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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

70 velas

(primeiras páginas do Jornal "Diário de Lisboa" de 10 e 11 de Fevereiro de 1956)

Há uns anos, quando passei por um problema de saúde grave, temendo não sobreviver muito tempo, fiz um primeiro desejo, chegar ao fim daquele ano para assistir à primeira eleição de um presidente negro nos Estados Unidos (Obama). Esse desejo concretizou-se.

Depois, como as coisas foram correndo bem, alarguei um pouco o espaço temporal desse desejo, ver a minha filha a atingir a maioridade. Felizmente este desejo também se concretizou.

Percebendo que o risco de mortalidade se ia afastando, atrevi-me a fazer um último desejo: chegar aos 70 anos e o resto era ganho.

E aqui estou!

Agora é viver o tempo restante, enquanto valer a pena, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista intelectual.

Até aos 80 é planear ano a ano, ou de dois em dois anos como vai acontecer com a renovação da carta, dos 80 aos 90, se lá chegar, é planear mês a mês e, se por ironia do destino, chegar aos 90, desde que autónomo física e mentalmente , é planear semana a semana.

No historial de família, excluindo o caso do meu pai que não chegou aos 50 e a minha avó paterna que faleceu ao 79, ambos os avôs faleceram aos 83, a minha avó materna aos 94, até agora a recordista, a minha mãe já conta 93 e as minhas tias viveram todas até aos 90.

Há pouco mais de 150 anos, como pude confirmar numas listas censitárias para este concelho, os 70 anos eram mesmo o limite, contando-se pelos dedos das mãos os que ultrapassavam aquela barreira.

Como me sinto ao chegar aqui? A mesma pessoa que fui crescendo ao longo destas 7 décadas, que tem as primeiras memórias de acontecimentos familiares e de vizinhança a partir dos 3 anos, (várias mudanças de casa e de terra em 1959, fixando-me finalmente na Praceta Afonso Vilela onde fiz os 4 anos em 10 de Fevereiro de 1960),  mas só se apercebeu que havia um mundo mais vasto pelos 6/7 anos, como se comprova pela datação dos primeiros acontecimentos de que me lembro : o “grande assalto ao comboio” em Inglaterra em 8 de Agosto de 1963, muito comentado nas noticias e lá por casa; a morte de Edith Piaf (notícia que me lembro de ouvir anunciada na rádio) em 10 de Outubro de 1963; o assassinato de John Kennedy em 22 de Novembro de 1963, cujas imagens vistas na TV, muito me impressionaram.

Além disso faço, parte de uma geração que viveu grandes acontecimentos e grande mudanças. Só para citar algumas dessas mudanças, antes de atingir a maioridade, os Jogos Olímpicos de 1964, em Tóquio, os primeiros a serem transmitidos para todo o mundo pela televisão, a inauguração da ponte sobre o Tejo em 6 de Agosto de 1966, a morte de Walt Disney em 15 de Dezembro de 1966 (ávido leitor dos Tio Patinhas, Zé Cariocas e Mickeys que o meu avô me dava, essa morte foi a primeira morte que senti profundamente como uma perda pessoal, passando a ter a noção de como a morte ceifa as referências que julgávamos imortais), a Conquita do Espaço, cujas aventuras seguíamos com entusiasmo aqui por casa, e que culminou com a chegada do Homem à Lua em 20 de Julho de 1969, o despertar do rock and roll, à volta dos êxitos do Beatles, as grandes cheias de 1967 e o terramoto de 1969, a agitação politica de 1969 e 1973 e, finalmente, entre outros acontecimentos, o 25 de Abril de 1974, que me apanhou nos meus 18 anos.

Esse ano distante de 1956, sem que tivesse então consciência, foi também um ano rico em acontecimentos que marcariam o rumo do mundo: em 26 de fevereiro  Nikita Kruschev denunciou os crimes do stalinismo, em Outubro a invasão da Hungria pelas tropas soviéticas. Nesse ano Marrocos e a Tunísia tornaram-se independentes, e deu-se a nacionalização do Canal do Suez por parte de Nasser do Egipto, provocando uma curta guerra no Médio Oriente. Juan Manuel Fangio sagrou-se pela 4ª vez campeão de Fórmula 1 e tiveram lugar os Jogos Olímpicos de Melbourne. Na musica, Elvis Presley era uma das grande novidades. Nesse mesmo ano morria Bertolt Brecht enquanto Fidel Castro iniciava, na Sierra Maestra, o movimento que levaria o “castrismo” ao poder na ilha de Cuba três anos depois. Em Portugal a Fundação Gulbenkian iniciaou a sua actividade.

Esse foi o último ano sem televisão em Portugal mas, ainda nesse ano, em 4 de Setembro de 1956, tiveram lugar emissões experimentais da RTP na da Feira Popular, preparando o inicio de emissões regulares que se realizaram a partir de 7 de Março de 1957.

Numa geração marcada pela cultura da imagem (cinema, Banda Desenhada e Televisão), que começou a substituir a geração anterior muito marcada pela cultura literária e tendo-me tornado um apaixonado pelo cinema, a lista de filmes estreados nesse ano de 1956 é, só por si, uma mostra invejável do melhor da história da 7ª arte : Os Dez Mandamentos de Cecil B. DeMille;…e Deus criou a mulher de Roger Vadim com Brigitte Bardot; O Gigante de George Srevens com James Dean, Elisabeth Taylor e Denins Hopper; O Pecado Mora ao lado de Billy Wilder com Marilyn Monroe; O Homem que Sabia de Mais de Alfred Hitchcock; O Sétimo Selo de Ingmar Bergman; A Desaparecida de John Ford; Fugiu um condenado à morte de Robert Bresson; Um Roubo no Hipódromo de Stanley Kubrick; Moby Dick de John Huston;Noite e Nevoeiro de Alain Resnais, entre tantos outros.

Na outra arte que povoou  a minha infância, a Banda Desenhada, assinale-se nesse ano de 1956 a edição em álbum da aventura “Marca Amarela” da série Blake e Mortimer, um dos meus álbuns preferidos da minha série e autor preferido, bem como a criação da série Gil Jourdan, de Maurice Tellieux, o inicio das aventuras da série espanhola  “EL Capitan Trueno”, criada pela dupla Victor Mora e Ambros, editada em Portugal nuns pequenos livrinhos em formato italiano com o nome de “Capitão Trovão”, cujas aventuras eu devorei na infância. Dois outros gigantes da BD, Jules Feiffer e Benito Jacovitti, iniciaram a sua actividade nesse ano de 1956. A grande revista de BD que então se publicava em Portugal era o “Cavaleiro Andante”.

O país vivia então sob a ditadura de Salazar, sujeito a uma censura férrea, que castrava iniciativas culturais, informativas e jornalística, ao mesmo tempo que a PIDE e os seus informadores vigiavam qualquer conversa de café. Depois da agitação do pós guerra, com o MUD Juvenil em 1946, e a dois anos do abalo das eleições de 1958 de Humberto Delgado, o regime ditatorial vivia um período e alguma acalmia e estabilidade.

O que mais custa é ver numa tão longa caminhada é a lei da morte a despovoar as nossas referências, nas amizades, na cultura, na política, no desporto , na arte ou no simples encontro de rua.

O mundo que me viu nascer era um outro mundo muito diferente do actual. Ter testemunhado tantas mudanças é um dos grande privilégios de se chegar a esta idade.

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

E O MEU VOTO VAI PARA…


 …Bem!...é mais fácil dizer para onde não vai.

Não vai NUNCA para o André nem para o Cotrim, nem na primeira, nem na segunda volta e, se por azar e desgraça da nossa democracia (Lagarto!Lagarto!Lagarto) as emanações locais, respectivamente, de um Trumpezinho ou de um Mileizinho, fossem à segunda volta, votaria em branco, ou ainda pior.

Na primeira volta o meu voto também não vai, de certeza, nem para o Almirante nem para o  “pequenote”, embora tenha de votar num deles se forem à segunda volta contra um dos anteriores, enfrentando outra escolha difícil se os dois forem à “final”.

A minha dúvida está entre um Filipe, o único candidato capaz mas sem possibilidade de ir à segunda volta ou, se alguma vez por milagre, coisa pouco aceitável para um “comunista”, lá chegasse, teria de enfrentar o inferno na Terra e teria uma presidência ingovernável, e o cinzentão Seguro, o único candidato da esquerda que pode chegar a uma segunda volta e em quem votarei, se aqui chegar, contra qualquer um dos quatro cavaleiros do apocalipse acima mencionados.

Escolher entre estes dois vai ser o meu dilema, numa decisão que só tomarei, como acontece com cada vez mais frequência, na hora de me abrigar para colocar a cruzinha no boletim.

E tenho dito!

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

BURKA ou NÃO BURKA, EIS uma NÃO QUESTÃO.


Não me lembro de ver uma burka por aí.

O único sítio onde as vi em grande quantidade foi em Londres, às compras nos grandes armazéns, num país onde a burka não é proibida.

Aliás, o uso da burka é só aplicado obrigatoriamente nalguns países de islamismo radical, de língua inglesa, como na Arábia Saudita e no Afeganistão (não no Irão, a indumentária é diferente).

Uma coisa que vi recentemente e que me chocou foi ver uma família de judeus radicais em Antuérpia, o homem à frente e as mulheres atrás, com o uso obrigatório de perucas para esconder o verdadeiro cabelo. Mas com esses ninguém se mete.

Claro que sou contra essa obrigação e é aviltante para as mulheres que são obrigadas a usá-la.

Mas, em Portugal, o principal problema das mulheres é a violência doméstica, o machismo tóxico das ruas e das redes sociais, as desigualdades salariais e nas progressões de carreira.

 Não vejo os mesmos deputados preocupados com a Burka, e os seus apoiantes aqui nas redes sociais, a preocuparem-se no parlamento com a real situação das mulheres em Portugal referidas no parágrafo anterior.

Simbolicamente, "Burkas há" muitas ó meus palermas", como aquelas "usadas" nas redes sociais pelos que se escondem atrás do anonimato, dos falsos perfis e da cobardia que a distância permite para insultar, ofender, divulgar fake news e discursos de ódio e racistas.

Enfim, uma não questão para nos distrair dos reais problemas deste país.

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

A Guerra…como Crime de Guerra.


Para mim, um negociante de armas ou um traficante de droga estão no mesmo patamar da ignominia humana.

Muitas vezes essas actividade andam ligadas, apoiadas num terceiro pilar, o do mundo da alta finança especulativa.

Só gente sem escrúpulos morais e humanos se pode sentir à vontade nessas actividades.

Esta reflexão vem a propósito da recente leitura do livro Uma História dos Bombardeamentos, do sueco Sven Lindqvist (1932-2019), obra editada em 1999 e só recentemente, em Fevereiro de 2025, editada entre nós pela Antígona, com tradução de Ana Diniz.

Este livro aborda a forma como uma nova forma de fazer a guerra desde meados do século XIX, os bombardeamentos aéreos e de longa distância, contribuiu para uma crescente desumanização criminosa do acto de guerra.

Beneficiando da evolução tecnológica, essa forma de guerra está na origem dos maiores massacres e genocídios iniciados pelo “civilizado” mundo ocidental, praticado inicialmente apenas contra os povos que reagiram ao colonialismo europeu, sem levantar grandes dilemas morais, já que esses povos eram considerados e propagandeados como “incivilizados”, “atrasados” ou “selvagens”, desculpando todas as formas de violência sobre eles, em muitos casos autênticos genocidios.

Foi a partir das duas guerras mundiais que essa forma de fazer guerra se estendeu ao solo europeu.

O livro de Lindqvist desmonta muitas das ideias feitas sobre a superioridade moral e civilizacional do ocidente, com exemplos concretos dos efeitos das guerras conduzidas pelo ocidente ao longo do século XX.

Aborda também os dilemas da guerra nuclear iniciada pelos Estados Unidos, ao bombardearem, sem justificação, duas cidades japonesas. Como explica o autor, depois do violento e desumano bombardeamento de Tóquio dias antes, o Japão estava decidido a render-se, mas os aliado protelaram essa negociação para poderem “experimentar” a nova bomba. Quando, após aquele crime, muitos preconizaram tornar o uso e acesso às armas nucleares um crime de guerra, foram, mais uma vez os Estados Unidos que impediram essa decisão, com o resultado que conhecemos-

Infelizmente, os piores receios do autor estão hoje à vista de todas, vivendo nós num mundo onde defender o pacifismo e contestar a propaganda armamentista é “sinónimo” de cedência ou colaboração com o “inimigo do ocidente” e dos “valores ocidentais”, onde o “outro” é diabolizado para justificar o aumento de gastos com “defesa”.

Este livro é, assim, um forte manifesto anti guerra, hoje mais actual do que nunca.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A Classe Média, segundo Montenegro


Segundo Montenegro, uma casa de renda de 2 mil e trezentos euros define uma família de classe média.

Como estamos a falar de uma família, além dos  2 mil e 300 euros de renda, terá de pagar água, luz, alimentação e telefone, precisando de, no mínimo, outros mil euros para esses gastos, sem esquecer os gastos com o o automóvel (sim, classe média tem automóvel) e gastos culturais, ou seja, outros mil euros.

Assim, para ser classe média em Portugal, segundo o senhor Montenegro, uma família tem de ter um rendimento mínimo, já com os descontos fitos para o IRS, de cerca de 4 500 euros...limpos.

Concluindo e resumindo, por aquilo que recebo devo pertencer à classe dos indigentes. 

Pelos visto tenho direito a subsidio de sobrevivência e de insercão, e não sabia... e como eu mais um 9 milhões de portugueses!!!!

quinta-feira, 26 de junho de 2025

O Mark Rutte já anda por aí? Já andam a angariar para as despesas com a defesa?

 


NATO, Rutte e Oliveira da Figueira

 

(cartoon de Vasco Gargalo)

“No contexto atual da aposta no rearmamento desenfreado, que fará com que “a Europa pag[ue] em GRANDE, como deve” (nos termos da mensagem que o secretário-geral da NATO enviou a Trump), isto significa vender-nos “o medo como motor económico e, pior de tudo, é fazê-lo passar por uma boa ideia” (Marga Ferré, Público.es, 28.4.2025) e vendê-lo como catalisador da economia, ocultando ou relativizando o que desde o início só os mais descarados assumiram: “O Estado social europeu acabou” e, para pagar o rearmamento, haverá que cortar nas pensões de reforma, porque “não se pode pedir aos jovens que peguem em armas e [ao mesmo tempo] cuidar dos velhos num determinado estilo. Os governos terão de ser mais severos com os idosos”. Ora, como “as democracias ricas precisam de uma crise aguda para desencadear uma verdadeira mudança”, porque “é quase impossível convencer os eleitores a fazerem reformas drásticas enquanto o seu país não estiver a atravessar uma crise aguda” (Janan Ganesh, FinancialTimes, 7.3 e 2.1.2025), o que é preciso é criar essa crise.

“É aqui que entra o securitarismo. “Para criar medo, precisam de um monstro, de um Outro a odiar, de um inimigo ameaçador. Para os portadores do ódio belicista, esse Outro contra o qual se armam, esse inimigo aterrador (seja ele qual for, terrorismo fundamentalista, migrantes, Rússia, Irão, China…) tem um alcance muito vasto e é invulgarmente flexível” (M. Ferré)”.

[Manuel Loff, “Os frutos da política do medo”, in Público de 25 de Junho de 2025].

As duas frases acima transcritas, do artigo de Manuel Loff, resumem tudo o que se tem passado nos últimos dias nas chancelarias ocidentais e no politburo da União Europeia, culminando na vergonhosa bajulação a Trump na cimeira da NATO.

Por muito que nos prometam que os tão badalados gastos militares não vão corroer e destruir as estruturas do “estado social europeu”, é evidente que essa promessa é impossível de cumprir, tendo em conta a percentagem do PIB alocado à defesa. Sé em Portugal, já o sabemos, 2,1% corresponde a mil milhões de euros de gastos públicos anuais, que vão duplicar até aos 5% nos próximos anos, já se percebeu que esse valor não vai surgir do nada, vai implicar cortes, os do costume: pensões, salários, saúde, educação e  direitos sociais.

Ora, se tivermos em conta que o chamado “Estado Social Europeu” era a principal bandeira apresentada pela União Europeia que justificava a sua “superioridade civilizacional”, com a sua destruição ou enfraquecimento pouco restará desse projecto.

Sabemos que há décadas que os sectores financeiros, que dominam a burocracia europeia, procuram devorar em seu proveito o valor desse “Estado Social”, pelo menos desde os tempos da troika, projecto de “cativação” descaradamente e publicamente defendida pela actual responsável para área financeira da Comissão Europeia, a nossa bem conhecida “troikista” Maria Luís Albuquerque, coadjuvada nessa intensão por outra conhecida troikista, Christine Lagarde.

Para a mentira estar completa, também não falta outro conhecido troikista, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a confirmar a “necessidade” de destruir o “Estado Social” :” os cidadãos dos países-membros da NATO devem "aceitar fazer sacrifícios", como cortes nas suas pensões, na saúde e nos sistemas de segurança, para aumentar as despesas com a defesa e garantir a segurança a longo prazo na Europa”[afirmação proferida por Rutte no Parlamento Europeu em 12 de Dezembro de 2024], acrescentando: "Hoje apelo ao vosso apoio, a ação é urgente. Para proteger a nossa liberdade, a nossa prosperidade e o nosso modo de vida, os vossos políticos têm de ouvir as vossas vozes. Digam-lhes que aceitam fazer sacrifícios hoje para que possamos estar seguros amanhã" (in Líder da NATO pede aos europeus que "façam sacrifícios" para aumentar despesas com a defesa, na página da Euronews de 12.12.2024).

Essas afirmações são coerentes com a acção política desse troikista, enquanto primeiro-ministro da Holanda (1), de cujo governo fazia parte o nosso conhecido Dijsselbloem, que acusava os europeus do Sul de gastarem dinheiro em “copos e mulheres”.

Não se percebe, contudo, como é que se defende “a nossa liberdade, a nossa prosperidade e o nosso “modo de vida” cortando no Estado Social Europeu, já que tem sido este o principal pilar e o garante da nossa liberdade, prosperidade e “modo de vida” Europeu. Dizem que Rutte é formado em História, mas nunca deve ter lido Churchill que, quando, em plena 2ª Guerra , vendo-se obrigado a fazer duros cortes nas despesas, quando, numa reunião do seu gabinete, “alguém sugeriu que fossem feitas reduções significativas no orçamento da Cultura, Churchill recusou. O argumento: sem cultura "por que é que estamos a lutar?" (leia-se Jornal de Negócios, 30 de Janeiro de 2013).

O mesmo podemos dizer hoje para os defensores de cortes no “Estado Social”. Sem o pilara Social Europeu para que é que vamos lutar?.

Outro lado da moeda é o discurso do medo, também muito explorado pelo mesmo Rutte.

Ainda recentemente, numa deslocação a Portugal, alertava para o perigo de os russos invadirem Lisboa e, noutra ocasião, continuando a defender cortes no Estado Social, ameaçava quem o não fizesse que teria de aprender russo.

Aliás, sobre o “papão” militar russo o discurso é contraditório. Tanto se ridiculariza esse poder, “enfraquecido pelas sanções” e incapaz de controlar a Ucrânia, como se argumenta com a possibilidade de um ataque a um país da NATO nos próximos anos.

Nada aponta para que a Rússia, a menos que seja provocada, ataque um país da NATO, pois, se nem um país enfraquecido como a Ucrânia consegue controlar, sem ser à custa de imensas baixas e custos militares, muito menos teria condições para enfrentar directamente esses países. Aliás, o próprio Putin, surpreendido com a resistência ucraniana, há muito que se deve ter arrependido dessa invasão, embora não o admita.

O que se pretende com a subida do orçamento militar é, por um lado, salvar o sector automóvel europeu, convertendo-o no fabrico de armamento, por outro financiar a industria militar norte-americana, que enfrenta uma profunda crise, com ganhos para o sector financeiro que controla o politburo de Bruxelas.

E esse aumento da despesa militar, não se iludam, só pode ser conseguido à custa do “Estado Social Europeu” e, por arrasto, à custa “da nossa liberdade, da nossa prosperidade e do nosso modo de vida”.

Nos próximos tempos o nosso espaço político, público e comunicacional vai ser invadido por muitos candidatos a “Oliveiras da Figueira”, para nos vender e convencer a comprar toda a tralha armamentista.


(1)O “elucidativo” “currículo” de Rutte, segundo o perfil publicado na Wikipedia:

“Os seus principais objectivos [do governo holandês]  eram cortar a despesa pública, especialmente nos cuidados de saúde, e isentar as grandes empresas de um imposto sobre dividendos, mas mais tarde abandonou-o. Declarou também que "não haverá mais dinheiro para a Grécia" e comprometeu-se a descriminalizar a negação do Holocausto, embora também tenha renunciado a isso.

No contexto da pandemia de COVID-19, opôs-se a que a UE organizasse ajuda financeira aos países mais afectados, antes de aderir sob pressão dos seus aliados europeus.

O seu governo foi criticado em 2020 num relatório parlamentar, num escândalo de bem-estar. Determinados a combater possíveis fraudes, os serviços estatais retiraram benefícios às famílias que a eles tinham direito, enquanto que etnicamente traçavam o perfil dos beneficiários. Cerca de 26.000 famílias perderam injustamente estes benefícios entre 2011 e 2019, de acordo com o relatório, e em alguns casos tiveram de reembolsar os montantes recebidos. Enquanto a esquerda radical e os ambientalistas, alarmados pelos apelos dos pais, apelaram sem êxito a uma investigação já em 2014, os partidos no poder há muito que ignoram a questão. Políticos seniores, incluindo vários ministros em exercício, são acusados de terem optado por fazer vista grossa a disfunções de que tinham conhecimento”.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Rússia e Israel , Guerra e Paz, Paralelos e ...absurdos !!!???


A Rússia ataca a Ucrânia. É uma Grave violação do Direito Internacional.

Israel, depois de já ter atacado a Síria e o Líbano, ataca o Irão. Estão a “defender a Democracia”.

A Rússia desculpa-se pela invasão com a presença de grupos neonazi que dominam o poder da Ucrânia, situação comprovada por fontes independentes,  e perseguem, desde 2014, as populações de origem russa, cometendo crimes de guerra contra essas populações (cerca de 10 mil em 8 anos), como aconteceu em Odessa.

Israel desculpa-se, para bombardear o Irão, com o apoio do regime dos aiatolas a grupos terroristas como o Hamas e outros que atacam Israel.

A Rússia, onde estão proibidos vários partidos políticos, assassina adversários políticos e mantém em prisão muitos outros é uma ditadura.

A Ucrânia que proibiu mais de uma dezena de partidos com a desculpa de serem pró russos, que persegue e assassina populações russófona e opositores desde 2014, é uma “democracia”.

O Irão, que persegue mulheres e opositores em nome da religião há anos, é uma autocracia religiosa.

Israel que pratica apartheid contra os palestinianos, obrigados, há décadas, a abandonar as suas terras e casas, enviado para ghettos, sem liberdade de circulação na sua própria terra, com grandes limitações para usufruírem dos mesmos direitos dos israelitas é a “única democracia do região”.

Os russos bombardeiam a Ucrânia, atingindo hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando mais de uma dezena de civis por dia, praticam crimes de guerra.

Os israelitas bombardeiam Gaza, atingindo deliberadamente hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando menos de uma centena de civis, estão a "defender a democracia" e a defender-se dos terroristas.

Os ucranianos recebem do ocidente ajuda militar para enfrentar a invasão russa. Quem vier com “conversas pacifistas” é um “apoiante de Putin”.

Os palestinianos não recebem ajuda humanitária porque esta “beneficia o Hamas” e se alguém falar em armar os palestinianos para se defenderem da agressão de décadas por parte de Israel, estão a “defender o terrorismo”.

O Batalhão Azov e outros grupos extremistas estão em roda livre, desde 2014, na Ucrânia, infiltrados nas forças armadas e de segurança e na maior parte dos partidos legais  que dominam o parlamento, em muitos caso em cargos de liderança. São “heróis”.

O Hamas, cujo crescimento e acção foram facilitados por Israel para “tramar” a autoridade palestiniana, assim como outros grupos jihadistas que combatem Israel, são considerados, e bem, grupos terroristas (Sabe-se entretanto que  Israel está a apoiar grupos jhiaditas, rivais do Hamas, para combater estes, grupos esses tão terroristas como o Hamas).

A Rússia, quando efectou bombardeamentos e ataques perto de centrais nucleares ucranianas, foi um “escabeche” danado, um alarmismo desmedido, entre as lideranças ocidentais e os comentadores de serviço.

Agora que Israel bombardeia directamente centrais nucleares iranianas, é o silêncio, a desvalorização e/ou a procura de justificações esfarrapadas por parte do “ocidente” e dos mesmos comentadores. Se calhar a vida das populações em risco com essas acções tem valor diferente. Um Europeu e um “cristão” “radioactivo” vale mais que mil muçulmanos, árabes ou persas, "radioactivos".

No meio de tudo isto, a Ucrânia continua a apoiar, no mínimo pela abstenção, as acções criminosas de Israel, o que não deixa de ser tristemente irónico. Mais um prego na credibilidade da liderança ucraniana.

Resumindo e concluindo: as lideranças europeias e os seus proxies na nossa comunicação social, estão em força a branquear o governo criminoso de Israel, usando argumentos que são exactamente os opostos que usam para a guerra na Ucrânia.

Quem perde? Para além da verdade, o povo palestiniano, os judeus, que perdem toda a credibilidade que ganharam como vítimas do Holocausto e séculos de perseguição, e não vão ter paz nas próximas décadas, o causa ucraniana, porque fica evidente para todos o mundo os dois pesos e duas medidas usados pelas lideranças ocidentais. Perde a ONU, e todas as organizações humanitárias, cada vez mais isoladas na sua acção.

Quem ganha? A liderança criminosa de Israel, que desvia a atenção dos crimes cometidos em Gaza, os yatolas radicais do Irão, que vão aumentar a sua força na defesa do Irão e o próprio Hamas que ganha "razão" para o seu ódio a Israel, e outro criminoso, Putin , que surge como "defensor da paz" e do "direito internacional" (!!??).

Perdem também os pacifistas, olhados agora, com os argumentos falaciosos do costume, como “sionistas” e “apoiantes” do Hamas ou de Putin,.

Pois! também ganham os negociantes de armas,  as petrolíferas e o sector financeiro que está na base de tudo isto.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

EDUARDO GAGEIRO em TORRES VEDRAS

 

AQUI recordamos Eduardo Gageiro e a sua ultima aparição pública, que teve lugar em Torres Vedras, no passado dia 26 de Abril, para inaugurar a exposição de parte do seu espólio, depositado nesta cidade, "PELA LENTE DA LIBERDADE", e que pode ser vistada na Galeria Municipal, nos Paços do Concelho, até 13 de Setembro.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Um Cartoon Censurado pelo facebook (ao serviço do governo genocida de Israel)


Provávelmente ente post também vai ser censurado.

Até lá fica a informação sobre um acto de censura promovido pelo facebook, ao serviço do governo criminoso de Israel e do assassino Natanyahu.

Ontem coloquei na minha página do facebook uma reprodução de um cartoon do autor português Vasco Gargalo, retirado da net, penso que da página da revista Sábado (?), e

que podem ver abaixo.

Acompanhava esse cartoon com um comentário meu : "Com o "alto patrocínio" da União Europeia.

Para surpresa minha, ao abrir hoje o facebook, deparei-me com a remoção desse post com a seguinte desculpa dada pelo facebook : "É possível que a publicação contenha símbolos, glorificação a pessoas e  organizações consideradas perigosas".

Para que não restem dúvidas, aqui reproduzo o texto que me enviaram para justificar o acto:

"28/05/2025
Removemos a tua publicação
Por que motivo aconteceu isto
É possível que a publicação contenha símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.

Venerando Aspra de Matos
27/05/2025
Com o "alto patrocínio" da União Europeia: (reproduzindo o cartoon)
Partilhaste isto no teu perfil
Isto desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.

E quais são esses padrões que foram "desrespeitados" pelo dito Cartoon?
De acordo com o censor foram os seguintes :

 "Pessoas e organizações perigosas
Não permitimos que as pessoas partilhem ou enviem símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.
Exemplos de coisas que não permitimos
Glorificar um ataque terrorista
Apoiar a violência contra um grupo de pessoas específico
Apoiar ou promover atividades criminais prejudiciais, tais como tráfico de pessoas"

Está explicado:

Ao reproduzirmos a cara do assassino Natanyahu estávamos a promover um líder, promotor de ataques terroristas em Gaza e na Cisjordânia, apoiante da violência contra "grupos de pessoas específicas" (os Palestinianos) e o tráfico de pessoas, obrigando milhares de pessoas a deslocarem-se dentro de Gaza.

Entretanto, aconselhados por um amigo a quem aconteceu o mesmo, constestámos a situação ao facebook.  Responderam assim:  "Olá, Venerando. Revimos novamente a tua publicação.Confirmámos que desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.Sabemos que isto é dececionante, mas queremos manter o Facebook seguro e acolhedor para todos. 

Sem comentários!!

                                          

NOTA FINAL: Este caso teve novos desenvolvimentos. Ontem, dia 28 de Maio, por volta das 22 horas, voltei a postar no facebook esse mesmo cartoon, com o seguinte comentário:

"Mesmo correndo o risco de já ter uma fotografia minha com um alvo na testa a ser distribuida pelos agentes terroristas da MOSSAD em Portugal, e mesmo sabendo que este cartoon vai voltar a ser censurado, aqui o volto a reproduzir. Aproveitem para o partilhar e copiar antes que os censores do facebook voltem ao ataque (cartoon de Vasco Gargalo)":

E de facto, quando voltei a visitar a minha página, por volta da meia-noite, o cartoon tinha sido retirado, como os mesmos argumentos da primeira vez.

Publiquei então o seguinte comentário:

"Como já devem ter reparado, o Facebook voltou a censurar o cartoon de Vasco Gargalo que já tinha sido censurado ontem. Ficamos assim a saber quais são as opções políticas dessa plataforma. Pelos vistos o Sr Netanyahu é um criminoso "respeitável" para os censores do Facebook. A plataforma de cartoonistas Cartoon Movement, a revista Charlie Hebdo e outros cartoonistas independentes que se cuidem perante a caça às bruxas e a falta de sentido de humor desses assanhados censores, que, com essa atitude, são coniventes e cúmplices dos crimes de Israel na Palestina"

Ao mesmo tempo voltei a contestar a decisão.

Para meu espanto, desta vez voltaram atrás com a decisão, dando-me a seguinte resposta:

"28/05/2025

Restaurámos a tua foto

Olá, Venerando

Chegámos à conclusão de que a nossa equipa de revisão cometeu um erro ao remover a tua foto.

Agradecemos o tempo que dispensaste a pedir uma revisão e a ajudar-nos a melhorar os nossos sistemas. A nossa prioridade é manter a segurança e o respeito na comunidade. Por isso, às vezes temos de tomar precauções".

Tal mudança de atitude só pode ser explicada por uma ou várias das seguintes razões:

1 - o meu apelo para reproduzirem e partilharem o cartoon, antes de voltara ser censurado foi seguido por muitos amigos, aumentando a visibilidade desse acto de censura;

2 - O meu protesto envergonhou os censores:

3 - O censor que estava de serviço a esta hora era outro, mais benevolente, do que aquele que censurou o cartoon da primeira vez.

Contudo, o primeiro post não foi reposto e sei que algumas pessoas que partilharam esse cartoon, também alvos de censura, não viram o seu post reposto.