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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Em Defesa dos Professores

Vale a pena "perder" algum tempo a ouvir a crónica de hoje da rúbrica O Fio da Meada (clicar aqui)  da Antena 1.

Com o título " Incompetentes, lamuriosos e desonestos" , a crónica de Joel Neto é um forte e incisivo manifesto de apoio a uma das classes mais desprezada pelo poder político, por comentadores sem escrúpulos, e por economistas arrivistas.

Numa altura em que os professores voltam a estar no centro das atenções, esta é uma das crónicas mais lúcidas que ouvi até hoje.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Sobre os Professores e o os aldrabões do costume



Tem sido triste e revoltante de ler, ouvir e ver a reacção da maior parte dos comentadores e jornalistas de plantão acerca do reconhecimento da contagem do tempo de serviço dos professores pelo Parlamento.

A maior parte revela uma grande e vergonhosa falta de escrúpulos, misturando má fé e meias verdades ou nem se dando a esse trabalho, ficando-se pela mentira pura e simples.

A maior parte revela uma grande dose de intolerância em relação às justas reivindicações dos professores.

Nalguns casos percebe-se essa raiva, contida a custo nos últimos tempos, mas  que tem sido constante e coerente, por parte dessa gente, os “fazedores de opinião”, pelo menos desde os tempos da malfadada Maria de Lurdes Rodrigues.

Muitos não sabem o que é investigar ou estudar um assunto, confundindo opinião e dom da palavra com aquele que devia ser o seu trabalho: esclarecer e informar.

Ao esclarecimento público, que devia ser apanágio da sua profissão, sobrepõem preconceitos ideológicos e mera acção de propaganda em prol do estafado discurso “austoritário”.

Muita dessa gente, paga a peso de ouro para debitarem tanto disparate preconceituoso e propagandístico, (recebem ao fim do mês muito mais que qualquer professor no topo da carreira) são os mesmos que andaram a justificar as criminosas medidas antissociais dos tempos da troika.

Essa gente é a mesma que, depois, se vem lamentar das “fake news” e do peso das redes socias.

Esquecem-se que foram eles os primeiros, com todo o seu discurso de intolerância, de  meias verdades, de falta de rigor, de má fé, preconceituoso, que legitimaram a maior parte dos discursos debitados nas redes socias que reproduzem a mesma intolerância, preconceito ideológico, falta de rigor.

Bastava terem lido com atenção as duas únicas reportagens jornalísticas dignas desse nome, e evitariam descredibilizarem-se como jornalistas com tanto disparate debitado na comunicação social nos últimos dias.

Refiro-me às reportagens de Pedro Sousa Tavares (“A guerra que abre caminho à paz nas escolas no fim das aulas” e “O que implica a devolução do tempo de serviço?”) e de Maria Caetano e Paulo Ribeiro Pinto (“Os números explicados”) publicadas nas páginas do único jornal sério que se publica, o “Diário de Notícias”, na sua edição do passado Sábado dia 2 de Maio.

Aliás, não deixa de ser curioso que a maior parte do trabalho de investigação publicado por Pedro Sousa Tavares, quase todo na área da educação, desminta os dislates do seu pai, o “comentadeiro” Miguel Sousa Tavares, sobre o mesmo tema. Ao que parece este último coloca o seu ódio visceral contra os professores à frente do rigor jornalístico. Bastava informar-se junto do filho para não debitar tanto disparate.

Mas vamos à inverdade, meias verdade e má fé debitada por aquela gente e desmentida naquelas reportagens:

“Os professores não podem ser privilegiados em relação à restante função pública e o reconhecimento da necessidade de negociar futuramente o reconhecimento dos anos de serviço congelados abriria a arca de pandora”: - MENTIRA! 

A “árvore de pandora” já foi aberta há muito tempo quando o governo reconheceu e devolveu o tempo congelado a toda a função pública, MENOS  nas chamadas carreiras especiais (Professores, Forças de Segurança e Magistrados). Ou seja, os "privilegiados" foram outros;

“O professores não podem ser privilegiados em relação a outros trabalhadores que tiveram cortes nos salários, aumento de impostos e ficaram desempregados”: FALÁCIA e MEIA VERDADE!

Os professores, além do congelamento do tempo de serviço também sofreram grande cortes salariais e aumento de impostos (são dos poucos, juntamente com o resto da Função Pública, que nunca podem fugir ao pagamento total de impostos) e, se não se registou oficialmente desemprego, oficiosamente, com a forma como empurraram muitos professores para a reforma antecipada, em situação muito desvantajosa, e como foi reduzido o número de professores que entravam anualmente por concurso, houve uma redução drástica do número de professores, uma forma artificial de desemprego, aumentando a precarização da profissão, principalmente entre os mais novos, ou o empobrecimento dos mais velhos pela forma como foram calculadas as reformas.

“A contagem do serviço congelado colocaria automaticamente metade dos professores no último escalão, onde ganham mais de 3 mil euros mensais, porque a progressão é automática” : MEIA-VERDADE, FALÁCIA E MENTIRA.

A progressão na carreira já não é automática e obedece a um rigoroso sistema de avaliação, pelo menos desde 2010. No último escalão o ordenado é superior a 3 mil euros mas a maioria dos professores pagam logo à cabeça descontos para IRS, ADSE e CGA, recebendo pouco mais de 2 mil euros.

Muitas outras falácias e mentiras temos ouvido nos últimos dias, mas ficamo-nos por aqui, tentando demonstrar a falta de honestidade intelectual de uma parte considerável de “opinadores” e “jornalistas”.

Depois admirem-se das “fake news” e da decadência do jornalismo!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A OCDE e os Professores



Não tenho dúvidas sobre a qualidade técnica no tratamento da informação vinculada pelos relatórios da OCDE.

A minha dúvida começa quando vejo as interpretações que se fazem em relação a esses dados e quando os dados não estão correctos.

A comparação que se tem de fazer, no caso de Portugal, deve ser em relação à mesma situação profissional nos países da zona euro, que é com esses que nos devemos comparar (pois, se temos de cumprir os mesmos critérios de convergência e as mesmas regras financeiras, então também a comparação deve ser feita com a média geral da zona euro...).

Quando se compara o vencimento dos professores com a situação dos licenciados em Portugal, temos de ter em conta algumas situações.

A maior parte dos licenciados que trabalham fora da função pública (como advogados, gestores…jornalistas…) conseguem pagar menos impostos (eu ía dizer “fugir aos impostos”…mas não quero abusar) e por isso declaram menos rendimento do que aquele que é declarado pelos professores que, como qualquer funcionário público, paga mensalmente impostos, não recebendo mais do que 2/3 do vencimento oficial, pelo menos no topo da carreira.

Mas, para além das comparações absurdas exploradas pela imprensa portuguesa (também gostava de saber quanto ganha um director de jornal ou um comentador da televisão, mas nunca vi esses dados em lado nenhum..), fazendo o que se chama “torturar estatísticas” até elas darem o resultado pretendido (ou confirmar os nossos preconceitos políticos neoliberais…), os próprios dados referidos não batem certo com a realidade.

Quando deixei o ensino há uns três anos estava no topo da carreira, embora tivesse sido criado então um novo escalão (eu estava no 10º escalão de então, passei para o 9ª, ganhando o mesmo, e foi criado um novo 10º escalão, para onde ninguém trasitou, tornando-se um escalão fantasma, que, pelo que sei, continua a existir sem ninguém a “frequentá-lo”).

E é aqui que a falácia da interpretação dos dados do relatório da OCDE se confunde com a pura mentira.

Quando estava no antigo 10º escalão (actual 9º escalão) ganhava cerca de 43 mil euros por ano, dos quais recebi cerca de 29 mil, já que os impostos eram logo descontados no acto de entrega do vencimento (tenho os dados do IRS se for preciso comprovar).

Há ainda que lembrar que, nos anos da troika, houve um corte significativo do vencimento de base , nos subsídios de férias e natal  e um significativo aumento de imposto, pelo que, nos últimos anos que por lá andei, recebia menos de 25 mil euros por ano.

Não percebo onde é que a OCDE foi buscar os 56 400 euros que aquele estudo atribui como vencimento dos professores no topo da carreira em Portugal (contra a média de 51 mil na OCDE) e que justificam a afirmação de que estes ganham mais do que os outros licenciados e do que a média da OCDE no topo da carreira.

É pura mentira!!!

E mesmo que houvesse algum professor no novo 10º escalão, o rendimento bruto (sem descontar impostos) não chega aos 48 mil euros (fazendo as contas por alto!!!!!!).

Só por isso, o actual relatório da OCDE não merece crédito.

Alguém anda a recolher dados errados e a OCDE (e os jornalistas e comentadores portugueses) parece que acreditou neles…

Por cá esperava-se que os jornalistas  e comentadores, que ganham mais que os professores, fizessem, no mínimo, o seu trabalho de investigação.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Três Falácias acerca da luta dos professores.



O "argumentário" de comentadores habituais, como Miguel Sousa Tavares e outros “achistas” do seu gabarito, usado para denegrir os professores (existirão razões do foro psiquiátrico que desconhecemos, que justificam tanto rancor???…), baseia-se num conjunto de meias-verdades, má fé e num conjunto de  falácias :

Primeira falácia:

- Que os professores não podem ser privilegiados em relação a outros sectores da Função Pública!

Esta primeira falácia foi hoje desmentida pela seguinte notícia do Diário de Notícias (leiam principalmente o nosso sublinhado):

“Para Pedro Bacelar de Vasconcelos, constitucionalista e atual deputado do PS, liderando a Comissão de Assuntos Constitucionais na Assembleia da República, o facto de o governo estar já a reposicionar na carreira outros setores da Administração Pública que também sofreram o "congelamento" não implica a existência de uma inconstitucionalidade.

"Mesmo tendo o governo já aprovado a devolução, sem restrições, do tempo de serviço congelado à maioria dos trabalhadores da Administração Pública com carreiras gerais, deixando de fora - para já - apenas as que têm regimes específicos, como é o caso dos professores e dos polícias.

"Estamos a falar de políticas que têm também uma componente contratual, de negociação das carreiras e diferenças específicas quanto ao estatuto", defende ao DN, considerando "altamente improvável" a existência de uma inconstitucionalidade, "não a excluindo por completo"

"Já para Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista mais próximo do PSD, é "claro que há uma desigualdade de tratamento" face a outros trabalhadores. "isso parece-me evidente: viola o princípio da igualdade e também viola o princípio da confiança", diz, lembrando os compromissos assumidos sobre essa matéria.

"Recorde-se que além da devolução do tempo de serviço congelado ter sido objeto de um acordo de princípio, assinado em novembro entre os ministério das Finanças e da Educação e os sindicatos, a medida foi inscrita no orçamento do Estado deste ano, no artigo 19.º, tendo ainda sido objeto de um projeto de resolução aprovado por unanimidade na Assembleia da República”.

(sublinhado meu)

(in Pedro Sousa Tavares, “Quem tem razão na luta dos professores? Juristas divididos”, edição de 6/6/2018 do “Diário de Notícias”).

Ou seja, não são os professores os “privilegiados”  nesta situação, mas outros sectores da Administração Pública.

Segunda Falácia:

- Que os custos para o estado da contagem integral do tempo de serviço vão custar ao país cerca de 600 milhões de euros anuais.

Não se percebe onde se foi buscar esse número. Dividindo-o pelos cerca de 120 mil professores abrangidos pela medida (outro número a confirmar) dava qualquer coisa como 5 mil euros por ano a mais para cada professor…!!!!

Mas mesmo que esse número fosse o necessário para dignificar uma carreira, onde a maioria dos professores ganham pouco mais de mil euros por mês, pagam do seu bolso deslocações diárias de dezenas ou centenas de quilómetros e sofrem todo o tipo de pressões sociais, perdendo direitos todos os anos, pelo menos ao longo do últimos 15 anos, e ainda têm de fazer formação regular (apesar de terem estudado vários anos para se licenciarem), talvez  até não seja demasiado.

Como é que alguém que, para dizer meia hora de baboseiras semanais na comunicação social, umas mais certeiras, outras menos, (como acontece com qualquer pessoa informada…mas ninguém recebe salário por isso...), recebe de salário muito mais do que aquilo um professor, no topo da carreira, não sonha receber, se pode atrever a falar no salário dos outros???

E como é que existe “lata”, por parte de muito comentador, para se indignarem com os tais hipotéticos 600 milhões e ficar impávido e sereno perante a notícia, saída neste fim-de-semana, segundo a qual os portugueses pagaram 17 MIL MILHÕES DE EUROS para salvar a banca nos últimos dez anos (ou seja…MIL E SETECENTOS MILHÕES DE EUROS POR ANO PARA A BANCA!!!!).


TERCEIRA FALÁCIA

- Não há desemprego entre professores.

Esta é uma das falácias mais complicadas de provar.

Mas existe desemprego entre professores, só que ele confunde-se mais com emprego precário do que com o conceito clássico de desemprego.

Aliás, mesmo assim, basta percorrer os títulos da imprensa ao longo dos últimos anos para encontrar dezenas de notícias sobre o desemprego de professores.

Basta comparar a lista de candidatos a concursos anuais com os realmente colocados.

Muitos do que ficam de foram não são considerados  “desempregados” porque todos os professores têm de passar pelo “limbo” da precariedade antes de entrarem para o quadro.

No meu caso, passei dez anos nesse limbo, e era no tempo das “vacas gordas”, tinha de concorrer para tudo todos os anos e, se não fosse colocado, ficava no desemprego, mas não era classificado como tal, sem direito a subsidio de desemprego. Por isso tinha de me sujeitar a tudo, até a um ano inteiro a trabalhar para aquecer, pagando uma segunda casa longe da minha morada e da família… e fui dos que tiveram sorte.

Hoje a situação dos professores em início de carreira (um “início” que nalguns casos dura …10…15…20 anos…!!!!) é ainda pior. 

Não são desempregados, mas sujeitam-se a horários incompletos, mal pagos, a mudar todos os anos de casa e muitas vezes a centenas de quilómetros da família….e sem qualquer ajuda de custo…apenas para conquistarem uma melhor posição no concurso do ano seguinte, com a esperança de se efectivarem…


Enfim, ouvir comentadores, ditos “jornalistas”, falar nos privilégios dos professores…só por má-fé, ignorância (um jornalista ignorante???) ou pura desonestidade intelectual.


Podem existir razões financeiras e outras para ser difícil rever a situação do tempo perdido.

Pode haver uma intransigência exagerada dos sindicatos nesta questão.

Mas o que não se pode fazer, é usar este caso para atacar toda uma classe profissional que tem sido das mais sacrificadas e é, apesar disso, das mais empenhadas em melhorar as condições de vida de gerações de portuguesa.

Menos ainda é aceitável o afã com que alguns comentadores usam argumentos falaciosos, meias-verdades e falsidade para atacar toda uma classe profissional.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A propósito do PISA :Parabéns Colegas Professores


Não sou adepto de rankings ou de generalizações estatísticas, coisas bem diferente da análise séria e científica de dados estatísticos.
Transformar estatísticas e rankings em concursos de misses é uma das práticas a que se costumam dedicar jornalistas, comentadores e políticos.
Por isso olho para dados como os da OCDE, como os célebres PISA, com desconfiança, não negando que tenham por base um cuidado trabalho científico, mas que se prestam a generalizações demagógica e apressadas.
Mas, mesmo assim, penso que o que há a reter dos relatórios PISA agora divulgados é que Portugal passou da cauda dessa estatística educativa, onde se encontrava há 16 anos, para o topo, em  todas as áreas e de forma continuada.
Se isso revela alguma coisa é o resultado um trabalho continuado dos professores junto dos seus alunos, contra ventos e marés e apesar de ministros como Maria de Lurdes Rodrigues ou Nuno Crato ,que tão mal trataram essa classe profissional, acolitados por um bando de comentadores identificados e de políticos oportunistas que andaram a tentar destruir a reputação desses profissionais.
É caso para dizer, com orgulho, pois também pertenci à equipa até há dois anos, parabéns colegas professores!!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Mais uma pesada herança de Crato.

Segundo se  revela numa notícia de hoje no jornal Público, os resultados do mais recente inquérito sobre o Potencial Científico e Tecnológico Nacional revelam que o ano de 2015 foi o 6ª ano consecutivo em que o investimento na ciência cresceu menos que a riqueza do país.
O resultado é ainda herança do anterior ministro da educação e ciência, Nuno Crato.
Nuno Crato, que apareceu como um homem "preocupado" com as questões do ensino, critico do chamado “eduquês”, grande defensor do primado das chamadas disciplinas “científicas” e “exactas” em detrimento das disciplinas ditas “sociais” e “humanas”, revelou-se um grande bluff e um autêntico desastre para o ensino e para a investigação científica em Portugal, situação agora mais uma vez confirmada por um relatório científico.
O desastre começou quando, no governo anterior, se aceitou que o ensino e a investigação eram áreas a cortar prioritariamente, assim como ter-se acabado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, um dos que mais resultados tinha dado sob a orientação anterior de Marino Gago.
Que Nuno Crato, que vinha com a imagem, agora degradada e desmascarada (penso que em definitivo) de homem da ciência e preocupado com a educação, se tenha prestado ao “servicinho” de destruir uma área na qual Portugal tinha obtido bons resultados, percebe-se agora, é o normal em qualquer carreirista.
Já que, em Portugal, muito por responsabilidade de uma comunicação social indigente, provinciana e inculta, se criem mitos a partir de qualquer figurão bem falante (ou escrevente, como é o caso), é de lamentar e continua a ter custos para o país.
Felizmente, o tempo encarrega-se de desmascarar os mitos com pés de barro.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A “Guerra” Ensino Público/Ensino Privado…ou…vamos privatizar o que é… privado!!???


Toda esta polémica sobre os subsídios estatais a algumas escolas privadas já começa a “cheirar mal”.

A forma irresponsável e oportunista como o tema tem sido abordado por alguns políticos, comentadores e por parte da comunicação social, tem sido muito pouco esclarecedora e limita-se a lançar “areia para os olhos” dos incautos e ignorantes.

Claro que a forma como o Ministério da Educação geriu o tema também se revelou desastrada, pondo-se a jeito para os disparates que tivemos de ouvir de Passos Coelho e outros fiéis.

Em primeiro lugar o tema relaciona-se com a situação de menos de 80 escolas privadas, num universo de quase…três mil!!!!.

E em relação àquelas 80, só pouco mais de trinta é que serão afectadas pelas medidas que o Ministério actual pretende tomar, corrigindo os abusos cometido no governo anterior com o aval do ministro Nuno Crato.

Não deixa de ser curioso que aqueles que passam a vida com a boca cheia das palavras “privatização” e “privado” e a falar contra o “Estado” venham agora pedir que o Estado financie actividades privadas.

Se Passos Coelho encontrou no tema a sua boia de salvação e a prova de vida de que precisa para sobreviver ao descalabro da sua governação e da sua falta de ideias para o país, já se percebe menos a atitude da Igreja.

É que o que está em causa não é o financiamento das escolas privadas que prestam um serviço público de qualidade, mas de escolas que concorrem directamente com escolas públicas, financiadas por fundos …públicos!!!

É caso para se dizer que é tempo de “privatizar”, de uma vez , por todas, o que é “privado”, ou não estão de acordo comigo, ó pessoal da “direita radical neoliberal”?

Quanto à atitude da Igreja, só se percebe face à sua recente desorientação “ideológica” pernte os desafios que o actul Papa Francisco tem vindo a colocar aos status quo dessa mesma Igreja.

Antes de Francisco, a Igreja portuguesa até gozava de uma imagem de liberal e “progressista”. A partir de Francisco parece ter sido ultrapassada pela “esquerda” pelo próprio Papa. Mas isto é outra história, que, contudo, pode explicar o envolvimento das mais altas figuras da Igreja portuguesa nesta polémica.

Por último, uma palavra  de solidariedade para como Mário Nogueira e para os sindicatos dos professores, (mesmo discordando de alguma retórica e de algumas das suas actuações), face à forma descabelada como têm sofrido os mais ignóbeis ataques públicos , a pretexto do debate entre escola pública e privada.
É caso para perguntar: a quem interessa fazer desta questão uma guerra entre ensino público e ensino privado?

Aconselhamos, a todos  que se queiram informar melhor sobre o tema, a leitura dos seguintes textos:



- “Dinheiros públicos, vícios privados”, por Manuel Loff, in Público de 14 de Maio de 2016;


Ainda do lado daqueles que defendem  escola pública, não podemos deixar de referir a opinião da antiga Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Podemos não ter concordado com a sua actuação enquanto Ministra da Educação, e discordámos veementemente na altura, mas não há qualquer dúvida que ela conhece profundamente o sector e tinha um projecto coerente para a educação, mesmo que se discorde dele, no todo ou em parte.

Por isso a sua opinião é fundamental para perceber o que está em causa:


Num perspectiva diferente, mas inteligente ( o que tem sido raro entre os que contestam o Ministro da Educação), aconselhamos a leitura do seguinte texto:

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Respigo da Semana: "A Mentira do ranking", por Daniel Sampaio

AQUI manifestei a minha opinião sobre essa enorme mistificação e falácia que é analisar a realidade do nosso sistema educativo através da publicação anual dos malfadados ranking´s.

Transformar a educação numa espécie de campeonato de futebol, pode ser divertido e apaixonante e dar muito tempo de antena a uns comentadores que percebem de tudo e assim podem discutir com “factos”, prescindindo de uma análise profunda sobre o problema da educação, o que dava uma trabalheira, ou poder debitar meia dúzia de ideias feitas para contentar o iletrado “zé povinho”, que acha que a educação é uma perda de tempo.

Vivemos uma época em que tudo se resume a números, em que cada um de nós não passa de um dado estatístico para encher as primeiras páginas dos jornais ou as aberturas dos noticiários, não sendo por isso de admirar o endeusamento que é feito da publicação desses ranking’s.

Felizmente ainda há comentadores que pensam com a própria cabeça e sem os complexos ideológicos que pastam no “observador” , e por isso aqui transcrevemos hoje a crónica de Daniel Sampaio, onde, remando contra a maré, esses rankings são desmistificados, ainda por cima por alguém que sabe do que fala:

“A mentira do ranking

Por Daniel Sampaio, in 2-Público, 20 de Dezembro de 2015

“Começo por protestar contra o uso repetido deste termo “ranking”, como se o português não contivesse vocábulo apropriado. Hesitei em usá-lo, mas fui vencido pelo hábito: se escrevesse sobre a “classificação das escolas”, muitos leitores não saberiam do que estaria a falar.

“A comunicação social, em regra tão omissa em tratar os problemas da escola (excepto os negativos), dedicou agora amplo espaço ao tema. A televisão optou até por se deslocar às “melhores” e às “piores” escolas, sem cuidar de aprofundar os fundamentos da seriação publicada.

“Tudo o que seja aferir o funcionamento de uma escola e disso dar conta à comunidade educativa merece a nossa atenção. As nossas crianças e adolescentes passam a maior parte do seu dia em território académico, por isso faz sentido que todos sejam informados sobre a escola. A classificação em causa, todavia, tem um alcance muito limitado e de modo algum demonstra o que na realidade se passa nos estabelecimentos de ensino.

“Convém explicar aos menos esclarecidos que os célebres rankings são apenas uma seriação das classificações obtidas pelos alunos nos exames nacionais. Se já é discutível que se avalie o mérito de um estudante apenas pela nota do exame final, é fácil compreender que esse dado não poderá servir para classificar uma escola em “melhor” ou “pior”. Por uma razão simples: os dados publicados não entram em linha de conta com as diversas características dos alunos que realizam essas avaliações finais, nem consideram um dado decisivo e que não deveria ser escondido de modo sistemático — as escolas privadas seleccionam os alunos, logo quem chega lá ao final do ano está em melhores condições para obter bons resultados.

“Os pais fazem muitos sacrifícios para manterem os alunos no privado, com a crença de que terá melhor ensino. O que se sabe, de modo seguro, é que obterão em princípio melhores notas, mas é duvidoso que fiquem mais aptos para enfrentar os problemas da vida. Como psiquiatra que trabalha há 40 anos com adolescentes, pais e professores, sou testemunha de um facto indesmentível: quando é detectado um problema de comportamento grave ou uma perturbação mental significativa, a escola privada aconselha a mudança de estabelecimento de ensino. Os argumentos são corteses mas só correspondem, de facto, à necessidade imperiosa de se ver livre de um estudante “problemático”, que poderá contribuir para a baixa da média no ranking final. Assim, muitos estudantes são encaminhados para o ensino público, que tem de acolher todos, em vez de a escola privada garantir apoios significativos a alunos com dificuldades de aprendizagem ou perturbações psiquiátricas.

“Por outro lado, é hoje um facto incontestado que a origem social e cultural dos estudantes condiciona o seu percurso escolar. Assim, os alunos que à partida não podem frequentar um colégio privado por falta de dinheiro terão de ir para o ensino público, logo as populações pretensamente estudadas pelas classificações das escolas não são comparáveis.

“Outro aspecto menos positivo das classificações tem que ver com a pressão exercida sobre os “maus” alunos. Com a obsessão dos rankings, os estudantes mais frágeis são submetidos a enorme desgaste por críticas tantas vezes injustas, sem que a escola se preocupe em perceber o alcance, para esse jovem, de uma discriminação tão acentuada sobre o seu desempenho académico.

“Analisemos as escolas, claro, mas com mais verdade”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A Crónica de Vasco Pulido Valente sobre as "Provas" de avaliação de Professores: A estupidez à solta

Com meia duzia de frases Vasco Pulido Valente desmascara a idiotice das provas de avaliação impostas aos professores e todo o barulho que se tem feito na comunicação social sobre os níveis de reprovação:

A estupidez à solta(clicar para ler).

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

OCDE – Quando a ideologia do pecado original se impõe à competência técnica


Acabou de ser divulgado um dos mais recentes estudos da OCDE sobre Portugal, o “Economic Syrvey Portugal 2014”.

Se tecnicamente esses relatórios da OCDE são irrepreensíveis, já quanto à retórica que enquadra esses documentos ela enferma sempre do mesmo defeito: o pecado original da ideologia que está por detrás da pretensa objectividade dessa organização.

A OCDE teve origem na OECE, a organização fundada em 1948 para gerir a aplicação dos fundos do Plano Marshall, impondo à Europa Ocidental um determinado modelo de economia, consumo e produção que, mais do que defender a “democracia representativa” , inscrita  nos objectivos iniciais, teve como principal preocupação implementar uma “economia de livre mercado”, o segundo objectivo inscrito na sua fundação.

A defesa da democracia não passou, na altura, de simples retórica, já que um país como Portugal, então governado pelo ditador Salazar, foi aceite como país fundador, juntando-se, em 1959, a Espanha do “generalíssimo” Franco.

Pelo modo como os herdeiros desses nossos  tempos se babam todos pelo modelo chinês, ou pelos modelos socias do México e da Índia, ficamos esclarecidos sobre as “preocupações democráticas” dessa instituição.

Em 1961, com a entrada dos Estados Unidos para a organização, esta muda para a sua actual designação de OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), e definem-se melhor os seus objectivos:

- apoiar um crescimento económico duradouro;
- desenvolver o emprego;
- aumentar o nível de vida;
- manter a estabilidade financeira;
- ajudar os outros países a desenvolverem as suas economias;
- contribuir para o crescimento do comércio mundial;

Também se tornou em instrumento da Guerra Fria, gerando “tiques” ideológicos de que nunca se libertou até aos nossos dias.

Com aqueles fins, essa organização habituou-nos a, regularmente, divulgar relatórios sobre vários aspectos da economia e da sociedade, que se apresentam com uma áurea de grande qualidade técnica, para melhor disfarçar toda a retórica neoliberal da organização.

De facto, se não é discutível a qualidade técnica desses estudos, já que os técnicos executam com mestria a organização das estatística, para forçar o resultado imposto pela ideologia socio-económica da organização.

 Um número devidamente “torturado” dá sempre o resultado que pretendemos. E nada melhor para isso do que “torturadores” competentes e habilitados…

E um bom técnico é aquele que consegue esse objectivo, tal como o mercenário competente executa com competência as ordens de quem lhe paga.

E é assim que chegamos ao mais recente relatório da OCDE sobre Portugal.

Neste relatório a OCDE defende que o número de trabalhadores das administrações públicas em Portugal deve continuar a encolher, apesar de  “ reconhecer que houve uma diminuição significativa no número de trabalhadores do sector público nos últimos anos. Desde 2012 o número de funcionários caiu 8% e o sector público pesa 12,4% (excluindo hospitais e empresas públicas) no total da força de trabalho da economia, refere o documento. "Está agora abaixo da média da OCDE". Mas mesmo assim, e como se vê, ainda não chega.

E quais são as áreas, segundo essa “competente” organização, com excesso de funcionários? : a Educação e as Forças de Segurança: “ a OCDE argumenta que continua a haver excesso de pessoal "em áreas específicas como as forças de segurança e a educação". E concretiza: "com mais de 450 polícias por cada cem mil habitantes, a polícia portuguesa é a segunda da Europa com mais recursos humanos". Na educação, "o tamanho médio das turmas é pequeno, apesar da investigação da OCDE sugerir que o tamanho das turmas é um factor muito menos importante do que a performance dos professores para o processo de aprendizagem dos alunos", frisa ainda.

Ou seja, pelo menos no caso da educação defende a redução de professores e o aumento do número de alunos por turma.

Ora, como se viu pela forma caótica como se iniciou este ano lectivo, se não houvesse falta de professores essa confusão nunca se tinha registado.

E, como toda a gente ligada à educação sabe, as últimas medidas deste governo aumentaram de forma escandalosa o número de alunos por turma, tornando-as quase “ingovernáveis” em termos humanos.

Das duas três: ou os “técnicos” da OCDE não obtiveram os dados correctos, ou estão de má-fé, ou são incompetentes….ou um pouco de tudo…

Muitas vezes o problemas das médias de professores por aluno enferma  de um erro de visão: muitos professores são colocados em tarefas burocráticas, fora do universo do contacto directo com os alunos e com turma, já que a burocracia nas escolas tem vindo a aumentar de forma escandalosa nos últimos anos, atirando para a responsabilidade dos professores tarefas que não são as suas  e deviam ser de outros serviços e técnicos, ou mesmo da sociedade na sua generalidade…mas aí, mais uma vez esbarramos com a redução dos funcionários públicos, preconizada pela OCDE…é a velha história da pescadinha de rabo na boca!!! .

Este é um daqueles exemplos da forma como a OCDE tortura os números ou como a macroeconomia e a macro estatística esconde a realidade e desumaniza as decisões.

Provávelmente, com as polícias acontece algo de idêntico, já que muitos dos agentes têm sido canalizados para funções burocráticas que lhe têm sido impostas nos últimos anos.

Mas esse relatório revela outras preocupações que  enfermam mais uma vez do pecado original da ideologia neoliberal dessa organização:

“O relatório recorda todas as medidas de redução dos gastos com salários que foram implementadas durante o programa de resgate da troika - desde a abolição de salários, ao alargamento do horário de trabalho para as 40 horas sem compensação salarial adicional, passando pelos cortes salariais. Contudo, frisa que o Tribunal Constitucional chumbou o corte agravado nos salários dos funcionários públicos a partir de Maio e que o corte actualmente em vigor terá de ser revertido parcialmente no próximo ano”.

Ficamos assim a saber que essa organização aprova o aumento da jornada de trabalho, acompanhada pela redução dos salários e junta-se à campanha negra contra a Constituição e o Tribunal Constitucional.

Mais uma vez essa organização está de má-fé e “tortura” os números, já que Portugal é dos países onde a comparação dos salários, nas mais variadas actividades, é dos mais baixos da Europa, contribuindo até para o crescimento da pobreza, tão baixo eles são.

Mas a desfaçatez e o fanatismo ideológico neoliberal dos relatores a OCDE não se fica por aqui:
“O salário mínimo em Portugal é dos mais baixos da Europa Ocidental mas a OCDE aponta para o risco de futuros aumentos.

“Embora Portugal apresente o nível de salário mínimo mais baixo entre os países da Europa Ocidental, futuros aumentos deste referencial poderão ter consequências negativas, afirma a OCDE. Desde logo, a subida pode reduzir o emprego entre os trabalhadores abrangidos pela retribuição mínima garantida, diz o Economic Survey Portugal 2014, recordando que o peso deste grupo aumentou de 6% em 2007 para 11,3% em 2011”.

E leia-se a desfaçatez da “lógica da batata” para fundamentar a preocupação com o “enorme” aumento do salário mínimo em Portugal:

"Com o crescimento da produtividade baixo, há o risco de que o aumento do salário mínimo possa, na verdade, aumentar a desigualdade, ao invés de reduzi-la, se uma medida destas gerar perdas de emprego significativas", continua o documento. Para a OCDE, futuras mexidas devem ser feitas em linha com o crescimento da produtividade e inflação, "como anunciado pelo Governo".

Muitas das recomendações e das ameaças veladas desse relatório contradizem, ou contribuem para contradizer, caso sejam levadas a sério, alguns dos “nobres” objectivos dessa organização, a saber, recordamos mais uma vez: “apoiar um crescimento económico duradouro”,  “desenvolver o emprego” e “aumentar o nível de vida”. Ficamos assim a saber que alguns dos objectivos dessa organização, ou são desconhecidos dos relatores desses documentos, ou não passam de retórica “politicamente correcta” para enganar papalvos.

Mas, ao apresentar publicamente relatório em Lisboa, o líder daquela organização, o mexicano Angel Gurría (que tem origem num dos partidos com uma das mais longas histórias de corrupção, com ligações ao narcotráfico mexicano…mas isso é outra história… ) o mesmo entrou  em contradição com os objectivos apontados naquele relatório,  (eu diria, por puro cinismo) ao revelar preocupações como o nível de pobreza em Portugal , dizendo ser necessário “fazer mais para proteger a população mais vulnerável” ( e o homem disse-o sem se rir!!!).

Nesse sentido, recomendou que Portugal faça "ainda mais para aumentar as competências" dos trabalhadores. Angel Gurría adiantou também que "a OCDE encontra-se a trabalhar em prol de uma estratégia para aumentar as competências em Portugal”. Ou seja, o relatório aconselha a reduzir o número de professores e depois vem o dirigente máximo da OCDE, ao apresentar o relatório, a apelar a que se aumentem as competências dos portugueses.

….Sobre a retórica cínica (ou sinistra) dessa organização, estamo falados…mais uma vez.


(os textos entre aspas foram transcritos com origem nas edições on-line do Diário Económico e do Jornal de Negócios de 27 de Outubro de 2014)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nuno Crato já deu quatro voltas completas ao mundo este ano.

Com tantos "contabilistas" de serviço no comentário político e no jornalismo para justificar as malfeitorias "austeritárias" governamentais contra os portugueses, em nome do crte nas "despesas", ainda não houve um que se preocupasse em fazer as contas dos gastos dos nossos governantes, e das respectivas comitivas, feitos em viagens de duvidosa utilidade para o bem do país?

Nuno Crato não é o único a abusar do erário público em viagens, mas não deixa de causar escândalo a notícia que divulgamos em baixo, se tivermos em conta aquilo que os professores têm de gastar do seu bolso em deslocações diárias para exercerem a sua actividade profissional.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A [DE] MISSÃO DE CRATO

Aquilo que se está a passar com a colocação de professores só se pode explicar por uma das duas seguintes razões: ou a total incompetência da actual equipa ministerial; ou razões ideológicas para justificar um ataque à escola pública.

Se fosse o primeiro caso, qualquer pessoa decente que ocupasse o cargo de Ministro da Educação nestas circunstâncias ter-se-ia demitido imediatamente.

Como não foi isso que se passou, ou o ministro Crato não é uma pessoa decente e de boa-fé ou esta confusão tem outros objectivos…ou ambas as coisas.

Como o ministro Crato continua de pedra e cal, com a solidariedade de Passos Coelho e de todo o governo, parece-me então que o objectivo é outro e bem claro: humilhar os professores, poupar dinheiro nas “despesas” do Estado e por em causa a escola pública.

Este ultimo objectivo parece-me ainda mais claro, quando se começa a ouvir e a ler a opinião de comentadores geralmente conotados com as teses neoliberais a querer responsabilizar por este triste caso o “centralismo” do Ministério , apresentado esta situação como  um caso “normal” no actual sistema de colocações “centralizado”, desculpando, por um lado, os erros “cratos” e, por outro, aproveitando para defender o modelo de colocação de professores da Inglaterra, construído pela dupla Tatcher-Blair, argumento que é uma primeira porta para impor o modelo educativo neoliberal britânico, com resultados desastrosos em termos humanos e sociais.

A intervenção de Cavaco Silva vem , aliás, na senda dessas teses.

A colocação centralizada de professores tem inconvenientes, mas também tem vantagens e funcionou razoavelmente até meados da década de 80. Mesmo funcionando mal a partir de determinado momento, garantia no mínimo alguma objectividade na escolha dos professores, e, mesmo com algumas confusões, nunca atingiu o descalabro deste ano.

Aliás, o grande número de vagas levadas a concurso, explicam-se, em grande parte, como resultado da forma como o ensino e os professores têm vindo a ser tratados nos últimos anos, levando muitos decentes a reformarem-se antecipadamente ou a saírem do ensino, tornando-se a actividade docente cada vez menos uma actividade atractiva e respeitada.

Por outro lado, as desculpa da situação financeira do país tem atrasado a efectivação de muitos docentes que substituissem os que saíram em massa nos últimos anos.

Juntando a tudo isto as grandes alterações administrativas na organização da rede escolar, está traçado o caminho para "justificar" a  destruição da escola pública e para “normalizar” a actividade docente como uma actividade de saltimbancos e precários.

A confusão com a colocação de professores é apenas a ponta do iceberg do descalabro que se anuncia, como resultado das reformas apressadas e feitas para humilhar os docentes, com Maria de Lurdes Rodrigues, e do experimentalismo incompetente  de Nuno Crato, com a conivência de muitos.