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segunda-feira, 20 de abril de 2020
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Em Defesa dos Professores
Vale a pena "perder" algum tempo a ouvir a crónica de hoje da rúbrica O Fio da Meada (clicar aqui) da Antena 1.
Com o título " Incompetentes, lamuriosos e desonestos" , a crónica de Joel Neto é um forte e incisivo manifesto de apoio a uma das classes mais desprezada pelo poder político, por comentadores sem escrúpulos, e por economistas arrivistas.
Numa altura em que os professores voltam a estar no centro das atenções, esta é uma das crónicas mais lúcidas que ouvi até hoje.
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segunda-feira, 6 de maio de 2019
Sobre os Professores e o os aldrabões do costume
Tem sido triste e revoltante de ler, ouvir e ver a reacção
da maior parte dos comentadores e jornalistas de plantão acerca do
reconhecimento da contagem do tempo de serviço dos professores pelo Parlamento.
A maior parte revela uma grande e vergonhosa falta de escrúpulos,
misturando má fé e meias verdades ou nem se dando a esse trabalho, ficando-se
pela mentira pura e simples.
A maior parte revela uma grande dose de intolerância em
relação às justas reivindicações dos professores.
Nalguns casos percebe-se essa raiva, contida a custo nos
últimos tempos, mas que tem sido
constante e coerente, por parte dessa gente, os “fazedores de opinião”, pelo
menos desde os tempos da malfadada Maria de Lurdes Rodrigues.
Muitos não sabem o que é investigar ou estudar um assunto,
confundindo opinião e dom da palavra com aquele que devia ser o seu trabalho:
esclarecer e informar.
Ao esclarecimento público, que devia ser apanágio da sua
profissão, sobrepõem preconceitos ideológicos e mera acção de propaganda em
prol do estafado discurso “austoritário”.
Muita dessa gente, paga a peso de ouro para debitarem tanto
disparate preconceituoso e propagandístico, (recebem ao fim do mês muito mais
que qualquer professor no topo da carreira) são os mesmos que andaram a
justificar as criminosas medidas antissociais dos tempos da troika.
Essa gente é a mesma que, depois, se vem lamentar das “fake
news” e do peso das redes socias.
Esquecem-se que foram eles os primeiros, com todo o seu
discurso de intolerância, de meias
verdades, de falta de rigor, de má fé, preconceituoso, que legitimaram a maior
parte dos discursos debitados nas redes socias que reproduzem a mesma
intolerância, preconceito ideológico, falta de rigor.
Bastava terem lido com atenção as duas únicas reportagens jornalísticas
dignas desse nome, e evitariam descredibilizarem-se como jornalistas com tanto
disparate debitado na comunicação social nos últimos dias.
Refiro-me às reportagens de Pedro Sousa Tavares (“A guerra
que abre caminho à paz nas escolas no fim das aulas” e “O que implica a
devolução do tempo de serviço?”) e de Maria Caetano e Paulo Ribeiro Pinto (“Os
números explicados”) publicadas nas páginas do único jornal sério que se
publica, o “Diário de Notícias”, na sua edição do passado Sábado dia 2 de Maio.
Aliás, não deixa de ser curioso que a maior parte do
trabalho de investigação publicado por Pedro Sousa Tavares, quase todo na área
da educação, desminta os dislates do seu pai, o “comentadeiro” Miguel Sousa
Tavares, sobre o mesmo tema. Ao que parece este último coloca o seu ódio visceral
contra os professores à frente do rigor jornalístico. Bastava informar-se junto do filho para não debitar tanto disparate.
Mas vamos à inverdade, meias verdade e má fé debitada por
aquela gente e desmentida naquelas reportagens:
“Os professores não podem ser privilegiados em relação à
restante função pública e o reconhecimento da necessidade de negociar futuramente
o reconhecimento dos anos de serviço congelados abriria a arca de pandora”: - MENTIRA!
A “árvore de pandora” já foi aberta há muito tempo quando o
governo reconheceu e devolveu o tempo congelado a toda a função pública, MENOS nas chamadas carreiras especiais
(Professores, Forças de Segurança e Magistrados). Ou seja, os "privilegiados" foram outros;
“O professores não podem ser privilegiados em relação a
outros trabalhadores que tiveram cortes nos salários, aumento de impostos e
ficaram desempregados”: FALÁCIA e MEIA VERDADE!
Os professores, além do congelamento do tempo de serviço
também sofreram grande cortes salariais e aumento de impostos (são dos poucos,
juntamente com o resto da Função Pública, que nunca podem fugir ao pagamento total
de impostos) e, se não se registou oficialmente desemprego, oficiosamente, com
a forma como empurraram muitos professores para a reforma antecipada, em
situação muito desvantajosa, e como foi reduzido o número de professores que
entravam anualmente por concurso, houve uma redução drástica do número de professores,
uma forma artificial de desemprego, aumentando a precarização da profissão,
principalmente entre os mais novos, ou o empobrecimento dos mais velhos pela
forma como foram calculadas as reformas.
“A contagem do serviço congelado colocaria automaticamente metade dos professores no último escalão, onde ganham mais de 3 mil euros mensais, porque
a progressão é automática” : MEIA-VERDADE, FALÁCIA E MENTIRA.
A progressão na carreira já não é automática e obedece a um
rigoroso sistema de avaliação, pelo menos desde 2010. No último escalão o
ordenado é superior a 3 mil euros mas a maioria dos professores pagam logo à
cabeça descontos para IRS, ADSE e CGA, recebendo pouco mais de 2 mil euros.
Muitas outras falácias e mentiras temos ouvido nos últimos
dias, mas ficamo-nos por aqui, tentando demonstrar a falta de honestidade
intelectual de uma parte considerável de “opinadores” e “jornalistas”.
Depois admirem-se das “fake news” e da decadência do
jornalismo!
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sábado, 6 de outubro de 2018
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
A OCDE e os Professores
Não tenho dúvidas sobre a qualidade técnica no tratamento da informação vinculada pelos
relatórios da OCDE.
A minha dúvida começa quando vejo as interpretações que se fazem em
relação a esses dados e quando os dados não estão correctos.
A comparação que se tem de fazer, no caso de Portugal, deve ser em
relação à mesma situação profissional nos países da zona euro, que é com esses
que nos devemos comparar (pois, se temos de cumprir os mesmos critérios de
convergência e as mesmas regras financeiras, então também a comparação deve
ser feita com a média geral da zona euro...).
Quando se compara o vencimento dos professores com a situação dos licenciados em
Portugal, temos de ter em conta algumas situações.
A maior parte dos licenciados que trabalham fora da função pública
(como advogados, gestores…jornalistas…) conseguem pagar menos impostos (eu ía
dizer “fugir aos impostos”…mas não quero abusar) e por isso declaram menos
rendimento do que aquele que é declarado pelos professores que, como qualquer
funcionário público, paga mensalmente impostos, não recebendo mais do que 2/3
do vencimento oficial, pelo menos no topo da carreira.
Mas, para além das comparações absurdas exploradas pela imprensa
portuguesa (também gostava de saber quanto ganha um director de jornal ou um
comentador da televisão, mas nunca vi esses dados em lado nenhum..), fazendo o
que se chama “torturar estatísticas” até elas darem o resultado pretendido (ou
confirmar os nossos preconceitos políticos neoliberais…), os próprios dados
referidos não batem certo com a realidade.
Quando deixei o ensino há uns três anos estava no topo da carreira,
embora tivesse sido criado então um novo escalão (eu estava no 10º escalão de
então, passei para o 9ª, ganhando o mesmo, e foi criado um novo 10º escalão,
para onde ninguém trasitou, tornando-se um escalão fantasma, que, pelo que sei,
continua a existir sem ninguém a “frequentá-lo”).
E é aqui que a falácia da interpretação dos dados do relatório da OCDE
se confunde com a pura mentira.
Quando estava no antigo 10º escalão (actual 9º escalão) ganhava cerca
de 43 mil euros por ano, dos quais recebi cerca de 29 mil, já que os impostos
eram logo descontados no acto de entrega do vencimento (tenho os dados do IRS
se for preciso comprovar).
Há ainda que lembrar que, nos anos da troika, houve um corte
significativo do vencimento de base , nos subsídios de férias e natal e um significativo aumento de imposto, pelo
que, nos últimos anos que por lá andei, recebia menos de 25 mil euros por ano.
Não percebo onde é que a OCDE foi buscar os 56 400 euros que
aquele estudo atribui como vencimento dos professores no topo da carreira em
Portugal (contra a média de 51 mil na OCDE) e que justificam a afirmação de que
estes ganham mais do que os outros licenciados e do que a média da OCDE no topo
da carreira.
É pura mentira!!!
E mesmo que houvesse algum professor no novo 10º escalão, o rendimento
bruto (sem descontar impostos) não chega aos 48 mil euros (fazendo as contas
por alto!!!!!!).
Só por isso, o actual relatório da OCDE não merece crédito.
Alguém anda a recolher dados errados e a OCDE (e os jornalistas e
comentadores portugueses) parece que acreditou neles…
Por cá esperava-se que os jornalistas
e comentadores, que ganham mais que os professores, fizessem, no mínimo,
o seu trabalho de investigação.
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quarta-feira, 6 de junho de 2018
Três Falácias acerca da luta dos professores.
O "argumentário" de comentadores habituais, como Miguel Sousa Tavares e outros “achistas” do seu
gabarito, usado para denegrir os professores (existirão
razões do foro psiquiátrico que desconhecemos, que justificam tanto rancor???…),
baseia-se num conjunto de meias-verdades, má fé e num conjunto de falácias :
Primeira
falácia:
- Que os
professores não podem ser privilegiados em relação a outros sectores da Função
Pública!
Esta primeira
falácia foi hoje desmentida pela seguinte notícia do Diário de Notícias (leiam
principalmente o nosso sublinhado):
“Para Pedro
Bacelar de Vasconcelos, constitucionalista e atual deputado do PS, liderando a
Comissão de Assuntos Constitucionais na Assembleia da República, o facto de o
governo estar já a reposicionar na carreira outros setores da Administração
Pública que também sofreram o "congelamento" não implica a
existência de uma inconstitucionalidade.
"Mesmo
tendo o governo já aprovado a devolução, sem restrições, do tempo de serviço
congelado à maioria dos trabalhadores da Administração Pública com carreiras
gerais, deixando de fora - para já - apenas as que têm regimes específicos,
como é o caso dos professores e dos polícias.
"Estamos
a falar de políticas que têm também uma componente contratual, de negociação
das carreiras e diferenças específicas quanto ao estatuto", defende ao DN,
considerando "altamente improvável" a existência de uma
inconstitucionalidade, "não a excluindo por completo"
"Já
para Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista mais próximo do PSD, é
"claro que há uma desigualdade de tratamento" face a outros
trabalhadores. "isso parece-me evidente: viola o princípio da
igualdade e também viola o princípio da confiança", diz, lembrando os
compromissos assumidos sobre essa matéria.
"Recorde-se
que além da devolução do tempo de serviço congelado ter sido objeto de um
acordo de princípio, assinado em novembro entre os ministério das Finanças e da
Educação e os sindicatos, a medida foi inscrita no orçamento do Estado deste
ano, no artigo 19.º, tendo ainda sido objeto de um projeto de resolução
aprovado por unanimidade na Assembleia da República”.
(sublinhado
meu)
(in Pedro
Sousa Tavares, “Quem tem razão na luta dos professores? Juristas divididos”,
edição de 6/6/2018 do “Diário de Notícias”).
Ou seja, não
são os professores os “privilegiados”
nesta situação, mas outros sectores da Administração Pública.
Segunda
Falácia:
- Que os
custos para o estado da contagem integral do tempo de serviço vão custar ao
país cerca de 600 milhões de euros anuais.
Não se
percebe onde se foi buscar esse número. Dividindo-o pelos cerca de 120 mil
professores abrangidos pela medida (outro número a confirmar) dava qualquer
coisa como 5 mil euros por ano a mais para cada professor…!!!!
Mas mesmo
que esse número fosse o necessário para dignificar uma carreira, onde a maioria
dos professores ganham pouco mais de mil euros por mês, pagam do seu bolso
deslocações diárias de dezenas ou centenas de quilómetros e sofrem todo o tipo
de pressões sociais, perdendo direitos todos os anos, pelo menos ao longo do
últimos 15 anos, e ainda têm de fazer formação regular (apesar de terem
estudado vários anos para se licenciarem), talvez até não seja
demasiado.
Como é que
alguém que, para dizer meia hora de baboseiras semanais na comunicação social,
umas mais certeiras, outras menos, (como acontece com qualquer pessoa informada…mas ninguém recebe salário por isso...),
recebe de salário muito mais do que aquilo um professor, no topo da carreira, não sonha receber, se pode atrever a falar no salário dos outros???
E como é que
existe “lata”, por parte de muito comentador, para se indignarem com os tais
hipotéticos 600 milhões e ficar impávido e sereno perante a notícia, saída neste
fim-de-semana, segundo a qual os portugueses pagaram 17 MIL MILHÕES DE EUROS
para salvar a banca nos últimos dez anos (ou seja…MIL E SETECENTOS MILHÕES DE
EUROS POR ANO PARA A BANCA!!!!).
TERCEIRA
FALÁCIA
- Não há
desemprego entre professores.
Esta é uma
das falácias mais complicadas de provar.
Mas existe
desemprego entre professores, só que ele confunde-se mais com emprego precário
do que com o conceito clássico de desemprego.
Aliás, mesmo
assim, basta percorrer os títulos da imprensa ao longo dos últimos anos para
encontrar dezenas de notícias sobre o desemprego de professores.
Basta
comparar a lista de candidatos a concursos anuais com os realmente colocados.
Muitos do
que ficam de foram não são considerados
“desempregados” porque todos os professores têm de passar pelo “limbo”
da precariedade antes de entrarem para o quadro.
No meu caso,
passei dez anos nesse limbo, e era no tempo das “vacas gordas”, tinha de
concorrer para tudo todos os anos e, se não fosse colocado, ficava no
desemprego, mas não era classificado como tal, sem direito a subsidio de
desemprego. Por isso tinha de me sujeitar a tudo, até a um ano inteiro a
trabalhar para aquecer, pagando uma segunda casa longe da minha morada e da família… e fui dos que tiveram sorte.
Hoje a
situação dos professores em início de carreira (um “início” que nalguns casos
dura …10…15…20 anos…!!!!) é ainda pior.
Não são desempregados, mas sujeitam-se
a horários incompletos, mal pagos, a mudar todos os anos de casa e muitas vezes
a centenas de quilómetros da família….e sem qualquer ajuda de custo…apenas para
conquistarem uma melhor posição no concurso do ano seguinte, com a esperança de
se efectivarem…
Enfim, ouvir
comentadores, ditos “jornalistas”, falar nos privilégios dos professores…só por
má-fé, ignorância (um jornalista ignorante???) ou pura desonestidade
intelectual.
Podem
existir razões financeiras e outras para ser difícil rever a situação do tempo
perdido.
Pode haver
uma intransigência exagerada dos sindicatos nesta questão.
Mas o que
não se pode fazer, é usar este caso para atacar toda uma classe profissional
que tem sido das mais sacrificadas e é, apesar disso, das mais empenhadas em
melhorar as condições de vida de gerações de portuguesa.
Menos ainda
é aceitável o afã com que alguns comentadores usam argumentos falaciosos,
meias-verdades e falsidade para atacar toda uma classe profissional.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
A propósito do PISA :Parabéns Colegas Professores
Não sou adepto de rankings ou de generalizações estatísticas, coisas
bem diferente da análise séria e científica de dados estatísticos.
Transformar estatísticas e rankings em concursos de misses é uma das
práticas a que se costumam dedicar jornalistas, comentadores e políticos.
Por isso olho para dados como os da OCDE, como os célebres PISA, com
desconfiança, não negando que tenham por base um cuidado trabalho científico,
mas que se prestam a generalizações demagógica e apressadas.
Mas, mesmo assim, penso que o que há a reter dos relatórios PISA agora
divulgados é que Portugal passou da cauda dessa estatística educativa, onde se
encontrava há 16 anos, para o topo, em todas as áreas e de forma
continuada.
Se isso revela alguma coisa é o resultado um trabalho continuado dos
professores junto dos seus alunos, contra ventos e marés e apesar de ministros como Maria de Lurdes
Rodrigues ou Nuno Crato ,que tão mal trataram essa classe profissional,
acolitados por um bando de comentadores identificados e de políticos
oportunistas que andaram a tentar destruir a reputação desses profissionais.
É caso para dizer, com orgulho, pois também pertenci à equipa até há
dois anos, parabéns colegas professores!!!
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quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Mais uma pesada herança de Crato.
Segundo se revela numa notícia de hoje no jornal Público, os resultados do
mais recente inquérito sobre o Potencial Científico e Tecnológico Nacional
revelam que o ano de 2015 foi o 6ª ano consecutivo em que o investimento na
ciência cresceu menos que a riqueza do país.
O resultado é ainda herança do anterior ministro da educação e ciência,
Nuno Crato.
Nuno Crato, que apareceu como um homem "preocupado" com as questões do
ensino, critico do chamado “eduquês”, grande defensor do primado das chamadas
disciplinas “científicas” e “exactas” em detrimento das disciplinas ditas “sociais”
e “humanas”, revelou-se um grande bluff e um autêntico desastre para o ensino e
para a investigação científica em Portugal, situação agora mais uma vez confirmada
por um relatório científico.
O desastre começou quando, no governo anterior, se aceitou que o ensino
e a investigação eram áreas a cortar prioritariamente, assim como ter-se acabado
com o Ministério da Ciência e Tecnologia, um dos que mais resultados tinha dado
sob a orientação anterior de Marino Gago.
Que Nuno Crato, que vinha com a imagem, agora degradada e desmascarada (penso
que em definitivo) de homem da ciência e preocupado com a educação, se tenha
prestado ao “servicinho” de destruir uma área na qual Portugal tinha obtido
bons resultados, percebe-se agora, é o normal em qualquer carreirista.
Já que, em Portugal, muito por responsabilidade de uma comunicação
social indigente, provinciana e inculta, se criem mitos a partir de qualquer figurão
bem falante (ou escrevente, como é o caso), é de lamentar e continua a ter custos para o país.
Felizmente, o tempo encarrega-se de desmascarar os mitos com pés de barro.
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
A “Guerra” Ensino Público/Ensino Privado…ou…vamos privatizar o que é… privado!!???
Toda esta polémica sobre os subsídios estatais a algumas escolas
privadas já começa a “cheirar mal”.
A forma irresponsável e oportunista como o tema tem sido abordado por
alguns políticos, comentadores e por parte da comunicação social, tem sido
muito pouco esclarecedora e limita-se a lançar “areia para os olhos” dos
incautos e ignorantes.
Claro que a forma como o Ministério da Educação geriu o tema também se
revelou desastrada, pondo-se a jeito para os disparates que tivemos de ouvir de
Passos Coelho e outros fiéis.
Em primeiro lugar o tema relaciona-se com a situação de menos de 80
escolas privadas, num universo de quase…três mil!!!!.
E em relação àquelas 80, só pouco mais de trinta é que serão afectadas
pelas medidas que o Ministério actual pretende tomar, corrigindo os abusos
cometido no governo anterior com o aval do ministro Nuno Crato.
Não deixa de ser curioso que aqueles que passam a vida com a boca cheia
das palavras “privatização” e “privado” e a falar contra o “Estado” venham
agora pedir que o Estado financie actividades privadas.
Se Passos Coelho encontrou no tema a sua boia de salvação e a prova de
vida de que precisa para sobreviver ao descalabro da sua governação e da sua
falta de ideias para o país, já se percebe menos a atitude da Igreja.
É que o que está em causa não é o financiamento das escolas privadas
que prestam um serviço público de qualidade, mas de escolas que concorrem
directamente com escolas públicas, financiadas por fundos …públicos!!!
É caso para se dizer que é tempo de “privatizar”, de uma vez , por
todas, o que é “privado”, ou não estão de acordo comigo, ó pessoal da “direita
radical neoliberal”?
Quanto à atitude da Igreja, só se percebe face à sua recente desorientação
“ideológica” pernte os desafios que o actul Papa Francisco tem vindo a colocar
aos status quo dessa mesma Igreja.
Antes de Francisco, a Igreja portuguesa até gozava de uma imagem de
liberal e “progressista”. A partir de Francisco parece ter sido ultrapassada
pela “esquerda” pelo próprio Papa. Mas isto é outra história, que, contudo,
pode explicar o envolvimento das mais altas figuras da Igreja portuguesa nesta
polémica.
Por último, uma palavra de
solidariedade para como Mário Nogueira e para os sindicatos dos professores, (mesmo
discordando de alguma retórica e de algumas das suas actuações), face à forma
descabelada como têm sofrido os mais ignóbeis ataques públicos , a pretexto do
debate entre escola pública e privada.
É caso para perguntar: a quem interessa fazer desta questão uma guerra entre ensino público e ensino privado?
Aconselhamos, a todos que
se queiram informar melhor sobre o tema, a leitura dos seguintes textos:
- “Utilidade, privilégio e abuso dos colégios com contrato com o Estado”,por Rui J. Baptista, in Público de 10 de Maio de 2016;
- “Os vícios públicos das escolas privadas” , por José Vítor Malheiros,
in Público de 12 de Maios de 2016;
- “Dinheiros públicos, vícios privados”, por Manuel Loff, in Público de
14 de Maio de 2016;
- “O campeonato da selecção e o campeonato da equidade”, por José VítorMalheiros, in Público de17 de Maio de 2016.
Ainda do lado daqueles que defendem
escola pública, não podemos deixar de referir a opinião da antiga
Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
Podemos não ter concordado com a sua actuação enquanto Ministra da
Educação, e discordámos veementemente na altura, mas não há qualquer dúvida que
ela conhece profundamente o sector e tinha um projecto coerente para a
educação, mesmo que se discorde dele, no todo ou em parte.
Por isso a sua opinião é fundamental para perceber o que está em causa:
- “Renovar os compromissos na educação”, por Maria de Lurdes Rodrigues,
in Público de 17 de Maio de 2017.
Num perspectiva diferente, mas inteligente ( o que tem sido raro entre
os que contestam o Ministro da Educação), aconselhamos a leitura do seguinte
texto:
- “Contratos de associação, sim ou não? Nim”, por João Miguel Tavares,
in Público de 12 de Maio de 2016.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
O Respigo da Semana: "A Mentira do ranking", por Daniel Sampaio
Já AQUI manifestei a minha opinião sobre essa enorme mistificação e
falácia que é analisar a realidade do nosso sistema educativo através da
publicação anual dos malfadados ranking´s.
Transformar a educação numa espécie de campeonato de futebol, pode ser
divertido e apaixonante e dar muito tempo de antena a uns comentadores que
percebem de tudo e assim podem discutir com “factos”, prescindindo de uma
análise profunda sobre o problema da educação, o que dava uma trabalheira, ou
poder debitar meia dúzia de ideias feitas para contentar o iletrado “zé povinho”,
que acha que a educação é uma perda de tempo.
Vivemos uma época em que tudo se resume a números, em que cada um de
nós não passa de um dado estatístico para encher as primeiras páginas dos
jornais ou as aberturas dos noticiários, não sendo por isso de admirar o
endeusamento que é feito da publicação desses ranking’s.
Felizmente ainda há comentadores que pensam com a própria cabeça e sem
os complexos ideológicos que pastam no “observador” , e por isso aqui transcrevemos
hoje a crónica de Daniel Sampaio, onde, remando contra a maré, esses rankings
são desmistificados, ainda por cima por alguém que sabe do que fala:
“A mentira do ranking
Por Daniel Sampaio, in 2-Público, 20 de Dezembro de 2015
“Começo por protestar contra o uso repetido deste termo “ranking”, como
se o português não contivesse vocábulo apropriado. Hesitei em usá-lo, mas fui
vencido pelo hábito: se escrevesse sobre a “classificação das escolas”, muitos
leitores não saberiam do que estaria a falar.
“A comunicação social, em regra tão omissa em tratar os problemas da
escola (excepto os negativos), dedicou agora amplo espaço ao tema. A televisão
optou até por se deslocar às “melhores” e às “piores” escolas, sem cuidar de
aprofundar os fundamentos da seriação publicada.
“Tudo o que seja aferir o funcionamento de uma escola e disso dar conta
à comunidade educativa merece a nossa atenção. As nossas crianças e
adolescentes passam a maior parte do seu dia em território académico, por isso
faz sentido que todos sejam informados sobre a escola. A classificação em
causa, todavia, tem um alcance muito limitado e de modo algum demonstra o que
na realidade se passa nos estabelecimentos de ensino.
“Convém explicar aos menos esclarecidos que os célebres rankings são
apenas uma seriação das classificações obtidas pelos alunos nos exames nacionais.
Se já é discutível que se avalie o mérito de um estudante apenas pela nota do
exame final, é fácil compreender que esse dado não poderá servir para
classificar uma escola em “melhor” ou “pior”. Por uma razão simples: os dados
publicados não entram em linha de conta com as diversas características dos
alunos que realizam essas avaliações finais, nem consideram um dado decisivo e
que não deveria ser escondido de modo sistemático — as escolas privadas
seleccionam os alunos, logo quem chega lá ao final do ano está em melhores
condições para obter bons resultados.
“Os pais fazem muitos sacrifícios para manterem os alunos no privado,
com a crença de que terá melhor ensino. O que se sabe, de modo seguro, é que
obterão em princípio melhores notas, mas é duvidoso que fiquem mais aptos para
enfrentar os problemas da vida. Como psiquiatra que trabalha há 40 anos com
adolescentes, pais e professores, sou testemunha de um facto indesmentível:
quando é detectado um problema de comportamento grave ou uma perturbação mental
significativa, a escola privada aconselha a mudança de estabelecimento de
ensino. Os argumentos são corteses mas só correspondem, de facto, à necessidade
imperiosa de se ver livre de um estudante “problemático”, que poderá contribuir
para a baixa da média no ranking final. Assim, muitos estudantes são
encaminhados para o ensino público, que tem de acolher todos, em vez de a
escola privada garantir apoios significativos a alunos com dificuldades de
aprendizagem ou perturbações psiquiátricas.
“Por outro lado, é hoje um facto incontestado que a origem social e
cultural dos estudantes condiciona o seu percurso escolar. Assim, os alunos que
à partida não podem frequentar um colégio privado por falta de dinheiro terão
de ir para o ensino público, logo as populações pretensamente estudadas pelas
classificações das escolas não são comparáveis.
“Outro aspecto menos positivo das classificações tem que ver com a
pressão exercida sobre os “maus” alunos. Com a obsessão dos rankings, os
estudantes mais frágeis são submetidos a enorme desgaste por críticas tantas
vezes injustas, sem que a escola se preocupe em perceber o alcance, para esse
jovem, de uma discriminação tão acentuada sobre o seu desempenho académico.
“Analisemos as escolas, claro, mas com mais verdade”.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
A Crónica de Vasco Pulido Valente sobre as "Provas" de avaliação de Professores: A estupidez à solta
Com meia duzia de frases Vasco Pulido Valente desmascara a idiotice das provas de avaliação impostas aos professores e todo o barulho que se tem feito na comunicação social sobre os níveis de reprovação:
A estupidez à solta(clicar para ler).
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
OCDE – Quando a ideologia do pecado original se impõe à competência técnica
Acabou de ser divulgado um dos mais recentes estudos da OCDE sobre
Portugal, o “Economic Syrvey Portugal 2014”.
Se tecnicamente esses relatórios da OCDE são irrepreensíveis, já quanto
à retórica que enquadra esses documentos ela enferma sempre do mesmo defeito: o
pecado original da ideologia que está por detrás da pretensa objectividade
dessa organização.
A OCDE teve origem na OECE, a organização fundada em 1948 para gerir a
aplicação dos fundos do Plano Marshall, impondo à Europa Ocidental um
determinado modelo de economia, consumo e produção que, mais do que defender a
“democracia representativa” , inscrita
nos objectivos iniciais, teve como principal preocupação implementar uma
“economia de livre mercado”, o segundo objectivo inscrito na sua fundação.
A defesa da democracia não passou, na altura, de simples retórica, já
que um país como Portugal, então governado pelo ditador Salazar, foi aceite
como país fundador, juntando-se, em 1959, a Espanha do “generalíssimo” Franco.
Pelo modo como os herdeiros desses nossos tempos se babam todos pelo modelo chinês, ou
pelos modelos socias do México e da Índia, ficamos esclarecidos sobre as
“preocupações democráticas” dessa instituição.
Em 1961, com a entrada dos Estados Unidos para a organização, esta muda
para a sua actual designação de OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico), e definem-se melhor os seus objectivos:
- apoiar um crescimento económico duradouro;
- desenvolver o emprego;
- aumentar o nível de vida;
- manter a estabilidade financeira;
- ajudar os outros países a desenvolverem as suas economias;
- contribuir para o crescimento do comércio mundial;
Também se tornou em instrumento da Guerra Fria, gerando “tiques”
ideológicos de que nunca se libertou até aos nossos dias.
Com aqueles fins, essa organização habituou-nos a, regularmente, divulgar
relatórios sobre vários aspectos da economia e da sociedade, que se apresentam
com uma áurea de grande qualidade técnica, para melhor disfarçar toda a
retórica neoliberal da organização.
De facto, se não é discutível a qualidade técnica desses estudos, já
que os técnicos executam com mestria a organização das estatística, para forçar
o resultado imposto pela ideologia socio-económica da organização.
Um número devidamente
“torturado” dá sempre o resultado que pretendemos. E nada melhor para isso do que
“torturadores” competentes e habilitados…
E um bom técnico é aquele que consegue esse objectivo, tal como o
mercenário competente executa com competência as ordens de quem lhe paga.
E é assim que chegamos ao mais recente relatório da OCDE sobre
Portugal.
Neste relatório a OCDE defende que o número de trabalhadores das
administrações públicas em Portugal deve continuar a encolher, apesar de “ reconhecer que houve uma diminuição
significativa no número de trabalhadores do sector público nos últimos anos.
Desde 2012 o número de funcionários caiu 8% e o sector público pesa 12,4%
(excluindo hospitais e empresas públicas) no total da força de trabalho da
economia, refere o documento. "Está agora abaixo da média da OCDE".
Mas mesmo assim, e como se vê, ainda não chega.
E quais são as áreas, segundo essa “competente” organização, com
excesso de funcionários? : a Educação e as Forças de Segurança: “ a OCDE
argumenta que continua a haver excesso de pessoal "em áreas específicas
como as forças de segurança e a educação". E concretiza: "com mais de
450 polícias por cada cem mil habitantes, a polícia portuguesa é a segunda da
Europa com mais recursos humanos". Na educação, "o tamanho médio das
turmas é pequeno, apesar da investigação da OCDE sugerir que o tamanho das
turmas é um factor muito menos importante do que a performance dos professores
para o processo de aprendizagem dos alunos", frisa ainda.
Ou seja, pelo menos no caso da educação defende a redução de
professores e o aumento do número de alunos por turma.
Ora, como se viu pela forma caótica como se iniciou este ano lectivo,
se não houvesse falta de professores essa confusão nunca se tinha registado.
E, como toda a gente ligada à educação sabe, as últimas medidas deste
governo aumentaram de forma escandalosa o número de alunos por turma,
tornando-as quase “ingovernáveis” em termos humanos.
Das duas três: ou os “técnicos” da OCDE não obtiveram os dados correctos,
ou estão de má-fé, ou são incompetentes….ou um pouco de tudo…
Muitas vezes o problemas das médias de professores por aluno
enferma de um erro de visão: muitos
professores são colocados em tarefas burocráticas, fora do universo do contacto
directo com os alunos e com turma, já que a burocracia nas escolas tem vindo a
aumentar de forma escandalosa nos últimos anos, atirando para a
responsabilidade dos professores tarefas que não são as suas e deviam ser de outros serviços e técnicos,
ou mesmo da sociedade na sua generalidade…mas aí, mais uma vez esbarramos com a
redução dos funcionários públicos, preconizada pela OCDE…é a velha história da
pescadinha de rabo na boca!!! .
Este é um daqueles exemplos da forma como a OCDE tortura os números ou como
a macroeconomia e a macro estatística esconde a realidade e desumaniza as
decisões.
Provávelmente, com as polícias acontece algo de idêntico, já que muitos
dos agentes têm sido canalizados para funções burocráticas que lhe têm sido
impostas nos últimos anos.
Mas esse relatório revela outras preocupações que enfermam mais uma vez do pecado original da
ideologia neoliberal dessa organização:
“O relatório recorda todas as medidas de redução dos gastos com
salários que foram implementadas durante o programa de resgate da troika - desde
a abolição de salários, ao alargamento do horário de trabalho para as 40 horas
sem compensação salarial adicional, passando pelos cortes salariais. Contudo,
frisa que o Tribunal Constitucional chumbou o corte agravado nos salários dos
funcionários públicos a partir de Maio e que o corte actualmente em vigor terá
de ser revertido parcialmente no próximo ano”.
Ficamos assim a saber que essa organização aprova o aumento da jornada
de trabalho, acompanhada pela redução dos salários e junta-se à campanha negra
contra a Constituição e o Tribunal Constitucional.
Mais uma vez essa organização está de má-fé e “tortura” os números, já
que Portugal é dos países onde a comparação dos salários, nas mais variadas actividades,
é dos mais baixos da Europa, contribuindo até para o crescimento da pobreza,
tão baixo eles são.
Mas a desfaçatez e o fanatismo ideológico neoliberal dos relatores a
OCDE não se fica por aqui:
“O salário mínimo em Portugal é dos mais baixos da Europa Ocidental mas
a OCDE aponta para o risco de futuros aumentos.
“Embora Portugal apresente o nível de salário mínimo mais baixo entre
os países da Europa Ocidental, futuros aumentos deste referencial poderão ter
consequências negativas, afirma a OCDE. Desde logo, a subida pode reduzir o
emprego entre os trabalhadores abrangidos pela retribuição mínima garantida,
diz o Economic Survey Portugal 2014, recordando que o peso deste grupo aumentou
de 6% em 2007 para 11,3% em 2011”.
E leia-se a desfaçatez da “lógica da batata” para fundamentar a
preocupação com o “enorme” aumento do salário mínimo em Portugal:
"Com o crescimento da produtividade baixo, há o risco de que o
aumento do salário mínimo possa, na verdade, aumentar a desigualdade, ao invés
de reduzi-la, se uma medida destas gerar perdas de emprego
significativas", continua o documento. Para a OCDE, futuras mexidas devem
ser feitas em linha com o crescimento da produtividade e inflação, "como
anunciado pelo Governo".
Muitas das recomendações e das ameaças veladas desse relatório
contradizem, ou contribuem para contradizer, caso sejam levadas a sério, alguns
dos “nobres” objectivos dessa organização, a saber, recordamos mais uma vez: “apoiar
um crescimento económico duradouro”, “desenvolver
o emprego” e “aumentar o nível de vida”. Ficamos assim a saber que alguns dos
objectivos dessa organização, ou são desconhecidos dos relatores desses
documentos, ou não passam de retórica “politicamente correcta” para enganar papalvos.
Mas, ao apresentar publicamente relatório em Lisboa, o líder daquela
organização, o mexicano Angel Gurría (que tem origem num dos partidos com uma
das mais longas histórias de corrupção, com ligações ao narcotráfico mexicano…mas
isso é outra história… ) o mesmo entrou em contradição com os objectivos apontados
naquele relatório, (eu diria, por puro
cinismo) ao revelar preocupações como o nível de pobreza em Portugal , dizendo
ser necessário “fazer mais para proteger a população mais vulnerável” ( e o
homem disse-o sem se rir!!!).
Nesse sentido, recomendou que Portugal faça "ainda mais para
aumentar as competências" dos trabalhadores. Angel Gurría adiantou também
que "a OCDE encontra-se a trabalhar em prol de uma estratégia para
aumentar as competências em Portugal”. Ou seja, o relatório aconselha a reduzir
o número de professores e depois vem o dirigente máximo da OCDE, ao apresentar
o relatório, a apelar a que se aumentem as competências dos portugueses.
….Sobre a retórica cínica (ou sinistra) dessa organização, estamo
falados…mais uma vez.
(os textos entre aspas foram transcritos com origem nas edições on-line do Diário Económico
e do Jornal de Negócios de 27 de Outubro de 2014)
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Nuno Crato já deu quatro voltas completas ao mundo este ano.
Com tantos "contabilistas" de serviço no comentário político e no jornalismo para justificar as malfeitorias "austeritárias" governamentais contra os portugueses, em nome do crte nas "despesas", ainda não houve um que se preocupasse em fazer as contas dos gastos dos nossos governantes, e das respectivas comitivas, feitos em viagens de duvidosa utilidade para o bem do país?
Nuno Crato não é o único a abusar do erário público em viagens, mas não deixa de causar escândalo a notícia que divulgamos em baixo, se tivermos em conta aquilo que os professores têm de gastar do seu bolso em deslocações diárias para exercerem a sua actividade profissional.
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
A [DE] MISSÃO DE CRATO
Aquilo que se está a passar com a colocação de professores só se pode
explicar por uma das duas seguintes razões: ou a total incompetência da actual
equipa ministerial; ou razões ideológicas para justificar um ataque à escola
pública.
Se fosse o primeiro caso, qualquer pessoa decente que ocupasse o cargo
de Ministro da Educação nestas circunstâncias ter-se-ia demitido imediatamente.
Como não foi isso que se passou, ou o ministro Crato não é uma pessoa
decente e de boa-fé ou esta confusão tem outros objectivos…ou ambas as coisas.
Como o ministro Crato continua de pedra e cal, com a solidariedade de
Passos Coelho e de todo o governo, parece-me então que o objectivo é outro e
bem claro: humilhar os professores, poupar dinheiro nas “despesas” do Estado e
por em causa a escola pública.
Este ultimo objectivo parece-me ainda mais claro, quando se começa a ouvir e a
ler a opinião de comentadores geralmente conotados com as teses neoliberais a
querer responsabilizar por este triste caso o “centralismo” do Ministério , apresentado
esta situação como um caso “normal” no
actual sistema de colocações “centralizado”, desculpando, por um lado, os
erros “cratos” e, por outro, aproveitando para defender o modelo de colocação
de professores da Inglaterra, construído pela dupla Tatcher-Blair, argumento
que é uma primeira porta para impor o modelo educativo neoliberal britânico,
com resultados desastrosos em termos humanos e sociais.
A intervenção de Cavaco Silva vem , aliás, na senda dessas teses.
A colocação centralizada de professores tem inconvenientes, mas também
tem vantagens e funcionou razoavelmente até meados da década de 80. Mesmo
funcionando mal a partir de determinado momento, garantia no mínimo alguma
objectividade na escolha dos professores, e, mesmo com algumas confusões, nunca
atingiu o descalabro deste ano.
Aliás, o grande número de vagas levadas a concurso, explicam-se, em grande
parte, como resultado da forma como o ensino e os professores têm vindo a ser
tratados nos últimos anos, levando muitos decentes a reformarem-se
antecipadamente ou a saírem do ensino, tornando-se a actividade docente cada
vez menos uma actividade atractiva e respeitada.
Por outro lado, as desculpa da situação financeira do país tem atrasado
a efectivação de muitos docentes que substituissem os que saíram em massa nos
últimos anos.
Juntando a tudo isto as grandes alterações administrativas na organização
da rede escolar, está traçado o caminho para "justificar" a destruição da escola pública e para “normalizar”
a actividade docente como uma actividade de saltimbancos e precários.
A confusão com a colocação de professores é apenas a ponta do iceberg
do descalabro que se anuncia, como resultado das reformas apressadas e feitas
para humilhar os docentes, com Maria de Lurdes Rodrigues, e do experimentalismo
incompetente de Nuno Crato, com a
conivência de muitos.
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