Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta o rosto do mal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o rosto do mal. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O RESPIGO DA SEMANA - “Guerra ao ISIS? Talvez começar pelo namoro com a Arábia Saudita" por Alexandra Lucas Coelho

“Guerra ao ISIS? Talvez começar pelo namoro com a Arábia Saudita.

Por Alexandra Lucas Coelho, in Público de 29 de Novembro de 2015

George W. Bush com rei Abdullah em Abril de 2005 e François Hollande com o príncipe Salman bin Abdulaziz no início de 2015( REUTERS).

“1. Se algum estado multiplicou embriões que contribuíram para o “Estado Islâmico” foi a Arábia Saudita. E quem calou e consentiu estava no Texas em 2005 como hoje está em Paris. Em 2005, George W. Bush a beijar o rei Abdullah, de mãos dadas entre as flores. Em 2015, François Hollande e Manuel Valls desdobrando-se em contratos de milhões com o sucessor de Abdullah, a tal ponto que a imprensa francesa falou em “lua-de-mel”. O terror de estado saudita fez bastante pelo estado de terror de 2015, enquanto boa parte do dito “Ocidente” calava e consentia. Obama esfriou o namoro, estendeu a mão ao Irão? Pois a Arábia Saudita achou que teria sempre Paris e sem deixar de cortar cabeças. O poeta e artista palestiniano Ashraf Fayadh, que está preso pelos sauditas há quase dois anos, é só o mais recente condenado à morte por “insultar Deus”, “renunciar ao islão”. Nada disso impediu que os negócios ocidentais com a Arábia Saudita prosperassem, entre armamento e fotos de família. Uma cumplicidade a que nenhum atentado contra alvos ocidentais pôs fim. Ao contrário, foi ver como no pós-11 de Setembro a Casa Branca protegeu o ninho saudita e depois invadiu o Iraque, que não tinha nada a ver com o assunto. Estive lá então, e voltei lá este ano, à “fronteira” que separa o “Estado Islâmico” do Curdistão, agora que a Síria está em ruínas, e o Iraque numa divisão fratricida: é esmagador ver como a força do “Estado Islâmico” veio de todos os erros cometidos desde aí, todos os maus jogos de xadrez. Então, para honrar os mortos e cuidar dos vivos, no luto do que aconteceu em Paris, o pós-13 de Novembro podia começar por aí, acabar este namoro complacente, exercer uma pressão real sobre a Arábia Saudita. Quem defende a vida em liberdade não pode ganhar dinheiro incondicionalmente com estados que fazem do extremismo o seu império, explorando centenas de milhões em África e no Oriente, enquanto se declaram contra o “Estado Islâmico”.

“2. Da Bósnia ao Paquistão, o dinheiro do petróleo saudita foi-se materializando em mesquitas, escolas corânicas, centros culturais, sites, jornais, que assim se tornavam frentes avançadas do wahhabismo, a corrente fundamentalista do sunismo imposta na Arábia Saudita. Uma colonização dos espíritos em territórios ultravulneráveis, devastados pela guerra, pela repressão ou pela miséria, prontos a ficar dependentes dessa protecção. Em muitos lugares, a alternativa é estudar nas madrassas pró-sauditas ou não estudar. Os cálculos de quanto foi gasto na exportação do wahhabismo variam entre 100 biliões e o dobro, ou seja, nem se alcança. Paralelamente, acima da arraia-miúda ou nos subterrâneos, passou todo o resto, petróleo, treino e arsenal. Mas não era segredo para ninguém, começando pelo círculo íntimo de Bush, o quanto a Arábia Saudita, através da família real ou de homens de negócios, financiava terroristas. Tanto que a administração Obama alterou as relações com Riad. Entre o material divulgado pela Wikileaks, a então secretária de Estado Hillary Clinton é citada dizendo que “doadores na Arábia Saudita constituem a mais importante fonte de financiamento de grupos terroristas sunitas no mundo”. Ou: “Temos de tomar mais medidas, visto que a Arábia Saudita continua a ser uma base financeira essencial para a Al-Qaeda, os taliban e outros grupos terroristas.” Nesta comunicações, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos também são referidos como apoiando terroristas. Entretanto, rebentou a guerra na Síria, e tanto a Arábia Saudita como aliados ocidentais armaram rebeldes ou supostos rebeldes anti-Assad que se vieram a revelar jihadistas. Tudo isto são embriões do “Estado Islâmico”. Há um ano, o vice-presidente americano Joe Biden disse em Harvard: “Os nossos aliados na região eram o nosso maior problema na Síria. Os turcos eram grandes amigos […] e os sauditas, os Emirados, etc. Que estavam eles a fazer? A dar centenas de milhões de dólares e dezenas de toneladas de armas a quem quer que combatesse Assad. Só que essa gente que estava a ser equipada era da al-Nusra e da Al-Qaeda e de elementos extremistas da jihad vindos de várias partes do mundo.”

“3. No relatório sobre o 11 de Setembro, 28 páginas continuam secretas, enquanto ainda se arrasta o inquérito e os familiares das vítimas permanecem na dúvida. Um dos advogados das famílias, Sean Carter, disse em Agosto que “a natureza do apoio dos sauditas à Al-Qaeda continua a ser mantida em segredo, quando é referida num conjunto de documentos classificados”. De acordo com o antigo senador Bob Graham, essas 28 páginas “apontam um dedo muito forte à Arábia Saudita como o principal financiador” do 11 de Setembro. Graham acrescentou recentemente: “A Arábia Saudita não pôs fim ao seu interesse em espalhar wahhabismo extremista. O ISIS é um produto dos ideais sauditas, do dinheiro saudita e de apoio organizativo saudita, apesar de agora eles posarem como sendo muito anti-ISIS.”

“4. Ensaf Haidar (mulher do blogger saudita Raif Badawi, refugiada no Canadá porque a sua vida corria perigo) diz que “o Governo saudita se comporta como o Daesh [outro termo para ISIS ou “Estado Islâmico”]”. O seu marido continua preso por “apostasia”, ou seja, “renúncia ao islão”. Condenado a dez anos e mil chicotadas, o blogger já foi alvo de 50. É hipertenso, e a mulher teme que ele não sobreviva a nova série.

“5. O físico nuclear Yousaf Butt (consultor de segurança nacional, de Harvard a Londres, e comentador frequente, da Reuters ao Huffington Post) escreveu: “É razoável pensar que a Casa de Saud [família real saudita] é simplesmente uma versão mais implantada e diplomática do ISIS. Partilha o mesmo extremismo wahhabi teofascista, a falta de direitos humanos, a intolerância, as decapitações violentas, etc., mas com melhor construção e melhores estradas. Se o ISIS se tornar um verdadeiro estado, ao fim de décadas podemos imaginar que se parecerá com a Arábia Saudita.”

“6. E, já depois dos últimos atentados em Paris, um escritor magrebino fez-se ouvir com contundência, num artigo a 20 de Novembro no New York Times, intitulado Saudi Arabia, an ISIS that has made it (Arábia Saudita, um ISIS bem-sucedido). Chama-se Kamel Daoud e tem o peso de ter ganho este ano o Prémio Goncourt/Primeiro Romance. Depois de equiparar Arábia Saudita e ISIS, Daoud resume: “Na sua luta contra o terrorismo, o Ocidente declara guerra a um mas aperta a mão ao outro.” Um “mecanismo de negação” que fecha os olhos às consequências: “O wahhabismo, um radicalismo messiânico que surgiu no século XVIII, espera restaurar um califado fantasioso centrado num deserto, um livro sagrado e dois lugares santos, Meca e Medina. Fundado no massacre e no sangue, manifesta-se numa relação surreal com as mulheres, a proibição de não-muçulmanos atravessarem os territórios sagrados e leis religiosas ferozes. Isso traduz-se num ódio obsessivo da imagem e da representação, e portanto da arte, mas também do corpo, da nudez, da liberdade. A Arábia Saudita é um Daesh bem-sucedido.” Daoud descreve em seguida os efeitos da wahhabização no mundo muçulmano, de como isso distorce o islão e o “Ocidente”. E conclui: “Daesh tem uma mãe: a invasão do Iraque. Mas também tem um pai: a Arábia Saudita e o seu complexo religioso-industrial. Até que esse ponto seja percebido, batalhas podem ser ganhas, mas a guerra estará perdida. Jihadistas serão mortos para renascerem em gerações futuras e formados pelas mesmas cartilhas. Os ataques a Paris expuseram estas contradições outra vez, mas, tal como aconteceu depois do 11 de Setembro, isso corre o risco de ser apagado das nossas análises e consciências.”

“7. No mesmo dia, 20 de Novembro, Ben Norton escreveu na Salon que, apesar de tudo isto e do esfriar do namoro, “a administração Obama fez mais de 100 bilhões em negócios de armas com a monarquia saudita em apenas cinco anos”. E, “menos de três dias antes dos ataques de 13 de Novembro em Paris, os EUA venderam 1,3 bilhões de bombas à Arábia Saudita. O regime tem usado estas armas para grupos extremistas no Médio Oriente”. Ao mesmo tempo, os laços entre Paris e a Arábia Saudita (mas também o Qatar) foram fortalecidos com vários negócios. A França é um fornecedor de armas importante, e o petróleo do golfo é importante para a França. A França já é o terceiro maior investidor na Arábia Saudita e quer que os sauditas invistam em França. Há um mês, apenas, o primeiro-ministro Valls foi a Riad com cerca de 200 empresários franceses.


“8. Por ter aberto a cena artística saudita ao mundo, a condenação à morte de Ashraf Fayadh, decretada este mês por um “tribunal” saudita, gerou uma indignação alargada, e não apenas no circuito Tate Modern-Bienal de Veneza. Há uma petição de cem criadores árabes de vários países (Iémen, Omã, Egipto, Emirados, Arábia Saudita, Palestina, Iraque, Kuwait, Síria, Argélia, Bahrein, Marrocos, Líbano). Fayadh tem alguns dias para recorrer, mas não pode receber visitas e dificultam-lhe acesso a uma defesa. E na sobreposição de acusações, tanto pode ser morto pelo que alguém interpretou como renúncia ao islão num seu livro de poemas, como por usar cabelo comprido, guardar fotos de mulheres no telemóvel ou ter partilhado um vídeo em que a polícia religiosa saudita chicoteia um homem em público. Claro que a vida dentro do “Estado Islâmico” é ainda pior, e certamente o “Estado Islâmico” não obedece à Arábia Saudita, ao contrário, edipianamente, fez dela mais um dos seus alvos. Mas uma das raízes desta caixa de Pandora jihadista está em Riad, e era bom que a luta pela vida passasse por aí”.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As Consultas de Cavaco: "Perguntar à peixeira se o peixe é fresco"


Vitor Bento, Daniel Bessa, João Salgueiro,  Luís Campos e Cunha,  Teixeira dos Santos, Bagão Félix , Augusto Mateus  e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa foram os 7 economistas que Cavaco escolheu ouvir ontem em Belém.

Seis deles já foram ministros, das Finanças ou da Economia.

Com uma ou duas excepções, todos têm em comum a defesa assanhada e fanática do modelo “austeritário” e são “amigos íntimos” da TINA (as iniciais inglesas do “não há alternativa”).

Quase todos defendem cortes salariais e nas pensões, se bem que todos ele aufiram reformas douradas e/ou rendimentos acimas das nossas possibilidades.

Quase todos são, ou foram, administradores de grandes empresas, não tanto por mérito, ou para nelas trabalhar (muitos limitam-se a deixar a sua assinatura e a receberem “avenças” milionárias por reunião, funcionando apenas como lobistas da TINA junto da comunicação social e da classe política, em defesa dos interesses dessas empresas), mas pela sua fidelidade à política “austeritária”.

Fazem parte dos comentadores de serviço, onde ganham mais uns “trocos” (várias vezes um salário mínimo) para nos convencerem que a TINA tem razão.

Quase todos, aposto, votaram no PAF e, os poucos que votaram no PS, estão contra uma coligação à esquerda, por preconceito ou fanatismo ideológico.

E a pergunta que se faz é: porque ouviu Cavaco Silva estes economistas e não outros?

Porque Cavaco só ouve aqueles que estão na sua área política, como se viu com  as outras audiências a banqueiros e grandes empresários, recebendo os sindicatos “para não parecer mal”, esquecendo-se que,  é para estas ocasiões que existe um Conselho de Estado, representativo e pago por todos para esse fim.

Acontece que nesse Conselho de Estado não podia encontra a unanimidade de opiniões sobre a crise política e , a economia e a situação financeira que encontrou com essa consulta de “personalidades” escolhidas a dedo, como se Cavaco quisesse desenterrar a salazarista Câmara Corporativa.

Ou seja, é como aquele velho ditado : “é como perguntar à peixeira se o peixe está fresco”
Assim se vê a independência do Presidente…


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

OS ROSTOS POR DETRÁS DA GALP E DA REN:

A GALP e a REN, duas empresas que muito têm beneficiado dos favores do Estado e da relação com o mundo da política, recusam-se a pagar um imposto que consideram ilegal.

A GALP invoca “pareceres jurídicos de reputados jurisconsultos” para não pagar a contribuição extraordinária sobre o sector energético, um dos mais protegidos do país, em virtude “da ilicitude desse tributo”.

Recorde-se que esse tributo  corresponde a….0,85% sobre o valor dos seus activos regulados.

Recorde-se também que os portugueses têm andado a pagar uma sobretaxa de..3,5% sobre o valor do seu trabalho…

A REN, empresa que tem o monopólio em Portugal de distribuição da energia eléctrica, tomou a mesma decisão porque continua a “avaliar a legalidade daquela contribuição”!!!!

Ou seja, o exemplo que essas empresas dão aos portugueses é o seguinte: quem não concordar com as taxas ficais  sobre o seu rendimento ou com a lei que o obriga ao pagamento de impostos, deve recorrer a pareceres jurídicos de “reputados jurisconsultos” e…não pagar.

Como toda a gente sabe, na relação com o fisco, primeiro paga-se e só depois é-se ressarcido de qualquer erro ou injustiça.

Pelos vistos, com as grandes empresas a coisa não se passa da mesma maneira.

Felizmente, desta vez parece que o governo português está a agir com rapidez e vai fazer aquelas empresas pagar pelo desaforo que estão a fazer aos portugueses que cumprem, todos os dias, mesmo se contrariados, os deveres que lhe são impostos em nome da austeridade.

O que não deixa de ser curioso é que, pelo menos numa dessas empresas, o accionista maioritário é uma empresa estatal  chinesa e que, por outro lado, por detrás dessas empresas, estão rostos, uns mais conhecidos do que outros, que mantêm regularmente colunas de opinião na comunicação social ou a esta acedem regularmente, todos eles conhecidos defensores, mesmo que em grau diferente, das actuais medidas de austeridade e que, quando criticam o governo, é por este não ir mais longe na sua aplicação.

O nome dessa gente, com responsabilidades na GALP e na REN é do conhecimento público como se pode ver consultando os seguintes links:




Como, que se saiba, nenhum desses responsáveis por aquelas empresas se demitiu em protesto contra a pouca vergonha daquela atitude, e como alguns dão opiniões regulares na comunicação social, é caso par lhes perguntarmos o que pensam da atitude dessas empresas.

Entretanto, se  se cruzarem com eles, aproveitem para lhes perguntar se lhes arranjam um “parecer jurídico de reputados jurisconsultos” para não pagar os impostos com os quais não concordem:


Se encontrar algum destes administradores-comentadores da GALP e da REN, pergunte-lhes como pode arranjar um “parecer jurídico de reputados jurisconsultos” para não pagar os impostos com os quais não concorde:











Ler também o editorial de hoje do Público:




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O SR. ULRICH, A BANCA E OS SEUS ACCIONISTAS AGUENTAM PAGAR MAIS PELAS TRANSACÇÕES FINANCEIRAS, PELOS DIVIDENDOS E PELO COMBATE À EVASÃO PARA OS PARAÍSOS FISCAIS? AI AGUENTAM, AGUENTAM!!!




Ontem reagimos a quente às vergonhosas e descaradas provocações proferidas pelo presidente  do BPI, o sr. Fernando Ulrich.

É que, perante tanta desfaçatez e falta de respeito por aqueles que estão a pagar para a crise já não há pachorra para atitudes racionais. Só nos resta cada vez mais a atitude de um Bordalo Pinheiro e mandá-los para o mesmo sítio para onde eles nos costumam mandar, de modo mais velado e “educado”, cada vez que abrem a boca.

A desfaçatez do individuo foi ainda mais escandalosa quando se sabe que ele, e outros como ele, tem responsabilidade pelo sector financeiro que é o principal responsável pela trágica situação do país e, mesmo assim, continuam impunes à crise, quanto  muito levando um ligeiro beliscão aqui ou acolá, mas que não abalam os lucros sempre crescentes da banca, muito à custa da especulação à volta dos juros da dívida e da aquisição de dinheiro barato junto do BCE, beneficiando ainda da maior fatia do bolo do empréstimo que estamos todos a pagar.

De facto, sabe-se que quem compra a dívida portuguesa é, maioritariamente, o “mercado” nacional, o mesmo é dizer, a banca nacional, que beneficia assim dos juros usurários e especulativos desses juros, que o Estado tem de pagar à custa do aumento de impostos e dos cortes salariais nos funcionários públicos.

Percebe-se assim os lucros fabulosos da banca, apesar de vivermos em “crise”, o que é um contra-senso ao histórico deste tipo de situações e só demonstra a falácia desta “crise”.

Uma outra situação que beneficia o sector do qual o sr. Ulrich é um dos rostos conhecidos do mal que causam aos cidadãos e trabalhadores portuguese é a disponibilidade que existe da banca aceder em condições muito benéficas a uma grande fatia do “bolo” do empréstimo da troika, que está a ser pago por todos nós, á custa do aumento de desemprego, ao empobrecimento generalizado de quem trabalha e produz, ao aumento da dos impostos e ao aumento dos níveis de pobreza.

Se juntarmos a tudo  isso a forma como a banca está a estrangular empresas e cidadãos com restrições ao crédito, ainda mais razões nos assistem para perder as estribeiras quando ouvimos esse senhor.

Por isso as afirmações do sr. Ulrich nos merecem o maior desprezo e  os piores  impropérios, pois é preciso muito descaramento par vir em defesa do aumento de austeridade, com o á vontade de quem sabe que os sacrifícios lhe vão passar ao lado, podendo até beneficiar com ela, falando aos portugueses como o falaria o sr. feudal aos seus servos.

A desfaçatez foi ainda mais longe, aos desvalorizar os níveis de desemprego em Portugal e dando a atender que ainda havia espaço para mais  desemprego, comparativamente com o que sucede na Grécia.

Mas a boçalidade do senhor foi ainda mais completa quando desvalorizou as manifestações de violência desesperada na Grécia, como umas meras “montras partidas”. Não gostávamos que a situação portuguesa descambasse para a violência da Grécia, mas, se chegarmos aí, espero que os manifestantes mais radicais se lembrem das palavras do sr. Ulrich e se apliquem nas montras do BPI….

Num ponto estamos de acordo com o sr. Ulrich, um parte do país aguenta mais austeridade, “ai aguenta, aguenta!”. Estamos  a pensar, por exemplo, no sector financeiro.

Recordando aqui algumas propostas apresentadas pela CGTP e outras pessoas e instituições para aumentar a receita do Estado, sem ser à custa dos mesmos de sempre (trabalhadores, pensionistas, empresários produtivos e cidadãos no geral), é caso par afirmar, pegando naquelas palavras:

 - O sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam a criação de uma taxa de 0,25% sobre as transacções financeiras, que permitia arrecadar uma receita fiscal de mais de dois mil milhões de euros? Ai aguentam, aguentam!.

- O sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam a criação de um novo escalão de IRC sobre a banca, que permitia arrecadar mais de um milhão de euros? Ai aguentam, aguentam!

- o sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam uma tributação adicional dos dividendos que permitiam arrecadar mais um milhão e meio de euros? Ai aguentam, aguentam!

- o sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam o combate à fraude a à evasão fiscal, que permitia arrecadar mais dois mil milhões de euros? Ai aguentam, aguentam!

Temos de agradecer ao sr. Ulrich ter-nos levado a  recordar aqui essa proposta da  CGTP que permitiria arrecadar cerca de 6 mil milhões de euros à especulação financeira, um bom contibuto para as necessidades do país …

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"SACANAS SEM LEI":Fernando Ulrich: «O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta!"...

....Desculpem lá, mas agora perdi as "estribeiras"...este tipo é uma besta e um sacana sem lei, um dos  rostos do mal que caiu sobre a vida dos portugueses...
 
A austeridade ainda não bateu à porta deste senhor nem dos seus capangas, que continuam impunes, eles que são os grandes responsáveis pelo estado deste país e que estão acumular para usufruto das suas negociatas financeiras o valor do empréstimo que estamos a pagar...
Este senhor, e outros como ele, continuam a falar de barriga cheia...
...vamos bater onde mais doi à gente da sua laia, vamos boicotar tudo o que esteja relacionado com o banco BPI e com este banqueiro desavergonhado...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O NOJO DO COSTUME: Vítor Constâncio: novas medidas de austeridade têm de ser cumpridas.

Nem todos os responsáveis pela crise que está a destruir os direitos e a vida dos cidadão deste país são conhecidos ou estão identificados.
Mas se existe um rosto bem conhecido pela sua incompetente responsabilidade ele é o de Vitor Constâncio, primeiro como presidente do Banco de Portugal e agora como eminência parda do que de pior existe nos meios financeiro internacionais.
Por isso não é de admirar que surja agora como uma voz isolada na defesa das irracionais e injustas medidas de austeridade impostas pelo governo e pela troika aos cidadão portugueses.
Obviamente que Vitos Constâncio, para manter a sua choruda e luxuosa situação financeira tem de lamber a mão do "dono", mas nós é que não temos de continuar a aturar gente como esta.
Aliás, a resposta a essa gente foi dada pelos portugueses na rua, no passado Sábado...
Vítor Constâncio: novas medidas de austeridade têm de ser cumpridas - Economia - PUBLICO.PT (c licar para ler)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

OS ROSTOS DO MAL,ou "DESTRUIÇÃO! DESTRUIÇÃO! DESTRUIÇÃO": Jens Wiedmann: "Não nos podemos deixar chantagear por um país por medo do contágio" .


Aí pelos anos 80 houve um grupo de rock de Torres Vedras, os CTT, que conheceram os seus quinze minutos de fama com um tema que tinha por estribilho o grito “Destruição! Destruição!Destruição!”…

Já não me lembro do resto do tema nem da musica, mas este “verso” vem-me à memória cada vez que oiço um burocrata “responsável” pelos destinos europeus ou um qualquer cinzentão do mundo financeiro virem defender o seu modelo de “resolução” da crise, que passa sempre pelos mesmos princípios: austeridade, redução de direitos socias, limitações aos serviços socias, desvalorização do valor do trabalho.

Como é óbvio a entrevista de Jens Weidman, presidente do Bundesbank, reforça com o fanatismo de sempre, a que já estamos habituados por parte dessa gente, aquele “programa” de destruição social da Europa.

Ficamos a saber que o aumento dramático do desemprego e da pobreza, o agravamento da recessão e a destruição das funções sociais dos estados, é, para essa gente, um sinal de que o memorando de austeridade está a ser “bem aplicado” e no “bom caminho” em Portugal e na Irlanda, e terá o mesmo destino em Espanha e em Itália.

Mas o mais grave nessa entrevista está nas ameaças veladas, em primeiro lugar à Grécia e em segundo aos restantes países do sul: ou mantêm a rota da austeridade aplicada por essa gente ou “arriscam-se a uma saída do euro”.

Pessoalmente, já não sei se a saída do euros é uma ameaça ou não seria, pelo contrário, uma benesse para esses países e para os seus cidadãos.

Olhando para a situação grega, não só vejo aí o futuro que nos espera, como não vejo aí qualquer futuro. Sair do euro pode ser doloroso no início, mas para os gregos e para os portugueses desempregados e viveendo em dramáticas condições de miséria e pobreza, por exemplo, dor maior do que aquela que sofrem, ainda por cima sem futuro à vista, já não será possível, com ou sem euro. Pelo menos a saída do euro obrigaria à procura de alternativas e, penso, em dois ou três anos, os Gregos, e os países do sul que saíssem do euro, iriram encontrar um rumo e talvez um futuro melhor do que aquele que os mercados financeiros, a Comissão Europeia e a Srª Merkel preconizam para as próximas décadas.

Claro que todos aqueles que, na Grécia, na Irlanda, em Portugal, em Espanha, ou na Itália, beneficiaram com o euro e as medidas de austeridade (políticos corruptos, banqueiros, especuladores financeiros, grandes empresários), terão tudo a perder. Mas para o resto da população em sofrimento, já nada há a perder…até podem ganhar alguma coisa.

Penso até que o “grande medo” é que a Grécia, saindo do euro, consiga recuperar rapidamente da miséria em que vive, o que seria um “mau exemplo” e punha em questão o modelo de austeridade que aquela gente preconiza. 

Dessa gente, como se pode confirmar pela entrevista que pode ser lida, parcialmente, em baixo, com a sua austeridade, só podemos esperar ….Destruição! Destruição! Destruição

sexta-feira, 1 de junho de 2012

ROSTOS DO MAL : António Borges defende: “Diminuir salários não é uma política, é uma urgência” .

António Borges, um dos rostos identificáveis entre os responsáveis pelas  malfeitorias que têm recaido, nos últimos tempos, sobre a vida dos cidadãos europeus em geral, e sobre os cidadãos portugueses em particular, ligado a várias instituições que estão por detrás da actual crise financeira (Banco de Portugal, Goldman Sachs, FMI, Comissão Europeia...), responsável pela criação da União Económica Monetária e pela criação do Euro, projectos de tal modo mal concebidos  que estão a contribuir para destruir a estrutura económica europeia e para agravar as condições de vida dos trabalhadores e dos empresários produtivos da Europa, que acumula vários salários e, provávelmente, algumas reformas chorudas, vem agora defender  a redução de salários, num país que já tem dos mais baixos salários de toda a Europa.

António Borges  diz em voz alta tudo o que as organizações a que está ou esteve ligado (a banca em geral, o FMI, a Comissão Europeia, a Troika, o governo, o PSD...) dizem em voz baixa, mostrando uma total ausêmcia de humanidade, pois devia saber que a situação actual dos salários portugueses já é responsável, quer pelos enormes valores dos índices de pobreza entre assalariados, quer por sermos dos países com maiores desigualdades de rendimentos.

Quem defende tais barbaridades devia começar por dar o exemplo e começar por cortar no seu próprio salalário, defendendo o mesmo para os seus "amigos" do mundo das finanças e da gestão empresarial, que não deviam auferir mais que o salário do Presidente da República, que devia ser o valor de referência para os salários mais altos do nosso país.

Vê-se assim que, para a actual "elite" financeira, económica e política que detem o poder, o rumo para o país é o dos salários baixos e o modelo social é o da China ou da Índia ( só não defendem a escravatura porque...não está na "moda"... ).
 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

OS "BELOS" ROSTOS DO MAL.



Vestem bem, lavam-se em perfumes caros, mantem a linha e uma imagem de glamour…mas o que lhes sobra do culto da imagem para a comunicação social é a arrogância, a ignorância e a total insensibilidade social, que disfarçam com propagandeadas preocupações caritativas e cínicas “preocupações”  pelos “pobrezinhos” que eles próprios semearam com a sua política.

Esta é a imagem que se aplica ao comportamento da srª Lagarde, presidente dessa tenebrosa organização de lavagem das responsabilidades do sector financeiro e responsável pela generalização da miséria que se abate sobre cidadãos cumpridores e trabalhadores por esse mundo fora.

A srª Lagarde revelou ontem uma total falta de respeito pelo sofrimento que a sua organização e os seus aliados têm vindo a causar ao gregos (…e não só…), misturando alhos com bugalhos, como se as crianças gregas tivessem de sofrer mais que as crianças da Nigéria para expurgar os “pecados” dos seus pais, como se fossem os filhos daqueles que provocaram o descalabro da Grécia que sofrem com os crimes financeiros do pais.

Na Grécia, como em Portugal e um pouco por todos os sítios por onde anda o FMI a apregoar e a impo o seu modelo, não são os que fugiram aos impostos, lavando dinheiro nos off-shores, especulando na bolsa, ou “simples” corruptos que levaram o mundo à beira do precipício, que estão a “pagar” pelos seus crimes.

Estes, aliás, têm sido os principais protegidos pelas medidas impostas pelo FMI, até porque são estes que pagam o guarda-roupa da srª Lagarde (antes pagavam as orgias do sr. Strauss Kahn…).

A “preocupação” que a srª Lagarde revelou pelas crianças da Nigéria, para desvalorizar o drama das crianças e idosos pobres da Grécia é do mais puro e abjecto cinismo, ou não fosse exactamente o tipo de políticas preconizadas e impostas pelo FMI que estão por detrás da dramática situação social em África e em muitos outros cantos do mundo.

Ignora ainda a srª Lagarde que na própria Europa “civilizada” persistem cada vez mais, como resultado da “austeridade” imposta e preconizada por si e pala sua amiga Merkel, autênticas ilhas de miséria “africana” que se espalham rapidamente por vários países europeus, formadas por desempregados em desespero, por reformados com pensões de miséria, por trabalhadores precários e mal pagos, no seio das quais vivem as tais crianças que a srª Lagarde resolveu ofender.

Já que a srª Lagarde tem tanta soberba para falar de alto para os miseráveis que a sua organização anda a semear, gostaríamos de a ver tratar com a mesma coragem e soberba os seus patrões do mundo das finanças, da política e do mundo das grandes empresas, os verdadeiros responsáveis pela grave situação da Europa.

Se é assim uma pessoa tão corajosa, frontal e desassombrada, tenha coragem para exigir o fim dos offshores, o combate eficaz à corrupção financeira e ao tráfico de influências, exigindo que as grandes empresas, o sector financeiros, os accionistas, a especulação financeira paguem os impostos devidos, pelo menos da mesma forma equitativa que é exigida aos cidadãos e às pequena e médias empresas.

E já agora, se anda tão preocupada com a miséria das crianças africanas, faça uma doação de metade do seu guarda-roupa e podia assim ajudar muitas centenas dessas crianças na sua alimentação e na sua educação.

...um pequeno à parte: a sr. Lagarde com um vencimento anual de 380 mil euros ...não paga impostos...está isenta porque ..."ocupa um cargo diplomático"!!!!....

Se não tem coragem para falar no mesmo tom aos “poderosos”, então remeta-se  à contenção de linguagem e de respeito que devia ser exigido pelo cargo que ocupa, cargo aliás que “conquistou” de um modo algo obscuro e ainda mal esclarecido…

Christine Lagarde: os pais das crianças gregas "têm de pagar os seus impostos" - Mundo - PUBLICO.PT (clicar para ler a notícia).

quinta-feira, 15 de março de 2012

Portugal Recebe um dos Rostos do "Mal" que assola os cidadãos da Europa

"(...) homem de existência a mais normalizada, sem comportamento desviante, de registo  criminal impoluto (...) o marido mais amoroso, o pai mais extremoso, o crente mais devoto, o colega mais gentil, o cidadão mais pacífico e cumpridor, sente-se habilitado, como Adolf Eichmann, a cometer os actos mais violentos e bárbaros desde que a sua acção seencontre legitimada por um sistema social e político ou uma teoria filosófica ou religiosa - é a "banalidade do mal", prosseguida por homens normais, sem aleijões psíquicos, entorses sociais de infância ou traumas psicanalíticos. A acção destes ministros evidencia-se hoje como a face do mal - homens "bons", no Governo, na direcção de grandes empresas, de grandes instituições, praticam o mal com o à vontade própria de quem está praticando o bem
"(...).
"Não são políticos os nossos governantes de hoje, mas economistas (os falsos profetas do século XXI), técnicos, robots substituíveis uns pelos outros, possuindo o mesmo vocabulário, aplicando invariavelmente o argumentário da eficiência de custos e proveitos, totalmente desacompanhados de uma dimensão cultural e espiritual para a sociedade.
"(...)
"Como foi possível que deputados, primeiro-ministros, presidentes da república, ministros da economia, do trabalho, das finanças, da agricultura, tivessem feito tanto mal a um país desde finais da década de 90, continuando a ter uma vida pública com um sorriso na cara como se a sua obra tivesse sido boa, premiados com altos cargos em empresas públicas ou privadas numa promiscuidade que faz bradar o pior da política maoísta ou estalinista?".

[um texto sobre Portugal mas que se aplica perfeitamente à burocracia dos Comissários Europeus]
MIGUEL  REAL - NOVA TEORIA DO  MAL, ed. Publicações D. Quixote, Fevereiro de 2012

 Hoje o “mal” veste fato e gravata, e é bem falante.
Já não precisa de usar fardamento com braçadeiras, esticar o braço em saudação ou berrar-nos ao ouvido frases de ódio.
O “mal” anda por aí a vender uma democracia que nunca o elegeu e uma austeridade que nos vai levar a todos par o seu inferno.
O “mal” quer a nossa pele para salvar os esbirros da alta finança que lhes garantem os privilégios do poder.
O “mal” sussurra-nos ao ouvido até à náusea que “vivemos acima da nossas possibilidades”, temos de “mudar de vida” , que somos números descartáveis nas suas estatísticas .
O “mal” já não precisa de holocausto, basta tirar-nos o direito à saúde, tirar-nos o direito ao trabalho e a um salário justo, tirar-nos a alegria de vivar, tirar-nos o futuro, para morrermos devagar, como apenas mais um número anónimo nos dados do desemprego, da pobreza, ou da mortalidade.
O “mal” priva-nos da nossa condição humana em nome da salvação de todas as dívidas soberanas nascidas da sua irresponsabilidade.
O “mal” pavoneia-se por aí, nas páginas dos jornais de “referência” e nos debates televisivos, de fato completo e gravata, com sorriso alarve e cínico, a vender a inevitabilidade do retrocesso social para onde nos lança a ideologia que nos vendem.
O “mal” tem vários rostos…o Comissário Olli Rehn é só um deles…

...desculpem-me, mas estou farto destes burocratas de merda que mandam na Europa, ocupando cargo eternos para os quais ninguém os elegeu e que têm como único objectivo servir a alta finança dos "mercados" e dos bancos, à custa do bem-estra dos cidadãos europeus e de um projecto social e cultural que unisse a Europa e os europeus...