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terça-feira, 14 de abril de 2026

“Ventureira” da Figueira.


Hergé criou a figura de Oliveira da Figueira, um português representado como um charlatão, uma das raras personagens de origem portuguesa a aparecer nas aventuras de TinTin.

A forma como esse personagem português foi representado por Hergé não escapou à censura salazarista. Em contramão como uma das principais interferências da censura no universo da Banda Desenhada, que obrigava a “aportuguesar” os nomes de heróis estrangeiros da BB publicados em Portugal ( o caso mais famoso foi o do Major Alvega), o português mais famoso da BD franco-belga foi “transformado” num espanhol de Málaga.

A figura do charlatão, vendedor da banha da cobra e de pechisbeque, não se coadunava com o ideal salazarista da representação nacionalista do português médio.

Contudo, essa figura representa bem a figura do desenrasca português, aldrabão ingénuo.

Ingenuidade é um rótulo que não podemos atribuir ao líder da extrema-direita portuguesa.

Já a classificação de vendedor da banha da cobra e de aldrabão, cola bem com o nosso Oliveira da Figueira dos tempos modernos, André Ventura, como ontem se viu no “debate” com José Pacheco Pereira na CNN.

Mal criado do principio ao fim, “Ventureira” da Figueira,  mistura alhos com bugalhos, descontextualiza factos, recorre à meia verdade e à falácia à ignorância atrevida para vender a sua banha da cobra racista  e a sua ideologia de pechibeque.

Que muita gente vá atrás da sua conversa “comprar” as sua bugigangas ideológicas é bem sintomático da ápoca em que vivemos, onde a gritaria ignorante e o recurso a documentação duvidosa leva mais aplausos do que a análise fundamentada e inteligente.

Em Espanha a extrema-direita tem o seu mais perigoso Abascal. A nossa extrema-direita contenta-se, por agora, a apoiar o seu…chavascal, "Ventureira da Figueira"!

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