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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Mais uma pesada herança de Crato.

Segundo se  revela numa notícia de hoje no jornal Público, os resultados do mais recente inquérito sobre o Potencial Científico e Tecnológico Nacional revelam que o ano de 2015 foi o 6ª ano consecutivo em que o investimento na ciência cresceu menos que a riqueza do país.
O resultado é ainda herança do anterior ministro da educação e ciência, Nuno Crato.
Nuno Crato, que apareceu como um homem "preocupado" com as questões do ensino, critico do chamado “eduquês”, grande defensor do primado das chamadas disciplinas “científicas” e “exactas” em detrimento das disciplinas ditas “sociais” e “humanas”, revelou-se um grande bluff e um autêntico desastre para o ensino e para a investigação científica em Portugal, situação agora mais uma vez confirmada por um relatório científico.
O desastre começou quando, no governo anterior, se aceitou que o ensino e a investigação eram áreas a cortar prioritariamente, assim como ter-se acabado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, um dos que mais resultados tinha dado sob a orientação anterior de Marino Gago.
Que Nuno Crato, que vinha com a imagem, agora degradada e desmascarada (penso que em definitivo) de homem da ciência e preocupado com a educação, se tenha prestado ao “servicinho” de destruir uma área na qual Portugal tinha obtido bons resultados, percebe-se agora, é o normal em qualquer carreirista.
Já que, em Portugal, muito por responsabilidade de uma comunicação social indigente, provinciana e inculta, se criem mitos a partir de qualquer figurão bem falante (ou escrevente, como é o caso), é de lamentar e continua a ter custos para o país.
Felizmente, o tempo encarrega-se de desmascarar os mitos com pés de barro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A Crónica de Vasco Pulido Valente sobre as "Provas" de avaliação de Professores: A estupidez à solta

Com meia duzia de frases Vasco Pulido Valente desmascara a idiotice das provas de avaliação impostas aos professores e todo o barulho que se tem feito na comunicação social sobre os níveis de reprovação:

A estupidez à solta(clicar para ler).

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"O Crato"...." e quando cairem todos [especialmente o "chato de Belém"] temos peru no Natal...!!!"

(Original " O Pato" cantado por João Gilberto)
Música - Jaime Silva / letra - Neuza Teixeira
Adaptação (Letra) - Nuno Gomes dos Santos.
Divulgado por Carlos Mendes




segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nuno Crato já deu quatro voltas completas ao mundo este ano.

Com tantos "contabilistas" de serviço no comentário político e no jornalismo para justificar as malfeitorias "austeritárias" governamentais contra os portugueses, em nome do crte nas "despesas", ainda não houve um que se preocupasse em fazer as contas dos gastos dos nossos governantes, e das respectivas comitivas, feitos em viagens de duvidosa utilidade para o bem do país?

Nuno Crato não é o único a abusar do erário público em viagens, mas não deixa de causar escândalo a notícia que divulgamos em baixo, se tivermos em conta aquilo que os professores têm de gastar do seu bolso em deslocações diárias para exercerem a sua actividade profissional.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A [DE] MISSÃO DE CRATO

Aquilo que se está a passar com a colocação de professores só se pode explicar por uma das duas seguintes razões: ou a total incompetência da actual equipa ministerial; ou razões ideológicas para justificar um ataque à escola pública.

Se fosse o primeiro caso, qualquer pessoa decente que ocupasse o cargo de Ministro da Educação nestas circunstâncias ter-se-ia demitido imediatamente.

Como não foi isso que se passou, ou o ministro Crato não é uma pessoa decente e de boa-fé ou esta confusão tem outros objectivos…ou ambas as coisas.

Como o ministro Crato continua de pedra e cal, com a solidariedade de Passos Coelho e de todo o governo, parece-me então que o objectivo é outro e bem claro: humilhar os professores, poupar dinheiro nas “despesas” do Estado e por em causa a escola pública.

Este ultimo objectivo parece-me ainda mais claro, quando se começa a ouvir e a ler a opinião de comentadores geralmente conotados com as teses neoliberais a querer responsabilizar por este triste caso o “centralismo” do Ministério , apresentado esta situação como  um caso “normal” no actual sistema de colocações “centralizado”, desculpando, por um lado, os erros “cratos” e, por outro, aproveitando para defender o modelo de colocação de professores da Inglaterra, construído pela dupla Tatcher-Blair, argumento que é uma primeira porta para impor o modelo educativo neoliberal britânico, com resultados desastrosos em termos humanos e sociais.

A intervenção de Cavaco Silva vem , aliás, na senda dessas teses.

A colocação centralizada de professores tem inconvenientes, mas também tem vantagens e funcionou razoavelmente até meados da década de 80. Mesmo funcionando mal a partir de determinado momento, garantia no mínimo alguma objectividade na escolha dos professores, e, mesmo com algumas confusões, nunca atingiu o descalabro deste ano.

Aliás, o grande número de vagas levadas a concurso, explicam-se, em grande parte, como resultado da forma como o ensino e os professores têm vindo a ser tratados nos últimos anos, levando muitos decentes a reformarem-se antecipadamente ou a saírem do ensino, tornando-se a actividade docente cada vez menos uma actividade atractiva e respeitada.

Por outro lado, as desculpa da situação financeira do país tem atrasado a efectivação de muitos docentes que substituissem os que saíram em massa nos últimos anos.

Juntando a tudo isto as grandes alterações administrativas na organização da rede escolar, está traçado o caminho para "justificar" a  destruição da escola pública e para “normalizar” a actividade docente como uma actividade de saltimbancos e precários.

A confusão com a colocação de professores é apenas a ponta do iceberg do descalabro que se anuncia, como resultado das reformas apressadas e feitas para humilhar os docentes, com Maria de Lurdes Rodrigues, e do experimentalismo incompetente  de Nuno Crato, com a conivência de muitos.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CRATO, PASSOS e C& ...E ninguém os "chuta" p'ra longe?


Sou defensor de que um governo legitimamente eleito deve cumprir o mandato para o qual foi eleito, por muito que ele nos desagrade, e raramente alinho, nas manifestações onde participo, na palavra de ordem, recorrente nesses “eventos”, onde se grita “Governo para a Rua!”.

Sim, eu sei que não existe vergonha entre a nossa classe política, que engaveta constantemente as promessas feitas no passado que mente descaradamente durante as campanhas eleitorais e que usa a política para tratar dos negócios próprios ou dos que lhe são próximos, atitudes tomadas quando chegam ao governo e que os deslegitimam rápidamente. Mas com essa realidade até podíamos ir lidando e o país lá ia funcionado.

Contudo, desta vez, tenho de reconhecer, a arrogância e a mentira incompetentes desta gente que nos governa está a ir longe de mais, e, para salvar o país e a dignidade dos portugueses, está na hora de deixar o país e os portugueses em paz.

A “barracada” do início do ano lectivo é bem o retracto da incompetência dos “meninos do coro” que tomaram conta do governo deste país sob a liderança do intragável Passos Coelho e a bênção de um Presidente da República (República?...só se for das bananas!!!)  meio apatetado.

Como escreve hoje João Miguel Tavares no Público “é inadmissível ter um governo que exige tanto aos portugueses e tão pouco a si próprio”.

Mas se a desgraça se ficasse pela educação!!!?  … a desgraça é generalizada…depois de três anos a empobrecer os portugueses e a mandar para a emigração os jovens mais qualificados, o governo tem andado entretido nos últimos tempos a gerar a maior bagunça na justiça e na saúde.

Ou seja, a bagunça afinal não é incompetência, é mesmo um programa político de desmantelamento do “estado social”.

Perante a bagunça, especialmente notória na educação e na justiça, para além do obscuro caso da Tecnoforma que mancha a imagem de “incorruptibilidade” que o primeiro-ministro tentou vender, e, com a ausência em parte “incerta” do vice-primeiro-ministro Paulo Portas (em passeios semanais pelo mundo, acompanhado por vastas comitivas pagas pelo contribuinte), só restaria a um Presidente da República, digno do cargo que ocupa, despedir esta gente com justa causa. Já houve governos despedidos por menos…mas isso foi no tempo em que existiam presidentes da república dignos do cargo.

Só que acontece, para desgraça de todos nós, que este governo foi apadrinhado, desde o primeiro dia por um Presidente da República que acha que  “não tem dúvidas e raramente se engana” .

Encarar de frente a bagunça em que esta gente lançou o país e os portugueses seria reconhecer que ter dúvidas não é um defeito e que se enganou, e bem, em apadrinhar esta trupe. Mas isso não está ao alcance de uma cabecinha como a do sr. Silva, incapaz de ver para além do espelho que lhe colocam à frente.


Ou seja, para desgraça de todos nós, vamos ter de aturar esta gente e a sua arrogância incompetente durante mais um ano....!!!

....mas, ao menos ponham o Crato a "andar"...não é pedir muito!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Portugal, o tal país que "está melhor", foi o país que mais desinvestiu na Educação

A triste notícia vem hoje publicada no Jornal de Negócios : Portugal é o país da União Europeia que mais desinvestiu na Educação.

A notícia sai no mesmo dia em que se sabe que 17% dos jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 29 anos, não estudam, nem trabalham, o país da OCDE a apresentar o pior resultado neste domínio.

Se acrescentarmos a tudo isto,  a permanente humilhação dos professores ( redução salarial  de mais 16%, precaridade profissional, provas de acesso disparatadas...), o grande aumento de desemprego entre os professores, a campanha negra contra a escola pública, o encerramento de escolas,  a emigração em massa de jovens qualificados (qualificação paga pelos portugueses...) , percebemos qual é o tal país que "está melhor" idealizado por esta gente inqualificável que nos tem governado na última década, não só por cá, mas também na União Europeia!!!

terça-feira, 22 de julho de 2014

O DIA DE HUMILHAR PROFESSORES...


A história repete-se, a primeira vez com tragédia, a segunda como comédia.

O ataque aos professores e à sua dignidade começou com Maria de Lurdes Rodrigues e foi...uma tragédia.

Agora repetiu-se, mas sob a forma de comédia, com o inenarrável Nuno Crato, rei do cinismo nacional e descarado ministro da educação (???) e ciência (???).

Ao menos Maria de Lurdes tinha um projecto, gostasse-se ou não dele, e tinha conhecimentos sobre o assunto,mesmo que fizesse destes, quanto a nós, um uso incorrecto e tendencioso.

Nuno Crato é a suprema ignorância, um mero executor das políticas de austeridade aplicadas à educação, competente em ver-nos a todos como simples números embrulhados em cálculos matemáticos.

A cereja em cima do bolo da sua inqualificável "política educativa" está no modo com convocou os professores mais novos para o exame deste dia, um exame também ele inqualificável e que tem como único objectivo humilhar os professores.

Em homenagem aos meus jovens ex-colegas, aqui deixo a última crónica de Pacheco Pereira sobre o tema, que arruma o tema (e Nuno Crato) com a mestria de um pensador atento e informado:

"Voltamos à moralidade ou à falta dela

por JOSÉ PACHECO PEREIRA in Público de 19/07/2014 

"Voltar a falar de moralidade é algo que só faço com imensa relutância. A palavra e a coisa são tão ambíguas e prestam-se a tantas manipulações, que a probabilidade de sair asneira ao usá-la é grande. Por regra, entre o moralismo hipócrita, tão comum no mundo católico apostólico romano, e o cinismo, eu acho que o cinismo faz menos estragos em democracia.

"O ponto de vista realista, ou, se se quiser, cínico, pode ser pedagógico em política, quando esta está cheia de falsos moralismos, densa de presunção moral. Já houve alturas em que foi assim e ocasionalmente, nalguns momentos e eventos, é assim. Nessas alturas faz bem lembrar que a natureza humana é como é, e pode-se ser um carácter duvidoso a título pessoal e ser-se um bom político, que sirva a comunidade e o bem comum. Churchill serve de exemplo, ou Lincoln. Parece chocante, mas a moralidade pessoal é um terreno pantanoso em que é mais fácil entrar do que sair e o julgamento da moralidade alheia, quase sempre hipócrita, tem a notável tendência de funcionar como boomerang. É por isso que só com pinças.

"Mas no tempo em que vivemos não é o moralismo o risco, dada a natureza dos nossos governantes que cresceram numa cultura amoral e de “eficácia”. Por isso é preciso o contrário, chamar a moralidade para a praça pública, porque há coisas que são inaceitáveis numa democracia que desejamos minimamente decente. Já não digo sequer decente, mas minimamente decente. E têm a ver com a moral porque atingem a verdade, a recta intenção, o objectivo do bem comum, o respeito pela dignidade das pessoas e são actos de maldade, de mau carácter, muitas vezes disfarçados de espertezas e habilidades.

"O exercício desta imoralidade activa na governação impregna toda a vida pública de maus exemplos, de salve-se quem puder, de apatia ou revolta, de depressão ou violência. Torna Portugal um país doente e um país pior, promove os habilidosos sem escrúpulos e afronta os homens comuns, insisto, minimamente decentes, que não querem o mal para ninguém, desde que os deixem sossegados e sem afronta. É isso que provoca a institucionalização do dolo, do engano, a construção de políticas destinadas a tramar portugueses, umas vezes muitos e outras vezes poucos, sem qualquer vergonha por parte dos seus executantes. E aí eu nasço redivivo como um moralista agressivo, e falo cem vezes do mesmo, sem descanso. Não gosto, mas falo.

"A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

"Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei – ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito.

"Pode-se ter o ponto de vista que se quiser sobre os exames exigidos a professores que já tinham as qualificações necessárias para ensinar e, nalguns casos, já ensinavam há vários anos. Esta é outra questão e sobre ela não me pronuncio. O Governo pode até ter razão em querer os exames e os professores não ter ao recusá-los. Aqui posso ser agnóstico sobre essa matéria. Não é sobre isto que escrevo, mas sobre o pequeno truque, habilidade, esperteza e os seus efeitos de dissolução social como norma de governação.


"Vai haver quem encolha os ombros e ache muito bem que se pregue uma partida a Mário Nogueira e aos seus sindicalistas da Fenprof. (No entanto, todos os sindicato, mesmo os da UGT, dirigidos por membros e simpatizantes do PSD, estão de acordo em recusar o truque do Governo.) Mas, como a sociedade portuguesa está em modo de “luta de classes”, há aí muita gente agressiva a querer vingança no tempo útil que sobra até o Governo cair. A mó já é a mó de baixo e daí muita raiva pouco contida, que serve de base à indecência".