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terça-feira, 12 de junho de 2018

G7 - Descubra as "diferenças" !!!




Não é para levar a sério..é apenas um pequeno "ensaio" irónico, embora o objectivo seja o mesmo, por meios diferentes...dominar o mundo!

terça-feira, 21 de julho de 2015

"Abram os Olhos": O IV REICH está aí!


Podem ler em baixo a "história do IV Reich", ou como a Alemanha tem vindo construir o seu domínio sobre a Europa, desde o final da 2ª Guerra:

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O RESPIGO DO DIA : As três lições da crise grega segundo Soromenho-Marques:


Três lições de Xerxes em Atenas

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

in Diário de Notícias, de 13 de Julho de 2015

“Uma semana depois do esmagador "não" grego, a rebelião foi esmagada. A capitulação de Tsipras, ao apresentar um programa duríssimo, não foi suficiente.

“ Ele terá de regressar ao Parlamento carregado de novas algemas. Tem até dia 15 para aceitar uma austeridade hiperbólica, que envolve o IVA, o mercado de trabalho, mais 50 mil milhões de euros de privatizações, e a derrota simbólica de ver a troika regressar a Atenas. Tudo pode ainda resvalar.

“Berlim mostrou não temer colocar a Europa a ferro e fogo com o grexit, eufemisticamente apresentado como um castigo para cinco anos (como se entrar ou sair de uma união monetária fosse uma brincadeira pueril).

“Este novo sacrifício da Grécia tem, contudo, três lições para quem as quiser aprender.

“Primeira: a zona euro (ZE) não é uma união económica e monetária, fundada na promessa de uma solidariedade política cada vez mais firme entre os seus membros, mas sim um clube de países, organizados pela hierarquia do poder efetivo, competindo pelas boas graças dos mercados financeiros.

“Segunda: Berlim não está disposta a estender os princípios do federalismo (que implicam transferências orçamentais solidárias) à ZE. Berlim está contente com esta união monetária low cost, que deveria chamar--se Zona Marco Alargada, pois está desenhada, essencialmente, para servir a economia alemã.

“Terceira lição: a ZE é hoje um grande pan-ótico, onde os prisioneiros e os carcereiros se vigiam mutuamente. Quem fica, perde a alma. Quem sai, arrisca o pescoço.

“ O protesto democrático de um povo empobrecido partiu-se contra o muro hegemónico ordoliberal, como os sabres da cavalaria polaca contra o aço dos blindados em 1939.


“Esperemos que Paris e Roma tenham aprendido alguma coisa, pois também chegará a sua vez”.

domingo, 5 de julho de 2015

Referendo grego - errei de propósito, e passo a explicar:

Em post anterior vaticinei a vitória do Sim, contra as minhas convicções e fi-lo de propósito, contra a intuição, e passo a explicar porque o fiz:

Costumo errar todas as minhas previsões eleitorais e por isso, deste vez, deixei-me dominar pela superstição: e se eu desta vez "anunciasse" uma previsão contrária daquela que era meu desejo?.

No fundo não é muito diferente do que fazem os comentadores de serviço bem pagos que por aí pululam a ganhar ordenados chorudos. (Eu pelo menos faço "previsões" de borla).

Aí está o resultado : "não acredito em bruxas...mas que as há, há!!!".

Só para ver a cara de melão e enterro da maioria dos jornalistas e comentadores de serviço, já valeu a pena a vitória do Não.

Agora vamos aguardar para ver qual vai ser o peso do Não.

Ao minuto: Varoufakis diz que "em 24h podemos ter um acordo" (clicar para seguir actualizações ao minuto).

quinta-feira, 2 de julho de 2015

É a Democracia, Estúpidos!!!



Anda por aí um frenesim imenso entre políticos e comentadores "campeões da democracia e da liberdade" por causa do referendo grego.

O jornalismo de sarjeta não pára de perseguir gregos em filas no multibanco, de tal maneira que já alguém escreveu numa parede junto duma dessas caixas : "agora preocupam-se com as filas nos bancos, mas preocuparam-se com as filas no centro de emprego ou na sopa dos pobres?".

Os mesmos que fecham os olhos aos atentados diários contra a democracia e a liberdade do governo húngaro, cuja actuação  faz de Putin um "democrata dos sete custados", ou que fecharam os olhos à forma como o poder foi tomado na Ucrânia por arruaceiros neo-fascistas, andam agora preocupados com o "atentado aos direitos humanos" do referendo grego (veja-se a posição do Conselho Europeu).

É pena que não se tenham lembrado dos "direitos humanos" quando a austeridade lançou na miséria milhões de europeus.

Uma das virtudes da Europa do pós guerra foi saber fazer a fusão entre direitos democráticos formais e direitos sociais, o contrário do que faz a actual geração de líderes europeus.

Paulo Granjo, no artigo reproduzido em baixo, vem-nos recordar que o "governo da Grécia foi eleito com o mandato de renegociar a dívida, de acabar com a espiral austeritária sobre os mais fracos, com o indigno diktat dos mangas-de-alpaca da troika e com o estado de calamidade social, de implantar medidas de dinamização económica.

“Tal como, se quisermos, Pedro Passos Coelho foi eleito com o mandato de não aumentar os impostos e de não cortar pensões e salários.

“Só que o governo da Grécia não é feito de gente capaz de vir, no dia seguinte, dizer que afinal é tudo ao contrário do que se comprometeram e que até querem ir mais longe do que as exigências da troika.

“Para o governo grego, tal como supostamente para qualquer pessoa de bem, aceitar um acordo que põe em causa uma parte daquilo para que foram eleitos – mesmo sendo esse acordo muito menos mau do que lhes queriam inicialmente impor – requer que os eleitores se pronunciem explicitamente".

Não é assim de admirar que os tais defensores da "democracia e da liberdade" e dos "direitos humanos" já comecem a fazer cair a máscara, defendendo agora um "governo de tecnocratas" para por "ordem" na Grécia ( acabei de ouvir esta "opinião" na rádio...foi dita pelo presidente do Parlamento Europeu , o alemão "social-democrata" (!!!!) Schultz....um grande democrata!!!).

Percebe-se o "espírito democrático" dessa gente: democracia sim, mas desde que continue tudo na mesma.


Dá-lhes com democracia!
Por Paulo Granjo
In Público de 02/07/2015

“Depois de o FMI recusar o plano grego (por uma parte do equilíbrio orçamental ser pago pelas maiores e mais lucrativas empresas e pelos salários mais altos, em vez de por mais cortes aos reformados e aumentos de preços) e depois de o Eurogrupo ter feito alegre coro com essas firmes exigências de mais austeridade para quem está na miséria ou à beira dela, o governo grego anunciou um referendo acerca do pacote de exigências que as instituições europeias pretendem impor, para desbloquear o financiamento ao país.

“Em Bruxelas, caiu o Carmo e a Trindade – ou o que quer que seja que por lá exista de equivalente.

“Não obstante, o recurso ao referendo como arma política e instrumento legitimador nada tem de novidade.

“Para desespero das esquerdas francesas, Charles de Gaulle recorreu extensivamente a ele quando as coisas lhe ficavam mais adversas.

“Mais perto de nós, em 2008, o presidente boliviano Evo Morales enfrentou um ataque em regra às suas políticas progressistas, que incluía a ameaça bem real (e com implícito beneplácito estado-unidense) de uma secessão dos estados dominadas pela oposição, a par de apelos explícitos e continuados a um golpe militar.

“Em vez de optar pelos anteriormente habituais endurecimentos de posições e escaladas securitárias, fez referendar o seu lugar, o do vice-presidente e os dos também eleitos governadores estaduais, pró-governamentais e oposicionistas. Foi confirmado no cargo com mais 8% do que tinha sido eleito, sendo também reconduzidos o vice-presidente e 6 dos 8 governadores provinciais (seus apoiantes, ou da oposição); nos outros 2 casos, houve novas eleições.

“A legitimidade democrática saiu reforçada, os Estados Unidos chamaram de volta os seus especialistas e entusiastas insurreccionais, as forças mais conservadoras submeteram-se ao jogo democrático e deixou de se falar de golpes de estado, ou de partir o país em dois.

“Nada permite afirmar que as consequências da convocação deste referendo na Grécia venham a ser tão positivas. E nada permite afirmar que o não venham a ser.

“O que não lhe falta, certamente, é lógica, espírito democrático, dignidade e oportunidade.

“O governo da Grécia foi eleito com o mandato de renegociar a dívida, de acabar com a espiral austeritária sobre os mais fracos, com o indigno diktat dos mangas-de-alpaca da troika e com o estado de calamidade social, de implantar medidas de dinamização económica.

“Tal como, se quisermos, Pedro Passos Coelho foi eleito com o mandato de não aumentar os impostos e de não cortar pensões e salários.

“Só que o governo da Grécia não é feito de gente capaz de vir, no dia seguinte, dizer que afinal é tudo ao contrário do que se comprometeram e que até querem ir mais longe do que as exigências da troika.

“Para o governo grego, tal como supostamente para qualquer pessoa de bem, aceitar um acordo que põe em causa uma parte daquilo para que foram eleitos – mesmo sendo esse acordo muito menos mau do que lhes queriam inicialmente impor – requer que os eleitores se pronunciem explicitamente.

“A decisão de não aceitar esse acordo, num quadro que é já diferente do das eleições, requer por seu lado um apoio popular maioritário que a legitime democraticamente perante os cidadãos que dela discordem, perante os potenciais entusiastas de pronunciamentos militares e perante os impositores de inevitabilidades, ao mesmo tempo que reforça a posição governamental e nacional, na busca de alternativas.

“Para além, se quisermos, dessa ideia caída em desuso numa Europa de supremacias nacionais e financeiras: a de que, em estados democráticos, as opções mais decisivas devem ser tomadas democraticamente.

“Um outro aspecto fulcral é que os impasses e tentativas de diktat a que temos vindo a assistir, por parte das instituições europeias e do FMI, pouco têm a ver com economia, mas antes com política.

“Têm em parte a ver – como o demonstra a justificação do FMI para recusar a última proposta grega, até aí rotulada como "uma boa base de trabalho" – com a continuidade de imposição, a países que estão financeiramente fragilizados, de um quadro específico de políticas económicas e sociais, independentemente daquilo que queiram os seus governos ou os seus povos.

“(E aqui, é curioso verificar que, se Marx escreveu metafórica e panfletariamente que os governos são "o conselho de administração delegado da burguesia", temos hoje banqueiros a exigir mandar – e mandando – nos governos.).

“Mas têm sobretudo a ver com a tentativa de tornar impossível a existência de governos, países e povos que se recusem a acatar, submissos, a destruição da sua economia e coesão social, em nome de ideologias e interesses que não escolheram nem escolhem.

“Têm sobretudo a ver com tornar impossível a vida ao governo grego, procurando criar uma lose-lose situation que o destrua e afaste veleidades semelhantes noutros países: inviabilizar as condições para a prossecução mesmo que parcial do seu programa (por sensato que ele seja), de forma a que ou se submeta, perdendo a credibilidade popular, ou crie uma situação provisoriamente caótica na tentativa de não se submeter, perdendo apoio para as soluções que preconiza.

“Para além do topete de dar a palavra ao povo, aquilo em que a convocação do referendo grego mais irrita chancelarias, ministérios das finanças e eurocratas é o facto de, através dele, o governo grego sair da armadilha.

“Uma eventual aceitação das agora mitigadas exigência euro-éfeémisticas não seria uma traição, mas uma opção popular, tal como a sua recusa não seria uma caturrice de radicais, mas uma decisão partilhada pelo país.

“Para além disso, o anúncio de referendo já não pode levar ao derrube de governos a partir do exterior – ao contrário do que aconteceu, há anos atrás e por exigência troikista, com o governo eleito do Pasok – e, pelo contrário, reforça a posição negocial da Grécia a nível mundial, ao demonstrar que não se pretende submeter e que está disposta a correr os riscos inerentes.

“Isto porque, ao contrário do que têm insistido em imaginar os governos europeus e os comentadores encartados, a solução do problema da Grécia não está restringida às fronteiras do Euro, ou mesmo da União Europeia.

“Mesmo com os cofres pouco cheios, seria para a Rússia uma pechincha ajudar a Grécia, ganhando influência sobre um país fulcral da NATO que lhe pode dar acesso ao Mediterrâneo, e sobre um país da União Europeia que pode, por exemplo, vetar sanções da União sobre outros países.

“Os interesses dos Estados Unidos não permitem, por essas razões, que a Grécia seja empurrada pela UE para o colo da Rússia.

“Para além disso, em termos económicos, também não permitem que braços-de-ferro de supremacia política e ideológica abram uma brecha no Euro de consequências imprevisíveis, mas que quase certamente incluiriam fortes mudanças cambiais e efeitos recessivos na Europa, com impacto na própria economia norte-americana e nos mercados financeiros mundiais.

“Só se estranha, então, que só agora Obama faça saber que insta Merkel a assegurar as condições para que a Grécia não saia do Euro e para que a dívida grega seja restruturada. Mas entre o anúncio do referendo e a divulgação desse telefonema, a relação não será certamente casual.

“Também a China se não pode dar ao luxo de uma cotação do Euro turbulenta, ou de recessão num continente fulcral para as suas exportações e, consequentemente, para a sua economia.

“E também ela, sábado à noite, veio pedir uma solução estável que viabilize a manutenção da Grécia no Euro, ao mesmo tempo que se oferecia para, se necessário, sacar do livro de cheques.

“Se não tivesse (como tem) as virtudes da dignidade, democraticidade, coerência e oportunidade, a convocação do referendo na Grécia teria pelo menos uma outra virtude: a de tornar evidente a miopia política, a auto-negação estratégica e o narcísico bruxelocentrismo com que todo este problema tem sido tratado, desde o início".


Antropólogo

sábado, 27 de junho de 2015

Esta Europa mete nojo.


Segundo se afirma no Público on-line de hoje sabe-se que os “os lucros conseguidos pelo BCE na compra de dívida grega” são  “no valor de 1900 milhões de euros” mais que o montante do reembolso  de Atenas ao FMI que termina na terça-feira.

Sabe-se também que o próprio FMI tem obtido lucros fabulosos com o resgate dos países foram obrigados a recorrer aos fundos dessa instituição.

É cada vez mais claro que esta crise tem servido para encher os cofres do BCE e do FMI, e para transferir para os contribuintes e cidadãos europeus as dívidas da banca europeia.

No caso da Grécia essa dívida estava nas mãos da Banca Alemã e da Banca Francesa, que conseguiram, através do “resgate” verem-se livre da mesma, que ficou no poder do Estado grego, ou seja, que vai ter de ser paga pelos cidadãos gregos.

Por sua vez, o Estado grego, com a conivência dos partidos do “arco do poder”  das últimas décadas, o PASOK e a NOVA DEMOCRACIA, dois partidos corruptos e que funcionam em esquema mafioso, receberam “ajudas” para pagar essa dívida, à custa de cortes nas pensões e nos salários, no grande aumento de impostos e na desvalorização do sector trabalho, as ditas “reformas estruturais”, aos mesmo tempo que a União Europeia fechava os olhos à corrupção generalizada do sector político e financeiro grego. Só agora essas instituições se mostram “preocupadas” com a corrupção grega, como se ela fosse da responsabilidade do actual governo.

Desde que recebessem as tranches regularmente, e  desde que os cidadãos gregos pagassem, à custa do desemprego e do empobrecimento brutal, estava tudo bem para as instituições da troika, que continuavam a emprestar dinheiro que, em vez de servir para melhorar a situação económica e social do país ou combater a fraude financeira e política, servia para, num círculo vicioso, salvar os bancos alemães e franceses, tudo  pago pelos cidadãos gregos, com juros altíssimos e em prazos escandalosamente curtos.

Foi para alterar esta situação que o Syriza foi eleito. Infelizmente esbarrou como a atitude criminosa das instituições europeias e do FMI e está a ser empurrada para um beco sem saída, mas que, se inicialmente vai sair caro aos gregos, a prazo vai sair caro à União Europeia.

Parafraseando Pacheco Pereira na sua crónica de hoje no Público, esta Europa é uma vergonha.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Cartoon da Semana

Um momento de humor, no dia em que o fanatismo ideológicos dos  "Credores" resolveu passar mais uma rateira à Grécia.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Chegou o momento: Solidariedade Europeia : Somos Todos Gregos!


A guerra aberta entre os “credores” da troika e o governo Grego democraticamente eleito está a atingir o seu auge.

Antes demais talvez seja bom esclarecer a que “credores” nos estamos a referir.

Não estamos a falar  de agiotas anónimos, de um sector  financeiro obscuro e que actua na sombra de um mercado globalizado, nem de grandes empresas produtoras de riqueza que emprestam o seu dinheiro.

Quando falamos dos “credores” estamos a falar de instituições bem conhecidas (BCE, FMI, Comissão Europeia e Eurogrupo), lideradas por rostos conhecidos do grande público, que alimentam uma imensa máquina burocrática e que vive do saque generalizado dos impostos pagos pelos cidadãos e pelas empresas produtivas  europeias, ou, no caso de uma delas (o FMI) de quase todo o mundo.

Os lideres dessas instituições ocupam os seus cargos, principescamente pagos, e com garantia de ajudas de custo e pensões que fogem ao controle dos cidadãos europeus, tudo pago pelo saque referido acima, sem que nenhum cidadão europeu os tenha eleito para esses cargos, sendo escolhidos pelos seus pares e em benefício do corrupto e obscuro poder financeiro europeu e mundial, que tão diligentemente servem.

Ganham também dos juros cobrados aos países que eles endividaram e empobreceram com as medidas de austeridade que impuseram aos cidadãos dos países em “resgate”, emprestam para que os países cumpram com o pagamento desses juros, num círculo vicioso que aumenta cada vez mais a divida desses países, ao mesmo tempo que impõem “reformas” que retirem direitos sociais e desrespeitem compromissos assumidos pelos Estados para com os seus cidadãos, enfraquecendo a própria cidadania e, a prazo, ameaçando a própria democracia.

Num artigo hoje publicado no jornal Público ficamos a saber o que divide o Governo Grego dos seu fanáticos “credores”:

“Bruxelas quer que Atenas dê novos passos para que o seu sistema de pensões se torne mais sustentável, e que o faça de forma rápida, garantindo também poupanças orçamentais significativas no curto prazo. A Comissão diz que não têm de ser necessariamente de cortes nas pensões, mas quer ver poupanças equivalentes a 0,05% do PIB este ano e a 1% do PIB no próximo. Qualquer coisa como 1775 milhões de euros.

“O Governo grego recusa qualquer tipo de novo corte de pensões e contrapõe com uma poupança planeada com pensões de 71 milhões de euros em 2016 (equivalente a 0,04% do PIB), sendo que para 2015 o valor pensado é zero. A medida que aceita implementar é uma limitação progressiva, a partir do próximo ano, das reformas antecipadas.

“O desentendimento entre as duas partes é o resultado de visões muito diferentes sobre o mesmo problema. Do lado da troika, o que preocupa são os números que mostram que a sustentabilidade do sistema de pensões grego está em risco. A Grécia é o país da União Europeia que mais gasta em pensões em percentagem do PIB (17,5% em 2015, contra um pouco menos de 15% em Portugal e pouco mais de 13% na média europeia).  Num ranking recentemente elaborado pela Allianz, a Grécia era o oitavo ´país com um sistema de pensões menos sustentável entre 45 países (Portugal era o 17º). Para além disso, num cenário em que se continua a exigir que a Grécia realize poupanças imediatas para reduzir os défices e travar a dívida, os gastos com pensões são vistos pela troika como incontornáveis em qualquer estratégia orçamental que venha a ser seguida.

“Do lado grego, a resposta é que os pensionistas já foram alvo de demasiadas medidas nos últimos anos e que pedir mais seria altamente negativo do ponto de vista social e económico. E contrapõem com outros números. Olhando para a despesa em pensões por beneficiário (com paridade do poder de compra), a Grécia já deixa de estar nos primeiros lugares do ranking, descendo para baixo da média europeia. E 45% dos pensionistas recebem um valor mensal que os coloca abaixo do limiar de pobreza.

“O problema da insustentabilidade, defende o Governo Syriza, tem a ver principalmente com a redução drástica registada no PIB e com a escalada do desemprego para valores acima dos 25%, que não só fizeram cair as contribuições como ajudaram a manter elevados os benefícios sociais que têm de ser pagos”.

Ou seja, enquanto Bruxelas e os “credores” se preocupam com diferenças de centésimas ou milésimas percentuais, sem se preocupar com o agravamento da situação social e com o empobrecimento dos pensionistas, graças a cinco anos de austeridade impostas pela troika e cumpridas pelos anteriores governos “amigos da troika”, o governo Grego preocupa-se com o efeito humano da aplicação das medidas de austeridade.

Não deixa de ser curioso que os “credores”, nos anos anteriores, quer os da adesão ao euro, quer os da aplicação das medidas de austeridade, nunca se tenham preocupado com a corrupção e os problemas da segurança social na Grécia e até tenham agravado essa situação naquele país (e não só) durante os anos de aplicação de tais “reformas estruturais”…

Ainda segundo aquela reportagem, o  “valor das pensões de que o Governo fala são também o resultado das alterações realizadas ao sistema grego durante os últimos anos, todas elas parte das medidas exigidas pela troika desde 2010, quando o país deixou de se conseguir financiar nos mercados internacionais.

"Logo no primeiro programa, a Grécia cortou na totalidade os 13º e 14º meses das pensões superiores a 2500 euros. Para as pensões mais baixas, o corte foi parcial. Estes cortes, ao contrário do que aconteceu em Portugal, não foram repostos, contribuindo decisivamente para a redução de rendimento sofrida pelos aposentados gregos e que vai dos 20% para os pensionistas mais pobres até aos 48% para os pensionistas mais ricos, segundo os números apresentados pelo Governo”.

“A Comissão Europeia sugere que parte da poupança possa surgir de mudanças a operar nas regras de acesso às reformas antecipadas, que são ainda consideravelmente mais generosas do que na generalidade dos países europeus.

"O Governo liderado por Alexis Tsipras aceita que se possam fazer mudanças a esse nível (é daí que vêm as poupanças de 71 milhões de euros em 2016), mas a um ritmo muito mais baixo do que o pretendido por Bruxelas. A razão, dizem, é que num cenário de desemprego recorde, as reformas antecipadas têm sido a solução encontrada por quem, já na fase final da sua carreira profissional caiu numa situação de desemprego. Retirar-lhes essa possibilidade, agravaria ainda mais a situação social no país, argumentou o Governo junto das autoridades europeias”.

As instituições da troika mostram-se assim insensíveis à grave situação social que criaram com  aplicação das suas medidas, querem é garantir os seus lucros. Emprestaram à Grécia (e a Portugal), não para ajudarem à melhoria da situação económica e social do país, ou para combater a corrupção e as desigualdades sociais, mas para o tornarem refém do pagamento da dívida. E continuam a emprestar chantageando um governo democraticamente eleito, desde que esse empréstimo seja usado para pagar os juros da dívida, naquilo que se chama a pescadinha de rabo na boca: “empresto-te x para pagares num prazo incomportável, com juros agiotas, para poderes ter dinheiro para me pagares os juros e, se não pagares os juros, recorres a mais empréstimos, cedidos nas condições de fazeres o que eu mando, para garantires que os meus bancos (alemães e franceses) continuem a obter grande lucros e pagarem os favores dos burocratas europeus…”.

E qual é a medida “extremista” defendida pelo governo grego, com alternativa àquelas sugestões desumanas dos “credores”?:

“Atenas aposta antes em medidas como a criação de um imposto especial de 12% sobre os lucros das empresas acima de um milhão de euros (com o qual espera obter 600 milhões de euros ao ano), a subida do IRC de 26 para 29%, combate à fraude no IVA e nos combustíveis e aplicação de taxas e licenças sobre os canais televisivos”.


…já não temos dúvida de que lado está o bom senso, e onde estão os fanáticos.

Visões diferentes do sistema de pensões dificultam acordo na Grécia (clicar para ler)

A propósito aqui transcrevemos uma esclarecedora crónica hoje publicada por Ana Sá Lopes:

“Grécia. Perdemos todos (e a democracia também)

Por Ana Sá Lopes

Jornal i – 16 /6/2015

“A derrota de Alexis Tsipras, que não conseguiu convencer a Europa da bondade de uma agenda antiausteridade, está longe de ser apenas a derrota do Syriza e da Grécia. Tsipras, eleito com um mandato para manter a Grécia no euro, provou que qualquer tentativa de conseguir uma alternativa de esquerda para um país está condenada ao fracasso ou à saída da zona euro. 

"A derrota de Tsipras é a derrota de qualquer tentativa de corte com a austeridade. Dentro da Europa não há matizes: infelizmente existe uma agenda única, a dos “compromissos europeus”, que podem ser mais ou menos bem desenvolvidos conforme as personagens envolvidas. Acabaram agora as ilusões: não há política sem austeridade na zona euro. A Europa ilegalizou a social--democracia quando aprovou o famoso “défice zero” do Tratado Orçamental, como na altura vários economistas notaram.

“Alexis Tsipras disse ontem que não cedia mais porque estava em causa a democracia, o programa com o qual foi eleito – e não queria deixar morrer a democracia no lugar onde ela nasceu, a Grécia. Mas os acontecimentos na Grécia provam que a democracia tal como a conhecemos deixou de existir na prática, fruto da confluência de várias democracias sobrepostas. Ou seja, os eleitores da Alemanha, da Finlândia e de muitos outros países não permitem uma agenda contra a austeridade.


“Os países mais frágeis, como a Grécia (e o nosso), têm duas alternativas: ou se submetem, fazendo das eleições legislativas nacionais uma escolha entre a opção A e a opção A+, ou saem do euro. A maioria do eleitorado grego não queria sair do euro e foi por isso que Alexis Tsipras sempre recusou apresentar a hipótese aos eleitores – mas ficou provado que a Europa não mudou e dificilmente irá mudar depois de tantos esgazeados de contentamento com a derrota grega. O problema desta história é que, como dizia Draghi, navegamos para “águas desconhecidas”. Imaginar que Portugal sai disto ileso não passa pela cabeça de nenhum economista”.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O BCE explicado às criancinhas...ou ...uma cambada de ladrões muito competentes e... bem pagos


Do site Free Zone, um site de informação alternativo, alertado por um amigo, encontrei um interessante texto, da autoria de Luís Arriaga, intitulado "Explica-me como se eu fosse muito burro", sobre o funcionamento do Banco Central Europeu e como essa instituição serve para resgatar bancos à custa da austeridade sobre os cidadãos europeus.

É mais uma prova do modo com a actual crise foi organizada para efectuar o roubo mais bem organizado da história.

Ao longo da minha vida fui roubado algumas vezes.

Lembro-me de me terem roubado uma carteira na Feira de S.Pedro, quando era míudo. Perdi uma carteira boa e vinte cinco tostões que lá tinha para gastar na feira.

Já em adulto, numa viagem a Madrid, roubaram-me uma mala do carro, partindo um vidro, onde estava um rádio portátil e uma máquina fotográfica que não era minha mas que me tinha sido emprestada, e por isso tive de encontrar uma máquina parecida para devolver ao dono. Não sei calcular exactamente o valor desse roubo, talvez o equivalente a uns cem euros.

Mais tarde assaltaram-me o sótão de onde me roubaram uma bicicleta com os pneus furados, aí no valor de uns 50 euros.

Por três vezes partiram os vidros de carros da minha família, sem encontrarem nada para roubar, tendo-me custado uma despesa que, na totalidade, nos custou uns trezentos euros.

Conheço também histórias de assaltos sofridos por conhecidos ou amigos meus, ou velhas histórias de assaltantes de estrada, no caminho que ligava Torres Vedras a Lisboa.

Hoje, perante a roubalheira de que fui vítima nos últimos anos, desde que nos impuseram o euro e desde que a Comissão Europeia, principalmente a de Barroso, o BCE, de Vitor Constâncio, e o FMI de Vitor Gaspar,  inventaram este roubo generalizado às pensões e aos salários e este aumento "brutal" da carga fiscal sobre o trabalho, e depois de ler o artigo em baixo transcrito, considero que os assaltantes acima descritos foram uns heróis, que arriscaram a liberdade por uma valor irrisório que me conseguiram roubar o equivalente a uma pequena migalha, face àquilo que gente engravatada, da Comissão Europeia, do BCE, do FMI e outros, gente muito bem vista pela comunicação social e bem paga, que continua a aparecer sorridente e sem vergonha em conferências e entrevistas, me tem roubado na última década.

Aqueles, acima referido, que me roubaram sem rodeios ao longo da minha vida, afinal são mais honestos e humanos que todos os Barrosos, os Constâncios ou os Gaspares que povoam este filme de terror social chamado União Europeia....

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Eleições regionais e municipais em Espanha - mais um aviso para os defensores do modelo austeritário da União Europeia


Apesar de ter sido o partido mais votado, beneficiando da pulverização de partidos à esquerda, o PP perdeu quase três milhões de votos e quase todas as maiorias absolutas que detinha nas regiões e municípios.

O caso mais paradigmático foi o de Madrid onde, apesar de ser o partido mais votado, perdeu quase metade dos votos e, além de perder a maioria absoluta perdeu igualmente o poder que detinha há 24 anos, pois a segunda candidata mais votada, Manuela Carmen, apoiada por uma coligação encabeçada pelo Podemos, atingindo quase a votação do PP, já recebeu o apoio do PSOE para governar a capital.

Esta vai ser a situação em muitas comunidades e municípios.

Contudo o PSOE ficou-se em muitos sítios pela terceira posição, não beneficiando do descalabro do partido querido da srª Merkel, tendo perdido centenas de milhares de votos.

Práticamente todos os partidos tradicionais, como os nacionalistas da catalunha ou a Esquerda Unida (herdeira do PC espanhol) perderem votos e lugares nestas eleições.

A Esquerda Unida só obteve bons resultados onde apoiou ou concorreu em coligação com outros movimentos de esquerda  e de cidadãos.

O partido nacionalista catalão perdeu a cidade de Barcelona para Ada Colau, a candidata de uma plataforma de esquerda, apoiada pelo Podemos.

Em muitas regiões e municipios o recém criado partido populista "Cidadãos", de centro direita, teve igualmente um excelente resultado e vai ser o partido charneira para decidir muitas maiorias.

Mais uma vez os eleitores deram um sério aviso aos defensores do modelo austeritário imposto pela comissão europeia, eurogrupo e BCE e mostraram todo o seu descontentamento com o rumo da União Europeia, penalizando os representantes históricos locais do poder europeu.

Se, em Inglaterra, um sistema eleitoral defeituoso e anti-democrático acabou por beneficiar o infractor, o mesmo já não aconteceu em Espanha.

Será que, desta vez, o aviso chega à cabecinhas dos burocratas que governam a Europa, e que andam a impor  o actual modelo austeritário aos seus cidadãos para continuarem a salvar o corrupto sistema financeiro que representam?

É bom que percebam o que está acontecer se querem ainda salvar alguma coisa do projecto europeu.

Mas também do resultado destas eleições, fica um sério aviso aos partidos social-democratas, que continuam a hesitar num rumo que vá ao encontro do seu eleitorado histórico, que não se revê nas politicas neo-liberais preconizadas por estes partidos deste o despontar da famigerado terceira via Blairista.

À esquerda tradicional em geral fica ainda um sério aviso: a sua pulverização pode beneficiar o infractor, como foi o caso do PP que, apesar de fortemente penalizado, ainda é o  maior partido espanhol.

Os avisos estão dados.

Os resultados de todos os concelhos podem ser consultados AQUI

terça-feira, 5 de maio de 2015

ADEUS DEMOCRACIA...

Para os burocratas europeus e para os seus executivos locais, a democracia está a transformar-se num mero acto formal, sem consequência práticas, e até um incómodo.

Para eles trata-se apenas de uma mudança de turno para continuar a executar as medidas pré-definidas em obscuros gabinetes , onde circulam burocratas ainda mais obscuros, apesar de serem pagos, a peso de ouro, pelos contribuintes europeus.

Quem se atrever a desviar-se do caminho previamente traçado pelo corrupto sistema financeiro europeu sofre a humilhação que está a ser imposta ao governo grego, que está a ser usado como exemplo, como cobaia e como aviso aos que pretendam alterar o actual rumo austeritário europeu.

A secção local da ditadura da troika, veio, através do porta voz de serviço, Marco António Costa ameaçar o PS de  “submeter o cenário macroeconómico” do programa eleitoral deste partido à Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) e ao Conselho das Finanças Públicas (CFP), acrescentando, em tom de ameaça, que o PS não deve hesitar “em submeter à UTAO o cenário macroeconómico”, pois “caso [o PS] não o faça, será a maioria a tomar a iniciativa de o pedir”, afirmou.

Segundo explica o jornal Público (ver reportagem de 29 de ABRIL AQUI “a UTAO é uma unidade que faz parte dos serviços da Assembleia da República, onde presta apoio técnico em matéria orçamental e financeira, funcionando sob orientação da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (Cofap).

“Aos técnicos compete, por exemplo, elaborar estudos e documentos de trabalho sobre o Orçamento do Estado, a Conta Geral do Estado, a execução orçamental que o Ministério das Finanças publica todos os meses. Pelo crivo da UTAO podem ainda passar as “iniciativas legislativas” que o presidente da Assembleia da República” submeta à Cofap. E a análise de “outros trabalhos que lhe sejam determinados” pela Cofap.

Ou seja, segundo o representante do PSD, os partidos que se apresentam às eleições devem perder a independência de apresentar o seu programa, que deve ser previamente submetido à aprovação de instituições, ditas “independentes”, muitas delas enxameadas de burocratas e técnicos que para elas foram nomeados exactamente como representantes da ideologia neoliberal que é dominante nos meios económicos e financeiros actuais, ideologicamente fiéis aos partidos da maioria ou do “arco da governação”.

Digamos que não simpatizamos especialmente com o programa apresentado pelo PS, quanto a nós um pouco mais do mesmo, fazendo o PS o mero papel de “polícia bom” da austeridade europeia.

Mas não nos devemos calar perante  mais esse atentado ao ideal democrático, um entre tantos outros a que temos vindo a assistir no último tempos, com o beneplácito de comentadores, economistas e jornalistas, com raras e honrosas excepção (como é o caso de Pacheco Pereira AQUI), pois espelham apenas a ideologia que emana da instituições como o FMI, a Comissão Europeia, o BCE, o Conselho Europeu ou um tal obscuro Centro de Política Europeia, (este dirigido por um ainda mais obscuro economista alemão - ler as suas "ameaças"AQUIque todos os dias lançam “avisos” a Portugal ou a outros países onde aja eleições, contra a pretensão de mudar o rumo da aplicação do “programa de ajustamento” ou das “reformas estruturais”.

Para os líderes e a elites políticas europeias a democracia está a tornar-se um empecilho para a aplicação desse “programa” e dessas”reformas”.

Se nos anos 80/90 do século passado a adesão à União Europeia (então CEE) foi uma garantia para consolidar a democracia em muitos países, hoje, e desde o directório de Durão Barroso e Angela Merkel, a União Europeia está a transformar-se num ditadura burocrática, refém de um sistema financeiro eticamente corrupto e que nos conduz para o desastre e para a transformação da democracia num mero acto formal, afastando os cidadãos das decisões sobre o seu futuro.


É caso para dizer …”ADEUS DEMOCRACIA”! 

terça-feira, 28 de abril de 2015

Thomas Piketty: 'Inexistência de imposto sucessório é uma anomalia em Portugal' - Renascença



Thomas Piketty esteve ontem na Gulbenkian onde falou da sua obra "O Capital no Século XXI" (uma análise crítica de João Constâncio ao seu conteúdo pode ser lida AQUI e outra de Rui Tavares AQUI), obra onde procura explicar a origem da desigualdade económica  e o os mecanismo do desenvolvimento numa "sociedade de Herdeiros".

Duas entrevistas com esse historiador da economia e crítico da austeridade europeia podem ser lida na edição do Público AQUI ou no site da Rádio Renascença em baixo.

Na entrevista ao Público refere que o principal problema da desigualdade da União Europeia: "é um problema de desemprego, em particular o desemprego jovem, e como restaurar a confiança na zona euro. O que é realmente dramático é que transformámos uma crise que nasceu no sector financeiro privado americano numa crise de dívida pública, apesar de, inicialmente, a zona euro não ter mais dívida pública do que os EUA, o Reino Unido ou o Japão. E conseguimos, apenas por causa das nossas más instituições e más decisões macroeconómicas, criar uma crise a partir do nada. A taxa para os super-ricos não é central neste momento para a Europa. Para nós é mais importante um imposto comum sobre as empresas. Muitas das grandes empresas europeias não pagam impostos nenhuns ou pagam muito pouco e menos do que as pequenas empresas. Vimos como no Luxemburgo, Jean-Claude Juncker estava a fazer acordos com multinacionais para ajudar a pagar apenas 1% ou 2% de impostos e depois veio dizer “sabem, tinha de desenvolver uma estratégia de desenvolvimento para o meu país e tive que tornar o meu país num paraíso fiscal”. Não vamos encontrar o nosso futuro na Europa se todos nos tornarmos paraísos fiscais. Sei que em Portugal há esta discussão de baixar o IRC de 21% para 17%, a seguir vai ser de 17% para 10% e depois de 10% para zero. Se continuarem por esse caminho, daqui a 10 ou 20 anos não haverá impostos sobre as empresas na Europa. Precisamos de um imposto sobre as empresas comum".

Com tanta gente informada a mostrar que o actual caminho austeritário seguido pela União Europeia, e tão diligentemente posto em prática pelo actual governo português, nos conduz todos para o abismo, é caso para nos interrogarmos se os actuais líderes políticos da União Europeia são meros executantes das ordens do corrupto grande capital financeiro, do qual pensam tirar proveitos pessoais e para os amigos, ou são mesmo ignorantes e estúpidos...ou um pouco de tudo isso!!!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Freitas do Amaral quer relatório sobre programa da Troika


Freitas do Amaral deu ontem uma esclarecedora entrevista à TVI 24, onde abordou a actual situação política na Europa e em Portugal.

Alertou para as malfeitorias do neoliberalismo, dominante nas instituições europeias, contra a democracia e a cidadania, criticou a atitude da Alemanha na Europa como responsável por destruir o projecto europeu e denunciou a forma como a troika e o governo português contribuiram para agravar a situação social em Portugal.

A sua posição só pode espantar quem não tem acompanhado a evolução das suas atitudes políticas recentes, mas não deixa de ser motivador que, juntando-se a outras vozes oriundas da direita, como Bagão Félix ou Pacheco Pereira, sejam cada vez mais aqueles que, para além das divergências ideológicas, se apercebem do perigo que a actual deriva neoliberal, que está por detrás das actuais políticas de austeridade e da acção das troikas, está a por em perigo, não só o projecto europeu, como a própria democracia.

Uma das idéias mais originais dessa entrevista, e que devia ser um exigência das oposições ao actual desgoverno, quer em Portugal, quer na União Europeia, é a idéia de se elaborar um relatório independente sobre a aplicação do programa da troika. Freitas do Amaral, aliás, explica bem porque é que, quer este governo, quer a troika, nunca se exigiram a si próprios a elaboração de um tal relatório.

Uma entrevista a ouvir com a atenção que merece: 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Em França e em Espanha os eleitores europeus mostraram o cartão amarelo aos Burocratas de Bruxelas e Berlim…o vermelho está já aí!



Os resultados das eleições regionais na Andaluzia e em França não foram o desastre que se previa para os partidos do centrão, mas foram um forte aviso de protesto contra as  políticas “austeritárias” impostas por  Bruxelas e Berlim aos cidadãos europeus.

Em França o Partido Socialista quase que desapareceu e parece condenado aos destino do PASOK, mostrando que a “terceira via”, fundada pelo oportunista Tony Blair, que procurava conciliar neoliberalismo e austeridade com a “social-democracia”, está morta e enterrada com o último dos seus émulos, o actual primeiro-ministro francês Valls.

Está provado que, quando os partidos ditos social-democratas desrespeitam a vontade dos seus eleitores e a sua própria ideologia e se entregam à politica neoliberal imposta por Bruxelas e Berlim, estão a cavar a sua própria sepultura e, pior do que isso, a abrir o caminho ao populismo e extremismo da direita.

Em Espanha o PSOE, apesar de ter sido o mais votado, perdeu a maioria absoluta numa região que historicamente tem sido o “feudo” desse partido e apenas não terá colapsado porque não está neste momento no poder e os eleitores quiseram condenar aqueles que representam o “rosto” das políticas “austeritárias” impostas por  Bruxelas e Berlim, o PP de Rajoy.

A situação também não foi pior para os partidos da austeridade porque, apesar de tudo a lógica de eleições regionais é diferente da lógica nacional e, além disso, em termos regionais, os partidos do protesto ainda não estão devidamente implantados como o estão os velhos partidos tradicionais.

Os eleitores europeus quiseram desta vez ficar pelo aviso aos que detêm o poder nos seus repectivos países, aqueles que são os executantes das políticas anti-sociais e austeritárias impostas pela Comissão Europeia, pelo BCE e pelo Eurogrupo.

Se, depois do que aconteceu nas eleições europeias do ano passado, do que aconteceu na Grécia no início deste ano e do que aconteceu agora em Espanha e em França, essas instituições e os seus burocratas continuarem a insistir nas suas políticas de austeridade e de destruição do Estado Social, então é a democracia e o projecto europeu que começam a estar em risco na Europa.

Por enquanto os eleitores europeus ficaram-se por mostrar o cartão amarelo…mas já falta pouco para  sacarem do cartão vermelho.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Primeira lei do novo Governo grego é de luta contra a pobreza...burocratas(credores!!!?) da União Europeia reagem com ameaças...


A primeira lei aprovada pelo novo parlamento grego teve em vista responder à crise humanitária provocada por cinco anos de austeridade imposta pela troika:


Entre as medidas previstas nessa lei estão medidas tão "extremistas" e "irresponsáveis", aos olhos da Comissão Europeia, do Eurogrupo e do BCE, como fornecer 300kw de electricidade gratuita até ao fim do ano às famílias que a não podem pagar, apoiar arrendamentos, com 70 a 220 euros mensais, para evitar a tragédia dos despejos ou auxiliar desempregados que ficaram sem Segurança Social e, por isso sem os mais elementares direitos a cuidados de saúde.

A esmagadora maioria dos partidos representados no parlamento grego aprovaram essa lei, entre eles partidos tão "extremistas" como a Nova Democracia e o PASOK.

A resposta dos verdadeiros extremistas e fanáticos, aqueles que estão em Bruxelas, Frankfurt ou Berlim  foi a que se pode ler na notícia seguinte:

Bruxelas tenta vetar leis anticrise humanitária na Grécia(clicar para ler).

Os mesmos burocratas que andam tão preocupados com os gastos com o combate à pobreza na Grécia, e que foram os mesmos que tiveram as mesmas reacções extremistas e fanáticas ameaçando Portugal quando por cá se aumentou miseravelmente o já de si miserável salário mínimo, são os mesmos que andaram a facilitar a fuga ao fisco de grandes empresas em países europeus, no valor de biliões de euros, beneficiando o Estado luxemburguês, são os mesmos que vêem de países, como a Holanda, que funciona como um paraíso fiscal que permite, por exemplo, que quase todas as vinte maiores empresas portuguesas não paguem impostos em Portugal, no valor de muitas dezenas de milhões de euros, são os mesmos que vêem de países, como a Alemanha e a Finlândia, cuja economia e  bancos têm sido os principais a beneficiar com a crise e a política de "terra queimada" das medidas de austeridade levadas a cabo nos países periféricos e são os mesmos que, ainda ontem, inauguravam um edifício em Frankfurt que custou mais de mil milhões de euros.

Como europeu, sinto cada vez mais nojo e vergonha dos burocratas e políticos que dirigem as instituições europeias que nos (des)governam!!!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Crise e austeridade tiveram impacto acentuado nos direitos fundamentais em Portugal


A notícia tem passado quase despercebida na comunicação social.

Foi apenas notícia num canal por cabo de ontem, numa hora de pouca audiência.

Um relatório elaborado pela única instituição com legitimidade democrática da União Europeia, mas sem qualquer poder efectivo, o Parlamento Europeu, denuncia os resultados das políticas de austeridade levadas a cabo pela troika em Portugal.

Segundo esse relatório, os Direitos do Trabalho têm sido os mais violados, com reflexos negativos nos direitos à saude e à educação, atingindo directamente a situação social de uma parte significativa das crianças portuguesas.

Um relatório que confirma aquilo que recentemente a Amnistia Internacional já tinha referido em relação à mesma austeridade imposta a Portugal e a outros países  da UE.

É uma vergonha !!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Austeridade viola Direitos Humanos: Amnistia Internacional pede avaliação das medidas de austeridade em Portugal

Se dúvidas restassem sobre o facto, já aqui denunciado várias vezes, de que a austeridade imposto pela Troika é um problema de desrespeito pelos Direitos Humanos, aí está o mais recente relatório da Amnistia Internacional sobre Portugal a recordá-lo (ler link em baixo).

Ou seja, os senhores Victor Constâncio, Durão Barroso, Oli Rhen, Angela Merkel, Wolfgang Schauble, Passos Coelho, Paulo Portas, Christianne Lagarde, Maria Luís Albuquerque, e toda uma vasta legião de pequenos, médios e grandes figurões da política e das instituições europeias têm-se comportado, em relação a portugueses, gregos, irlandeses, chipriotas, espanhóis e italianos ao nível de outra gente que por esse mundo fora desrespeita igualmente outras normas da declaração dos direitos humanos.

Ou seja, comportam-se, nas áreas que dominam, com o mesmo desprezo pela humanidade e pelos seus direitos, como se comportam as autoridades da China em relação aos manifestantes de Hong Kong, as autoridades do governo Venezuelano em relação aos oposicionistas, os terroristas do Estado Islâmico em relação às populações que dominam ou os governos fascista-terroristas da Ucrânia e da Rússia em relação ao povo do leste da Ucrânia.

A diferença é apenas de “grau”, mas qualquer daqueles figurões acima referidos, noutras circunstâncias e noutras realidades estariam, sem qualquer hesitação, a disparar sobre populações indefesas ou a prender oposicionistas, já que lhes faltam qualidades éticas na defesa dos seus cidadãos e são eticamente corrompíveis.

Aliás, vimo-los, aqueles que ainda estão no activo, em actuação de meros fanáticos e extremistas ideológicos nas últimas semanas, nas negociações com o governo grego. Afinal não foi este que se comportou como “extremista”, mas sim aquelas “respeitáveis” e engravatadas figuras desta triste história europeia das últimas décadas.

O resultado da actuação daquela gente, nos últimos anos, está bem à vista: na Grécia, ao longo de cinco anos de intervenção, fizeram a sua economia recuar 26%, o seu desemprego disparar para os 27%, 40% da sua população ser empurrada para a linha de pobreza e a sua dívida pública aproximar-se do 200% e nunca se preocuparam com a corrupção e a fuga aos impostos dos mais ricos e privilegiados desse país (sé agora falam nisso, como se este governo democraticamente eleito tivesse alguma responsabilidade nessa situação); em Portugal, em menos tempo, fizeram disparar o desemprego para quase 15%, obrigaram os jovens qualificados a emigrar em massa, tornaram este país aquele onde o trabalho mal pago e precário mais subiu na Europa, os salários e as pensões, que já eram dos mais baixos da Europa, sofreram cortes gigantescos, os impostos sobre o trabalho não param de aumentar, fizeram aumentar o risco de pobreza da população para quase 20% e a dívida continuou a aumentar para quase 150% …e dizem que “não somos a Grécia”! (por este caminho lá chegaremos…ainda estamos com dois anos de atraso em relação à Grécia..).

Por isso é importante que uma organização independente e prestigiada como a Aministia Internacional nos venha apontar que, por cá,(o país “bem comportadinho”, o modelo apresentado pelos figurões da União Europeias como “exemplar”  do “êxito”(???!!!) da austeridade), na realidade….  “o rei vai nu”!

Amnistia Internacional pede avaliação das medidas de austeridade em Portugal - Portugal - DN

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Esta fotografia não é uma brincadeira de Carnaval...é mesmo o sinistro ministro das finanças da Alemanha a exibir o seu último "troféu de caça"..

Foi patética aquela imagem de uma feliz e sorridente Maria Luísa Albuquerque, tal colegial embevecida, ao lado do sinistro sr. Schãuble, ministro das finanças de Merkel.

Sinistras foram também as afirmações daquele corrupto ministro alemão (envolvido num escândalo de lavagem de dinheiro de um seu amigo traficante de armamento através de financiamentos ilegais ao seu partido (ver AQUI)…), mentindo sobre a realidade social e económica dos portugueses, ao elogiar o “bom resultado” da aplicação do programa de ajustamento em Portugal.

O sr. Schãuble ainda pode ter a dupla desculpa de, por um lado, estar do lado dos que beneficiaram com a crise ( o corrupto sistema financeiro europeu  que ele representa) e, por outro, poder estra mal informado e mal aconselhado sobre a realidade dos portugueses.

Já a Ministra das Finanças de Portugal tinha, no mínimo, a obrigação de defender os portugueses que foram espoliados e humilhados pelos erros do programa de “ajustamento” imposto pela troika .

Mas não. O que vimos foi aquele risinho alarve e uma declaração de “aluna” bem comportada, prometendo que iria continuar a aprofundar a aplicação do criminoso programa social e económico imposto pela troika.

Claro que a srª. Albuquerque se limita a confirmar declarações públicas do presidente da República e do seu governo liderado por Passos Coelho em defesa da austeridade, em muitos casos mais alemães que a própria Alemanha, revelando um misto de desorientação face ao novo discurso que vai surgindo cada vez e com mais peso no seio da União Europeias e, por outro, de extremismo e fanatismo político em defesa dessas medidas que estão a arruinar o projecto e os cidadãos europeus, oferecendo o poder de bandeja à extrema-direita e ao populismo.

Reconhecer os erros , como o fez horas depois o sr. Juncker( ver "Pecámos contra a dignidade" da Grécia e de Portugal, diz Juncker ), seria um desastre político para um governo e um conjunto de políticos, em Portugal e na Europa, que defenderam cegamente o programa imposto pela troika, indo mesmo “além da troika” e seria o descrédito total do programa político que foi imposto aos portugueses por Cavaco e Coelho que se comportaram como meros capatazes da troika.

Como português senti-me humilhado e ofendido por esse momento de total submissão aos coveiros do Estado Social Europeu, vendo o meus país ser exibido como mero troféu de caça ou um pin na lapela do sr. Schãuble.