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domingo, 23 de outubro de 2022

O que me ensinou o Dr. Adriano Moreira

                               

                                                         (foto revista Sábado)

Aprendi a respeitar e tolerar “adversários” com o meu pai, mas foi ao cruzar-me, ao longo de um dia inteiro, com  o Dr. Adriano Moreira que aprendi, definitivamente, a praticar o respeito e a tolerância pelos que pensam politicamente diferente de mim.

Foi a altura certa aquela em que me cruzei como “Senador”, jovem como eu era, ainda imbuído de certezas e da “superioridade moral” das minhas convicções.

Nesse diz desfiz preconceitos, sem abdicar das minhas ideias, e tive o privilégio a assistir àquela que foi, talvez , a única aula de que me lembro daquele curso, uma aula sobre estratégia atlantista.

Adriano Moreira é daquelas figuras que sempre souberam estar à frente do seu tempo e nos ajudaram a construir uma democracia tolerante e nos convidam a cultivar todos os dias a procura da compreensão do mundo à nossa volta.

Faz falta a sua maneira sábia e abrangente de conhecer a realidade histórica que nos rodeia, alargando o horizonte para além do que o nosso “nariz” alcança.

Numa época dominada por fake news, imeditismos, parcialismo, propaganda, intolerância, pensamento único, a sua visão abrangente e sábia, se já era rara, torna-se agora uma perda irreparável.

Que descanse em paz.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

No 90º Aniversário do Professor Adriano Moreira.




Aí pelos idos dos anos 80, logo no início, eu e o meu amigo Travanca (que daqui  felicito pela sua rápida recuperação…) resolvemos frequentar , em horário pós-laboral, uma disciplina de opção do curso de História, na Faculdade de Letras de Lisboa, para completarmos a licenciatura.

Como não conseguimos vaga nas disciplinas que pretendíamos frequentar, tivemos de nos sujeitar às sobras e acabámos inscritos numa disciplina, da qual já não me lembro o nome, leccionada por um professor de quem ainda menos me recordo o nome, qualquer coisa que tinha a haver com relações internacionais.

As aulas eram uma seca, um autêntico desastre, e o professor um cromo reaccionário e incompetente. Até que um dia o professor anunciou que tinha convidado para leccionar a aula seguinte o professor Adriano Moreira.

Devo dizer que na altura ainda me moviam alguns preconceitos ideológicos sobre a direita portuguesa e por isso pensei que essa aula era apenas o culminar do desastre autêntico em que aquelas aulas se tinham tornado.

Para meu espanto, a aula dada por Adriano Moreira foi de uma clarividência, tolerância e sabedoria a que muito raramente assisti no ensino superior. Não me lembro de mais nada daquela disciplina e do professor que a leccionava, mas a aula do professor Adriano Moreira ficou-me na memória para sempre.

O tema era um tema querido do professor Adriano Moreira, a importância estratégica do Atlântico e eu próprio escolhi o tema dessa conferência para o meu trabalho final dessa disciplina.

A partir de então quebrei de vez os preconceitos ideológicos que ainda tinha em relação às pessoas oriundas da direita, sem abandonar as minhas convicções,  e essa aula  em muito contribuiu para a minha abertura dialogante com muitos que hoje são meus amigos e militam nos partidos de direita.

Um homem com Adriano Moreira é um dos últimos exemplos vivos de uma geração que lutava com convicção pelos seus ideais, de esquerda ou de direita, mas sempre com uma preocupação em fundamentar no estudo, na tolerância e na humildade as suas opções.

Neste dia do seu 90º aniversário, daqui envio um forte abraço a desejar-lhe um Feliz Aniversário e um vida longa.