Mostrar mensagens com a etiqueta BES. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BES. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de julho de 2019

O Saco de Cavaco.


Para quem acreditava que “Cavaco Silva” e “Corupção” não podiam aparecer numa mesma frase, aí está a reportagem da revista Sábado desta semana para desmontar essa crença.

Pessoalmente só me surpreende que tal nunca tivesse vindo à luz do dia até hoje, até porque, casos como o do BPN, já demonstravam que havia algum fumo por detrás da aparente sorte de Cavaco  se ter escapado ao colapso do Banco dos seus amigos.

Agora o caso envolve o extinto BES, e um esquema de corrupção para financiar as candidaturas de Cavaco.

Só se surpreende com  a notícia quem nunca percebeu que o próprio “cavaquismo” é o “sistema” que está por detrás dos imensos esquemas de corrupção que envolvem conhecidos políticos do “centrão”, sendo Sócrates o elo mais fraco, “mera”  ponta do iceberg.

Desde os tempos de Cavaco que foi uma festança com fundos europeus, negociatas na construção civil, esquemas de compadrio nas privatizações, pornográfica mistura entre o mundo da alta finança e o mundo da politica, com o resultado que está à vista.

Só se espera que, mais uma vez, Cavaco não consiga escapar entre os pingos da chuva da corrupção que conduziu os portugueses à situação actual.

Aguardam-se cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, 24 de março de 2015

SOUSA TAVARES E O BES

Somos suspeitos, porque, já o confessámos, nutrimos um "ódio de estimação" por Miguel Sousa Tavares, quanto a nós um dos maiores "blufs" criados pela comunicação social.

AQUI explicámos que ,como muita gente, até começámos por achar piada às crónicas de Sousa Tavares e, ainda hoje, até concordamos em quase 80% com aquilo que ele escreve.

O problema é que, quando começámos a confrontar as suas opiniões com algumas realidades que conhecíamos bem por dentro e por fora, nos apercebermos da sua falta de imparcialidade, eivada muitas vezes de má-fé e falta de informação, como aconteceu, por exemplo, quando ele começou a falar da educação, em defesa da campanha de Sócrates contra os professores. 

Foi nessa ocasião que o mito nos caiu aos pés.

De facto, Miguel Sousa Tavares sobrevive graças ao mito e ao medo que criou à sua volta, à boçalidade que usa e abusa para ameaçar e chantagear inimigos e adversários, tudo disfarçado com umas pinceladas de escrita criativa e cuidada,embora  por vezes consiga ser genial.

Escritor pimba, bom escritor apesar de tudo, para quem gosta do género, conseguiu construir uma imagem de impunidade à sua volta.

Contudo o caso BES borrou a pintura e revelou o fim de um dos mitos que ainda iam sobrevivendo sobre as suas opiniões, o mito da independência.

Quem primeiro o desmascarou foi um humorista, que já tinha tido um caso polémico com Sousa Tavares no jornal A Bola, o José Diogo Quintela, que, em 31 de Março de 2013, escrevia no jornal Público a seguinte crónica:

"O que vale é que os compadres nunca se zangam

"Fim de Março, época do IRS. Enquanto nas casas da maioria dos portugueses se procuram facturas para apresentar, na de Ricardo Salgado esconde-se o camembert. Para que o banqueiro não se esqueça de declarar tudo o que ganhou. Como no ano passado, em que olvidou 8,5 milhões de euros.

"Duvido de que este ano Ricardo Salgado se esqueça de declarar um boião de brilhantina que seja. Ainda deve estar a tremer com o que foi dito nos jornais. Principalmente com o que escreveu Miguel Sousa Tavares no Expresso. Eis um resumo do que M.S.T. teve a dizer sobre a tentativa de fuga ao fisco:

"Logo na semana em que foi noticiada a amnésia fiscal, M.S.T. não hesitou e escreveu sobre esse tema prenhe de actualidade que é o acordo ortográfico.

"Não satisfeito com isso, na semana seguinte, zás!, falou sobre o excitante e nada programado regresso de Portugal aos mercados.

"Na terceira semana, com toda a gente impaciente para ler o que tinha a dizer sobre a falta de memória do CEO do BES, a original crónica de M.S.T. teve ainda mais impacto. Foi sobre o (também muito pertinente) descarrilamento (sic) de um camião de porcos na A1.

Também não falou de Salgado na quarta semana. Nem na quinta. Nem na sexta. Ou na sétima. Nem há duas semanas. Nem na semana passada.

"Como o leitor deve imaginar, Ricardo Salgado não dorme há dois meses. Tem terror do que M.S.T. irá dizer quando finalmente resolver falar. É que, para estar há tanto tempo calado, M.S.T. só pode andar a investigar, fundamentando bem a bordoada que irá aplicar no traseiro capitalista. Cada semana que passa mudo, é mais balanço que dá à perna alçada. O suspense é terrível.

"O silêncio a que se remete enquanto pesquisa não é de agora. Também não disse nada sobre o papel do BES na operação Monte Branco ou na privatização da EDP. Aliás, ao consultar o livro A História não Acaba Assim, que reúne os chamados "escritos políticos" de M.S.T. entre 2005 e 2012, também não se encontra nada sobre Ricardo Salgado e o BES. Ou seja, há pelo menos oito anos que o mais influente comentador português, principal colunista do principal semanário português, com uma página inteirinha só para si, consegue nunca escrever sobre aquele que é considerado o homem mais poderoso de Portugal. O esforço que não deve ser guardar a informação compilada para só usar quando for mesmo preciso? É um monumento à contenção.

"M.S.T. é um gavião, de olho acutilante para tudo o que sejam trambiquices de banqueiros. Já vituperou Jardim Gonçalves, amesquinhou João Rendeiro, mandou bocas acintosas a Fernando Ulrich, denunciou as negociatas da CGD no BCP, insultou Oliveira e Costa e o BPN, fustigou o Banif, descompôs Vítor Constâncio, censurou Carlos Costa e enxovalhou o Banco de Portugal em geral. Imagine-se o que não terá para dizer de Salgado. Estou ansioso para que esse topa-Shylocks aldrabões se decida por fim a dar uma lição ao prestamista amnésico. O dia em que M.S.T. finalmente falar sobre Ricardo Salgado vai ser histórico.


"Ou, então, como a sua filha é casada com o filho de Ricardo Salgado, M.S.T. vai permanecer caladinho. Mas, como é seu timbre, esse silêncio será corajoso e totalmente livre e independente".

Como é hábito, Miguel Sousa Tavares reagiu à bruta e de forma boçal, com ameaças à mistura:

Usando o espaço da revista que já tinha dirigido e com a qual mantinha relações pessoais, a revista Sábado dava-lhe espaço para responder a Diogo Quintela numa mini entrevista:

"É uma crónica que está a causar polémica. No domingo, no jornal 'Público', o humorista José Diogo Quintela usou quase todos os parágrafos do seu texto para notar algo que diz achar estranho: porque é que Miguel Sousa Tavares nunca escreveu ou falou sobre os casos judiciais que envolvem Ricardo Salgado, C.E.O. do Banco Espírito Santo?

"Mais estranho ainda, diz Quintela, porque Salgado é o "homem mais poderoso de Portugal" e Sousa Tavares é "um gavião de olho acutilante para tudo o que sejam trambiquices de banqueiros".

"No último parágrafo, Quintela avança uma explicação: "Ou então, como a sua filha é casada com o filho de Ricardo Salgado, M.S.T. vai permanecer caladinho." Acrescente-se que a crónica intitulava-se "O que vale é que os compadres nunca se zangam".

"Contactado pela SÁBADO esta tarde, Miguel Sousa Tavares reagiu de forma dura:

"Leu a crónica que José Diogo Quintela escreveu sobre si?

"- Sim, mandaram-se isso.

"E o que é que tem a dizer?

" - Apenas isto: ele é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas.

"Mas sobre a insinuação de que...

"-... É só isso que tenho a reagir: é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas, mas não lhe vou fazer isso.

"Quintela diz...

"-... estou-me nas tintas. Ele que que fale do sócio dele da panificação, o Dias Loureiro".

A entrevista é bem reveladora do estilo ultramontano de Sousa Tavares e da sua falta de respeito por opiniões contrárias à sua.

As insinuações que faz a Dias Loureiro tem a haver com o facto de Diogo Quintela ter sido sócio, entre Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2012 de Dias Loureiro na "Bakers Capital", a SGPS que detinha um terço da "Padaria Portuguesa", a rede de lojas de que Quintela era proprietário.

O recurso à calunia e à meia-verdade revelou-se mais uma vez o estilo da argumentação de Sousa Tavares.

O que é um facto, também denunciado por um outro cronista, João Miguel Tavares. mais recentemente, crónica já AQUI reproduzida. é que Tavares manteve o silêncio sobre o caso BES até à semana passada quando, numa entrevista ao jornal Diário de Notícias (14 de Março de 2015) saiu a terreiro em defesa do compadre Ricardo Salgado:

"Num almoço com o jornalista Nuno Saraiva, do Diário de Notícias, Miguel Sousa Tavares falou um pouco de tudo: do estado do país, das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, de Cavaco Silva e até mesmo da Grécia.

"Mas comecemos pelo colapso do Grupo Espírito Santo (GES), do qual o escritor se tentou desmarcar nos seus comentários por ter uma filha casada com um filho de Ricardo Salgado. “Sou amigo do Ricardo há muitos anos, para além das relações familiares. E continuo a achar que ele era o melhor banqueiro português”, revelou.

“O problema dele não foi falhar como banqueiro, foi querer ser chefe de uma família em que todos tinham de trabalhar para o grupo e só 10% tinha competências para o fazer. Querer sustentar a família toda e ter submetido o grupo ao banco é que acho imperdoável”, afirmou o comentador." (in DN online de 14 de Março de 2015).

...e ...sobre o tema, o jornalista palavroso e exuberante, nada mais disse.

O caso BES é apenas mais um prego na reputação do "jornalista critico e independente" Miguel Sousa Tavares....

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O "PADRINHO" PARTE 2 - "BES- A Reta Final" (jornal Público)


Este domingo o jornal Público editou a segunda parte do trabalho de investigação sobre a ascensão e queda do Império da família Espírito Santo, acção  liderada por Ricardo Salgado desde a década de 90 do século passado. (BES - A RETA FINAL (clicar para ler artigo)).

Esta segunda parte reporta-se aos acontecimentos recentes, passados ao longo de 2014, onde se fica a perceber o modo como Ricardo Salgado já era o "verdadeiro dono" da PT e as conivências de Bava e Granadeiro par com os interesses do império BES que vão colocar em causa uma das empresas nacionais mais prestigiadas.

Também se percebe a conivência do poder político e do próprios Banco de Portugal com a "família", ao tentarem aguentar a queda do Império até ao fim.

Ficamos a perceber como os "amigos" de sempre do "padrinho" (Cavaco Silva, Durão Barroso, Carlos Moedas - o "comissário" europeu -, José Luís Arnaut, Paulo Portas.., ) o abandonam, procurando lavar as mãos de qualquer responsabilidade ou ligação à "família", quando o desastre se torna evidente.

Entretanto,ontem, em novo artigo do jornal Público (Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro (clicar para ler) ), ficou-se a saber que o governo decidiu em relação ao BES em "causa própria", (diga-se em abono da verdade que apenas um ministro clarificou a sua situação em relação àquele banco de forma transparente e justa, o ministro da economia Pires de Lima).

Por último aqui deixamos um "organigrama" (retirado do livro colectivo "Os Burgueses") que resume as ligações do império BES ao poder político dos últimos anos:


sábado, 25 de outubro de 2014

Máfia à portuguesa (não mata mas mói..) : Crónica do fim do império: Ascensão e queda dos Espírito Santo (1ª parte)

O jornal Público iniciou a semana passada um trabalho de investigação sobre a história da "ascensão e queda" do Império da Família Espírito Santo, desde os finais da década de 90 até à actualidade.

Percebe-se que a construção desse Império tem contornos verdadeiramente mafiosos, ao estilo do "Padrinho", com a diferença de não ter sido necessário matar para lá se chegar.

Bastou comprar políticos, jornalistas, economistas e advogados.

Ficamos a saber o que fazem, no mesmo "saco de lacraus" da "família" nomes como Artur Santos Silva, João Rocha, Sousa Sintra, Luís Filipe Vieira, José Manuel Durão Barroso, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Pires de Lima e a gente do "Compromisso Portugal", os irmãos Horta e Costa, Paulo Portas, Manuel Pinho, Miguel Frasquilho, Nobre Guedes, Temo Correia, Mexia, José Sócrates, Zeinal Bava, Miguel Relvas, Passos Coelho, Duarte Lima, José Eduardo dos Santos, ou orgãos de imprensa como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, Jornal de Negócios e Expresso, ou clubes de futebol como o Benfica, o Sporting e o Porto, entre tantos outros ...

Todos eles, num determinado momento, ou sempre, de forma mais ou menos evidente, "dormiram na cama" ou "comeram à mesa" do "padrinho" Salgado, fazendo favores à "família"...

O caso anedótico é o de Manuel Pinho, o ministro de Sócrates, aquele do dedo em riste, que, depois de não ser necessário ao "padrinho", foi colocado numa "prateleira dourada" recebendo um ordenado de 35 mil euros mensais para não fazer nada...

Isso, e muito mais pode ser lido nessa reportagem, cuja primeira parte pode ser consultada em baixo.

Para amanhã o jornal Público promete a segunda parte, a referente aos acontecimento do ano corrente.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

OS "15 Minutos" de ...má fama de Ricardo Salgado: A imprensa espanhola destaca a detenção e acusação contra Ricardo Salgado:

(...nos "Bons velhos tempos"!!!)

O jornal espanhol El País é um dos jornais a dar destaque à situação. O mesmo acontece no ABC, e no EL Mundo.

...enfim, pode ser que desta vez a culpa não morra solteira.

Para mim havia uma solução para os gananciosos como Ricardo Salgado...pagar até ao último tostão o que devem da fuga aos impostos e de branqueamento de dinheiro, juntamente com os custos que a sua vergonhosa actuação tem para o crédito do país (em aumento de juros e fuga de investimento)...e se não sobrasse nada das suas fortunas, ficavam a viver com uma pensão de sobrevivência ou um subsidio de reinserção social.

Infelizmente Ricardo Salgado sabe demais sobre as negociatas dos últimos anos envolvendo a classe política, os favores de jornalistas e comentadores, gabinetes de advogados, gente da alta finança e grandes empresários ,por isso, o mais provável, com uns recursos em tribunal para arrastar processos até à sua prescrição, é ser tudo branqueado...aliás uma prática em que aquele senhor é especialista!!! 

É caso par dizer que, se um cidadão "normal" sonha com os seus 15 minutos de fama, Ricardo Salgado goza por estes dias dos seu 15 minutos de....má fama (e se tudo correr como habitual, passarão depressa..).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A crónica de Pedro Tadeu :Onde estão os amigos de Ricardo Salgado? -


Com a "credibilidade" que merecem dos portugueses, Coelho, Cavaco, Costa (do BdP) e os comentadores do costume, "amigos" da banca, vêm, sossegar os portugueses sobre o destino do BES e os custos para os contribuintes.

Mas há muitas perguntas que urge fazer:

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Caso BES - A "Família" e "Amigos" que paguem a crise...nós não pagamos!!!




O BES é chamado o Banco do regime.

O seu poder está ramificado, não só na vida  financeira e económica do país, mas também na vida política, empregando gente mais ou menos conhecida do “centrão” e que teve responsabilidades políticas em vários governos. Os favores desta gente contribuíram para a afirmação do banco.

Ao mesmo tempo gente do BES e das empresas “satélite”, familiares e gestores, construíram uma rede de amizades pessoais e ligações familiares junto, não só de sectores da vida política, mas também junto da comunicação social e de alguns conhecidos opinion makers, que assim cumprem o papel de desviar a atenção da opinião pública, nem que seja pelo mero silêncio, dos verdadeiros responsáveis da nossa crise, tentando passar a mensagem dos portugueses que viviam “acima das suas possibilidades” , ou atirando para os direitos sociais, para os trabalhadores em geral e os funcionários públicos em particular , os reformados e trabalhadores, o ónus da crise que o sistema financeiro provocou.

Defensores das “reformas estruturais”, isto é, desvalorização salarial, aumento dos impostos sobre quem trabalha, redução das direitos laborais, distrairam as atenções da opinião pública das verdadeira reformas que era necessário fazer no sistema financeiro, continuando este, e os seus executantes, a gozar de todo o tipo de privilégios e de lucros das negociatas que continuaram a fazer à sombra do tal Estado que tanto dizem odiar.

Só que algo correu mal. Zangaram-se as comadres e descobriram-se as verdades e agora pretendem que, mais uma vez, sejam os contribuintes a salvar o corrupto sistema financeiro que está por detrás desta crise e da austeridade que todos sofremos.

É tempo de,por esta vez, serem eles a pagar, do seu bolso, a crise e, enquanto a família Espírito Santo e os seus capatazes (na administração e nos favores políticos) tiverem património, é com este que devem pagar os desvarios, não é o “Estado”, isto é, os contribuintes e os trabalhadores, com os seus impostos e mais austeridade.

Claro que, se não sobrar nada no fim, o Estado pode garantir a sobrevivência dessa gente: através do RSI’s para os que ainda não têm idade para a reforma, e de uma pensão mínima de sobrevivência para os maiores de 66 anos…

Entretanto aqui ficam dois textos que nos contam a história deste Banco e das suas ligações ao regime democrático, nos últimos anos e nas últimas semanas:

A HISTÓRIA RECENTE DE UM BANCO QUE (AINDA) MANDA EM PORTUGAL:

“(…) O maior accionista individual do BES é hoje [2010] Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo, a viúva de Manuel Ricardo Espírito Santo Silva, que presidiu ao BES no período de 1974 a 1991. É bisneta de Henrique Francisco Luís de Sommer (tal como António Champalimaud) e de José Maria do Espírito Santo Silva, o fundador do banco.

“O seu pai, Fernando Moniz Galvão, era simultaneamente administrador do BES e director do Banco Comercial de Lisboa, e conduziu a integração deste banco no grupo Espírito Santo, em 1937. Maria do Carmo tem dois filhos: um administra a Santogal (comércio de automóveis, factura 450 milhões por ano), o outro é presidente da ES Maria do Carmo Moniz Galvão Resources (1000 milhões por ano). As suas duas filhas, na tradição familiar que ela própria seguiu, herdam mas não dirigem.

“Na ditadura e depois na democracia, a genealogia dos Espírito Santo manteve sempre o mote que Ricardo Salgado anuncia em 2010: o BES é «um banco de todos os regimes» (DN, 12.04.2010). É mesmo: durante 140 anos, sobreviveu a muitos governantes e de todos obteve vantagens. Assim, o grupo BES detém hoje o banco, mas também participações financeiras importantes em mais de quatrocentas empresas, algumas estratégicas, como a PT. Está em mais de vinte países e «teve uma palavra a dizer em todos os negócios do país na última década, ao ponto de se poder dizer que a sua esfera de influência é hoje maior do que no tempo do Estado Novo», conclui uma investigação recente acerca do grupo (P, 08.03.2010). Representa mais de 5% do PIB, emprega vinte mil trabalhadores e organiza-se através de uma complexa rede empresarial, com duas holdings financeiras com sede na Suíça e no Luxemburgo, dois paraísos fiscais. A Escom, que actua nos petróleos e noutros negócios, tem sede nas Ilhas Virgens, outro paraíso fiscal - a empresa tem sido investigada em diversos casos, como o da Herdade da Vargem Seca, por tráfico de influências e financiamento ilegal do CDS, e por corrupção ou pagamento de comissões injustificadas nos contratos dos submarinos, entre outros (ibid.). O BES foi ainda o centro das investigações da Operação Furacão, que investiga fraudes fiscais.

"Em Portugal, Espanha (o juiz Baltazar Garzon ordenou buscas na sede do BES em Madrid), Brasil (ao caso «mensalão», compra de votos no parlamento) e Estados Unidos (o dinheiro de Pinochet), tem sido objecto de investigações judiciais (ibid.).

"O seu poder político é imenso: pelos seus quadros passaram ou colaboraram personalidades como Manuel Pinho, ex-ministro do PS, Ângelo Correia, ex-ministro do PSD, Durão Barroso, ex-primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia, António Mexia, ex-ministro do PSD.

"Freitas do Amaral, fundador do CDS e ex-ministro de vários governos, foi o presidente da Petrocontrol, a holding de diversos interesses na GALP, em que ressaltava o BES. A sua participação na empresa acabou por ser vendida à italiana ENI e à Iberdrola, por pressão do ministro Pina Moura, que mais tarde seria o presidente da Iberdrola em Portugal. Por acção do mesmo ministro, as mais-valias da venda das acções da Petrocontrol foram isentas de imposto (ibid.). Ângelo Correia, agora eminência parda do PSD, liderou o consórcio que incluía o BES, a Fomentinvest (5) e a Carlyle, o fundo especulativo dirigido por Frank Carlucci, ex-embaixador dos EUA em Lisboa e ex-director da CIA, e que concorreu à compra de parte da GALP, tendo sido derrotado (6).

"Pelo BES passaram ainda Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, promotores do movimento Compromisso Portugal e dirigentes da Ongoing, que comprou parte da PT por 700 milhões de euros, financiados pelo banco de Ricardo Salgado e pelo BCP. O BES reforçou depois o seu investimento na empresa, através de aplicações de clientes. A Ongoing foi candidata à compra da TVI, mas falhou o negócio”.

“ (5) A Fomentinvest é dominada por Ângelo Correia, mas o BES tem 15% do capital. Pedro Passos Coelho fez a sua carreira profissional nesta empresa, sob a tutela de Ângelo Correia (P., 08.03.2010).

“(6) Devido a notícias publicadas no Expresso sobre este negócio, o BES decidiu retirar a publicidade nesse semanário e em todo o seu grupo”.

In “Os Donos de Portugal - Cem anos de poder económico (1910-2010)”, ed. Afrontamento 2010, pp 287 e 288.

….E A HISTÒRIA DOS ÚLTIMOS DIAS:

“Salvem o BES e deixem cair a família.

Por Pedro Sousa Carvalho, jornalista do Público, 11 de Julho de 2014

“O BES é um banco too big tofail Mas a família não. Há quem fale numa relação incestuosa a nível das holdings.

“É verde, viscoso e propagasse a uma velocidade estonteante. Quem entrar em contacto com o vírus do BES começa a sentir vertigens e arrisca-se a uma queda valente. 0 trambolhão do BES, que ontem chegou a cair mais de 18%, foi tal que o regulador teve de suspender a negociação das acções, colocando o banco numa espécie de quarentena para não infectar as restantes empresas da bolsa.

“O regulador tentou evitar o contágio, mas o pânico rapidamente se instalou nos mercados. A Portugal Telecom, já bastante infectada por ter estado em contada directo com o BES, afundou-se mais 7%, a banca foi toda atrás e nenhuma das empresas do PSI 20 saiu ilesa. Numa questão de segundos o que valia muito passou a valer pouco e o que valia pouco passou a não valer nada.

“Os juros da divida pública dispararam e tiveram a maior subida desde a crise política de 2013, quando Portas apresentou a demissão “irrevogável”.

“A crise no BES saltou fronteiras e fez mossa por esse mundo fora. Portugal voltou a ser manchete em todos os jornais internacionais. “Global markets tumble amid fears over portuguese lender”, escrevia ontem o The Wall Street Journal para nos contar que o vírus do BES já tinha contagiado as bolsas europeias e nos EUA. O espanhol Banco Popular cancelou uma venda de dívida convertível, o grupo farmacêutico italiano Rottapharm abortou um IPO e na Grécia o Governo reduziu uma colocação de dívida pública por falta de procura.

“O Espírito Santo não é um banco too big to fail a nível europeu. Mas a Lehman Brothers também não o era quando faliu. Pela reacção ontem dos mercados é fácil perceber que existe um risco sistémico, caso o BES vá ao charco. O assunto é particularmente sensível nesta altura em que bancos europeus estão todos a tentar alindar os balanços para realizarem os testes de stress do BCE.

“0 Banco Espírito Santo tem nesta altura dois problemas: um de liderança e outro de contabilidade. O problema de liderança já foi aparentemente resolvido pelo Banco de Portugal, que tratou de afastar Ricardo Salgado e toda a família da gestão executiva do banco. Não se sabe se por falta de competência, de idoneidade ou de honestidade. Nunca o disse. Carlos Costa limitou-se a abrir uma porta para que Ricardo Salgado e Companhia saíssem com alguma dignidade. E nem isso conseguiram.

“Resta um problema de contabilidade. É verdade que os rácios de capital do banco são sólidos. Mas o problema do BES resulta de uma intrincada teia de holdings: a ES Control, o quartel- general da família, detém 56,5% da ES International, que. por sua vez, é dona de 100% da Rioforte, que, por seu lado, controla 49% da ESFG, que é o maior accionista do BES, com 25% do capital. Estas empresas da família têm todas relações entre si, emprestam dinheiro e compram coisas umas às outras numa relação que ontem um colunista do Financial Times qualificava de “terrivelmente incestuosa”.

“É uma espécie de matrioska financeira. E no final há uma boneca pequenina que está falida. Aliás, uma das justificações dada pela Moody’s para baixar o rating da ESFG é precisamente a “falta de transparência em tomo não só da situação financeira do Grupo Espírito Santo, mas também da amplitude das ligações intragrupo”.

“O problema é que ao final do dia não se percebe até que ponto o banco está ou não refém dessa cascata de holdings. E aí é que o mercado começa a desconfiar. Se as holdings falirem, o problema é da família, azar o deles. Mas se as holdings contagiarem o banco, o problema já é de todos nós.

“O que se sabe até agora é que o BES emprestou 200 milhões à Rioforte e outros 780 milhões à ESFG. É muito dinheiro e aí o problema não é tanto de quem pede emprestado, mas de quem emprestou. Como dizia o magnata americano Jean Paul Getty: “Se deves 100 dólares ao banco, o problema é teu. Mas se deves 100 milhões, o problema já é do banco”. Apesar de tudo, mil milhões de euros de perdas o BES terá com certeza estofo para aguentar em caso de default das holdings. 0 problema é que, além dos empréstimos os clientes de retalho do BES têm uma exposição às holdings da familia que chega aos 651 milhões; e a exposição dos clientes institucionais do banco às empresas do grupo é de 1,94 mil milhões. Em caso de incumprimento, quem vai responder por esta dívida que não é do BES, mas que o banco vendeu nos seus balcões? Há aqui enorme risco, nem que seja jurídico, qui banco tem de explicar.

“Mas nem o Banco de Portugal, nem BCE, nem o Governo vão deixar cair o banco, as holdings da família estão falidas e não têm dinheiro para pagar o que o banco e clientes lhes emprestaram, o Estado deve simplesmente obrigar a família a vender posição de 25% que detém no BES e usar o dinheiro para saldar pelo menos parte do que devem. Isto, partindo do princípio que os 25% ainda não estão hipotecados a servir de colateral a algum empréstimo. Com novos accionistas, fazia-se um rebranding, até porque hoje em dia o maior  passivo do BES é reputacional; é o nome da família “Espírito Santo”, que carrega a marca. E se a família recusar sair do BES o Estado tem sempre a bomba atómica de nacionalizar o banco. E aí não há nenhum vírus que sobreviva”.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O respigo da semana : "Marcelo, Miguel, o BES e nós", por João Miguel Tavares:

Já nos referimos várias vezes por aqui à misturada entre políticos do centrão, banqueiros e comunicação social.

A propósito da bola de neve que se vai avolumando sobre o caso BES e das suas guerras familiares, começa-se agora a descobrir o poder que esse banco e a família a ele ligado têm em Portugal, movendo influências entre a classe política dominante e controlando a opinião pública.

Essa rede de influências, que envolve até alguns conhecidos comentadores da nossa praça, está acima de qualquer tribunal Constitucional ou de qualquer “Constituição Comunista”, como alguns comentadores de direita gostam de classificar esse documento fundamental para o regime democrático.

Acima da liberdade, da lei, da Constituição “comunista” ou da própria democracia pluralista, essa rede de influências é a principal responsável pelo estado a que o país chegou.

A última crónica de João Miguel Tavares, um dos mais lúcidos, independentes e criativos comentadores da direita (como o próprio se designa), é, nesse aspecto, insuspeita e coloca o “dedo na ferida” deste regime caduco em que vivemos, sendo por isso a nossa escolha para o “respigo da semana”:

“Marcelo, Miguel, o BES e nós"

Por João Miguel Tavares

In Público de 1 de Julho de 2014

(crónica semanal “0 RESPEITINHO NÃO É BONITO”).

“Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas - basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?

“A resposta é óbvia: porque a família Espírito Santo é demasiado grande e o país demasiado pequeno. Enquanto a família esteve unida, formou um bloco inexpugnável, pela simples razão de que o seu longo braço chegava a todo o lado, incluindo partidos (alguém já ouviu António José Seguro, sempre tão lesto a dar palpites sobre tudo, comentar o caso BES?), comunicação social (quem não se recorda do corte de relações com o grupo Impresa em 2005, na sequência de notícias sobre o envolvimento do BES no caso Mensalão?) e até aos próprios comentadores, por via das relações pessoais que Ricardo Salgado mantém com gente tão influente quanto Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares.

“Ora, ninguém à face da terra possui uma independência inexpugnável. Isso não significa que todos tenhamos um preço - significa apenas que somos condicionados por relações de amizade ou de sangue e que nesse campo uma família de 300 membros, que há décadas se move na alta sociedade portuguesa como peixe na água, acaba por chegar a quase toda a gente que interessa. O próprio Sousa Tavares referiu essas ligações há um ano, numa entrevista à Sábado: “O Ricardo Salgado é sogro da minha filha e avô de netos meus. Além disso, somos amigos há muitos anos, porque eu fui casado com uma prima direita dele. Nunca o critiquei e nunca o elogiei, porque acho que não se fala da família em público.” Pode apontar-se a Miguel Sousa Tavares muita coisa - eu já o fiz -, mas não falta de independência ou coragem. Simplesmente, quando o caso BES atinge esta dimensão, o silêncio de alguém com a sua importância torna-se efectivamente um favor a Salgado. Não há como fugir a isso. 

“Mas se Sousa Tavares não fala sobre o tema e já justificou porquê, o mais influente comentador português - Marcelo Rebelo de Sousa - necessita urgentemente de aproveitar algum do seu tempo dominical para fazer a sua declaração de interesses em relação aos Espírito Santo. E essa declaração é tanto mais premente quanto nas últimas semanas tem vindo a defender a solução Morais Pires, considerando até que a impressionante queda das acções do BES na passada semana era coisa “inevitável”, visto estarmos perante “um novo ciclo”. Que essa queda tenha acontecido exactamente por não estarmos perante um novo ciclo parece não ter passado pela sua cabeça, habitualmente tão veloz e atenta.


“Não admira, pois, que Nicolau Santos tenha chamado a atenção no Expresso para o facto de Marcelo e Ricardo Salgado já terem passado juntos “várias vezes férias no Mediterrâneo”. E,   já agora - acrescento eu - que Rita Amaral Cabral, há longuíssimos anos companheira de Marcelo, como é público, seja actualmente administradora não executiva do BES, e, entre 2008 e 2012, um dos três membros da comissão de vencimentos do banco. Marcelo, como todos sabemos, nunca teve quaisquer problemas em criticar aqueles que lhe são próximos. Mas há factos que devem ser verbalizados - porque é precisamente destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui”.