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quinta-feira, 19 de março de 2015

Primeira lei do novo Governo grego é de luta contra a pobreza...burocratas(credores!!!?) da União Europeia reagem com ameaças...


A primeira lei aprovada pelo novo parlamento grego teve em vista responder à crise humanitária provocada por cinco anos de austeridade imposta pela troika:


Entre as medidas previstas nessa lei estão medidas tão "extremistas" e "irresponsáveis", aos olhos da Comissão Europeia, do Eurogrupo e do BCE, como fornecer 300kw de electricidade gratuita até ao fim do ano às famílias que a não podem pagar, apoiar arrendamentos, com 70 a 220 euros mensais, para evitar a tragédia dos despejos ou auxiliar desempregados que ficaram sem Segurança Social e, por isso sem os mais elementares direitos a cuidados de saúde.

A esmagadora maioria dos partidos representados no parlamento grego aprovaram essa lei, entre eles partidos tão "extremistas" como a Nova Democracia e o PASOK.

A resposta dos verdadeiros extremistas e fanáticos, aqueles que estão em Bruxelas, Frankfurt ou Berlim  foi a que se pode ler na notícia seguinte:

Bruxelas tenta vetar leis anticrise humanitária na Grécia(clicar para ler).

Os mesmos burocratas que andam tão preocupados com os gastos com o combate à pobreza na Grécia, e que foram os mesmos que tiveram as mesmas reacções extremistas e fanáticas ameaçando Portugal quando por cá se aumentou miseravelmente o já de si miserável salário mínimo, são os mesmos que andaram a facilitar a fuga ao fisco de grandes empresas em países europeus, no valor de biliões de euros, beneficiando o Estado luxemburguês, são os mesmos que vêem de países, como a Holanda, que funciona como um paraíso fiscal que permite, por exemplo, que quase todas as vinte maiores empresas portuguesas não paguem impostos em Portugal, no valor de muitas dezenas de milhões de euros, são os mesmos que vêem de países, como a Alemanha e a Finlândia, cuja economia e  bancos têm sido os principais a beneficiar com a crise e a política de "terra queimada" das medidas de austeridade levadas a cabo nos países periféricos e são os mesmos que, ainda ontem, inauguravam um edifício em Frankfurt que custou mais de mil milhões de euros.

Como europeu, sinto cada vez mais nojo e vergonha dos burocratas e políticos que dirigem as instituições europeias que nos (des)governam!!!

segunda-feira, 9 de março de 2015

UM DOCUMENTÁRIO ALEMÃO DENUNCIA AS ILEGALIDADES E MALFEITORIAS DA TROIKA: Puissante et incontrôlée la troïka Arte 2015 02 24

Depois de ser apresentado numa sala em Berlim, o documentário  "Troika: Poder sem Controlo", do jornalista Harald Schumann, realizado por Árpád Bondy, foi exibido no canal Aere no passado dia 24 de Fevereiro. 

Este documentário, juntamente com outras provas das malfeitorias desse Troika, talvez venha a contribuir para, um dia, quando houver justiça e humanidade entre os burocratas da União Europeia, se criar um tribunal internacional para julgar essa gente, os governantes colaboracionistas e os seus executantes, por crimes económicos e sociais contra a humanidade...

O jornalista do Público Paulo Pena, (leiam AQUI a sua reportagem na integra) que acompanhou a estreia do filme, explica como é que este projecto nasceu: 

"Ao longo do último ano, Harald, que é um dos mais reconhecidos jornalistas de investigação alemães, com livros que vendem mais de um milhão de exemplares, e um outro documentário, sobre bancos, no curriculum, viajou de Lisboa para Atenas, de Nicósia para Dublin, de Frankfurt para Washington. Entrevistou mais de 30 pessoas, de Yannis Varoufakis a obscuros burocratas da troika. Quando começou, a troika não era, como o muro, uma recordação ou uma cicatriz. Estava em plena actividade.

"Quando, na última semana, terminou a montagem definitiva do documentário, o Eurogrupo parecia ter declarado o óbito desta associação informal da Comissão Europeia com o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, destinada a intervir nos países que deixaram de poder refinanciar as suas dívidas depois do pânico gerado pela crise financeira de 2008. Na sexta-feira à noite, Harald deu por terminado o trabalho. E o Eurogrupo chegou a acordo para uma extensão dos empréstimos à Grécia, pela primeira vez sem a chancela da troika.

"Timing perfeito para a estreia, sublinhado pela grande ovação no final. Harald subiu, timidamente, ao palco para agradecer, com Bondy. E explicou o que leva um alemão a querer saber o que maioria das instituições europeias ignoraram durante quase quatro anos: como foi possível que “um pequeno grupo de funcionários não eleitos recebesse o poder de mudar radicalmente alguns países?” “Só no final de 2013, em véspera de eleições, o Parlamento Europeu decidiu investigar. Durante três anos ninguém quis saber…”

"As respostas que Schumann encontrou são surpreendentes. Thomas Wieser, presidente do grupo de trabalho do Eurogrupo, é um desses funcionários que poucos conhecem. Austríaco com gosto por gravatas pouco convencionais, é ele quem coordena os dossiers que, nas cimeiras dos ministros das Finanças da zona euro, acabam por redundar em decisões políticas.

Wiesel olha com um ar desconfiado para a câmara de Schumann, mas ensaia uma resposta: “Todas as acções que foram tomadas nos países sob assistência não tiveram lugar dentro do quadro legislativo normal da União Europeia.” Este reconhecimento não é um sinal de arrependimento, contudo. Wieser acredita que esse “estado de excepção” legal se justificou.

"Mesmo se isso levou a situações tão impensáveis como a que é descrita no filme pelo ex-ministro grego da Reforma Administrativa. Antonis Manitakis era o responsável da pasta no último Governo da Nova Democracia, de Antonis Samaras. Certa noite, “às 11 horas”, recebe uma chamada do chefe do FMI em Atenas (que também esteve em Portugal), o dinamarquês Paul Thomson. Ouviu uma voz ríspida do outro lado: “Depende de si se a Grécia recebe o próximo empréstimo de 8 mil milhões de euros:” Manitakis afirma, indignado: “Fui chantageado. Ele queria medo e submissão. Deu-me a sensação, nas reuniões que tivemos, que eu representava um país não apenas em dificuldades, financeiras, mas basicamente corrupto.”

"(...)

"O pior que pode acontecer a um país é cair mãos de burocratas internacionais”, lamenta Paulo Nogueira Baptista, director executivo do FMI, em Washington. Este brasileiro tem assento no “conselho dos 24” que comanda os destinos do fundo, e reconhece que a participação da instituição no processo grego “foi um momento mau do FMI”. Não só porque tudo foi “pouco transparente”, mas também porque “nos ambientes protegidos de Washington e de Bruxelas” ninguém consegue “sentir os problemas dos países” sob intervenção.

"Uma das entrevistas mais curiosas, e que despertou gargalhadas na assistência no cinema Arsenal, foi dada por um desses “burocratas”, Albert Jaeger, também austríaco, representante do FMI na troika portuguesa. (...)

Jaeger tem o papel de redimir a seriedade do documentário com momentos cómicos. Schumann pergunta-lhe por que razão insiste a troika em mexer na legislação laboral portuguesa e em baixar os salários. “Na situação em que Portugal se encontra, tem de aumentar a competitividade. Muitas das reformas laborais foram muito úteis para a competitividade da economia.”

Porém, os maiores beneficiários dessas medidas, os empresários portugueses, desmentem Jaeger no minuto seguinte. António Saraiva, da CIP, explica a Schumann que “os salários em Portugal não são elevados". "Os salários baixos fazem parte de um modelo de desenvolvimento ultrapassado. Num inquérito aos nossos empresários, a reforma laboral aparece em sétimo lugar das suas prioridades. A troika limitou-se a ouvir-nos, mas pouco fez. Acho que deveria ter a nossa opinião em consideração.”

Paul Krugman, economista, resume o problema a Schumann: “Se nós somos Angela Merkel, tomamos decisões que afectam gregos e portugueses, mas só respondemos aos eleitores alemães…”

(...)".

O documentário pode ser visto integralmente em baixo, na sua versão em francês:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ONU recomenda abandono progressivo das medidas de austeridade em Portugal


Segundo notícia ontem divulgada pela Lusa “O Conselho Social e Económico das Nações Unidas (CES-ONU) considera que a ajuda externa teve um "impacto adverso" nos direitos económicos, sociais e culturais em Portugal, defendendo o progressivo abandono das medidas de austeridade com a recuperação económica”.

"O conselho nota com preocupação que, apesar das iniciativas tomadas para mitigar o impacto económico e social das medidas de austeridade adoptadas no âmbito do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, a crise económica e financeira teve um impacto adverso no usufruto dos direitos económicos, sociais e culturais da maioria da população, em particular nos direitos dos trabalhadores, segurança social, habitação, saúde e educação", lembrando “ a obrigação do Estado de proteger os mais desfavorecidos para sublinhar a necessidade de ir abandonando as medidas de austeridade à medida que a economia recupera.

Ainda segundo aquela notícia, este relatório “é a quarta avaliação da transposição dos princípios do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que Portugal assinou em 1978, para a legislação portuguesa, e resulta de um conjunto de reuniões entre a delegação portuguesa e o comité das Nações Unidas responsável por avaliar o cumprimento dos princípios do tratado pelo Estado português”.

Aquele  Conselho chama ainda  a atenção do Estado português “para a sua carta [enviada a todos os Estados membros] de 16 de maio de 2012, em particular para as recomendações sobre os requisitos para a aplicação de medidas de austeridade", nomeadamente a parte onde se lê que estas medidas "só podem ser aplicadas se forem temporárias, necessárias e proporcionais, e não discriminatórias ou que afectem de forma desproporcional os directos das pessoas e grupos mais desfavorecidos e marginalizados".

Por isso a ONU “recomenda uma "revisão" das políticas adoptadas durante e depois do programa de ajustamento, "com vista a garantir que as medidas de austeridade são progressivamente abandonadas e que a protecção efectiva dos direitos no âmbito do Tratado seja melhorada em linha com o progresso atingido na recuperação económica pós-crise".
Lembra ainda "a obrigação do Estado, ao abrigo do tratado, de respeitar, proteger e fazer cumprir progressivamente os direitos económicos, sociais e culturais, até ao máximo dos recursos disponíveis".


O mesmo Comité “recomenda que o Estado aumente os esforços para reduzir o desemprego, em particular o desemprego entre os jovens, para atingir progressivamente a completa realização do direito ao emprego", que é um dos direitos contemplados no Pacto que Portugal assinou em 1978, e no âmbito do qual são feitas avaliações de cinco em cinco anos sobre a transposição destes princípios para a legislação em vigor em cada um dos países que assinaram o tratado”.

ONU recomenda abandono progressivo das medidas de austeridade em Portugal (clicar para ler artigo inteiro)

A estas recomendações podemos juntar  a corajosa intervenção recente do Papa Francisco no Parlamento Europeu que, coerentemente com as suas posições críticas contra a desumanidade do sistema financeiro, criticou a crescente desumanização imposta pelos líderes europeus com a primazia que dão ao económico sobre o humano, reduzindo o ser humano “a mera engrenagem num mecanismo que o torna um bem de consumo descartável” denunciando “o tecnicismo burocrático” das instituições europeias”.

Ao que parece por cá essas duas posições, uma da ONU, outra do Papa Fancisco, criticando os fundamentos ideológicos da troika e da maior parte do discurso político e dos comentadores de serviço, não faz grande mossa.

Um crescendo de relatórios internacionais tem vindo também a denunciar o impacto das medidas de empobrecimento levadas a cabo em Portugal e nos países do sul da Europa, bem como a perda de direitos dos trabalhadores e dos cidadãos europeus em geral, sem que tal provoque qualquer reacção ou, quanto muito, reacções de enfado de políticos, comentadores e economistas.

Revelando que não respeitam, quer as opiniões da ONU , quer as opiniões do Papa sobre este assunto, tivemos ainda recentemente a burocracia europeia e insistir na austeridade para Portugal e uma Ministra das Finanças subserviente a garantir a manutenção dessas medidas.
Por sua vez o enfadado Presidente da República continua surdo e mudo em relação a essas denuncias contra a austeridade, que ele tem apoiado, preocupado com o impacto que qualquer atitude que questione a austeridade imposta a Portugal possa ter nos “mercados”.

O próprio ministro da economia procura transmitir a idéia contrária àquelas criticas, fazendo crer a melhoria da nossa  imagem lá fora, junto dos mesmos “mercados”.


Ou seja, Presidente da República,  governantes e comentadores em geral estão mais preocupados com a imagem internacional do país perante os tais “mercados” (leia-se, especuladores financeiros, banqueiros que se especializaram no branqueamento de capitais com origem na fuga de impostos e negócios menos lícitos – droga, armamento, prostituição-, detentores de fortunas obtidas com desrespeito pelos mais elementares direitos humanos e democráticos oriundas dos chamado “países emergentes” – Rússia, China, Angola, México, ìndia…- e subservientes instituições da burocracia europeia dominada por políticos de carreira), do que aquilo que respeitáveis instituições internacionais possam pensar e dizer sobre o assunto e a imagem que estas transmitem de Portugal.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Os PIIGS e as Pérolas do Porcos da Troika (sem ofensa para os porcos, que até são animais inteligentes...)


Sindicatos dizem que recuo do Governo sobre indemnizações por despedimento ilegal era "inevitável" - PÚBLICO (clicar para ler notícia)

As longo destes últimos anos temos sido surpreendidos pelas pérolas porcas dos senhores da Troika sobre os PIIGS (a designação com que essa gente classifica em pensamento e actos os países do “sul” da Europa : Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e “Spain”) .

Entre muitas outras, aquela de que os salários são altos, trabalha-se pouco, vivemos acima das nossas possibilidades…

Na realidade, tudo não passa de um conjunto de mentiras , várias vezes repetidas, tornando-se assim “verdades”  convenientes, para poderem impor o seu programa de “reajustamento”, ou seja, de roubo generalizado aos trabalhadores, pensionistas e contribuintes para pagarem os desvarios do mundo financeiro e a possibilidade dos burocratas das instituições Europeias e das instituições financeiras internacionais continuarem, esses sim, a viver acima das suas possibilidades.

Para tal contam com uma poderosa máquina de propaganda, como a maior parte dos jornais e jornalistas de economia, políticos do arco do poder, comentadores de serviço, instalados de armas e bagagens na maior parte da imprensa de referência, em especial nos órgãos de comunicação massificados, como o são a maior parte das televisões.

É assim que essa gente tem o desplante de continuar a defender cortes salariais e nas pensões, as quais, na maior parte do “PIIGS” , estão muito abaixo da média europeia, nomeadamente  se comparados com os países que controlam as decisões da Troika.

É ainda com o mesmo desplante que consideram prematuro que em Portugal se aumente o valor do salário mínimo nacional, com um valor que nos envergonha a todos e abaixo do rendimento necessário para se fugir à pobreza.

Mas a pérola principal da grande porca em que se transformou a Troika é a de procurar convencer os nossos políticos, com ajuda dos seus aliados da propaganda jornalística, em alterar as leis do trabalho, retirando o pouco que resta de alguma dignidade na actividade profissional. 

Como se tem visto, as más leis que existem, mas que são pérolas comparadas com a porcaria que essa gente defende, não impedem o grande aumento do desemprego, a precaridade profissional, a fuga de jovens qualificados para o estrangeiro  ou o aumento descontrolado do horário de trabalho, regressando-se, em muitos casos, a realidades do século XIX e o que essa gente defende é ainda pior do que isto.

Como suprema porcaria emanada de tão porcas cabecinhas troikistas estava esta idéia inclassificável de reduzir as indemnizações a quem fosse despedido de forma ilegal.

Para mim o que me surpreende não é que este governo, pela primeira vez, tenha resolvido bater o pé a essa porca gente (ou não tivéssemos eleições à porta!!!).

O que me surpreende é que da cabeça de técnicos ditos “responsáveis”, bem vestidos e bem pagos, pudesse germinar uma tal idéia, bem reveladora da falta de ética e de escrúpulos dessa gente.

Não é, contudo, de admirar que uma tal pérola surja em tais cabeças. É que estamos a falar da cabeças criminosas….sim, criminosas!…basta ler o relatório saído do Parlamento Europeu para se perceber que a troika funciona ilegalmente, à margem dos tratados europeus, sem qualquer controle democrático, sem respeitarem a lei e a Constituição dos países intervencionados, como se tem visto pela forma como eles próprios tratam o Tribunal Constitucional. Ora, quem funciona ilegalmente, é criminoso, não encontro outra palavra...

Mas os técnicos da troika não funcionam totalmente em autogestão, são os mandantes de políticas decididas nas costas dos portugueses, por gente com rosto e que devia ter os conhecimentos mínimos sobre a realidade social, económica e legal do país de onde são originários, como é o caso de um Durão Barroso, líder da Comissão Europeia, de um Victor Constâncio, vice-presidente do BCE, ou de um Victor Gaspar, alto funcionário do FMI, cargo a que ascendeu depois de ter feito o trabalhinho da troika em Portugal.

Por isso, este recuo do governo em relação a uma das mais estapafúrdias ideias dessa troika, não é inocente, é mero fogo-de-artifício pré-eleitoral, nem pode fazer esquecer outras porcas ideias ilegais emanadas dessa troika, e muito menos quem está a dar cobertura a essa gente, nomeadamente os três portugueses referidos acima e que, um dia, se houver justiça, terão de responder pelos crimes e pelos roubos que fizeram aos cidadãos dos seu país.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

“Obrigado Troika”…uma manifestação que só podia ser mesmo a gozar..




Afinal a manifestação de apoio à troika, convocada por um hipotético grupo auto-intitulado “Obrigado Troika”,não passou de uma original e irónica brincadeira organizada pelos promotores da manifestação do próximo fim-de-semana, o grupo “Que se lixe a Troika!”.

Talvez por isso, e porque se deixaram enganar de forma indecente, os órgãos de comunicação social procuraram disfarçar o ridículo em que caíram silenciando maioritariamente esse “não acontecimento”.

Eu próprio acreditei na iniciativa, pois julgo que, infelizmente, até existirá espaço para uma iniciativa a sério de apoio à troika, pois há muitos que estão a ganhar com esta crise, basta olhar à nossa volta…

Já estava a imaginar uma manifestação liderada por Poiares Maduro, em representação do governo, ombreando como o funcionário da União Europeia em Portugal que redigiu o conhecido vergonhoso documento de chantagem e ataque às instituições democráticas portuguesas, acompanhados por representantes das embaixadas da Alemanha, Holanda, Finlândia e, porque não, de Angola e da China, empunhando megafones de onde debitavam as palavras de ordem da manifestação:

“Portugueses trabalhadores e qualificados fora de Portugal, Já!”;

“Trabalho com direitos Não! Precaridade Sim!”;

“Nem mais um português com Pão, Saúde, Educação e Habitação!”;

“Os funcionários públicos e os pensionistas que paguem a crise!”;

“Sindicalistas? Vamos a eles, carago!”;

“Tribunal Constitucional para a Rua, já!”;

“Constituição? Só por cima do meu caixão!”;

“O povo não aguenta? Ai aguenta, aguenta!!!”;

“Salários, impostos, desempregados e reformados? Não pagamos! Não pagamos! Não pagamos! Não pagamos…”;

“Estado Social? Querias…contenta-te com a sopa dos pobres!”.

Logo atrás, um grupo de banqueiros e grandes empresários, liderado por Eduardo Catroga,  Fernando Ulrich e Ricardo Salgado, marchava à frente de milhares de especuladores bolsistas e de accionistas de grandes empresas, onde estavam representados todos os membros das empresas do PSI 20 que colocaram os seus impostos nos paraísos fiscais, agradecidos pelos sucessivos perdões fiscais e pelo dinheiro do empréstimo da troika, pagos por todos nós, que vieram salvaguardar o seu estilo de vida . Podiam-se ver ainda muitos antigos gestores e accionistas do BPN.

Seguia-se uma ala liderada por Camilo Lourenço, César das Neves, Vitor Bento, e Ricardo Arroja, formada por cerca de 500 manifestantes, que incluíam os comentadores, economistas e jornalistas que circulam revezadamente por jornais e televisões, a tropa de choque da propaganda em favor do memorando e que nos tenta impingir o caminho único, massacrar-nos a convencer-nos da nossa culpa por vivermos “acima das nossas possibilidades”, isto é, vivendo com mais de 600 euros, ou ainda justificando-nos todos os cortes com a “falta de dinheiro” (..mas…o dinheiro não foi queimado, não depende da meteorologia e, se existe na Alemanha, país com a mesma moeda e fazendo parte do mesmo espaço económico comum, porque é que não pode existir em Portugal ou na Grécia???...).

Vinham depois todos aqueles, mais alguns milhares, que conseguiram ludibriar o fisco, e continuam alegremente a exibir os seus sinais  exteriores de riqueza, prova de que é injusto acusar a troika de empobrecer o país. Estes chegaram ligeiramente atrasados, por dificuldade em estacionar os Ferraris, Jaguares , Porches e topos de gama, ainda a cheirar a fresco..

Seguia-se uma impressionante ala de milhares de secretários de Estado, gestores de institutos, fundações e empresas públicas, assessores, representantes de conhecidos escritórios de advogados, representando o empreendedorismo que a troika preserva.

Logo atrás milhares de anónimos militantes do PSD e  do CDS que ainda acreditam no pai Natal nas benesses do estado, na esperança de serem rapidamente promovidos a “boys” para os muitos “jobs” que a troika vai criar com a sua política de “desenvolvimento”.

A encerrar a manifestação, liderados pela srª Isabel Jonet,  os milhares de pobrezinhos que o Paulo Porta citou, que não participam em manifestações da CGTP , mas que marcaram a sua presença nesta grande manifestação, na esperança de poderem partilhar a boda aos pobres prometida para o final.

Chagados ao Largo Jean Monet, juntos da representação da Comissão Europeia em Portugal, foram lida mensagens  de Durão Barroso, de Olli Rehn,  Angela Merkel, srª Lagarde e de, a partir de um sitio qualquer da América Latina, de Cavaco Silva e Passos Coelho (Paulo Portas estava em lugar incerto), de incentivo na luta contra a Constituição, contra  o Tribunal Constitucional, contra os Sindicatos e toda a oposição, contra os direitos sociais e contra os piegas de toda a espécie, e de apoio caloroso ao grande trabalho de empobrecimento colectivo e de salvação dos mercados financeiros, levados a cabo pela nobre acção da troika e dos seus executantes em Portugal .

Terminada a manifestação, instalou-se a confusão à entrada do Gambrinos e do Tavares Rico, aberto até altas horas da madrugada, até esgotar todas as reservas de marisco e o whisky.
Como se vê, uma manifestação como aquela, levada a “sério” até que podia reunir alguns milhares de manifestantes e estar bem compostinha…os 5% dos portugueses que escapam ou beneficiam da crise acentuada pela acção da troika, até podiam encher uma avenida ou … (sem malícia…) o  Campo Pequeno…

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O REGRESSO DOS VAMPIROS



A vampiragem está de regresso a Portugal e chegaram mais cedo.

Vão ser recebidos com pompa e circunstância por governantes contaminados pela mordidela dessa gente e por jornalista embevecidos com o seu charme ou receosos de perder o emprego, pois que a maioria da comunicação social está nas mãos dos vampiros mores da banca.

A vampiragem vem exigir mais sangue à “manada” pois são insaciáveis, ameaçando com banhos de sangue intermináveis entre os trabalhadores,  os contribuintes e os cidadãos em geral.

Medrosos, os nossos governantes oferecem-lhes o nosso sangue em cálices de ouro sem pestanejar , na esperança de virem um dia a ocupar lugares de novos vampiros, ou, no mínimo, que essa vampiragem lhes ofereça algumas gotas de sangue que sobrarem do festim.

Se os virem pela frente, abram-lhe as janelas, pode ser que este sol radioso os transforme a todos em pó…seria um descanso para todos…

O SOM DO DIA - 659 - O REGRESSO DOS VAMPIROS: O original: José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)


O SOM DO DIA - 658 - No Dia do regresso dos Vampiros: Luís Galrito & Hélio Perfeito - Vampiros


O SOM O DIA - 657 - O REGRESSO DOS Vampiros - Nicolas Jaar e Gisela João - Lux (Lisboa)


O SOM DO DIA - 656 - O REGRESSO DOS Vampiros (Zeca Afonso) performed by Sandra and Louie Russo


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O REGRESSO DO "MIGUEL DE VASCONCELOS": FMI já está em Portugal a preparar reforma do Estado.



Ficámos a gora a saber que a tão badalada “refundação” já está a ser negociadas nas costas dos portugueses há algumas semanas com peritos do FMI.

Ou seja, toda a retórica do governo na Assembleia da República a propósito da intensão de discutir com a oposição e os parceiros sociais sobre a “refundação” do Estado não passa de uma  mal encenada farsa.

Já não é a primeira vez que este governo negoceia nas costas dos portugueses: já aconteceu com a trapalhada da TSU, aconteceu com o “brutal” aumento de impostos e passa-se agora, ficámos a saber, com a tão propagada “refundação”.

É óbvio que este governo assume-se cada vez mais como um mero  capataz dos interesse financeiros que estão a sufocar a vida dos portugueses. 

A preocupação de Passos Coelho e do seu governo,  não é representar os portugueses e os interesses nacionais junto das instâncias e instituições internacionais, como o fazem, por exemplo, os governos conservadores e de direita da Rajoy, de Monti, de Samaras ou de Cameron, mas ser um mero aluno “bem comportado”.

Todos nós conhecemos esse alunos “bem comportados”, geralmente pouco imaginativos, “lambe botas” e, em casos mais graves, meros delatores junto dos “professores”, situação que é trágica quando o “professor” é de má qualidade (no caso, uma Merkel, um Barroso, um Rampuy, um Rhan , um Constâncio e tantos outros da mesma laia) de uma  “escola” de péssima credibilidade (Conselho europeu, Comissão Europeia, BCE…).

Neste momento este governo não representa ninguém, nem quem o elegeu, apenas são meros executores acríticos das medidas impostas pela troika.

A história de Portugal está cheia de “Miguéis de Vasconcelos”. Esperemos que os do século XXI não venham a ter o mesmo destino daqueles….