Hergé criou a figura de Oliveira da Figueira, um português representado como um charlatão, uma das raras personagens de origem portuguesa a aparecer nas aventuras de TinTin.
A forma como esse personagem português foi representado por
Hergé não escapou à censura salazarista. Em contramão como uma das principais
interferências da censura no universo da Banda Desenhada, que obrigava a “aportuguesar”
os nomes de heróis estrangeiros da BB publicados em Portugal ( o caso mais
famoso foi o do Major Alvega), o português mais famoso da BD franco-belga foi “transformado”
num espanhol de Málaga.
A figura do charlatão, vendedor da banha da cobra e de pechisbeque,
não se coadunava com o ideal salazarista da representação nacionalista do
português médio.
Contudo, essa figura representa bem a figura do desenrasca
português, aldrabão ingénuo.
Ingenuidade é um rótulo que não podemos atribuir ao líder da
extrema-direita portuguesa.
Já a classificação de vendedor da banha da cobra e de
aldrabão, cola bem com o nosso Oliveira da Figueira dos tempos modernos, André
Ventura, como ontem se viu no “debate” com José Pacheco Pereira na CNN.
Mal criado do principio ao fim, “Ventureira” da Figueira, mistura alhos com bugalhos, descontextualiza
factos, recorre à meia verdade e à falácia à ignorância atrevida para vender a
sua banha da cobra racista e a sua
ideologia de pechibeque.
Que muita gente vá atrás da sua conversa “comprar” as sua
bugigangas ideológicas é bem sintomático da ápoca em que vivemos, onde a
gritaria ignorante e o recurso a documentação duvidosa leva mais aplausos do
que a análise fundamentada e inteligente.
Em Espanha a extrema-direita tem o seu mais perigoso Abascal. A nossa extrema-direita contenta-se, por agora, a apoiar o seu…chavascal, "Ventureira da Figueira"!

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