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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A Classe Média, segundo Montenegro


Segundo Montenegro, uma casa de renda de 2 mil e trezentos euros define uma família de classe média.

Como estamos a falar de uma família, além dos  2 mil e 300 euros de renda, terá de pagar água, luz, alimentação e telefone, precisando de, no mínimo, outros mil euros para esses gastos, sem esquecer os gastos com o o automóvel (sim, classe média tem automóvel) e gastos culturais, ou seja, outros mil euros.

Assim, para ser classe média em Portugal, segundo o senhor Montenegro, uma família tem de ter um rendimento mínimo, já com os descontos fitos para o IRS, de cerca de 4 500 euros...limpos.

Concluindo e resumindo, por aquilo que recebo devo pertencer à classe dos indigentes. 

Pelos visto tenho direito a subsidio de sobrevivência e de insercão, e não sabia... e como eu mais um 9 milhões de portugueses!!!!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O “sr.” “orgulhosamente” 1%...


 O “sr. orgulhosamente” 1%...sou eu, o próprio!

Quem diz 1% , pode dizer 5% ou, no máximo, uns 10%.

Pertenço a essa enorme minoria que só vota em partidos que rondam essas percentagens, no caso das últimas eleições, um pouco mais de 1%.

Pertenço ao restrito número dos cerca de 1% que veem o Canal 2, quando quase toda agente vê telenovelas, o big brother, ou debates com as mesma opiniões de sempre.

Também pertenço àquela imensa minoria que houve rádio, ainda por cima apenas a Antena 1 ou a Radar (às vezes lá me escapo para o M80 ou para a Antena 3).

Pertenço àquela gente rara que compra jornais e lê livros e os leva para todo o lado.

Acho, aliás, que é mais importante descobrir e ser curioso que “comer” o que todos comem e que estudar e criar é mais importante que consumir acriticamente.

Devo ocupar uma percentagem muito pequena, em comparação com a média, a frequentar redes socias e, nestas, costumo ser selectivo, pouco dado a fake new, gatinhos e pores do Sol…

Sou ainda dos raros cidadãos que acha que pagar impostos é um acto cívico, nunca fugindo a pagá-los, só não concordando que eles sejam usados para salvar bancos ou grandes empresários.

Tirei a carta depois dos 40 e só o fiz porque (o cavaquismo) me destruíram o meio de transporte preferido, o caminho-de-ferro, deixando-me sem alternativa.

Assim que voltarem a reconstruir o transporte ferroviário e melhorarem os transportes públicos, conto deixar o carro, a maior parte do tempo e já agora, gostava que, cada vez mais, o transporte ferroviário pudesse ser alternativa à aviação, pelo menos nos pequenos percursos, e, nisso (como noutra coisas) estamos muito atrasado em relação ao resto da Europa.

Também não escolho o carro pelo tamanho ou pelo prestigio da marca. Desde que ande, com segurança, qualquer calhambeque em segunda mão me serve.

Gosto muito de cinema, mas pertenço àquele pequeno número de cinéfilos que escolhe os filmes pela qualidade do tema, do argumento ou do realizador, dando pouca importância às modas do momento, ao nome dos famosos que participam nos filmes, aos milhões do casting e ao número de explosões por metro de fita.

Gosto de passar férias longe dos lugares da moda e visitar o que ninguém visita.

Aliás, sou dos poucos que frequenta museus e exposições, principalmente aquelas que fogem à massificação.

Na musica, não nego a nostalgia, mas procuro o que é inovador e minoritários, longe dos top’s, nem sou daqueles de acham que os anos 60 e 80 é que eram bons. Nesses anos, como agora, havia coisas boas, que ainda são audíveis, mas, à custa da nostalgia, também se anda a recuperar muita “trampa”.

Sou dos poucos que continua a comprar e a ler Banda Desenhada, sem o fanatismo dos coca-bichinhos que acham que tudo é bom nessa área e só comem “Marvel” e “Manga”.

Enfim…pertenço a essa imensa minoria que acha que, se não fossem as minorias, ainda vivíamos na Idade de Pedra, pois são estas que podem descobrir, fomentar e sonhar com a novidade que pode transformar o mundo.

Orgulho-me de pertencer a essa minoria, na política, na cultura, no pensamento económico e social, que não está “orgulhosamente só”, mas é uma imensa minoria…

....e já agora, sobre o cartoon da Mafalda que ilustra esta post, é apenas metafórico...eu gosto dos Beatles!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Uma Cosntituição ingrata para com tão "brilhantes" governantes...



As sociedades democráticas e liberais regem-se pelo primado da lei.

Nessas sociedades a lei é elaborada por um poder legislativo livremente eleito e as leis regem-se pela igualdade e pela justiça.

O principal documento que garante a igualdade, a justiça e a democraticidade na elaboração e aplicação das leis é uma Constituição livremente construída e votada por uma assembleia constituinte livremente eleita.

Por isso faz-me alguma confusão o argumentário de políticos, comentadores e economistas contra a Constituição da República Portuguesa, apontada por eles como uma “força de bloqueio”  às decisões deste governo e das suas medidas orçamentais, contra o Tibunal Constitucional, cujas funções se relacionam com a análise da constitucionalidade dessas decisões, e contra a decisão do Presidente de República, que deve ser o primeiro garante do cumprimento da Constituição.

Mais confusão me faz ainda que muitos desses políticos, comentadores e economistas passam a vida com a palavra “liberal” na ponta da língua….é como aqueles governantes que, vendendo o país ao desbarato e destruindo a vida dos portugueses, exibem uma bandeira portuguesa na lapela…

Para esta gente esta Constituição é apenas…um problema de pintelhos …

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"REFUNDAR" PORTUGAL - Um Filme de Terror Social, dirigido por um fanático neoliberal:



Todas as semanas este governo acrescenta uma palavra ou uma frase à “novilíngua” em que transformou a sua retórica política: ela já foi “os portugueses a viver acima das suas possibilidades”, ela já foi a “o desemprego como oportunidade”, o convite à “emigração como solução para o desemprego jovem e qualificado”, o povo “piegas” e “o melhor povo do mundo”, as “cigarras” que não deixam as “formigas” do governo trabalhar para o “nosso bem”,  e agora a “refundação” do memorando e, por arrasto, da Constituição e do Estado Social.

Ao que parece,  o primeiro-ministro entusiasmou-se com esta última “invenção”  e já vem “convidar”, de modo chantagista, o PS para participar nessa “refundação”.



Não que não acreditemos na necessidade de repensar as funções do Estado, mas quando pensamos em “refundação” pensamos em coisas diferentes daquelas que estão por detrás da retórica  fundamentalista neoliberal deste governo. Já ontem AQUI falámos na nossa idéia de “refundação”.

É o modo como o Primeiro-ministro se dirige ao PS para participar nessa “refundação” que “cheira” a chantagem, até porque já vai insinuando que, se o PS não colaborar, será necessário um segundo pedido de resgate .

Parece assim que Passos Coelho  tenta desviar as atenções políticas, quer da tragédia anunciada com a aprovação do Orçamento de 2013, quer do falhanço das políticas de austeridade, comprovadas por todos os indicadores económico-sociais que vão sendo conhecidos, quer pela crescente desconfiança dos portugueses em relação a essas medidas.

Ou seja, já se sabendo que o programa de austeridade e a aplicação do Orçamento vai conduzir o país para um dos maiores desastres da sua história, e que vai obrigar o país a um novo resgate, mas não podendo recuar, não sei se por teimosia, se por ignorância, se por incompetência, se por fé fundamentalista nos princípios neoliberais, se por tudo isso, Passos Coelho tenta desde já arranjar um bode expiatório para o tragédia para onde nos está a conduzir.

Também não deixa de ser estranho, depois de ter desbaratado nos últimos dois meses todo o seu capital de estabilidade social (que tinha conseguido través da Concertação Social e do compromisso com o PS em relação ao cumprimento do  memorando da troika), como resultado da sua teimosia ideologicamente oportunistas de “ir para além da troika”, como resultado da trapalhada à volta da TSU, como resultado dos constantes avanço e recuos orçamentais, sem consultar parceiros sociais, os partidos da oposição, o Presidente da República e, ao que parece, nem sequer os parceiros da coligação, que Passos Coelho venha agora tentar encostar o PS à parede para o fazer aceitar uma “misteriosa” “refundação” que pretende impor ao país.

É um mito o peso do Estado em Portugal, como o demonstram todos os indicadores comparativos com a União Europeia. O que acontece é que muitos dos meios de que o Estado Social devia ter ao dispor do seu desenvolvimento e funções têm sido desbaratados pela corrupção, pela fuga aos impostos, por privilégios concedidos aos “boys” colocados em lugares chave da administração pública, pelas opções erradas tomadas em relação à educação, à saúde, aos transportes públicos, e em tantos outros sectores, transformando o Estado num grande negócio para bancos, grandes  empresas privadas, gabinetes de advogados , institutos, fundações…etc, etc, etc…

Mas não será essa a visão que o primeiro-ministro tem para “refundar” o Estado. Por aquilo que já provou, pelo que disse e pelo que fez, o seu objectivo será entregar a educação, a saúde, a segurança social, todas as funções até hoje atribuídas ao Estado, aos apetites vorazes de bancos, grandes empresas, multinacionais, dos “boys” do centrão, do dinheiro sujo de Angola e da China…

Portugal está a transformar-se num filme de terror social, dirigido por um mau  realizador de cinema “gore” chamado Passos Coelho, produzido por um desumano e lunático  Vitor Gaspar.

Veremos se o PS se vai deixar enredar na armadilha que Passos Coelho lhe preparou ou vai despertar par a realidade do país, rompendo de vez com o seu passado socrático e “refundando” o seu ideal em defesa de  um Estado Social forte, organizado e justo. O futuro político e a crediblidade de Seguro também se jogam agora.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Governo recua no corte de subsídios em apenas 24 horas.

Esta notícia trouxe-me à memória uma cena do filme "Diários do Rum". Um mafioso ligado aos sectores financeiros e de construção civil na Costa Rica dos anos 60, falando da forma como negoceiam um  preço ou negócio explicava a um jornalista que, quando queriam obter um benefício de 5%, propunham ao seu interlocutor que esse benefício fosse de 10%.

Depois íam baixando até aos 5% e a outra parte pensava que até tinha ganho com essa negociação.
O que é um facto é que, sem grandes ondas, os mafiosos conseguiam o tal ganho de 5%.

O que se passou ontem com a concertação social foi idêntico. O governo propôs um corte de 10% nos subsidios de desemprego mais baixos.

...Um ufano João Proença, cada vez mais a fazer o papel do "idiota útil" deste governo, apareceu horas depois com uma baixa desse valor em 6% como se fosse um grande recuo do governo...!!!

 O que é um facto é que os que recebem o mais baixo valor do subsidio de desemprego vão mesmo ter um corte, equivalente a cerca de 25 euros...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DE REGRESSO....

E cá voltamos nós ao convívio dos seguidores e leitores dos nossos blogues…
Fechámos um mês para arejar, mas nesse mês de Agosto o mundo não parou…
Por cá começa a estalar o “verniz” da “candura” inicial do Governo de Passos Coelho. Começa-se a perceber onde pára o tão apregoado combate às “gorduras” do Estado: substituir os boys do PS pelos da coligação, com mais de 500 nomeações em menos de dois meses: cortes radicais na Cultura, na Educação, na Saúde e na Segurança Social; aumento dos impostos sobre o trabalho, deixando de fora os ricos…Ah! É verdade…Não há Ricos em Portugal, só uns trabalhadores que recebem “um pouco” acima da média e que “investem” os seus “parcos haveres”  nos paraísos fiscais e nos off-shores; os mais pobres e os remediados, que são muitos, que paguem a crise, porque os ricos “são tão poucos” que não compensa cortar nos seus rendimentos ….
Anunciou-se também o  aumento generalizado  no preço de vários bens essenciais como o dos transportes e  o da electricidade. Um grande “incentivo” ao uso dos transportes  públicos e os pobres, que já estão habituados, que voltem  ao uso das velas e dos candeeiros a petróleo…
Lá por fora as coisas não vão melhor: os graves acontecimentos na Inglaterra, onde se generalizaram os actos de vandalismo e roubalheira, são um forte aviso em relação àquilo que se pode esperar no resto da Europa se os jovens continuarem a serem o alvo das agressivas campanhas publicitárias de apelo ao consumo desenfreado, apresentado como único valor na sociedade ocidental, ao mesmo tempo que se lançam cada vez mais jovens para o desemprego e para o trabalho precário…infelizmente virão aí “cenas do próximos capítulos”…
Pela União Europeia tudo continua cada vez pior, entregue à irresponsabilidade de um Sarkhozy e de uma Merkel, com  a bênção do sr. Trichet e do seu ajudante Constâncio…
Entretanto aconteceu aquilo que há muito se esperava na guerra da Nato contra o ditador Kadafhi: a Nato ganhou a guerra com a ajuda de uns rebeldes mal amanhados  (sim, eu sei, entre eles existem uns democratas, mas não passam de “ornamento” ideológico…) e a Inglaterra e a França não esconderam a sua motivação: o Petróleo da Líbia. Entretanto vai-se sabendo da colaboração dos serviços secretos ocidentais com os esbirros do regime criminoso de Kadafhi…E muito mais se saberá se o ditador e os seus filhos forem apanhados vivos, o que é pouco provável..
A Al Qaeda do Norte de ÁFRICA  sai reforçada nesse acontecimentos e até já deu “sinais de vida” realizando um ataque terrorista na Argélia ,(notícia pouco divulgado na imprensa ocidental, por  ser politicamente inconveniente).Esse atentado, foi para provar o seu apoio aos rebeldes da Líbia, que contestavam o exílio dado por aquele país a familiares do ditador Kadafhi, nenhum deles indiciado pelo Tribunal Penal Internacional…
Voltaremos oportunamente a alguns dos temas acima abordados. Para já aqui estamos a anunciar o regresso deste espaço que queremos que seja irreverente, provocador, politicamente incorrecto e anti-situacionista…