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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Barroso, a Goldman Sachs e a Comissão Europeia…zangam-se as comadres…


Uma extensa reportagem publicada na edição de Sábado do jornal Público revela uma série de e-mail comprometedores para Durão Barroso e para as suas relações com a Goldman Sachs.
Ficamos também a saber que essa relação ainda vem dos seus tempos de governante português, mas também que envolve muita gente na Comissão Europeia, ao ponto de se confundirem os interesses daquele sinistro banco, responsável pela aldrabice das contas gregas e pelas medidas de austeridade de que foi um dos principais beneficiários, com as medidas financeiras que a própria Comissão Europeia tomou, muitas por sugestão de responsáveis por aquele banco.

É caso para se dizer que a Comissão Europeia, pelo menos nos tempos de Durão Barroso, funcionou como uma verdadeira sucursal do Goldman Sachs.

Ou seja, se as atitudes de Durão Barroso são eticamente condenáveis, ele não está sozinho nessa atitude no meio dos burocratas de Bruxelas.

O problema é que Juncker não tem moral para acusar Barroso.

Por outro lado, quando Barroso tem de vir a público negar que aquele banco é “um cartel de droga”, vem, implicitamente reconhecer o carácter mafioso daquele banco, aliás bem evidente na reportagem que transcrevemos em baixo.

Também não pega e é repugnante que Durão Barroso venha agora fazer o papel de virgem ofendida, que estaria a ser atacado por pertencer a um pequeno país, o mesmo país que ele ajudou a afundar, primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente da Comissão europeias que, através da troika, destruiu a vida de muitos portugueses, tudo para salvar os bancos e servir os objectivos de Goldman Sachs…

É caso para dizer que…zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades…do funcionamento da União Europeia..:

“Arquivos da Comissão Europeia revelam que havia proximidade entre Barroso e Goldman Sachs

Por Paulo Pena  

In Público de 24/09/2016

 Os banqueiros faziam chegar “confidencialmente” ao gabinete de Barroso sugestões de alteração às políticas da UE, que os seus conselheiros liam “com grande interesse”. São emails e cartas que mostram como o Goldman se dizia “encantado” com algumas posições de Barroso.

“No dia 30 de Setembro de 2013, Durão Barroso recebeu uma carta de Lloyd Blankfein. “Caro Presidente Barroso”, escreveu o polémico CEO do Goldman Sachs – o homem que numa entrevista comparou o seu trabalho de banqueiro ao “de Deus”. “Muito obrigado por ter conseguido roubar tempo à sua agenda para vir ao Goldman Sachs. Gostei muito da nossa discussão produtiva sobre as perspectivas económicas mundiais.”

“Nessa mesma carta, Blankfein agradece ainda a Barroso por ter participado numa reunião com os “senior partners” do banco. “Sei que eles consideraram a sessão extremamente enriquecedora.” Estes encontros, que não foram tornados públicos na altura, estão descritos num dos 11 documentos (emails, cartas e mensagens) relativos à relação do gabinete do ex-presidente da Comissão Europeia com o banco de investimentos norte-americano entregues ao PÚBLICO depois de um pedido formal ao secretariado-geral da Comissão, em Julho.

“Nesse mês foi revelado que Durão Barroso passaria a desempenhar as funções de presidente não-executivo do Goldman Sachs International, com funções de aconselhamento sobre a estratégia para enfrentar a saída do Reino Unido da União Europeia, o que gerou uma polémica internacional e acusações, ao mais alto nível, na Comissão Europeia. O seu sucessor, Jean-Claude Juncker, anunciou recentemente que Barroso deixaria de ser recebido como ex-presidente da Comissão. Passará a ser um “representante de interesses”, ou seja, um lobbyista. Ainda esta sexta-feira, Durão Barroso disse estar ser alvo de "discriminação".

“Nos documentos do mandato de Durão Barroso arquivados na Comissão Europeia não existe qualquer acta deste encontro na sede do banco norte-americano. Não há, sequer, registos de uma visita ao imponente edifício do n.º 200 da West Street, em Manhattan, nas agendas públicas do presidente da Comissão, esclarece a responsável pelo departamento europeu de acesso a documentos. Não se conhece outra deslocação do presidente da Comissão à sede de um banco de investimentos, para uma reunião discreta e fora da agenda pública.

“Durão Barroso, numa resposta por escrito às perguntas do PÚBLICO, contextualiza: “Fui presidente da Comissão Europeia durante os anos em que a Europa e o mundo viveram uma das maiores crises financeiras da sua história. Naturalmente, mantive contactos institucionais – transparentes e convenientemente registados nos arquivos da Comissão – com as mais variadas entidades políticas, empresariais, sindicais e financeiras. Entre estas encontrei-me, como seria de esperar, com muitos dos principais bancos que operavam no mercado europeu. Tratava-se não só de conhecer o sentimento dos mercados, mas também de passarmos mensagens claras com a posição da Comissão e da União Europeia.”

“Durão Barroso não quis, no entanto, especificar se visitou outros bancos, nem se se reuniu com outros conselhos de administração.

“Os documentos do arquivo da Comissão dão conta de vários encontros de Durão Barroso com representantes do Goldman Sachs (Lloyd Blankfein, Peter Sutherland e Richard Gnodde) nos seus dez anos na presidência, e de alguns outros encontros entre membros do seu staff e dirigentes daquele banco. Porém, este arquivo não é exaustivo. Só a partir do final de 2014 passou a ser regra, na Comissão, a publicidade de todos os encontros de comissários com representantes de instituições ou interesses privados. Logo no primeiro email deste conjunto que o PÚBLICO revela, uma funcionária pergunta se o email com um pedido de reunião de Hank Paulson, então CEO do Goldman, deve ser registado, para constar do arquivo. Uma outra funcionária (não identificada, uma vez que os serviços da Comissão rasuraram os nomes de todos os participantes nesta troca de correspondência que não fossem altos dirigentes ou titulares de cargos políticos) remete a pergunta para um superior hierárquico, com a indicação de que o conselheiro principal de Barroso “é desfavorável” ao arquivamento.

“Ao contrário de Paulson, que saiu do Goldman para secretário do Tesouro de George W. Bush, nos EUA, os responsáveis europeus não doaram o seu telemóvel a nenhum museu, nem tornaram público o registo de chamadas ou as agendas de reuniões. A Europa divulga as reuniões “formais” e “informais” em que participam os seus dirigentes, mas não existe nenhum registo para encontros como o que juntou, lado a lado, Barroso e Peter Sutherland num jogo de futebol, no estádio do Manchester United, a 13 de Março de 2007. O que torna impossível detalhar a frequência dos contactos. Embora não a proximidade.

“Barroso desmente “categoricamente” favorecimento

“Quando Durão Barroso visitou o Goldman Sachs em 2013,  este não era um banco qualquer. Em 2010 tinha sido acusado por fraude pela Securities and Exchange Commission (SEC, o regulador do mercado de capitais norte-americano) e aceitara pagar, para ver o caso arquivado, aquela que era, à data, a maior multa de sempre na história da regulação dos EUA: 550 milhões de dólares. Mas além das responsabilidades apuradas na crise de 2008 – que teria um efeito na crise das dívidas do Sul da Europa –, havia um outro caso que, na altura, agitava Bruxelas. No debate político na Grécia, e nos restantes países europeus, o nome “Goldman Sachs” era tóxico.

“O ex-presidente da Comissão Europeia nega qualquer tipo de relação preferencial com o Goldman Sachs. “É importante sublinhar que se enquadra naturalmente nas competências e deveres do presidente da Comissão a realização de contactos com entidades externas. Mas, ao singularizar-se uma determinada entidade financeira, pode estar a sugerir-se que houve de algum modo uma relação privilegiada. Desminto categoricamente qualquer contacto ou relação especial com qualquer entidade financeira durante o exercício dos meus mandatos na Comissão.”

“De uma forma inédita, o actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, lançou, a 12 de Setembro, uma investigação que pretende apurar se Barroso quebrou alguma norma europeia ao transitar da Comissão para o banco de investimento. Juncker decidiu ainda que Barroso passaria a ser recebido nas instituições europeias como um “representante de interesses” e não como um ex-presidente.

“Estas decisões foram tomadas após a provedora europeia Emily O’Reilly ter solicitado à Comissão um esclarecimento sobre a “aparente arbitrariedade” que o estipulado período de cooling-off, de 18 meses, coloca. É um facto que Barroso cumpriu esse tempo, entre ter deixado as suas funções públicas e ter assumido as novas funções privadas, mas O'Reilly considera que “certos casos não deixam de ser problemáticos apenas porque passaram 18 meses”.

“Além de Juncker e de O’Reilly, também o Presidente francês, François Hollande, fala na necessidade de afastar qualquer dúvida sobre um possível “conflito de interesses” nesta passagem de um responsável europeu para uma instituição financeira: “Já tinha manifestado não apenas perplexidade em relação à escolha profissional de Barroso como também a exigência de que as regras éticas sejam respeitadas e qualquer conflito de interesses afastado”, afirmou Hollande há poucos dias, mostrando agrado pela iniciativa de Juncker.

“Onde acaba o lobbying?

“Os documentos oficiais que o PÚBLICO consultou mostram que o Goldman Sachs acompanhava de perto a actividade da Comissão Europeia. Lloyd Blankfein, por diversas vezes, elogiou as medidas tomadas por Barroso: “Introduziu importantes reformas que vão fortalecer a União Monetária, restaurar a confiança na supervisão bancária da zona euro e separar os bancos do risco soberano” (carta de Setembro de 2013). No entanto, outros dirigentes do banco foram ainda mais longe. Lisa Rabbe, directora executiva do banco (actualmente trabalha num banco suíço), já em Janeiro de 2005, pouco depois da posse da Comissão, afirmava, num email para o conselheiro principal do presidente da Comissão, Jean-Claude Thébault: “o Goldman Sachs está encantado” com algumas políticas do “presidente Barroso” e “pronto a ajudar”.

“A “ajuda” podia ter várias formas. Lisa Rabbe, que tinha a seu cargo o departamento de relações com governos na Europa, exemplifica: “O Goldman Sachs tem contribuído com dados e ideias para a iniciativa da presidência holandesa sobre a redução de barreiras a M&A [fusões e aquisições] de bancos na Europa.”

“Noutro email, de Junho de 2008, a mesma responsável apresentava-se como “antiga colega de António Borges” (que fora director do Goldman Sachs até essa altura e tinha sido nomeado, em 2006, conselheiro de Durão Barroso). A mensagem era dirigida a dois membros do gabinete do presidente da Comissão, o português António José Cabral e o inglês Matthew Baldwin. Desta vez, a representante do Goldman sugeria um encontro com um colega seu, do banco, para falar de vários assuntos, entre eles como “as restrições nas políticas de livre circulação de capitais, trabalho e tecnologia” estavam “a limitar o crescimento da oferta”.

“A actividade de lobbying está regulamentada na União Europeia, e o Goldman Sachs está acreditado na base de dados pública Transparency Register. O banco declara que gastou, em 2015, perto de 1,3 milhões de euros em lobbying na UE. Tem seis representantes registados.

“Um deles é Jenny Cosco, que tem credenciais para abordar deputados e serviços do Parlamento Europeu. Porém, Cosco tinha, também, acesso directo ao gabinete de Barroso. A 5 de Agosto de 2005, a representante do Goldman Sachs enviou, “confidencialmente” (sic), para a presidência da Comissão um relatório com sugestões sobre a legislação em matéria financeira, com a posição do banco sobre as regras que limitam o short selling (venda a descoberto).

“Menos “confidencialmente”, Cosco enviou ainda as posições tornadas públicas pelas associações que agrupam os interesses do sector financeiro (Association for Financial Markets e ISDA) sobre produtos financeiros derivados (CDO, CDS, swaps...). Em resposta, recebeu a garantia, de um funcionário do gabinete de Barroso, de que aquelas posições seriam lidas “com grande interesse”.

“Barroso argumenta que essas abordagens são comuns. “Foi sob a minha liderança da Comissão Europeia que esta promoveu o maior programa de regulamentação do sector financeiro de que há memória. Mais de 40 textos legislativos, propostos pela Comissão, viriam a estabelecer regras e princípios de responsabilização e transparência no sector financeiro, o qual, até então, se encontrava em larga medida fora da regulamentação efectiva dos poderes públicos europeus. É natural que os visados tenham de algum modo procurado transmitir o seu ponto de vista sobre a legislação em preparação pela Comissão. Mas posso garantir que nunca nenhuma entidade financeira me abordou sobre a matéria nem chegou ao meu conhecimento qualquer démarche específica eventualmente feita nesse sentido.”

“Nomeações polémicas de banqueiros Goldman

“Esta troca de correspondência consultada pelo PÚBLICO termina em 2014, com um convite dirigido por Barroso ao número dois de Blankfein, Richard Gnodde, para um pequeno-almoço em Davos, a 24 de Janeiro, à margem do encontro anual do Fórum Económico Mundial, naquela estância suíça. O mesmo convite terá sido dirigido a outros representantes de outras empresas, assegura ao PÚBLICO fonte próxima de Barroso.

“O seu mandato estava prestes a terminar. Ainda durante os previstos 18 meses de hiato, Barroso foi acumulando, com a concordância expressa da Comissão Europeia, várias actividades profissionais. A 5 de Novembro, a Comissão autorizou-o a assumir funções no Fórum Económico Mundial e nas universidades Católica de Lovaina e de Genebra. Um mês depois, nova autorização, desta vez para cargos especificamente não-remunerados: presidente honorário da Cimeira de Negócios Europeia, membro da Fundação Jean Monet, professor honorário do Politécnico de Macau, co-presidente do Centro Europeu para a Cultura, membro do Conselho Internacional da Ópera de Madrid e do conselho consultivo da associação Mulheres no Parlamento. A 16 de Dezembro de 2014, Barroso foi autorizado a integrar os quadros do Instituto de Políticas Públicas de Belgrado, o Conselho de Curadores do Europaeum, o Comité de Directores do grupo Bilderberg, o conselho consultivo da McDonough School of Business da Universidade de Georgetown e a presidência da Fundação UEFA para as crianças. A 15 de Abril de 2015, Barroso recebeu o último lote de autorizações da Comissão para ser professor visitante da Universidade da Califórnia e presidente da Fundação Palácio das Belas Artes em Bruxelas.

“A presidência não-executiva do Goldman Sachs International não carecia de aprovação, por ser assumida mais de 18 meses após o final do mandato. Curiosamente, Barroso passou a ocupar um cargo que fora de um homem por si nomeado conselheiro: Peter Sutherland, que Barroso anunciou em Salzburgo, aos jornalistas, em Janeiro de 2006, que iria ser um dos quatro membros de um restrito painel de consultores especiais para a Energia, ao lado de António Borges, que nessa altura era vice-presidente do Goldman.

“Porventura a mais polémica das nomeações de Barroso no universo de quadros do banco foi a de Otmar Issing para o “Grupo de Alto Nível” que lançou as bases da reforma europeia do sector financeiro. Num relatório de quatro ONG (Corporate Europe, SpinWatch, Lobby Control e Friends of the Earth/Europe), este “grupo de sábios” nomeado pelo presidente da Comissão Europeia é muito criticado: “É composto por pessoas com ligações próximas à indústria financeira, ou a instituições que, em maior ou menor medida, estão implicadas na crise.” O alemão Otmar Issing, consultor do Goldman Sachs, era, nesse relatório, acusado de estar numa situação de “conflito de interesses”, por aconselhar políticas que afectavam directamente a actividade do banco para o qual trabalhava.

“Barroso no entanto orgulha-se da legislação que fez aprovar e o próprio CEO do Goldman não poupou elogios às suas “importantes reformas”. Nas respostas que enviou ao PÚBLICO, o ex-presidente da Comissão recorda que, apesar de tudo, o mundo financeiro não esgotava a sua actividade em Bruxelas: “Para além do relacionamento político ao mais alto nível, nomeadamente com os chefes de Estado do G8 e do G20, tive um elevado número de reuniões com as principais associações empresariais europeias (como as da indústria) e com as principais organizações dos sindicatos europeus e, estes contactos, que parecem não suscitar o mesmo interesse mediático, foram com certeza muito mais frequentes do que aqueles que a Comissão e eu próprio tivemos com entidades financeiras em geral, ou com qualquer banco em especial.”

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(Barroso, um nojo de politico):"Por Favor, não nos confundam com o sr. Barroso"

Durão Barroso tem vindo a comportar-se, na sua longa vida política, como o estereótipo de tudo aquilo que mais abominamos na vida política : o carreirismo e o oportunismo, para além do abuso da  paciência cívica dos cidadãos cumpridores e trabalhadores, ao tomar atitudes que atingiram negativa e dramaticamente a vida desses mesmos  cidadãos e contribuíram para desprestigiar uma instituição, como a União Europeia, que tanto sacrifício exigiu para ser construída.
Durão Barroso está ligado a alguns dos mais negros episódios da história recente, como a célebre cimeira das Lajes, que conduziu o mundo para o desastre actual, e o programa de austeridade imposto aos cidadãos trabalhadores e honestos da Europa para salvar  e manter o corrupto sistema financeiro europeu.
A sua incompetente passagem pela presidência da Comissão Europeia contribui igualmente para a decadência do projecto europeu e para o arrastar do criminoso processo dos refugiados.
Não é por isso de espantar a sua grande falta de escrúpulos em aceitar o emprego no mafioso grupo financeiro que dá pelo nome da Goldman Sachs.
O que é de espantar é a reacção do politburo de Bruxelas, nomeadamente do sr. Juncker, o sr. “Luxleaks”.
….gente eticamente corrupta que critica outro eticamente corrupto…tem mil anos de …corrupção ética!!!????

(Em baixo transcrevemos a notícia editada pelo "Diário de Notícias" de hoje):
 
"Trabalhadores públicos das instituições europeias esperam que Barroso "entenda que errou". Durão "vai trabalhar para o outro lado".
 
"Os funcionários europeus vieram demarcar-se do "gesto" de Durão Barroso ao aceitar um cargo no banco que consideram responsável pela crise que se abateu sobre a Europa. Em declarações ao DN, um dos funcionários do grupo informal que lançou uma petição para que o português perca todas as regalias do cargo que exerceu em Bruxelas pede "por favor" para não serem confundidos com o ex-presidente da Comissão Europeia.
 
"O que queremos é dizer às pessoas, por favor, não pensem que somos todos como o nosso ex-presidente. Já chega sofrermos pela má reputação do trabalho que se faz em Bruxelas. Somos acusados de trabalhar para os grandes grupos ou para os lobistas, mas também temos pensamento próprio e também somos cidadãos europeus e consideramos que há coisas que não podem ser feitas", considera o funcionário da Comissão.
 
"O grupo que junta "trabalhadores públicos de todas as instituições europeias" espera que "Barroso entenda que errou ou que o Goldman Sachs perceba que talvez não seja bom [contratar] essa pessoa que tem sido amplamente denunciada".
 
"Numa carta enviada ontem ao atual presidente da Comissão Europeia, Durão alega que levantar "questões de integridade" sobre a sua contratação para o Goldman Sachs são "afirmações sem fundamento e completamente sem mérito" e, além do mais, "são discriminatórias" contra ele e "contra o Goldman Sachs, uma firma regulada que opera no mercado interno".
 
"Porém, os funcionários dizem--se "chocados" e consideram que "o gesto de Durão Barroso é uma traição aos interesses europeus e às instituições europeias".
 
"Estamos profundamente chocados com esta mudança e com este desejo em particular de trabalhar para um banco privado internacional, que esteve no centro da crise do subprime que, na realidade, levou centenas de milhares de milhões de cidadãos europeus a ter problemas económicos e sociais", afirma o funcionário que, sob anonimato, aceitou falar com o DN.
 
"Saber que o homem que foi nosso presidente durante dez anos e por quem nós demos plenamente o nosso trabalho vai agora trabalhar para o outro lado... não podemos aceitar", afirma o funcionário da Comissão, acrescentando que "o Goldman Sachs tem sido o inimigo do bem-estar europeu e da construção europeia".
 
"Barroso defende-se das acusações dizendo que, do ponto de vista legal, foi "extremamente cuidadoso para assegurar o estrito cumprimento das regras da Comissão", quando aceitou o contrato. "Fui para o Goldman Sachs 20 meses após o fim do meu mandato, um período que excede o alargado período de nojo de 18 meses (antes 12 meses) instituído por mim durante a minha presidência", escreve o antigo presidente da Comissão.
 
"No entanto, os funcionários esperam que "o relatório do comité de ética", lançado pelo presidente Jean--Claude Juncker, no âmbito deste caso, se traduza na "conclusão de que algumas medidas têm de ser adotadas contra o senhor Barroso".
 
"Rangel ataca Juncker
 
Já o PSD continua a sua defesa do seu ex-líder, em Portugal e na Europa. O vice-presidente do Partido Popular Europeu Paulo Rangel defendeu ontem que não se pode transformar a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs numa "questão política" e que a Comissão Europeia não pode "ter estados de alma, tem de se restringir às leis".
 
"Num ataque à comissão de Junker, Rangel denuncia uma "perseguição pessoal" e uma "fulanização" que é igualmente uma "discriminação", pois "já vimos episódios destes com Mário Monti, com Romano Prodi, com Neelie Kroes e com outros e que após um período de nojo foram para atividades privadas e, nalguns casos, na mesma empresa em que está Durão Barroso e não houve nenhuma destas reações".
 
"Rangel acusa Juncker de estar a ceder aos "populismos de extrema-direita e de extrema-esquerda" e a alimentar "telenovelas" que só servem interesses de "partidos como o da senhora Le Pen ou como o Bloco de Esquerda".
 
"O eurodeputado do PSD alerta também para uma "coincidência muito infeliz de timings". Rangel denuncia que o apoio público manifestado pelo chefe de gabinete de Juncker a uma eventual candidatura de Georgieva coincide com a tentativa de "enfraquecer uma candidatura portuguesa [à ONU], que é neste momento a mais forte".
 
"Para Rangel, a Comissão Europeia "tomou a iniciativa de encorajar uma candidatura da senhora Georgieva e na mesma semana existe a tentativa de procurar apoucar a imagem de um português que teve, até agora, o cargo internacional mais relevante nas vésperas de outro português ter outro."

sexta-feira, 8 de julho de 2016

SEM COMENTÁRIOS (ou talvez sim...) : Durão Barroso vai ser presidente não-executivo do Goldman Sachs em Londres

 
...talvez dê cabo de vez dessas sangue-sugas da alta finança...é que  homem tem uma longa experiência a dar cabo da União Europeia!!!
 
Outra ventagem é estar longe de Portugal..
..e estando em Londres talvez se lembrem dele e do apoio que deu à guerra no Iraque e o juntem ao Tony Blair no julgamento de crimes de guerra...

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Os verdadeiros Privilegiados - o que ganham os homens da Troika e os seus mandantes (Barroso, Constâncio e Gaspar) com o empobrecimento dos portugueses

Mais uma excelente reportagem da jornalista Sandra Felgueiras, da RTP, sobre os homens da troika, os seus mandantes e os privilégios de que beneficiam com a "crise financeira".

Por detrás das Troika estão os homens da Comissão Europeia (Barroso, Rhen e outros), do BCE (Victor Constâncio...) e do FMI (..como a sua "nova aquisição" Victor Gaspar).

Todos eles passam a vida a defender as decisões da troika em Portugal, contra os "privilégios" dos pensionistas e dos funcionários públicos, em favor do empobrecimento dos portugueses, da redução dos salários de quem trabalha, da perda de direitos sociais, da redução do "Estado Social" e do brutal aumento de impostos sobre os cidadãos.

O que pouca gente conhece é que tais figurões gozam de privilégios, em ajudas de custo, em salários e em benefícios fiscais, que ultrapassam em muito o admissivel.

O caso mais caricato é o de Victor Gaspar que, depois de ter feito o trabalho de casa da troika, beneficiou da nomeação para um cargo no FMI que o isenta do pagamento de impostos, tudo depois de ter anunciado um "brutal" aumento de impostos para os portugueses.

É caso para dizer que, cada vez mais, na União Europeia, todos os cidadãos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Onde se desmascaram as mentiras de Durão Barroso e Merkel sobre a crise:


Uma entrevista onde se desmascaram as mentiras que nos têm sido vendidas por Bruxelas e pela Alemanha, ou como a União Europeias (com Barroso como principal responsável) resolveu tramar a vida dos cidadãos europeus, em especial portugueses e gregos, para salvar a banca alemã e a irresponsabilidade dos "mercados":

“Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães”

Philippe Legrain, ex-conselheiro do actual presidente da Comissão Europeia

Entrevista conduzida por ISABEL ARRIAGA E CUNHA (Bruxelas) , in Público de 11/05/2014

"É incorrecta a narrativa que os alemães contaram a si próprios de que a crise do euro teve a ver com o Sul a querer levar o dinheiro deles, diz ex-conselheiro de Durão Barroso.

“Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.

“A tese do seu livro é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas. Porque é que as coisas se passaram assim? O que é que aconteceu?

“Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro. Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário. O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo ‘somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos’ – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.

“Como assim?

Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.

“Quando diz que os Governos e instituições estavam dominados pelos bancos quer dizer o quê?

Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.

“Também diz no seu livro que quando foi conselheiro de Durão Barroso, o avisou claramente logo no início sobre o que deveria ser feito, ou seja, limpar os balanços dos bancos e reestruturar a dívida grega. O que é que aconteceu? Ele não percebeu o que estava em causa, ou percebeu mas não quis enfrentar a Alemanha e a França?

Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.

“Porquê? Será que a Comissão não percebeu? A Comissão tem a reputação de não ter nem o conhecimento nem a experiência para lidar com uma crise destas. Foi esse o problema?

Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes. A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã. E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder.

“A impressão que tivemos, em Portugal, é que a arrogância destes altos funcionários europeus vinha de uma falta de orientações políticas e de liderança, de Barroso e de Rehn... Como é que foi possível que uma instituição com uma responsabilidade tão grande sobre a vida das pessoas pudesse ter funcionado em roda livre sem orientação política?

Houve orientação política, só que vinha da Alemanha. E a Alemanha aconselhou mal, em parte por causa da forma particular como os alemães olham para a economia, por causa da ideologia conservadora, e porque agiu no seu próprio interesse egoísta de credor em vez de no interesse europeu alargado. A UE sempre funcionou com a Alemanha integrada nas instituições europeias, mas aqui, a Alemanha tentou redesenhar a Europa no seu próprio interesse. É por isso que temos uma Alemanha quase-hegemónica, o que é muito destrutivo.

“Pensa que isso foi uma decisão tomada conscientemente por Angela Merkel?

Os erros vieram todos da violação da regra do “no bailout”. Merkel tem a seu favor o facto de ter atrasado durante muito tempo [a ajuda à Grécia]. Penso que ela não queria violar a regra do “no bailout”. Só que foi convencida a fazê-lo pelos três franceses e pelos bancos alemães, que disseram todos que seria irresponsável deixar a Grécia entrar em default. E, por causa deste erro fatal, de repente os contribuintes alemães sentem que são responsáveis pelas dívidas de todos os outros países. Por isso, a resposta natural dos alemães foi dizerem que querem maior controlo sobre os orçamentos e políticas económicas dos outros. Este foi o erro crasso. Transformou a natureza da UE, que passou de uma comunidade voluntária entre iguais para esta relação hierárquica entre credores exercendo o seu controlo sobre os devedores. Uma coisa é Portugal e outros, numa altura de desespero, aceitarem termos injustos, outra completamente diferente é aceitar numa base duradoura este sistema anti-democrático. Se nas próximas eleições for eleito um Governo diferente do actual e o sucessor de Olli Rehn for à televisão dizer que é preciso manter exactamente as mesmas políticas do governo anterior, naturalmente que os portugueses vão ficar escandalizados porque acabaram de eleger um novo Governo, pessoas diferentes e quem diabo é este comissário europeu não eleito que me diz que decisões sobre despesas e receitas é que tenho de tomar? Isto não é politicamente sustentável.

“Então para si, a crise do euro foi antes de mais uma crise bancária mal gerida....

“Foi. É antes de mais uma crise bancária. Se olhar para Portugal, o principal problema era a dívida privada. Antes da crise, a dívida pública era sensivelmente a mesma que na Alemanha – 67/68% do PIB – mas o grande problema que não foi de todo resolvido era a dívida privada que estava acima de 200% do PIB. Antes da crise, o que aconteceu em Portugal era, no essencial, bancos estrangeiros a emprestarem a bancos portugueses e estes a emprestar aos consumidores portugueses. A subida da dívida pública era reduzida, houve uns pequenos aumentos nos primeiros anos do euro, mas bastante menos do que na dívida privada. Este é que era o problema real, mas que os portugueses não enfrentaram, a UE e o FMI não ligaram, só se concentraram na redução da dívida pública. Por isso, como não resolveram os problemas reais do sector bancário, não resolveram o problema da dívida privada, só se concentraram na consequência, que foi o aumento da dívida pública. Só que as consequências sociais para Portugal desta profunda, longa e desnecessária recessão económica são trágicas. E ninguém é responsabilizado. Se tivesse sido um erro feito pelo Governo português, bom, podia ser corrido nas próximas eleições. Mas aqui as pessoas que fizeram os erros não são responsabilizadas. E depois as pessoas perguntam-se porque é que os europeus já não gostam da Europa. É surpreendente?

“Pensa que a dívida portuguesa também deveria ter sido reestruturada, a pública e a privada?

Depende. Com base nas políticas seguidas, a dívida portuguesa atingiu um nível perigoso [129% do PIB]. Os bancos deveriam ter sido reestruturados e a dívida do sector privado deveria ter sido resolvida. Nas empresas, através de procedimentos de insolvência do FMI que lhes permite continuar a funcionar enquanto a dívida é reduzida. Para os consumidores, com reduções de dívida a partir do momento em que os bancos reconhecem as perdas e as incluem nos balanços. Se isto tivesse sido feito, a trajectória da dívida pública portuguesa poderia ter permanecido sustentável, porque o sector bancário estaria a funcionar, a dívida privada seria inferior e por isso haveria mais crédito para investimento e maior consumo. Mas por causa dos erros feitos Portugal está numa situação difícil. Há quem pense que o que eu digo é uma loucura, alegando que os mercados estão a emprestar a Portugal a taxas muito baixas e que por isso a crise acabou, blá blá, blá, mas isso simplesmente não é verdade. Isso também aconteceu nos anos da bolha [financeira], antes de 2007, em que os mercados também emprestavam de forma incrivelmente fácil, o que não significava que não havia problemas. Neste momento tem havido entrada de liquidez, que está a tapar os problemas subjacentes, mas essa liquidez pode inverter-se se o BCE, como penso que vai acontecer, nos desiludir da ideia de que poderá haver um Quantitative Easing (injecção de liquidez). Mas a situação vai mudar na mesma, porque as taxas de juro americanas vão subir, o que afectará todas as taxas de juro no mundo inteiro, incluindo em Portugal. Ao mesmo tempo, se olharmos para a economia subjacente, há agora um crescimento do PIB positivo, mas a inflação caiu tanto que o crescimento nominal do PIB é muito, muito baixo. E é muito difícil sair de uma dívida gigantesca quando se tem um crescimento nominal do PIB muito baixo. Por isso, na ausência de inflação, é preciso reestruturar a dívida.

“Neste momento?

“Penso que Portugal deve procurar obter uma redução da dívida oficial [dos empréstimos dos países do euro]. Também deve aproveitar agora a estupidez do mercado que está a emprestar a baixo custo para levantar o máximo possível de fundos e usar parte desse dinheiro para pagar parte da velha dívida. Mas não se deixem enganar que os problemas estão resolvidos, porque não estão.

“Então, em sua opinião, os resgates a Portugal e Grécia foram sobretudo resgates disfarçados aos bancos alemães e franceses para os salvar dos empréstimos irresponsáveis, e que estão a ser pagos pelos contribuintes portugueses e gregos?

“Claro que foram. No caso de Portugal, também havia bancos espanhóis, mas que também tinham obtido empréstimos dos bancos franceses e alemães. Era uma cadeia....

“Isso significa que o sofrimento dos portugueses, o desemprego astronómico, os cortes de salários e pensões e os aumentos de impostos, tudo isto foi feito para salvar os bancos alemães e franceses?

“Bom, é preciso sublinhar que dado o crescimento gigantesco do crédito que aconteceu em Portugal antes de 2007, Portugal sofreria de alguma forma. Não estou a dizer que seria tudo perfeito. Mas a recessão foi desnecessariamente longa e profunda e, em resultado dos erros cometidos, a dívida pública é muito mais alta do que teria sido. A austeridade foi completamente contraproducente, as pessoas sofreram horrores e isso prejudicou imenso a economia.

“Mas pelo menos parte da dívida pública foi assumida para salvar dívida privada, incluindo dos bancos, portugueses e alemães. O que significa que são os contribuintes portugueses que estão a pagar para salvar esses bancos?

“Sim, é verdade.

“Numa união europeia, numa união monetária, governos e instituições europeias puseram os  interesses dos bancos à frente do bem estar das pessoas?

“Essa é a questão essencial. Estou inteiramente de acordo. Na primeira fase da crise, já foi suficientemente mau que os contribuintes tenham tido de salvar os bancos dos seus próprios países. Mas quando o problema alastrou a toda a UE, o que aconteceu foi que a zona euro passou a ser gerida em função do interesse dos bancos do centro – ou seja, França e Alemanha – em vez de ser gerida no interesse dos cidadãos no seu conjunto. O que é profundamente injusto e insustentável.

“E destrutivo para a UE...

“Exactamente. Essa é a tragédia. Em resultado dos erros cometidos, a Europa está a ser destruída, o apoio à Europa caiu a pique, velhos ressentimentos foram reavivados, outros nasceram, a par de tensões sociais no interior dos países. Podemos esperar que as eleições europeias sejam um sinal de alarme, mas duvido, porque o sentimento contra a Europa tem assumido frequentemente a forma de extremismos. Ora, é muito fácil atacar o extremismo, o que está certo, mas sem olhar para as causas subjacentes. Há pessoas que votam para partidos nazis porque são racistas, mas há outras que votam nesses partidos porque estão infelizes, perderam a esperança, sentem-se injustiçadas. É preciso olhar para as causas subjacentes, porque se não a UE está em muitos maus lençóis.

Em concreto: como a Alemanha e os outros países do centro são co-responsáveis pelos erros cometidos nos países ajudados para salvar os seus bancos, não deveriam agora aceitar um perdão de pelo menos uma parte dos empréstimos concedidos ao abrigo dos resgates?

“Sim, deveriam, necessariamente. Só que o problema, agora, é que os contribuintes alemães vão sentir que os outros estão atrás do seu dinheiro e acham injusto. E têm razão, é injusto. Só que a culpa não é dos ‘mal-comportados’ portugueses ou gregos, a culpa é de Angela Merkel que aceitou resgatar os bancos alemães com os empréstimos a Portugal e Grécia. É isso que é tão terrível, é que ao fazer justiça a Portugal e Grécia, está-se a confirmar, de facto, a narrativa incorrecta que os alemães se contaram a si próprios de que esta crise tem a ver com os maus do sul a quererem levar o dinheiro deles. Mas, de facto, o que aconteceu foi que Angela Merkel permitiu que os contribuintes alemães resgatassem, de forma indirecta, os bancos alemães. Esta é a tragédia.

Qual e a solução agora?

“É preciso um discurso de verdade. Não acredito que Merkel seja capaz de o fazer porque teria de admitir os erros. Seria preciso que algum líder ou político alemão explicasse a verdadeira história sobre o que aconteceu. Mas tem de haver um reconhecimento da verdade.

Mas pelo menos no caso da Grécia, a Alemanha vai ter de fazer alguma coisa, porque a dívida é totalmente insustentável...

“Totalmente insustentável. [O ex-chanceler alemão] Helmut Schmidt disse que deveria haver uma conferência de dívida e Trichet poderia expiar os seus pecados fazendo-o, enquanto gesto de solidariedade europeia, como aconteceu com a dívida da Alemanha em 1924 e 1928. Se pensarmos bem, o que a Alemanha, a Comissão e as instituições da UE em geral fizeram foi abusar do facto de Portugal e Grécia quererem desesperadamente ser europeus e estarem aterrados com o que lhes poderia acontecer se saíssem do euro e por isso puderam impôr-lhes condições muito injustas. É um pouco como um marido violento que bate na mulher e que sabe que pode continuar porque ela ainda gosta dele e porque tem medo de o deixar. Isto é exactamente o oposto da solidariedade em que é suposto a Europa ser baseada. Por isso, quando digo que precisamos de um gesto de solidariedade, não é para resgatar o mau comportamento de Portugal e Grécia, mas um gesto de solidariedade para corrigir os erros horríveis dos últimos anos. Se os contribuintes alemães ficarem zangados, então a solução poderá ser uma taxa sobre os bancos alemães para recuperar o dinheiro, porque não?

O que sugere para Portugal poder começar a crescer?

“É preciso uma reestruturação dos bancos, um perdão de dívida tanto pública como privada, é preciso investimento do Banco Europeu de Investimentos (BEI), dos fundos estruturais da UE e através dos ganhos de um perdão de dívida que reduza os pagamentos dos juros. Se os bancos estiverem a funcionar como deve ser, também haverá crédito ao investimento. E é preciso reformas, porque durante esta crise, as reformas defendidas pela Comissão e Alemanha foram, no essencial, redução de salários. Isto foi baseado num falso diagnóstico. Não é verdade que os aumentos salariais no sul da Europa foram excessivos nos anos pré-crise. Em termos de peso no PIB, os salários até caíram. Por isso não é verdade que esta foi a causa da crise, não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos. Só que esmagar salários provoca o colapso do consumo, agrava a recessão e agrava o peso da dívida, porque se os salários baixam, é mais difícil pagá-la. Tudo isto é baseado no erro de concepção alemão de que os custos salariais são uma coisa má e têm de ser reduzidos, quando, de facto, deveriam ser tão altos quanto possível, desde que justificados pela produtividade. Uma das histórias bonitas aqui é a dos fabricantes portugueses de calçado que ignoraram os conselhos da UE de reduzir salários, porque perceberam que com a concorrência de baixo custo da Turquia e China, se cortassem os salários, entrariam numa corrida para baixo. Em vez disso, decidiram investir para chegar ao topo do mercado, e em resultado disso, as exportações aumentaram, os salários aumentaram, o emprego aumentou. Este é o modelo que é preciso seguir, não caminhar para salários cada vez mais baixos.

E para a UE ? Qual é a solução para a crise? Falar de maior integração, de união política e orçamental tem sentido?

“Não creio que seja preciso maior integração para resolver a crise. O plano em três pontos que dei a Durão Barroso em 2010 – reestruturação de bancos, reestruturação de dívidas, investimento e reformas – pode ser feito com as actuais instituições. Mas é preciso, sim, uma reforma institucional para fazer a zona euro funcionar melhor no futuro. E, a esse respeito, penso que é preciso ter um mecanismo verdadeiramente independente de resolução dos bancos, porque o actual não é. É preciso que o papel do BCE enquanto credor de último recurso dos governos seja tornado permanente em vez do actual mecanismo temporário e condicional [OMT]. Terceiro, é preciso restaurar a regra do “no bailout”. E é preciso dar aos Governos muito mais liberdade e flexibilidade para contrair crédito e para gastar – para isso, é preciso deitar fora o Tratado orçamental – embora prevendo, em última análise, a possibilidade de default. Esta é a disciplina. Os Governos e os mercados têm de saber que há o risco de default. A longo prazo, será preciso criar um tesouro da zona euro, com algum poder de tributação fiscal e de contrair crédito, que responda democraticamente perante o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais. Seria bom que houvesse um mecanismo de partilha de risco no seio da zona euro, mas infelizmente penso que ainda não existem condições para isso, porque os alemães olham para qualquer mecanismo de partilha de riscos como uma forma de transferência, e com todo o sentimento anti-europeu do momento, não há condições políticas. Mesmo que, de facto, fosse mais respeitador das democracias nacionais do que o sistema que temos agora. Porque teríamos mais integração ao nível europeu, com um orçamento da zona euro, mas igualmente muito maior liberdade ao nível nacional.

Sobre os resgates em si: disse que no caso do programa da Grécia as projecções macro-económicas eram totalmente irrealistas e que as condições impostas a Portugal foram “bárbaras”. Quem foi responsável por isto, o FMI ou a Comissão Europeia?

“Foi a troika que o fez em conjunto, mas penso que o essencial da responsabilidade da parte orçamental dos programas é da Comissão. As projecções eram completamente falsas. Dá vontade de rir quando se comparam as projecções de 2011 com os resultados de 2013,  é uma anedota. Isto resultou em parte da incompetência das pessoas responsáveis, mas há outro problema que é o da responsabilidade democrática. Olli Rehn e os seus altos funcionários decretam que o desemprego vai ser 12% mas se afinal é 20%, dizem “ah, ok, temos de mudar aqui este número na folha de cálculo”. Ou seja, não estão a lidar com a realidade. Esta instituição é uma redoma completamente desligada da realidade.

Estas mesmas pessoas vão continuar a mandar nas nossas vidas....

“Pois é, é assustador. Além das alterações que é preciso fazer na zona euro, é preciso que a Comissão Europeia seja muito mais controlada no plano democrático. O que significa um presidente da Comissão eleito e maior controlo democrático perante o PE e os parlamentos nacionais. É preciso ligar o debate em Bruxelas com o que está a acontecer nos Estados membros. Porque este tipo de sistema quase imperial sem controlo democrático não é sustentável. Isto não vai mudar com as próximas eleições. Mas vai ser preciso, nos próximos cinco anos, construir uma democracia europeia a sério, mudar a natureza da Europa. Ou seja, precisamos de uma Primavera Europeia”.


(*) European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess” (2014); Aftershock: Reshaping the World Economy After the Crisis (2010); Immigrants: Your Country Needs Them (2007); Open World: The Truth About Globalisation (2002)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Ontem, na capital do "Império", Berlim : O protesto que interrompeu e incomodou Durão Barroso

O "Cherne" devia pensar que estava em terreno "amigo", mas os berlinenses não são estúpidos, nem uma grande parte do povo alemão engole as balelas do Barroso e da Merkel.

Daí o incômodo do mais incompetente líder europeu de sempre, quando ontem foi interrompido quando vendia as tretas do costume sobre o "êxito" do programa de "ajustamento" (empobrecimento e desemprego) imposto a Portugal.

Na reportagem debaixo podem ver o video da "cena" e recordar outras manifestações contra o incompetente Barroso.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Respigo da Semana - "BPN , entre as brumas da memória" por Pedro Sousa Carvalho

BPN, entre as brumas da memória

Por PEDRO SOUSA CARVALHO  in Público de 4 de Abril de 2014

"Tenho a memória muito fraquinha", disse Oliveira Costa. Estava lançado o mote para explicar o caso BPN.

“O BPN não é apenas um caso de polícia. O BPN não é apenas um caso de falha na supervisão. O BPN não é apenas um caso político. O BPN é um caso de falha de memória colectiva. A começar pelo todo-poderoso Oliveira Costa. Ainda muitos se lembrarão quando o antigo presidente do BPN, no julgamento do caso Homeland que envolvia Duarte Lima, invocou vezes sem conta a falha de memória. "Não me recordo" e "tenho a memória muito fraquinha" foram frases que deixaram os juízes à beira de um ataque de nervos. E os juízes desataram à gargalhada quando Oliveira Costa, a dado momento da inquirição, disse: “Esquecer é comigo”.

“Este problema de amnésia no caso BPN é algo contagioso. Ainda alguns também se recordarão (pelo menos os que têm boa memória) quando Francisco Comprido, antigo administrador do BPN, foi à comissão de inquérito e, perante as perguntas insistentes dos deputados, respondia "não me recordo", "não tenho presente", "não lhe posso precisar", "os nomes não me estão a vir à memória".

“E esta audição terminou com uma frase de Francisco Comprido que tem tanto de desconcertante como de verdadeira: "Quem faz muitos negócios na vida lembra-se geralmente do que correu mal. Aqueles que são fechados e correm bem, caem-nos no esquecimento".

“Quem deverá ter feito com o BPN alguns negócios que correram bem foi Dias Loureiro. Quando, foi à mesma comissão de inquérito ao caso BPN, disse que nem sequer sabia da existência do Excellence Assets Fund – um veículo fundamental para uma compra ruinosa (prejuízo de 38 milhões de dólares) de duas empresas tecnológicas em Porto Rico. Quando confrontado, pelo jornal Expresso, com contratos que tinham a sua assinatura, o ex-ministro e conselheiro de Estado disse: "Não me lembro dos contratos, posso ter assinado, se vocês o dizem, mas não tenho memória”. Dias Loureiro rematou: “Nunca menti na comissão, disse aquilo de que me lembro”.

“O caso do BPN foi sendo construído apenas com aquilo que os envolvidos se iam lembrando. E quem passou pelo banco até se esquece de por lá ter passado. Foi o caso de Rui Machete, que escreveu uma carta ao Parlamento garantindo que nunca tinha sido "sócio ou accionista" da SLN (dona do BPN), quando na verdade o foi. Rui Machete que, tal como Franquelim Alves, quando chegou ao Governo omitiu (ou alguém por eles) no currículo a sua passagem pelo universo BPN/SLN.

“Isto tudo, já se percebeu, para chegar a Vítor Constâncio, que esta semana chamou os jornalistas em Atenas para dizer que não se recordava de ter sido convocado por Durão Barroso, na altura primeiro-ministro, para falar sobre o caso BPN. “Depois de tantos anos, não recordo qualquer convocação exclusivamente sobre o BPN. Recordo apenas uma conversa geral em que se falou de preocupações com o BPN, mas nada de muito concreto”.

“Ninguém pode levar a mal a Constâncio não se recordar de factos que aconteceram há uma década. O que não se percebe é por que é que Constâncio convoca os jornalistas para fazer uma revelação de algo sobre o qual não se lembrava. Não deixa de ser bizarro que a assessoria do BCE tenha enviado aos jornais as citações de Constâncio e as conclusões da comissão de inquérito ao caso BPN de 2009, feitas pela deputada socialista Sónia Sanfona, e não se tenha lembrado de enviar as conclusões da segunda comissão de inquérito, cujo relator foi Duarte Pacheco do PSD, esta bastante mais crítica em relação à actuação do supervisor no caso BPN.

“O caso BPN renasceu esta semana quando Durão Barroso, em entrevista ao Expresso, veio dizer que “quando era primeiro-ministro, chamei três vezes Vítor Constâncio a São Bento, para saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade”. O que ficámos sem saber é o que é que de tão relevante se dizia na altura do BPN, porque Barroso não o disse. E a terem existido os tais três encontros em São Bento, o que fez ou deixou de fazer o governador do Banco Central, porque Constâncio não o disse.


“Durão Barroso tem um bom remédio para a falha de memória. Na mesma entrevista, o entrevistador revela que Barroso regista tudo o que faz e que todos os dias, às 6h30, escreve as suas notas sobre o que se passou na véspera. Não se sabe se o agora presidente da Comissão Europeia ainda terá algum post-it a contar o que se passou nas três reuniões que terá tido com Vítor Constâncio. Mas se os encontros que teve com Constâncio foram assim tão relevantes (a ponto de serem revelados numa entrevista, sem que o entrevistador tenha feito qualquer pergunta sobre o BPN), por que é Barroso não comunicou os factos às duas comissões de inquérito? Provavelmente esqueceu-se. Pelos vistos acontece a todos”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Mais uma prova do fracasso das receitas da Comissão Europeia: OIT propõe a Portugal medidas para criar 100 mil postos de trabalho.

Foi antes de ontem divulgado um relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), cujo conteúdo pode ser lido  AQUI,,e que se vem juntar a muitos outros recentes relatórios ou opiniões de economistas mundialmente consagrados, onde se desmonta o caminho imposto pela troika e pela Comissão Europeia a Portugal e a outros países da zona euro em dificuldade.

Ao que parece, tanto os nossos governantes, como a Comissão Europeia, continuam a negar a evidência do desastre para onde nos empurram com a austeridade que nos impõem, como foi hoje confirmado por Durão Barroso, que insiste na mesma receita, e continuam a ignorar todos os estudos e opiniões que criticam as políticas por eles seguidas.

Quanto muito reconhecem que cometeram "alguns pequenos erros no programa de ajuda".

Recordamos alguns desses "pequenos erros:

- em 2010 a taxa de desemprego em Portugal era de 10,8%...hoje ultrapassa os 16% e prevê-se que se aproxime dos 18% até ao final do próximo ano, situação ainda mais dramática no desemprego jovem, no desemprego qualificado e no desemprego de longa duração ;

- em 2010 o déficit era de 9,8%...três anos depois de forte austeridade, cortes salariais, aumento "brutal" de impostos, redução drástica de investimento público, privatizações e "ajudas externas" continua a haver um déficit que ronda os 6%...

- em 2010 a nossa dívida pública era de 93,3% ...este ano atingirá os 127,8%....

Se juntarmos a tudo isto os impressionantes números de emigração de jovens qualificados, que já ultrapassa o pico de 1966, o histórico decréscimo de nascimentos,  a brutal e histórica redução do PIB, ficam evidentes os "pequenos erros" do programa da troika ...

Sabemos que este governo cego, surdo e mudo, muito preocupado com os especuladores e socialmente criminosos "mercados" financeiros, mas pouco preocupado com os dramas sociais e humanos que avassalam o país, não se vão preocupar muito com este e outros relatórios, pois negar a sua receita só revelaria o fracasso da sua política em todo o seu esplendor, e isso é o que, governo, troika, Comissão Europeia, BCE e a srª Merkel estão menos interesados.

Resta aos cidadãos resistirem, por todos os meios, às malfeitorias dessa gente, nem que seja recorrendo à informação divulgada por instituições credíveis, como a OIT.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Barroso recebido em Lampedusa com gritos de "assassino"








Como disse o papa Francisco, o que se passou em Lampedusa é uma vergonha para a União Europeia e par os seus líderes.

Pessoalmente, como português, sinto-me envergonhado por "darmos" à Europa alguém como Durão Barroso, e com Europeu sinto-me envergonhado pelae da trupe da Comissão Europeia que nos governa e que pouco se preocupa com as pessoas e os cidadãos.

Pensava Barroso que, ao deslocar-se a Lampedusa, as pessoas eram parvas e o íam receber com aplausos?

Haja vergonha!!!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Passos, Cavaco e Barroso…as aventuras dos três estarolas…




Espero que o termo “estarola” não seja passível de levar um processo em cima…mas com essa gente tudo é possível…Adiante:


Um destes dias Passos Coelho “convidava” os professores a juntarem-se à Greve Geral convocada pelas duas centrais sindicais para o próximo dia 27, com o pretexto de evitarem assim uma greve aos exames.


Foi a primeira vez na minha vida, desde os “saudosos” tempos de Pinheiro de Azevedo, “responsável” pela primeira e única greve feita por um conselho de ministros, que vejo um primeiro-ministro a “convocar” uma classe profissional para participar numa greve geral. O pretexto era evitar a tal greve aos exames, só que o primeiro-ministro, por ignorância ou estupidez (ups!...mais outro prego para um processo…), “esqueceu-se” que, no dia da greve geral ….também se realizam exames…


Segunda “estarolice”:


Neste “reino” cada vez mais surrealista da política nacional e europeia, Cavaco Silva deu uma entrevista sugerindo “despedir” o FMI da troika!!!


Não deixa de ser estranho que se apontem baterias ao “polícia bom” dessa troika, a única organização que, no meio desta gente, ainda revela algum bom senso, alguma preocupação com o crescimento, algumas reservas ao modelo “austeritário” imposto pela Comissão Europeia e pelo BCE, e aquela organização que empresta dinheiro a juros comportáveis e realistas…


Ao que parece Cavaco Silva tornou-se o porta-voz do incómodo que as últimas declarações daquela organização, criticando o modelo seguido na União Europeia para resgatar os  países em dificuldades, provocou junto dos irresponsáveis comissários europeus.


Como cereja em cima do bolo temos o silêncio do sr. Barroso em relação ao crime, contra a liberdade de imprensa, cometido pelo governo grego , ao encerrar, na forma como o fez,  os canais estatais de comunicação social.


Se o que se passou na Grécia tivesse acontecido em Cuba, na China ou na Venezuela, já andava toda essa gente a comentar os atentados à liberdade de expressão.


Como isso se passa num país da União Europeia, o silêncio já se torna “ruidoso”. Tal silêncio só se “percebe” porque aquele atentado à liberdade foi cometido em nome da austeridade e da troika e, ao que parece, com a conivência da Comissão Europeia…


Da Comissão Europeia, uma organização não eleita e que funciona cada vez mais como uma ditadura que governa a mando do sector financeiro contra os seus cidadãos, já nada é de espantar…recorde-se aliás o silêncio em relação ao que se está a passar na Hungria ou o mesmo silêncio em relação à repressão policial na Turquia…


Até quando vamos continuara a aturar esta gente?