harvard a Londres, e comentador frequente, da Reuters ao Huffington Post) escreveu: “É razoável pensar que a Casa de Saud [família real saudita] é simplesmente uma versão mais implantada e diplomática do ISIS. Partilha o mesmo extremismo wahhabi teofascista, a falta de direitos humanos, a intolerância, as decapitações violentas, etc., mas com melhor construção e melhores estradas. Se o ISIS se tornar um verdadeiro estado, ao fim de décadas podemos imaginar que se parecerá com a Arábia Saudita.”

“6. E, já depois dos últimos atentados em Paris, um escritor magrebino fez-se ouvir com contundência, num artigo a 20 de Novembro no New York Times, intitulado Saudi Arabia, an ISIS that has made it (Arábia Saudita, um ISIS bem-sucedido). Chama-se Kamel Daoud e tem o peso de ter ganho este ano o Prémio Goncourt/Primeiro Romance. Depois de equiparar Arábia Saudita e ISIS, Daoud resume: “Na sua luta contra o terrorismo, o Ocidente declara guerra a um mas aperta a mão ao outro.” Um “mecanismo de negação” que fecha os olhos às consequências: “O wahhabismo, um radicalismo messiânico que surgiu no século XVIII, espera restaurar um califado fantasioso centrado num deserto, um livro sagrado e dois lugares santos, Meca e Medina. Fundado no massacre e no sangue, manifesta-se numa relação surreal com as mulheres, a proibição de não-muçulmanos atravessarem os territórios sagrados e leis religiosas ferozes. Isso traduz-se num ódio obsessivo da imagem e da representação, e portanto da arte, mas também do corpo, da nudez, da liberdade. A Arábia Saudita é um Daesh bem-sucedido.” Daoud descreve em seguida os efeitos da wahhabização no mundo muçulmano, de como isso distorce o islão e o “Ocidente”. E conclui: “Daesh tem uma mãe: a invasão do Iraque. Mas também tem um pai: a Arábia Saudita e o seu complexo religioso-industrial. Até que esse ponto seja percebido, batalhas podem ser ganhas, mas a guerra estará perdida. Jihadistas serão mortos para renascerem em gerações futuras e formados pelas mesmas cartilhas. Os ataques a Paris expuseram estas contradições outra vez, mas, tal como aconteceu depois do 11 de Setembro, isso corre o risco de ser apagado das nossas análises e consciências.”

“7. No mesmo dia, 20 de Novembro, Ben Norton escreveu na Salon que, apesar de tudo isto e do esfriar do namoro, “a administração Obama fez mais de 100 bilhões em negócios de armas com a monarquia saudita em apenas cinco anos”. E, “menos de três dias antes dos ataques de 13 de Novembro em Paris, os EUA venderam 1,3 bilhões de bombas à Arábia Saudita. O regime tem usado estas armas para grupos extremistas no Médio Oriente”. Ao mesmo tempo, os laços entre Paris e a Arábia Saudita (mas também o Qatar) foram fortalecidos com vários negócios. A França é um fornecedor de armas importante, e o petróleo do golfo é importante para a França. A França já é o terceiro maior investidor na Arábia Saudita e quer que os sauditas invistam em França. Há um mês, apenas, o primeiro-ministro Valls foi a Riad com cerca de 200 empresários franceses.


“8. Por ter aberto a cena artística saudita ao mundo, a condenação à morte de Ashraf Fayadh, decretada este mês por um “tribunal” saudita, gerou uma indignação alargada, e não apenas no circuito Tate Modern-Bienal de Veneza. Há uma petição de cem criadores árabes de vários países (Iémen, Omã, Egipto, Emirados, Arábia Saudita, Palestina, Iraque, Kuwait, Síria, Argélia, Bahrein, Marrocos, Líbano). Fayadh tem alguns dias para recorrer, mas não pode receber visitas e dificultam-lhe acesso a uma defesa. E na sobreposição de acusações, tanto pode ser morto pelo que alguém interpretou como renúncia ao islão num seu livro de poemas, como por usar cabelo comprido, guardar fotos de mulheres no telemóvel ou ter partilhado um vídeo em que a polícia religiosa saudita chicoteia um homem em público. Claro que a vida dentro do “Estado Islâmico” é ainda pior, e certamente o “Estado Islâmico” não obedece à Arábia Saudita, ao contrário, edipianamente, fez dela mais um dos seus alvos. Mas uma das raízes desta caixa de Pandora jihadista está em Riad, e era bom que a luta pela vida passasse por aí”.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mais uma vez a União Europeia deu uma triste imagem de si própria.


A desunião e a falta de solidariedade, bem como a cobardia política da maioria dos líderes políticos europeus, ficou mais uma vez evidente na última cimeira de ministros europeus para debater a situação dos refugiados.

Mais uma vez ficou provado também que a adesão dos países do leste à União Europeia foi feita de forma apressada e irresponsável, a mesma irresponsabilidade que já ficou provada em relação à criação da moeda única.

De irresponsabilidade em irresponsabilidade, de cobardia em cobardia, de falta de solidariedade em falta de solidariedade, se vai destruindo o mítico “espírito europeu” que esteve na origem da criação da União Europeia.

E já agora convém mais uma vez destruir alguns mitos que se têm vindo a afirmar no seio dos burocratas da europa, de alguma comunicação social e até entre muitos cidadãos, sobre a questão dos refugiados.

Não, os refugiados não são terroristas. Pelo contrário eles são as primeiras vítimas do terrorismo do chamado Estado Islâmico e do terrorismo de muitos “estados” do Norte de África e do Médio Oriente. A esmagadora maioria dos terroristas que têm atacado o ocidente viviam e tinham passaporte de países europeus, nem vêem para a europa em botes a afundarem-se ou sujeitos a caminhadas indignas. Claro que pode haver excepção e infiltrados, mas para os identificar existem os serviços secretos dos países ocidentais.

Não, os refugiados não são invasores nem obedecem a qualquer esquema maquiavélico para ocuparem a Europa. O número de refugiados é uma gota de àgua na população europeia e a esmagadora maioria vive refugiada no seu próprio país e em países vizinhos: cerca de 4 milhões de refugiados no seu próprio país, a Síria, outros tantos nos países vizinhos, Jordânia, Libano, Turquia e Egipto. Se Portugal absorveu num ano mais de 500 mil refugiados na década de 70, numa altura de grande instabilidade política e social e de grande crise económica, porque é que a Europa, a região mais rica do mundo, com 500 milhões de habitantes, não será capaz de absorver as centenas de milhares de refugiados que chegam ao continente?

Não, os refugiados não vão desequilibrar os “valores” culturais e religiosos da Europa. Mesmo que todos os refugiados fossem muçulmanos, e muito não o são, representariam um acréscimo de menos de  1% na população muçulmana a viver na Europa, ou seja, esta passava de 4 para 5%...

Por último, não, a Europa não pode ser desresponsabilizada pela situação que provocou esta vaga de imigrantes, ou seja, as guerras no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria, Basta ler a posição de muitos dos líderes políticos europeus quando se tratou de desencadear aqueles conflitos, para se perceber a grande (ir)responsabilidade  do ocidente na situação. Aliás, está ainda por esclarecer a responsabilidade do ocidente no financiamento e armamento do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas. É bom recordar que a Arábia Saudita, o grande aliado do ocidente na região, é o grande apoiante dos grupos terroristas sunitas, e continua a impedir o acolhimento de refugiados provocados pelas guerras que eles apoiam, com armamento fornecido à Arábia Saudita …pelo ocidente.




Compreender a situação na Síria em 5 minutos (Le Monde)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Um nojo: A ignorância e a má fé, sobre a crise migratória do Mediterrâneo, chegaram ao mundo dos cartoon´s

Reproduzo aqui este "cartoon" que anda a circular no "face" para demonstrar  até onde pode chegar a má fé e a ignorância: Este cartoon está cheio de mentiras e má fé. 1º - a maioria dos refugiados às guerras provocadas pelo ocidente e pela NATO, na Líbia, na Síria e no Iraque, são xiitas, curdos, cristãos e gente sem religião, nunca encontrariam paz em ditaduras sunitas como a Arábia Saudita, um país que é dos principais apoiantes do ocidente e de Israel no Médio Oriente e de onde partem os principais apoios para os sunitas do "Estado Islâmico". Em 2º lugar a maior parte dos refugiados, em maioria os Sírios, cerca de 90%, cerca de três milhões, como ontem revelava o jornal Público, não fugiram para a Europa mas para outros países como a Turquia, a Jordânia, o Líbano e o Egipto.Em 3º lugar, tanto o Kwait, de maioria sunita,como o Dubai, não só já são constituidos por uma grande parte de imigrantes, como são países sem dimensão para acolher tantos milhões de refugiados. Por tudo isso este cartoon só revela ignorância e má fé....

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O regresso (ao passado?)


No dia em que se comemora o 75º aniversário da invasão da Polónia pelos nazis (logo seguida pela invasão do leste desse martirizado país pelas forças soviéticas de Stalin, é bom recordar), e quando se comemora, igualmente, o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, quando se julgava que a guerra na Europa era mera curiosidade histórica, voltam a rufar os tambores da guerra no velho continente.

O mês de Agosto foi fértil em acontecimentos preocupantes.

Dois governos de cariz neofascista e autoritário, o Ucraniano e o Russo, que assentam o seu poder na manipulação da opinião pública, no crescimento do militarismo, na repressão e humilhação das oposições, no desrespeito pelos mais elementares direitos humanos, apoiados financeiramente por oligarcas mafiosos que cresceram à sombra do apodrecimento dos restos da antiga União Soviética, digladiam-se no leste empobrecido da Ucrânia.

E o mais grave de tudo é que, no ocidente, não se vêem forças independentes, capazes de mediarem o conflito ou de condenarem com veemência as duas facções mafiosas em confronto. Pelo contrário, tomam partido por uma das facções, armam-nas e financiam-nas, em conivência pelos crimes contra a humanidade, já concretizados ou que se irão acentuar com o agravamento do conflito, cometidos por ambos os lados, como o abate de um avião civil de passageiros, o desfile humilhante de prisioneiros de guerra, ou o bombardeamento de cidades onde vivem milhares de civis, para além de várias atrocidades cometidas por milícias de ambos os lados.

Também o médio-oriente, aqui mesmo à porta, está a ser sujeito a conflitos onde se cometem as mais atrozes barbaridades que envergonham toda a humanidade.

E, mais uma vez, a passividade da comunidade ocidental, a irrelevância da ONU (desmantelada, diga-se em abono da verdade, por Bush e Tony Blair no inicio deste século, para justificar intervenções ilegais dos seus governos no Iraque e noutras zonas, política aliás continuada recentemente pela NATO na Líbia), os erros e a incompetência das acções ocidentais nessa região (Palestina, Iraque, Líbia e Síria e, em breve, Irão…) colocam aquela região a ferro e fogo, para sofrimento de milhares, senão milhões de habitantes.

Se a tudo isto juntarmos uma crise financeira a ser paga pelos cidadãos europeus que trabalham e cumprem com as suas obrigações e que mergulha a Europa numa situação de empobrecimento acentuado, uma crise sanitária em África que em breve se estenderá ao ocidente e a crescente corrupção de políticos e o domínio crescente do poder financeiro sobre as decisões democráticas, para além da irreversibilidade, atingida em meados de Agosto, da crise ambiental, estão lançados todos os ingredientes para transformar o mundo de hoje e o seu futuro próximo numa imenso desastre humanitário sem retorno.

Enfim, com esta imagem pessimista iniciamos mais uma época de trabalho.

Esperando que as mais negras previsões não se concretizem, daqui desejamos a todos um bom regresso à realidade…


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Palestina, Holocausto e a "guerra dos Cartoon´s"...

Terminei recentemente a leitura de um livro terrível, intitulado “Sonderkommando”, escrito por Shlomo Venezia.

Esse livro, escrito em forma de entrevista, conduzida por Béatrice Prasquier, e com prefácio de Simone Veil, é um descrição rigorosa da vida nos campos de concentração nazis, a maior parte passada pelo entrevistado em Auschwitz.

Como membro do “sonderkommando”, isto é, do grupo de prisioneiros que cuidava de todos as actividades relacionadas com a “indústria” da morte praticada nesse campos da morte, (conduzir os prisioneiros ao extermínio, enterrar e cremar os mortos, separa os seus bens, limpar os vestígios…) e tendo sido dos poucos sobreviventes desse grupo, a sua descrição é das mais terríveis que até hoje li sobre o assunto, e já li (e  vi) muitos livros, documentos e filmes sobre o tema.

Esta livro devia ser de leitura obrigatória para toda a gente, principalmente pelos “negacionistas” ou por aqueles que procuram relativizar os crimes nazis ou compará-los com situações que não são comparáveis, quer pela frieza, quer pela organização burocrática, quer pela irracionalidade do holocausto.

O que mais dói por estes dias é a falta de respeito pelo sofrimento desses judeus, e não só, que passaram por essa terrível experiência, falta de respeito que vem de onde menos de devia esperar, do próprio governo judeu de Israel, ao usar, contra o povo palestiniano, uma crueldade tão abjecta como aquela que foi praticada pelos nazis, pesem contudo as devidas diferenças de grau.

A frieza e as justificações dadas pelo governo israelita para matar civis inocentes entre a população palestiniana deve-nos envergonhar a todos, não só aqueles, como eu, que acho que o estado de Israel tem direito a existir em paz, em pé de igualdade com um estado palestiniano, mas também aqueles que, de origem judaica, tudo deviam fazer para respeitar a memória dos seus antepassados que sofreram no holocausto.

Claro que o Hamas, não é inocente em todo este processo e que, em muitos aspectos, se comporta como um mero grupo terrorista. Mas ao actuar como actua, o governo israelita não de diferencia muito desse grupo radical. A diferença está no grau de violência, o “pequeno” terrorismo do Hamas contra o “grande”  e desproporcionado terrorismo de Estado do governo de Israel. Há contudo recordar que esse grupo radical só se expandiu porque, na sua origem, os falcões de Israel o incentivaram a crescer entre os palestinianos, como forma de fazer contraponto com a OLP  e, assim, contribuir para a divisão dos palestinianos.

Mais uma vez estamos perante o “monstro” que foge ao controle do seu “criador”.

É urgente que a carnificina seja travada, nem que seja em nome da memória dos judeus que deram a sua vida pela construção de um Estado onde pudessem viver em paz e ultrapassar um passado de perseguições violentas.

Os tempos não são para fazer humor, mas muitas vezes um bom cartoon denuncia melhor a gravidade de uma situação que muitos discursos.

É o caso do conjunto de cartoon´s que seleccionamos para denunciar a grave situação de se vive em Gaza, incluindo alguns que são de mera propaganda, de um ou outro lado.

Esperemos que esta selecção possa contribuir para uma reflexão sobre o que se passa nesse martirizado sitio.