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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

“Crescimento”



É a palavra mais usada por políticos e economistas.

É de tal modo uma palavra “mágica” que existe um exército de técnicos e de instituições só para o estudar e o prever.

Interrogo-me muitas vezes se “crescer” em termos económicos e em quantidade é mesmo o grande objectivo civilizacional da humanidade, uma justificação para um desordenado crescimento do consumo que alimenta a máquina “capitalista”, onde somos alegremente triturados.

Pergunto-me também se é possível continuar a “crescer” sem destruir definitivamente, não só os equilíbrios sociais, como, e principalmente, o ambiente e a natureza.

Para mim “crescer” pode ser aceitável se tiver como objectivo melhorar a nossa saúde, a nossa educação, a nossa compreensão dos outros e do mundo, a nossa cultura e o nosso conhecimento, combater as desigualdades, melhorar as nossas condições de vida e, principalmente, acentuar o urgente e necessário equilíbrio entre nós e o ambiente natural que nos rodeia.

Ora, não me parece que seja isso que está na base do uso conceito de “crescimento” saído da boca e da pena de economistas, políticos e comentadores , conceito usado apenas para defender os apelos cada vez mais selvagens ao consumo desenfreado (tão comum nesta descaracterizada época “natalícia”), para o saque descontrolado de recursos naturais, e para acentuar desigualdades socias, desrespeito todas as formas de vida humana ou animal que não se enquadrem no modelo económico neoliberal.

E assim, em contínuo “crescimento” cá vamos alegremente caminhando e consumindo para o  abismo ambiental e civilizacional...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

UMA EXCELENTE REPORTAGEM sobre o 1º de Maio num supermercado perto de si: “Parece o fim do mundo!” .

Uma excelente reportagem sobre a loucura do consumo no 1º de Maio, da autoria das jornalistas Mariana Oliveira e Rosa Soares:

1º de Maio - Dia de "São Consumidor"?


 (Foto de Nuno Ferreira Santos/Público)

Quem consultar hoje as primeiras páginas da imprensa mundial, encontrará referências às manifestações do 1º de Maio, com destaque para as grandes manifestações em Espanha, em França , na Grécia e em muitos outros cantos da Europa, da América Latina à Ásia.

Contudo, quem fizer o mesmo exercício com a imprensa nacional, com a única excepção do Público, a quem devemos a metafórica fotografia que ilustra esta página, os títulos e as imagens em destaque referem o degradante espectáculo de prateleiras vazias e gente a acotovelar-se  em bichas intermináveis para entrar ou sair dos supermercados da cadeia Pingo Doce.

Muita gente sujeitou-se a bichas que duraram o equivalente a um dia de trabalho, primeiro para entrar, depois para pagar à saída, levando muita gente a “saquear” as prateleiras de bolachas e iogurtes para matar a fome dessa espera.

Muita gente que resolveu escolher os congelados, acabou por ver esses produtos estragarem-se e a derreterem-se ainda antes de os pagar, tal foi o tempo de espera.

A maioria acabou por comprar o que não necessitava para perfazer o valor mínimo para beneficiar da promoção de 50% de desconto em compras superiores a 100 euros.

As fotografias e vídeos do interior desses supermercados mostravam aquilo que pareciam cenas de saque e assalto, como se viesse aí uma guerra ou o fim do mundo, com lixo espalhado pelas prateleiras vazias e pelo chão e lutas e discussões por um pacote de leite.

A empresa da Jerónimo Martins explorou o que existe de mais primário no comportamento das pessoas, explorando a seu favor o medo provocado pela crise económica a os fenómenos mais degradantes da psicologia de massas.

A escolha do dia para lançar essa promoção não foi inocente, foi uma autêntica provocação, induzindo as pessoas a recorrerem ao mais degradante espírito consumista, num dia que devia ser de afirmação cívica.

Já não bastava toda a chantagem que tem vindo a ser exercida sobre os trabalhadores dessa cadeia de supermercados (…e de todas as outras) para os obrigar a trabalhar num dia que devia ser de descanso, de convívio ou manifestação cívica, para agora tornar a vida dessas pessoas num verdadeiro inferno.

Ao que parece, contudo, a administração dessa empresa não acompanhou os seus trabalhadores nessa obrigação, já que não responderam às perguntas de alguns órgãos de comunicação social com a argumentação que estavam fechados por “ser feriado”.

Não deixa de ser curioso o silêncio sobre este fenómeno por parte de uma série de economistas e sociólogos que tanto gostam de perorar contra o excesso consumista e a falta de atitude cívica do “povo” e sempre prontos a defender a austeridade em nome da crise.

Mas o fenómeno é facilmente explicável, se olharmos para o nome dos autores das edições e dos responsáveis pelas instituições e fundações financiadas pela Jerónimo Martins. O silêncio é fácil de comprara por quem tem dinheiro.

Desta triste situação ficam aqui duas ou três perguntas que gostava que alguém me respondesse.

Uma primeira pergunta é para o sr. Presidente da  República: o sr, sempre tão preocupado com a imagem do país lá fora, não tem nada a dizer sobre a degradação das imagens que marcaram este 1º de Maio em Portugal, que correram o mundo e que vão ser alvo de chacota generalizada? 

Outra pergunta para os responsáveis pela concorrência económica: sei que já andam a investigar os acontecimentos, mas pergunto se, em caso de se comprovar a existência de prática de dumping, que atitude vão tomar em relação aos responsáveis por essa empresa?

E já agora o governo, tão preocupado com o deficit, não se interroga se o apelo irracional ao consumo de campanhas com esta não é tão responsável pela crise em que vivemos, como o são a irresponsabilidade do crédito bancário ou a incompetência dos políticos?

A terceira pergunta é para os consumidores: já pensaram que, se o Pingo Doce, uma das cadeias de supermercados com produtos mais caros, pode oferecer 50% de desconto em quase todos os seus produtos e na quase totalidade dos seus stocks, e se mesmo assim, tem lucro, porque é que não baixa os preços em definitivo? Ou perguntando de outro modo: se conseguem vender produtos com 50% de desconto sem perderem dinheiro, já perceberam a escandalosa margem de lucro dessas empresas em dias normais?

Por último, para aqueles que vêem neste acto um acto benemérito da empresa, uma espécie de boda aos pobres, devem-se perguntar porque é que essa empresa recorre a off-shores para fugir aos impostos pagos em Portugal ou se foram de facto os mais pobres que beneficiaram com esta campanha. 
A maior parte dos pobres e todos aqueles que trabalham com salários mínimos não podem dispor, de um dia para o outro, de um mínimo de cem euros para beneficiarem deste tipo de campanhas, ou, se o fizeram, em breve vão sentir no bolso o modo como responderam irracionalmente ao desejo consumista.

Este foi um dia de vergonha e infâmia…

terça-feira, 1 de maio de 2012

O "Primeiro de Maio" da Jerónimo Martins...à minha porta.

 
Moro numa praceta onde funciona um híper do Pingo Doce e hoje acordei ao som de vozes e carros, situação pouco habitual antes das 9 da manhã e num feriado.
Sei agora que a confusão, que continua a esta hora, com bichas barulhentas de gente à minha porta, se deve a uma promoção daquela rede se hipermercados.
Agora percebi o movimento de empregados nesse estabelecimento ontem à noite – andavam numa azáfama a mudar os preços, para melhor se enganar o “povinho”.
Uma iniciativa que é uma afronta, diria mais, uma provocação da Jerónimo Martins ao espírito do Primeiro de Maio, ainda por cima na época em que vivemos, onde o apelo ao consumo desenfreado e desnecessário deste tipo de campanhas esteve na origem do actual descalabro financeiro do país…
…com a agravante da degradação contínua das condições de trabalho nesse tipo de empresas e com o facto de os lucros deste promoção, em vez de beneficiarem a economia do país, irem beneficiar os off-shores onde essa empresa coloca os seus lucros para fugir aos impostos…
Que forma mais indigna de comemorar este dia…

Campanha de descontos gera confusão nas lojas Pingo Doce - JN (clicar para ler)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

TARDE DEMAIS?...Trop tard pour limiter le réchauffement à 2°C.



Se não houvesse crise financeira, bastava a grave situação climatérica para provar a falência do capitalismo selvagem, baseado no crescimento e no consumo desenfreados.
A opção é, ou continuar este caminho até à destruição final da humanidade, ou procurar, urgentemente, um sistema económico e social alternativo a este.
A bola está nas nossas mãos...mas o momento de não retorno já está  à vista!