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segunda-feira, 8 de abril de 2013

A Birra de Pasos Coelho, um alucinado extremista e vingador neoliberal..




A mensagem que o primeiro-ministro de Portugal dirigiu ontem ao país, foi um dos momentos mais lamentáveis da história política recente do país.


Com a arrogância do costume, Coelho revelou todo o fanatismo do seu projecto ideológico e o desrespeito pelas normas constitucionais que regem a democracia portuguesa.


Ao assacar ao Tribunal Constitucional as culpas pela situação desastroso e dramática a que o seu governo está a conduzir o país, revelou toda a sua falta de cultura democrática.


Esquece-se que foi ele o único primeiro-ministro que, em democracia, apresentou dois orçamentos sucessivos  eivados de inconstitucionalidades, e, por isso, é ele o primeiro responsável pelas consequências da situação.


As Constituições em democracia existem para evitar abusos por parte do poder contra os cidadãos, mesmo, e principalmente, em situações de excepção. 


Recorde-se que a actual  “situação de excepção” foi igualmente criada por este governo quando resolveu, por um lado ir “além da Troika” e, por outro, comportar-se como simples executante da liquidação económico-social de país imposta pelos burocratas da União Europeia, do FMI ou da Banca alemã, assacando tudo o que lhe mandam fazer, mesmo quando os resultados são desastrosos para o país.


O buraco em que nos encontramos não foi criado pelo Tribunal Constitucional. O aumento de desemprego, a quebra do PIB, a falência de empresas, o brutal aumento do custo de vida dos cidadãos, os cortes salariais, a recessão histórica e o empobrecimento generalizado são da única e exclusiva responsabilidade deste governo e das suas medidas de austeridade.


Em tom, algo entre o vingativo, e o puto "birrento",  Passos Coelho procura agora justificar o seu projecto de destruição do Estado Social, um Estado Social que, é já de si, um caricatura do verdadeiro Estado Social que existe na Europa civilizada, com a necessidade de responder à decisão do Tribunal Constitucional.


Aquilo que Passos Coelho apresenta como “consequência” dessa decisão já estava nos projectos do governo e serve apenas de pretexto para calar sectores do seu partido ou do partido da coligação que são menos radicais e extremistas que o primeiro-ministro e que sabem que o pretenso peso do sector público em Portugal é uma das mais descaradas mentiras deste governo.


Mas o mais dramático de tudo isto é que, antes da sua lamentável intervenção, tenha  recebido o aval do Presidente da República, que se torna cúmplice, a partir de agora, da destruição da sociedade portuguesa, ele que, enquanto primeiro-ministro, já tinha sido cúmplice da destruição da economia portuguesa iniciada em finais da década de 80.


José Sócrates tinha razão ontem, ao alertar para a situação de que, a partir de agora, o governo,  está a funcionar como um verdadeiro governo de iniciativa presidencial.


Ontem, Passos Coelho deixou cair a sua máscara de um fanático, alucinado e extremista neoliberal..

quarta-feira, 16 de março de 2011

ANTES PELO CONTRÁRIO...

Não tenho escrito nada neste espaço que o Venerando, na sua generosidade, me facultou. Hoje não resisto a meter a colher, amigavelmente, como sempre que falamos os dois.

Não te acompanho neste teu desabafo, meu amigo. Por uma razão simples: Sócrates é a direita no poder, com uma máscara de esquerda na cara, como os nossos miúdos no carnaval. É por isso que o Passos Coelho anda a encanar a perna à rã e não tem apetência nenhuma para ir para lá. Não saberia fazer melhor. E acirraria mais aquelas franjas de centro-esquerda que ainda vão acreditando que não há alternativas ao Sócrates.
Estás farto do homem, queres uma mudança. Mas mudar o quê? O estilo mais truculento do Sócrates pelo estilo mais penteadinho do Coelho?

Estamos num impasse político e não é a cavacal figura que o vai desfazer. Até porque ele está ao lado do Sócrates, embora tenha feito a discursata inconsequente da tomada de posse - aquilo foi para agradar à sua Maria e aos filhos... podes crer.

Uma saída poderá ser o que Marcelo Rebelo de Sousa tem andado a defender, até dentro do PSD: é uma espécie de governo de salvação nacional, com outra gente do PS, do PSD e até do CDS. Seria a única solução que o directório europeu aceitaria, para além da manutenção do Sócrates. Mas Cavaco não tem estatura para lidar com um processo destes...

O grande drama da nossa política é a total inoperância da "esquerda à esquerda do PS", como bem disse o Daniel Oliveira que eu citei noutro lugar. Tanto o BE como o PCP esgotam a sua intervenção em tiradas moralistas sobre "outras políticas" mas são incapazes de apresentarem uma solução de governo que diga como seria possível pô-las em prática. Não se dão conta de que jogam ao absurdo: exigir aos políticos de direita que prossigam políticas de esquerda. E continuam teimosamente nesta lenga-lenga, que não arrasta ninguém para o seu campo e só convence os próprios fiéis. Têm uma linguagem e um comportamento sectários, sem perspectivas na vida democrática.

Como homem de esquerda, acho que o PCP e o BE deviam:

Jogar o jogo democrático,  começando por eles próprios se aliarem, numa convergência leal, sem sectarismo, e procurando alianças com todos os sectores de esquerda não alinhada, ou com sensibilidades de esquerda dentro dos partidos do Centro (PS/PSD). Não hostilizando o Presidente da República, antes procurando com ele linhas de diálogo, aproveitando por exemplo, a deriva "esquerdóide" do discurso da tomada de posse. Delineando um "Programa de Governo" exequível, pondo-o em cima da mesa para discussão e negociação. Pelo menos haveria uma alternativa credível, um espaço produtivo de discussão.

Mas não tenho ilusões. Aquela gente, sobretudo o PCP, vive a política como uma religião. Têm fé, mais nada. São incapazes de lidar com a realidade complexa da vida social, que vêem a preto e branco, num mundo em que só há bons ( "os trabalhadores e o povo") e maus ( os outros, sobretudo os que não pensam como eles). Actuam com base numa crença: se acirrarem os descontentes, se explorarem o desespero dos que têm fome, eles acabarão por se levantar numa insurreição popular e entregarão, finalmente, o poder ao grande Partido dos trabalhadores e do povo. Seria a albanização de Portugal, a saída do Euro, a miséria mais negra. Mas eles são cegos para a realidade.
Quanto à hostes do BE, são uma espécie de PCP mais culto e actualizado mas com as mesmas limitações políticas.

De modo que... mal por mal, antes a cadeia do que o hospital, como diziam na minha terra.
Até que surja D. Sebastião?...