Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta ONU. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ONU. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Nobel da Paz – Uma surpresa merecida e actual


O Nobel da Paz foi esta manhã atribuído a uma organização japonesa de vítimas das bombas atómicas, a Nihon Hidankyo.

Fundada a 10 de agosto de 1956, essa organização tem vindo a trabalhar “incansavelmente para sensibilizar as pessoas para as consequências humanitárias catastróficas da utilização de armas nucleares”.

O comité norueguês do Nobel resolveu galardoar essa associação "pelos seus esforços para alcançar um mundo livre de armas nucleares e por demonstrar através do depoimento de testemunhas que as armas nucleares nunca mais devem ser utilizadas".

Recorde-se que a única vez que as armas nucleares foram usadas contra populações civis foi em 1945, pelos Estados Unidos, que mataram centenas de milhares de pessoas, no imediato ou pelas consequências ao longo do tempo.

Sabe-se hoje que esses bombardeamentos não acrescentaram nada ao desfecho da guerra, já que o Japão se tinha prontificado à rendição antes desse ataque nuclear. Os norte-americanos protelaram propositadamente essa rendição pois tinham necessidade de mostrar o seu poder militar aos aliados soviéticos. Para muitos, esse ataque nuclear, mais do que o acto final da 2ª Guerra, foi o inicio da Guerra Fria, uma demonstração de força para mostrar quem “mandava” no mundo a partir daí.

A escolha, se foi uma surpresa, parece-nos bastante actual e merecida, e um grito de alerta para o crescente clima de militarismo irresponsável que cresce por esse mundo fora, à boleia dos muitos interesses que se escudam na crise do Médio Oriente e na Guerra da Ucrânia.

O clima dominante entre a classe política ocidental e do comentário político é o a defesa da corrida armamentista, diabolizando o pacifismo.

Ao atribuir o Nobel a uma organização pacifista, que alerta para o perigo de uma escalada militar que irá sempre desembocar numa guerra nuclear, localizada ou não, o comité norueguês põe em causa toda essa retórica militarista, que, da NATO à União Europeia, de Zelensky a Putin, dos regimes proto fascistas de Teerão e Telavive, tem vindo em crescendo nos últimos tempos.

Para esses, a retórica da militarização nuclear tem vindo a normalizar a defesa da corrida aos armamentos, principalmente o nuclear, e o da possivel utilização desse tipo de armamento nos actuais conflitos.

Essa mesma gente procura desvalorizar e ridicularizar os defensores da paz, ora acusando-os de “apoiantes de Putin” , ora de “apoiantes dos terroristas do Hamas”, ou, no caso da Rússia putanista ou do regime fundamentalismo iraniano, nem opinião podem ter, sendo imediatamente encarcerados.

Esse prémio tem, desde já o mérito de recolocar no centro das preocupações humanitárias a defesa da paz, valorizando as organizaçãoes e pessoas que o fazem, em especial a ONU.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

A ONU e os “Incoerentes”


Todos os países que fazem parte da ONU, cerca de 200, assinaram a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Infelizmente são poucos os que cumprem os princípios desses documentos, ao mesmo tempo que ignoram a maior parte das resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Quando terminou a “Guerra Fria”, nos anos 90 do século XX muitos viram o início de uma nova era de paz e de respeito pelos Direitos Humanos, alguns até preconizaram o “fim-da-história”, num mundo “iluminado” pela democracia e pela liberdade.

Infelizmente não foi o que aconteceu.

O clima de violência generalizado, a proliferação do populismo de extrema-direita e de “democracias” “iliberais”,  o aumento de guerras de grande intensidade, aliados aos graves problemas climatéricos, acelerados pelo o domínio da selvajaria do capitalismo neoliberal capturado pelo corrupto mundo financeiro ( fruto da lavagem de dinheiro de várias máfias ligadas à especulação imobiliária, ao negócios do armamento e ao tráfico de droga) , destruíram a oportunidade de construir um mundo de paz, democracia, liberdade, prosperidade e de respeito pelos Direitos Humanos.

A incapacidade de reformular a ONU foi o principal factor que nos levou ao ponto onde estamos.

Os Estados Unidos, que começaram a desvalorizar aquela instituição e as suas associadas (como a Unesco, a Unicef, a OMS, a OIT, entre outras), agindo muitas vezes à revelia dessas instituições, ou a China e a Rússia, com sonhos imperialistas, travaram qualquer reforma no funcionamento dessa instituição, nomeadamente impedindo a revisão do direito de veto, que trava qualquer acção da ONU e desrespeita a crescente importância global de outros países, como o Brasil, a Argentina, o México, a África do Sul ou a Índia e travando o acesso, por razões históricas ultrapassadas pelo fim da Guerra-fria, de países importantes como a Alemanha ou o Japão, sem esquecer outras nações com dimensões importantes, quer do ponto de vista demográfico, quer do ponto de vista económico, como o Canadá, a Austrália, a Indonésia ou o Egipto e a Turquia.

Essa reforma, para tornar a ONU funcional, devia abandonar o direito de veto, substituindo-o pela maioria qualificada e reforçando o papel da Assembleia Geral, alargando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança e reforçando o papel de uma força militar de manutenção da paz, papel que, na actualidade, está entregue ao livre arbítrio da NATO, controlada pelos Estados Unidos, organização militar que, depois do final da guerra-fria, abandonou as suas caracteristicas defensivas, intervindo militarmente em muitos sítios (ex-Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia…),  agindo várias vezes  à revelia das decisões da ONU .

Para analisar a incoerência de muitos dos países que fazem parte da ONU em relação à defesa do Direito Internacional e dos Direitos Humanos, basta analisar o sentido de voto de muitos desses países em duas ocasiões recentes, condenando a invasão ilegal da Ucrânia pela Rússia ou, agora, defendendo a criação de corredores humanitários para salvar os civis da Faixa de Gaza.

A boas notícia, comparando essas duas  votações, a 1º de 12 de Outubro de 2022 defendendo a integridade territorial da ONU, à luz da Carta das Nações Unidas, a segunda de 27 de Outubro de 2023, defendendo o direito de Protecção humanitária em relação à populações da Faixa de Gaza, é que houve 79 países que, coerentemente, votaram a favor de ambas as resoluções, pese o facto de alguns desses votantes o fazem de forma hipócrita, já que, muitos deles, não respeitam os mais elementares Direitos Humanos dos seus próprios cidadãos, como é o caso, por exemplo, do Afeganistão e da Arábia Saudita.

É também boa notícia que, entre os que, de forma coerente, votaram favoravelmente ambas as resoluções, estão Portugal e outros países da União Europeia como a Bélgica, a Irlanda, o Luxemburgo, Malta, Eslovénia e Espanha. Entre os países europeus que não pertencem à EU, também votaram, em coerência, Andorra, Bósnia, Liechtenstein, Moldávia, Noruega e Suiça.

Destacam-se ainda, na coerência da defesa da Carta da ONU, países como Angola, Argentina, Brasil, Guiné-Bissau, México, Marrocos, Nova Zelândia, Timor-Leste e Turquia.

A má notícia é que muitos países, em especial a maior parte dos membros permanentes do Conselho de Segurança, não se encontram na lista desses 79 países, mostrando que só respeitam os “Direitos” de acordo com os seus projectos políticos ou os seus preconceitos ideológicos. Entre esses membros permanentes, apenas a França aprovou ambas as resoluções.

Ainda pior é a falta de coerência, reveladora dos dois pesos e duas medidas, de 21 dos 27 países da União Europeia !!!???. Sem esquecer a escandalosa posição da Ucrânia!!!

Com essa diferente votação, muitos desses países deixam de ter “moral” para falar em Direitos Humanos ou em respeito pelo Direito Internacional.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Onde Fica a PAZ?

As Guerras começam, mas nunca se sabe como acabam.

Com mais ou menos mortos, com genocídios e crimes de guerra, destruição de culturas, patrimónios, economias e, de muita, muita gente inocente, as guerras acabam um dia e, quando elas acabam, faz-se o balanço, julgam-se (ou não) os culpados, reconstrói-se e…toda a gente promete a PAZ eterna!

Esta Guerra, contudo, pode acabar com a humanidade, por isso não se pode transformar numa “terceira Guerra Mundial”, ou a 4ª Guerra, como vaticinou Einstein, vai ser com paus e pedras!

Quem começou esta guerra, que não restem dúvidas, foi a Rússia de Putin, que já tinha dado os primeiros passos nesse sentido em 2014.

A história não começou no dia 24 de Fevereiro, mas, a partir desse dia, num claro desrespeito pelo Direito Internacional, pela integridade de um Estado soberano, pela comunidade internacional e, o mais grave, pelo direito do povo ucraniano viver em paz e escolher o seu destino, foi nesse dia que Putin se transformou em criminoso de guerra, que é preciso travar.

Putin já tinha mostrado do que era capaz na Geórgia e na Síria, mas a comunidade internacional, principalmente neste último caso, fechou os olhos, pois o “inimigo” era "comum", o islamismo e o “Estado islâmico”, mesmo que, na realidade, o “terrorismo” islâmico tenha sido apena o pretexto para Putin ensaiar o seu arsenal militar, um pouco à imagem do que Hitler fez na Guerra Civil de Espanha.

Também na retórica “justificativa” para a guerra, Putin aprendeu com as justificações e os actos idênticos dos Estados Undos e da NATO, na ex-Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, muitos deles em violação do Direito Internacional ou com a mesma violência contra populações civis….

De facto, o “ocidente” e os Estados Unidos, como potência única de então, ao recusarem-se reformar a ONU e tornar a NATO uma força da manutenção da paz, após a queda da União Soviética, levar-nos-ia, mais tarde ou mais cedo, com Putin ou outro déspota militar, a uma situação sem saída, como aquela em que nos encontramos.

A ONU devia ter alargado o Conselho de Segurança a mais países, acabado com o direito de veto e aumentando o poder da Assembleia Geral, mas os Estados Unidos e os seus aliados não o quiseram, agindo mesmo à margem dessa instituição, enfraquecendo-a.

A NATO devia ter-se transformado numa força de manutenção da paz, sob liderança do Conselho de Segurança da ONU.

Se essas duas reformas se tivessem dado, hoje teríamos a criação de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, para proteger civis, com plena legitimidade e sem por em perigo a paz mundial ou poder provocar uma 3ª Guerra Mundial, como será o caso, nas actuais circunstâncias, se essa decisão for assumida pela NATO, única força militar internacional em condições de o fazer.

Também teríamos, se essas reformas se tivessem efectuado a devido tempo, a possibilidade de ter no terreno uma força de manutenção da paz, legitimidade pela ONU.

Sendo assim, o povo ucraniano fica entregue à sua sorte, pois a alternativa, para além de uma hipotética revolta russa contra Putin, mas que não será para já, é uma 3ª Guerra Mundial.

Não nos podemos esquecer, também, que foi a NATO que se opôs, em 2017, a uma resolução da ONU que visava limitar a expansão de armamento nuclear, atitude que facilitou a vida ao próprio Putin, que agora ameaça o mundo, a seu belo prazer, com uma guerra nuclear.

No imediato, o que é urgente é proteger a Ucrânia da agressão russa e impedir uma guerra descontrolada.

Mas, no futuro, tem de se voltar a pôr a PAZ Mundial em primeiro lugar, reforçando o papel da ONU, combatendo o rearmamento, e perseguindo a venda ilegal de armas.

Aliás, já se houvem por aí as costumeiras vozes oportunistas que, desta vez, não falam em "ir alé, da Troika", mas em ir "além da guerra", defendendo o sacrificio do Estado Social em nome do reforço das despesas com "defesa".

Esquecem-se da velha máxima de Churchil, em plena Guerra Mundial: quando alguns dos membros do seu governo defendiam cortes na cultura e noutras medidas sociais, para reforçar o orçamento militar de defesa, aquele interrogou-os: "então se cortamos na cultura, para que nos serve fazer esta guerra ?". 

Essa máxima pode ser adapatada para responder às vozes que procuram aproveitar-se da situação actual, para aumentarem a despesa militar, defendendo cortes definitivos no bem estar social, para a financiar.

Em tempo de guerra é também importante que surjam vozes pela paz, que travem o ímpeto belicista de alguns, o qual, se for deixado em roda livre, vai gerar, no futuro, novos Bin Laden´s.

O povo ucraniano tem o direito de se defender da criminosa agressão russa, mas o mundo tem de se preparar para a paz que se há-se seguir a esta guerra, pela qual Putin é o principal responsável, paz essa que vai implicar o reforço da ONU e o desmantelamento definitivo de arsenais militares.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos



Passam hoje 70 anos sobre a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Num mundo cada vez mais dominado por mensagens de ódio e intolerância e por uma economia predadora do homem e da natureza, é importante recordar a existência dum documento como esse, hoje mais actual do que nunca.

O documento surgiu como tentativa de responder a um novo paradigma de convivência humana, depois de terminado um período de guerras devastadoras e de genocídios que puseram em causa principio civilizacionais.

Esse documento esteve igualmente na base da construção da ONU.

Infelizmente em muitos casos a sua aprovação não passou de pura retórica.

São raros, ainda hoje, os países onde se aplica a totalidade desses princípios.

Alguns aplicam apenas as partes que lhe convém, esquecendo tudo o resto.

Esse documento alia princípios básicos e históricos de Direitos Humanos (Igualdade, democracia e liberdade) com Direitos Sociais (como o direito ao trabalho e a um salário justo, por exemplo, ou o direito à saúde, à educação e à habitação).

A actualidade desse documento, que devia ser ensinado nas escolas e integrado nas Constituições de países democráticos (como, aliás, acontece na Constituição Portuguesa), reside, por um lado em serem ainda raros os casos em que é  aplicada na integra e de forma consequente e, por outro, no de vivermos um período histórico em que as lideranças das nações mais poderosas estão entregues a gente que desrespeita todos os dias os princípios consignados nesse documento.

Existe, aliás, um crescente movimento que defende a revisão desse documento, que, pesem as boas intenções de alguns, só pode resultar na redução e no desvirtuar dos seus principio, principalmente quando temos na liderança de países que dominam o conselho de segurança da ONU uma maioria de lideres que não oferecem qualquer garantia na preservação e concretização daqueles direitos.

Além disso, as actuais lideranças mundiais estão sobre forte pressão de sectores financeiros que desprezam os valores democráticos, de liberdade e os direitos sociais, sempre que isso põe em causa os seus interesses, como se viu durante a crise de 2008 (o célebre TINA).

Não tenhamos dúvida que qualquer revisão que saísse das mãos dessa gente ia no sentido de limitar os valores democráticos, a liberdade e os direitos sociais.

Sendo aquele um documento de valor universal,  a melhor forma de o celebrar é,  em primeiro lugar conhecê-lo e estudá-lo e, em segundo, defendê-lo face a esses lobbies que o procuram desvirtuar e apaga-lo da memória colectiva.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

G7 – E se Trump tivesse razão?



Cimeiras com a do G7 apenas servem para legitimar politicas financeiras e comerciais ilegítimas e prejudiciais aos cidadãos do mundo.

A realização de tal cimeira, a coincidir com a anual reunião secreta de Bilderberg ,não terá sido mera coincidência, e terá servido para coordenar os esforços das elites “globalistas” mundiais para programarem a sua acção em prol do obscuro interesse financeiros e económicos e para fazer frente às previsíveis reacções populares.

Os cidadãos e a melhoria da suas condições de vida não costumam estar na agenda dessas reuniões, antes pelo contrário.

Contudo o “furacão” Trump acabou por desviar a atenção sobre os verdadeiros objectivos e decisões desse encontro dos mais poderosos do mundo.

Trump marcou a cimeira com duas questões: a forma como questionou a liberdade de comércio e o modo como a Rússia foi expulsa dessa reunião.

E se, nestas duas questões, apesar de corresponderem a uma estratégia irresponsável e errada, Trump até tivesse razão, apesar de tomar decisões de forma, aparentemente, pouco racional ?

Claro que o título que usamos em cima é uma provocação.

Mas não nos deixamos de interrogar sobre a ausência dessa cimeira de outras potências mundiais, como a Rússia e a China, isto já para não falar da Índia, do Brasil ou da África do Sul.

É o velho mundo, decadente, abalado por crises que não consegue resolver, mas que ainda mantém um grande peso económico, financeiro e militar, o que está representado na cimeira do G7.

Por isso, não existe grande razão para isolar as potências emergentes ou, no mínimo, tão decadentes como aquelas representadas nessa cimeira.

A justificação para afastar a Rússia podia ser usada para afastar ao Estados Unidos, a Grã-Bretanha ou a França, todas envolvidas recentemente em intervenções militares e financeiras, ou apoiando regimes párias,  não legitimadas pela única organização internacional com mandato legítimo, a ONU.

Por isso, e apesar de não nutrir qualquer simpatia por Putin, a afirmação de Trump em defesa da presença da Rússia tem toda a razão de ser.

Mas, para mim, mais importante do que estar numa cimeira de países decadentes e onde se tomam decisões ilegítimas, seria mais importante reforçar organizações internacionalmente legítimas, como a ONU, começando por alargar o número de países do Concelho de Segurança e o poder da Assembleia Geral.

No Conselho de Segurança, como membros permanentes, deviam ser incluídos países como o Canadá, a Alemanha, a África do Sul, o Brasil e a Índia. E o direito de veto devia ser revisto, aumentando o poder da Assembleia da ONU.

O que têm feito organizações como G7 e outras do género é tentar esvaziar a importância da ONU, com todas as consequências que temos visto em termos de instabilidade económica, social e politica mundial e de aumento das desigualdades.

Também, na outra questão levantada por Trump ,  no que respeita à injustiça da organização do comércio mundial, embora na forma irresponsável que é peculiar nesse líder, também acaba por ter alguma razão.

A "liberdade de comércio", tal como está estabelecida, favorece os mais fortes, desenvolve o dumping social, e agrava as desigualdades sociais.

O “comércio livre” baseia-se no acentuar das injustiças socias e na destruição de direitos humanos e sociais, e é ela própria a principal responsável pelo descalabro ambiental do planeta.

Também não se percebe que os que tanto defendem tal “liberdade” de comércio, só aceitem essa liberdade para a circulação de capitais e matérias-primas, mas imponham todo o tipo de restrições à liberdade de circulação de pessoas, como se tem visto na actual crise dos refugiados .
Claro que não são estas as preocupações de Trump.

Mas teve pelo menos o mérito de agitar e desestabilizar uma cimeira que apenas serve para aplicar as decisões politica impostas pelo sector financeiro, de forma ilegítima.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A Vitória de Guterres é a vitória da Humanidade (…mas há derrotados!).



Conhecendo-se a personalidade de António Guterres, a sua vitória “cristalina” na corrida para secretário geral da ONU não é a derrota de ninguém. Mas existem…derrotados.
António Guterres é um humanista, um homem sem rancores, uma referência ética, um homem dialogante e tolerante e um grande conhecedor do melhor e do pior da humanidade, um homem que conhece bem o funcionamento das instituições da ONU.
Não se acredite, contudo, que vai ter vida fácil, num dos momentos mais críticos da história da humanidade dos últimos anos, onde se cruzam conflitos de grande gravidade e desumanidade, crescentes e agravados problemas ambientais, um agravamento das desigualdades e da miséria social, um crescimento do terrorismo e um agravamento das condições de vida da maior parte da população.
António Guterres não é manipulável e está legitimado por um processo eleitoral que, pela primeira vez na história da ONU e da eleição para o cargo, foi um processo transparente.
Leio, contudo, com estranheza que há quem compare a eleição de Guterres para o cargo de secretário geral da ONU, com a eleição de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia. Essa comparação é, no mínimo, ofensiva para Guterres.
Guterres foi “apenas” o melhor primeiro-ministro de Portugal após a adesão à democracia.
Durão Barroso iniciou o descalabro do país, agravado por Sócrates e diligentemente executado por Passos Coelho.
Guterres destacou-se, na política internacional, enquanto primeiro-ministro, como o homem que resolveu, contra ventos e marés e contra a própria vontade de quem dominava a ONU na altura, o grave conflito de Timor-Leste.
Durão Barroso ficou conhecido na política internacional como o cicerone de Bush e Blair na cimeira que conduziu o Médio-Oriente ao desastre actual e que tem como consequência, no nosso tempo, o grave problema humanitário dos refugiados e a criminosa guerra da Síria.
Guterres é o homem que encarou a política como uma forma de transformar o mundo para melhor.
Durão Barroso é o exemplo pior do carreirismo e oportunismo na vida política.
Guterres foi eleito para secretário geral da ONU num processo límpido e transparente, e que teve de enfrentar os velhos métodos de golpadas de bastidores, que a Comissão Europeia e a Alemanha tentaram impor.
Barroso foi escolhido para dirigir a Comissão Europeia num processo opaco, como “prémio” pelo seu papel na tenebrosa cimeira do Açores e como uma peça ao serviço da estratégia da Alemanha e do poder financeiro europeu para dominar a União Europeia e destruir direitos socias, num processo que agora, felizmente sem êxito, a mesma Alemanha e a mesma Comissão Europeia pretenderam impor na ONU com a fantochada da candidatura de Kristalina Georgieva.
Se para Guterres não existem derrotados com a sua eleição, existem de facto processos e políticos que, perante a opinião pública e a humanidade, saíram derrotados.
Durão Barroso está do lado dos derrotados, embora tenha a sua vida futura garantida com o confortável “tacho” da Goldman Sach.
Merkel também está do lado dos derrotados, pela atitude que tomou neste processo, embora vá continuar a dominar a União Europeia e a virar o norte conta o sul e o leste contra o oeste. Mas a sua derrota arrasta a própria Alemanha que pretendia, com essa golpada, ganhar influência a apoios para se tornar membro permanente do Conselho de Segurança.
Juncker é outro dos derrotados, pela forma como alinhou na golpada “Kristalina” , embora esteja já a prepara a vingança, avançando como os cortes estruturais contra Portugal. Com a sua derrota arrastou, não só a Comissão Europeia e o politburo de Bruxelas, mas a própria imagem internacional da União Europeia.
Obviamente, entre os derrotados está a própria Kristalina Georgieva, ao alinhar na golpada, viu a sua carreira política abalada, sendo derrotada em toda a linha, e sendo mesmo ultrapassada, na votação final, por outra candidata a quem “passou a perna”, a sua compatriota Irina Bokova, que conseguiu uma votação honrosa.
Derrotado ainda foi o “Grupo de Visegrado” que procurou impor uma idéia absurda, recuperada da Guerra Fria,  como critério de escolha para um futuro secretário geral da ONU, a de “Europa de Leste”. A tal “Europa de Leste”, não passa de um mito, um grupo de países historicamente falhados, que funcionaram e têm funcionado, ora como “espaço vital” da Alemanha, ora como “satélites” do derrotado poder soviético e que hoje representam o que de pior existe no seio da Europa, governos corruptos, antissociais, xenófobos e, cada vez mais, antidemocráticos e antiliberais.
No geral, saiu derrotado um processo de escolha para liderar instituições internacionais, baseado no desrespeito da vontade das populações e nas grandes negociatas nas costas dos cidadãos, como tem sido apanágio na União Europeia nos últimos tempos.
Guterres tem muito trabalho pela frente, começando por alterar profundamente o funcionamento da própria ONU, a começar pelo próprio Conselho de Segurança.
A lista de membros permanentes e o seu poder precisa de ser rapidamente revisto.
É necessário que a África e a América Latina passem a ter representação. Será igualmente importante que tenham assento permanente países asiáticos que façam o contra ponto com a influência da China e seria até importante que desse grupo fizesse parte um país com população de maioria muçulmana.
Depois é necessário reforçar a influência e a legitimidade de outras instituições que emanam da ONU (Unesco, OMS, UNICEF, OIT…) e aumentar o controle sobre o poder do FMI.
Há ainda que combater a muita corrupção que circula pelos corredores daquelas instituições.
À escala global, é urgente resolver a crise dos refugiados e a Guerra na Síria, e, noutro âmbito, a gravidade da situação ambiental, o combate à pobreza infantil e a desregulação económica e social em que o mundo foi lançado durante as últimas duas décadas em que a influência da ONU foi fortemente reduzida.
António Guterres é a última oportunidade para melhorar o funcionamento da ONU e, assim, melhorar a dramática situação mundial.
Guterres é o homem certo no lugar certo e no momento certo.
 
Desejamos-lhe Boa Sorte, porque a sua "sorte" também será a nossa...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Uma grande vitória para a humanidade…uma grande derrota para o "politburo" da Comissão Europeia!!


Portugal e Guterres estão de Parabéns.
Falhou a golpada preconizada pela Comissão Europeia, agindo mais uma vez nos bastidores, desrespeitando as mais elementares regras de ética política:
A Comissão Europeia, habituada a agir no espaço que governa, sem legitimidade democrática diga-se, como mero executor dos interesses da Alemanha e da grande finança, pensava que podia lidar com o resto do mundo da mesma maneira e, desrespeitando as regras de transparência que, pela primeira vez, se impuseram na eleição para secretário geral de ONU, pensou que podia voltar a agir impunemente e impor as suas regras sem respeitar os cidadãos.

A sua candidata caiu com estrondo e António Guterres, a não ser que exista mais alguma jogada de bastidores de algum dos “grandes”, tem o caminho aberto para ser o próximo secretário geral da ONU, levando para aquela organização a humanidade do seu percurso e contribuindo para recuperar a credibilidade daquela organização.

A humanidade bem precisa .

Uma grande vitória para a humanidade…uma grande derrota para o "politburo" da Comissão Europeia!!


Portugal e Guterres estão de Parabéns.
Falhou a golpada preconizada pela Comissão Europeia, agindo mais uma vez nos bastidores, desrespeitando as mais elementares regras de ética política:
A Comissão Europeia, habituada a agir no espaço que governa, sem legitimidade democrática diga-se, como mero executor dos interesses da Alemanha e da grande finança, pensava que podia lidar com o resto do mundo da mesma maneira e, desrespeitando as regras de transparência que, pela primeira vez, se impuseram na eleição para secretário geral de ONU, pensou que podia voltar a agir impunemente e impor as suas regras sem respeitar os cidadãos.

A sua candidata caiu com estrondo e António Guterres, a não ser que exista mais alguma jogada de bastidores de algum dos “grandes”, tem o caminho aberto para ser o próximo secretário geral da ONU, levando para aquela organização a humanidade do seu percurso e contribuindo para recuperar a credibilidade daquela organização.

A humanidade bem precisa .

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bana Alabed : uma criança de 7 anos escreve-nos de Alepo.

O jornal Público noticia a corajosa atitude de uma criança de 7 anos, Bana Alabed, que nos relata o seu dia a dia na martirizada cidade síria de Alepo, através da sua página do Twitter (AQUI).
 
É por estas e por outras que a ONU precisa urgentemente de mais liderança (ou + Guterres!!) e menos burocracia (ou menos Georgieva!!!).
 
Alabed e outras crianças sírias exigem-nos isso!!!
 
 

 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Golpada “Kristalina”


A ONU precisa urgentemente de recuperar a credibilidade de outros tempos.
Recorde-se que foi a ONU, quando funcionava como palco das grandes decisões mundiais, visando a preservação da paz e o equilíbrio entre as nações, sendo o primeiro grande centro de controle dos efeitos negativos da globalização (através de instituições como a UNICEF, a UNESCO, a OMS,  a OIT ou a FAO, entre muitas outras), que evitou várias guerras nucleares, durante a guerra fria, conseguiu algum equilíbrio, enquanto teve influência, na problemática região do Médio Oriente, acompanhou de forma activa, os grandes movimentos descolonizadores em África e na Ásia e evitou muitas crise humanitárias, ao mesmo tempo que foi sempre uma referência na defesa dos Direitos Humanos.
Claro que nem tudo coreu bem, principalmente pela manutenção e pela influência de um grupo restrito de membros permanentes (Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética (hoje Rússia), aos quais se juntou mais tarde a China) com direito de veto.
O descalabro da influência da ONU começou quando ela era mais necessária, após o fim do bloco de leste e da União Soviética, a guerra da Jugoslávia e, mais recentemente, a guerra do Iraque e a actual situação que se vive no Médio Oriente.
Quis o Ocidente, mormente a União Europeia e América de Bush, substituir-se, com o recurso à NATO, ao papel da ONU, que se limitou a desempenhar um papel secundário na cada vez mais perigosa situação internacional.
A eleição de um novo secretário-geral surgiu assim como uma última oportunidade de recuperar para a ONU a influência de outros tempos e a própria esperança de dar um futuro mais equilibrado e de paz à humanidade.
Foi assim que surgiu pela primeira vez um método de escolha transparente  e um candidato credível.
Esse candidato credível, pela sua visão humanista, pela sua experiência no contacto com os mais graves conflitos mundiais, pela sua capacidade de diálogo, pelo seu profundo conhecimento do funcionamento da ONU, é o português António Guterres, não por acaso o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde que entrámos para a União Europeia.
Contudo, mais uma vez, movem-se nos bastidores as jogadas antidemocráticas do costume, conduzidas pelos mesmos de sempre (Comissão Europeia e politburo de Bruxelas , comandados pela Alemanha, assessorada pelos seus satélites do costume, o chamado grupo de Visegrado e outros do seu sonhado “espaço vital” a leste), recorrendo à costumada linguagem “politicamente correcta”, de ter, pela primeira vez, uma mulher à frente da ONU, representando os “países do leste” (um conceito que pensava que estava enterrado com o fim da guerra fria e com a adesão de alguns desses países à União Europeia!!!....).
É assim que surge, na recta final (nos últimos cem metros da maratona, para citar o nosso Presidente Rebelo de Sousa) uma candidatura para tentar afastar Guterres, uma vice-presidente da Comissão Europeia, apoiada por esta e pela srª Merkel, a srª Kristalina Georgieva.
A sua candidatura levante vários problemas:
Para já surge em resultado de uma guerra interna da política búlgara, com a “direita”  a apoiar essa nova candidatura e a “esquerda” a recusar-se a retirar a sua candidata, Irina Bokova, guerra essa que parece condenar à partida a veleidade das duas candidatas, até porque um país só pode apresentar um candidato;
Depois, esta é uma jogada de alto risco da Comissão Europeia e da Alemanha, que pode dividir, ainda mais, a própria União Europeia e pode retirar, de  vez, caso a sua candidata venha a ser derrotada, a intenção da Alemanha ascender à Comissão permanente da ONU;
Finalmente, essa candidatura, se for levada a sério pela ONU, é uma machadada final na procura de transparência que se pretendeu obter com o novo processo de candidatura, à qual os outros candidatos se submeteram, e na credibilidade da própria ONU.
Recorde-se que a antepassada da ONU, a Sociedade das Nações, foi destruída por situações deste género, com a contribuição  também da Alemanha, cuja destruição e descrédito conduziram à Segunda Guerra Mundial.
Mais do que uma candidatura, estamos perante mais uma golpada de uma instituição que está habituada a funcionar sem respeitar a vontade democrática dos cidadãos e habituada às jogadas de bastidores, a Comissão Europeia.
Surgindo essa candidatura de uma das grandes famílias politicas europeias, o Partido Popular Europeu, à qual pertencem o PSD e o CDS, será curioso observar a reacção destes partidos.
 
Será que em público, para não parecer mal, vão dizer que apoiam Guterres, mas em privado, vão seguir a atitude de Barroso, que é que descredibilizar e boicotar o candidato português?
Seja qual for o resultado, é o descrédito total da Comissão Europeia e do politburo de Bruxelas
…aguardam-se cenas dos próximos capítulos!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Síria: “Moderados”, apoiados pelo ocidente, cometem e gabam-se de crime de guerra

(fotografia de alguns dos criminosos de guerra, mostrando restos do pára-quedas do piloto russo abatido)

Devo confessar que fiquei perplexo ao ver, na terça-feira à noite, o comandante de um grupo, dito “moderado”, apoiado pela Turquia e pelos Estados Unidos, que combate o Assad na Síria, gabar-se de ter disparado sobre pilotos russo que se tinham ejectado de um avião abatido, em circunstâncias ainda por esclarecer.

Desde a segunda-guerra mundial que disparar sobre pilotos aviadores que se ejectam de pára-quedas depois dos seus aviões serem abatidos é considerado um dos piores crimes de guerra, o mesmo acontecendo quando se assassinam prisioneiros de guerra.

Essa notícia foi confirmada pelas notícias ontem e hoje publicadas na imprensa escrita e pelas imagens em baixo reproduzidas.

Um dos pilotos conseguiu escapar e acabou por ser resgatado. O outro morreu, abatido quando ainda descia de pára-quedas.

Os terroristas que praticaram esse acto bárbaro não pertencem , nem á Frente al-Nasura, braço armado da Al-Qaeda na Síria, nem ao auto-proclamdo “estado islâmico”, mas às milícias turcomanas Alwiya al-Ashar, armadas e apoiadas pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela NATO.

Fiquei ainda mais perplexo quando, em conferência de imprensa, o porta-voz da NATO, não só não condenou esse acto bárbaro, como o tentou justificar.

Este acontecimento vem assim dar razão ao ditador Assad e a Putin, quando afirmam que todas as milícias que combatem o governo sírio são terroristas e devem ser combatidas como tal e por igual. 

Aguarda-se agora que a ONU desencadeei os mecanismos habituais para levar aquele comandante e aquelas milícias a tribunal de guerra.

A Prova do crime de Guerra:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ONU recomenda abandono progressivo das medidas de austeridade em Portugal


Segundo notícia ontem divulgada pela Lusa “O Conselho Social e Económico das Nações Unidas (CES-ONU) considera que a ajuda externa teve um "impacto adverso" nos direitos económicos, sociais e culturais em Portugal, defendendo o progressivo abandono das medidas de austeridade com a recuperação económica”.

"O conselho nota com preocupação que, apesar das iniciativas tomadas para mitigar o impacto económico e social das medidas de austeridade adoptadas no âmbito do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, a crise económica e financeira teve um impacto adverso no usufruto dos direitos económicos, sociais e culturais da maioria da população, em particular nos direitos dos trabalhadores, segurança social, habitação, saúde e educação", lembrando “ a obrigação do Estado de proteger os mais desfavorecidos para sublinhar a necessidade de ir abandonando as medidas de austeridade à medida que a economia recupera.

Ainda segundo aquela notícia, este relatório “é a quarta avaliação da transposição dos princípios do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que Portugal assinou em 1978, para a legislação portuguesa, e resulta de um conjunto de reuniões entre a delegação portuguesa e o comité das Nações Unidas responsável por avaliar o cumprimento dos princípios do tratado pelo Estado português”.

Aquele  Conselho chama ainda  a atenção do Estado português “para a sua carta [enviada a todos os Estados membros] de 16 de maio de 2012, em particular para as recomendações sobre os requisitos para a aplicação de medidas de austeridade", nomeadamente a parte onde se lê que estas medidas "só podem ser aplicadas se forem temporárias, necessárias e proporcionais, e não discriminatórias ou que afectem de forma desproporcional os directos das pessoas e grupos mais desfavorecidos e marginalizados".

Por isso a ONU “recomenda uma "revisão" das políticas adoptadas durante e depois do programa de ajustamento, "com vista a garantir que as medidas de austeridade são progressivamente abandonadas e que a protecção efectiva dos direitos no âmbito do Tratado seja melhorada em linha com o progresso atingido na recuperação económica pós-crise".
Lembra ainda "a obrigação do Estado, ao abrigo do tratado, de respeitar, proteger e fazer cumprir progressivamente os direitos económicos, sociais e culturais, até ao máximo dos recursos disponíveis".


O mesmo Comité “recomenda que o Estado aumente os esforços para reduzir o desemprego, em particular o desemprego entre os jovens, para atingir progressivamente a completa realização do direito ao emprego", que é um dos direitos contemplados no Pacto que Portugal assinou em 1978, e no âmbito do qual são feitas avaliações de cinco em cinco anos sobre a transposição destes princípios para a legislação em vigor em cada um dos países que assinaram o tratado”.

ONU recomenda abandono progressivo das medidas de austeridade em Portugal (clicar para ler artigo inteiro)

A estas recomendações podemos juntar  a corajosa intervenção recente do Papa Francisco no Parlamento Europeu que, coerentemente com as suas posições críticas contra a desumanidade do sistema financeiro, criticou a crescente desumanização imposta pelos líderes europeus com a primazia que dão ao económico sobre o humano, reduzindo o ser humano “a mera engrenagem num mecanismo que o torna um bem de consumo descartável” denunciando “o tecnicismo burocrático” das instituições europeias”.

Ao que parece por cá essas duas posições, uma da ONU, outra do Papa Fancisco, criticando os fundamentos ideológicos da troika e da maior parte do discurso político e dos comentadores de serviço, não faz grande mossa.

Um crescendo de relatórios internacionais tem vindo também a denunciar o impacto das medidas de empobrecimento levadas a cabo em Portugal e nos países do sul da Europa, bem como a perda de direitos dos trabalhadores e dos cidadãos europeus em geral, sem que tal provoque qualquer reacção ou, quanto muito, reacções de enfado de políticos, comentadores e economistas.

Revelando que não respeitam, quer as opiniões da ONU , quer as opiniões do Papa sobre este assunto, tivemos ainda recentemente a burocracia europeia e insistir na austeridade para Portugal e uma Ministra das Finanças subserviente a garantir a manutenção dessas medidas.
Por sua vez o enfadado Presidente da República continua surdo e mudo em relação a essas denuncias contra a austeridade, que ele tem apoiado, preocupado com o impacto que qualquer atitude que questione a austeridade imposta a Portugal possa ter nos “mercados”.

O próprio ministro da economia procura transmitir a idéia contrária àquelas criticas, fazendo crer a melhoria da nossa  imagem lá fora, junto dos mesmos “mercados”.


Ou seja, Presidente da República,  governantes e comentadores em geral estão mais preocupados com a imagem internacional do país perante os tais “mercados” (leia-se, especuladores financeiros, banqueiros que se especializaram no branqueamento de capitais com origem na fuga de impostos e negócios menos lícitos – droga, armamento, prostituição-, detentores de fortunas obtidas com desrespeito pelos mais elementares direitos humanos e democráticos oriundas dos chamado “países emergentes” – Rússia, China, Angola, México, ìndia…- e subservientes instituições da burocracia europeia dominada por políticos de carreira), do que aquilo que respeitáveis instituições internacionais possam pensar e dizer sobre o assunto e a imagem que estas transmitem de Portugal.

terça-feira, 29 de maio de 2012

SOLIDÁRIOS COM OS SÍRIOS: CARTOON´S MANCHADOS DE SANGUE

O que se passa na Síria resume toda a hipocrisia em que assenta a actual política internacional.
Desde que Bush anulou a importância da ONU, isolando-a e substituindo-a  pelo mero poder das suas armas, nunca mais voltou a paz  ao mundo, situação que, por enquanto vai poupando a Europa.

A situação no Médio Oriente tem sido especialmente dramática, onde dominam regimes ditatoriais e sanguinários.

A manutenção desses regimes, muitos há décadas, só se tornou possível com a conivências do ocidente e dos interesse estratégicos naquela região.

A maior parte deles é mantido pelas armas que, legal ou ilegalmente, lhes são vendidas pelo ocidente e com o apoio financeiro e técnico do ocidente (ao qual podemos acrescentar o apoio das chamadas “potências emergentes”, como a China e a Rússia…).

A forma criminosa como o ocidente se portou na Líbia, parecendo mais preocupada em eliminar fisicamente Kadhafi, que sobrevivia nas últimas décadas graças ao apoio desse mesmo ocidente, mas que, na hipótese de ser derrubado na rua, podia revelar todos os segredos dessa obscura relação e do tráfico de influências do regime com os políticos de países como a Itália, a França, a Grã-Bretanha e até Portugal , acabou por fragilizar e desacreditar a maior parte dos movimentos da chamada “Primavera Árabe”, cada vez mais dominada por grupos de fanáticos islamitas, muitos deles próximos da Al-Qaeda, e usando os mesmos métodos criminosos do regime deposto.

Essa hesitação da comunidade internacional e das organizações de defesa dos direitos humanos, que passaram a temer situações como as da Líbia, foi aproveitada pelo regime criminoso da Síria para intensificar a sua repressão sobre a oposição, da forma criminosa que se sabe.

Numa guerra civil, a pior de todas as guerras, não existem bons nem maus, mas, de qualquer modo, quem tem o poder reconhecido internacionalmente tem a dupla responsabilidade de respeitar e fazer respeitar os direitos humanos e por cobro à violência.

O regime ditatorial de Assad não sabe, nem quer acabar com a violência, e a comunidade internacional está desacreditada.

Havia duas maneiras de asfixiar o regime: uma era cortar o fornecimento de armamento ao país, fazendo cair pesadas penas sobre os negociantes de arma da região, denunciando-os publicamente e revelando os nomes de pessoas e empresas envolvidas; a outra era congelar todas as contas dos dirigentes militares e políticos da Síria, denunciando também os políticos e os sectores financeiros que estão por detrás do apoio económico ao regime.

Infelizmente o Ocidente, tal como aconteceu com a Líbia, está fortemente comprometido com um regime que lhe foi útil na Guerra do Iraque, no combate aos movimentos palestinianos e na perseguição aos movimentos islamitas.

Enquanto esperamos que organizações internacionais como a ONU, a Liga Árabe, a União Eurpeia e a Nato percam a vergonha e se deixem de atitudes simbólicas de condenação, e passem a uma acção concertada contra o regime corrupto de Assad, resta o poder dos cartoons, como denuncia eficaz da situação, muito mais certeira para denunciar os criminosos da Síria do que todo o arsenal financeiro e militar do ocidente que, comprometido com os regimes corruptos e criminosos da região, se mostra, até agora,  incapaz de reagir:






Cartoons: THE INDEPENDENT