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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

BLITZ…acabou o papel!


Acaba de sair para as bancas o último número da revista Blitz.

Revista fundada em 1984, então em formato de jornal e semanário, tornou-se na principal revista de referência dos amantes da musica popular.

Por esse tempo, participando no movimento das rádios locais, a compra regular das edições semanais do jornal era um momento fundamental para acompanhar as novidades e revelações do mundo da musica, auxiliar fundamental para quem mantinha programas de rádio que procuravam ser originais, embora esses programas procurassem ser muito mais que um gira discos radiofónicas.

Graças ao Blitz descobri muitos dos grupos que me acompanharam como “banda sonora” desses dias das décadas de 80 e 90.

Mais tarde o Blitz transformou-se em revista e mensário e deixei de a acompanhar com a regularidade da sua fase anterior, até porque os meus interesses se viraram para outros temas e me desiludi depressa das rádios locais, que perderam toda a sua irreverência, criatividade e novidade.

Hoje o Blitz despede-se dos seu leitores, editando a última edição em papel, embora mantendo uma edição digital.

E despede-se em grande, reproduzindo um longa e inédita entrevista com o Zé Pedro, onde ele se refere ao célebre concerto dos Xutos, na praia de Santa Cruz, ao qual me referi em post anterior (AQUI).

É com um excerto dessa referência que me despeço deste original projecto editorial, mais uma vitima dos “novos tempos” digitais:


“Lembro-me que, num dois primeiros concertos que tivemos, com os Minas & Armadilhas, no antigo Casino da Praia de Santa Cruz, as bandas dormiam no palco. Tocávamos duas noites e nem saiamos dali. De manhã eu e o Kalú estávamos a ressacar e, entre cervejas eu digo-lhe: “nós vamos ser a melhor banda de Portugal. Ainda havemos de fazer a primeira parte dos Rolling Stones, vais ver. Escreve aquilo que te estou a dizer: vamos ser abanda número 1 em Portugal”. E isto no segundo ou terceiro concerto que demos. Não sei como explicar, mas tinha essa convicção e incutia isso neles. E quando fizemos a primeira parte dos Rolling Strones, o Kalú lembrou-se: “dissemos isto há anos!” (…)”.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O Respigo da semana : "Como pôde Bowie fazer-nos isto?", por Lia Pereira, jornalista do Blitz


Como pôde Bowie fazer-nos isto?

por Lia Pereira

In Blitz - 11.01.2016

"Mais do que uma surpresa, a morte de David Bowie, ontem, aos 69 anos, parece quase uma traição. Mas a forma como planeou tudo é apenas mais um sinal do seu génio.

"Acordar numa segunda-feira de manhã e, ao ligar o telemóvel, levar com uma enxurrada de mensagens de amigos e conhecidos, todos batendo na tecla do "já soubeste?" ou "que tristeza", não só não pode agoirar nada de bom como causa uma angustiante confusão.

"Naqueles segundos entre a remela e o abrir do estore, cheguei a pensar que tinha morrido alguém que conhecia na vida real. E, depois de perceber que quem tinha partido fora David Bowie, não fiquei bem convencida do contrário.

"Depois do choque, o rewind ensonado. Então mas o homem não tinha lançado um disco, ainda por cima dos bons, há poucos dias? Não estava "em exibição" no mural de metade dos meus amigos, encantados com a sua vitalidade artística e resistência à passagem de anos e modas, tão enamorados por “Blackstar” como outrora por “The Man Who Sold the World” ou “Ashes to Ashes”? Deve ter sido repentina, a sua morte, pensei. Não foi, claro, e se nas primeiras horas de confronto com a notícia a pergunta que mais me martelava a cabeça era “como pôde David Bowie morrer?", gradualmente a formulação passou a ser: “como pôde David Bowie morrer assim?”. E por assim refiro-me ao inacreditável controlo, criativo e não só, que, sabemo-lo agora, o britânico conseguiu manter até à sua última hora.

"25º disco da sua carreira e o primeiro sem a sua imagem na capa, Blackstar está cheio de mensagens nada crípticas. Das letras e vídeos do tema-título e de “Lazarus” (Look up here, I’m in heaven, começa por cantar), ao facto de, no passado mês de dezembro, David Bowie ter “mandatado” Michael C. Hall, o ator de Dexter e protagonista do musical bowiesco Lazarus, para cantar o single do mesmo nome num programa da televisão norte-americana, tudo nos parece (agora!) apontar para o canto de cisne do homem que escreveu – e quebrou – muitas das regras do livro da pop nas últimas cinco ou seis décadas. Não vimos porque não quisemos ver, ou não acreditámos porque quem se mostrava (no vídeo de “Lazarus”) preso a uma cama de hospital fez da ilusão o seu ofício vitalício?

"Tantas séries de crimes não nos prepararam para isto, ainda que com elas tenhamos aprendido que, por vezes, a melhor forma de esconder algo é deixá-lo bem à vista de todos.

"Resta-nos o espanto perante a grandiosidade do último ato de David Bowie (ao qual não é alheio o humor possível: a sua conta do Twitter regista que, na noite em que morreu, aquele a quem muitos chamavam Deus passou a seguir - o outro - Deus naquela rede social). 

"Showman até ao fim, passou os seus últimos meses a preparar um trabalho monstruoso, deixando-nos não só um belo e estranho álbum, como um rasto de pistas sobre o seu fim iminente. Pode não ter sido capaz do derradeiro truque – enganar a morte, como Lázaro, personagem bíblica que Jesus Cristo consegue, ao quarto dia, ressuscitar – mas controlou ao máximo cada pormenor da via-sacra que, tudo indica, percorreu até 10 de janeiro, dotando-a de uma beleza tão arrebatadora como improvável.

"Como pôde Bowie fazer-nos isto? Sendo Bowie, claro".

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Rolling Stones em Portugal: recorde aqui os cinco concertos [fotogaleria] - BLITZ

Hoje é dia de Rolling Stones, ou, como diz o genial título da notícia do Público ; "Hoje não é dia de Rock in Rio Lisboa, hoje é dia de Rolling Stones".

Em 1990 eles estiveram em Portugal pela primeira vez e actuaram no antigo Estádio de Alvalade.

Foi essa a única vez que os vi ao vivo e já então eram uma lenda.

Os videos que reproduzimos em baixo são todos dessa digressão, embora em concertos fora de Lisboa.

A recordação das suas passagens por Lisboa pode ser vista no site do Blitz que pode ser consultado em baixo.

Em 1990 a musica e a lenda ainda actuavam juntos.

Penso que hoje vai actuar mais a lenda do que a musica.

Mas a sua passagem por qualquer lado é sempre um acontecimento.

Eles já não trazem nada de novo à musica popular, mas a sua história confunde-se com a história do rock.

A minha admiração pelos Stones é evidente, até pelo título deste blog, que adoptei, ainda em 1979 quando comecei a escrever uma crónicas, com esse título, no suadoso jornal "Área", mas hoje já não me cativam ao ponto de me levarem ao concerto do Rock in Rio. 

Quem os viu em 1990 já não iria achar muita piada em revê-los hoje.

Mas quem nunca os viu, não deve perder esta oportunidade de estra junto da lenda.

Rolling Stones em Portugal: recorde aqui os cinco concertos [fotogaleria] - BLITZ (clicar para ver)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Viver com música de fundo (a propósito do 25º aniversário do BLITZ)



São títulos como este que nos fazem tomar consciência quanto velhos nós estamos (ou, como diria uma amiga minha, “antigos”…).

Ainda sou do tempo da rádio e do vinil.
Muitos acontecimentos da minha vida estão associados a determinadas canções. Por vezes parece que esta ou aquela música me conduzem, como uma máquina do tempo, a um determinado momento da minha vida.
Um dos primeiros acontecimentos de que me recordo foi o anúncio, na rádio, da morte da Edith Piaf. O rádio e os seus sons acompanharam-me ao longo da infância.

No início da adolescência foi o tempo do vinil. Graças ao meu amigo Mário Rui Hipólito, fiquei a conhecer muito do que mais interessante se fazia no final dos anos 60 e princípio da década seguinte em termos de pop-rock. Hoje o Mário, que é também excelente fotógrafo, especializou-se no jazz.
Depois foi o tempo eufórico de 74/75,com dezenas de espectáculos do chamado “canto livre” e o grupo de amigos onde pontificavam alguns que se aplicavam na aprendizagem da guitarra acústica (para além do Mário Rui, também o “Janeca”, o João Nogueira, hoje prestigiado músico de jazz).
Uma das minhas grades frustrações foi nunca ter aprendido a tocar música, mas, ainda hoje, não consigo passar sem ela.

Quando recebi o meu primeiro ordenado a sério, no princípio dos anos 80, gastei quase tudo a comprar LP’s, chegando a possuir uma grande colecção de vinil, hoje substituída pelos cd’s. Confesso que ainda não aderi aos downloads. Passar para o CD já foi um caso sério, foi perder um contacto quase físico e afectivo com um objecto completo como era o vinil e as capas que o guardavam.

Os anos 80 foram também os anos da aprendizagem na busca de sons inovadores, graças aos programas do Rádio Clube Português em FM, mais tarde Rádio Comercial, que se caracterizavam por serem programas de autor, onde se passavam álbuns completos, onde ainda não tinham chegado as irritantes playlists que hoje dominam a maior parte do espectro radiofónico, no intervalo da publicidade.
Foi nessa altura que apareceu o BLITZ, uma espécie de Bíblia de todos aqueles que gostavam da musica nova, quase experimental, que então se fazia, em ruptura com os doces e sinfónicos anos 70.
Foi também a época em que pude por em prática os meus conhecimentos assim adquiridos, colaborando activamente no movimento das rádios locais. Infelizmente este movimento gerou, com raras excepções, aquilo que é hoje, uma imensa discoteca ambulante, sem originalidade, refém dos top’s e da publicidade, onde apesar de tudo alguns raros continuam a resistir, como é o caso, aqui em Torres Vedras, do Víctor César.

De tudo isto me recordei ao desfolhar esta edição comemorativa do BLITZ, com um conteúdo bastante interessante.
Esta edição percorre 50 anos de música em Portugal, pedindo a um grupo de especialistas para indicarem os melhores trabalhos de cada década. Lá estão o Carlos Parede, o Zeca, o Rui Veloso, e tantos outros que é gostoso recordar.
Duas entrevistas originais com Mariza e David Fonseca, conduzidas respectivamente por Pinto Balsemão e Ricardo Costa, bem como a divulgação de parte do projecto fotográfico “By Invitation Only”, do britânico Simon Fredericck, que passou três meses a fotografar alguns dos maiores nomes da musica portuguesa contemporânea, fazem desta edição do BLITZ um número de culto, a não perder.