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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Fechar as escolas ...sem fundamentalismo

 Não sou fundamentalista em relação às saídas à rua, desde que se cumpram as regras (máscara, distanciamento, desinfecção e etiqueta respiratória), até porque, a maior parte das contaminações, ou tiveram origem em casa, ou nos lares, de onde os nossos idosos não saem há um ano, ou, essas sim na rua, em grandes ajuntamentos ilegais, muitas vezes em espaços fechados e não arejados.

Há por aí muita demagogia e, em certos casos um "terrorismo alarmista", que só serve para desorientar.

Quanto às escolas, o problema não é dentro delas (apesar das faltas de condições para enfrentar o frio, perante a necessidade de arejar as salas, e do excessivo número de alunos por turma), mas nos ajuntamentos provocados á entrada e à saída, sem esquecer que professores e auxiliares são um grupo envelhecido, e de risco.

Está provado também que, ter as escolas abertas, faz diferença em relação ao movimento e às deslocações dos portugueses.

Era perfeitamente alcançável continuar o ensino não presencial, pelo menos para os mais velhos, aliviando assim o movimento e a capacidade das escolas.  

Por estarmos a falar no máximo de um ou dois meses, parece-me ridícula a justificação de alguns, para defenderem as escolas abertas, com o argumento de que "sacrifica a aprendizagem e a sociabilização dos mais jovens" ou "aumenta as desigualdades".


Não estamos a falar de uma situação permanente. Estamos a falar de algumas semanas.

Fiz parte de uma geração que viveu cerca de 3 anos de grande instabilidade escolar e não me parece que isso tenha contribuído para "sacrificar a aprendizagem", e a "sociabilização", ou mesmo "aumentar as desigualdades", embora a situação fosse diferente.

Sem os meios disponíveis dos nossos dias, tratava-se na altura de descobrir coisas diferentes do que nos era ensinado numa escola retrógrada, como era a desse tempo, com um misto de esperança na construção de uma nova sociedade e de descoberta de novas realidades. Mas isso é outra história.

Hoje, trata-se de salvar vidas e salvar o SNS, de aliviar o trabalho de médicos, de enfermeiros, de outros profissionais de saúde, de bombeiros, de polícias, e...de professores e auxiliares de educação.

Trata-se de travar o aumento da “curva”, para dar tempo a que a vacinação comece a contribuir para se atingir a imunidade de grupo, ou seja, para não “aumentar as desigualdades” com o aumento do  desemprego e a falência de  empresas que o prolongar da situação provocará, para não “sacrificar as aprendizagens”, que hoje se faz num clima de instabilidade e stress e para “não sacrificar a sociabilidade”, não só dos mais jovens, mas de todos, devido à instabilidade social e psicológica gerada pelo prolongamento e pelo agravamento da situação. 

Haja bom senso! 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Para que serve a “Ordem dos Médicos”?



Havendo sindicatos, universidades, instituições públicas de saúde e partidos políticos, não percebo muito bem para que servem algumas ordens profissionais.


Em democracia não percebo muito bem a sua utilidade.

Ainda menos quando aquilo que se vê diariamente é fazerem mera propaganda de oposição, nomeadamente no caso das ordens dos médicos e dos enfermeiros, substituindo-se aos sindicatos e aos partidos políticos.

A última queixa do provedor da ordem dos médicos é sobre a  “falta de médicos”.

Não percebo a moralidade dessa queixa, vinda de onde vem, exactamente da mesma pessoa e da mesma ordem que se opõe ao aumento de vagas nas universidades para a formação de médicos, atitude idêntica, aliás, à ordem dos enfermeiros.

Sabe-se que existe uma grande falta de médicos de saúde pública e de médicos de família, principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo, neste caso, e ao contrário das frequentes queixinhas dos autarcas do norte, numa situação ainda pior do que no resto do país, situação que contribuiu para o descontrole a que se assiste na região lisboeta em relação ao Covid-19.

Não se percebe assim a incoerência do dito provedor, com uma mão a fazer a única coisa que sabe fazer, queixinhas contra a falta de médicos, com a outra a impedir o aumento de vagas na formação de médicos.

Quando se precisava de toda a gente a remar para o mesmo lado, temos o provedor da ordem dos médicos a fazer o papel de “Jaime marta soares” da saúde…

…infelizmente não é o único!:

segunda-feira, 6 de julho de 2020

COVID-19 – A “Guerra” dos números.



Anda por aí uma verdadeira pandemia à volta dos números divulgados pela DGS.

Exigem os mais fanáticos, "rapidez" e "verdade".

Como se, no meio de uma epidemia, com a gravidade desta que estamos a viver, fosse possível ser rápido a registar números, isentos de erros.

Os números divulgados pela DGS têm por base um processo complexo de registos, que começa no médico, passa pelo hospital, continua na protecção civil municipal, passa pelas regiões de saúde, até chegar à DGS, para serem trabalhadas pelos técnicos de saúde e estatística deste organismo (dos melhores do país, diga-se…)  para divulgação pública.

Existindo outras prioridades mais urgentes, é natural que esses números não cheguem sempre com a rapidez e a isenção de erros que é exigida pelos “especialistas” de números nas redes sociais”, ou pelos “isentos” comentadores da televisão,  sempre prontos a explorarem os erros e omissão involuntárias ou justificadas pela situação complicada vivida pelos profissionais no terreno, para inventarem as mais estapafúrdias teoria das conspiração e inventarem questões políticas.

Experimentem, por exemplo, porem-se à procurar de dados estatísticos sobre qualquer outra área da de saúde pública, ou sobre qualquer outro tema, em sites credíveis, da OMS, à ONU, da União Europeia, à Eurostat, dos Ministérios ao Prodata e ao INE, e, com alguma sorte, tudo o que conseguem são informações obtidas há meses ou do ano anterior.

Ao contrário da má fé dos “estatísticos” amadores das redes sociais e do comentário político, os dados sobre o Covid-19 têm sido dos mais actuais que encontramos, comparando com outras doenças ou situações sanitárias.

E já agora, porque não exigir a publicação de dados, com a mesma rapidez, diários, sobre infectados, internados, em cuidados intensivos e óbitos com Sida, com malária, com influenza, com sarampo, etc., etc., etc.?

Talvez assim se atenuasse o fanatismo de alguns, na análise de informações estatísticas e em teorias da conspiração, relativizando-se a gravidade do COVID-19.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Covid 19 e a “praga” dos “picólogos”



Nos tempos da Troika tivemos uma praga de especialistas em “economês”.

Agora temos a praga dos “picólogos”, os especialistas em “curvas” e “picos”.

Há-os para todos os gostos e não existe órgão de comunicação que não tenha o seu “picólogo” de serviço.

Tal como as previsões dos economistas de outros tempos de má memória, as previsões de “estatísticos” e “matemáticos” de toda a espécie, na pressa de conquistarem protagonismo, parecem confundir ciência com adivinhação.

Tal como todo o tipo de crendice se espalhou noutros tempos à boleia de epidemias e outras crises, agora até temos a ajuda das fórmulas matemáticas.

Esquecem-se, tal como aconteceu nos tempos da Troika com a maioria dos economistas, do factor humano.

O comportamento da epidemia de coronavírus não é igual em todo o lado e por isso, fazer previsões de adivinhação, disfarçadas de métodos científicos, vais dar “buraco”.

Como alguém dizia, quando entra o factor humano, previsões só no “final do jogo”!

Em termos estatísticos é diferente se estamos a lidar com grandes ou pequenas concentrações de população, com sistemas históricos de vacinação diferentes, com populações mais ou menos envelhecidas, mais ou menos bem alimentadas, com maior ou menor mobilidade, com melhores ou piores condições de higiene, com maiores ou menores comportamentos de risco, com diferentes sistemas imunológicos, com melhores ou piores sistemas de saúde.

Não basta por isso aplicar uma simples fórmula estatística para termos resultados seguros, muito menos podemos arvorar o nosso conhecimento científico como verdade absoluta.

Nestas coisas fazia falta alguma humildade por parte dos “especialistas”.

Alguns até estão um pouco desconsolados com o facto de a realidade não confirmar as suas previsões e culpam as autoridades de esconderem os números. Não são eles que estão errados, é a realidade!!

Claro que, à custa de atirarem tantos números e previsões para o ar, alguns acertarão.

Aliás, não é preciso ser grande especialista para saber que todas as curvas estatísticas têm uma subida, um pico e uma descida, mais ou menos acentuada, e que esse foi o comportamento de todas as epidemias históricas.

E já agora, só para relativizar, não estamos, nem de longe nem de perto, com a dimensão da muito citada “pneumónica” de 1918.

A adivinhação sempre foi uma forma de aplacar os “deuses”, mas o melhor remédio é acatar as decisões das autoridades sanitárias.

terça-feira, 31 de março de 2020

Rui Moreira, o “bolsonaro” português?



Uma coisa e “achar” ou “opinar”,  discordando ou questionando as decisões da Direcção Geral de Sáude ou da Organização Mundial de Saúde , sendo certo que o conhecimento científico reside, no final, ora na OMS, a nível mundial, ora na DGS a nível nacional, organizações que são assessoradas pelos mais reputados cientistas e investigadores .

Uma coisa é uma autoridade pública debater com a DGS determinadas decisões, discordando ou propondo decisões diferentes.


Seria bom que toda a gente percebesse, principalmente as instituições e as autoridades civis, que a máxima autoridade neste momento, para um combate eficaz à pandemia é, a nível mundial, a Organização Mundial de Saúde e, a nível nacional, a Direcção Geral de Saúde.

Infelizmente estamos a assistir às mais diversas atitudes irresponsáveis de líderes políticos mundiais, de Trump a Bolsonaro, ao aproveitamento político de outros, como Órban a aproveitar-se da situação para impor a primeira ditadura efectiva no espaço da União Europeia,  às palhaçadas de outro ditador europeu, o presidente da Bielorrússia, ou às conhecidas afirmações repugnantes do governo holandês.

Por cá, vemos muita gente a tentar pôr-se em bicos do pés,  ou a fazer chicana política, como a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

O que talvez não se esperasse era assistir a um líder político fazer apelos à desobediência como o fez Rui Moreira.

Num momento em que todos deviam a estar a remar para o mesmo lado, quer Rui Moreira ficar para a história como o Bolsonaro português?

quinta-feira, 26 de março de 2020

COVID-19 : Registo por concelhos


A Direcção Geral de Saúde começou a divulgar, no seu site, os dados relativos aoCoronovírus de acordo com a sua distribuição por concelho.

O facto de não se indicar casos num concelho, não quer dizer que não se tenha havido, porque, até ontem, esses casos eram enviados para hospitais de referência fora de muitos desses concelhos.

É assim que se explica os "zero" casos em T. Vedras. De facto já foram registados pelo menos 4 casos, mas os mais graves, até ontem íam para Lisboa e estão nos números deste concelho.

Tive ontem a confirmação, por parte de fonte segura que até ontem foi assim (zero casos no nosso hospital) situação que será alterada a partir de hoje, como se sabe, pois começam hoje a ser recebidos nos centros de saúde de cada concelho os novos casos.

Os dados  indicados pela DGS referem-se aos internados e confirmados, e até ontem. Será interessante seguir a partir de agora os casos oficiais por concelho.

É provável que a partir do relatório de amanhã os dados já sejam mais claros.

Veremos se acontece, em Torres Vedras, o histórico, isto é, uma situação sempre menos grave do que em Lisboa (com a excepção do caso da Pneumónica em 1918) , tanto assim que a nobreza, que aqui tinha propriedades,  e a própria coroa (já que T.Vedras era terra de rainhas) se refugiavam neste concelho quando as pestes assolavam Lisboa.

Boa sorte para todos, nas semanas que se preveem complicadas!


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Grupo CUF suspende acordo com a ADSE...temos pena!!



Temos pena!...aos poucos e poucos tenho sido eu a "suspender" a minha longa ligação à CUF, ligação iniciada desde os tempos do grande médico Dr. Pina . 

A CUF tem muitos bons médicos e enfermeiros, mas hoje em dia existem outras boas clínicas com tão bons médicos e enfermeiros como a CUF, com acordos com a ADSE...

Por outro lado, a minha médica de família é excelente e o centros de saúde em Torres Vedras, ao qual recorro cada vez mais vezes, até está, pelo menos nos últimos tempos, a funcionar muito bem, não ficando atrás da CUF. 

Uma coisa que me tem irritado na CUF nos últimos tempos é que, em qualquer consulta, somos encharcados com análises e todo o tipo de "despistes" que, em muitos casos me parecem desnecessários que, quase de borla para quem tem ADSE , devem custar imenso à ADSE, parecendo-me que às vezes é só uma forma de sacar mais dinheiro ao Estado!!!!.

 Outro aspecto curioso é que nessas clínicas não se devem registar mortes...porque em casos mais graves lá estão as ambulância do INE para os levarem para o Serviço Nacional de Saúde....( eu assisto a isso quase todos os dias...). 

E já agora, a talhe de foice, devo recordar, para calar já à partida muita demagogia barata que anda por aí a corre pelas redes sociais, que a ADSE não é paga pelos funcionários públicos, mas são este que a pagam, descontando mensalmente 3,5% do ordenado para esse serviço, ficando-lhes um custo anual ao nível dos seguros privados mais caros que existem por aí. 

Espero que prevaleça o bom senso, mas se a situação continuar a agravar-se, esta pode ser uma boa oportunidade para o SNS fazer uma profunda reestruturação com o objectivo de tornar desnecessário que se tenha de recorrer aos privados.

Penso que, funcionando como deve ser o SNS, não é este que precisa da CUF, mas vai ser, a prazo a CUF e os privados que vão precisar da ADSE.

Até agora, a forma como o SNS tem vindo a ser desmantelado, só serve, de facto, aos interesses dos privados.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

António Arnaut : Um politico ao serviço do bem público



Numa época em que, diariamente, tomamos conhecimento de mais um politico apanhado nas teias da lei, ou responsabilizado pela degradação do serviços públicos, ou envolvido em negociatas com o poder económico e financeiro, a morte de uma figura como a de António Arnaut não é apenas mais uma morte marcada pelas leis da natureza, mas uma verdadeira tragédia.

António Arnaut foi um exemplo raro de honestidade e dignidade no exercício de um cargo público.

Como se isso não chegasse, foi ainda o rosto daquela que foi o exemplo maior do “espírito de Abril”, a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apesar de todos os ataques contra o SNS deferidos de todos os lados e por todos o lóbis que procuram dificultar a sua concretização, como tivemos um exemplo recente nos “recados” da Comissão Europeia com os “gastos” de Portugal com o SNS,   [é pena que não revelem a mesma preocupação como os gastos para salvar o corrupto sistema financeiro europeu…]  a sua obra continua a resistir.

Apesar da tentativa de o desvirtuar a partir do “cavaquismo”, apesar de quase ter sido arruinado pelo descalabro financeiro do “socratismo”, apesar da tentativa oportunista de o destruírem no “passo- coelhismo” [com o resultado que todos temos sentido nos últimos tempos], festim onde participaram e participam muitos que nesta hora  lançam loas de pesar pela morte do Homem, o SNS é um dos pilares da nossa democracia.

Para além do SNS, o grande legado de Arnaut, é o que ele representa como raro exemplo de honestidade politica, como um exemplo do que deve ser o verdadeiro serviço público e do que se espera de um politico, de alguém que, tendo um sonho, tudo fez para o concretizar e o defender até ao último suspiro.

Defender e aperfeiçoar  o SNS é a melhor homenagem que a nossa geração pode prestar à sua memória.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde - uma entrevista do jornal Público com António Arnaut:

Recordando o 35º aniversário da criação do Serviço Nacional de Saúde, o jornal Público entrevistou AQUI António Arnaut, o rosto daquela que foi a reforma mais bem conseguida da democracia portuguesa.

Infelizmente esta tem sido alvo, nos últimos anos, de tentativas para a destruir ou para a privatizar.

Nem tudo tem sido perfeito, mas o problema não é da sua implementação mas das várias tentativas de a desvirtuar para justificar a privatização da saúde.

Mesmo assim a saúde pública portuguesa continua a apresentar indicadores que colocam Portugal, nessa matéria, entre os melhores sistemas de saúde.

Faltou à democracia portuguesa políticos como António Arnaut, com convicção, acreditando nos seus projectos, integros e combativos, capazes de levar avante as reformas necessárias para desenvolver socialmente o país.

É pena que, na educação e na justiça, nunca tivesse surgido um homem como Antóni Arnaut.

Em baixo, apresentamos uma pequena selecção de cartoons que retratam, não só o muito que ainda está por fazer nesse sector, mas também os perigos e o resultado em que se pode transformar o SNS, caso as actuais políticas neoliberais da União Europeia e deste governo consigam vingar: 










terça-feira, 8 de julho de 2014

A propósito de uma greve - Reflectindo sobre a saúde em Portugal.

O dia de hoje foi marcado pelo inicio de uma greve dos médicos.

A propósito da mesma transcrevemos aqui um texto de Raquel Varela, bem actual e interessante:

“O Relógio dos Médicos

Por Raquel Varela

Posted on July 1, 2014

“Eu tenho um médico de família. Gosto dele. Não gostava do anterior. Era mal-encarado, tinha ar de quem tinha acabado de ler uma peça do Ibsen e queria que eu sofresse com ele. Pedi para mudar, “incompatibilidades literárias”, expliquei na secretaria. Já lá vão uns anos tenho outro médico. Vejo-o pouco. Mas quando preciso, com voz paciente, atende-me. Rápido, muito rápido, é um entra e sai de gente a tarde toda no gabinete dele, velhos, novos, com crianças ao colo.

“A Organização Mundial de Saúde diz que os médicos têm 15 minutos para ver cada paciente, e como têm 1800 doentes – leram bem, 1800 – sob a sua responsabilidade, 15 minutos é uma fartança. Dizia eu que gosto muito do meu médico de família, desde logo porque faço parte dos seus 1800 filhos, somos uma grande família. E por isso até já lhe ofereci prendas – a última, e creio que até hoje a mais valiosa, foram uns morangos biológicos, vinha a comê-los quando entrei no gabinete dele.

"Comentámos a correr que “o sabor era incomparável”, disse mal dos pesticidas da Monsanto e ele comentou apressadamente “que delícia, são mesmo bons, mesmo como antigamente”…mas, ops, já tinham passado 5 minutos. Disse-lhe ao que vinha. Ele viu, preencheu qualquer coisa no computador, estávamos já nos 13 minutos, o relógio da OMS sempre a contar…


“Se a nova lei for para a frente, contra a qual dias 8 e 9 os médicos fazem greve, os meus morangos porventura são proibidos, considerados uma prenda. Para que não se diga o que todos sabemos  pretendem ainda calar a voz dos médicos, que denunciam a erosão dos serviços, com uma lei da rolha. 

"O Serviço Nacional de Saúde sustenta 30% do financiamento dos hospitais privados – Espírito Santo, Mello, Millennium BCP -, tudo nome de instituições a que associamos imediatamente pessoas especializadas em tratar-nos da saúde. E são estes os números oficiais, que estão muito aquém da realidade, porque jamais os privados vão pagar a formação dos médicos (12 a 14 anos de formação, pagas pelos contribuintes públicos). Ou seja, com força de trabalho formada, mais de 50% do dinheiro de facto que entra nesses hospitais privados vem do nosso Serviço Nacional de Saúde/Orçamento Público. 

"Dito de outra forma, há muito que os hospitais privados tinham ido à falência se não fossem despudoradamente sustentados por dinheiros públicos. E os meus moranguinhos é que são uma prenda?”.

Também a propósito dessa greve e da forma como alguma imprensa tratou o tema ao longo do dia de hoje,parece-nos do máximo interesse a leitura do seguinte post do blogue "O País do Burro".

Pela nossa Saúde(clicar para ler).

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O RESPIGO DA SEMANA - "carta" de Teresa Beleza à sua mãe em defesa do SNS:




Esta carta foi publicada no jornal Público de 5ª feira, 10 de janeiro de 2013. A Profª Teresa Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza.

CARTA A MINHA MÃE SOBRE O SNS E OUTRAS COISAS EM PORTUGAL

por Teresa Pizarro Beleza*

“Longas são as estradas da Síria, curta é a piedade dos homens. Vendo-me tão pobre e tão só, os cães viriam ladrar-me às portas dos casais. Decerto Jesus morreu; e com ele morreu, uma vez mais, toda a esperança dos tristes”.
Eça de Queiroz, O Suave Milagre (adaptado).

“Julgo que nos tornamos verdadeiramente adultas no dia em que perdemos a nossa mãe. Ou talvez quando nos tornamos nós próprias mães, não tenho bem a certeza. Uma coisa eu sei, ou julgo saber: a única coisa que verdadeiramente não podemos deixar de ensinar aos nossos Filhos é a compaixão. E esse é o sentimento que me parece mais notoriamente longínquo da vida pública portuguesa e europeia neste tempo cinzento em que o homo homini lupus volta a ser o mote declarado da economia, da política e, suponho que não tarda muito, do próprio direito. A “mão invisível” de Adam Smith (A Riqueza das Nações) está cada vez mais trôpega, ou mais ineficiente, ou se calhar cada vez mais escorregadia, quem sabe se untada. A desigualdade social e a desigualdade económica aumentam na razão directa da progressiva privatização do património público, seja este a companhia aérea nacional, vulgo TAP, e a correspectiva prestadora de serviços aeroportuários, dita ANA, o banco do Estado (Caixa Geral de Depósitos), os transportes (depois da Rodoviária Nacional, a CP), ou seja, o fornecimento de serviços e bens essenciais como a electricidade (EDP, REN), a água (Águas de Portugal), a televisão (RTP), … ou a Saúde.

“Uma das maiores transformações sociais, demográficas e económicas em Portugal depois da Revolução de Abril de 1974 decorreu da criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), por Lei da Assembleia da República, em Setembro de 1979 (Lei nº 56/79, de 15 de Setembro, sendo ministro da Saúde António Arnault).

“O Art. 64º da Constituição da República, apesar de muito alterado face à versão originária de 1976 – desde logo, o SNS passou a ser apenas tendencialmente gratuito (“tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos”), coisa que hoje talvez já nem se possa dizer que seja, face à subida em flecha do valor das taxas moderadoras, cada vez mais imoderadas -, continua a garantir a todos os cidadãos e cidadãs “o direito à protecção da saúde”, “realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral”.

“Muito recentemente, declarações de algumas pessoas com responsabilidades políticas ou institucionais desencadearam a discussão em torno da subsistência e orientação do SNS, designadamente no que respeita ao controlo na utilização de recursos inevitavelmente escassos e finitos. As despesas com a Saúde tornaram-se um peso incontrolável, claramente mal distribuído e pior aproveitado. Portugal é um país muito pouco eficiente em matéria de políticas públicas, em geral, e com muito baixa capacidade de melhorar de forma significativa a performance nestes campos, em grande parte, certamente, dada a ainda muito baixa qualificação da sua população que, apesar de ter evoluído de um estado de analfabetismo bastante generalizado para uma iliteracia selectiva e localizada, ainda está muito longe de ser um país europeu avançado nesta matéria.

“Resolvi escrever a minha Mãe. Ela partiu há dois anos, em Outubro de 2010. Mas talvez o seu espírito, que, como diria Jorge Luís Borges, está sempre a meu lado (A Posse do Ontem, em Os Conjurados), me consiga inspirar a pensar melhor sobre o assunto.

“Aqui vai o meu texto para ela:

"Mãe, sabes que agora em Portugal mandam uns senhores que estão a dar cabo do Serviço Nacional de Saúde? E que dizem que é por causa de uma tal de troika, que agora manda neles? Lembras-te da "Lei Arnaut", que, segundo ele mesmo diz, tu redigiste, depois de muito pensares e estudares sobre o assunto, com a seriedade e o empenho que punhas em tudo o que fazias?

“Lembras-te das nossas conversas sobre a necessidade de toda a gente em Portugal ter acesso a cuidados de saúde básicos de boa qualidade e de como essa possibilidade fizera em poucos anos baixar drasticamente a mortalidade materna e infantil, flagelos nacionais antigos, como uma das coisas boas que se tornaram realidade depois de 1974 e com a restauração da democracia?

“Lembras-te de quando eu te dizia que eras tão mais socialista do que "eles", os do Partido Socialista, e tu te zangavas porque não era essa a tua imagem e a tua crença?

“E quando eu te dizia que o ministro António Arnaut era maçon e tu não acreditavas, porque ele era (e é) um homem bom - e para ti a Maçonaria era a encarnação do Diabo...

“Mãe, tu, que te dizias e julgavas convictamente monárquica, católica, miguelista, jurista cartesiana (isso era o que eu te dizia e que penso que eras, também), que conhecias a Bíblia e Teilhard de Chardin como ninguém e me ensinaste que Deus criara o homem e a mulher à Sua imagem, quando pronunciou o fiat, porque assim se diz no Génesis...

“Tu que dizias que o problema dos economistas era que não tinham aprendido latim... e me tiravas as dúvidas de português e outras coisas, quando me não mandavas ir ao dicionário, como agora eu mando o meu Filho...

“Tu que foste o meu "Google", às vezes renitente, quando este ainda não existia... Sabes que agora manda em Portugal gente ignorante e pacóvia, que nem se lembra já de como se vivia na pobreza e na doença, que julga que o Estado se deve retirar de tudo, incluindo da Saúde, e confunde a absoluta e premente necessidade de controlar e conter o imenso desperdício com a ideia de fechar portas, urgências claramente úteis social e geograficamente...

“Sabes que fecharam o Serviço de Urgência e o excelente Serviço de Cardiologia do Hospital Curry Cabral sem sequer prevenirem ou consultarem o seu chefe? Onde irão agora todas aquelas pessoas tão claramente pobres, vulneráveis e humildes que tantas vezes lá encontrei e que não pareciam capazes de aprenderem outro caminho, outro destino, de encontrarem outros dedicados e pacientes "ouvidores"?

“Sabes que um ministro qualquer disse que o edifício da Maternidade Alfredo da Costa não tinha qualquer interesse urbanístico ou arquitectónico, para além de condenar ao abate essa unidade de saúde, com limitações já evidentes, mas que tão importante foi para tanta gente humilde ter os seus filhos em segurança? Será mesmo que não a poderiam "refundar", como agora se diz? Ou quererão construir um condomínio fechado, luxuoso e kitsch, no meio de uma das minhas, das nossas cidades?

“Lembras-te de me ires buscar à MAC quando nasceu o meu Filho e de como te contei da imensa dedicação do pessoal médico e de enfermagem e da clara sobre-representação de parturientes de origem social modesta, imigrantes, ciganas, ou simplesmente pobres?

“Sabes que há muita gente que pensa que a iniciativa privada, incontrolada e à solta, é que vai salvar Portugal da bancarrota, e que ignora o sentido das palavras solidariedade, justiça, igualdade, compaixão?

“Sabes, Mãe, eu lembro-me de ver pessoas que partiram de Portugal para o mundo em busca de trabalho e rendimento a viver em "casas" feitas de bocados de camioneta, de restos de madeira, de cartão e outros improváveis e etéreos materiais, emigrantes portugueses que foram parar ao bidonville em St Denis, nos arredores de Paris, num Inverno em que a temperatura desceu a 20 graus Celsius abaixo de zero (1970). Nas "paredes", havia toda a sorte de inscrições contra a guerra colonial e contra o regime que então reinava em Portugal.

“O padre Zé, o nosso amigo da Mission Catholique Portugaise que me acompanhava e me quis mostrar o bairro, proibiu-me de falar português e de sair do carro enquanto ali passávamos... e aqui em Portugal eu vi tanta miséria envergonhada, homens de chapéu na mão a pedir emprego, mulheres e crianças a pedir esmola, apesar de todas as leis e medidas que o Estado Novo produziu para as esconder, como já fizera a Primeira República.

“A pobreza e a vadiagem não se eliminam com Mitras e medidas de segurança, mas com produção e distribuição de riqueza e de justiça social. Com a promoção da igualdade e da solidariedade, como manda a Constituição.

“E a Saúde, Mãe, que vão fazer dela? Da saúde dos pobres, dos velhos, das crianças, dos que não têm nem podem ter seguros de saúde de luxo, porque não têm dinheiro, porque já não têm idade, ou porque não têm saúde?

“E as crianças, Mãe? Vão de novo morrer antes do tempo porque o parto foi solitário ou mal assistido, porque a saúde materno-infantil passou a ser de novo um bem reservado a alguns privilegiados, ou porque a "selecção natural" voltará a equilibrar a demografia em Portugal, recolhidas as mulheres a suas casas, desempregadas e de novo domesticadas, e perdida de novo a possibilidade de controlo sobre a sua própria fertilidade?

“O planeamento familiar, que tu tão bem explicaste que deveria segundo a lei seguir a autonomia que o Código Civil reconhece na capacidade natural dos adolescentes - tu, católica, jurista, supostamente conservadora (assim te pensavas, às vezes?)...

“Sabes que aqui há tempos ouvi uma jurista ignorante dizer em público que só aos 18 anos os jovens poderiam ir sozinhos a uma consulta de planeamento familiar, quando atingissem a maioridade, sem autorização de pai ou mãe? Ai, minha Mãe, como a ignorância é perigosa... Será que nos espera um qualquer Ceausescu ou equivalente, dado o progressivo estrangulamento político e social a que a necessidade económica e a cegueira política nos estão levando?

“Os traços fascizantes que são visíveis na repressão da liberdade de expressão e de manifestação, em tudo tão contrários à Constituição da República, serão só impressão de uns "maníacos de esquerda", como dizem umas pessoas que há tão pouco tempo garantiam que essa coisa de esquerda e direita era coisa do passado?

“Mas as crianças são o futuro, Mãe, que será deste país sem elas, sem a sua saúde e sem a sua educação, sem o seu bem-estar, sem a sua alegria? Eu lembro-me tão bem dos miúdos descalços e ranhosos nas ruas da minha infância... e da luta legal, tão recente ainda, quem sabe se perdida, contra o trabalho clandestino, ilegal e infame das crianças a coserem sapatos em casa, a faltarem à escola, a ajudarem as famílias, ainda há tão pouco tempo, ou dos miuditos com carregos e encargos maiores que eles, à semelhança das mulheres da carqueja a subirem aquela rampa infame que Helder Pacheco, o poeta-guia do nosso Porto, tão bem descreve...

"Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!..."

“Mãe, se agora cá voltasses, ao mundo dos vivos, acho que terias uma desilusão terrível. Melhor que não vejas o que estão fazendo do nosso pobre país.

“Da tua Filha, com muita saudade,

Maria Teresa".

Ericeira, Portugal, Europa, dia 31 de Dezembro de 2012.

* Professora de Direito Penal, directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. tpb@fd.unl.p

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MAS ESTE PAÍS ESTÁ CHEIO DE BESTAS? : Conselho de Ética dá luz verde ao racionamento de tratamentos para o cancro.

As nossas elites (????) atingiram o limite do admissivel,  da ignomínia e do despudor.
Leiam esta notícia e vejam se essa gente ainda merece algum respeito...


COM ESTA NOTICIA GANHA TODA A ACTUALIDADE A CRÓNICA DE JOSÉ VÍTOR MALHEIROS, EDITADA NO JORNAL PÚBLICO NO PASSADO DIA 14 DE SETMBRO (Cópia da transcrição feita para a sua página do Facebook pela minha amiga Fidélia Proença de Carvalho, a que, agradeço o trabalho que me poupou...):

"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los me
smo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

"Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

"Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.


"O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.


"O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.


"Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."

José Vítor Malheiros

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Observatório da Saúde denuncia falta de análise e estratégia do Governo .



Que os tempos estão difíceis (só para os contribuintes e para os que produzem e trabalham…), nós sabemos...

Mas que se andem a aproveitar da situação para destruir, por preconceitos ideológicos, aquilo que levou décadas a construir, não podemos deixar.

Por muito mal que esteja um país, há um mínimo que deve ser preservado: a sua cultura, a sua educação, os seus serviços sociais e a sua saúde.

Já Churchill, durante a segunda guerra, confrontado com a necessidade de cortar na cultura para poupar, se interrogava: “Então porque combatemos? Não é pela nossa cultura?”.

A crise que hoje vivemos não é provocada por uma guerra nem por um cataclismo, mas pela maior fraude ideológico/financeira da história, aquilo que já alguém designou como o roubo mais bem organizado da história.

Tentam vender-nos a idéia que não existe alternativa à austeridade e que esta deve incidir sobre os apoios sociais do Estado.

Depois de ter sido a educação a estar debaixo de fogo com o anterior governo, a gora é a ves do Serviço Nacional de Saúde.

Se a austeridade que nos aplicam é para acabar com o ensino público, o serviço nacional de saúde e o Estado Social, então é caso para perguntar porque vamos continuar a pagar sem reagir!!?.

Claro que há muitos gastos supérfluos nesses serviços, nomeadamente a nível dos “boys”, dos “gestores” e dos negócios que gravitam à sua volta (…sei de um gestor hospitalar que tem direito a carro e chofer, que o vai buscar diariamente a casa, para além das “normais” ajudas de custo e ordenados chorudos…). Se queriam mexer era aqui que o deviam fazer, nunca pondo em risco a vida e o direito à saúde dos utentes.

A terminar uma pergunta cínica: se se registar um aumento da mortalidade e uma diminuição da esperança de vida em Portugal, como é previsível com este tipo de medidas, será que vão baixar o “índice de sustentabilidade” para os cálculos da pensão?