As manifestações que ontem tiveram lugar em 80 países do mundo, Portugal incluído, tiveram impactos diferentes.
Foram gigantescas em Madrid e degeneraram em violência em Roma, curiosamente as capitais dos dois países que estão na mira dos ataques especulativos dos piratas das agências de rating, foram mais pacíficas em Bruxelas e noutras capitais do mundo, e conheceram um recuo em Portugal, se nos lembrarmos, das manifestações do principio deste ano.
No geral, contudo, este tipo de manifestações parece começar a esgotar-se, ao mesmo tempo que revela uma crescente desorganização e até desespero, por parte de quem nelas participa.
O esgotamento destas manifestações pode ter várias explicações, ou talvez seja o resultado da combinação de todas elas:
- muitos acharão que isto já não se resolve de forma pacífica e talvez pensem que começa a ser tempo de responder à letra ao “terror” que sistema financeiro lança sobre os cidadãos;
- outros começam a deixar de acreditar nas formas democráticas de manifestação, e aqui existirão duas tendências, uma que aposta no regresso dos fantasmas do passado (comunismo, fascismo….), outra que continua a apostar na democracia, mas noutra democracia em que os cidadãos tenham mais poder, ambas legitimando-se na falta de democracia das instituições europeias e financeiras que declararam esta guerra aos cidadãos;
- muitos ainda consideram que é tempo de pensar um programa mínimo de acção, questionando a ideologia difusa dos protestos, considerando a urgência em encontrar uma alternativa à actual fase selvagem e neo-liberal do capitalismo;
- muitos ainda continuam a acreditar nas maneiras formais de fazer política, combatendo a situação através da sua participação política em sindicatos e partidos políticos anti-capitalistas;
- muitos outros ainda se encontram de ressaca face às últimas medidas governamentais e talvez comecem a assumir uma atitude mais hedonista, segundo a qual cada um se deve salvar como puder, sem esperança numa melhoria da situação.
Seja qual for a razão para o esgotamento deste tipo de manifestações, o que parece evidente é que o desespero e a desorientação começam a tomar, cada vez mais, conta das ruas e das vidas das pessoas, e isso já se começa notar.
Por isso esta jornada do 15 de Outubro representa uma mudança e o início de uma nova etapa…só não se sabe ainda em que direcção….





























