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terça-feira, 5 de maio de 2009

A Arte do Cineclubismo - 16 - Vasco Granja Cineclubista (C.C. Imagem)

Uma das facetas menos conhecidas de Vasco Granja foi a sua passagem pelo Movimento Cineclubista nos anos 50.
Membro activo do Cineclube Imagem de Lisboa, logo aí revelou o seu interesse pelo cinema de animação.
Ao contrário do que se pensa, parece que o cinema de animação antecedeu o seu interesse pela Banda Desenhada.
Divulgamos hoje, na “Arte dos cineclubismo”, o “rosto” de dois boletins do Cineclube Imagem, onde se encontram textos de Vasco Granja.
Em Outubro de 1958 anunciava-se a exibição do cinema de animação de Norman McLaren, uma das paixões de V. Granja, na secção de “Formato Reduzido” daquele Cineclube.
Um texto de Vasco Granja intitulado “dois criadores do cinema canadiano – Norman Mc Laren e Colin Low”, antecede a lista de curtas metragens a exibir nessa data, complementando igualmente a informação sobre as sessões do mês anterior.
Neste mesmo boletim é divulgada uma saudação de Norman Mc Laren ao cineclube Imagem, que enviou igualmente vários desenhos da sua autoria, os “pássaros maclareanos”, que ilustram esse boletim.
No outro boletim que nós reproduzimos, com um desenho de Relógio, Vasco Granja publica outro texto sobre outra sessão de formato reduzido, realizada por aquele Cineclube, sobre o “cinema etnográfico”.
Homenageamos assim a memória de Vasco Granja.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Até sempre Vasco Granja!



Faleceu esta madrugada, com 83 anos, Vasco Granja.
Foi um dos maiores divulgadores de Banda Desenhada em Portugal, ficando aliás a dever-se a ele esta designação para as tradicionais “Histórias aos Quadradinhos”.
Na RTP teve igualmente um papel importante na divulgação do cinema de animação.
É principalmente da sua actividade na edição portuguesa da revista “Tintin” que mais me recordo dele.
As notícias, que aí publicava sobre a edição de fanzines de BD, levou-me, a mim e a um grupo de amigos, a lançar um dos pioneiros desse tipo de publicações em Portugal, o “Impulso”, no início da década de 70.
Foi aliás ao “Impulso” que Vasco Granja concedeu, uma das suas primeiras entrevistas, editada no nº 4 desse fanzine, em Julho de 1973.
Foi autor dessa entrevista pioneira o José Eduardo Miranda Santos (o “Zico”), um dos elementos permanentes do “Impulso”.
Nela ficamos a conhecer algumas das opiniões daquele divulgador sobre o que na época se passava em Portugal, a nível da BD, mas também sobre o então inovador movimento de fanzines.
Por causa dessa entrevista fomos criticados e ridicularizados na revista “Aleph”, porque Vasco Granja era então identificado, pela extrema-esquerda que dominava aquele fanzine, como representante do “establishment”. O caricaturista que nos desenhou, a nós a equipa do Impulso, como os pintainhos à volta da “galinha”, Vasco Granja, tornou-se mais tarde meu amigo, quando veio viver para Torres Vedras, colaborando comigo num outro projecto de BD, o fanzine “BêDêzine”, em 1986.
Sobre o “Impulso” disse Vasco Granja:
“(…) é um fanzine que está a abrir caminho. É uma realização de gente nova, inexperiente mas que está a marcar um lugar e não há nada como a experiência. O tempo passa e nós vamos ganhando uma certa experiência. É o que me parece que vai acontecer com o “Impulso”. De modo que estes primeiros números parecem-me um bocadinho incipientes, mas estou absolutamente convencido que com o tempo vencer-se-ão estas dificuldades iniciais”.
Um homem sincero e bondoso, a quem eu fico a dever o gosto e o interesse que sempre nutri pela BD e que me ensinou a lê-la como uma arte séria e criativa, uma das mais marcantes do século XX.
Até sempre, Vasco Granja.