Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de março de 2021

“Marcelotólogos”


Antigamente, nos tempos da União Soviética, uma sociedade fechada e censurada, desenvolveu-se no ocidente uma disciplina que procurava interpretar os mais pequenos sinais que pudessem permitir interpretar o que se passava no teatro de aparências em quem se movia a elite governante desse país.

Eram os “sovietólogos”, que procuravam interpretar o significado políticos, por detrás das aparências dos gestos da liderança soviética, fosse uma simples mudança de posição numa fotografia oficial, fosse o longo desaparecimento de alguma figura pública das primeiras páginas da imprensa oficial, fosse uma palavra a mais ou a menos num discurso político.

Claro que, tal como em todas “profissões” terminadas em “ólogos” (astrólogos , politólogos…), umas vezes acertavam, outras vezes enganavam-se, mas a actividade devia dar bons empregos na comunicação social, tal a profusão de “sovietólogos”.

Claro que hoje já ninguém se lembra que tais mentes iluminadas nunca previram um Gorbachev , ou o rápido fim da União Soviética.

Contudo, parece que tais “especialistas” estão hoje de regresso com outras vestes, outros fins e outros objectos de “estudo”.

São os “Marcelotólogos”, que se revelaram ontem ao mundo, a tentar especular, cada um com a teoria mais absurda, sobre a razão porque Marcelo Rebelo de Sousa não falou ontem ao país acerca das medidas do “plano de reabertura progressiva” (erradamente referido como “medidas de desconfinamento”).

Hoje uma jornalista abordava o presidente, que está numa visita de Estado em Roma, pondo na boca dos “portugueses” uma dúvida que apenas surgiu na cabeça dos “marcelotólogos”, a ideia que o silêncio do presidente era um “sinal” (dos “céus”!!!) da sua divergência com o governo.

Marcelo respondeu simplesmente com o óbvio. Não falou porque estava de viagem e, matando logo ali a nova profissão, confirmou a sua concordância com as medidsa ontem anunciadas.

Veremos se chega para acabar com a “disciplina” de “marcelotologia”.!!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Estado de Emergência . É para cumprir (mesmo discordando-se).



Perante a grave situação vivida, devemos acatar todas as ordens das autoridades, principalmente as emanadas, por ordem decrescente de credibilidade, pela Direcção Geral de Saúde (DGS), Ministério da Saúde, Primeiro-Ministro e…Presidente da República (PR), mesmo quando discordamos ou temos dúvidas.

Apesar de tudo, temos a sorte desta crise ter acontecido sob o governo de António Costa e presidência de Marcelo Rebelo de Sousa.

Já imaginaram o inferno que seria se tudo isto tivesse acontecido nos tempos de Passos Coelho e Cavaco?

Isto não quer dizer que não discordemos de algumas atitudes dos nossos actuais governantes.

Como a Democracia e a Liberdade não foram suspensas, todos temos direito a comentar ou opinar sobre algumas dessas decisões e, passada a grave situação, haverá tempo para fazer balanços e responsabilizar pelos erros.

Sendo assim, passo a explicar porque, até prova em contrário, coloca o PR no final da lista.

Quando já se conhecia a grave situação vivida na Itália e existiam recomendações da DGS, o sr. PR resolveu brincar com a situação, continuando a distribuir beijinhos, abraços e selfies.

Depois, quando percebeu que a coisa era mesmo séria, retirou-se para uma espécie de quarentena forçada (e “dourada”), remetendo-se ao silêncio e o país ficou “entregue” à Drª Graça Freitas e ao governo, que tomaram as medidas adequadas, acatadas, reponsavelmente, pelos portugueses e, cujo resultado, já se começou a ver hoje, quando, pela primeira vez, se registou um número inferior de novos infectados em relação ao dia anterior.

Eis senão quando o sr. PR renasce das cinzas, cheio de “pica” e, de forma apressada, sem consultar os especialistas , cedendo ao mais puro  populismo musculado, aplica, apressadamente, o “estado de emergência”, só não lançando o caos porque muitas das medidas permitidas por essa decisão já tinham sido tomadas pela DGS e pelo governo, sem o “estapafúrdio” “marcelista”, mas provocando as primeiras divisões na opinião pública sobre o combate aos Coronovírus.

É assim que faço minha as palavras sempre sábias do jornalista Ferreira Fernandes, ontem no Diário de Notícias online:

“Justificando com os portugueses terem até agora acatado bem as medidas que têm sido impostas, o Governo e a esquerda que o apoia preferiam não ter de invocar o argumento de autoridade do estado de emergência. Não é preciso falar alto quando se é ouvido... Marcelo e toda a direita, por uma vez unidos, preferiam o contrário.
“Costa tem como justificação política uma certa profilaxia da democracia: os estados de exceção são um comer que aumenta o apetite... Por seu lado, Marcelo precisava de fazer prova de vida depois do seu excesso de abraços públicos já com a pandemia declarada, seguido de uma recolha a casa ainda não bem explicada. E a direita, além de não querer perder a oportunidade, há muito rara, de se mostrar unida, deixa-se levar pela sua tendência natural para a política musculada (aliás, neste dias, palavra por ela muito invocada).
Claro que tudo isto é política menor perante a questão essencial e grave: combater o coronavírus. Ele é o inimigo de todos".

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Para acabar de vez com a situação de sem-abrigo



O Presidente da República voltou a alertar mais uma vez para a necessidade de resolver o vergonhoso problema da existência de tanta gente a viver nas ruas.

O que o Presidente não explicou foi que políticas defende para o fazer. Provavelmente não é ele que o tem de fazer.

A situação dos sem-abrigo em Portugal é um problema cujas causas e origens há muito que estão estudadas (ver AQUI e AQUI dois importantes estudos disponíveis, embora tenham sido elaborados há  mais de 10 anos).

Num estudo realizado pelo Instituto de Segurança Social feito em 2010, defendia-se o perfil do sem-abrigo como “homem” em idade activa, solteiro, com baixo nível escolar, vivendo do rendimento social de inserção.

A origem da degradante situação dessas pessoas residia no desemprego, na pobreza, em situações pessoais (alcoolismo,  pior que o consumo de droga, doenças mentais, conflitos familiares, principalmente a violência doméstica) e a dificuldade de acesso a instituições de saúde.

Esse conjunto de causas impedia os sem-abrigo de financiar um alojamento permanente.

Uma grande parte dessas pessoas, quase metade, vivem no distrito de Lisboa, e, destes, a maioria no concelho de Lisboa.

No principio deste ano a Câmara de Lisboa calculava que existiam cerca de 3 mil sem abrigo, dos quais cerca de 400 no concelho da capital.

Recentemente saiu a noticia que entre 2015 e 2017 o número de sem-abrigo no concelho de Lisboa teria sido reduzido em 50%. Recorde-se que, nos anos da Troika, chegaram a ser contabilizados mais de mil sem-abrigo no concelho de Lisboa.

Outro dado curioso é que os vários estudos revelam que 80% dessas pessoas são portugueses, desmentindo uma ideia feita que atribui à emigração a origem dessa situação.

Claro que o conceito de “sem-abrigo” não inclui outras situações degradantes, que se têm vindo a agravar desde os tempos da Troika ( ou do “ir além da Troika”) e desde a famigerada “lei Cristas” para a habitação.

São essas situações, que muitas vezes disfarçam a gravidade da real situação dos sem-abrigo, os “sem-casa”, isto é, aqueles que recorrem às casas abrigo ou a instituições, os que vivem em “habitações precárias”, ocupando espaços ilegalmente, abandonados em casa de amigos ou familiares, devido às dificuldades financeiras de manterem uma casa, os, a situação maioritária e nunca incluída nos números dos “sem-abrigo”, que vivem em “habitações inadequadas”, casas sem aquecimento, pequenas, velhas  e degradadas.

Se o Presidente quer ser consequente, assim como a ministra que o acompanhou na visita desta semana aos sem abrigo, só têm que agir no sentido de combater o desemprego e o emprego precário, reduzir a pobreza através da valorização salarial e das pensões, melhorar as ajudas socias e o acesso à saúde, em especial à mental, tomar medidas descomplexadas em relação ao consumo de drogas e ao combate ao alcoolismo, e, no topo de tudo, já que é um problema de direito à habitação, consagrado na Constiuição, que está na origem dos sem-abrigo, tomar medidas corajosas nesta área, como, por exemplo tabelar por lei as rendas de casa até ao T2 e combater a actual situação de total descontrole no sector da habitação.

Os estudos estão mais que feitos e as causas  detectadas .

Só é preciso ter coragem para avançar com medidas concretas…a não ser que se fique pela eterna caridadezinha, que remedeia no imediato, mas  adia a resolução dos problemas, embora limpe a consciência de muita gente!!

terça-feira, 1 de julho de 2014

O respigo da semana : "Marcelo, Miguel, o BES e nós", por João Miguel Tavares:

Já nos referimos várias vezes por aqui à misturada entre políticos do centrão, banqueiros e comunicação social.

A propósito da bola de neve que se vai avolumando sobre o caso BES e das suas guerras familiares, começa-se agora a descobrir o poder que esse banco e a família a ele ligado têm em Portugal, movendo influências entre a classe política dominante e controlando a opinião pública.

Essa rede de influências, que envolve até alguns conhecidos comentadores da nossa praça, está acima de qualquer tribunal Constitucional ou de qualquer “Constituição Comunista”, como alguns comentadores de direita gostam de classificar esse documento fundamental para o regime democrático.

Acima da liberdade, da lei, da Constituição “comunista” ou da própria democracia pluralista, essa rede de influências é a principal responsável pelo estado a que o país chegou.

A última crónica de João Miguel Tavares, um dos mais lúcidos, independentes e criativos comentadores da direita (como o próprio se designa), é, nesse aspecto, insuspeita e coloca o “dedo na ferida” deste regime caduco em que vivemos, sendo por isso a nossa escolha para o “respigo da semana”:

“Marcelo, Miguel, o BES e nós"

Por João Miguel Tavares

In Público de 1 de Julho de 2014

(crónica semanal “0 RESPEITINHO NÃO É BONITO”).

“Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas - basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?

“A resposta é óbvia: porque a família Espírito Santo é demasiado grande e o país demasiado pequeno. Enquanto a família esteve unida, formou um bloco inexpugnável, pela simples razão de que o seu longo braço chegava a todo o lado, incluindo partidos (alguém já ouviu António José Seguro, sempre tão lesto a dar palpites sobre tudo, comentar o caso BES?), comunicação social (quem não se recorda do corte de relações com o grupo Impresa em 2005, na sequência de notícias sobre o envolvimento do BES no caso Mensalão?) e até aos próprios comentadores, por via das relações pessoais que Ricardo Salgado mantém com gente tão influente quanto Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares.

“Ora, ninguém à face da terra possui uma independência inexpugnável. Isso não significa que todos tenhamos um preço - significa apenas que somos condicionados por relações de amizade ou de sangue e que nesse campo uma família de 300 membros, que há décadas se move na alta sociedade portuguesa como peixe na água, acaba por chegar a quase toda a gente que interessa. O próprio Sousa Tavares referiu essas ligações há um ano, numa entrevista à Sábado: “O Ricardo Salgado é sogro da minha filha e avô de netos meus. Além disso, somos amigos há muitos anos, porque eu fui casado com uma prima direita dele. Nunca o critiquei e nunca o elogiei, porque acho que não se fala da família em público.” Pode apontar-se a Miguel Sousa Tavares muita coisa - eu já o fiz -, mas não falta de independência ou coragem. Simplesmente, quando o caso BES atinge esta dimensão, o silêncio de alguém com a sua importância torna-se efectivamente um favor a Salgado. Não há como fugir a isso. 

“Mas se Sousa Tavares não fala sobre o tema e já justificou porquê, o mais influente comentador português - Marcelo Rebelo de Sousa - necessita urgentemente de aproveitar algum do seu tempo dominical para fazer a sua declaração de interesses em relação aos Espírito Santo. E essa declaração é tanto mais premente quanto nas últimas semanas tem vindo a defender a solução Morais Pires, considerando até que a impressionante queda das acções do BES na passada semana era coisa “inevitável”, visto estarmos perante “um novo ciclo”. Que essa queda tenha acontecido exactamente por não estarmos perante um novo ciclo parece não ter passado pela sua cabeça, habitualmente tão veloz e atenta.


“Não admira, pois, que Nicolau Santos tenha chamado a atenção no Expresso para o facto de Marcelo e Ricardo Salgado já terem passado juntos “várias vezes férias no Mediterrâneo”. E,   já agora - acrescento eu - que Rita Amaral Cabral, há longuíssimos anos companheira de Marcelo, como é público, seja actualmente administradora não executiva do BES, e, entre 2008 e 2012, um dos três membros da comissão de vencimentos do banco. Marcelo, como todos sabemos, nunca teve quaisquer problemas em criticar aqueles que lhe são próximos. Mas há factos que devem ser verbalizados - porque é precisamente destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui”.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"As Ecolhas de Marcelo"... na hora da despedida...

Chega hoje ao fim o programa “As Escolhas de Marcelo” .

Recordo-me, já lá vão muitos anos, de ter estado presente num colóquio em Torres Vedras onde o orador convidado era Marcelo Rebelo de Sousa.

A sua presença integrava um conjunto de painéis , que contaram também com a presença de Mário Soares e Álvaro Cunhal e alguém do PP, cujo nome não me recordo.

Lembro-me de, no final da sua intervenção, o ter aplaudido entusiasticamente. Deve ter sido a primeira fez que aplaudi, de vontade, um então dirigente do PSD, partido por quem não tenho afinidades políticas ou ideológicas.

Marcelo Rebelo de Sousa, então como agora, tinha esse condão de saber reflectir sobre a realidade nacional, mantendo distanciamento em relação à sua ideologia política e capacidade usar um raciocínio claro, aberto e estimulante.

Na profusão de opinadores e comentadores que invadiram o espaço jornalístico e televisivo, a maior parte incapaz de um pensamento original ou de sair dos padrões ideológicos neo-liberais, poucos conseguem revelar as capacidades reflexivas, críticas e analíticas de um Marcelo Rebelo de Sousa (MRS).

Foi essa capacidade que fez do seu programa um dos mais vistos e respeitados pela audiência televisiva.

Não deixou de ser curioso que a direcção da RTP não tivesse percebido a independência e originalidade de MRS em relação ao partido onde milita e tivesse sentido necessidade, para “garantir o pluralismo”, de contrabalançar o programa de Marcelo com a criação de outro programa do género com a presença de um militante do PS. Refiro-me ao “Notas Soltas” de António Vitorino.

Em primeiro lugar, se defendiam o pluralismo político, então deviam ter convidado comentadores próximos do BE, do PCP ou do PP para outros tantos programas do género.

Em segundo lugar, a diferença de audiência entre aqueles dois programas é a prova acabada do equívoco desse “princípio”. Se Marcelo se consegue distanciar dos que lhe estão ideologicamente próximos, o mesmo não se pode dizer de António Vitorino.

A actuação de António Vitorino limitou-se a fazer figura de “limpa fundos” das asneiras políticas do “socratismo” ou de tentar atenuar as críticas de Marcelo à actuação governamental.

Em terceiro lugar, não deixa de ser no mínimo estranho que o fim das “Escolhas de Marcelo” tenha sido condicionada pela saída anunciada de Vitorino, em nome de um discutível “pluralismo” informativo defendido pela actual direcção da RTP.

Recorde-se que MRS havia abandonado a TVI em protesto contra pressões do governo de Pedro Santana Lopes sobre o seu programa.

À luz deste e de outros acontecimentos recentes, aquela actuação do governo PSD/CDS, que tantas críticas mereceu então de José Sócrates, não deixa de ser vista hoje, a esta distância, como uma gota de água no oceano das pressões do “socratismo” sobre a comunicação social.

Muitas vezes discordei das opiniões de MRS, mas é sempre uma perda quando alguém com um pensamento estimulante e original , como o seu, deixa de ter um espaço próprio para se manifestar.

É mais uma pedra na construção do cinzentismo cultural e ideológico deste país. O “socratismo” agradece.