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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Entre Rio e Montenegro…venha “o diabo”…e escolha Rio!



Tudo o que se passa no interior dos partidos do centrão, aqueles que nos governam desde que temos democracia, não pode passar indiferente ao cidadão comum.

É que, umas vezes em maioria, outras em coligação, são esses dois partidos que lideram o rumo da democracia portuguesa e não se vislumbra uma alteração a essa situação na próxima década.

A disputa pela liderança desses partidos, mesmo que não nos identifiquemos com eles, como é o meu caso, é assunto que deve preocupar todos, até porque, mesmo quem não vote neles, sofrerá as consequências das decisões dessas lideranças.

É assim que, sem me identificar com o PSD, partido que, apesar de tudo, é fundamental para o funcionamento do regime democrático português, me preocupa a situação interna nesse partido.

No PSD sempre existiram várias tendências, uma mais de centro-esquerda, muito minoritária, outra mais de centro-direita e, com Cavaco, Durão e Passos Coelho, outra de direita radical, neoliberal, intolerante e populista que tem sido dominante nos últimos tempos, mas que perdeu a liderança para Rui Rio, que, tal como o presidente de República ( e, no passado, Sá Carneiro), representa uma tendência mais “centrista” (mais liberal, dialogante, democrática e com preocupações sociais).

Sabendo-se que o PS se vai desgastando no poder, é credível que o vencedor das eleições internas do PSD possa vir a tornar-se, na próxima década, o novo primeiro-ministro, por isso não pode ser indiferente, ao cidadão comum, quem vai liderar o partido nos próximos tempos, até porque,  desta vez, existe uma diferença assinalável, quer do ponto de vista ideológico, quer do ponto de vista de estilos, entre os candidatos.

Por isso, como cidadão que já sofreu na pele as consequências das lideranças do PSD, é óbvio que torço para que seja Rio a vencer a segunda volta.

Sem me identificar com a ideologia do PSD e de Rui Rio, parece-me que, apesar de tudo, ele será um líder mais tolerante e dialogante, com preocupações sociais, mais “centrista” e mais próximo de uma democracia aberta e constitucional.

Pelo contrário, Montenegro representa tudo o que de pior existe naquele partido, que, um dia no governo, vai voltar a repor as malfadadas “reformas estruturais” (leia-se, cortes salariais e nas pensões, destruição de direitos sociais, privatização maciça de serviços públicos, destruindo o pouco que resta do nosso fraco Estado Social) do cavaquismo e do passos-coelhismo.

Para além disso, Montenegro representa o lado mais negro da política, o das negociatas de bastidores, submissão ao pior dos interesses financeiros, sem esquecer a submissão aos interesses obscuros das maçonarias, Opus-Dai e Grupo de Bildberg.

Por isso, como cidadão, que sofreu na pele (e bem) as políticas do “ir além da troika” que estão por detrás da candidatura de Montenegro, só posso dizer que…entre Rio e Montenegro venha “o diabo”…mas escolha Rio!

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Onde estão os verdadeiros “social democratas”?



Anda por aí um debate entre partidos e comentadores para saber quem é o verdadeiro social-democrata.

Em termos gerais a social-democracia tem origem numa ruptura no movimento operário, entre os que defendiam a revolução para conduzir a classe operária ao poder, para acabar com a exploração capitalista, posição que esteve na origem do movimento comunista nas suas mais diversas tendências, e os que defendiam que a emancipação da classe operária se devia fazer pela via democrática, participando em eleições, em lutas legais, principalmente através dos sindicatos, com o objectivo de reformar o capitalismo por dentro.

As diferenças são bem mais complexas do que isso e o próprio movimento social-democrata acabou por seguir caminhos diversos (leia-se, a propósito, AQUI, um interessante resumo da história da social-democracia).

Com a Terceira Via (de Blair, Sócrates, Zapatero, Schroder e outros) a social-democracia acabou por trair todos os seus valores originais e tornou-se um dos principais pilares do neoliberalismo triunfante, deixando de defender aqueles que diziam ( e ainda dizem) defender.

Em Portugal não é totalmente incorrecto designar o PSD, o PS e até o BE de “social-democratas”, pois cada um deles defende as diferentes perspectivas que singraram, ao longo do tempo, no  movimento.

Contudo, tirando uma ou outra personalidade do PSD (Pacheco Pereira e pouco mais), a ala “esquerdista” do PS e, sem dúvida o BE no seu conjunto, os que defendem, em termos práticos e teóricos,  a verdadeira social-democracia, principalmente nos partidos do “centrão”, são uma minoria, cada vez mais isolada naqueles dois partidos.

Governos liderados pelo PSD e a maioria dos liderados pelo PS, mesmo que incluam uma retórica “social-democrata” no seu programa, têm, pelo contrário, contribuído para agravar as condições de vida de quem vive do seu trabalho, beneficiar o sector financeiro e os grandes empresários, esvaziar o “Estado Social” ( principal herança da prática passada da verdadeira social-democracia), retirar direitos a quem trabalha, e combater a influência dos sindicatos.

Claro que o último governo liderado pelo PS se afastou um pouco daquela prática histórica dos partidos do centrão, que, em tempos, já disputaram a presença na internacional socialista e social-democrática.

Tal aconteceu, em grande parte, porque o radicalismo neoliberal do governo de Passos Coelho foi tão desastroso para as condições de vida em Portugal, que qualquer mudança, em benefício dos cidadãos, por pequena que fosse, seria vista como um regresso à pureza “social-democrata”, para além da dependência deste governo em relação aos partidos à sua esquerda que o pressionaram a mudar o rumo das coisas.

BE e PCP, aceitando o jogo democrático e abandonando, na prática, a via revolucionária, são os que têm defendido, de forma consequente, a verdadeira social-democracia, ou seja, têm (principalmente o PCP) uma forte influência no meio sindical, defendem com unhas e dentes o Estado Social (recorde-se, o único objectivo conseguido pela social-democracia histórica), defendem quem trabalha e os mais desfavorecidos, combatem a expansão do neoliberalismo e a influência do capitalismo financeiro no destino das sociedades, única forma, aliás, de combater as alterações climatéricas de forma consequente.

Ou seja, se tivermos em conta a sua acção recente e a defesa consequente de valores sociais, os verdadeiros partidos social-democratas, hoje em Portugal, são, ( para além de outros pequenos partidos como o MAS ou o LIVRE), por um lado o Bloco de Esquerda, que até já assume a social-democracia, e, por outro, o PCP, que, não abandonando a retórica comunista e revolucionária, sempre actou, pelo menos desde que a democracia se consolidou em Portugal, como um verdadeiro partido social-democrata.

E tudo isto nos conduz ao nosso posicionamento em relação ao próximo acto eleitoral, tema ao qual voltaremos oportunamente.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por favor, salvem o PSD!



Não, não me converti ao PSD.

Não, não simpatizo com um partido que se diz popular e tem sido apoiante e executor de medidas antipopulares, como aconteceu com o “ir além da troika”.

Também não simpatizo com um partido que anda por  aí a enganar toda a gente a dizer-se “social-democrata”, mas tudo o que tem feito é apoucar o nosso já de si débil Estado Social e a retirar direitos a quem trabalha.

Muito menos simpatizo com o mal disfarçado neoliberalismo que é a matriz actual desse partido.

Sim, simpatizei, mantendo-me à distância, com a coragem de Sá Carneiro que disse e escreveu coisas sobre Portugal, tanto antes como depois do 25 de Abril,  que hoje seriam consideradas, pela maior parte dos seus actuais militantes e simpatizantes, como sendo de “extrema-esquerda” ou “venezuelanas” (acham que estou a exagerar? Então leiam o que ele escreveu, ele que era, de facto, um social-democrata).

Mas, apesar das distâncias e das divergências, penso que esse partido é fundamental para o funcionamento da democracia portuguesa, nem que seja para travar o avanço do populismo de extrema-direita.

O PSD tem um papel pedagógico na direita portuguesa, canalizando para a democracia os órfãos do Estado Novo salazarista e as novas gerações populistas da direita e neoliberais.

Se esse partido se desboroar, abre-se espaço em Portugal para a extrema-direita e esse é, para mim, o maior perigo que a democracia portuguesa vai ter de enfrentar nos próximos tempos.

Por isso apelo às pessoas de bom senso e democráticas que, dentro do PSD, sobreviveram ao cavaquismo e ao passos-coelhismo, para não deixarem morrer o PSD e o salvem da confusão que os está a devastar.

E, não, não estou a ironizar.

Eu sou de esquerda, não desejo que o PSD volte ao poder nos próximos tempos, mas também sei que não há democracia sem um forte partido democrático de direita. O PSD  (e o CDS…mas isso é outra história..) ainda é esse partido.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Grupo Bilderberg e os “trabalhos” de Rui Rio


Está cumprido o desígnio, traçado para Portugal, pelo influente e semissecreto Grupo Bilderberg em 2008 (sobre este grupo, leia-se o que escrevemos AQUI).

Esse grupo, conhecido por reunir os políticos, jornalistas , empresários e economistas mais influentes do mundo e acusado pelos seus detractores de funcionar como uma espécie de máfia que decide os destinos do mundo, e que costuma convidara e lançar figuras da sua confiança na vida politica, convidou em 2008 duas figuras, então de segundo plano nos respetivos partidos : António Costa e….Rui Rio.

Portuguesas, só costumam ser convidadas figuras do PS ou do PSD. Paulo Portas foi a única excepção.

Portugal tem direito a três convidados, escolhidos até 2015 por Pinto Balsemão, nada mais nada menos que o patrão dos órgãos de comunicação social que mais influencia têm em Portugal na “formatação” da opinião pública e, por isso, com poder para vender políticos com quem vende sabão…

Em 2015 Balsemão foi substituído na tarefa junto daquele grupo por Durão Barroso. O que é um facto é que nunca mais se ouviu falar nas reuniões daquele grupo.

Quando em 2008 António Costa e Rui Rio compareceram naquela reunião especulou-se sobre o destino que o grupo reservava àquelas figuras, falando-se na facilidade de entendimento entre eles para reforçar um bloco central em Portugal.

António Costa é hoje primeiro-ministro, mas talvez em circunstâncias não previsíveis por aquela elite de gente influente, dando-nos alguma esperança de que aquela gente pode ser contrariada democraticamente e os seus objectivos podem ser travados pelas circunstâncias da história,  apesar de todos os poderes manipulatórios que aquele grupo e outros do género (maçonarias , Opus Dei…) têm ao seu dispor.

Mas é um facto que os objectivos da “geringonça” estão praticamente cumpridos, que estamos a pouco mais de um ano de eleições legislativas, que os desentendimentos entre aliados no governo começam a ser frequentes e que um certo estilo “socrático”,  que estava adormecido no PS, começa a reerguer-se.

Ora, a imprevisível eleição de Rui Rio para liderar o PSD  parece surgir num momento chave para iniciar a reconstrução do centrão após as próximas eleições legislativas, até porque a “geringonça” está no limite do equilíbrio entre as imposições da burocracia de Bruxelas e o programa social da esquerda.

Claro que Rui Rio não tem o seu lugar seguro e também existe alguma imprevisibilidade na sua manutenção, já que o “passoscoelhismo” controla o grupo parlamentar e as estruturas do partido.

Rui Rio arrisca-se, caso não obtenha um bom resultado eleitoral, a ser um líder a prazo, abrindo caminho a um regresso triunfal de Passos Coelho e/ou de alguém que lhe seja próximo.

Mas, se as coisas correrem de "feição", com o aval do Presidente da República, que também já esteve em Bilderberg, corre-se o risco de assistirmos ao regresso do famigerado “centrão” de má memória, que nos conduziu à bancarrota “socrática” e ao “austeritarismo” troikista do “passoscoelhismo” e à vitória da estratégia antissocial daquele influente grupo de “opinião”.

Oxalá estejamos errados!


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Eleições no PSD …ou a “era do vazio”…

(Fonte: Inimigo Público, Jornal Público de 12/1/2018)

Este fim-de-semana vai ser eleito o novo dirigente do PPD/PSD, o maior partido da oposição e, para alguns, e de acordo com as últimas legislativas, o maior partido português (situação recentemente desmentida pelas eleições autárquicas e pelas mais recentes sondagens…).

Sob a direcção de Passos Coelho, esse partido, um dos fundadores do actual regime democrático, abandonou o que restava da sua componente “social-democrática”, imprimida no seu ADN pelo  fundador Sá Carneiro, e tornou-se um partido que substituiu o “social” pelo “neoliberalismo” e o “democrático” pelo “populismo”.

Na “campanha”, onde se enfrentaram Rio e Santana, pouco se discutiu sobre uma alternativa para o país ou sobre uma alternativa ao rumo interno imposto por Coelho.

Essa “campanha” serviu apenas para cada um dos candidatos exibir um total vazio de ideias, limitando-se ao mero ataque pessoal, à exibição de vaidades própria e a uma constrangedora tentativa de limpar um passado de falta de fidelidade ao “chefe” (Passos Coelho) que nenhum deles, nesta campanha, se atreveu a questionar: “espelho meu, espelho meu, existe alguém mais passoscoelhista e neoliberal do que eu???” !!!!

Parecendo improvável uma vitória eleitoral do  PPD/PSD nas próximas legislativas, tudo aponta para que o próximo eleito se limite a ser um gestor de um partido com dificuldades de afirmação, abrindo  caminho ao regresso, como “salvador”, de… Passos Coelho.

Para o comum dos mortais, a boa notícia é que vamos deixar de ter os noticiários cheios de “Rios” e “Santanas” a abrir emissões e a ocuparem espaços informativos… a má notícia é que esse espaço volta a ser ocupado pelos “casos” do futebol!!!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

AUTÁRQUICAS 2017 - o que é “ganhar” ou “perder”?


É abusivo fazer uma leitura nacional das eleições autárquicas, pois cada concelho e cada freguesia é uma realidade distinta que não encaixa na lógica partidária nacional.

Nestas eleições vota-se muito mais pela “obra feita” e pelo “valor” da personalidade dos candidatos do que por convicções políticas.

Contudo, se essa leitura é arriscada e abusiva, existem tendências que é possível detectar, pois, apesar de tudo, as listas partidárias continuam a ser dominantes, envolvendo os líderes nacionais na campanha, e  é a convicção dos candidatos que, em grande parte, os leva a candidatarem-se nas listas dos partidos políticos existentes e, principalmente nos grandes centros urbanos, onde o afastamento entre eleitores e eleitos é maior,  as opções politicas dos votantes são mais evidentes e marcantes.

O aparecimento de candidaturas independentes nos  últimos actos eleitorais é um dado novo a ter em consideração, mas o peso da máquina partidária ainda é dominante e o aparecimento de listas ditas “independentes” no acto eleitoral deste ano, onde dominam figuras que iniciaram a sua carreira nos grandes partidos do sistema e com uma atitude revanchista em relação aos partidos que os abandonaram, está a contribuir para destruir a imagem de isenção e independência de tais candidaturas.

Sendo abusivo e arriscado, aqui ensaiamos uma possível leitura nacional das próximas eleições autárquicas.

Assim, se em eleições democráticas, é óbvio que ganha quem tem mais votos, o significado destas eleições não é assim tão linear.

Para o PS ganhar as autárquicas é, no mínimo, manter a liderança da Associação Nacional de Municípios e garantir a vitória em Lisboa. No máximo é ultrapassar o resultado das últimas autárquicas, onde venceu em 149 municípios, ter um bom resultado no Porto e dominar a maior parte das capitais de distrito.

Se perdesse Lisboa, baixasse significativamente o número de Câmaras, ou tivesse um mau resultado no Porto (por exemplo não evitando uma maioria absoluta de Rui Moreira), este seria um mau resultado para o PS, mesmo que fosse o partido mais votado.

Quanto ao PSD, um bom resultado será, no mínimo, ultrapassar o número de 120 câmaras eleitas  e ser a segunda força mais votada em Lisboa. No máximo seria ultrapassar o número de Câmaras do PS, voltando a liderar a Associação Nacional de Municípios e ganhar Lisboa.

Se, pelo contrário, perder muitas câmaras, não conseguir ganhar em pelo menos metade das capitais de distrito, não ultrapassar as 100 câmaras eleitas e se for a terceira força política em Lisboa, este será um mau resultado e Passos Coelho estará condenado na liderança do partido.

Os sinais dados pelas sondagens, embora estas sejam muito falíveis no universo autárquico, revelam-se pouco animadores para Passos Coelho, dada a possibilidade de o seu partido ser ultrapassado pelo CDS em Lisboa e ter uma votação muito inferior à soma das candidaturas do BE e PCP no Porto.

O CDS, pouco representado em termos autárquicos, é o partido que menos tem a perder, e, por isso, mais pode ganhar com o seu resultado nestas eleições.

A situação do CDS é também menos clara, já que concorre em muitos lugares em coligação com o PSD.

Mas, se vencesse mais do que 5 Câmaras, conseguisse que a coligação com o PSD tivesse melhores resultados do que as candidaturas onde o PSD concorre sozinho e obtivesse um bom resultado em Lisboa (por exemplo, ultrapassasse o PSD), e se Rui Moreira vencer no Porto (candidatura apoiada pelo CDS), pode dizer-se que o CDS obtém um bom resultado.

Um mau resultado é gorarem-se as expectativas em Lisboa,  Rui Moreira ser derrotado no Porto e ser arrastado para um possível descalabro do PSD nas autarquias onde concorre em coligação.

A CDU, por sua vez, pode considerar um bom resultado manter cerca de 30 Câmaras , em especial as de Setúbal , Évora,  Beja e Loures, acrescentar novas conquistas e obter um bom resultado em Lisboa e no Porto.

Um mau resultado era conquistar menos de 30 câmaras, perder duas daquelas Câmaras emblemáticas e câmaras como Peniche ou Sobral de Monte Agraço ou outras de tradição comunista.

O BE pode cantar vitória se conseguir ganhar câmaras, eleger mais de 10 vereadores em todo o país, principalmente se estes forem fundamentais para formar maiorias em Câmaras de esquerda sem maiorias absolutas e eleger vereadores em Lisboa e no Porto.

Sai derrotado se eleger menos de 10 vereadores, nenhum em Lisboa ou Porto.

Quanto aos independentes, manter o Porto e ultrapassar as 10 Câmaras eleitas é a meta mínima para a credibilidade das mesmas, a não ser que essa subida seja feita à custa das vitórias dos “Isaltinos Morais” destas autárquicas. Neste caso até pode ter bons resultados mas ficam descredibilizados  para o futuro.

Um outro facto a ter em consideração é a abstenção. Uma abstenção inferior aos 45% fortalece e credibiliza este acto eleitoral.

Um aumento da abstenção, que ultrapasse os 50% é uma má notícia.

Veremos o que se vai passar.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

“Universidade de Verão”


Tivemos hà dias uma “Universidade” de Verão  de um partido do regime que foi profícua em intervenções idiotas e estapafúrdias.

Não deixou de ser curioso que a nossa imprensa de referência se tenha referido a essa “Universidade”, sem aspas e muitas vezes em maiúsculas, e sem se rir ou publicar a notícia numa página humorística.

Chamar “Universidade” àquilo é, no mínimo, uma ofensa à Universidade.

E o que é que vimos nessa “Universidade”? enxurradas de mera propaganda política, uma espécie de lavagem ao cérebro a jotazinhos, candidatos a futuros cargos políticos, com intervenções que não foram mais longe que a mera boçalidade, armada em “lição” mal preparada, para encher as aberturas de telejornais, como aconteceu com um Paulo Rangel enraivecido e a espalhar ódio por todo o lado, insinuando que o actual governo e os seus cortes cegos (???)  seriam responsáveis por todas as mortes ocorridas em Portugal e arredores nos últimos dois anos!!! (claro que estou a caricaturar a própria caricatura dessa miserável intervenção), um vergonhoso aproveitamento politico da tragédia de Pedrogão Grande.

Outro momento “alto” foi o regresso de Cavaco Silva, numa intervenção ressabiada cheia de trocadilhos armado ao engraçado, misturada com graçolas baratas, no meio de pios e “contra-pios”, enfim, um Cavaco no seu pior!!!!

Cada partido é livre de iniciar os seus seguidores na narrativa e nos valores que o caracterizam, é livre de realizar acções de formação politica junto de militantes e de fazer a propaganda dos seus objectivos.

O que não pode é aviltar as instituições, como o fez com a Universidade, chamando àquilo “Universidade de Verão”.

Só faltou mesmo o Relvas a distribuir diplomas no fim!!!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O triste caso da Agência Europeia do Medicamento: Portugal no seu pior!!!



O clima de optimismo que se vive em Portugal desde há dois anos, parece estar agora a ser manchado pelo triste caso da escolha da sede para a Agência Europeia do Medicamento.

O clima de optimismo deve-se à conjugação de vários factores, potenciados pelo actual governo e pela situação que se vive na Europa.

Em primeiro lugar estes dois últimos anos provaram que é possível rigor financeiro sem “austeritarismo” e sem aumentar os impostos sobre os cidadãos cumpridores e que é possível fazer reformas sem usar o eufemismo das “reformas estruturais” (leia-se : “cortes nos salários e pensões” , “destruição de direitos socias”, “privatizações aos desbarato de sectores fundamentais para a economia nacional”, “resgate de bancos falidos por irresponsabilidade e corrução das suas lideranças”, “destruição do Estado Social “…).

O clima de paz social que se vive actualmente, ao qual se juntam feitos em áreas como o desporto, a arte, a cultura e a ciência, bem como as condições de segurança interna que fazem de Portugal um paraíso para o sector do Turismo, tem-se combinado com as medidas de rigor alternativas aos “austeritarismo” troikista e têm contribuído para o actual clima de optimismo.

Contudo, todo esse clima foi agora manchado pelo triste caso da Agência Europeia de Medicamentos.

Claro que concordo que existe demasiado centralismo em Lisboa, mas estou à vontade porque sempre fui um defensor acérrimo da regionalização.

Infelizmente, muito por culpa da falta de coragem de alguns políticos e da alguns “jornalistas” (com Miguel Sousa Tavares à cabeça, é bom de recordar) o debate que se fez sobre o tema e o referendo que se seguiu ficou viciado pelo clima “futebolístico” em que se transformou o debate, levando à derrota desse medida necessária e cujo adiamento, quanto a mim, é o principal responsável por graves problemas estruturais do país.

Alguns desses anti-regionalistas são os mesmos que agora criticam a localização que é defendida pelo governo para sede da agência.

Por isso não deixa de ser curiosa a forma como agora se discute a localização de uma agência europeia em Lisboa, num momento em que a sua localização em Portugal não é garantida, e está já perdida pela forma como o debate foi lançado, por uns por puro oportunismo político (temos eleições autárquicas à porta), por outros por mera irresponsabilidade política (como a bancada do PSD no parlamento europeu, seguida por outros partidos).

“Esqueceram-se” todos que a questão foi debatida há mais de um mês no Parlamento, altura em que deviam levantar a questão e que todos os partidos políticos aprovaram, por unanimidade, no passado dia 11 de Maio, a candidatura da cidade de Lisboa para sede daquela agência proposta pela bancada do PS.

Claro que tudo isto dá uma má imagem das elites políticas portuguesas e vai contribuir para a derrota da candidatura de Lisboa.

Para a actual liderança do PSD isso é o que menos interessa, pois qualquer derrota de Portugal alimenta a esperança de ela  regressar ao poder.
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

TSU – Chantagem Irresponsabilidade e Oportunismo



Fazer da redução da TSU condição para aumentar miseravelmente um já de si  miserável ordenado mínimo nacional até se percebe, vindo dos representantes dos Patrões (…sim, Patrões…Empresários é outra coisa, rara por estas bandas…).

A TSU foi usada, de forma chantagista por esses patrões para assinarem um acordo de concertação social. Uma atitude miserável, mas à qual já nos habituamos. E os próprios patrões, habituados que estavam a mandar nas decisões do anterior governo, apesar de terem à frente da Concertação Social um grande senhor, um dos últimos social-democratas do PSD, Silva Peneda, que lhes fez frente e refreou-os muitas vezes, tudo fizeram, nos seus costumados modos arrogantes, usando comentadores e alguma comunicação social em seu favor, para encostar o governo socialista à parede.

A este apenas restou aceitar a chantagem para conseguir a garantia de um aumento do salário mínimo. mesmo que miserável, à custa da redução da TSU para o patronato, medida que tinha sido iniciada pelo governo de Passos Coelho.

Como seria óbvio e coerente, CGTP, BE e PCP estão contra.

O que não se esperava era o oportunismo político de Passos Coelho, que procura, em mais uma das suas patéticas e miseráveis atitudes politicas, aproveitar-se das divergências que aquele acordo gerou entre a actual coligação que sustenta António Costa, para dando o dito por não dito, renegar os valores que sempre defendeu e uma medida que ele iniciou, vendo aqui uma oportunidade para agitar as águas e tentar sobreviver à sua própria decadência política.

Ou seja, pura politiquice no seu mais abjecto sentido…

Vai ser curioso ver o PSD a fazer campanha contra o patronato na Assembleia da República …

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O CHEIRO DO DINHEIRO : - PSD disposto a estreitar relações com Partido Comunista Chinês

Percebe-se agora porque é que a maior parte dos maoístas do PREC "emigraram" maioritariamente para o PSD.

Finalmente está consumada a sua missão histórica de arredar os "social-fascistas" da social-democracia que dominavam esse partido desde os tempos de Sá Carneiro, esse "renegado" reformista.

Sob a liderança do grande líder Passsos Coelho, candidatam-se agora a serem os representantes privilegiados em Portugal do Partido "Comunista" Chinês.

...ou é apenas o cheiro do dinheiro  que os move???

PSD disposto a estreitar relações com Partido Comunista Chinês: A China quer reforçar as relações com Portugal através dos partidos políticos e o PSD está disposto a desenvolver as relações com o Partido Comunista Chinês, segundo a agência oficial Xinhua.(clicar para ler).

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ai Sabemos, sabemos...e de que maneira :Passos acredita que país sabe "o caminho" desejado pelo PSD

Numa recente entrevista à Antena 1 Passos Coelho afirmou acreditar que o país sabe "o caminho" desejado pelo PSD.

É caso para dizer: "ai sabemos, sabemos" e de que maneira: o caminho da perda de direitos, da perda rendimentos, da perda para a emigração dos jovens mais qualificados, da perda de qualidade na saúde e na educação, da perda do respeito por parte das instituições internacionais e, acima de tudo, da perda da paciência para continuar a ouvir todos os dias as atoardas de Passos Coelho.

Pelos vistos o homem ainda não percebeu o que lhe aconteceu e qual foi a mensagem que os portugueses lhe enviaram nas eleições de Outubro passado.

Mas o mais grave é que ainda há muita gente dentro do PSD (95%, ao que parece) que também ainda não o percebeu e tem a esperança de voltar ao poder sob a liderança de Passos Coelho.

Será que o Passos Coelho, transvestido à pressa de "social-democrata", ainda pensa que, além dos seus fanáticos seguidores, ainda pensa que vai fazer esquecer a sua prática de direitista radical neoliberal ao longo de quase cinco anos de poder?

Passos Coelho à frente do PSD é o melhor seguro de vida para a esquerda

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Solidários com Luaty Beirão e mais 17 jovens angolanos. UM PRESO POLÍTICO É UM PRESO POLÍTICO ! :O que é que PSD, CDS e PCP não percebem desta frase?.


Ausentes deste espaço por uns dias, temos por nós que a notícia mais marcante dos últimos dias foi a condenação à prisão de um grupo de jovens angolanos.

O que é que eles fizeram? Leram um livro e discutiram a grave situação política e social que se vive em Angola, um país com um regime comprovadamente corrupto e que faz da democracia um anedota e da liberdade uma mentira.

Claro que as alternativas ao governo criminoso do MPLA não são muito melhores, a começar pelos criminosos da UNITA.

Mas, felizmente, começam a surgir muitos cidadãos angolanos que fogem àquele esquema partidário corrupto e criminoso e dão a sua voz e energia para combater esse sistema.

Infelizmente esse sistema serve a muito boa gente em Portugal e é vergonhoso que um partido como o PCP venha defender o indefensável, votandoao lado da direita radical neoliberal, a principal beneficiária das negociatas que os corruptos sistema financeiro e político  Angolano permitem à sua clientela.

Dentro das nossas limitações, e em nome dos “valores de ABRIL”, aqui manifestamos toda a nossa solidariedade para com Luaty Beirão e os seus jovens companheiros, condenados com acusações ridículas, num julgamento que  seria uma verdadeira comédia se não fossem trágicas as consequências da decisão desse “tribunal”.

Aqui deixamos também a transcrição da última crónica de Pacheco Pereira , que aborda de forma clara e informada a dimensão desse acontecimento:

Mais uma vez a nossa doença angolana

Por JOSÉ PACHECO PEREIRA

In Público de  02/04/2016

Dizer o ‘estado de direito’ angolano devia provocar uma sonora gargalhada se o assunto não fosse muito sério

“O que é que faz PCP, PSD e CDS juntarem-se num voto comum com denso significado político? Angola. O que faz juntar Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, Passos Coelho, Assunção Cristas num silêncio mais ou menos incomodado sobre claras e grosseiras violações dos direitos humanos e da democracia? Angola. O que faz Paulo Portas, esse corifeu do anti-comunismo, e da liberdade económica, agora convertido à digna carreira dos negócios, queixar-se da “judicialização da relação entre Portugal e Angola” a propósito da prisão de Orlando Figueira, antigo procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), acusado de ter engavetado um processo em que era investigado Manuel Vicente, antigo dirigente da Sonangol? Angola.

“Aqueles a que se solta a boca com o que se passa na Venezuela, aqueles que espumam com a viagem de Obama a Cuba, aqueles que correm para escrever artigos indignados com a duplicidade da esquerda face a regimes como o norte-coreano, o cubano, ou o venezuelano, agora explicam-nos que o regime angolano nada tem que ver com o comunismo. É um regime “pragmático”. Lá isso é, mesmo muito pragmático.

“O mais espantoso argumento é o que acha que nada se pode dizer sobre o que se está a passar, visto que o que está em causa é o sistema judicial, os tribunais, o “Estado de direito” angolano e isso é tão inquestionável como os tribunais ingleses de juízes e advogados de cabeleira e velhos direitos do júri, onde há habeas corpus e... o primado da lei. Dizer, aliás, o “Estado de direito” angolano devia provocar uma sonora gargalhada, se o assunto não fosse demasiado sério.

“Criticar a Coreia do Norte está bem. Criticar a Birmânia está bem e é muito longe e não se sabe nada para nosso conforto. Criticar a Síria e a “ditadura” de Assad está bem. Bater palmas à queda de Khadafi, mesmo com o incómodo do seu linchamento público, está também muito bem. Até ao nosso parceiro na CPLP, a Guiné Equatorial, podemos torcer o nariz. Tivessem eles “salvo” o Banif, talvez já não fosse assim.

“Mas há ditaduras e ditaduras. E a questão já não é só ideológica, bem longe disso. Isso era antes e só funcionava para o PCP. Para o PSD, o CDS e parte do PS, é o “pragmatismo” que conta, ou seja, as que estão próximas de nós pelo dinheiro, com essas é que é preciso muita prudência. Na verdade, se investem em Portugal, pagam pelo menos o direito de não serem tratadas como ditaduras, apenas “Estados africanos em construção”, importantes motores de negócios, países mais ou menos exemplares.

“Veja-se a China, cujo Partido Comunista Chinês comprou durante o Governo Passos Coelho algumas das mais importantes empresas portuguesas. Pelo menos uma, qualquer consideração estratégica do interesse nacional deveria impedir que fosse vendida, a REN. Mas a lei que definia os sectores de valor estratégico para Portugal, — anoto, não é para a economia portuguesa, é para Portugal —, por singular coincidência, só foi publicada depois da venda. Grande Partido Comunista Chinês, vanguarda do capitalismo mundial, exemplo de gestão da economia, parceiro desejado, governante dos homens que pagam umas centenas de milhares de euros para virem a ter a nacionalidade portuguesa com um “visa dourado”. Pelos vistos pagam a frente e ao lado. Mas os refugiados que se acumulam na Grécia e na Turquia, esses, não têm dinheiro para comprar um passaporte europeu, nem prédios de luxo, nem comissões a advogados e imobiliárias, nem luvas para “agilizar” o processo.


“Angola é o que se sabe. Não havendo propriedade privada dos diamantes ou do petróleo ou dos outros bens naturais do país, apenas concessões às grandes petrolíferas americanas ou às empresas estatais, o que decorre da exploração desses recursos são biliões de dólares que são a principal riqueza de Angola. Para onde vão? Do lado “recebedor” desses gigantescos fundos está a cleptocracia governante em Angola, a começar na família do Presidente, estendendo-se para a entourage da Presidência, e para um conjunto de generais que ascenderam ao poder durante a guerra civil, e a que se juntam altos quadros do MPLA, administradores de empresas públicas, embaixadores, ministros e “homens de negócios”. Nenhum deles construiu a sua riqueza que não fosse pelo acesso ao poder político. Os seus nomes são conhecidos de todos, estão sistematicamente presentes em duas listas: as dos que violam os direitos humanos, como as da Amnistia Internacional, e as dos corruptos que todas as polícias europeias e americanas conhecem, incluindo a portuguesa”.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As “vitoriazinhas” e as “derrotazinhas” das eleições de ontem…


Parafraseando  a frase assassina de António Costa contra António José Seguro, a propósito do resultado eleitoral do PS nas eleições europeias, onde este ganhou por  “poucochinho” no primeiro embate contra a coligação, os resultados destas eleições deram muitas “vitóriazinhas” e muitas “derrotazinhas”.

Em primeiro lugar a coligação de direita, que obteve uma “vitóriazinha” porque, apesar de tudo, cortou a “meta eleitoral” em primeiro lugar e, em eleições, ganha quem chega à frente, mesmo que por “poucochinho” .

Foi uma “vitóriazinha” porque ele foi conquistada apesar da “derrotazinha” de ter perdido mais de seiscentos mil votos e  vinte e oito deputados, face àquilo que os partidos da coligação, no seu conjunto, tinham conseguido em 2011.

Enfim foi também uma “derrotazinha” da coligação de direita que, ganhando, perdeu a maioria absoluta e terá de governar contra a maioria “absolutíssima” “anti-austeritária” do eleitorado e do parlamento ….ou uma “vitóriazinha de Pirro”…

Também a CDU obteve uma “vitóriazinha” (que a costumada cegueira irrealista da sua direcção política procurou, em patéticas afirmações na noite eleitoral, transformar em “vitoriazona”…) porque ganhou menos de quatro mil votos e mais um deputado e contribuiu, embora “poucochinho”, para que a coligação de direita perdesse a maioria absoluta, disfarçando a “derrotazinha” de ter perdido esta ocasião única para se tornar na terceira força política do parlamento, de recuperar os dois dígitos na percentagem de eleitores e de ter deixado de ser, talvez de forma irreversível,  a grande referência da esquerda à esquerda do PS.

Por sua vez o PS sofreu uma assinalável “derrotazinha”, a primeira derrota eleitoral  depois de ter vencido, mesmo que por “poucochinho” , as últimas eleições pós – socráticas, as autárquicas e as europeias, em conjunturas bem mais complicadas de vencer do que estas.

Resta-lhe a consolação de ter obtido a “vitóriazinha” de ter recuperado menos de duzentos mil votos e mais onze deputados (tantos como o Bloco de Esquerda…) e de estar nas suas mãos a viabilidade das políticas austeritárias do governo. Foi assim que, na Grécia, o PASOK  se eclipsou…Enfim…outra “vitóriazinha de “Pirro”…

Mas nem tudo foram “vitóriazinhas”  ou “derrotazinhas”.

Houve também GRANDES VITÓRIAS e GRANDES DERROTAS.

Em primeiro lugar a Grande Vitória pessoal de  Paulo Portas, que ontem não disfarçava a sua euforia,  e do seu CDS, que  vão ser os grandes beneficiados da “vitóriazinha” da coligação, que lhe  pode permitir, em ganhos eleitorais, disfarçar a provável “derrocada” do seu Partido, caso tivesse concorrido sozinho a estas eleições, mas, mais do que isto, vir a ter um grupo parlamentar que se pode tornar na terceira força política parlamentar, tonando o PSD o segundo partido, com menos deputados que o PS,  e ser, no futuro, um partido charneira que pode dar muitas dores de cabeça a Passo Coelho.

Em segundo lugar, a real e verdadeira Grande Vitória nestas eleições , a do Bloco de Esquerda, que ultrapassou os 500 mil votos,  e conquistou onze novos deputados, tornou-se o terceiro político parlamentar (até ver o que se vai passar com a organização no parlamento dos partidos da coligação), ganhou em muitos distritos onde os partidos à esquerda do PS nunca tinham conseguido representação parlamentar e canalizou o voto dos descontentes.

Ainda por cima, reduziu a cinzas os partidos que tinham surgido de cisões internas que anunciavam o eclipse de BE.

 Uma outra Grande Vitória foi a do partido Pessoas, Animais e Natureza,  trazendo, pela primeira vez  ao parlamento, neste século XXI, uma nova formação política, ainda por cima uma formação que apresenta algumas questões inovadoras, tais como, para além da bandeira de longa data de acabar com os canis de abate, a defesa da  criação de um novo índice para aferir a qualidade de vida de um país, o “índice de Felicidade Interna Bruta”,  idéia que tem vindo a ganhar peso internacionalmente, ou uma jornada de trabalho de30 horas (há muito tempo aplicado na Suécia com excelentes resultados na produtividade e riqueza daquele país) Se souber usar o novo espaço de divulgação das sua ideias inovadoras e ambientais pode vir a ser, no futuro, muito mais que um epifenómeno político.

Quanto aos Grandes Derrotados, eles foram, em primeiro lugar Marinho e Pinho e a sua postura populista e arruaceira, ou o Livre que não conseguiu mostrar que tinha propostas diferentes das do Bloco de Esquerda ou que a sua razão de ser ía muito além das simples questiúnculas pessoais e de feitio, que ao longo do tempo tanto têm contribuído para minar a esquerda.

Mas , quem saiu verdadeiramente derrotado nestas eleições,  foi a Política austeritária imposta pela União Europeia e pela Troika e diligentemente aplicada pelo actual governo. Há que não esquecer que, mesmo a coligação fez toda a campanha eleitoral à volta da tentativa (que pelos visto resultou) de se demarcar da Troika e das medidas de austeridade…

Enfim, de “vitóriazinha” em “vitóriazinha” e de “derrotazinha” em “derrotazinha”, cá iremos andando até as próximas eleições parlamentares, que, quanto a nós, não tardarão mais de dois anos.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Como vou votar num cenário de derrota pré anunciada da esquerda?


O QUE EU NÃO GOSTAVA…

As últimas sondagens dão uma vitória clara à coligação de direita.

Desta vez já são sondagens com uma base significativa de inquéritos, com menos indecisos e onde a diferença entre a coligação de direita e o PS ronda mais ou menos (quase sempre mais) os 5%. 

Convém recordar que, em Portugal, a nos últimos vinte anos, as sondagens nunca se enganaram por mais ou menos 2 ou 3%.

Se os resultados forem outros, esta seria a primeira vez  em Portugal que todas a sondagens se “espalhavam” de forma clamorosa.

Claro que ainda existe uma razoável margem de indecisos, mas o que tem acontecido é que, quanto mais o número de indecisos baixa, mais aumenta a diferença entre a coligação de direita e o PS, sem que se registe um grande avanço nos partidos mais à esquerda.

É contudo bom recordar que, um pouco por toda a Europa, nos últimos, anos, as sondagens se têm enganado redondamente.

Veremos se, pela primeira vez em Portugal, tal vai acontecer.

ENCONTRAR EXPLICAÇÕES PARA O INEXPLICÁVEL

Seja qual for o resultado final, o que parece significativo é que uma grande parte da população continue a confiar numa coligação que destruiu os equilíbrios sociais em Portugal, lançando portugueses contra portugueses, fomentando a inveja social, provocando  a emigração de  500 mil portugueses, a maior parte jovens qualificados, agravando a já de si grave situação demográfica do país, empobrecendo a generalidade da população trabalhadora e pensionista de Portugal, aumentando as desigualdades sociais, reduzindo os salários para o nível da indigência, aumentando a insegurança e a precariedade dos empregos, transformando  a alta taxa de desemprego , acima dos 10% (30% entre os jovens) num fenómeno estrutural, cortando drasticamente nas funções sociais do Estado, na saúde e na educação e deixando de investir na cultura e na investigação.

Ao mesmo tempo, aumentou drasticamente o número de milionários, manteve-se elevados o salário dos gestores das grandes empresas, manteve-se os chorudos lucros das mesmas empresas e bancos, continuou-se a garantir que a maior parte destas fuja aos impostos através do esquema de off-shores “legais” em pleno espaço da União Europeia.

Mas tudo o que este governo fez foi em nome de três objectivos falhado: reduzir o deficit, reduzir a dívida e aumentar a “competitividade” (seja lá isto o que for). O deficit mantem-se ao mesmo nível, a dívida aumentou e é impagável sem mais “sacrifícios” e austeridade, e na “competitividade”, o país piorou a sua situação no ranking mundial.

No fundo, a coligação de direita destruiu os ideais dos fundadores dos seus partidos, a social-democracia de Sá Carneiro e a democracia-cristã de Freitas do Amaral.

O mesmo fenómeno que justifica a resignação ou a aceitação do miserabilismo da política governamental levou a aceitação, durante 50 anos, da “ordem” salazarista.

Em toda esta situação, a esquerda não está isenta de culpas.

Em primeiro lugar o PS:

- o processo de sucessão de Seguro para Costa foi todo um jogo de manipulação propagandística e da mais suja táctica política. O “cheiro” a poder inebriou muita gente do PS. Afinal a principal justificação para afastar Seguro era que ele não tinha “carisma” ou que “ganhava  eleições, sim mas, por pouco!”. O PS arrisca-se agora a perder numa conjuntura que lhe era favorável.

- a colagem dos “socráticos” a António Costa, que precisou deles para ganhar o PS, mas dos quais nunca se soube demarcar. A prisão de Sócrates, um caso que levanta suspeitas pelos “timings” escolhidos, “entalou” de vez António Costa. Em muitas cabeças o que passou a estar em julgamento nestas eleições foi José Sócrates e não os últimos 4 anos de (des)governo…e Costa não conseguiu dar a volta a isto!

- as hesitações da campanha de Costa, entre o discurso “sério” e “realista” do poder, e a condenação firme da austeridade. Só que para se condenar com firmeza a “austeridade” ,imposta pela troika e alegremente aplicada pela coligação de direita, era necessário questionar a presença de Portugal no euro, defender com base sustentável a renegociação da dívida, e fazer frente às antidemocráticas instituições europeias, tudo aquilo para o qual falta coragem a este PS, muito apegado ao poder e com gente comprometidas com muitas malfeitorias feitas no governo de José Sócrates.

Em segundo lugar a esquerda com assento parlamentar, CDU e BE:

- a situação na Grécia veio retirar credibilidade àquilo que estes partidos defendem, veio dificultar uma saída negociada da crise e provocou medo em muitos eleitores que preferem o sossego das suas vidinhas, mesmo que seja o sossego dos cemitérios, a ter que passar por situações idênticas àquelas pelas quais passou a Grécia ao longo deste ano. O pior que pode acontecer ao português “médio” formatado pela ideologia “cavaquista” que criou a nossa classe “média”, e é aspiração de muito “pobre”, é tirarem-lhe a possibilidade de usar o cartão de crédito, mesmo que não tenha nada para levantar! ;

- a irredutibilidade de alguns princípios políticos, que impossibilitam qualquer aproximação a um governo minoritário do PS, ou pelo menos é esta a imagem que transmitem. A esquerda continua muito presa a divergências do passado, que já nada dizem às pessoas e revela uma enorme incapacidade pragmática de entendimento. Neste ponto deviam ter aprendido alguma coisa com o Syriza;

- a imagem de divisão que acabam por provocar à esquerda, principalmente no caso do Bloco de Esquerda, que tem, nestas eleições, mais dois partidos a concorrer na mesma área e que resultaram da incapacidade de ultrapassar as meras divergências pessoais;

-na sequência do que disse em cima, a idéia de que as outras duas “alternativas” à esquerda (Livre e Agir) dão de que apenas estão a concorrer contra o BE, por meras razões de incompatibilidades pessoais, não tendo para apresentar ideias muito diferentes das do BE.

Existem também outros fenómenos que podem justificar a situação de grande incerteza que se vive e uma previsível vitória eleitoral da direita:

- a abstenção elevada, que beneficia a direita, e que, nestas eleições conta com um fenómeno que só foi referido no início da campanha, mas rapidamente esquecido, o facto de 500 mil eleitores jovens e os mais revoltados com a política de direita, terem emigrado e se depararem com um “erro” do ministério da administração interna, que se “enganou” na  produção dos boletins por correspondência, impedindo assim muitos milhares de poderem vota em Portugal;

- a influência propagandística da comunicação social, especialmente a televisiva,  onde enxameiam comentadores de direita e onde os debates são orientado no sentido de justificar a austeridade, desvalorizar as más notícias para a coligação (como o escândalo da aldrabice na elaboração estatística do valor do deficit) e potenciar os erros da esquerda e as tendências das sondagens. Não é por acaso que são designados por “fazedores de opinião”. A “ informação “que se faz em Portugal é cada vez menos informação e cada vez mãos comentário…e isso influencia as escolhas politica do cidadão comum…

O QUE EU GOSTAVA!

Claro que gostaria que estas eleições tivessem outro resultado, diferente daquele que parece adivinhar-se.

Pessoalmente gostaria que o PS ganhasse, mas não por muito, mas em condições de poder negociar acordos pontuais com qualquer partido. O melhor governo do PS, o de António Guterres, funcionou assim.

Gostaria também de ver reforçada a votação da CDU e do BE e que, pelo menos um destes partidos tivesse maior representação parlamentar que o CDS.

Gostaria que entrassem no parlamento novas forças políticas, como o Livre, que tem as pessoas mais interessantes da esquerda, e o PAN (Pessoas Animais e Natureza), que pode representar uma lufada de ar fresco no parlamento.

Gostava que a CDU, o BE e os novos partidos no parlamento tivessem maior representação parlamentar do que o PSD no seu conjunto.

Gostava…Mas!!!!

O MEU VOTO

Se votasse com “utilidade”, votava no PS!

Se votasse com “coerência” votava no BE!

Se votasse com o “coração” votava Livre ou PAN.

Mas vou votar com a cabeça e de forma friamente racional, e por isso voto…CDU!


quinta-feira, 30 de julho de 2015

ainda alguém acredita em programas eleitorais?

(o verdadeiro "cartaz eleitoral" do PAF!!!)

Não li, nem tenciono ler, os programas eleitorais da coligação de direita e do PS.

Os dois últimos governos desses partidos já mostraram que as promessas eleitorais não são para cumprir e que podem fazer exactamente o contrário do que prometeram, sem se envergonharem.

No que respeita àquilo que são as promessas da coligação de direita, o desplante é total.

Estes desculpam-se com o memorando da troika para não terem cumprido no primeiro mandato com as promessas eleitorais.

Mas o que fizeram de pior não foi em nome do memorando da troika mas porque queriam ir além da troika e só não foi pior porque o tribunal constitucional não deixou.

Para além de todas as promessas, quem manda de facto são os burocratas não eleitos de Bruxelas e a Alemanha e quem se opuser a estes sai humilhado como aconteceu com os gregos.

Os programas políticos eleitorais não passam assim de mero lixo e a escolha eleitoral sobre quem vai executar as políticas austeritarias de Bruxelas é entre o " polícia bom" e o "polícia mau".

Mais importante do que eleger quem nos vai tramar é eleger quem ainda nos pode defender, na oposição, contra os governos colaboracionistas.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Depois do "Polvo" PS, é a vez do "Polvo PSD":


Depois de a revista Visão ter divulgado  "A face oculta do PSD" , uma reportagem que tem como figura central Luis Filipe Menezes,  o Público de hoje, revela mais pormenores sobre essa situação.

Também ontem a revista Sábado revelou mais pormenores sobre outro escândalo, que já vem de longa data, que envolve Passos Coelho, o caso Tecnaforma , situação que é também hoje anunciada no jornal Público, que já se tinha referido ao caso há alguns meses atrás:


Depois dos casos que envolveram elementos do PS, como o processo Face Oculta ou o caso Maria de Lurdes Rodrigues, é a vez de vir agora ao de cima o "polvo do PSD".

É caso para dizer que o centrão está cada vez mais doente...só esperamo que estes casos sejam rápidamente esclarecidos para que, por tabela, não seja  a democracia a ser arrastada para a lama da corrupção política..


terça-feira, 6 de maio de 2014

No 40º Aniversário do PPD/PSD : recordar ( a muita gente do PSD) alguns dos pensamentos de Sá Carneiro

O PSD deve grande parte da sua influência e poder aos seus fundadores, com especial destaque para Sá Carneiro.

Hoje muito se pode especular sobre o que seria o país se Sá Carneiro não tivesse morrido tão cedo.

Provavelmente não teria havido cavaquismo, Durão Barroso ou Passos Coelho não teriam chegado onde chegaram dentro do partido e no país.

Sobre aquilo que seria a posição política de Sá Carneiro nos nossos dias, também apenas podemos especular, mas se olharmos para o percurso político de muitos dos que lhe foram próximos, como Helena Roseta, Freitas do Amaral ou António Capucho, parece-nos que ele estaria muito longe do actual PPD/PSD .

Se lermos algumas das suas idéias, das quais seleccionamos alguma que transcrevemos em baixo, ainda mais se evidencia o seu distanciamento em relação àquilo em que o PSD se transformou nos últimos tempo, por obra e graça da "troika" Cavaco Silva-Passos Coelho- Durão Barroso.

Aos que ainda acreditam na "social-democracia" do PSD, aconselho vivamente a releitura de algumas dessas idéias.

Ainda a propósito do 40º aniversário do PPD/PSD, convidamo-los a consultar a documentação disponibilizada pelo blogue Ephemera, de Pacheco Pereira, onde se recorda o início desse partido.

Algumas citações do pensamento de Sá Carneiro:

"Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos."

"Sectores como a saúde, educação e outros fazem parte das atribuições e são responsabilidade do sector público."

"Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo."

"O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé."

"Quem quer constituir família procura casa e emprego e não os encontra. Os que trabalharam toda uma vida veem-se, no fim dela, condenados a morrer à míngua".

"Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita."

"Sempre que há concentração de poderes abre-se a porta ao autoritarismo, precursor da ditadura, aniquiladora das liberdades."

"O valor essencial da liberdade sem a igualdade torna-se aristocrático privilégio de uns quantos."

"Um socialismo que respeite a liberdade e a dignidade da pessoa humana e que seja, portanto, nesse aspecto, um socialismo perfeitamente consentâneo com o personalismo, parece-me indispensável no mundo de hoje."

"Defendemos a propriedade privada, na medida em que impõe o respeito da pessoa. Em nome da mesma pessoa combatemos os abusos da propriedade, a concentração da riqueza, o domínio do poder económico."

"Democrata é aquele que pratica a democracia e não aquele que dela apenas se reinvindica."

"O Estado deverá garantir suficiente capacidade humana, técnica e financeira para poder intervir como investidor, realizando projectos de grande dimensão em sectores estratégicos da actividade económica nacional."

"Qualquer Estado moderno é inevitavelmente um Estado social, pois a nenhum poder politicamente organizado é hoje possível deixar de conformar-se com as realidade sociais e tomar a seu cargo a satisfação das necessidades colectivas."

"O voto só é perfeitamente democrático se for livre e racional, o que supõe uma igualdade tendencial da informação e do poder económico e social dos eleitores e dos elegíveis."
"Pouco importa às pessoas saber que têm os direitos reconhecidos em princípio, se o exercício deles lhes é negado na prática."

"A economia não se reduz ao sector público e ao sector privado. Há que lembrar o sector cooperativo como forma fundamental de realização do progresso social-democrata e socialista."

"O comentário político ou é laudatório ou não vê a luz do dia."

"Adoptando-se o modelo de desenvolvimento capitalista sem instituições democráticas, sem liberdade política, caminharemos para um despotismo violento que nem por ser dourado por melhores condições económicas deixará de ser menos insuportável."