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terça-feira, 21 de novembro de 2023

No mundo da “rotulagem”


Fascistas, comunistas, social-fascistas, nazis, populistas, antissemitas, terroristas,  islamofóbicos, apoiantes de Putin, apoiantes do Hamas…e outros rótulos.

No mundo das redes sociais é mais fácil rotular que defender ideias, analisar factos, explicar acontecimentos, contextualizar, debater, de forma civilizada, opiniões divergentes.

Infelizmente, essa tendência para rotulagens apressadas, sobre quem pensa de forma diferente da nossa, está a fazer o seu caminho e, pior do que isso, está a provocar guerras criminosas e a tomada do poder por irresponsáveis.

Hoje não se discutem programas políticos, económicos ou sociais…discutem-se…rótulos!

Tentar contextualizar a guerra da Ucrânia é…”justificar” a criminosa invasão russa!!!

Curiosamente, essa invasão foi “justificada” pelo criminoso Putin com a rotulagem dos ucranianos como…”nazis”!!

Claro que, “para a mentira ser segura tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”. Existem nazis na Ucrânia, como o tristemente célebre Batalhão Azov, mas também existem nazis do outro lado, entre as forças russas, sem esquecer a actuação criminoso e terrorista do Grupo Wagner.

Do outro, lado muitos se apressaram a colar o rótulo de “comunismo” a Putin, outra falácia ignorante sobre o que se passa na Rússia, um processo, esse sim fascizante, de tomada do poder por uma clique de oligarcas.

Agora, em relação ao criminosos, e ainda mal esclarecido, ataque dos terroristas do Hamas  a Israel e à criminosa resposta do governo de Israel, voltamos a assistir ao mesmo processo de “terrorismo intelectual”.

Quem chamar a atenção para as origens do problema palestiniano, para a origem do Hamas e condenar os crimes de guerra de ambos os lados em Gaza e na Cisjordânia, passa a ser considerado como “amigo do Hamas”, ou “antissemita”!!!

É mais fácil rotular, do que pensar!

É mais fácil rotular que admitir os nossos erros!

É mais fácil rotular do que admitir os crimes dos que consideramos pertencerem à nossa tribo!

Claro que todos aqueles rótulos tem uma origem histórica e conceptual, mas têm de ser usados com base no estudo da sua história e da sua concepção.

Usá-los como forma gratuita e ignorante de arremesso sobre os “adversários” políticos, mina o debate democrático e sereno que se deve ter sobre os temas de actualidade.

Todos nós podemos cair nesse erro, mas será bom que o procuremos corrigir e denunciar, ou, da barbaridade das palavras, depressa cairemos na barbaridade dos actos.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Arruaceiros ao Poder…os outros já dirigem o futebol!

(caricatura de Herman José à candidata Suzana Garcia)

Parece que o que está na moda na política já não é debater projectos e ideias, mas sim ver quem grita mais alto ou diz o maior disparate ou a maior alarvidade.

É isso que dá direito a comentários nas redes socias ou a aparecer em programas de reality show e nos debates televisivos, para aumentar audiências e ganhar votos.

Suzana Garcia, a candidata à Câmara da Amadora do PSD, é a prova mais recente do grau zero a que chegou o debate político.

Confesso que não me recordo, nas últimas décadas, de ouvir alguém em Portugal, candidato num partido com representação parlamentar, ou mesmo noutros, defender a “exterminação” de adversários políticos.

Foi isso que a candidata afirmou, numa entrevista a um programa de reality show: “Eu espero mesmo que o Bloco de Esquerda seja EXTREMINADO”.

Depois, questionada pelo entrevistador sobre se defendia o mesmo para o CHEGA, acabou por dar a resposta “politicamente correcta”, para parecer independente : “Também”.

Confesso que, desde o nazismo, não me lembro de alguém defender em público a “exterminação” de adversários ou de quem quer que fosse (o que não quer dizer que não se tenha feito, mas raramente assumindo).

O nível arruaceiro a que já estamos habituados no meio futebolista, como tivemos ocasião de assistir ainda na última semana, parece ter agora descido de vez ao mundo da política, tanto mais que não estamos a falar de uma candidata de um qualquer grupo marginal, da direita ou da esquerda, mas da candidata de um partido responsável, fundador da democracia.

Estranho também é o silêncio das redes socias, sempre tão indignadas quando o disparate vem da esquerda, revelando o grau de infiltração e influência, nesse meio, do extremismo de direita, de onde é oriunda a boçal Suzana Garcia.

A arruaça, dominante nos debates das redes sociais, parece estra agora preparada para tomar conta do poder do debate político.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Homenagem ao Jornal



Quanto mais sigo redes sociais, mais saudades sinto da magia de desfolhar um bom jornal e daquele activo cheiro a tinta.

Desde miúdo que me lembro de ter jornais em casa.

Entrei para o mundo através deles, seguindo nos títulos em letras garrafais o que se passava num mundo, que para mim não ía mais longe do que a casa e do que o quintal onde vivia, quanto muito da praceta junto.

As minhas primeiras leituras foram os quadradinhos, de meia página ou página inteira, do suplemento dominical do “Primeiro de Janeiro”, todo em cores vivas, com o “Príncipe Valente” de Hal Foster e o “O reizinho” de O. Soglow, incluindo ainda, na época de Natal, os filmes da Disney aos quadradinhos.

Lá em casa entravam, além do “Primeiro de Janeiro”, do qual o meu pai era correspondente em Torres Vedras, jornais como o “Diário de Lisboa” e a “República” e, mais tarde, “A Capital”.

A eles juntavam-se revistas que o meu pai assinava ou comprava, como a “Vértice”, a “Vida Mundial”, a “Seara Nova” ou o “El Correo da Unesco”.

Por vezes, quando se registavam grandes acontecimentos (como a morte de Kennedy ou a chegada do Homem à Lua) lá se compravam outros títulos, como o “Diário Popular” e o “Século”.

O mau avô era comprador habitual do “Século” e todas as 5ªs feiras dava-me o suplemento infantil de BD “Pim-Pam-Pum”, antes de me começar a dar semanalmente o “TinTin”.

Mais tarde também entrava em nossa casa o “Expresso”, seguido desde o primeiro número.

O grande boom de jornais deu-se com o fim da censura e a leitura começou a ser mais diversificada, juntando-se ao “Diário de Lisboa” , à “República” e ao “Expresso”, lidos colectivamente lá em casa, o “O Jornal” e “O Jornal Novo”, comprados pelo meu pai, e o “Gazeta da Semana” e o “Página Um”  e, mais tarde, o “Diário Popular” (com um excelente suplemento literário) comprados por mim.

Muito mais tarde, aqueles e outros jornais continuaram a entrar regularmente pela casa dentro, a eles juntando-se “O Sete”, o “Jornal de Letras”, "O Europeu" e a revista “Grande Reportagem”….

Com o tempo, o leque de escolha foi-se reduzindo.

Deixou de haver diferenças entre matutinos e vespertinos , que se diferenciavam também pelo formato. Os que saiam de manhã eram de grande formato, os da tarde de formato mais reduzido.

Também deixou de se publicar várias edições no mesmo dia quando de grandes acontecimentos nacionais ou mundiais.

Depois, com o aparecimento das televisões privadas, do “Correio da Manhã” e , principalmente, dos canais por cabo e mais recentemente das redes sociais, quase todos os grande títulos que não alinhassem no estilo tablóide, que não pusessem o futebol ou os crimes em grande destaque nas primeiras páginas começaram a abrir falência.

Os jornalistas deixaram de ter controle sobre os jornais, agora ao serviço da publicidade e do sector financeiro que os controla por inteiro.

Hoje sobra o “Público” e o cada vez mais interessante, apesar do formato um pouco esquisito, “Diário de Notícias”, que, para sobreviver, se tornou semanário, mas que é o único que tem verdadeiras reportagens interessantes de ler ( e por isso, talvez esteja condenado a prazo…!!!).

O resto, com raras excepções, é mixórdia politiqueira, "justiceira", economicista e futebolística, tentando ir atrás do estilo arruaceiro e alarve que domina as redes sociais, cada vez mais a principal fonte de desinformação da maioria.

Quando os jornais acabarem, talvez seja tarde demais para a democracia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Redes Sociais : A verdade da Mentira



O jornalista Paulo Pena continua ao seu excelente trabalho de investigação, nas páginas do cada vez melhor Diário de Notícias (agora semanário), sobre o papel dos sites de fake news a operar em Portugal.

Esta semana dedica-se a divulgar o negócio rentável de alguns desses sites de desinformação.

Para além de divulgarem notícias falsas com objectivos políticos muito precisos (quase todos ligados à extrema direita ou aos ressentidos com a “geringonça”), esses sites gerem milhões em negócios mais ou menos obscuros, desde a fuga de impostos à forma com acedem à informação dos incautos e ignorantes que partilham os seus conteúdos.

Um dos sites com maior êxito usa um título enganador e explora indecentemente o prestigio de uma profissão como a dos bombeiros, intitulando-se mesmo “Bombeiros 24”, que usa, no facebook, um nome vergonhosamente mais enganador: “Bombeiros Portugueses”.

Esse site consegue receber dinheiro pela publicidade que integra no seu espaço e está ligado a um outro site com o estranho nome “Bilbiamtengarsada”.

O “Bombeiros 24” usa ainda um software malicioso que “permite aos administradores dos site receber dinheiro de empresas de venda online. O truque é simples: deixa uma espécie de cookies nos computadores dos leitores que passam assim a ficar associados ao Bombeiros 24. Quando essa pessoa usar aquele computador para, por exemplo, comprar alguma coisa na Amazon, a empresa fica a saber que a venda foi “sugerida” pelo site português e paga-lhe uma comissão”

Uma outra prática desses sites é copiarem noticias de outros órgãos de informação verdadeiros sem pagar direitos e, pelo contrário, obterem lucro com isso, à custa dos “gostos” e partilhas dos incautos seguidores.

Ao reproduzirem noticias verdadeiras da comunicação social, fazem-no de forma cirúrgica, carregando nas noticias que falem de crime e corrupção e focando apenas uma tendência politica, para gerarem e potenciarem um sentimento de impunidade e criminalidade muito maior do que aquele que existe na realidade. Ao mesmo tempo acrescentam comentários tendenciosos e falaciosos.

Esses sites plagiam descaradamente órgão de imprensa, ganham dinheiro com isso e, como estão registados no estrangeiro e mantêm incógnitos os seus administradores, conseguem fugir ao pagamento de impostos pelos lucros obtidos com a publicidade.

Além daquele site, o jornalista identificou, no artigo desta semana e noutros que tem a vindo a publicar, vários sites que funcionam dessa maneira, espalhando desinformação, falsas verdades ou meias verdades (como dizia António Aleixo, “para a mentira se tornar segura tem de trazer à mistura alguma coisa de verdade”), ganhando milhões com isso e fugindo ao fisco em grande estilo.

Muitos usam títulos enganadores, fazendo-se passar por órgãos de informação, outros títulos “engraçados”, atraindo mais incautos que partilham essas “informações”, disseminando-as por milhares de seguidores.

Aqui fica a lista de alguns dos sites denunciados pela reportagem, todos registados no estrangeiro:

-“Semanarioextra”;
-“Jornaldiario”;
-“Noticiario.com”;
-“Magazinelusa”
-“Ptjornal”;
-“Lusopt”;
-“EventoXXI”;
-“JornalQ”;
-“Vamoslaportugal”
-“Lusonoticia”;
-“Altamente”;
-“Cura Natural”;
-“1001 Ideias”;
-“Muito Bom”;
-“Muito Fixe”;
-“Tafeio”;
-“Diariopt”;
-“Tuga.press”;
-“Direita Politica”;
-“Luso Jornal”;
-“Portugal Glorioso”;
-“Bilbiamtengarsada”.
-"Bombeiros 24";
-"Bombeiros Portugueses";
…e muitos outros.

Pela nossa parte tudo faremos para denunciar esses sites.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

As unhas da deputada e os grunhidos das redes socias.


As redes sociais foram invadidas nos últimos dias por uma fotografia da deputada Isabel Moreira a pintar as unhas em pleno Parlamento.

Não me parece que o assunto mereça qualquer atenção.

Mas não foi isso que aconteceu.

À boleia da boçalidade desencadeada pelo estilo “Bolsonaro”, os nossos “facebookianos” da direita, cada vez mais intolerantes, caíram em cima da deputada.

Só o facto de ela ser uma deputada do PS, desassombrada, frontal e que toca em temas polémicos, fez dela o alvo de uma enxurrada de comentários, ao nível do mais repelente grunhido.

Mas isto é notícia? 

Já chegámos ao Brasil?

 Não têm mais nada interessante a fazer a não ser descarregar comentários disparatados?

São todos assim tão puros ou isentos? 

Só deputados da esquerda ( ou "esquerdalhos" como tão bem educadamente se referem a quem pensa diferente) é que têm momentos destes? 

todos esses “pensadores” têm a consciência tão tranquila com o que fazem no trabalho?

O acto da deputada influencia alguma coisa no seu trabalho? 

Estas redes sociais andam mesmo um nojo, e a comunicação social dita "séria" alinha!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Cenas do ódio nas redes sociais (parte 2). As Notícias Falsas em Portugal.




O “Diário de Notícias” deste Domingo publica uma excelente reportagem da autoria do jornalista Paulo Pena, intitulada “Como funciona uma rede de notícias falsas em Portugal”.

Por ela ficamos a saber que vários “sites sediados no Canadá alojam fake news sobre a politica portuguesa. Depois, vários grupos no Facebook, com milhares de membros, divulgam-nas.”

Os referidos grupos e sites são: “Direita Politica”, o mais activo de todos, “A Voz da razão”, “Não Queremos Um Governo de Esquerda em Portugal”, “Video Divertido” e “Aceleras”).

Todos eles estão registados no protocolo de internet (IP) 198.50.102.106. registado no Canadá “em H3E Montreal, Quebec, na empresa iWeb Technologies".

Por detrás daqueles sites está uma mesma empresa de Santo Tirso, a Forsaken, que tem um único dono, João Pedro Roa Fernades, o responsável pelo conteúdo daqueles sites, todos ligados em Portugal à empresa Portugal na Web.

João Fernandes é também sócio de duas empresas têxteis a EMPA e a Larmoderno.

Ouvido na mesma reportagem, João Fernandes, que se considera uma espécie de justiceiro da direita, diz ter como referência jornalistas com Hernâni Carvalho ou Ana Leal, o falecido Medina Carreira, Paulo Morais e “alguns juízes e procuradores” , declarando-se também apoiante “desde o primeiro momento” de Trump e Bolsonaro.

Justifica as mentiras, as meias verdades e as manipulações das notícias publicadas (como “relógio de 21 milhões” de Catarina Martins ou a montagem fotográfica que “mostrava” a nova PGR, Lucília Gago, num “jantar em casa de José Socrates", noticia que chegou a ser divulgada por um site do PSD, mas que a desmentiu depois, com pedido de desculpa) com a possibilidade de pode acontecer “termos uma notícia que não seja 100% precisa”.

Hoje o jornal Público denuncia uma nova fake new que está a ter algum impacto nas redes sociais, mostrando como um sindicato de policias decidiu atacar o ministro da administração interna com imagens falsas.

Essas imagens divulgadas nas redes sociais mostram idosos, vítimas de violência, sugerindo que tinham sido agredidos pelos criminosos que fugiram à policia em Gondomar.

Contudo, os idosos das fotografias  não foram os agredidos pelos assaltos perpetrados por aqueles criminosos, não são portugueses, nem as imagens são  actuais.

O fenómeno, à boleia do apoio implícito ou explicito da opinião pública de parte da direita portuguesa a Bolsonaro, começa a fazer o seu caminho de ódio e intolerância, alimentando o medo e insegurança que estão historicamente na origem da ascensão de todo o tipo de "fascismos" e autoritarismos.

Noutros tempos, o “fascismo” usava a rua para atemorizar, ameaçar, espalhar a intolerância e o ódio.

Hoje usa as redes sociais, espalhando a mentira e a calunia para minar a democracia.

A mentira é o pior inimigo da verdade e a indignação não justifica o recurso à mentira.

Como dizia o ministro da propaganda de Hitler,  a mentira várias vezes repetidas acaba por se tornar verdade.

É assim que funcionam as Fake News, com mentiras, manipulações ou meias verdades, e é assim que os Trump's e os Bolsonaros do nosso tempo chegam ao poder.

A alternativa ao funcionamento de uma justiça democrática, por muito mal que ela funciona, é uma ditadura, onde "não existe corrupção" ou "crime" porque esses assunto são proibidos de divulgar pela censura e os corruptos e criminosos estão no poder ou são coniventes com ele (Salazar até publicou um decreto para acabar com a pobreza...mandando prender os pedintes e os sem-abrigo que fossem apanhados na rua, “acabando” assim com a pobreza em Portugal e, quando das cheias de 1967, proibiu a divulgação do número de mortos para não se notar tanto a tragédia, que também trazia ao de cima a vida miserável de muitos portugueses, os mais atingidos pela tragédia).

Numa ditadura também “não existe crime” porque as notícias sobre ele são proibidas e tudo conduz para uma imagem de “paz e estabilidade”, que era o que acontecia no “Portugal de Salazar”.

Devemos denunciar a corrupção, a mentira e as injustiça, mas quando se usa a manipulação estamos a descredibilizar esse combate, ao mesmo tempo que damos força à intolerância e ao ódio.

Pela minha parte, que acredito que ainda vivemos num estado de direito, só posso exigir justiça contra criminosos e corruptos, mas não alinho na histeria de mentiras, intolerância  e ódio que prolifera nas redes sociais.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Redes Sociais : as cenas do ódio.



Aqui há uma semana atrás (15 de Setembro) “postámos” um cartoon de “Shave”onde se resumia a diferença ente a Verdade e a Pós-Verdade: Verdade – Penso, Logo Existo; Pós-verdade – Acredito, logo estou certo.

A pós-verdade do “acredito, logo estou certo” é hoje a tendência dominante nas redes sociais, uma crença que se baseia numa mistela de “fake news”, preconceitos pessoais (sejam os ideológicos, religiosos, culturais e/ou sociais) e ignorância.

Uma mistela que, usando a estratégia de Goebbels, o ministro da propaganda nazi, segundo a qual “uma mentira várias vezes repetida acaba por se tornar verdade”, tornou-se o principal modo de fazer passar a “mensagem” dos movimentos populistas de extrema-direita.

Seguindo com alguma atenção a comunicação social e as redes sociais que acompanham o fenómeno “Bolsonaro”, como já tinha acontecido com Trump, o ódio e a desinformação que prolifera nas redes sociais revela-se assustador.

Não é por acaso que Trump recorreu a elas para se fazer eleger e para governar um país como os Estados Unidos.

Também Bolsonaro, que se recusa a explicar publicamente o seu programa para governar o Brasil e foge do debate franco e aberto com adversários, prefere as redes sociais para fazer passar a sua mensagem de ódio.

Ambos exploram os medos mais primários, com recurso às meias verdades, às falácias e  à simples mentira.

Pelo que temos assistido, o ódio está a ser a arma de uma nova geração de lideres ou candidatos a líderes da extrema direita que procuram fazer passar a sua mensagem, com o objectivo de se conseguirem  fazer eleger por um eleitorado cada vez mais fanatizado pelas redes sociais.

Hoje, nas redes sociais, é cada vez mais difícil debater ideias que sejam contrárias ao “mainstream” imposto pelas Fake News, pela imprensa tablóide, e por um jornalismo que substitui a informação pelo comentário tendencioso, sem se ser insultado.

Aliás, o próprio formato dessas redes sociais é contrário a análises mais profundas que um grunhido de uma ou duas frases feitas (eu, culpado, me confesso: muitas vezes não escapo à onda).

Num Blog ainda é possível alinhavar um texto com principio meio e fim. Mas no facebook, pela rapidez efémera da sua lógica de funcionamento e, pior ainda, no Twiter, limitado a frases curtas, tudo o que passe de uma frase feita propagandista acaba rapidamente no esquecimento.

Ora o Facebook e o Twitter são hoje os meios preferidos, com a eficácia conhecida, para os extremistas do nosso tempo fazerem passar a sua mensagem de ódio, intolerância e ignorância, com o fazem Trump ou Bolsonaro.

O grande drama dos nossos dias é que a chamada imprensa de referência se deixou cair na armadilha das redes sociais e procura navegar a mesma onda, preferindo explorar títulos especulativos e de leitura rápida e recorrer ao comentador cheio de certezas, a procura explicar e analisar criticamente a realidade cada vez mais complexa em que vivemos.

Claro que existem excepções, mas estas (jornal “Público” e “semanário” “Diário de Noticias” e mais um ou outro caso no “Expresso” e nas televisões e rádios - RTP 1, 2, 3 e Antena 1, e, mais isoladamente, na SIC Notícias) são cada vez mais raras e minoritárias e pagam a sua “ousadia” com crescentes dificuldades financeiras ou quebra de audiências, audiências cada vez mais fanatizadas pelo estilo das redes sociais.

O que domina é o estilo arruaceiro e intolerante de um Miguel Sousa Tavares ou de uma Manuela Moura Guedes, embora bem informado, mas que usa a informação com meias verdades e falácias e eivada de fortes preconceitos ideológicos, o estilo que consegue dar audiências e concorrer com as redes sociais ,  exactamente porque usa o mesmo estilo que é dominante nestas.

O “caso Bolsonaro” veio trazer a evidência do crescimento da linguagem do preconceito e do ódio, que já era perceptível e latente, e é cada vez mais dominante nas redes sociais.

A melhor forma de resistir a essa onda dominante é opor o “pensar” ao “acreditar”, com a humildade de quem “só sabe que nada sabe” e que muitas vezes pode não estar certo.

As Redes Sociais em Cartoon's

sexta-feira, 13 de abril de 2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

REDES SOCIAIS : Entre a manipulação e democracia.



O papel das redes sociais na divulgação de mentiras e na promoção do ódio e da ignorância tem sido um dos mais vivos temas de discussão.

O debate não é muito diferente daquele que, desde o século XIX, de faz sobre a massificação da comunicação social, desde a expansão do jornalismo no século XIX por obra das grandes inovações das técnica tipográficas, passando pela expansão do cinema e da rádio, no inicio do século XX, até à expansão da televisão no pós-guerra.

Perder o controle da comunicação e da palavra, democratizando-a, sempre incomodou as elites e os poderosos de todos os tempos.

A questão é sempre a mesma. A expansão desses meios de comunicação, ao mesmo tempo que expandia e democratizava o acesso à informação, tornava-se uma forma cada vez mais eficaz de manipular essa mesma informação ao serviço de ideologias antidemocráticas.

O nazismo e o stalinismo foram os exemplos mais gritantes dessa nova realidade.

Hoje as redes sociais são o meio privilegiado dos novos demagogos, e, porque não dizê-lo, dos novos fascismos deste inicio de século. Trump e Putin são os melhores exemplos do poder de manipulação dessas redes sociais.

Mas, tal como aconteceu com a imprensa, o cinema, a rádio ou a televisão, as redes socias vieram para ficar e não é limitando-as, com um novo tipo de censura, que se combate o seu lado negro.

As redes sociais são uma ferramenta. O seu conteúdo depende de quem as usa e do objectivo como é usado.

Manipulação, mentira, falácia, mau-gosto, ignorância, ódio,  intolerância e demagogia também existiram e existem nos outros meios de comunicação.

A diferença é na dimensão e na rapidez da expansão de todas essas atitudes perversas e perigosas.

A liberdade, a democracia e a verdade não podem recorrer à censura para evitar os abusos, mas podem combate-los com melhor informação, denunciando e combatendo, taco a taco, essas perversões.

Este é um combate diário de todos os que abominam a manipulação, a mentira, a falácia, o mau-gosto, a ignorância, a intolerância e a demagogia.

Esse combate é uma obrigação daqueles que, usando as redes socias no sentido de divulgar e esclarecer, apresentar vozes diferentes, mostrar outras realidades, debater de forma ponderada os temas do momento, acreditam que as redes sociais podem tornar-se, maioritariamente, o grande porta voz da democracia e da liberdade.