Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta História do Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História do Cinema. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Cinema em Torres Vedras, em Portugal e no mundo nos “Trinta Gloriosos” da História do cinema (1930-1960) (2ª e 3ª Parte).


O texto que aqui se divulga resulta dos apontamentos que reunimos para servir de base à nossa comunicação, que ontem teve lugar no Teatro-Cine Ferreira da Silva, por ocasião da passagem do segundo filme da iniciativa, que está a decorrer esta semana, para comemorar a 100ª sessão de “Café com Filmes”, com a exibição integral, em cinco sessões, da monumental obra “A História do Cinema – Uma Odisseia”, de Mark Cousins, e à qual já nos referimos AQUI.

A primeira parte desta comunicação, sobre a situação em Torres Vedras,  pode ser lida AQUI.

Em baixo reproduzimos o resumo das suas restantes partes da nossa comunicação.

2 – O Cinema em Portugal entre 1930-1960

No documentário que  vamos ver, não aparece uma única menção ao cinema português, apesar de Portugal ter sido um dos países pioneiros na produção cinematográfica, como se comprova pela atenção que Georges Sadoul, na sua monumental história do cinema, lhe concede.

Em 1930 a proveniência dos filmes estreados e exibidos nas centenas de salas já existentes um pouco por todo o país, a maior parte concentrada em Lisboa e no Porto, de acordo com um estudo de Alves Costa de 1978, era a seguinte:

574 filmes norte-americanos;
143 filmes franceses;
105 alemães;
19 ingleses;
6 russos;
3 dinamarqueses;
2 brasileiros;
2 mexicanos;
1 suaeco;
1 austriaco;
1 japonês.

O período entre 1930 e 1960 é balizado em Portugal pela introdução do cinema sonoro, inaugurado em Portugal em 5 de Abril de 1930 no Royal Cine, à Graça em Lisboa, e pela inauguração da televisão, entre 1955 e 1956.

Este período corresponde também à afirmação do Estado Novo e por isso o cinema sofre as consequências do regime em vigor, onde a censura e a propaganda política salazarista eram os pilares nesta área da cultura.

Referindo-se à situação do cinema português entre 1940 e 1958 George Sadoul, na sua obra citada que “o cinema português não deu mais de 3 a 8 filmes por ano.

“A rede de exibição é das mais reduzidas de toda a Europa.

“Segundo a UNESCO, os 433 cinemas de todo o país vendiam, em 1954, apenas 3 bilhetes por ano e por habitante”.

O levantamento feito por José de Matos Cruz, na sua obra “O Cais do Olhar”, confirma em parte essa fraca produção, mas revela algumas variações interessantes.

Assim, na década de 30, que foi também a da produção do primeiro filme sonoro em Portugal, “A Severa” de Leitão de Barros (1930), produziram-se 15 filmes, uma média de 1,5 filmes por ano. Na década seguinte a situação é mais optimista, como resultado da criação, ainda na década anterior, da produtora Tobis, em 1932, e do investimento feito pela criação do Secretariado Nacional de Informação, em 1935, na utilização da produção nacional como veículo de transmissão dos valores culturais e sociais do Estado Novo,  registando-se 56 estreias de filmes portugueses, numa média de 5,6 filmes portugueses produzidos por ano. No conjunto das três décadas é nesta que se regista o ano de maior produção, o ano de 1946 com 11 filmes estreados.

Na década de 50 regista-se uma ligeira quebra, sendo produzidos 49 filmes, uma média de 4,9 por ano.

A maior parte desses filmes dividiam-se entre a comédia e a pura propaganda dos valores salazaristas, com rara e honrosas excepções e marcaram por muito tempo, com um peso ainda significativo nos nosso dias, o gosto cinematográfico do público, até porque, nas décadas seguinte, fizeram parte da programação cinematográfica da recém criada RTP.

Entre esse filmes populares e de evasão, destacamos obras como “A Canção de Lisboa” (1933) de Cortinelli Telmo, “A Aldeia da Roupa Branca” (1938) de Chianga de Garcia, “Pai Tirano” (1941) de António Lopes Ribeiro, “Pátio das Cantigas” (1941) de Ribeirinho, “A Menina da Rádio” (1944) e “O Leão da Estrela” (1947) ambos de Arthur Duarte, ou “Cantiga de Lisboa” de Henrique Campos.

Mas também se realizaram filmes de pura propaganda ideológica, como “A Revolução de Maio” (1937) de António Lopes Ribeiro, os “Chaimite” (1953) de Jorge Brum do Canto.

Devemos também recordar  o “Jornal Português – Revista mensal de actualidades” promovido pelo SNI, que era exibido em todas as salas de cinema, antes da projecção das longas-metragens, um poderoso instrumento de propaganda informativa, numa altura em que não havia ainda televisão,  que foi produzido entre 1938 e 1951 (actualmente a ser reeditado em fascículos pelo jornal Público).

Durante este período, com a ajuda da imprensa e de uma grande quantidade de revistas de cinema, desenvolveu-se uma espécie de “star system” à portuguesa onde pontificavam figuras como Ribeirinho, Beatriz Costa, António Silva ou Vasco Santana.

Apesar da censura e das perseguições foi possível, apesar de tudo, neste difícil período para o movimento cultural independente, produzir algumas obras inconformistas e  inovadoras, como “Aniki-Bobo” (1942) de Manoel de Oliveira, obra que George Sadoul aponta como antecessora do neo-realismo no cinema,  ou filmes como “Ala Arriba” (1942) de Leitão de Barros ou “Saltimbancos” (1951) de Manuel Guimarães, sem esquecer vários ensaios, no campo experimental e do documentário, promovidos pelo movimento cineclubista que conheceu grande expansão no pós segunda guerra.

Para além desse movimento cineclubista dos anos 40/50, é e referir ainda o papel importante da Cinemateca Nacional, criada em 1948 por António Félix Ribeiro.

Durante esse período houve também um considerável movimento editorial ligado a imprensa cinematográfica, com destaque, pela longevidade ou pela inovação, para o “Cinéfilo” (1928-1939), a “Imagem” (uma 1ª série entre 1930 e 1935 e uma 2ª série a partir de 1954 até finais da década) para além da mais comercial “Plateia”, fundada em 1951, e que ainda se publicava na década de 70, sem esquecer a crescente importância dada pela imprensa à critica cinematográfica.

3 – Os “Gloriosos 30” do cinema mundial (1930-1960)

Quando comecei a consultar informações sobre este período da história do cinema, fui-me apercebendo que datam desta época algumas das obras e dos realizadores fundamentais , não só para a história do cinema, mas também para consolidação da escrita e dos géneros cinematográficos.

Se fizer uma lista com os melhores filmes que vi na minha vida, a grande maioria data deste período.

Durante este período, o cinema é o grande espectáculo de massas, ao lado da rádio, em grande parte porque coincide com a difusão do cinema sonoro e o início progressivo da produção do cinema a cores, o tempo do tecnicolor.

É a época do chamado “cinema clássico”, com grandes filmes e grandes realizadores que vão marcar definitivamente o cinema como uma espécie de realidade paralela ao mundo “real”.

Os grandes géneros do cinema, o filme de terror, o policial (“film noir”), o “Western”, o musical, a comédia,  têm neste período os seus principais modelos que vão servir de referência aos que se fará até hoje.

O modelo de Hollywood torna-se dominante neste período e serve de modelo noutros lugares do mundo, como a Cinecitta em Roma, inaugurada em 1937, beneficiando da promoção que lhe é dado pela criação dos Óscares, em 1929 ou do “star system”.

Mas, principalmente no pós guerra, surgem outras correntes independentes e alternativas a esse modelo, como o neo-realismo italiano, a afirmação do cinema do terceiro-mundo, ou a aparecimento da Nouvelle Vague no final da década de 50, beneficiando do aparecimento de Festivais de cinema como Veneza, em 1932, Cannes, em 1946, ou Berlim, na década de 50.

Na década de 30 vemos a estreia de grandes obras como “O Anjo Azul” (1930)de Josef von Sterneberg, onde se destaca Marlene Dietrich, “Luzes da Cidade” (1931) de Chaplin (que resistiu ao sonoro nesta sua última obra muda), “M-Matou” (1931) de Fritz Lang, “Zero em Comportamento”  (1933) de Jean Vigo, “Os Grandes Aldrabões “ (1933)de Leo McCarey, que marca a afirmação dos irmãos Marx, o documentário “Las Hurdes” (1933)que lança um dos mais famosos realizadores espanhóis, Luis Buñuel, no mesmo ano em que se estreia a primeira versão de “King Kong” (1933), ou duas obras fundamentais para compreender a manipulação no cinema, “O Triunfo da Vontade” (1934) e “Ídolos do Estádio” (1936) de Leni Riefenstahl, “Os Tempos Modernos” (1936) de Chaplin, “A Grande Ilusão” (1937)de Jean Renoir, “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937) de Walt Disney, a primeira longa metragem de animação, “Alexandre Nevsky” (1937) de Sergei Einsenstein , “A Cavalgada Heróica”(1939) de John Ford ou “O Feiticeiro de Oz” e “E Tudo o vento Levou”, ambos de 1939 e de Victor Fleming, entre muitos outros, aí estão para comprovar o início de uma época prodigiosa na história do cinema.

Marcada pelo horror da  guerra, a década de 40 deu-nos obras tão marcantes como “O Mundo a seus pés” (1941) de Orson Welles , a “Relíquia Macabra/O Falcão de Malta”(1941) de John Huston, que marcou a afirmação do cahamdo “film noir”, ou o clássico dos clássicos “Casablanca” (1942) de Michael Curtiz.

Mas a grande novidade da década foi o aparecimento do neo-realismo iniciado por “Obsessão”(1943) de Visconti, “Roma Cidade Aberta” (1945) de Rossellini, ou “Ladrões de Bicicletas” (1948) de Vittorio De Sica.

Data ainda desta década o último filme de Eisenstein, “Ivan o Terrível”, de 1944 mas que só pode ser estreado dez anos depois, após a morte de Stalin.

A década terminava com a afirmação, em 1949, de um novo tipo de filmes, os musicais, com “Um Dia em Nova Iorque” de Stanley Donen e Gene Kelly.

A última década da nossa evocação dá continuidade a grandes realizadores das década anteriores mas vem afirmar uma nova geração nos Estados Unidos, com os de George Stevens ("Um Lugar ao Sol"(1951) , "Shane"(1953), "O Gigante"(1956)), os  de Fred Zinemann ("O Comboio apitou três vezes"(1952), "Até à eternidade"(1953)...), de Howard Hawks ("Os Homens preferem as loiras"(1953),"Rio Bravo"(1959)...), de Nocholas Ray ("Johnny Guitar"(1954), "Fúria de Viver" (1955)...), Billy Wilder ("O Crespúculo dos Deuses" (1950), "Quanto mais quente melhor"(1959)), de Elia Kazan ("Um electrico chamado desejo" (1951), "Há Lodo no Cais"(1954)...), de Davis Lean ("A Ponte do Rio Kwai"(1957)...) ou de Stanley Kubrick ("A Caminho da Glória"(1957)), secundados por um conjunto de actores que marcam uma ruptura com a representação clássica, com Marlon Brando, James Dean ou Marilyn Monroe, uma época também muito marcados pelo período do maccartismo.

Na  Europa afirmam-se Jacques Tati ("As Férias do Sr. Hulot" (1953), "O Meu Tio"(1958)), Ingmar Bergman("Sorrisos de uma noite de Verão"(1955), "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres"(ambos de 1957)) , ou os primeiros realizadores da “nouvelle vague”, como Alain Resnais("Noites de Nevoeiro" (1955) e "Hiroshima Meu Amor"(1959)), François Truffaut ("Os 400 golpes"(1959) ou Jean-Luc Godard ("O Acossado"(1959), que dão os seus primeiros passos no último ano da década.

Mas a década de 50 é igualmente marcada pelo cinema emergente de outras paragens, como o dos cineastas japoneses Ozu ("Viagem a Tóquio" (1953)), Mizoguchi("Contos da Lua Vaga" (1953)) ou Kurosawa ("Às Portas do Inferno"(1950), "Os Sete Samurais" (1954)) ou o do indiano Satyajit Ray("O Indomável" (1957)).

Deixámos para o fim a referência a um cineasta que atravessou os “trinta gloriosos”, realizando uma média de um filme por ano e que simboliza toda uma época e fez a ligação entre o período anterior do cinema mudo e as décadas seguintes.

Referimo-nos a Alfred Hitchcock.

Se há um rosto para o cinema dos “trinta gloriosos” do cinema é o de Hitchcock.

Entre as dezenas de filmes que realizou, destacamos, ao longo deste período, “39 Degraus” (1935), “Rebeca” (1940), “Difamação” (1946), “Janela Indiscreta” (1954), “Vertigo” (1958) ou “Intriga Internacional” (1959).

Pensamos que está assim justificada a designação de “trinta gloriosos” que damos a este período da história do cinema.

FONTES:

- MATOS-CRUZ, José de , "O Cais do Olhar", ed. Cinemateca Portuguesa; 

- SADOUL, Georges , História do Cinema Mundial, 2º Volume, Livros Horizonte

: O Cinema em Torres Vedras, em Portugal e no mundo nos “Trinta Gloriosos” da História do cinema (1930-1960).

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

No Centenário de Charlot : recordar a vida de Charlie Chaplin

A propósito do centenário do “nascimento” da personagem Charlot, que se comemora este mês, aqui recordamos um trabalho da nossa autoria, publicado por ocasião da morte de Charles Chaplin, em 25 de Dezembro de 1977(Ver AQUI o Site oficial de Charlie Chaplin) .
Este foi um dos primeiros artigos da minha autoria publicados na imprensa local, neste caso no jornal “Oeste Democrático”, que tinha sido fundado pelo meu pai em 1975 e desde o seu falecimento em Outubro desse ano era então dirigido por António Augusto Sales (mais tarde por Manuel Candeias).
O trabalho que agora divulgamos foi publicado ao longo de três edições daquele semanário, em 20 de Janeiro, 3 e 17 de Fevereiro de 1978, sob o título de “Charles Chaplin : Vida e Obra”, incluído numa secção de divulgação de cultura popular que eu mantinha nas páginas desse jornal, intitulada “Análise”.
Mantivemos o essencial do texto, corrigido de algumas pequenas imprecisões e gralhas:

CHARLES CHAPLIN – UMA VIDA

OS PRIMEIROS PASSOS

Charles Spencer Chaplin nasceu a 16 de Abril de 1889 em Lamberth, bairro pobre de Londres (“14 dias antes de Hitler”).

Os seus pais eram artistas de «music-hall». Sua mãe, Hannah Hill, pianista e cantora com o nome artístico de Lily Harley, passou grande parte da sua vida internada em casas de saúde (faleceu em 1928), principalmente após a morte do seu marido, barítono de variedades e alcoólico, falecido em 1894.

Neste mesmo ano, apenas com 5 anos, Chaplin substituiu a sua mãe numa peça de teatro
Durante vários meses Charles e Sidney (o seu irmão) viveram num asilo.

Em 1908 é contratado por Fred Karno para trabalhar na companhia de teatro “London Comedians”, onde veio a conhecer o famoso Stan Laurel (o “estica” da dupla “Bucha e Estica”), fazendo ambos parte da equipa de hóquei em pa­tins da Companhia.

Dois anos depois vai a Pa­ris e aos Estados Unidos nu­ma digressão teatral, que se volta a repetir em 1912 e onde teve oportunidade de conhe­cer Mack Sennett que o con­trata para a Sociedade Keystone de Hollywood.

Em 1914 estreia-se no mundo do cinema, protagonizando 35 filmes e tornando-se o cómico mais conhecido e mais bem pago do mundo. O primeiro filme onde aparece, “Making a Living” é realizado em Janeiro e estreia-se no dia 2 de Fevereiro. A personagem de “Charlot” aparece no filme seguinte, “Kid auto races at Venice”, realizado em Fevereiro. Cha­plin explicava assim a criação die Charlot:
“Não tinha a menor ideia da maneira como havia de me apresentar. Mas, quando me dirigia para o vestiário, disse para com os meus botões que ia vestir umas calças largas de mais, pôr uns sapatos enor­mes e completar o conjunto com uma bengala e um cha­péu de côco. Queria que tudo estivesse em contradição: as calças exageradamente largas, o casaco muito apertado, o chapéu pequeno de mais e os sapatos enormes.
“Devia ainda resolver se as­sumiria um ar de jovem ou de velho, mas, lembrando-me de que Sennett me tinha jul­gado mais velho, acrescentei à minha cara um pequeno bi­gode que, segundo me pare­cia, dar-me-ia mais alguns anos, sem ocultar a minha ex­pressão”.

Mas como explicar êxito que desde logo aquele per­sonagem conquistou? Um crí­tico de cinema explicava-o do seguinte modo:
“Na América, o chamado “novo mundo” da competição desapiedada da guerra, de to­dos contra todos nas suas cidades babilónicas e desu­manas, surge de repente um homem, um homenzinho mal ajeitado, remendão e recalcitrante, que corre continuamente no labirinto, cruza-se diante dos nossos olhos, desaparece, volta a aparecer, sobe, desce, cai, levanta-se, apanha pancada, procura trabalho, barafusta, é despedido, tem uma fome crónica de comida para o corpo e de ternura, de carinho e de amor que não encontra por mais que procure (…).
“De quem ( do que) foge Charlot? Dos seus perseguidores implacáveis, os guardiões do sistema que se sentem ameaçados pela força daquele homenzinho fraco que, furtando-se à engrenagem, procura incansavelmente a justiça, a verdade, o bem, no mundo da injustiça, da mentira e do mal. Há sempre um polícia façanhudo, um patrão, um proprietário, um dono de qualquer coisa, que corre atrás de Charlot e de quem ele foge a sete pás. Mas não desanima”.

Ainda nesse ano de 1914, em Abril, Chaplin torna-se argumentista e realizador dos seus pró­prios filmes, no 12.° filme da sua carreira, “Caught in Cabaret” (“Charlot Rapaz de Cafés”).

Entre 1915 e 1918 a sua ac­tividade é cada vez mais in­tensa. Nesse período realiza cerca de 50 filmes, dos quais há a destacar “The Tramp” (“Charlot Vagabundo”), “The Fireman” (“Charlot Bombei­ro”), ambos de 1915, “Easy Street” (“Charlot Polícia” ou “A Rua da Paz”) em Janeiro de 1916 e “The Emigrant” (“Charlot Emigrante”) em Ju­lho de 1917.

Em 1918 surge um dos seus primeiros problemas na vida cinematográfica: a First Na­tional recusa-se a distribuir a primeira versão de “Char­lot nas Trincheiras”, cuja ver­são inicial era de 5 ou 7 bobinas, sendo divulgada ao público apenas com 3 bo­binas.

O negativo original, desco­nhecido até hoje, encontra-se, entre outros segredos, num fortim de cimento, na sua re­sidência da Suíça, onde Cha­plin costumava guardá-los. Sobre este filme escreveu George Sadoul:
“Charlot nas Trincheiras” começa por uma exposição dos seus motivos, por um libelo contra as misérias da guerra. A primeira parte não é cruel­dade mas sim acusação. Cha­plin toca no fundo da miséria humana, na trincheira inunda­da onde o seu personagem procura dormir entre ratos e piolhos, tendo por companhei­ros a solidão, a lama e a água que o submerge.
“Depois, o disfarce poético de um tronco de árvore fá-lo passar para o outro lado do mundo real... O soldado en­contra uma francesa, num ce­nário de ruínas e o amor em­presta calor à cena”.
“Uma comunhão se estabe­leceu desde 1915 entre Char­lot e os soldados. “Charlot nasceu na frente”, escrevia, num justo resumo,, o antigo combatente Blaise Cendrars.
“Os soldados tinham-lhe fala­do de Charlot com tanto en­tusiasmo que ele julgou tra­tar-se de algum dos seus co­legas. Charlot era o irmão desses desgraçados, dentro dos quais subia a revolta con­tra uma guerra para a qual tinham sido arrastados”.

Neste mesmo ano Chaplin monta o seu próprio estúdio cinematográfico. Em Abril está pronto o primeiro fruto deste novo período da sua vida : “A Dog’s Life” (“Vida de Cão”). É ainda em 1918 que Chaplin se casa pela pri­meira vez, com Mildred Harris (nessa altura com 16 anos), vindo a divorciar-se dois anos depois, sendo acusado por ela de “cruel­dade mental” e obrigado a uma indemnização de 100 mil dólares. Chaplin tem de fu­gir com o negativo do filme de “O Garoto de Charlot”, pois os advogados de Mildred ameaçavam confiscá-lo. Deste casamento Chaplin teve um filho ( nascido em 7 de Junho de 1919) que faleceu poucos dias após o seu nascimento.

A partir de 1919 Chaplin torna-se produtor dos seus próprios filmes, fundando a Limited Artists conjuntamente com Mc Adoroy, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e David Griffith.

Em 1921 deslocou-se a Lon­dres para apresentar “O Ga­roto de Charlot”, sendo re­cebido triunfalmente e, se­gundo uma testemunha da época, “O delírio da multidão é tal que o chefe da polícia lhe pede para não atirar flo­res da janela do hotel pois receia que alguém fique es­magado na disputa pela pos­se dessa frágil recordação”. Perante tal delírio Chaplin in­terrogar-se-ia: “Mas tanto barulho por um simples ac­tor de cinema. Se ao menos, para lhes agradecer, eu pu­desse realizar qualquer coisa realmente valiosa: resolver o problema do desemprego, por exemplo...”.

“O Garoto de Charlot» foi a sua primeira Jonga metra­gem.

Em Fevereiro de 1923 realizou o seu 70º filme e a sua últi­ma média metragem: “O Pe­regrino”.
É também desta época o falado romance com Pola Negri (1922-23) que mais uma vez lhe virá causar al­guns dissabores.

Em Outubro desse mesmo ano realiza “A woman of Pa­ris” (“Opinião Pública”) fil­me quase desconhecido e no qual desempenha o papel se­cundário de um modesto fun­cionário dos caminhos-de-ferro.

Ainda em 1923 inicia os preparativos para a realiza­ção de “A Quimera de Ouro”.

Em 24 de Novembro de 1924 casa-se com Lilitta McMurray, mais conhecida pelo seu nome artístico de Lita Grey, da qual teria dois filhos: Charles Jr. (28 Junho de 1925 - suicidou-se em Hol­lywood no ano de 1968) e Sidney Jr. (30 Março 1926). Tal como o anterior este ca­samento só durou dois anos, divorciando-se em 27 de Agos­to de 1927.

A 16 de Agosto de 1925 estreia-se em Nova Iorque “A Quimera de Ouro” (The Gold Rush), segundo Chaplin a sua obra-prima. Este filme rende-lhe 5 milhões de dóla­res e em 1942 e 1956 são dis­tribuídas versões sonoras e comentadas por Chaplin.

O ano de 1926 foi mais um período difícil para Chaplin. Lita Grey arma um escândalo à volta do seu caso com Cha­plin e a imprensa conserva­dora aproveita-se do facto para fomentar uma tremenda pro­paganda contra o homenzinho de chapéu de côco e bengala. Mas os intelectuais mais esclarecidos de todo o mundo apoiam e defendem Chaplin do puritanismo fascista em ascensão. É o caso de Louis Aragon que edita um manifesto intitulado “Hand’s off Love” (“Tirem as mãos do amor”), denunciando a hipocrisia sexual pequeno-burguesa (aderem a este manifesto grandes nomes do surrealismo tais como Louis Breton, Paul Eluard, Max Ernest, Prévert e tantos outros).
Mais uma vez a tremenda força de vontade e capacidade criativa de Chaplin serão postas à prova ao desempenhar o seu papel no filme “The Circus” (“O Circo”) estreado em 1928. Para desempenhar o seu papel nesse filme Chaplin tem de aprender a andar na corda esticada como um profissional de circo.

Se até aqui Chaplin tinha encontrado obstáculos de toda a ordem, os verdadeiros problemas, os verdadeiros problemas e a verdadeira luta contra o obscurantismo vão surgir a partir de 1929. Os Estados Unidos entravam em crise, levando os pequenos produtores independentes à falência. Chaplin aguenta-se graças à sua grande resistência e ao grande apoio do público europeu, à beira do desespero e com a besta fascista à espreita. Mas talvez o facto mais importante para a industria cinematográfica da época tenha sido o aparecimento do sonoro, nesse mesmo ano, que se esteia no filme “O Cantor de Jazz”, pondo à prova a capacidade de adaptação dos realizadores e actores do cinema mudo.

CHARLOT CONTRA O FASCISMO

“É um judeu desprezível, mesquinho e ávido” ( Goebbels, ministro da propaganda de Hitler).

“É um comunista, e ainda por cima um imoral” (Comissão de actividades anti-americanas).

“É o inimigo declarado dos grandes empresários e da polícia” (cadeia de jornais Hearst-anos 30).

...Estas algumas opiniões sobre Charles Chaplin dadas por “ilustres” personalidades e organismos, cuja importância e ensinamentos na manipulação da opinião pública não pode ser negada.

Pois foi de tais personalidades e organismos e as suas influências que Chaplin teve de se defender.

E claro que Chaplin, inconformista e individualista de raiz, encontrava-se na lista negra de todos os totalitarismos e conservadorismos que dominaram a primeira metade do século XX, pronto a ser abatido ao mais pequeno deslize.

A primeira tentativa para abater Chaplin surge quando este, em 1931, se recusa a assinar um contrato de 600 mil dólares para fazer um filme falado. O filme “Luzes na Cidade”, cuja realização se iniciara nesse ano, sofreu as consequências dessa atitude, sofrendo um boicote sistemático à sua distribuição, levando Chaplin à beira da falência.

Mais uma vez Charles vem à Europa procurar salvar o filme e, deste modo, a sua independência em relação às exigências dos produtores e distribuidores Americanos, cada vez mais poderosos económica e politicamente. Percorre os principais centro culturais da Europa - Londres, Paris, Berlim, Viena, Veneza, Florença, Roma e Nápoles — partindo em seguida para o Japão, passando pela Índia, onde se encontra várias vezes com Gandhi, e por Singapura. O filme “Luzes na Cidade” é um êxito completo, saindo reforçada a independência pessoal e económica de Chaplin.

No ano seguinte escapa ileso de uma tentativa de homicídio perpetrada por William Randolph Hearst, rei da imprensa americana, e é Thomas Ince, “pai” do “Western”, que acaba por morrer por engano, em consequência desse mal esclarecido acto. Hearst consegue subornar as testemunhas e o caso é abafado pela imprensa (ver «Expresso» de 30 de Dezembro de 1977).

Em 5 de Fevereiro de 1938 estreia-se em Nova Iorque “Tempos Modernos”, um dos filmes mais importantes de Chaplin e no qual é violentamente criticado o capitalismo e focada a desumanização do tipo de trabalho imposta por este sistema económico. O filme obtém pouco êxito nos Estados Unidos devido à feroz campanha feita contra ele, sendo acusado de propaganda comunista, enquanto, por outro lado, a Alemanha e a Itália, já dominados pelo nazi-fascismo, proíbem a sua exibição. Porém, este filme obtém um êxito fabuloso em Londres, Paris e Moscovo.
Nesse ano Chaplin casa-se com Paulette Godard, em Cantão, na China, não tendo filhos deste matrimónio que durou 5 anos. Paulette Godard, pseudónimo de Paulina Levy, tinha interpretado um papel de garota em “Tempos Modernos” e o de Hannah em “O Grande Ditador”.

Esta última película começa a ser preparada em 1938, secretamente, e a sua realização inicia-se no ano seguinte.

Em Hollywood e em Washington, respectivamente o cônsul nazi e o embaixador alemão pressionam os produtores americanos, ameaçando-os de um boicote total aos filmes norte-americanos na Alemanha, se não impedissem Chaplin de fazer esse filme:
“Hollywood, receosa da perder as suas posições na Alemanha, onde tinha investido importantes capitais entes da subida de Hitler ao poder, não tardou em exercer forte pressão sobre Chaplin (com a aprovação tácita das entidades oficieis e o apoio da imprensa de Hearst) para que desistisse da realização da fita.
“Chaplin tentou resistir, mas algum tempo depois foi forçado a interromper as filmagens em virtude dos violentíssimos ataques dos isolacionistas de ambos os partidos, republicano e democrático. A ofensiva isolacionista partia de uma comissão parlamentar chefiada por Martin A. Dies, anteriormente criada para fiscalizar as actividades dos grupos existentes nos Estados Unidos, mas que passou a orientar a sua acção, declarada a guerra na Europa, contra todos os que manifestassem simpatia pela causa aliada".

Só “depois da queda da França, Chaplin retomou a realização de “O Ditador”, que concluiu em 1940” (Alves Costa, in “Memória do Cinema”). “O Grande Ditador” foi, aliás, a primeira película sonora de Chaplin, estreando-se em Nova Iorque em 16 de Outubro de 1940, sendo proibida na Argentina e em vários países da América Latina, mas obtendo grande êxito nos países anglo-saxónicos. É deste filme o célebre “discurso do ditador”.

Chaplin recusa o prémio da crítica concedido a este filme. Acerca desta película, e quando da sua estreia em Paris após á guerra, Chaplin afirmaria: “Os Ditadores actuais são fantoches que os industrias e financeiros manobram.

Após se ter divorciado de Paulette Godard, Chaplin casa-se com Oana O´Neill, a 16 de Junho de 1943, sendo esta, devido a este casamento, desertada pelo seu pai, o dramaturgo Eugenfe O’Neill. Deste casamento nascem Geraldine (1944); Michael (1948); Josephine (1949); Victoria (1951); Eugene (1953); Jane-Cecil (1957) e Christoph-James (1962).

Em 1947 Chaplin abandona a personagem tão característica de Charlot e metamorfoseia-se num homem elegante, frio, calculista, o oposto em todos os sentidos a Charlot: nasce “Monsieur Verdoux”, baseado numa ideia de Orson Welles. Neste filme Chaplin desmascara uma sociedade hipócrita, dita defensora de certos valores  de certa conduta social, tendo como único feito, melhor levar a aceitar uma sociedade repressiva, autoritária, castradora e frustrante, necessária à manutenção da desigualdade e da injustiça. Mais uma vez Chaplin vê-se alvo das mais violentas campanhas contra este novo “Monsieur Verdoux” (“o Barba Azul”), que vinha incomodar a consciência de muito “boa” gente bem instalada na vida. Para além das ameaças recebidas de particulares a quem os seus filmes perturbavam, Chapim teve de enfrentar a “Liga da Decência”, os “trusts” financeiros e a “comissão contra as actividades antiamericanas» numa altura em que o senador Mac Carthy lançava o terror entre os meios intelectuais, com a sua campanha de “Caça às bruxas” e aos “comunistas” (e de comunistas eram apelidados liberais como Chaplin).

No seu discurso final Monsieur Verdoux afirmava: “Um assassinato faz um criminoso, milhões de mortos podem fazer um herói. Se me sujei de sangue, o mundo encorajou-me: Não é ele que fabrica as armas de destruição com que se exterminam os homens, matando mulheres e crianças indefesas? Nós seremos destruídos pelo excesso do Bem ou do Mal. E se me dizem que demasiado Bem não pode fazer mal, eu pergunto como podemos sabê-lo, se do Bem nunca tivemos bastante”.

Com o terror maccarthyista a expandir-se pelo na maior potência do ocidente, Chaplin apercebia-se do cerco que se apertava sobre ele e todos aqueles como ele que não aceitavam um novo tipo de obscurantismo e puritanismo neofascista. Afirmava Chaplin, nos inícios da década de 50: “talvez um dia destes eu venha a ser declarado indesejável neste país: para mim seria apenas a prova de que já vivemos numa democracia”.

Tal não demorou a acontecer.

Quando em Setembro de 1952 partiu no Queen Elizabeth para Inglaterra em gozo de férias recebe a notícia de que o secretário da justiça lhe tinha retirado o seu visto de regresso aos Estados Unidos. Para o rever tinha de se submeter a um inquérito para provar a sua valia moral. A imprensa norte-americana acusa-o de comunista por ele, durante a guerra, ter exprimido simpatia pelas forças soviéticas que combatiam o nazismo. A tal acusação respondeu Chaplin: “durante a guerra senti simpatia pelos russos que estavam a aguentar a frente. Devemos estar-lhes gratos. Eu não sou um político e não sou russo, sou um cidadão do mundo”, acrescentando : “Fui sempre um internacionalista, e apenas isso”.

Quando chegou à Grã-Bretanha foi recebido entusiasticamente e o escritor católico Graham Green dirige uma carta aberta ao famoso cineasta onde se podem ler as seguintes passagens:
“...Com espanto e pesar nosso, Chaplin rendeu a mais alta homenagem possível aos Estados Unidos ao instalar-se dentro das fronteiras norte-americanas. Agora sentimos desgosto, mas não espanto, por ver a paga que lhe é dada, não pelo povo americano em geral, mas por aquelas autoridades que parece receberam ordens de homens como Mac Carthy. Ao ser invadida a Rússia, o senhor falou em sua defesa numa reunião pública, em San Francisco, a pedido do Presidente dos Estados Unidos. A ocasião não era para meias palavras nem para frases de duplo sentido, e as suas palavras foram tão claras como as de Churchill ou Roosevelt. Mas o senhor teve o atrevimento — dizem agora — de se dirigir ao público empregando a palavra “camarada”. Eis a maior acusação que lhe fazem. E eu pergunto: o que estaria fazendo Mac Carthy naqueles dias?
“Recordando as épocas de Titus Oates e do terror na Inglaterra, queria pensar que os católicos norte-americanos, corpo poderoso, lhe concederão s sua simpatia e o seu apoio. Sem dúvida, um semanário católico dos Estados Unidos não ficará calado. Refiro-me ao “Commonwealth”. Mas...e o cardeal Spellman? E todo o resto? Agora me recordo que Mac Carthy também é católico...”
“...A desgraça de um aliado é a nossa desgraça, e ao atacá-lo a si os “caçadores de bruxas” mostraram que não se trata de um assunto meramente nacional. A intolerância, em qualquer parte, fere a liberdade em todos.”

No dia em que completava 64 ano (16 de Abril de 1953), Chaplin apresentou-se perante o cônsul dos Estados Unidos em Lausanne e diz-lhe: Chamo-me Charles Chaplin. Vivi quase 40 anos nos Estados Unidos, donde saí em Setembro passado. Deram-me um visto de regresso, mas não penso utilizá-lo. Aqui o tem. Entrego-lhe pedindo que o envie ao seu Governo. Passe V. Ex.‘ muito bem, Senhor Cônsul”.

E assim se encerrava o capítulo mais agitado da vida de Charles Chaplin. Agora a idade iria a começar a pesar na sua vida, na sua obra e mesmo no seu inconformismo.

CHAPLIN CEDE À MORTE

Tudo o que é espontâneo, criativo, inconformista, é vida. A vida é isso mesmo. A capacidade de transformar, de ser consciente, de ser diferente e, ao mesmo tempo, solidário para com os outros seres humanos e  a natureza. Tudo o resto não passa de sobrevida ou sobrevivência, de morte ao relanti.

Enquanto inconformista, enquanto criador, Chaplin viveu, por isso foi tão importante para a humanidade, por isso nunca será esquecido: “O que reste após a morte é a consequência dos nossos actos”.

Mas os anos o a glória pesam, a defesa da “prestígio” (mas o que é isso?) e o poder mágico do dinheiro também. E o primeiro a ser atingido é o inconformismo. Com a perda desse inconformismo mais facilmente se é devorado por esto tipo de sociedade que não admite desvios ao seu quotidiano (reprodutor da determinado sistema económico) tais como a criatividade, a espontaneidade ou a imaginação.

Como um último grito de revolta contra essa tal sociedade a sufoca-lo e a engoli-lo, contra esse quotidiano diariamente assumido e onde reina o consumo de objectos, de homens e da natureza, Chaplin realiza em 1957, em Londres, “Um Rei Em Nova Iorque”, o seu primeiro filme rodado fora dos Estados Unidos “ no qual ele encarna o rei Shaklov. Este filme seria cortado pela Censura norte-americana e estreado em Londres, em Setembro, num pequeno cinema de segunda categoria devido a pressões norte-americanas.

Chaplin fecha-se depois para o mundo, em Corsier-Sur-Vevey, na Suíça, escrevendo dois livros: “Autobiografia”, editado em 1964, e “A Minha Vida em Imagems”, em 1974.

Entre estes dois livros, dá-se a confirmação da “derrota” de Chaplin, perante a aproximação da morte, é-nos dada com o péssimo filme “A Condessa de Hong-Kong”, estreado em Janeiro de 1967.

Este filme é o pretexto para os senhores de Hollywood, muita “arrependidos” pela perseguição que lhe tinham movido durante décadas, resolverem homenageá-lo, procurando assim transformá-lo numa inofensiva peça de um museu do cinema.

Em Janeiro de 1972 Chaplin declara aos Jornalistas: “Hoje nade há a perdoar (…). Hoje, sinto-me demasiado velho para algo que me force a regressar à America”.

Mas Hollywood acena-lhe com um “óscar” especial da academia.

Chaplin, de 83 anos, cansado e conformado não resistiu e compareceu em Hollywood em 4 de Abril de 1972 para receber a estatueta, uma espécie de “óscar póstumo” à sua criatividade.

“Tenho um grande afecto pelos Estados Unidos. Afinal, foi um pais onde passei 45 anos da minha existência e do qual possuo recordações muito agradáveis. Quanto às coisas desagradáveis já nem as recordo. Aliás, deixaram de ter para mim qualquer significado válido”, afirmou Chaplin nessa ocasião, acrescentando: “só posso dizer obrigado pela honra que me deram ao convidar-me”.

Como se teria divertido Charlot à custa das afirmações desse “velhinho” que dava pelo nome de Charles Chaplin. Mas nem o próprio Chaplin conseguiria destruir Charlot e toda a mensagem humana da sua obra de juventude.

E foi Já sem qualquer surpresa que vimos Chaplin, ao festejar o seu 85º aniversário ao ar livre, na sua casa de campo, com champagne, convidar o presidente do município e o chefe da polícia da vila de Corsier-Sur-Vevey. Quantos pastéis de nata não teria lançado Charlot à cara de tão ilustres convidados.

E foi num dia de Natal, 25 de Dezembro de 1977, que a morte o veio buscar, aos 88 anos.
Quando do seu enterro e segundo notícias dos jornais: “um dos raros visitantes admitidos na vivenda foi um petiz de Çorsier, trazendo uma grande rosa que entregou, a soluçar, ao guarda encarregado de atender os forasteiros”.

Não resistimos, para terminar, em transcrever uma passagem do livro de Alves Costa “Memória do Cinema” (uma das obra que nos serviu de referência para este artigo):

“Mais ou menos Charlots todos nós somos. Mas Charlot não é só a nossa caricatura, é também e nossa vingança (sobretudo desde Charlot no Music-Hall até ao “Peregrino”). Ele, ao menos, no meio dos seus infortúnios, pode deitar um gelado no decote da grande dama da “alta”; ele, ao menos pode retribuir os pontapés no rabo que todos nos recebemos dos valentões, dos prepotentes e dos polícias. Não é muito mais corajoso do que qualquer de nós. Mas o seu engenho, a sua malícia, a sua argúcia, a sua irreverência dão-lhe uma ousadia que gostaríamos de ter. Na sua solidão, na sua inadaptação ao meio, apesar dos maus tractos que a vida lhe dá, tem artes a tem força pana deitar de cangalhas, pelo ridículo, convenções, preconceitos, vaidades, hierarquias e todas as formas de felsa moral, de falsa caridade, de falsa superioridade, de falso poder”

Morreu Charles Chaplin, viva Chartot.

Venerando António

CEM ANOS DE CHARLOT : Charlot et le Parapluie 1914

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Morre aos 85 anos Shirley Temple, antiga estrela mirim de Hollywood

Foi um modelo para as "meminas" "bem comportadas" dos anos 30 e 40, e por isso todos os anos, pelo Natal, era uma barricada de filmes d Shirley Temple na "santa" televisão salazarista dos anos 60.
Mais uma estrela que

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

FOI HÁ CEM ANOS . O Primeiro Filme de Charlot :Charlie Chaplin 1914 - Making A Living

Fez ontem, dia 2 de Fevereiro, Cem Anos que foi estreado o primeiro filme onde apareceu Charlot, a figura imortalizada por Charlie Chaplin (ver mais informações AQUI).

Aqui recordamos esse primeiros filme.

Ao longo da semana vamos recordar a figura de Charlot, divulgando outros filmes com essa personagem, estrados em 1914: