terça-feira, 29 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Europa ao Fundo - Parte II

Ao deixar-se levar pela Alemanha a Europa enterrou-se de vez nesta cimeira do G20…é só uma questão de tempo.

Ao anunciar o deficit como principal tema, a recuperação económica e a defesa do Estado Social passaram para segundo campo.

Ao não conseguir impor a sua tímida proposta para fazer o sector financeiro pagar pela crise, deu força às mais variadas formas de corrupção financeira.

Acho que, países como Portugal e Espanha, que só têm a perder com a actual política europeia, devem começar a procurar alternativas para sobreviverem ao desvario suicida dos actuais líderes europeus.

Mais do que nunca, as nações ibéricas devem apostar na grande comunidade ibero – latino – africana.

O Atlântico deve ser o seu espaço normal, a língua a sua força (no conjunto é muito mais forte que o inglês). E, se as coisas começarem a dar para o torto na Europa, então até será tempo de começar a pensar numa moeda comum.

O actual caminho da Europa é que já começa a não interessar a ninguém…

domingo, 27 de junho de 2010

O Lado Negro do Poder

Ninguém é Santo, nem a nossa vida é a preto e branco, todos temos um lado negro e um lado bom e é muitas vezes do equilíbrio desses dois lados que se constrói uma personalidade (com muitas outras coisas exteriores que nos influenciam.).

Mas, ao longo das nossas vidas, encontramos pessoas e cruzamo-nos com circunstâncias que no podem despertar o lado negro ou o lado bom.

Também a História, a Política e a Sociedade estão cheias de gente, maior ou menor, que, ora puxa pelo lado mais negro dos povos e das sociedades (um Hitler, um Estaline, um Salazar…) ou, pelo contrário, despertam o melhor que há no homem (um Mandela, um Gandhi, um Luther King… curiosamente, no mundo da política, não me lembro de um único europeu…).

Em Portugal temos tido, nos últimos tempos, muita gente a puxar pelo nosso lado negro, nos mais variados sectores e actividades, mas em especial no mundo da política e da economia.

Uma dessas pequenas figuras foi a antiga ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que libertou o lado mais negro das relações educativas, ao desumanizar o acto educativo, em nome das estatísticas e transformando as escolas em meras empresas, armazéns para reter crianças e Jovens enquanto os pais trabalham cada vez mais e em piores condições sociais e económicas.

Felizmente a dita senhora já passou à história.

Contudo parece que só a própria ainda não o percebeu, e, não contente com todo o mal que fez, continua igual a si própria, arrogante, desumana, convencida, e insuportável,  numa entrevista que o Expresso lhe concedeu neste fim-de-semana, a propósito do lançamento de um livro da sua autoria no qual pretende defender a sua política educativa.

Os estragos que provocou vão pairar durante muitos anos e, pelo menos, vão ter custos para uma geração inteira de estudantes.

Maria de Lurdes Rodrigues é um dos tais casos daquelas personalidades, felizmente pequenina e localizada no espaço e no tempo, que despertam o lado negro do poder, espalhando o caos e o desânimo à sua volta.

Pela minha parte, não conto ocupar espaço ou tempo à leitura de tal obra.

Não deixo, contudo, de estranhar o espaço que os nossos jornais ainda concedem à dita senhora ou a gente da sua laia…

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Para seguir o futebol do mundial com inteligência e criatividade

António Fraga Forges é um cartoonista espanhol do El País.

Com humor e criatividade tem vindo a acompanhar este campeonato do mundo de futebol, num blogue incluído na edição on-line daquele periódico espanhol.

Forges, que acompanha os jogos quase ao minuto, pode ser seguido AQUI.

Entretanto uma referência também para o meu amigo Luís Filipe Cristóvão, que se tem vindo a afirmar como um nome a ter em conta na jovem literatura portuguesa e que segue com imaginação o mundial no seu blogue “O Homem que Queria Ser Luís Filipe Cristóvão”, que também pode ser visto AQUI.

Dois blogues, dois estilos diferentes, para acompanhar neste dia especial de futebol.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva presidida por Manuel Pinho

Parece que o ex-ministro da Economia Manuel Pinho, o tal dos “corninhos”, pessoa de “fino trato”, vai substituir António Vitorino na presidência da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa.

Segundo a notícia parece que o dito ex-ministro é “coleccionador de Arte” e até possui “ uma aguarela de Vieira da Silva, dos anos 1960, que adquiriu, há cerca de vinte anos, na Galeria 111”.

Foram “brilhantes e profunda” as primeiras declarações que o novo presidente da fundação dedicou à obra da grande pintora europeia : “Vieira da Silva é dos mais importantes, se não mesmo o nome mais importante da arte portuguesa”, uma afirmação que está longe do alcance do comum dos mortais.

Segundo a mesma notícia o “cargo de presidente da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva não é remunerado”. O ex-ministro assegurou que “não será por isso que vou dedicar-lhe menos atenção”. Pinho é actualmente “ professor na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, director do MBA no ISCTE, em Lisboa, vice-presidente do BES/África e ainda consultor na Roland Berger” (esqueceram-se de referir que é ainda um exímio e prometedor piloto de automóveis).

Em relação a um outro ex-ministro do tempo de Durão Barroso (ou de Santana Lopes?) que era gerente de 13 empresas, ainda sobra espaço a Manuel Pinho para mais 8 cargos.

Já agora, eu colecciono selos, não haverá um lugarzinho para mim aí na administração dos CTT’s, mesmo sem renumeração (é que essas notícias esquecem-se de dizer que as ajudas de custo a que esses cargos têm direito valem tanto como um bom ordenado…)?.

…E assim vai este país!

terça-feira, 22 de junho de 2010

A Banda Desenhada Francesa continua a Surpreender...

"Vincent Caut"

Vincent Caut é um jovem e promissor autor de Banda Desenhada, já premiado em Angoulême, a quem o Libération dedicou espaço na sua edição on-line para divulgar um dos seus últimos trabalhos, que apresentamos em baixo.

Caut é autor de um blog dedicado à sua obra gráfica, que pode ser visto AQUI, demonstrando que a Banda Desenhada francesa (ao contrário da selecção de futebol…) continua a conseguir surpreender-nos.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

....E Viva o Verão!

...Começou hoje ao meio-dia e vinte e oito.
Veremos o que este Verão nos reserva.
Entretanto, ontem, ao fim do dia, teve lugar, em Stonehenge, mais um homenagem ao solstício de Verão, como se pode ver nestas imagens divulgadas pelo Irish Times (ou, parafraseando Atérix, estes ingleses são loucos!):







...e vão 7

(Foto Público)

Vejam a reportagem fotográfica, mesmo em cima do final do jogo, AQUI , no EL País.

domingo, 20 de junho de 2010

As Férias do sr. Cavaco...


(Foto: Correio da Manhã)

É compreensível que o cidadão Cavaco Silva não tenha comparecido ao funeral de José Saramago.

O cidadão Cavaco Silva, enquanto primeiro-ministro, tolerou atitudes persecutórias em relação a Saramago, por meras razões ideológicas.

Essas atitudes foram a principal razão de Saramago se ter auto-exilado em Espanha, onde foi muito mais acarinhado do que em Portugal, mesmo pelos seus adversários políticos.

Saramago, sem “papas na língua”, respondeu à letra ao cidadão Cavaco Silva, definindo-o como um político de uma “banalidade genial”.

Nestas situações é normal dizer-se que só faz falta quem está presente.

Mas o cidadão Cavaco Silva tornou-se Presidente da República Portuguesa, o mais alto representante da Nação.

A independência exigida ao exercício da presidência da República foi argumento usado por Cavaco Silva para justificar decisões que iam contra as suas convicções.

De facto, a importância do cargo devia-se sobrepor às sua convicções político-pessoais.

Só que Cavaco começa a agir de acordo com o calendário eleitoral. A salvaguarda do apoio eleitoral das facções mais ortodoxas e extremistas da Igreja Católica terá pesado na sua decisão.

Acabou por colocar os seus interesses eleitorais acima dos deveres de Estado.

Pode-se não gostar do homem ou do escritor, mas ninguém põe em causa o papel de Saramago na divulgação e renovação da língua portuguesa, ou, parafraseando um argumento muitas vezes usado para justificar homenagens públicas menos merecidas, Saramago foi alguém que pôs Portugal no mapa.

O mínimo que os cidadãos deste país exigiam ao seu Presidente era que representasse condignamente a Nação no funeral do nosso Prémio Nobel. É esse um dos papeís mais significativos do cargo que exerce.

Como também se costuma dizer, as atitudes ficam com quem as toma…

A Fotografia da Semana - A "última" Fotografia de Saramago.

Neste dia em que nos despedimos de José Saramago, divulgamos aqui aquela que foi, muito provávelmente, a sua última fotografia em vida, como tal ontem divulgada pelo periódico espanhol La Vanguardia, tirada em sua casa em Lanzarote nos finais de Maio.
Até Sempre Saramago. Agora...leiam-no!

sábado, 19 de junho de 2010

Adeus José...

O corpo de José Saramago já se encontra em Portugal.
Adelino Gomes publicou hoje, no Público, uma interessantíssima biografia do autor.
Surpreendentes são também os textos de Zapatero e Rajoy sobre Saramago, publicado no EL País, revelando uma grande sensibilidade cultural, apesar das diferenças e que, por comparação, revelam que a actual geração de  políticos portugueses se encontra a anos luz da estatura daqueles dois estadistas, pois não os estou a ver escrever da forma sentida e esclarecida dos líderes espanhóis.
Se Portugal não souber dignificar Saramago, um dia destes é a Espanha que se torna a sua Pátria...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

No Dia em que morreu JOSÉ SARAMAGO

(Fotografia de Pedro Walter - El País)

Este dia será recordado para sempre como o dia em que morreu José Saramago.

Único escritor português a receber até hoje um Prémio Nobel, é muito provável que nenhum português hoje vivo volte a festejar a alegria desse dia 8 de Outubro de 1998 em que foi anunciado esse prémio.

Esse galardão, ao contrário do que seria de esperar num país normal, contribuiu para acentuar vários dissabores e injustiça cometidas contra ele por um país de invejosos , intriguistas e arrogantes, liderados por um bando de “opinadores” de bancada.

Não me esqueço de, nesse mesmo dia, depois de ter ouvido na rádio as primeiras declarações de Saramago, afirmando humildemente que só tinha havido um escritor português do século XX merecedor desse prémio que era, para ele Sophia de Mello Brayner, ter de ouvir, pouco depois, um furibundo Miguel Sousa Tavares a lançar sobre Saramago as maiores diatribes.

Infelizmente estas são as “elites” culturais que moldam há muito tempo os valores de Portugal. José Saramago sabia onde vivia e procurou calma e sossego na vizinha Espanha, que nunca lhe negou reconhecer o seu verdadeiro valor.

As maiores homenagens e os dossiers mais bem elaborados sobre Saramago estão já nas páginas on-line da imprensa espanhola, como no El País, ( o melhor de todos),  no El Mundo, no La Vanguardia ou no ABC.

A imprensa portuguesa também dedica um grande espaço das suas edições on-line ao acontecimento, como o Expresso, o Público, o Jornal de Notícias , a Visão e o Diário de Notícias.

AQUI podem ler o Último texto de Saramago.

Tenho a honra de possuir dois livros autografados por José Saramago, um ainda antes do Prémio Nobel e outro posterior, ambos conseguidos por o ocasião de duas visitas que fez a Torres Vedras (sobre a relação de José Saramago e Torres Vedras, leiam AQUI).

Discute-se agora se Saramago será sepultado ou não em Portugal. Para mim essa é uma decisão que compete à família e que deve respeitar o desejo em vida do escritor, mas, se vier para Portugal, só há um sítio digno de Saramago que é o Panteão Nacional.

Deixa-nos o homem, fica a sua obra que sobreviverá para sempre aos seus detractores.

O Respigo da Semana - Henrique Monteiro e a Europa


São mais as vezes que discordo das opiniões do meu ex-colega de curso Henrique Monteiro, do que aquelas com que concordo.

De qualquer modo, Henrique Monteiro, tal como um José Manuel Fernandes, um Pacheco Pereira, um Bagão Félix ou um Vasco Pulido Valente, apresentam argumentos, com os quais não concordando quase sempre, são sempre estimulantes pelo tipo de argumentação utilizada, obrigando-nos a um esforço intelectual para os desmontar (ao contrário de uma Helena Matos, de um Miguel Sousa Tavares, de um José Miguel Júdice ou de um Vital Moreira, que usam argumentos baseados em preconceitos culturais, sociais ou ideológicos ).

Um desses textos estimulantes, embora possa não concordar pontualmente como uma ou outra afrimação, mas que subscrevo na sua genaralidade, foi o editorial da última semana do Expresso da autoria de Henrique Monteiro, cujo texto escolhemos para o “respigo da semana”, um texto muito actual se tivermos em conta a incapacidade dos líderes europeus em verem alguma coisa para lá do PEC:


Por uma Europa que sobreviva

Por Henrique Monteiro
in Expresso, 12 de Junho de 2010

"A sobrevivência da Europa corresponde à salvação de um modelo. Esse modelo é o da Declaração Universal dos Direitos do Homem, visa a paz, a liberdade, a responsabilidade e a fraternidade dos indivíduos.
A maior diferença entre grandes e pequenos políticos está na capacidade de ver para lá do curto prazo, do interesse mesquinho e da opinião do momento. Foram qualidades assim que fizeram de Churchill a referência que é, ou que deram a Jean Monnet (que nunca exerceu cargos públicos) o título de pai da unidade europeia que hoje todos lhe reconhecem.
A Europa actual tem virtudes únicas: auxílio na doença, apoio a deficientes, subsídio aos que perderam emprego, etc. Tem educação e rede hospitalar gratuitas e Justiça acessível (bem sei que em muitos países, nomeadamente em Portugal, há ainda caminho por fazer, mas comparados com China, Índia, Brasil e mesmo com os EUA, têm incontáveis vantagens).
O modelo europeu (e de muitos outros países que o melhoraram, como a Noruega, a Suíça ou o Canadá) é agora um sistema em risco. Ou se muda radicalmente e alarga, de modo a que, da China ao Brasil, todos possam dele usufruir, ou morre, porque os custos de produção de países sem solidariedade nem assistência social (ou com apoios débeis) serão sempre muito mais baratos.
A alteração do sistema não passa apenas por terminar com os abusos e facilitismos que todos sabemos existirem (isso está mais ou menos previsto nos PEC). É necessário que o sistema se torne além de solidário... sustentável. Para isso, não só é imperioso acabar com os abusos e dotá-lo de racionalidade económica, como afirmá-lo como o poderoso exemplo de pacificação social e de interajuda humana que é. Para o realizar, a Europa carece de um centro de decisão único, de uma voz poderosa não só na economia, como na Defesa, na Justiça, nas relações externas - o que significa um Governo único, ou seja, o federalismo europeu.
Não são possíveis mais egoísmos nacionais. A reforma não pode ser aos 55 anos na Grécia e aos 70 na Alemanha; a agricultura francesa não pode ser intocável; não é possível países viverem acima das possibilidades sabendo que outros os salvarão. Não haverá moeda única sem uma só autoridade.
Naturalmente, isto retira poder aos estados nacionais e aos pequenos políticos que gostam de defender os seus pequenos poderes, os seus privilégios e os seus clientes. É por isso que a Europa precisa de grandes líderes, de pessoas que conheçam, saibam interpretar e se orgulhem dessa construção da nossa civilização que é a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a qual começa assim: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade". Em suma, é isto que nos diferencia da China".

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Cartoon da Semana - como um cartoonista espanhol viu o jogo Espanha-Suiça

O cartoonista Forges, do El País, viu assim o confronto entre as selecções de Futebol da Espanha e da Suiça, onde se revelou o domínio da "vaca helvética" sobre o "touro espanhol".

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Evocando o fotógrafo Brian Duffy.


No último dia do mês de Maio faleceu , aos 76 anos, um dos mais importantes fotógrafos ingleses, Brian Duffy.

Nascido em Londres em 1933, Duffy trabalhou inicialmente como freelancer , mas, a partir de 1957 e até 1963 foi contratado pela revista Vogue, tornando-se um dos mais apreciados fotógrafos do mundo da moda. Posteriormente, e por dois períodos, trabalhou para a Elle francesa (1963-1966 e 1974-1976).

Para além do mundo da moda, interessou-se igualmente pelo mundo do cinema e da musica, tornando-se o autor de algumas das mais significativas fotografias dos famosos desse meio.

Juntamente com David Bailey e Terence Donovan, Brian Duffy formava «The Black Trinity» (A trindade negra), um trio de fotógrafos que se celebrizou por retratar actores, modelos e músicos dos anos 1960.

Para muitos Duffy foi quem melhor soube captar nos seus trabalhos o espírito dos anos 60.

Em 1979, numa atitude de irreverência que muito deu que falar na altura, queimou grande parte dos negativos da sua obra.

Para conhecerem melhor este fotógrafo podem consultar a sua página pessoal AQUI.




















terça-feira, 15 de junho de 2010

Adormecer ao som das vuvuzelas

(foto de Dan Kitwood, Getty Images/Libération)

As vuvuzelas, para mal dos nossos pecados, tornaram-se o símbolo deste mundial.

Para além do incómodo que deve provocar a quem está num dos estádios do mundial e, em especial aos jogadores, nem delas nos vemos livre vendo os jogos à distância de uma televisão.

Entretanto descobri uma utilidade para o som das vuvuzelas: colocando o som do televisor baixinho, mantendo contudo aquele permanente zumbido, e com a ajuda da forma pouco entusiástica com que os primeiros jogos têm sido disputados, esse som funciona como um poderoso soporífero, pois já dei por mim a adormecer no meio dos jogos.

Entretanto, também a nossa selecção contribuiu hoje para o efeito soporífero deste mundial.


Resta a excelente selecção de fotografias hoje colocadas on-line pelo El País sobre o jogo de Portugal, e que pode ser vista AQUI.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Breve encontro com Álvaro Cunhal

Tendo passado ontem o 5º aniversário da morte de Álvaro Cunhal, e comemorando-se em Agosto o 25º aniversário do seu texto “O Partido com Paredes de Vidro”, hoje disponibilizado em edição digital, não quero deixar de evocar aqui essa figura da história contemporânea portuguesa.

Pessoalmente tive a oportunidade de, por duas curtas e raras ocasiões, ter privado de perto com Álvaro Cunhal.

Numa ocasião fui contactado pelo núcleo local do PCP para orientar e realizar uma visita pelo núcleo histórico de Torres Vedras para um convidado muito especial. Esse convidado era o próprio Álvaro Cunhal, presente em Torres Vedras para uma reunião com a secção local daquele partido.

Não sendo militante, mas mantendo uma relação cordial com militantes locais do PCP, aceitei o desafio e, numa data que agora não me recordo, ao longo de cerca de duas horas, “passeei” Álvaro Cunhal pela zona antiga de Torres Vedras.

Ao longo da visita mostrou-se reservado e distante, mais por timidez e humildade do que por qualquer espécie de atitude de superioridade e arrogância.

Cunhal revelou-se sempre atento às minhas indicações, questionando-me com humildade sempre que algo lhe merecia mais atenção.

Voltaria a cruzar-me com Álvaro Cunhal, quando ele se deslocou a esta cidade para participar num conjunto de colóquios que contaram também com a presença de Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa.

Tendo-lhe pedido um autógrafo na folha de um dos seus romances, este acedeu, aparentemente com algumas reservas. Fez um rabisco no livro difícil de decifrarpor quem não saiba a sua origem, e manteve a mesma atitude tímida e humilde, que se podia confundir com uma certa distância e frieza.

Tal como Soares, Marcelo Rebelo de Sousa ou Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal foi um dos últimos exemplos de uma geração de políticos cultos, coerentes com as suas convicções e capazes de inovar perante as adversidades e de se afirmarem como exemplo de atitudes políticas, o tal tipo de políticos de que Portugal, a Europa, e o Mundo em geral, precisam cada vez mais, sejam quais foram as suas convicções políticas.

domingo, 13 de junho de 2010

Vale a pena ser "europeu"?

Agora que estamos a comemorar o 25º aniversário da adesão de Portugal e Espanha à União Europeia (então CEE), uma pergunta ocorrerá : vale a pena ser “europeu”?

Talvez a pergunta parta de dois pressuposto errados, a de que a “Europa” é só a da UE, ou a de que nós portugueses só passámos a ser europeus há 25 anos.

A falácia dessa pergunta parte em grande parte da atitude das nossas elites políticas dos últimos anos que assumiram, em relação à UE uma atitude que se dividiu entre a subserviência, o provincianismo , o mito da salvação e a ignorância de uma história em comum.

Reside, aliás, nesse conjunto de atitudes, muitos dos problemas com que actualmente nos confrontamos na nossa relação com essa organização.

Por um lado sempre nos tentámos portar como um aluno bem comportado, não questionando de forma frontal muitas das decisões políticas sociais e económicas da EU, tendo por objectivo “sacar” o máximo das ajudas a que tínhamos direito;

Por outro lado, nosso provincianismo reforçou o nosso espírito de subserviência em relação a tudo o que nos foram obrigando a engolir ao longo destes vinte e cinco anos. Se vinha da “Europa” era bom. Foi assim que nos “modernizámos” de acordo com a ideia preconceituosa do que entendíamos como o modo de ser europeu: enchemos o país de auto-estradas, porque era feio e atrasado andar de comboio a pé ou de bicicleta, desertificámos o interior rural e criámos um mega centro urbano, descaracterizado e desumanizado, do litoral do Sado até ao litoral do Douro, porque confundimos cosmopolitismo urbano com densidade da malha urbana.

Tivemos vergonha da nossa cultura, da nossa história e dos nossos amigos africanos e latino-americanos e apostámos forte numa sociedade consumista onde o ter é mais importante que o ser, tanto mais evidente quanto tentamos disfarçar com esse modo de viver o nosso subdesenvolvimento educativo e cultural.

Sem colónias, a Europa era a salvação da pátria. Os fundos europeus foram a concretização desse mito salvador. Aplicados em jipes e carros de alta cilindrada, em viagens de “negócio”, em off-shores, em mansões de férias, os fundos foram de facto, para alguns, uma salvação.

Claro que o nosso atraso era tanto que as migalhas que sobraram desses fundos contribuíram para que o país tivesse conhecido transformações significativas em termos económicos e sociais. Mas como tudo foi sempre pensado a curto prazo, estamos agora na situação que sabemos.

Desenvolvemos uma classe dominante de gestores e economistas que impuseram o seu discurso e os seus “valores” à sociedade, e que se escudam na manipulação estatística e financeira para desvalorizarem a nossa história e a nossa cultura, até porque, entre eles, raros são aqueles que conseguem ver para lá dos números e das estatísticas.

Tudo isto não seria grave se tivéssemos, na Europa a que pertencemos gente com visão e com estratégia. Infelizmente a Europa está entregue a incompetente e oportunistas, subservientes a obscuros interesse financeiros.

Respondendo à pergunta inicial, quanto a mim vale a pena ser europeu, porque não existe um único modo de ser europeu.

É preciso recuperar o velho espírito renascentista, iluminista e democrático que marcou os momentos mais significativos do espírito europeu e enfrentar esse outro modo de ser europeu, arrogante, oportunista , económica e socialmente injusto que os actuais líderes nos tentam impor como modelo único.

É preciso recuperar esse outro modo europeu de ser português que, para lá dos saques , da destruição e da desumanidade, sempre se soube relacionara e interagir com as culturas africana e latino-americana.

Por isso é urgente, como alternativa ao colete de forças com que nos tentam impor a “Europa” do BCE , do PEC ou da Comissão europeia, criar uma outra Europa, "latino-americana", "africana" e "mediterrânica" que faça frente à crescente arrogância dessa gente, que vê os europeus como números, a cultura europeia como passado e as regiões europeias como “espaço vital”.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um Cartoon e uma mão cheia de fotografias no Primeiro Dia do Mundial...

Um Cartoon de Chapatte (Le Temps - Suiça)...


... e muitas fotografias (do El País) do primeiro dia:





Infelizmente, Mandela, o homem que merecia gozar este dia com alegria, viu-se abater a tragédia na família. Mas a sua "presença" pairou entre todos no inicio do evento :



O primeiro Jogo foi uma festa:



... e os franceses já se preparam :