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segunda-feira, 11 de março de 2024

O Ressentimento dá votos


Em momentos como este, recordo-me muitas vezes de uma conversa com o meu saudoso amigo Carlos Cunha : numa dada ocasião, não me lembro qual, em que lamentava determinado resultado eleitoral, respondeu-me: “ Estás preocupado? Descansa, que a maior parte dos que votou neles vai sentir e sofrer mais na pele o que eles vão fazer, do que tu ou eu”.

Como dizia Paulo Raimundo em plena campanha, “não confundimos os eleitores desse partido com o dito partido”, ou, como afirmou ontem Pedro Nuno Santos, “não existem em Portugal 18% de portugueses racistas e xenófobos”.

O que aconteceu foi que esse partido explorou os sentimentos mais primários que cada um de nós sente perante as injustiças do mundo.

Usando a propaganda das redes sociais com eficácia, a demagogia do combate à corrupção (o pior cancro da democracia), o abandono de partes significativas da população à voragem das elites económico/politico/sociais, esse partido conseguiu federar todos os descontentamentos acumulados por governações desastrosas, num mundo onde as grandes decisões económicas e financeiras, que afectam a vida de cada cidadão, estão entregues a instituições não eleitas e sem controle pelos cidadãos, seja o BCE, a Comissão Europeias, ou…o Ministério Público.

Claro que esse partido não tem nada para oferecer ou gente capaz de ir além da propaganda demagógica e da exploração de ressentimentos e sentimentos de intolerância social.

Como partido que fez do combate à corrupção o principal tema da sua campanha, não deixa de ser curioso que tenha , entre os seus principais apoiantes e dirigentes, um “preso por violência Xenófoba”, um líder de uma “rede de tráfico de armas”, detido pela PJ, um “candidato que disparou para matar” acusado pelo Ministério Públio, um segurança do líder “julgado por agressão” e por “sequestro, falsificação de documentos e roubo”, agressões ocorridas numa discoteca nocturna de Torres Vedras, o responsável por uma imobiliária insolvente, com uma dívida de 300 mil euros, um vice-presidente de uma distrital condenado por pequenos furtos e burlas, entre os quais a caixa de esmolas de uma Sé Catedral, outro acusado por ameças a jornalistas e ainda um outro condenado por violência doméstica, sem esquecer um conhecido líder de uma extinta organização terrorista que cometeu crimes de sangue (leiam a reportagem de investigação “A Grande “família” do Chega” publicada no jornal Público de 25 de Fevereiro último).

Infelizmente, guiados pelas redes sociais, vivemos num mundo onde a boçalidade rende mais votos que o debate racional, onde a velocidade de imagens e textos decontextualizados influenciam mais uma opinião que umas horas de leitura atenta, onde o ter conta mais do que o ser, onde todos se atropelam pelos “15 segundos de fama”  e pelo exibicionismo balofo de pequenas vaidades pessoais, onde quem pensa de forma diferente da nossa não é um adversário com quem se dialoga de forma civilizada, mas passa a ser encarado como inimigo contra o qual devemos descarregar toda a nossa raiva intolerante, “valores” inteligentemente explorados para minar a democracia em proveito próprio (será bom recordar que Hitler chegou ao poder através do voto democrático).

Nuno Ramos de Almeida escreveu hoje no Diário de Notícias:

“Foram precisas muitas gerações a lutar, muitas centenas de pessoas presas e torturadas e muitos mortos para termos conquistado a liberdade de palavra e de votar livremente.

“Pela primeira vez, desde há quase meio século, temos um partido claramente contra a revolução democrática com uma grande votação. Não quer dizer que os seus eleitores sejam admiradores do fascismo, quer dizer que muitas promessas desta revolução, interrompida a meio, não foram cumpridas.

“Vivemos, há dezenas de anos, num sistema em que a maioria das decisões económicas estão fora da decisão democrática.

“As pessoas sentem necessidade de protestar contra um sistema que dá sempre quase tudo aos mesmos, embora o seu proteste falhe, no meu entender, o alvo: não são os imigrantes, os ciganos ou as populações dos subúrbios que são culpadas deste falhanço (…). Continuamos a precisar de um sistema mais justo e igualitário que dê a toda a gente o que merece e é necessário”.

Também nos merece a atenção a opinião de António Brito Guterres, nas páginas do mesmo jornal, analisando os “ressentimentos” que estiveram na base do resultado eleitoral da direita intolerante:

“O Chega é de extrema-direita, fruto da visão dos seus ideólogos, mas a maior parte dos seus votantes não o são (…). O ressentimento explorado pelo Chega é cúmplice das atuais hegemonias económicas e um aliado para a sua perpetuação. É um garante de que o bolo cada vez maior da precariedade entre nós não aja numa consciência colectiva que poderia ameaçar o poder instituído.

“A riqueza aumenta, mas concentra-se num grupo cada vez mais restrito de pessoas. Os lucros atingem valores recorde, mas o risco de pobreza sem transferências sociais mantém-se superior aos valores de 1994. O Chega não vai resolver esta décalage, é um aliado sistémico para a sua expansão.

“Querem verdadeiramente combater o Chega? Saiam dos gabinetes, criem saber político instalado, deixem a população participar verdadeiramente, e filiem as pessoas como comandantes de uma mudança social”.

O ressentimento, a intolerância, a desinformação, a xenofobia, não vão construir nada de novo para o país e para as pessoas, vão funcionar apenas como uma válvula de escape para as frustrações colectivas ou pessoais, que nos desviam da verdadeira resolução dos problemas importantes que  temos de enfrentar, na habitação, na educação, na saúde, na solidariedade social, num mundo cada vez mais violento e desigual.

Uma travessia no deserto, à esquerda, pode ser benéfico, se esta souber reflectir sobre os seus erros e conseguir responder aos verdadeiros anseios das pessoas, mesmo daquelas que votaram na extrema-direita.

A democracia tem essa vantagem, não acaba no dia das eleições, respeita as minorias e a liberdade e funciona para além do voto, todos os dias, na sociedade e, como se costuma dizer, existem mais marés que marinheiros, ou, rematando como Carmo Afonso na sua crónica de hoje no jornal Público, o “dia de hoje é de festa para alguns e de profundo pesar para outros (…). É o jogo da democracia. Digo-vos que nem a festa nem o pesar nos podem dispensar de pensarmos bem nisto tudo”.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 21 de novembro de 2023

No mundo da “rotulagem”


Fascistas, comunistas, social-fascistas, nazis, populistas, antissemitas, terroristas,  islamofóbicos, apoiantes de Putin, apoiantes do Hamas…e outros rótulos.

No mundo das redes sociais é mais fácil rotular que defender ideias, analisar factos, explicar acontecimentos, contextualizar, debater, de forma civilizada, opiniões divergentes.

Infelizmente, essa tendência para rotulagens apressadas, sobre quem pensa de forma diferente da nossa, está a fazer o seu caminho e, pior do que isso, está a provocar guerras criminosas e a tomada do poder por irresponsáveis.

Hoje não se discutem programas políticos, económicos ou sociais…discutem-se…rótulos!

Tentar contextualizar a guerra da Ucrânia é…”justificar” a criminosa invasão russa!!!

Curiosamente, essa invasão foi “justificada” pelo criminoso Putin com a rotulagem dos ucranianos como…”nazis”!!

Claro que, “para a mentira ser segura tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”. Existem nazis na Ucrânia, como o tristemente célebre Batalhão Azov, mas também existem nazis do outro lado, entre as forças russas, sem esquecer a actuação criminoso e terrorista do Grupo Wagner.

Do outro, lado muitos se apressaram a colar o rótulo de “comunismo” a Putin, outra falácia ignorante sobre o que se passa na Rússia, um processo, esse sim fascizante, de tomada do poder por uma clique de oligarcas.

Agora, em relação ao criminosos, e ainda mal esclarecido, ataque dos terroristas do Hamas  a Israel e à criminosa resposta do governo de Israel, voltamos a assistir ao mesmo processo de “terrorismo intelectual”.

Quem chamar a atenção para as origens do problema palestiniano, para a origem do Hamas e condenar os crimes de guerra de ambos os lados em Gaza e na Cisjordânia, passa a ser considerado como “amigo do Hamas”, ou “antissemita”!!!

É mais fácil rotular, do que pensar!

É mais fácil rotular que admitir os nossos erros!

É mais fácil rotular do que admitir os crimes dos que consideramos pertencerem à nossa tribo!

Claro que todos aqueles rótulos tem uma origem histórica e conceptual, mas têm de ser usados com base no estudo da sua história e da sua concepção.

Usá-los como forma gratuita e ignorante de arremesso sobre os “adversários” políticos, mina o debate democrático e sereno que se deve ter sobre os temas de actualidade.

Todos nós podemos cair nesse erro, mas será bom que o procuremos corrigir e denunciar, ou, da barbaridade das palavras, depressa cairemos na barbaridade dos actos.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

…Outra vez???


Quando a Rússia invadiu ilegal e criminosamente a Ucrânia, em 24 de Fevereiro de 2022, a condenação por esse acto hediondo foi generalizada, e bem.

O problema é que esse dia, mais do que um ponto de partida no conflito interno que existia na Ucrânia, desde o golpe fascista (sim, fascista, sem aspas) do “Maiden”, em 2014, foi um ponto de chegada de um período marcado pela perseguição mútua, muitas vezes com o recurso a acções criminosas, como o célebre incêndio do sindicato em Odessa ("pró-russos" queimados vivos dentro da sede), entre as populações ucranianas e as de origem russa, situação que foi o pretexto para o ditador Putin ocupar a Crimeia e apoiar as milícias do Donbass.

A situação de pré-guerra civil que se viveu na Ucrânia, entre 2014 e 2022, provocou cerca de 10 mil mortos de ambos os lados, e permitiu o aparecimento e fortalecimento de milícias terroristas, de tipo fascista, em ambos os lados da barricada, como o Batalhão Azov,  o Grupo Wagner ou os bandos de criminosos pró-russos do Donbass.

Ou seja, condenar a violação do direito internacional e os actos criminosos das forças russas, desde a invasão, é uma coisa, esquecer o que vinha de trás, é outra.

O problema é que, quem ousou interrogar-se sobre o que se passava na Ucrânia antes daquela data, ou separe o legitimo direito de defesa do povo ucraniano da situação no interior do próprio poder ucraniano, que também recorre a crimes de guerra, embora em menor número que os russos, e é dominado pela corrupção generalizada, é automaticamente rotulado de pró-putin, uma falácia intelectualmente desoneste, mas que tem feito o seu caminho.

O mesmo terrorismo intelectual, falacioso e desonesto, está agora a fazer o seu caminho, a propósito da situação palestiniana.

Também parece que, na Palestina, os hediondos e horrorosos crimes agora perpetrados por esse bando terrorista que domina a Faixa de Gaza, o Hamas, foi o início de tudo e foram os únicos actos criminosos realizados naquele território.

Condenar os crimes do Hamas é uma coisa. Pretender aproveitar-se da situação para fazer esquecer o papel dos recentes governos de Israel no massacre e no desrespeito pelos direitos dos Palestinianos é outra coisa totalmente diferente. Chama-se oportunismo político e má-fé.

Também agora, quem queira recordar o que está por detrás desta acção criminosa, que tem uma história de mais de cem anos de conflitos nunca resolvidos, e na qual o recurso a massacres e crimes de guerra de ambos os lados é prática comum, anda a ser enxovalhado como “apoiante de terroristas”.

É caso para exclamar: …outra vez? Chega de intolerância e de terrorismo intelectual!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Novak Djokovic - os milionários mimados estão acima da lei?


O Estado australiano tomou uma posição exemplar e corajosa ao impedir um negacionista como o tenista Djokovic de participar no open da Austrália.

Pelo que se sabe, o Estado francês vai tomar decisão idêntica em relação à participação do mesmo tenista no Roland Garros.

O caso Djokovic é exemplar da postura arrogante de certas figuras públicas que se acham acima da lei e, mais grave ainda, incentivam comportamentos condenáveis, como a recusa da vacinação.

Claro que cada um é livre de seguir atitudes idiotas e irresponsáveis, mas não é livre de por em risco a segurança dos outros.

Além disso, se quer recusar a vacina, tem de submeter às consequências legais, tal como acontece com um condutor que insiste em conduzir sem carta ou com excesso de álcool.

Mas a atitude de Djokovic foi ainda mais grave, ao incentivar manifestações de negacionistas no país que o recebeu, tornando-se uma espécie de símbolo para essa gente.

A responsabilidade de figuras como  Djokovic é tanto maior, quanto deve a sua fortuna e a sua fama ao facto de ser uma figura pública.

Recordo aqui um texto de António Guerreiro, no Público de 14 de Janeiro (suplemento ìpsilon”), onde explicava de onde vem a fortuna dessas figuras públicas:

“(…) uma grande parte dos rendimentos gerados pela nossa economia não remuneram nenhuma forma de trabalho”, referindo-se à actividade financeira, mas também aos “muitos rendimentos salarias que não são justificáveis pela quantidade e pela qualidade do trabalho investido. Há quem ganhe milhões só pelo facto de conseguir atrair a atenção dos outros a nível mundial. É o caso de certas vedetas pop ou de desportistas (…) por maior mérito que tenham. O Rendimento milionário que auferem devem-se em grande parte ao trabalho dos outros: o trabalho que consiste em prestar-lhes atenção”.

Djokovic está neste caso e, por isso, a sua responsabilidade pública é acrescida.

O exemplo que ele deu aos seus admiradores foi o da aldrabice, da falsificação e, pior ainda, o de justificar atitude que põem em risco a saúde publica.

Só isso devia ser suficiente para ser erradicado ou fortemente penalizado da actividade a que se dedica, já que ele só existe através dos mecanismo da fama, ou então, que se deixasse de dar atenção às suas atitudes irresponsáveis.

Aliás, a fortuna de gente como essa, contrata com gente de outras área desportivas, onde é necessário investir um grande esforço, como, por exemplo, na patinagem artística no gelo, cujo campeonato europeu decorreu no último fim-de-semana e onde a vencedora teve um prémio de…20 mil euros …e a 6ª classificado um prémio ainda mais reduzido…3 mil euros, .

Nada que se compare ao rendimento milionário de figurões como Djokovic, só para exibir o seu mau feitio e a sua arrogância num court de ténis, ou, pior ainda, em público.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Cuba Livre


Hoje é o dia mundial da liberdade de pensamento.

Neste mesmo dia, em Cuba, o poder reforça a repressão sobre os que defendem essa liberdade de pensamento, prendendo e reprimindo manifestantes, impondo a censura, desligando a internet.

Não podemos defender a liberdade (ou as “liberdades”) em Portugal e tentar justificar ou defender que ela seja negada em Cuba, com as mais variadas desculpas.

Uma das desculpas é a defesa dos “feitos” do regime a nível social, principalmente na saúde e na educação, como contrapartida para uma “aceitável” falta de liberdade .

Por cá, vimos, recentemente, no “congresso das direitas”,  argumentos parecidos para desculpar o salazarismo, enaltecendo os seus “feitos” económicos.

Claro que não podemos negar o efeito nefasto de um criminoso embargo de 60 anos, imposto pelos Estados Unidos ao seu vizinho, embargo que, mais do que penalizar as elites dirigentes, penalizou o povo cubano, servindo ainda de alibi para a retórica do regime.

Sabemos que muitos políticos norte-americanos e ocidentais usam dois pesos e duas medidas, não negando o apoio a regimes autoritários e ditatórias, muitos deles bem mais sangrentos do que o Cubano, como aconteceu no passado com o apoio de Saddam Hussein ou a Ossama Bin Laden, antes de estes lhes fugirem do controlo, ou, actualmente,  à Arábia Saudita e a Israel, entre tantas outras “ditaduras convenientes”.

Também não podemos negar a falta de credibilidade de uma oposição dominada pelos extremistas de Miami, sedenta de vingança, muitos deles ligados ao crime organizado e entusiastas apoiantes de Trump.

Tudo o que essa gente tem para oferecer, como alternativa, é o apelo a uma intervenção militar norte-americana.

Esperamos que os Estados Unidos e o  “Ocidente” tenham aprendido com a forma desastrosa como intervieram militarmente do Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria, em nome da “defesa da democracia e da liberdade”. O resultado está à vista.

Esperamos também que a preocupação ocidental em relação aos cubanos, se o regime cair,  não seja a mesma que tiveram com a Rússia depois da queda da União Soviética, que foi a de humilhar os “vencidos” em vez de os ajudar, e, assim, “criaram” um Putin.  

Seja como for, têm de ser os cubanos, os que vivem em Cuba e os exilados, a resolver o problema do seu país, devendo o Ocidente, em vez de acicatar ódios, tentar mediar as partes, para conseguir ainda uma transição pacífica para a democracia, que salve as bandeiras sociais do regime, como a saúde e a educação, evitando uma política de “terra queimada”, o que conduziria Cuba a uma nova tragédia.

Mas nada disso desculpa a forma como o regime Cubano trata o seu povo, quando este exige liberdade, democracia e respeito.

Em último caso, a culpa pela desgraça de um povo ou de um país, é sempre dos seus governantes, sejam eles legítimos ou não.

Esperemos que, antes de agravar a repressão ou provocar um banho de sangue, o regime tenha um momento de discernimento para ouvir as justas reivindicações do seu povo, porque, apesar de tudo, Cuba não é a Coreia do Norte.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

“Filas” e “Queixinhas”

 

Um dos desportos favoritos dos portugueses é fazer queixinhas, e, então, se lhes puserem um microfone à frente, é ver o entusiasmo com que se queixam, aproveitando bem os “15 minutos de fama” que as "queixinhas" lhes rendem.

Noutros tempos davam “bom uso” a esse “desporto”, transformando a “queixinha” em bufaria, nos tempos da Inquisição ou da PIDE.

Agora sobra-lhes o espaço que a comunicação lhes dá, até porque a “queixinha” dá audiência.

A mis recente “queixinha” dos “portugueses de bem” versa o tempo de espera na fila das vacinas.

Os mesmos portugueses, que são capazes de, alegremente e em festa,  acampar à porta e esperar em filas intermináveis junto de bilheteiras, para adquirirem ingressos, pagos com dezenas ou centenas de euro,  para os festivais ou para os jogos de futebol, são os mesmos que agora se insurgem, por terem de esperar uns dois pares de hora para levarem uma vacina que pode salvar a sua vida e a dos seus, e, a prazo, salvar a economia.

Ainda por cima, quando tivemos o vice-almirante Gouveia e Melo, antecipadamente, e com um pedido de desculpas, a explicar porque eram inevitáveis essas filas, neste momento, e que a alternativa seria atrasar o processo de vacinação.

Se é grave e indecente o aproveitamento político dos “queixinhas”, principalmente pelos mesmo que, em tempos, mandaram médicos e enfermeiros emigrar e cotaram nos serviços de saúde, sem se ouvir, então, um protesto de uma ordem profissional, é igualmente grave que, uma comunicação social, havida de audiências, promova os queixinhas em figuras públicas.

Entre “perder” umas horas numa fila, para ser vacinado, ou perder umas horas à porta da urgência de um hospital, ou dias em coma induzido nos cuidados intensivo, seria bom que os “queixinhas” pensassem duas vezes, antes…de fazerem “queixinhas”.

Mas...lá estou em, também...a fazer "queixinhas" dos "queixinhas" !!??

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Ainda a propósito do “branqueamento da História” no Congresso do MEL (2)- As falácias de Nuno Palma.


O tão propagandeado “congresso das direitas”  (mais “fel do que MEL”), pouco mais serviu do que para revelar  a pobreza banal e bolorenta das ideias dessa família política portuguesa, incapaz de mobilizar  e inovar, mas revelador do seu desespero perante a possibilidade de se verem arredados do poder nos próximos anos.

Esse desespero terá contribuído para o radicalismo de algumas comunicações, destacando-se, no meio da pobreza geral,  pela retórica cuidada, inteligente e agressiva, a intervenção de Nuno Palma (ver reprodução em baixo).

Tratando de um tema interessante, “as causas míticas da divergência económica portuguesa”, apresentou algumas reflexões a considerar e que, caso orador não se tivesse deixado levar pelo ambiente revanchista dominante, até podiam ter enriquecido evento tão medíocre.

O problema foi quando começou a fazer comparações absurdas entre o Estado Novo e o Regime Democrático.

Partindo de uma verdade histórica, os níveis de crescimento económico observáveis na década de 60, até hoje inigualáveis, procurou extrapolar, de um simples gráfico estrutural, baseado no PIB, sem a devida contextualização, uma certa “superioridade moral” da economia do Estado Novo em relação ao actual regime.

Entusiasmado pela sua aparente “descoberta” e “novidade” (há anos que Fernando Rosa e outros historiadores falam do tema), e pela reacção da plateia, acabou a debitar uma série de falácias, meias-verdades e bombásticas frases propagandísticas, que fizeram estalar o verniz da aparente “objectividade cientifica “da sua “verdade”.

Sobre a correcta análise e contextualização desse gráfico, já outros fizeram a desmontagem do “mito” dessa comunicação de Nuno Palma ( José Pacheco Pereira , “A indústria de falsificação do Estado Novo”, in Público de 5 de Junho de 2021; Fernando Rosas, “O Milagre da economia sem política”, in Público de 20 de Junho de 2021;  Luís Reis Torgal, “E se só a Ciência for revolucionária”, in Público de 28 de Junho de 2021; António Barreto , “Sim, é verdade”, in Público de 3 de Julho de 2021).

Como escreveu Pacheco Pereira noutro texto, usando-se o mesmo estratagema também se conseguia facilmente demonstrar a “superioridade” do modelo de “desenvolvimento económica” do regime hitleriano em relação à República de Weimar ou do Stalinismo em relação ao regime czarista ou  da União Soviética em relação aos primeiros anos de democracia Russa.

Como se sabe, usar a evolução do PIB, a frio, sem contextualização, para comparar níveis de desenvolvimento, é falacioso e tem sido motivo de debate aceso entre economistas e historiadores. Hoje, aliás, têm sido ensaiadas outras formas de medir o desenvolvimento, que distinga o mero crescimento do verdadeiro desenvolvimento económico, que tem de ser também social, humano e cultural, como acontece com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)  ou como o índice Gini, que mede a desigualdade económica.

Ambos esses índices não estão isentos de críticas, como sucede com qualquer tipo de rating, que analise situações macroeconómicas, pois, não se pode resumir as complexas relações humanas e socias, a base do estudo histórico e social,  a meros “campeonatos” estatístico.

Muitas vezes o PIB compara economias que "produzem ricos" com economias que produzem riqueza, não distinguindo a desigualdade na distribuição dessa riqueza ou os métodos,muita vezes desumanos e antisocias como ela é alcançada, o que, aliás, acontecia no Potugal doa anos 60.

Mas o mais grave e falacioso da comunicação de Nuno Palma não foi só essa questão.

Uma das frases bombásticas do orador, levado provavelmente pelo ambiente favorável de uma plateia rendida ao radicalismo, foi a de dizer que “desde o 25 de Abril Portugal é um regime de Esquerda”, considerando que, mesmo “a única excepção duradoura é a década de Cavaco Silva com um programa até social-democrata” e que “a nível europeu isto até é centro-esquerda”.

E começa aqui o desfilar entusiástico e delirante de falácias.

Até Cavaco é de “esquerda” (“social-democrata”) e assim arrumam-se, sem hipótese de argumentar, 48 anos de democracia, ideia que pode ser facilmente desmontada consultando a lista e o tempo dos governos, democraticamente eleitos, convém recordar, desde o 25 de Abril.

Dando de barato que o PS sempre governou “à esquerda” e que todos os governos provisórios  liderados por Vasco Gonçalves (com ministros do PSD e PS) foram dominados pela esquerda, contabilizamos 286 meses de governo “à esquerda” e 272 à “direita”, mais 29 meses de governos “ao centro”, considerando como centrista o 1º governo provisório, com Sá Carneiro como ministro, o governo de Pinheiro de Azevedo, dominado pelo PSD  e pelo PS, e os governos de Nobre da Costa, Mota Pinto e Maria de Lurdes Pintasilgo, aquele argumento cai pela base.

Recorde-se, aliás, que o “esquerdista” Cavaco Silva chefiou o governo durante 120 meses, grande parte em maioria absoluta.

Recorde-se que a “direita”, coligação entre CDS e PSD, governou também em “maioria absoluta”, 40 meses com a AD e 77 meses com Passos Coelho…ah! mas esta gente, para Palma, é suspeita de governar em “social-democracia” ou ao “centro-esquerda”!!

A única maioria absoluta à “esquerda” aconteceu como o primeiro governo de Sócrates, cerca de 48 meses, um governo, aliás, muito bem recebido por alguns pensadores da direita neoliberal, exactamente por tomar muitas das medidas antissociais preconizadas pelos “Nunos Palma” da época…

A ideia de Palma é quase tão absurda como a cassete das “políticas de direita” do PCP.

Mas Palma vai mais longe nas suas atoardas. Em certo momento, tomado de delírio, vem em defesa do Chega. Porque ilegalizar o Chega? (nós também não concordamos com essa intenção). Segundo ele existem razões, sim, é para ilegalizar a “extrema-esquerda”, o BE ou o PCP, por exemplo, até porque, ao contrário do Chega, “o PCP é um partido anti-democrático” e insurge-se contra o museu do Forte de Peniche que , citando o programa da instituição, é “uma homenagem aos presos políticos que lutaram pela democracia” o que para Palma são “os tais do PCP que lá estiveram presos” (aplauso entusiásticos).

É provável que a maior parte dos presos políticos no Estado Novo, nomeadamente os que estiveram presos em Peniche, fossem do PCP, mas a afirmação ignorante e falaciosa de Palma ignora tantos presos políticos, das mais variadas tendências, que por lá passaram, bem como as razões do papel histórico do PCP no combate à ditadura, afirmação grave feita por um professor universitário que se diz objectivo e contra “as ideologias”.

A forma como ele enfatiza esta parte da sua intervenção, e o entusiasmo que ela provocou entre a assistência, demonstra que entre a assistência há muita gente que acha que, se eram “comunistas”, então até mereceram a prisão!!

Outra afirmação de Palma que mereceu aplausos entusiásticos da assistência: “a extrema-esquerda controla a educação”.

E “extrema-esquerda”, para ele, é o Bloco de Esquerda, o PCP e até sectores  do PS, classificação tão absurda, dita por um professor universitário, como classificar o PSD, o CDS  ou a Iniciativa Liberal como de “extrema-direita”.

E em que é que Palma fundamenta a sua argumentação? na citação cirurgica de uma parte do programa oficial de História do 12º ano : “…reconhecer que [o Estado Novo] …impediu a normalização económica e social do país” e, outra  falácia, como o demostrarei mais à frente, uma sugestão de trabalho sobre o Holocausto, “associando o Holocausto ao Estado Novo”, uma situação que, se fosse verdadeira, eu também consideraria absurda.

Insurge-se ainda com a bibliografia dominada por autores “marxistas”, como Hobsbawn e Fernando Rosas.

Fiz aquilo que Palma recomenda, fui consultar o programa disponível na página do Ministério da Educação e…até eu fiquei espantado com a falta de seriedade das afirmações de Palma!!!:

No Módulo 7, “Crises, embates ideológicos e mutação cultural na Primeira Metade do Século XX”,  o “conteúdo” 2.5 tem como título “Portugal: O Estado Novo” refere, entre outros, um conteúdo especifico sob a seguinte designação: “uma economia submetida aos imperativos políticos: prioridade à estabilidade financeira; defesa da ruralidade; obras públicas e condicionamento industrial; a corporativização  dos sindicatos; a política colonial”.

No final deste módulo refere como “aprendizagem a reter”, reconhecer “ que, no Estado Novo, a defesa da estabilidade  e da autarcia se apoiou na adopção de mecanismos repressivos e impediu a modernização económica e social”.

Esta “prendizagem” não se refere a todo o período do Estado Novo, mas à época antes do final da 2ª Guerra. Palma interpretou-a como uma “aprendizagem” mais generalista porque, ou lhe convinha a meia verdade, ou não reparou que o Estado Novo volta a ser analisado no Módulo 8, referente agora ao período do pós guerra, onde se estuda “Portugal do autoritarismo à democracia”, referindo-se no ponto 2.1 deste capítulo o “imobilismo político e crescimento económico do pós-guerra a 1974”. Repito : “CRESCIMENTO ECONÓMICO”!!!!

E neste ponto indicam-se como “aprendizagens relevantes”, relacionar “ a fragilidade da tentativa liberalizadora e da modernização económica do marcelismo com o anacronismo da sua solução para o problema colonial” e “reconhecer a modernização da sociedade portuguesa nas décadas de 60 e 70, no comportamento demográfico, na modificação de estrutura da população activa e na relativa aproximação a padrões de comportamento europeus”. Sublinho : “RECONHECER A MODERNIZAÇÃO (…) NAS DÉCADAS DE 60 e 70”.

Em relação à sugestão de trabalho sobre o Holocausto, esta, no documento, refere-se a outro tema do módulo 7, apesar de estar referido na mesma página do conteúdo 2.5, situação que se deve à organização das páginas, divididas em 3 tabelas, onde as duas primeiras, “conteúdos” e “conceitos”, estão relacionadas entre si e a terceira, com sugestões de trabalho, faz a listagem de todas as sugestões para todo o módulo. Um professor/investigador não ter reparado nisto e ter feito disto tema da sua comunicação é revelador da “competência” do mesmo em analisar documentos.

Pelo contrário, nesse documento, até surgem como sugestões de leitura, os discurso de Salazar.

Podemos discordar de certos conteúdos ou da ausência de outros, mas não existe no programa qualquer vestígio evidente do controle da educação pela "extrema-esquerda".

Por último, a infeliz referência ao “domínios marxista” da Bibliografia: de facto vem indicadas 3 obras de Hobsbawn, entre elas “A Era dos Extremos”, e 2 de Fernando Rosas, uma delas o “Dicionário de História do Estado Novo” por ele dirigido, mas com a colaboração de autores das mais variadas tendências, ao lado, aliás, dos 3 volumes do Dicionário de História de Portugal, relativos ao Estado Novo, coordenados por António Barreto e Filomena Mónica. Nas dezenas de sugestões de leitura também se incluem obras de “perigosos marxistas” como François Furet, José Mattoso, José Carlos Espada,Nuno Valério, José Hermano Saraiva, Joaquim Veríssimo Serrão, Braga da Cruz, A.H. de Oliveira Marques, Fátima Patriarca, António José Telo ou António Costa Pinto, entre outros.

Quanto muito, podemos criticar uma certa desactualização dessa bibliografia, mas não existe, na que é porposta, qualquer sinal de "domínio marxista".

Pela reacção do público de "direita" a esta comunicação, ficámos a "saber" que, na falta de um projecto económico para Portugal, alternativo ao mítico "modelo socialista", só têm para oferecer um "modelo económico" como o  do Estado Novo...sem Salazar (...eventualmente...sem ditadura!!), uma economia que "produz ricos", em vez de produzir riqueza, baseada na desigualdade na distribuição dessa riqueza, na perseguição aos sindicatos, na remessas da emigração provocada pela miséria das populações rurais, nos baixos salários e na negação de direitos sociais.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Tão “liberais” que “nós” somos!!!

Tal como defendi as manifestações do 25 de Abril, do 1º de Maio, a realização da Festa do Avante e dos Congressos de vários partidos, não vi, à partida, nenhum problema na realização de um arraial de Stª António organizado pela Iniciativa Liberal (IL).

Defendi essas manifestações, desde que fossem respeitadas as regras imposta pela Direcção Geral de Saúde, e elas foram cumpridas nos primeiros casos citados.

Não o foram no evento da Iniciativa Liberal e, o pior, é que não foram cumpridas de forma deliberada e provocatória, comportando-se como “putos mimados da linha”.

Mas o pior nem foi isso.

Foi a grande intolerância manifestada pelas “barracas de tiro”. Nem o Chega se lembrou de tanto!

De facto, gente que se diz muito liberal e “educada”, revelou a sua verdadeira face.

Desde um manequim de “um comunista” (segundo a ideia preconceituosa dos líderes desse partido) até um alvo com as fotografias dos “socialistas” de todos os quadrantes, onde nem faltou a fotografia de Rui Rio, valeu de tudo para descarregar ódio e intolerância sobre os adversários.

Eu, que até achava piada a algumas das iniciativas desse partido, fiquei definitivamente esclarecido sobre as suas intenções.

Por detrás do rótulo “fofinho” de “liberais”, esconde-se a “direita” troglodita e rançosa de sempre.

Obrigado, pela iniciativa, pois ficámos esclarecidos sobre as verdadeiras intenções dessa gente.


sexta-feira, 30 de abril de 2021

Arruaceiros ao Poder…os outros já dirigem o futebol!

(caricatura de Herman José à candidata Suzana Garcia)

Parece que o que está na moda na política já não é debater projectos e ideias, mas sim ver quem grita mais alto ou diz o maior disparate ou a maior alarvidade.

É isso que dá direito a comentários nas redes socias ou a aparecer em programas de reality show e nos debates televisivos, para aumentar audiências e ganhar votos.

Suzana Garcia, a candidata à Câmara da Amadora do PSD, é a prova mais recente do grau zero a que chegou o debate político.

Confesso que não me recordo, nas últimas décadas, de ouvir alguém em Portugal, candidato num partido com representação parlamentar, ou mesmo noutros, defender a “exterminação” de adversários políticos.

Foi isso que a candidata afirmou, numa entrevista a um programa de reality show: “Eu espero mesmo que o Bloco de Esquerda seja EXTREMINADO”.

Depois, questionada pelo entrevistador sobre se defendia o mesmo para o CHEGA, acabou por dar a resposta “politicamente correcta”, para parecer independente : “Também”.

Confesso que, desde o nazismo, não me lembro de alguém defender em público a “exterminação” de adversários ou de quem quer que fosse (o que não quer dizer que não se tenha feito, mas raramente assumindo).

O nível arruaceiro a que já estamos habituados no meio futebolista, como tivemos ocasião de assistir ainda na última semana, parece ter agora descido de vez ao mundo da política, tanto mais que não estamos a falar de uma candidata de um qualquer grupo marginal, da direita ou da esquerda, mas da candidata de um partido responsável, fundador da democracia.

Estranho também é o silêncio das redes socias, sempre tão indignadas quando o disparate vem da esquerda, revelando o grau de infiltração e influência, nesse meio, do extremismo de direita, de onde é oriunda a boçal Suzana Garcia.

A arruaça, dominante nos debates das redes sociais, parece estra agora preparada para tomar conta do poder do debate político.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Ilegalizar o Chega? Expulsar Mamadou Ba? Onde estão agora os Indignados?


Parece que anda por aí uma petição para expulsar Mamadou Ba do país.

Esse tipo de iniciativas é equivalente a outra, de sinal contrário, a de ilegalizar o Chega.

AQUI dissemos o que pensamos sobre o assunto do Chega.

Vivemos em democracia e em liberdade e, desde que se respeite as leis da mesma democracia, cada um é livre de defender o que quiser, mesmo as ideias mais disparatadas, absurdas ou mesmo ofensivas.

Mamadou Ba é livre de fazer as polémicas afirmações que costuma fazer, embora não me identifique com a maior parte delas.

Aliás, olhando para os milhares de afirmações publicadas na imprensa, proferidas nas televisões, declaradas nas rádios ou postadas nas redes socias, encontro afirmações, do mesmo teor ou de sentido contrário, tão disparatadas, intolerantes e ofensivas como as que costumam ser proferidas por Mamadou Ba.

É curioso que ainda ninguém se tenha lembrado de propor ou assinar uma petição  para expulsar as centenas de “idiotas” ( epiteto que muitas vezes é aplicado apenas a quem não concorda connosco) que todos os dias postam, escrevem e publicam as mais alarves boçalidades, os mais disparatados insultos e as mais intolerantes e ofensivas idéias.

Será apenas porque são "portugueses bem”, cheios de "portugalidade" (!!!) e, de preferência, brancos?

Também me espanta que tantos “comentadores” , tão ofendidos e preocupados com a absurda ideia de ilegalizar o Chega, não venham agora debitar preocupação idêntica por um outro acto absurdo, o de propor a expulsão de um cidadão de pleno direito.

É o que se chama de “dois pesos e duas medidas”, conforme o peso e a medida da ideologia de cada um.

E eu termino a interrogar-me: onde param agora os indignados que se manifestaram tão preocupados com o acto, atentatório da democracia e da liberdade ,que era a proposta de ilegalizar o Chega?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Marcelino da Mata - nem "herói" nem "criminoso", talvez ...apenas Homem!!??

Não, não vou alinhar no histerismo pró e contra Marcelino da Mata.

A "onda" de Marcelino da Mata, uma espécie de Rambo à portuguesa, não é a minha.

Se cometeu "crimes de Guerra" foi porque participou numa Guerra criminosa, onde se cometeram crimes de ambos os lados (alguns, muito mais graves, até depois da Guerra terminar, como se pode ler na reportagem AQUI, publicada pela revista Sábado).

Marcelino da Mata foi apanhado pela História e acabou do "lado errado da História" (aconteceu-me o mesmo muitas vezes).

Goste-se ou não, a vida de Marcelino da Mata dava um filme, como se pode ler AQUI, num dos seus raros depoimento pessoais, onde relata a sua actividade militar.

Para além do relato das acções em que participou, algumas que resultaram em verdadeiros crimes de guerra, mas pelas quais ele não foi o principal responsável nem mandante, até porque a sua ingenuidade o levou a assumir esses crimes, para além das sevícias e da tortura a que foi sujeito, depois do 25 de Abril, por militares ligados em MRPP, há ma história menos conhecida que ele conta neste texto, o facto de ter trabalhado para o MPLA, muito depois da independência, para preparar militares desse movimento na Guerra Civil contra a UNITA e só saindo de Angola, a bem, e com as contas em dia, como o próprio confirmou, depois de terem surgido em Portugal notícias sobre essa actividade.

Marcelino da Mata foi, na Guiné independente, aquilo que Miguel de Vasconcelos foi para os portugueses de 1640, e maltratado como tal. Outros colegas seus tiveram menos sorte.

Para os comandos e outros militares que nunca resolveram os traumas da Guerra Colonial, ele era um herói.

Marcelino da Mata gabava-se, entre amigos, dos crimes que cometeu, como aconteceu no relato feito a um militar português sobre uma operação em que participou : "entrámos na tabanca, deitamos granadas incendiárias para as palhotas, as pessoas fugiam para o centro da tabanca, matámos todos, homens, mulheres, crianças" (ver AQUI) .

Um amigo meu, Joaquim Carlos Matos, ex-combatente na Guiné, a propósito de um texto perecido com este, que publiquei no facebook,  interrogava-se :"pergunto: só ele é que participou em massacres? Quantos militares, alguns deles dos Comandos, que participaram igualmente em centenas de operações repressivas, tiveram posteriormente um papel importante no MFA e foram glorificados por isso?. E o mesmo não se aplica a tantos "democratas do pós-25 de Abril" ? 

Numa Guerra, principalmente numa Guerra como foi a Colonial,  a fronteira ente os actos de cobardia, de heroicidade, ou criminosos é bastante ténue, muitas vezes, no mesmo combate, uma mesma pessoa consegue comete-los em simultâneo.

Os grandes criminosos, geralmente, nunca sujaram as mãos com os seus crimes, mandam os outros executá-los.

O "debate" sobre Marcelino da Mata acentua as características do mundo em que vivemos, um mundo a preto e branco, com bons e maus, sem possibilidade de diálogo civilizado, sem respeito pelas ideias dos adversários, sem tolerância pelas opiniões contrárias, e baseado na gritaria. 

Mamadou Ba e André Ventura revelam-se, neste tema, as duas faces da mesma moeda da intolerância (leia-se, a propósito, esta interessante opinião de Alberto Magalhães).

Como qualquer pessoa que se cruzou com uma História de violência, tragédia e de guerra, Marcelino da Mata foi, tanto "besta", como "herói", ou, parafraseando o conhecido filosofo espanhol José Ortega y Gassset, " homem (Marcelino da Mata) foi o homem e a sua circunstância".

Ou, como diria Charlie Chaplin, pela voz do seu personagem Sr. Verdoux, "quem mata uma pessoa é um criminoso, quem mata um milhão é um herói".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

No país do "dito cujo"


Por cá, o “dito cujo” ficou em 2º, situação que se repetiu em 10 das 13 freguesias, com um total  de mais de 4 mil votos obtidos.

Ana Gomes só ficou à frente do “dito” na maior freguesia (a urbana), na do Turcifal (uma terra com pergaminhos, dominada por uma elite culta e endinheirada, alguma brasonada) e na freguesia onde o PCP tem mais peso, a da Carvoeira.

Muita da minha  gente que vota à esquerda, mesmo PCP, votou Marcelo, para evitar uma segunda volta, outros votaram Ana Gomes, para travar o xenófobo. 

As poucas pessoas que conheço que estão com o Ventura vieram maioritariamente do CDS, menos do PSD, outros da abstenção ressabiada com tantos anos de democracia, alguns têm origem na extrema-direita de sempre, saudosos de Salazar, há mesmo monárquicos, da monarquia mais retrógrada (ainda saudosos do miguelismo, onde militaram antepassados), e alguns "anarco-convencido", daqueles que falam mal de tudo.

Esta é a minha "análise" empírica.

“Cientificamente”, recordo uma sondagem publicada no Público de 6ª feira, com análise da origem dos eleitores de cada partido, onde a maioria dos votantes do Chega que não tinham votado já no Chega nas anteriores legislativas, tinham origem no PSD (cerca de 10%) e no CDS (outros 9%). Seguiam-se os que votaram na Iniciativa Liberal (6%),no BE (5%),no PS (3%) e, só então,  no PAN (2%) e na CDU (2%).

Esta situação, mais a que eu observei em cima de forma empírica, e uma análise fina dos resultados, mostra que, ao contrário da intervenção disparatada do Rui Rio, a origem do crescimento do Chega não está nos eleitores do PCP, mas da direita clássica.

A forte votação do “dito” no Alentejo deve-se, não tanto aos eleitores tradicionais do PCP, embora possa haver uma pequena minoria nessa situação, mas a uma espécie de coligação negativa anticomunista, ressabiada com a longa influência da esquerda nesse território, já que o candidato do PCP, numa situação de maior abstenção, teve, nessa região, quase os mesmos votos e percentagem do candidato desse partido em 2016.

O CDS, como se verá em próximas eleições, e as sondagens já revelam, é, para já, o mais penalizado com o crescimento da extrema-direita, o que mostra de onde vem o crescimento do Chega, mas, se Rui Rio continuar por esta via, de euforia pelos resultados do “dito”, normalizando-o, então o PSD corre risco idêntico, e, com o desaparecimento do CDS e o enfraquecimento do PSD à direita, é a nossa democracia vai estar em perigo.

Por outro lado, a esquerda, enquanto andar preocupada com as capelinhas próprias e a ver quem é a "verdadeira esquerda", numa espécie de campeonato dos pequeninos, sem se unir no essencial, também presta um grande favor ao dito intolerante.

Também não é numa posição de gritaria histérica “antifascista” que se combate o crescimento da “coisa”.

O “fascismo” teve o seu momento histórico, mas foi um movimento “pragmático”, de tal forma que  quem defenda que nunca houve um fascismo puro.

Enquanto andar à caça do “fascista”, vai continuar deixar escapar a verdadeira origem do crescimento do dito: a intolerância, o medo, a ignorância, a raiva, a pobreza, a desigualdade, a corrupção.

Embora com pontos em comum    na  origem do "coiso", esse conceito de “fascismo” não é o que melhor pode ajudar a compreender e combater o fenómeno.

É através de argumentos sólidos, do exemplo, da desmontagem das mentiras, do desmascarar das falácias, da informação fundamentada, mostrando a superioridade da democracia, da liberdade e da tolerância, que se consegue isolar esses intolerantes de discurso fácil, de promessas tentadoras, gente sinistra que gravita à volta do “dito”, remetendo-os para as "catacumbas" de onde vieram.

Esta é a minha modesta e superficial análise da trágica situação a que chegámos.

Que "são Marcelo" nos valha!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Fechar as escolas ...sem fundamentalismo

 Não sou fundamentalista em relação às saídas à rua, desde que se cumpram as regras (máscara, distanciamento, desinfecção e etiqueta respiratória), até porque, a maior parte das contaminações, ou tiveram origem em casa, ou nos lares, de onde os nossos idosos não saem há um ano, ou, essas sim na rua, em grandes ajuntamentos ilegais, muitas vezes em espaços fechados e não arejados.

Há por aí muita demagogia e, em certos casos um "terrorismo alarmista", que só serve para desorientar.

Quanto às escolas, o problema não é dentro delas (apesar das faltas de condições para enfrentar o frio, perante a necessidade de arejar as salas, e do excessivo número de alunos por turma), mas nos ajuntamentos provocados á entrada e à saída, sem esquecer que professores e auxiliares são um grupo envelhecido, e de risco.

Está provado também que, ter as escolas abertas, faz diferença em relação ao movimento e às deslocações dos portugueses.

Era perfeitamente alcançável continuar o ensino não presencial, pelo menos para os mais velhos, aliviando assim o movimento e a capacidade das escolas.  

Por estarmos a falar no máximo de um ou dois meses, parece-me ridícula a justificação de alguns, para defenderem as escolas abertas, com o argumento de que "sacrifica a aprendizagem e a sociabilização dos mais jovens" ou "aumenta as desigualdades".


Não estamos a falar de uma situação permanente. Estamos a falar de algumas semanas.

Fiz parte de uma geração que viveu cerca de 3 anos de grande instabilidade escolar e não me parece que isso tenha contribuído para "sacrificar a aprendizagem", e a "sociabilização", ou mesmo "aumentar as desigualdades", embora a situação fosse diferente.

Sem os meios disponíveis dos nossos dias, tratava-se na altura de descobrir coisas diferentes do que nos era ensinado numa escola retrógrada, como era a desse tempo, com um misto de esperança na construção de uma nova sociedade e de descoberta de novas realidades. Mas isso é outra história.

Hoje, trata-se de salvar vidas e salvar o SNS, de aliviar o trabalho de médicos, de enfermeiros, de outros profissionais de saúde, de bombeiros, de polícias, e...de professores e auxiliares de educação.

Trata-se de travar o aumento da “curva”, para dar tempo a que a vacinação comece a contribuir para se atingir a imunidade de grupo, ou seja, para não “aumentar as desigualdades” com o aumento do  desemprego e a falência de  empresas que o prolongar da situação provocará, para não “sacrificar as aprendizagens”, que hoje se faz num clima de instabilidade e stress e para “não sacrificar a sociabilidade”, não só dos mais jovens, mas de todos, devido à instabilidade social e psicológica gerada pelo prolongamento e pelo agravamento da situação. 

Haja bom senso! 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Os “portugueses de bem”!!!

(original de "irmaolucia")

Tenho assistido a muitas campanhas presidenciais e, em comum, há o  facto de todos os candidatos prometerem, para além de cumprirem e fazerem cumprir a Constituição,  serem “o presidente de todos os portugueses”.

Este ano, para além da “novidade” de uma campanha em epidemia, temos um candidato que, caso seja eleito (…Lagarto!, Lagarto, Lagarto!!!!), para além de  negar cumprir a Constituição, promete ser o presidente de apenas  alguns portugueses.

E quais são esses portugueses?...os “portugueses de bem”!!!!.

O candidato introduz assim um “novo conceito” de ciência política, o  “português bem”.

Esse “conceito” traz-me à memória outros conceitos de “superioridade pela bondade”, como o de “civilização de bem”, tão útil para justificar o colonialismo e as suas atrocidades, o de “nação de bem”, tão útil para justificar as carnificinas nas frentes de batalha da  primeira guerra mundial, o de “classe social de bem”,  aplicado por Stalin para justificar os crimes do Gulag, ou de “raça de bem” aplicado pelos nazis para justificar o pior crime da história, o holocausto.

Em Portugal também já tivemos, no passado recente, a aplicação de algo parecido com a ideia de “português de bem”, no celebre “estatuto do indígena”, aplicado nas colónias entre 1926 e 1961, com várias alterações legais, onde se definiam os direitos, e principalmente os deveres, dos habitantes originais dessas colónias, e onde se justificava o facto de tais “indígenas”  não terem direitos civis, jurídicos ou de cidadania, estabelecendo-se, aliás, um mecanismo de transição entre o “não cidadão” e  o “português de bem” no decreto de 20 de Maio de 1954, classificando três grupos de habitantes das colónias: os “indígenas”, os “assimilados” e os “brancos”. Para a condição “superior” de “assimilado”, os” indígenas” tinham de saber ler e escrever português, deviam vestir como os brancos, professar a religião católica e os hábitos e costumes ocidentais. Mesmo assim nunca passariam de “assimilados”. Tão aberrante situação acabou em 1961 por iniciativa de Adriano Moreira, o que lhe terá custado a antipatia de muitos colonialistas e salazaristas.

Aliás, a primeira coisa que me veio à memória ao ler tal slogan eleitoral, foi a ideia de superioridade da raça ariana, numa versão soft adaptada ao século XXI.

Um ariano também era um “alemão de bem”, em contraste com um judeu, um cigano ou um eslavo (ou mesmo um latino), um comunista ou um social-democrata, ou mesmo um “simples” democrata.

A ideia de raça ariana tinha, pelo menos, o “mérito” de ser fácil de identificar, ao contrário da Ideia de  “português de bem”.

Um “ariano” era um louro, de olhos azuis, de porte atlético,” tudo”, aliás, que “saltava à vista” olhando para a imagem dos mais altos dignatários do regime nazi, como um Goering, um Gobbel, um Himmler, ou um Hitler… todos “autênticos arianos”….

Não sendo claro o que é o tal “português de bem”, podemos tentar definir o conceito pelo seu contrário, a partir de afirmações do candidato ou do programa do seu partido.

Não é “português de bem” quem estiver a cumprir pena de prisão, seja qual for o motivo da mesma, incluindo presumíveis “criminosos” ainda não julgados, a não ser pelas redes socias e pelas fake news.

Não é “português de bem” um homossexual, uma mulher que abortou, um casal em união de facto.

Não é “português de bem” um cigano, um africano, um emigrante, um muçulmano, um habitante de bairro social.

Não é “português de bem” um “subsídio-dependente”, ou seja, um cidadão pobre, um desempregado, um doente crónico, um deficiente ou um pensionista.

Não é “português de bem” um funcionário público ou um sindicalista.

Não é “português de bem” um “esquerdalho”, isto é, um  comunista, um  socialista ou mesmo um social-democrata ou um simples defensor do Estado Social.

Não é “português de bem”, um “traidor” da direita, um democrata-cristão, um critico do extremismo das suas propostas, que “pactue” com o regime democrático que ele pretende substituir pela “IV República” ( talvez uma ….”República de Mil Anos”!!??).

Pelo contrário, talvez seja “um português de bem” alguém que falsifique assinaturas para legalizar um partido político extremista, como aconteceu com o partido desse candidato.

Talvez seja “um português de bem” alguém que usa de todos os estratagemas para fugir ao pagamento de impostos, recorrendo a paraísos fiscais, com a ajuda do próprio candidato enquanto exerceu a advocacia.

Também deve ser “um português de bem” todo aquele que fez fortuna através de negócios obscuros, como aconteceu com muitos dos apoiantes e financiadores dessa candidatura.

Pela minha parte, porque não sou esse “ português de bem” , talvez por  “ser um criminoso” ( já fui multado algumas vezes), “subsídio-dependente” (trabalhei no ensino público e sou pensionista) e um “esquerdalho” incorrigível, espero, talvez de forma egoísta, para fugir a um “campo de reeducação”, contribuir para a derrota desse candidato e do seu projecto.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Quem pode explicar ao “chef” Stanisic que Portugal não é a Bósnia?


Formado na intolerância e na  violência que marcou a história recente do seu país, antigo “criança-soldado” da guerra da bósnia, o “Chef” Stanisic, quer importar esse espírito arruaceiro para Portugal.

Se dúvidas havia sobre o seu desrespeito pelas instituições democráticas, elas ficaram ontem evidente pelo modo com se dirigiu ao líder do CDS, que lhe foi demonstrar apoio pela discutível greve da fome iniciada por esse empresário e conhecida estrala da TV e da imprensa cor-de-rosa, recentemente presenteado com uma milionária transferência televisiva.

Em Março passado defendia uma posição totalmente diferente, embora do mesmo modo arruaceiro que o caracteriza, como se pode ler no excerto da notícia publicada em 16 de Março no site da revista “Evasões” do Jornal de Notícias:

“O Governo não tem tomates para fechar os restaurantes”. Durante a sua intervenção no Jornal das 8, este fim de semana na TVI, Ljubomir Stanisic pedia para que o Governo decidisse encerrar os restaurantes portugueses, de norte a sul, como medida de segurança e prevenção face à propagação do Covid-19.

“Os restaurantes que se lixem, o mais importante é a saúde pública”, defendia o chef, numa altura em que discotecas foram encerradas, os bares obrigados a fechar às 21h00, e a medida atribuída aos restaurantes se fixou na limitação dos comensais a um terço da capacidade de cada espaço.

“Há 11 anos em Lisboa, esta é a primeira vez que fechamos as portas em vez de as abrir… É uma decisão difícil mas inequívoca: não podemos, em boa consciência, continuar abertos. Sentimos que temos de fazer tudo ao nosso alcance para proteger as famílias – as nossas, as da nossa equipa, as dos nossos clientes – e o mundo! É uma decisão que tomamos sozinhos, sem apoios, sem ajudas, sem rede, com a noção de que o golpe financeiro que sofreremos poderá levar muito tempo a sarar”, explicou o chef e rosto de “Pesadelo na Cozinha”, da TVI.

Desde então, a hashtag #Tomates ganhou dimensão nas redes sociais e o apoio de outros colegas e figuras da indústria da restauração”.

Agora pede exactamente o contrário, com o apoio de alguns empresários da noite, que o acompanham na “greve da fome” frente à Assembleia da República.

Em Portugal o diálogo e a negociação faz-se através das instituições representativas, associações, ordens, sindicatos e, porque vivemos em democracia, será bom recordar ao “chefe” Stanisic, também com os partidos políticos.

A forma arrogante como ele ontem se dirigiu ao líder do CDS, um partido parlamentar, goste-se ou não do que ele representa, e eu não me identifico com ele, como todos sabem, foi reveladora das intenções arruaceiras do protesto, que, baseando-se em preocupações legítimas, recorre à chantagem emocional de uma disparatada “greve da fome.

Aliás, Francisco Rodrigues foi interrompido ao referir-se à forma oportunista como André Ventura se estava a aproveitar da iniciativa, e a partir daí as coisas “esquentaram”, com ameaças veladas proferidas pelo famoso “Chef”.

O tratamento dado ao líder do CDS contrastou com a forma como foi recebido André Ventura, presente, pouco depois nesse mesmo local, onde o líder da extrema-direita se movimentou à vontade e dando entrevistas às televisões, com os “grevistas” a assistirem serenamente.

Movimentos inorgânicos como este, tais como em tempos o dos camionistas, são o   palco privilegiado para a expansão dos Andrés Venturas deste país.

Stanisic talvez seja o líder que esses extremistas precisam, para contrabalançar com um André Ventura de “falinhas mansas”.

Ainda recentemente , numa entrevista à TVI em Dezembro de 2019, dizia-se capaz de arrancar a cabeça às pessoas "quando encontro injustiças".

Talvez fosse tempo de alguém explicar ao “chef” que Portugal não é a Jugoslávia.

(ver o momento do referido "confronto":



 ou https://tviplayer.iol.pt/imperdiveis/greve-de-fome-chicao-visita-empresarios-e-ljubomir-aconselha-o-a-ir-embora/5fc697630cf203abc5b483fd ).