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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Rússia e Israel , Guerra e Paz, Paralelos e ...absurdos !!!???


A Rússia ataca a Ucrânia. É uma Grave violação do Direito Internacional.

Israel, depois de já ter atacado a Síria e o Líbano, ataca o Irão. Estão a “defender a Democracia”.

A Rússia desculpa-se pela invasão com a presença de grupos neonazi que dominam o poder da Ucrânia, situação comprovada por fontes independentes,  e perseguem, desde 2014, as populações de origem russa, cometendo crimes de guerra contra essas populações (cerca de 10 mil em 8 anos), como aconteceu em Odessa.

Israel desculpa-se, para bombardear o Irão, com o apoio do regime dos aiatolas a grupos terroristas como o Hamas e outros que atacam Israel.

A Rússia, onde estão proibidos vários partidos políticos, assassina adversários políticos e mantém em prisão muitos outros é uma ditadura.

A Ucrânia que proibiu mais de uma dezena de partidos com a desculpa de serem pró russos, que persegue e assassina populações russófona e opositores desde 2014, é uma “democracia”.

O Irão, que persegue mulheres e opositores em nome da religião há anos, é uma autocracia religiosa.

Israel que pratica apartheid contra os palestinianos, obrigados, há décadas, a abandonar as suas terras e casas, enviado para ghettos, sem liberdade de circulação na sua própria terra, com grandes limitações para usufruírem dos mesmos direitos dos israelitas é a “única democracia do região”.

Os russos bombardeiam a Ucrânia, atingindo hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando mais de uma dezena de civis por dia, praticam crimes de guerra.

Os israelitas bombardeiam Gaza, atingindo deliberadamente hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando menos de uma centena de civis, estão a "defender a democracia" e a defender-se dos terroristas.

Os ucranianos recebem do ocidente ajuda militar para enfrentar a invasão russa. Quem vier com “conversas pacifistas” é um “apoiante de Putin”.

Os palestinianos não recebem ajuda humanitária porque esta “beneficia o Hamas” e se alguém falar em armar os palestinianos para se defenderem da agressão de décadas por parte de Israel, estão a “defender o terrorismo”.

O Batalhão Azov e outros grupos extremistas estão em roda livre, desde 2014, na Ucrânia, infiltrados nas forças armadas e de segurança e na maior parte dos partidos legais  que dominam o parlamento, em muitos caso em cargos de liderança. São “heróis”.

O Hamas, cujo crescimento e acção foram facilitados por Israel para “tramar” a autoridade palestiniana, assim como outros grupos jihadistas que combatem Israel, são considerados, e bem, grupos terroristas (Sabe-se entretanto que  Israel está a apoiar grupos jhiaditas, rivais do Hamas, para combater estes, grupos esses tão terroristas como o Hamas).

A Rússia, quando efectou bombardeamentos e ataques perto de centrais nucleares ucranianas, foi um “escabeche” danado, um alarmismo desmedido, entre as lideranças ocidentais e os comentadores de serviço.

Agora que Israel bombardeia directamente centrais nucleares iranianas, é o silêncio, a desvalorização e/ou a procura de justificações esfarrapadas por parte do “ocidente” e dos mesmos comentadores. Se calhar a vida das populações em risco com essas acções tem valor diferente. Um Europeu e um “cristão” “radioactivo” vale mais que mil muçulmanos, árabes ou persas, "radioactivos".

No meio de tudo isto, a Ucrânia continua a apoiar, no mínimo pela abstenção, as acções criminosas de Israel, o que não deixa de ser tristemente irónico. Mais um prego na credibilidade da liderança ucraniana.

Resumindo e concluindo: as lideranças europeias e os seus proxies na nossa comunicação social, estão em força a branquear o governo criminoso de Israel, usando argumentos que são exactamente os opostos que usam para a guerra na Ucrânia.

Quem perde? Para além da verdade, o povo palestiniano, os judeus, que perdem toda a credibilidade que ganharam como vítimas do Holocausto e séculos de perseguição, e não vão ter paz nas próximas décadas, o causa ucraniana, porque fica evidente para todos o mundo os dois pesos e duas medidas usados pelas lideranças ocidentais. Perde a ONU, e todas as organizações humanitárias, cada vez mais isoladas na sua acção.

Quem ganha? A liderança criminosa de Israel, que desvia a atenção dos crimes cometidos em Gaza, os yatolas radicais do Irão, que vão aumentar a sua força na defesa do Irão e o próprio Hamas que ganha "razão" para o seu ódio a Israel, e outro criminoso, Putin , que surge como "defensor da paz" e do "direito internacional" (!!??).

Perdem também os pacifistas, olhados agora, com os argumentos falaciosos do costume, como “sionistas” e “apoiantes” do Hamas ou de Putin,.

Pois! também ganham os negociantes de armas,  as petrolíferas e o sector financeiro que está na base de tudo isto.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Um Cartoon Censurado pelo facebook (ao serviço do governo genocida de Israel)


Provávelmente ente post também vai ser censurado.

Até lá fica a informação sobre um acto de censura promovido pelo facebook, ao serviço do governo criminoso de Israel e do assassino Natanyahu.

Ontem coloquei na minha página do facebook uma reprodução de um cartoon do autor português Vasco Gargalo, retirado da net, penso que da página da revista Sábado (?), e

que podem ver abaixo.

Acompanhava esse cartoon com um comentário meu : "Com o "alto patrocínio" da União Europeia.

Para surpresa minha, ao abrir hoje o facebook, deparei-me com a remoção desse post com a seguinte desculpa dada pelo facebook : "É possível que a publicação contenha símbolos, glorificação a pessoas e  organizações consideradas perigosas".

Para que não restem dúvidas, aqui reproduzo o texto que me enviaram para justificar o acto:

"28/05/2025
Removemos a tua publicação
Por que motivo aconteceu isto
É possível que a publicação contenha símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.

Venerando Aspra de Matos
27/05/2025
Com o "alto patrocínio" da União Europeia: (reproduzindo o cartoon)
Partilhaste isto no teu perfil
Isto desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.

E quais são esses padrões que foram "desrespeitados" pelo dito Cartoon?
De acordo com o censor foram os seguintes :

 "Pessoas e organizações perigosas
Não permitimos que as pessoas partilhem ou enviem símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.
Exemplos de coisas que não permitimos
Glorificar um ataque terrorista
Apoiar a violência contra um grupo de pessoas específico
Apoiar ou promover atividades criminais prejudiciais, tais como tráfico de pessoas"

Está explicado:

Ao reproduzirmos a cara do assassino Natanyahu estávamos a promover um líder, promotor de ataques terroristas em Gaza e na Cisjordânia, apoiante da violência contra "grupos de pessoas específicas" (os Palestinianos) e o tráfico de pessoas, obrigando milhares de pessoas a deslocarem-se dentro de Gaza.

Entretanto, aconselhados por um amigo a quem aconteceu o mesmo, constestámos a situação ao facebook.  Responderam assim:  "Olá, Venerando. Revimos novamente a tua publicação.Confirmámos que desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.Sabemos que isto é dececionante, mas queremos manter o Facebook seguro e acolhedor para todos. 

Sem comentários!!

                                          

NOTA FINAL: Este caso teve novos desenvolvimentos. Ontem, dia 28 de Maio, por volta das 22 horas, voltei a postar no facebook esse mesmo cartoon, com o seguinte comentário:

"Mesmo correndo o risco de já ter uma fotografia minha com um alvo na testa a ser distribuida pelos agentes terroristas da MOSSAD em Portugal, e mesmo sabendo que este cartoon vai voltar a ser censurado, aqui o volto a reproduzir. Aproveitem para o partilhar e copiar antes que os censores do facebook voltem ao ataque (cartoon de Vasco Gargalo)":

E de facto, quando voltei a visitar a minha página, por volta da meia-noite, o cartoon tinha sido retirado, como os mesmos argumentos da primeira vez.

Publiquei então o seguinte comentário:

"Como já devem ter reparado, o Facebook voltou a censurar o cartoon de Vasco Gargalo que já tinha sido censurado ontem. Ficamos assim a saber quais são as opções políticas dessa plataforma. Pelos vistos o Sr Netanyahu é um criminoso "respeitável" para os censores do Facebook. A plataforma de cartoonistas Cartoon Movement, a revista Charlie Hebdo e outros cartoonistas independentes que se cuidem perante a caça às bruxas e a falta de sentido de humor desses assanhados censores, que, com essa atitude, são coniventes e cúmplices dos crimes de Israel na Palestina"

Ao mesmo tempo voltei a contestar a decisão.

Para meu espanto, desta vez voltaram atrás com a decisão, dando-me a seguinte resposta:

"28/05/2025

Restaurámos a tua foto

Olá, Venerando

Chegámos à conclusão de que a nossa equipa de revisão cometeu um erro ao remover a tua foto.

Agradecemos o tempo que dispensaste a pedir uma revisão e a ajudar-nos a melhorar os nossos sistemas. A nossa prioridade é manter a segurança e o respeito na comunidade. Por isso, às vezes temos de tomar precauções".

Tal mudança de atitude só pode ser explicada por uma ou várias das seguintes razões:

1 - o meu apelo para reproduzirem e partilharem o cartoon, antes de voltara ser censurado foi seguido por muitos amigos, aumentando a visibilidade desse acto de censura;

2 - O meu protesto envergonhou os censores:

3 - O censor que estava de serviço a esta hora era outro, mais benevolente, do que aquele que censurou o cartoon da primeira vez.

Contudo, o primeiro post não foi reposto e sei que algumas pessoas que partilharam esse cartoon, também alvos de censura, não viram o seu post reposto.


quinta-feira, 20 de março de 2025

O Novo "nazifascismo"


Não deixa de ser curioso.

Os Estados Unidos e a Rússia (herdeira da antiga União Soviética, que então incluía a Ucrânia), foram os principais responsáveis pela derrota do nazi-fascismo no século XX.

Os judeus,  os povos do leste e da antiga União Soviética foram os que mais sofreram como a violência do nazismo.

Os judeus fundaram Israel como consequência da violência que sobre eles se abateu com o Holocausto.

E o que vemos hoje?

Estados Unidos,  Rússia, Ucrânia e Israel,  nesse passado “antifascista” os principais combatentes ou vitimas do nazi-fascismo, são hoje os responsáveis pela disseminação, a nível mundial, dos ideais da extrema-direita, um novo "Nazismo", com várias vertentes e variantes, nalguns casos combatendo-se entre si, adaptado aos dias de hoje (a Rússia de Putin, algumas milícias e batalhões  ucranianos, os Estados Unidos de Trump e Israel de Nethanyhu).

Uma total e preocupante inversão e desrespeito pelo  passado histórico dessas nações e povos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Quando o Governo de Portugal adopta a táctica da “pesca de arrasto” de Israel.


Parece que a táctica do governo de Israel de “pesca de arrasto”, para apanhar presumíveis terroristas, está a servir de modelo para acções policias do governo português.

A táctica Israelita é a seguinte: presume-se que um presumível “terrorista”, assim classificado pelo governo israelita, vive num determinado bairro, então bombardeia-se o bairro e fica-se com a certeza que se eliminou o dito “terrorista”, de preferência junto com toda a família, pais, filhos, esposa, primos e tios, e já agora todos os moradores do bairro, transformados em “danos colaterais” .

Ao que parece, a moda está a pegar por cá, adoptada em acções policias de “combate ao crime”.

Não há mortes, embora por vezes as coisas não corram bem, como já aconteceu pontualmente em certos bairros ditos problemáticos, mas há humilhação e ameaças a habitantes de bairros inteiros, onde vivem alguns presumíveis  criminosos suspeitos.

Mais grave ainda, alinha-se no preconceito semeado pela extrema-direita em relação aos “estrangeiros” (não todos, se forem oligarcas de leste, especuladores financeiros em lavagem de dinheiro e especulação imobiliária ou  mafiosos ocidentais, as acções, se existem, são discretas, sem incomodar muito os bairros chiques onde essa gente vive), e escolhem-se os bairros onde esses “estrangeiros” vivem.

Depois, com estrondo e aparato, encostam-se todos os habitantes e pessoas que ali circulam, com ar de estrangeiro, à parede, e revistam-se, e pode ser que a táctica da pesca por arrasto dê alguns frutos.

Azarito!! “Apanharam” um pequeno traficante como umas gramitas e uma arma ilegal, e está justificado o aparato da operação. Azarito ainda maior, afinal o “perigoso” criminoso, apanhado por acaso, não é emigrante, é português!!!???

Provávelmente teriam mais êxito se usassem o mesmo método em certos bairros chiques de Lisboa, em ruas de bares frequentados por nómadas digitais ou por “jovens liberais”.

Experimentem o mesmo método nas festas da cidade, nos desfiles e festas de Carnaval e verão a surpresa que vão ter!!!

Pelo resultado, percebe-se que o objectivo não é apanhar criminosos mas, pura e simplesmente, intimidar e humilhar comunidades inteiras, fazendo um servicinho à extrema-direita xenófoba, talvez acreditando que tiram daí dividendos políticos, retirando argumentos a essa mesma extrema-dirieta.

Tenho uma má notícia. Quem tentou fazê-los por outras bandas só contribuiu para “normalizar” essa ideologia e dar-lhes “razão”, contribuindo para o seu crescimento eleitoral.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

O governo terrorista de Israel e a Banalização do Mal!!

 


O governo terrorista de Israel e as organizações terroristas que aplicam a sua política de terra queimada, a IDF (Forças Militares Israelitas) e a MOSSAD ( a Gestapo local), praticam todos os dias, há décadas, mas especialmente durante o ultimo ano, os mais hediondos crimes de guerra, com a benevolência ocidental, que arma esses terroristas.

Comparados com a acção desse bando terrorista, organizações terroristas como o Hamas o Hezbollah ou o Estado Islâmico fazem papel de meninos do coro…

Recorde-se, aliás, que quem introduziu no Médio Oriente o terrorismo como método de acção política foi Israel, na sua luta contar a presença britânica no pós-guerra-

Vejam a diferença de tratamento que o dito “ocidente” e a maior parte dos seus “comentadores” e jornais dão aos crimes diários praticados por Israel e aos crimes diários (mas em menor grau, diga-se de passagem…) praticados na Ucrânia.

A Rússia foi banida de quase todos os eventos culturais e desportivos, Israel continua todos os dias a participar nesses mesmos eventos, integrados  muitos desses eventos em representação da  Europa (???).

Igualmente inconcebível é a posição do poder ucraniano em relação a Israel. Não se percebe como é que a Ucrânia, vítima de uma agressão idêntica àquela que é todos os dias praticada pelo governo terrorista de Israel, se recuse a condenar a acção israelita.

Não perceberam ainda que essa posição e a posição ocidental de “dois pesos e duas medidas” estão a contribuir para reduzir o apoio da opinião pública mundial, principalmente a que vive fora da Europa, para a sua causa?

Aliás, quem, e bem, critica a invasão da Ucrânia e a acção do governo russo, mas, e mal,  tenta justificar a acção do governo terrorista de Israel, ou diz apoiar o povo ucraniano mas nega o apoio aos palestinianos, perde toda a legitimidade moral para defender as suas posições.

O governo terrorista de Israel, com os seu crimes diários, está a emporcalhar e  a envergonhar a memória das vítimas do Holocausto, o que nos leva a pensar que os actuais lideres desse estado terrorista não descendem dos judeus perseguidos mas dos kapos, ou até de nazis que se infiltraram entre os refugiados judeus, fazendo-se passar por eles para escaparem a serem julgados como criminosos de guerra.

A  acção terrorista desse governo é o mais contributo para o preocupante crescimento do antisemitismo, ao acusar qualquer critica, por mais moderada, à sua acção crimininosa de "antisemita", confundindo o antisemitismo com o antisionismo.

Claro que o estado terrorista de Israel está rodeado por países igualmente governado por gente pouco recomendável, entre ditaduras sanguinárias e extremistas religiosos.

A maior parte desses estados nada fazem para proteger os palestinianos, por razões de xenofobia ou por fundamentalismo religioso.

Contudo, a questão não é o asilo de palestinianos, mas a construção de um Estado Palestiniano onde possam conviver todas as religiões da região e a população nativa, com ou sem religião.

Aliás, tem sido contra isso que foi criado o Estado de Israel, um Estado religiosamente fundamentalista, um Estado de Apartheid,  onde existem cidadãos de primeira, os judeus, e uma população de segunda, com menos direitos, todos os não judeus. Enfim, uma “verdadeira” “democracia liberal” para uns, se forem judeu, mesmo que não tenham nascido em Israel, e uma ditadura radical para todos os outros habitantes desse território.

É essa banalização do mal que o “ocidente”, com a conivência de países como a Ucrânia, continuam a alimentar, colocando o mundo à beira do abismo….mas a industria militar e quem a financia agradecem!!!

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Os assassinos “bons” e os assassinos “maus”

 


Guerra é guerra, como diriam as freiras da anedota.

A resposta de Israel ao criminoso ataque do Hamas de 7 de Outubro, pôs em questão a forma como muitos olhavam para a guerra, desde a criminosa invasão da Ucrânia pela Rússia de Fevereiro de 2022.

A forma diferente como, no “ocidente”, se começou a olhar para os dois conflitos militares (enquanto outros, como no Iémen, no Paquistão, na Líbia, na Síria, no Iraque, no Afeganistão, no Congo ou no Sudão, caiam no esquecimento), trouxe ao de cima toda hipocrisia da narrativa dominante.

Falar de paz tornou-se “perigoso”, pois, rapidamente, os que a defendem, desde sempre, os que defendem uma solução para os conflitos militares, começaram a ser tratados de forma agressiva, nas redes sociais e na “informação de referência”, impondo-se cada vez mais um discurso militarista.

Os pacifistas têm sido acusados de “apoiantes de Putin” ou de “antissemitas”, uma forma de inviabilizar qualquer discussão sobre as soluções para esses conflitos militares.

Sabe-se que, por detrás desse discurso militarista, estão interesses ligados à indústria de armamento e ao mundo financeiro, as “ditaduras” sem rosto que, na realidade, decidem a vida de milhões de cidadãos por todo o mundo e que sustentam a economia neoliberal dominante.

A forma como têm sido noticiados, até à náusea, os crimes da Rússia na Ucrânia, comparativamente com a mesma atenção dada aos crimes israelitas na Palestina, é demonstrativo dos “dois pesos e duas medidas” da narrativa “ocidental”.

Exemplo disso tem sido o tratamento dado à destruição de um hospital pediátrico em Kiev , presumivelmente por um míssil russo.

Esta tipo de ataques tem sido recorrente na Ucrânia, desde a guerra civil iniciada em 2014, principalmente na região do Donbass, com responsabilidades nos dos dois lados do conflito. Contudo, ataques destrutivos com a dimensão deste último, são esporádicos e raros, comparativamente com o que se passa na Palestina.

O mesmo não se pode falar dos ataques israelitas à Palestina desde há nove meses, onde, diariamente, são relatados ataques a instalações hospitalares, com um número de vítima igual ou superior àquele outro ataque criminoso a Kiev.

É caso para se dizer que aquilo que aconteceu em Kiev é a realidade diária na Palestina.

Chegamos à conclusão que, a “ocidente”, existem dois pesos duas medidas e que a morte de crianças palestinianas parece valer menos que a morte de crianças ucranianas, que a destruição diária de Hospitais e outras instalações humanitárias na Palestina é menos grave que um ataque, raro, mas regular, ao mesmo tipo de instalações por parte da Rússia (ou da Ucrânia no Donbass, desde 2014, que também existem).

Criança morta é criança morta, Hospital destruído é Hospital destruído, tudo actos criminosos, sejam crianças morenas ou crianças brancas de olhos azuis, seja em solo Palestiniano ou em solo Ucraniano.

Não deixa também de ser significativa a diferença de tratamento dado à Rússia e a Israel, percebendo-se as sanções sobre os primeiros, nomeadamente expulsando esse país de provas desportivas, mas não se percebendo a falta de sanções do mesmo tipo sobre Israel.

Esta forma diferente de encarar os dois conflitos está a por a nu toda a hipocrisia “ocidental” e reflecte-se na quebra de simpatia inicial pela causa ucraniana, situação agravada pela própria posição oficial do governo ucraniano em relação ao conflito palestiniano.

Solução? O cessar fogo, a negociação e a paz justa, por muito difícil que ela seja de alcançar ou correndo o risco de beneficiar o infractor.

A Guerra permanente e infindável é o pior de todas as soluções. Quem é que ainda não percebeu?

 

 

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Imagens parecidas

            
Realidade e ficção , duas épocas diferentes, dois locais diferentes, um povo em situações diferentes, como carrasco genocida e como vítima de genocídio.
Quando a História se repete, com protagonistas a desempenharem papéis diferentes e opostos

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Eurovisão - Quem, ao votar em Israel, "votou" nos massacres em Gaza?


A grande surpresa deste Festival da canção foi a votação do "público" na canção Israelita, um acto de apoio declarado à acção de Israel em Gaza, já que a canção, em si, nem qualidade tinha para estar entre as mais votadas.

Na maior parte dos países, a votação do juri, não controlável nem fácilmente manipulável, ignorou quase sempre a canção Israelita.

Pelo contrário, o voto do "público"  não é controlável, é, geralmente, um voto militante e uma pequena minoria pode manipular fácilmente o voto "popular". Só assim se percebe o resultado desse voto na votação final.

A tudo isto temos de juntar a vergonhosa actuação da organização do evento, assumindo declarados actos de censura sobre o públco e os concorrentes, como o de usar uma sistema tecnológico que anula as vaias, como já tinha acontecido em 2014 em relação à canção da Rússia (os apupos, então, concdenavam a invasão da Crimeia).

Desta vez a Eurovisão, seguindo a politica "ocidental" que a controla através das televisões estatais, aplicou o principio de "dois pesos, duas medidas", impedindo, e bem, a Rússia de concorrer, por causa da invasão da Ucrânia, mas permitindo que Israel, à mesma hora em que cometia mais crimes de guerra, actuasse no festival e protegendo os interesses Israelitas no póprio Festival, como actos de perseguição aos concorrentes que contestavam essa situação.

Mais uma vez Israel e os seus representantes emporcalham a memória da vítimas de todas as perseguições, como os próprios judeus noutros tempos e no Holocausto!

A situação não é dificil de perceber se tivermos em conta que o principal parceiro financeiro do Festival deste ano foi a "Moroccanoil", uma poderosa multinacional de cosméticos, de capital... Israelita. Tem a sua fábrica principal em Jerusalém!!

Além dessa empresa, o Festival teve o apoio, menos evidente, de empresas como a Easyjet Feat Scooch, a Royal Caribbeaneurope (de cruzeiros) e a Tik Tok.

Investiguem senhores jornalista, investiguem....a não ser que tenham medo que lhes bata à porta uma brigada da Mossad ou, na pior da hipóteses, de serem abatidos na rua por essa agência criminosa israelita, cuja actuaçaõ nada fica a dever à Gestapo.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

O que faz Israel no Festival da Eurovisão?


Imagem do dia, no dia em que teve inicio o grande espectáculo da hipocrisia que é  o Festival da Canção Eurovisão: o criminoso exército de Israel filma a entrada em Rafah dos seus tanques que avançam sobre umas bandeira, que destroem à sua passagem. São bandeiras dos terroristas criminosos do Hamas? Não! São bandeiras da Palestina!

Com esta imagem simbólica fica óbvio ao que vai o criminoso exército de Israel, destruir o que resta da Palestina, aproveitar a resposta aos crimes do Hamas para submeter de vez os palestinianos, recorrendo ao genocídio e a métodos que nada ficam a dever aos usados pelos nazis na 2ª Guerra. O Hamas, recorde-se, é uma organização terrorista fomentada por Israel, para enfraquecer a autoridade palestiniana, e que fugiu do controle do “criador” (tal como aconteceu com os Estados Unidos em relação ao Daesh e aos talibãs).

Voltando ao Festival da canção. Nunca percebi o que fazia Israel num festival europeu da canção. O mesmo posso dizer em relação à presença das suas equipas em campeonatos desportivos europeus.

Muito menos se percebe a presença desse país nas actuais circunstâncias, principalmente se tivermos presente a forma como a Rússia foi expulsa do certame e de todas as provas desportivas.

Qual é a diferença entre os crimes de Israel na Palestina, desde há décadas, e os crimes da Rússia na Ucrânia, desde há dois anos?

Embora não seja adepto que se misture a política com a arte, a cultura e o desporto, até porque nasci em plena época da guerra fria onde, no desporto, nas artes e na cultura, era possível o convívio entre as diferenças políticas, até compreendo a iniciativa que foi tomada em relação à Rússia, impedindo-as de participar em eventos desportivos e culturais.

Abriu-se um precedente que, em coerência, devia ser continuado e devia servir de aviso a quem quisesse enveredar pela violação do direito internacional e recorrer à guerra para impor a sua vontade imperialista ou nacionalista.

Era isso que se esperava face à resposta desproporcionada dos criminosos governo e exército Israelitas aos crimes do Hamas.

Ficou ainda mais evidente que o chamado “Ocidente” usa dois pesos e duas medidas nas relações internacionais.

Aliás, a acção de Israel, não só na faixa de Gaza mas, desde há muito, na Cisjordânia, tem atingido níveis de violência e criminalidade que fazem de Putin um menino do côro.

Recorde-se a descoberta de valas comuns em Gaza, obra do criminoso exército Israelita, cujas provas de violência não são muito diferentes das encontradas em Bucha. Só que neste caso se avançou rapidamente, e bem, para processos penais por crimes de guerra, mas, no caso de Israel, a situação é tratada com pinças e tenta-se fazer com que esses crimes caiam no esquecimento.

O “ocidente”, de má consciência em relação às perseguições histórica aos judeus e ao Holocausto, cede à retórica do criminoso governo de Israel e à sua chantagem emocional.

Para os criminosos governo e exército de Israel e para os seus apoiantes eleitorais, qualquer condenação dos crimes de Israel é acusado de “antisemitismo”.

Contudo, quem está a prestar um bom trabalho ao crescimento do antissemitismo é o próprio governo criminosos de Israel e os seus apoiantes, que, todos os dias, com os seus crimes, envergonham e emporcalham a memória das vítimas do Holocausto.

Com a política de dois pesos e duas medidas, face a Israel e à sua criminosa agressão aos palestinianos, e face aos russos e à sua criminosa agressão aos ucranianos, o “ocidente” só se está a desacreditar face ao resto do mundo e, quem vai pagar caro essa atitude, são, no imediato, os palestinianos, a prazo a causa ucraniana e, a um prazo mais dilatado, os próprios Israelitas e europeus.

Não se percebe que se expulse a Rússia do Festival da canção e de outros eventos, e se mantenha a presença de Israel. Qual a diferença dos crimes desses dois países?

Aliás, não deixa de ser tristemente curiosa, mesmo lamentável, a atitude do poder Ucraniano em Relação a Israel. Estou mesmo curioso de ver qual vai ser a votação do júri ucraniano em relação à canção de Israel.

Em relação ao Festival da Canção, a qualidade e a criatividade artística , com raras e honrosas excepções, costumam ficar à porta desse desfile de vaidades e hipocrisias.

O resto é política, umas vezes na promoção de poderosas editoras, outras vezes a política pura e dura, como assistimos mais uma vez!

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU, há alguém mais criminoso do que eu? (sem esquecer o Hamas e o Batalhão Azov, entre outros)

 


As origens dos conflitos são diferentes, as histórias também. O Conflito Israelo-Palestiniano dura deste 1948 e o conflito na Ucrânia dura desde 2014.

Em 24 de Fevereiro de 2022 a Rússia invadiu criminosamente a Ucrânia, de forma ilegal, à luz das relações internacionais, com o pretexto de combater ao “nazis” e defender as populações de origem russófona,  alvo das perseguições e dos crimes por parte de bandos nacionalistas, que se digladiavam desde 2014, já tendo provocado entre 10 a 20 mil vítimas, a maioria civis, assistindo-se a massacres de parte a parte, o mais famoso o massacre de Odessa em que foram queimados vivos vários apoiantes da Rússia.

A Rússia tem destruído escolas, hospitais e outras infraestruturas civis ao longo da guerra, com o pretexto (nalguns casos comprovado) de que essas estruturas e os seus ocupantes são usado como escudo humanos por tropas ucranianas, ou foram atingidas acidentalmente por fragmentos de mísseis e drones atingidos pela defesa ucraniana.

Ao longo do mês de Outubro último Israel começou a bombardear, de forma desproporcionada e criminosa, a população civil de Gaza (e também a da Cisjordânia) com o pretexto de combater os terroristas do Hamas, que massacraram, num atentado sem precedentes,  mil e quatrocentos civis israelitas e fizeram reféns mais de 200.

Israel têm destruídos centenas de escolas e hospitais na Faixa de Gaza, sem se desculpar com erros de pontaria, mas com a desculpa da sua utilização militar ou logística por parte do Hamas, situação nunca comprovada por fontes independenetes.

A zona em guerra ou sob ocupação russa na Ucrânia tem a dimensão de grande parte da Península Ibérica.

A zona de guerra na Faixa de Gaza tem metade do tamanho do Algarve.

Segundo dados, já desactualizados (foram publicados pela revista Visão em 5 de Novembro), a invasão russa da Ucrânia que dura há quase 2 anos, provocou, entre a população civil do país, 9 614 mortos e 17 535 feridos, entre os quais 554 crianças mortas e 1180 feridas.

Segundo os mesmos dados, até aquela data, os bombardeamentos de Israel provocaram, na Faixa de Gaza, em cerca de 1 mês de guerra, 9 061 mortos e 24 mil feridos, entre os quais 3 648 crianças mortas e 9 600 feridas.

Nos violentos bombardeamentos da Rússia à Ucrânia, são reportadas, por dia, pelas próprias autoridades ucranianas, um número de vítimas raramente superior à 10, e muitas vezes “apenas” feridos, e sempre que isso acontece apontam para crimes de guerra, enquanto que nos bombardeamentos israelitas morrem centenas de civis por dia, número de que o próprio exército de Israel se gosta de gabar.

Qualquer morto civil numa guerra é sempre um crime de guerra. A violência das situações não se mede pelos números.

Mas, perante os dois pesos duas medidas como essas guerras têm sido comentadas ou divulgadas e os dois pesos e duas medidas da atitude dos responsáveis políticos “ocidentais” (será porque os ucranianos são louros de olhos azuis e os palestinianos são mais escurinhos?) é caso para perguntar: espelho meu, espelho meu, há alguém mais criminoso do que eu? (…eu sei que há, mas entre aqueles dois criminosos que lideram Israel e a Rússia é caso para dizer…venha o diabo e escolha. E já agora, que o Tribunal Penal Internacional tenha coragem para os levar, aos dois, à barra do tribunal para serem condenados como criminosos de guerra, que o são, e se deixe de usar, também, dois pesos e duas medidas).

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Os “descendentes” dos “Kapos” estão no governo de Israel?


A História da Palestina e de Israel não começou com os criminosos ataques terroristas do Hamas no dia 7 de Outubro.

As crianças Israelitas, barbaramente mortas nesse ataque, não foram as primeiras mortas naquele território. Entre Janeiro e o dia 7 de Outubro, o exército israelita e/ou os colonos extremistas e armados lançaram o terror entre os palestinianos da…Cisjordânia…, e mataram cerca de 40 crianças palestinianas, e continuam a matar actualmente com o pretexto de acabar com terroristas. Note-se: estamos a falar da Cisjordânia, não da Faixa de Gaza!!!

O rapto de civis, feitos reféns pelo Hamas, é um crime de guerra e um acto bárbaro e inconcebível, mas a prisão de milhares de palestinianos, sem julgamento, alguns há décadas encarcerados, pelos motivos mais ridículos, pelo Estado Israelita, vai no mesmo sentido do desrespeito pelos mais elementares Direitos Humanos e judicias.

O Hamas foi crescendo e ganhando influência entre os palestinianos com a conivência (alguns referem mesmo o apoio) dos governos de Israel, com o objectivo, não só enfraquecer a Autoridade Palestiniana, como  de tornar o conflito numa guerra religiosa entre fanáticos judeus e fanáticos muçulmanos, justificando assim o terrorismo de Estado de Israel contra o terrorismo do Hamas.

Aliás, está por explicar a facilidade com que o grupo terrorista entrou em território israelita com tanta facilidade e ocupando-o durante horas quando é sabido, dito por quem conhece a zona, que nem um coelho atravessa o "muro" sem desencadear uum rápido alarme. Só com conivência de autoridades israelitas é que esse ataque foi possível. Basta ver que beneficiou com a situação!

Ao longo de décadas o Estado de Israel nunca cumpriu a maior parte das resoluções da ONU, gozando da impunidade de que poucos Estados gozaram por não as cumprirem.

Quando tudo se encaminhava para uma solução de paz duradoura, um fanático extremista judeu assassinou Isac Rabin. Hoje a “família” política e religiosa desse terrorista governa Israel.

Após a queda da União Soviética emigraram mais de 1 milhão de “judeus” (??) de origem russa ou do leste da Europa para o Estado de Israel, com mais direitos que a maior parte dos palestinianos nascidos nesse território, a maior parte deles com tendências racistas e extremistas, atitude hoje dominante na maior parte dos países de leste (Hungria, Polónia, Tchéquia, Eslováquia, Ucrânia e Rússia), desequilibrando a balança política de Israel para a extrema-direita.

Membros do actual governo de Israel, ou que lhes são próximos, como a esposa do primeiro-ministro, desvalorizam o carácter humano dos palestinianos, classificando-os todos como animais, ou mesmo abaixo destes, para “não ofender os animais”, como afirmou a primeira dama, com o objectivo de justificar o tratamento dado aos civis de Gaza, numa prática, aliás, copiada dos nazis, que faziam o mesmo em relação ao judeus para justificarem a desumanidade do tratamento dado a esse povo e o próprio Holocausto.

A forma desproporcionada como o governo extremista de Benjamin Netanyahu reagiu ao ataque terrorista do Hamas configura, cada vez mais, um crime de guerra, tal como o comprovam organizações no terreno, como a ONU, a AMI, Os Médicos Sem Fronteiras, a Amnistia Internacional, a Cruz Vermelha, a OMS, a UNICEF, Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch e muitas outras.

A reacção do governo de Israel à acusação dessas organizações é acusá-las de “pactuarem com o terrorismo”, atitude idêntica à de outros ditadores e criminosos quando são confrontados por essas mesmas organizações pelos seus crimes contra a humanidade.

Ao que parece, a actuação do  actual governo de Israel, usando e abusando da chantagem moral com o terrível passado dos judeus, só pode envergonhar a memória das vítimas do Holocausto e as vítimas do anti-semitismo ao longo da História.

Só pode haver duas explicações para essa imoralidade, ou essa gente nada tem a haver com as vítimas do Holocausto, e obtém a classificação de judeu por puro oportunismo (como, aliás, se passa por cá com a venda de identidade sefardita a oligarcas russos e outros criminosos), ou então essa gente é descendente dos “kapos”, e aprenderam bem a lição com os nazis!!!

terça-feira, 31 de outubro de 2023

A ONU e os “Incoerentes”


Todos os países que fazem parte da ONU, cerca de 200, assinaram a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Infelizmente são poucos os que cumprem os princípios desses documentos, ao mesmo tempo que ignoram a maior parte das resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Quando terminou a “Guerra Fria”, nos anos 90 do século XX muitos viram o início de uma nova era de paz e de respeito pelos Direitos Humanos, alguns até preconizaram o “fim-da-história”, num mundo “iluminado” pela democracia e pela liberdade.

Infelizmente não foi o que aconteceu.

O clima de violência generalizado, a proliferação do populismo de extrema-direita e de “democracias” “iliberais”,  o aumento de guerras de grande intensidade, aliados aos graves problemas climatéricos, acelerados pelo o domínio da selvajaria do capitalismo neoliberal capturado pelo corrupto mundo financeiro ( fruto da lavagem de dinheiro de várias máfias ligadas à especulação imobiliária, ao negócios do armamento e ao tráfico de droga) , destruíram a oportunidade de construir um mundo de paz, democracia, liberdade, prosperidade e de respeito pelos Direitos Humanos.

A incapacidade de reformular a ONU foi o principal factor que nos levou ao ponto onde estamos.

Os Estados Unidos, que começaram a desvalorizar aquela instituição e as suas associadas (como a Unesco, a Unicef, a OMS, a OIT, entre outras), agindo muitas vezes à revelia dessas instituições, ou a China e a Rússia, com sonhos imperialistas, travaram qualquer reforma no funcionamento dessa instituição, nomeadamente impedindo a revisão do direito de veto, que trava qualquer acção da ONU e desrespeita a crescente importância global de outros países, como o Brasil, a Argentina, o México, a África do Sul ou a Índia e travando o acesso, por razões históricas ultrapassadas pelo fim da Guerra-fria, de países importantes como a Alemanha ou o Japão, sem esquecer outras nações com dimensões importantes, quer do ponto de vista demográfico, quer do ponto de vista económico, como o Canadá, a Austrália, a Indonésia ou o Egipto e a Turquia.

Essa reforma, para tornar a ONU funcional, devia abandonar o direito de veto, substituindo-o pela maioria qualificada e reforçando o papel da Assembleia Geral, alargando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança e reforçando o papel de uma força militar de manutenção da paz, papel que, na actualidade, está entregue ao livre arbítrio da NATO, controlada pelos Estados Unidos, organização militar que, depois do final da guerra-fria, abandonou as suas caracteristicas defensivas, intervindo militarmente em muitos sítios (ex-Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia…),  agindo várias vezes  à revelia das decisões da ONU .

Para analisar a incoerência de muitos dos países que fazem parte da ONU em relação à defesa do Direito Internacional e dos Direitos Humanos, basta analisar o sentido de voto de muitos desses países em duas ocasiões recentes, condenando a invasão ilegal da Ucrânia pela Rússia ou, agora, defendendo a criação de corredores humanitários para salvar os civis da Faixa de Gaza.

A boas notícia, comparando essas duas  votações, a 1º de 12 de Outubro de 2022 defendendo a integridade territorial da ONU, à luz da Carta das Nações Unidas, a segunda de 27 de Outubro de 2023, defendendo o direito de Protecção humanitária em relação à populações da Faixa de Gaza, é que houve 79 países que, coerentemente, votaram a favor de ambas as resoluções, pese o facto de alguns desses votantes o fazem de forma hipócrita, já que, muitos deles, não respeitam os mais elementares Direitos Humanos dos seus próprios cidadãos, como é o caso, por exemplo, do Afeganistão e da Arábia Saudita.

É também boa notícia que, entre os que, de forma coerente, votaram favoravelmente ambas as resoluções, estão Portugal e outros países da União Europeia como a Bélgica, a Irlanda, o Luxemburgo, Malta, Eslovénia e Espanha. Entre os países europeus que não pertencem à EU, também votaram, em coerência, Andorra, Bósnia, Liechtenstein, Moldávia, Noruega e Suiça.

Destacam-se ainda, na coerência da defesa da Carta da ONU, países como Angola, Argentina, Brasil, Guiné-Bissau, México, Marrocos, Nova Zelândia, Timor-Leste e Turquia.

A má notícia é que muitos países, em especial a maior parte dos membros permanentes do Conselho de Segurança, não se encontram na lista desses 79 países, mostrando que só respeitam os “Direitos” de acordo com os seus projectos políticos ou os seus preconceitos ideológicos. Entre esses membros permanentes, apenas a França aprovou ambas as resoluções.

Ainda pior é a falta de coerência, reveladora dos dois pesos e duas medidas, de 21 dos 27 países da União Europeia !!!???. Sem esquecer a escandalosa posição da Ucrânia!!!

Com essa diferente votação, muitos desses países deixam de ter “moral” para falar em Direitos Humanos ou em respeito pelo Direito Internacional.