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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Um protesto em nome dos pássaros ou, as árvores morrem de pé!

(fotografia de Carlos Miguel)

Mais uma razia de árvores em Torres Vedras. Não me parece que estivessem todas em perigo. Parece-me o "ir na onda". Quando chegar o verão, com as previsíveis ondas de calor, e quando não se puder andar em certas ruas de Torres por causa do calor, falamos. E onde andam os "protestantes" que tanto barulho fizeram pelo abate (eu incluído), há uns anos, de umas árvores raquíticas. Será que as árvores também têm cor politica? É só um desabafo!

Há árvores e árvores. Algumas tinham de ser arrancadas, mas penso que se entrou numa euforia de cortes. A segurança das mesmas não se prende com as alturas, depende da espécie e da localização e, depois dos últimos temporais, e do ciclone de anos atrás, já deu para ver as que aguentam e parece-me que foram algumas destas a ser arrancadas, com o pretexto da segurança. Não sei se tenho razão, mas parece-me que faltou informação à população sobre os critérios e que prevaleceu a mentalidade do ´século XIX de encarar a natureza como inimiga do homem.

(Uma resposta esclarecedora do meu amigo José Manuel Pinto Gouveia:

“Em Portugal, os critérios sustentáveis para o abate de árvores em cidades regem-se principalmente pela Lei n.º 59/2021, que prioriza a proteção do arvoredo urbano e impõe análises técnicas rigorosas.[1]

## Critérios Principais para Abate

O abate só é permitido em casos de perigo comprovado por análise biomecânica ou fitossanitária, elaborada por técnico qualificado (arborista), como risco de danos a pessoas, bens ou estruturas. Pode ocorrer também se a árvore ameaçar segurança, obstruir mobilidade urbana sem alternativas ou tiver baixa vitalidade com vantagens na substituição por espécies mais adequadas.[2][1]

## Requisitos Obrigatórios

Exige autorização municipal prévia (exceto urgências), fundamentação documentada com fotos e acompanhamento técnico. Após abate, deve haver reposição de arvoredo que duplique o sequestro de CO₂, preferencialmente com árvores nativas no concelho (raio ≤10 km).[1]

## Medidas Sustentáveis

A gestão segue princípios como precaução, ciência e não regressividade do coberto arbóreo, com inventários municipais e regulamentos locais. Proíbe abates sem autorização, promovendo transplantes ou podas como alternativas. Em Lisboa ou Torres Vedras, contacte a câmara municipal para regulamentos específicos.[3][4][1]

Fontes

[1] Lei n.º 59/2021 | DR https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/59-2021-169780050

[2] ::: Lei n.º 59/2021, de 18 de Agosto https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=3445&tabela=leis&so_miolo=

[3] Saiba como proceder em caso de necessidade de abate ... https://cm-sintra.pt/atualidade/ambiente/info-saiba-como-proceder-em-caso-de-necessidade-de-abate-de-arvores

[4] 27174 https://www.lisboa.pt/fileadmin/info_administrativa/normativas/regulamentos/ambiente/Regulamento_Municipal_do_Arvoredo_de_Lisboa.pdf

[5] Artigo 23.º - Abate - Lei nº 59/2021 de 18-08-2021 - BDJUR http://bdjur.almedina.net/item.php?field=node_id&value=2472546

[6] ::: Lei n.º 59/2021, de 18 de Agosto https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=3445A0019&nid=3445&tabela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=

[7] ::: Lei n.º 59/2021, de 18 de Agosto https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=3445A0017&nid=3445&tabela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=

[8] Guia de Boas Práticas para a Gestão do Arvoredo Urbano https://www.icnf.pt/florestas/protecaodearvoredo/arvoredourbano

[9] Em que situações é permitido e proibido o corte de árvores? https://www.tomaconta.com/blog/corte-de-arvores

[10] Gestão do arvoredo urbano https://revistajardins.pt/jardinagem/tarefas-de-jardinagem/gestao-do-arvoredo-urbano/

Lei n.º 59/2021

DIARIODAREPUBLICA.PT”

(José Gouveia obrigado amigo pela tudo preciosa informação. Agora todos têm o caminho facilitado: a oposição pode pegar nessa informação e procurar saber se houve erros na aplicação da lei; o poder municipal só terá de provar que essa lei foi aplicada; a comunicação social tem a papinha feita para investigar e informar; nós cidadãos temos meios para estar atentos e exigir provas a quem de direito de que não houve abusos ou ilegalidades. Pela minha parte vou fazer chegar a tua preciosa informação ao único candidato eleito na Assembleia Municipal que eu elegi para ele agir em conformidade. Abraço.)

quinta-feira, 5 de junho de 2025

EDUARDO GAGEIRO em TORRES VEDRAS

 

AQUI recordamos Eduardo Gageiro e a sua ultima aparição pública, que teve lugar em Torres Vedras, no passado dia 26 de Abril, para inaugurar a exposição de parte do seu espólio, depositado nesta cidade, "PELA LENTE DA LIBERDADE", e que pode ser vistada na Galeria Municipal, nos Paços do Concelho, até 13 de Setembro.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Torrienses na Coluna de Salgueira Maia.

 


Por ocasião do 25º aniversário do 25 de Abril de 1974, o jornal Público editou uma revista sobre a acção decisiva da coluna militar da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandada por Salgueiro Maia, no derrube do regime salazarista.

Nessa revista, para cuja elaboração aquele diário reuniu a maior parte dos 240 militares da dessa coluna militar, encontramos 6 torrienses, de nascimento ou adopção, que nela participaram, aos quais podemos juntar um sétimo nome, resgatado do esquecimento em recente reportagem do jornal Público..

Como escreveu José Manuel Fernandes no editorial dessa publicação, eram “240. Todos quantos foram necessários para fazer cair um regime velho de duas gerações, tão velho que quase nem resistiu.

“Eram os 240 de Salgueiro Maia. Apenas um punhado de soldados que há 25 anos saíram, madrugada alta, de Santarém para descerem à capital, ocuparem o Terreiro do Paço, subirem ao Carmo e aceitarem a rendição de Marcelo Caetano”.

À data da publicação da revista, Salgueiro Maia já tinha falecido, tal, como na altura, em 25 de Abril de 1999, também tinha acontecido com outros 11 elementos dessa coluna saída de Santarém. Outros 28 não foram encontrados e 15 faltaram ao encontro com o jornal, realizado no dia 27 de Março.

Entre os que compareceram, viviam e trabalhavam então em Torres Vedras seis membros da coluna de Salgueiro Maia.

Contudo, é provável que entre os que não foram encontrados ou já tinham falecido nessa data, existissem outros militares ligados a Torres Vedras.

Também pode acontecer que, entre todos os militares identificados nessa publicação, alguns fossem naturais ou estivessem ligados a Torres Vedras, pois essa publicação indica apenas o local de trabalho e residência dos membros daquela coluna militar à data da publicação da revista, 25 anos depois daqueles acontecimentos.

Aqui recordamos os seis nomes registados nessa publicação:

- Carlos Alberto da Costa Ferreira, que era instruendo do Curso de Sargentos Milicianos (CSM), então com 20 anos, fazendo a especialidade de atirador de cavalaria, vendedor de profissão, 25 anos depois, à data daquela publicação, e que tinha como habilitação o 2º ano da secção preparatória do Instituto Industrial, e viva em Torres Vedras: “foi das melhores coisas que me aconteceram na vida. Para além da liberdade que passou a haver, foi o fim da guerra colonial”;

- Hélder Aniceto Correia, tinha 24 anos na altura e comandava uma secção do 8º pelotão de atiradores. Com o bacharelato, 25 anos depois era professor do ensino secundário: “O que se viveu na EPC antes, durante e depois foi maravilhoso. Nunca esquecerei e não me inibo de divulgar aos jovens o que era essa época , para que possam comparar”;

- João Maria Figueiras Constantino, com 20 anos, era instruendo da CSM, fazendo a especialidade de atirador de cavalaria, desenhador projectista à datada reportagem, com o curso industrial como habilitação, vivendo em T. Vedras. Para ele o 25 de Abril “derrubou o regime e deu-nos a liberdade ansiada há muitos anos”;

- José Morais Travassos, com 25 anos era instruendo do CSM, a fazer a especialidade  de atirador de cavalaria. À data da reportagem tinha o 5º ano do curso industrial e era encarregado em serralharia mecânica: “Estava condenado a ir para as províncias  ultramarinas  e com o 25 de Abril ficámos livres dessa guerra. Houve liberdade para os civis”;

- Luís Ferreira, era soldado atirador, de 23 anos, com a 4ª classe como habilitação. 25 anos depois era sucateiro em S. Pedro da Cadeira: “Pusemos fim a um regime de repressão e por isso valeu a pena”;

- Vasco Ferreira Andrade Lopes, era instruendo do CSM e, com 21 anos, à data do 25 de Abril fazia a especialidade de atirador de Cavalaria. Vinte e cinco anos depois era professor de musica em A-Dos-Cunhados, tendo por habilitações o Curso de Formação de Montador-Electricista. Sobre o 25 de Abril afirmou ao jornal: “Foi uma boa jogada, porque na altura não estava preparado para fazer o que fizemos e acabou por correr tudo bem”.

A estes nomes devemos acrescentar outro nome recentemente recuperado do esquecimento (não constava daquela investigação) o de Francisco João Ferreira natural , a trabalhar e a viver da agricultura em A-Dos-Cunhado, e que foi o condutor do jipe onde seguia Sagueiro Maia, cuja história foi contada no jornal Público no suplemento dominical P2, do dia 21 de Abril de 2004, numa reportagem assinada por João Pedro Pincha, intitulada “O Militar que Parou no Vermelho a Caminho da Revolução”.

Recorde-se ainda que, desse grupo, faziam parte outros militares que, à data da reportagem, vivam em concelhos vizinhos de Torres Vedras:

- José Manuel de Carvalho Clímaco Pereira, professor do ensino secundário no Bombarral, à data da reportagem;

- Orlando Miguel Ribeiro Lourenço, empresário agrícola no Cadaval, à data da reportagem.

Lembramos, contudo, que essa publicação regista apenas a coluna de Salgueiro Maia. Outros torrienses terão participado no 25 de Abril, incluídos noutras forças militares, trabalho de levantamento que está por fazer.

Para além da coluna de Salgueiro Maia (ou Escola Prática de Cavalaria de Santarém), fizeram o 25 de Abril os militares da Escola Prática de Transmissões de Lisboa, da  Escola Prática de Cavalaria de Vendas Novas, da Unidade do Regimento de Artilharia Ligeira 1 (RAL 1), do Regimento de Engenharia nº1 (RE1), de Lanceiros 2,  da Escola Prática de Administração Militar (EPAM), da Escola Prática de Infantaria de Mafra (EPI), do Batalhão de Caçadores (BC9), do Regimento de Infantaria 14 de Viseu, do Regimento de Infantaria 10 de Aveiro, do RAP 3 da Figueira da Foz, de 2 companhias operacionais do Batalhão de Caçadores 5 de Lisboa, da Escola Prática de Artilharia, de uma Companhia de Comandos do CIOE de Lamego, de uma força do CICA 1 do Porto, , do Regimento de Cavalaria 3 de Estremoz, do Regimento de Artilharia Ligeira 3 de Évora e da Companhia de Caçadores  4242 e 4246 de Santa Margarida.

Esta lista, que pode estar incompleta ou com algumas imprecisões, serve de mote para que um dia se faça um levantamento dos militares torrienses que, não tendo feito parte da coluna de Salgueiro Maia, participaram nas operações do 25 de Abril como membros daquelas forças, sem esquecer que muitos outro terão participado noutras forças que, não estando na origem desse movimento militar, a ele terão aderido ainda ao longo desse dia, participando noutras acções.

Para além de Victor Alves, “capitão” de Abril, a quem já nos referimos em crónica anterior, e desse 6 torrienses da coluna de Salgueiro Maia, seria importante que se aproveitasse o cinquentenário da data para homenagear todos os torrienses que fizeram estiveram na rua a “fazer” o 25 de Abril, sem esquecer os muitos que, noutras lutas, pagando com a prisão ou a marginalização social e económica, muito contribuíram para que se chegasse a esse dia “inicial inteiro e limpo” (Sphia Mello Breyner).

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Homenagem ao António Carneiro

(fotografia "roubada" à amiga Trindade Santos)

Faleceu António Carneiro

Por infeliz coincidência, publicámos ontem, no nosso blog Vedrografias, a reprodução de um texto que tinhamos publicado no jornal "Badaladas", sobre o livro de António Carneiro com memórias da sua vivência, relacionada com o Carnaval de Torres, intitulado "Aconteceu Assim".

Infeliz coincidência porque, poucas horas depois, recebemos a triste notícia do falecimento de António Carneiro.

O António Carneiro era um homem cheio de idéias e afectos, que preservava o convívio e a amizade com os outros, acima de todas as divergências.

E foram muitas as divergências que tivemos, mas sempre dentro da sã camaradagem e convívio.

Devo a António Carneiro, para além de tudo aquilo que qualquer torriense lhe deve, na àrea da cultura e do Turismo, o facto de me ter convidado várias vezes para publicar estudos meus, com principal destaque para o livro sobre o Carnaval de Torres, em conjunto com o Antero Valério, um êxito editorial.

Homem viajado e culto, o António Carneiro tinha histórias prodigiosas, parte delas relatadas no seu recente livro"Aconteceu Assim".

Junto dele, a boa disposição imperava, mesmo no meio de acaloradas discussãos políticas na Assembleia Municipal.

Diz-se que em África quando um velho morre é uma biblioteca que se perde.

O António Carneiro não era velho, principalmente no espírito e na abertura de cabeça, mas o seu falecimento deixa um vazio enorme na vida e memória torriense.

Um dia lá nos "reencontraremos", seja onde for, e lá iremos por a conversa em dia, acompanhada pelas saborosas histórias que ele tão bem sabia registar e contar.

Até Sempre Amigo!

domingo, 5 de março de 2023

terça-feira, 11 de outubro de 2022

“Apontamentos” para a História da Banda Desenhada em Torres Vedras

                                               

                             (proposta de capa, inédita, para o fanzine torriense Impulso)

A história da Banda Desenhada em Torres Vedras ainda está por fazer, pelo que registamos aqui apenas um breve apontamento que possa servir de base para que, futuramente, a  história da 9ª arte nesta cidade possa ser feita.

Convém, em primeiro lugar, que não se confunda a Banda Desenhada com o cartoon e a caricatura, nem mesmo com o cinema de animação, embora seja um “primo” próximo destas artes.

Em Torres Vedras existe uma boa tradição de caricaturistas e cartoonistas, pelo menos desde a edição do semanário humorístico “A Laracha”, editado pela primeira vez em 20 de Janeiro de 1929, do qual se editaram 10 números, onde aparecia uma caricatura por edição, a maior parte da autoria de Amílcar (Guerreiro), outras, em menor número, de Cruz Martins e de um tal Jacques.

Também o Carnaval de Torres foi um dos palcos onde se manifestou a veia artística, com recurso a caricaturas e cartoon´s, de muitos artistas torrienses, ao longo dos tempos, principalmente nos muitos folhetos de promoção dessa festa, tradição essa que conheceu o seu auge com a publicação da revista “O Barrete”, a partir de 1996.

Foi em 1996 se surgiu a primeira edição dessa revista independente do Carnaval de Torres Vedras, como alternativa à revista oficial e na sequência de um acto de censura sobre um carro de Carnaval num dos anos anteriores, da autoria da Associação de Defesa do Património e do Espeleo Clube de Torres Vedras e financiada pela RadioOeste.

Coube a estas duas associações o lançamento dessa revista, com uma tiragem de mil exemplares, impressa na Sogratol, uma revista de humor  com textos, banda desenhada e cartoon´s da autoria de vários autores locais que foram passando, com maior ou menor regularidade, pelas páginas dessa revista.

Foram fundadores Antero Valério, Daniel Abreu, José Afonso Torres, Jorge Delmar, José Eduardo Santos, Jorge Humberto Nogueira, José Pedro Sobreiro, Luís Fortes e Valdemar Neves, aos quais se deve juntar o trabalho do Carlos Ferreira, não referido nessa primeira edição, mas que foi um dos principais responsáveis pelo trabalho de sapa que está por detrás da construção de um projecto com este.

Aos fundadores foram-se juntando outros autores, ao mesmo tempo que alguns dos fundadores íam ficando pelo caminho.

Na última edição, a 19ª,  no ano de 2015 mantinham-se o Antero Valério, o Carlos Ferreira, o Jorge Delmar, o José Eduardo Santos e o José Pedro Sobreiro.

Joaquim Moedas Duarte (desde 2004), Joaquim Ribeiro (desde 2013), Luís Fili Rodrigues (desde 2005), Manuela Catarino (desde 2009) e Sérgio Tovar ( desde 2004) completam a equipa desta última edição.

A revista não foi publicada em 2001 e, em 2010, passou a ser patrocinada pela Promotorres. Desde 2011, a até 2015, foi editada apenas pela Associação do Património.

Para além dos nomes citados foram muitos os autores que passaram pelas suas páginas, com destaque para João Sarzedas (2006-2013),  Jaime Umbelino (1997-1999) ou José Almendro (1998-2007).

Colaboraram ainda, irregularmente, por vezes apenas numa ou duas edições,  a Ana Palma, o Carlos Bartolomeu, o Jordão Pereira, o Jorge Ralha, o João Camilo, o Vitor Alexandre, o Carlos Carneiro, o José Sanina, o Marcos Ferreira, o Venerando António, o Nuno  Raimundo, o Fernando Miguel, o Rui Matoso e o Tiago Ferreira.

(ver reprodução de todas as capas do Barrete AQUI)

Recentemente, um caricaturista torriense dessa revista, o professor José Sanina, viu uma caricatura sua selecionada para o World Press Cartoon de 2022.

Cartoon de José Sanina no World Press Cartoon 2022, Caldas da Rainha
Mas aqui estamos no domínio da caricatura e do cartoon, quando é da BD que pretendemos falar.

O que diferencia a BD do simples cartoon é a dinâmica da sua narrativa, numa sequência de imagens (fixas e bidimensionais, o que, por sua vez, a distingue do desenho animado), onde a fala dos personagens é representado dentro de um “balão” ou filoctera.

Embora chegassem regularmente a Torres Vedras alguns dos grandes títulos históricos da divulgação de BD, como o “Mosquito” (1936-1953), o “Diabrete” (1941-1951), ou o “Cavaleiro Andante” (1952-1962), entre muitas outras revistas de quiosque,  juntamente com as excelentes páginas dominicais do Primeiro de Janeiro (1948-1995), e quase todos os jornais publicassem diariamente “tirinhas” de BD, sem esquecer os suplementos como a  “Nau Catrineta” no Diário de Notícias (1964-1974) ou o “Pim-Pam-Pum” no Século (1925-1977), não encontramos qualquer BD publicada localmente ou por autores locais, antes dos anos 70.

Podemos referir uma única excepção, a publicação de umas “tirinhas”, com  as características gráficas da BD e o uso de balões, mas de tipo publicitário, da Casa Hipólito, no jornal do “Torreense” e no “Badaladas”, na década de 1950.

Tirinha publicitária à Casa Hipólito, de entre várias, publicada na década de 1950 na imprensa local (Jornal do Torreense e Badaladas)

Foi o aparecimento em Portugal da revista Tintin, em 1 de Junho de 1968, que contribui para o crescente entusiasmo do alguns jovens torrienses pela Banda Desenhada, tentando imitar o que liam produzindo “revistas” caseiras de exemplar único, dadas a ler à família.

Na edição portuguesa do “TinTin” destacou-se Vasco Granja como divulgador de uma nova forma de editar autores desconhecidos, ou que procuravam dar a conhecer as suas “obras”, entre o naif e o criativo, a edição de “fanzines”, situação facilitadas por novos processos tipográficos, mais simples e baratos, como o stencil, primeiro a álcool, com uma maquete em cera, depois electrónico.

o primeiro fanzine português

Essa técnica foi muito divulgada nas escolas, para reproduzir testes, e acabou por ser aproveitado para elaborar jornais escolares, onde se tornava possível a divulgação de Bandas Desenhadas amadoras.

Foi o que aconteceu em Janeiro/Fevereiro de  1971, no Liceu de Torres Vedras, com a publicação do jornal “O Padrão”, editado pelo “núcleo de jornalismo do Liceu Nacional D. Pedro V – secção de Torres Vedras”, ligado à Mocidade Portuguesa, o qual, nas duas primeiras edições, incluiu um suplemento, “O Padrão Ilustrado”, onde saíram 4 pranchas das “Aventuras de João Alfredo”, intitulando-se essa primeira, única e incompleta aventura “O Assalto ao Banco Nacional”, da autoria de Vaam.


Entretanto, nesse mesmo Liceu, cruzaram-se  vários entusiastas da revista TinTin e da BD, que seguiam com atenção o crescente movimento de fanzines.

Em 1972 surgiu o primeiro fanzine português de BD, o Argon e, em 6 de Janeiro de 1973, nascia o fanzine “Impulso”, editado pelo Liceu de Torres Vedras, usando a técnica do stencil electrónico, recorrendo aos recursos técnicos da escola para a reprodução de testes.

Expansão dos fanzines em Portugal deveu-se também a um certo abrandamento da censura, fruto da chamada “primavera marcelista”.

Quando da edição do Impulso apenas se editavam mais 4 fanzines em Portugal, para além do pioneiro “Argon”, editavam-se o “Quadrinhos”, o “Copra” e o “Saga”.


Neles publicavam-se críticas e noticias sobre o mundo da BD, bem como trabalhos originais de autores portugueses.

Em Janeiro de 1973 editavam-se em Portugal quatro revistas de BD com edição regular : para além do já citado Tintin, existiam o “Jornal do Cuto”, o “Jacto” e o “Mundo de Aventuras”.

Por sua vez, na imprensa editavam-se suplementos semanais colecionáveis de BD, como os citado “Quadradinhos”, “Pim-Pam-Pum” e “Nau Catrineta”.

O grupo que esteve na origem da edição do Impulso tinha em comum, para além da amizade pessoal, escolar e de vizinhança, de longa data entre alguns dos seus membros, o gosto pela leitura de Banda Desenhada e o desejo de editar aquilo que, de forma por vezes muito naif, cada um de nós ía fazendo.

A edição do “Impulso” contou com o apoio do então reitor do liceu, o Dr. Semedo Touco, homem liberal e compreensivo, e que nos garantiu, não só o suporte técnico, mas também o suporte financeiro para a edição desse fanzine, sem nunca ter intervindo nos conteúdos deste.

O fanzine tinha uma tiragem média de 150 exemplares e um custo de cerca de mil escudos (cinco euros) por edição, dois terços dos quais eram suportados pela escola e o restante pelas vendas. Inicialmente o “Impulso” vendia-se ao preço unitário de dois escudos e meio (pouco mais de …um cêntimo), mas o seu preço foi subindo ao longo do ano, 3$50 a partir do nº3, 5$00 a partir da 4ª edição.

Fizeram parte da equipa do “Impulso” o Vaam, o seu irmão Mário Luis, o Carlos Ferreira, o João Nogueira (Janeca), o Mário Rui Hipólito, o Manuel Vilhena, o Calisto,  o José Eduardo Miranda Santos (Zico), este exterior à escola mas amigo dos restantes, e que possui uma das mais variadas e extensa colecções de álbuns  e revistas de BD que todos liam avidamente.

Ao grupo de vizinhos e amigos de longa data, juntaram-se dois prometedores autores de BD, o Joaquim Esteves e o Antero Valério, sem dúvida os que, de todos nós, possuíam melhores qualidade artísticas. Mais tarde juntaram-se à equipa o Jorge Barata e o António Trindade.

O Carlos Caetano também andou com o grupo, mas acabou por não integrar a colaboração.

 Entretanto começaram a colaborar, nuns casos com textos sobre BD, noutros com desenhos, outros amigos de outra regiões do país, como o José de Matos-Cruz,  o Carlos Pessoa, o Jorge Magalhães, o Al Bonjour,  o Carlos Nina, o A. Vilarinho e a Maria Clara.

Alguns membros do Impulso, num encontro na década de 90 do século XX. Da esquerda para a direita, Joaquim Esteves, João Nogueira, Antero Valério, Vaam, e Mário Rui Hipólito

Encontro de "fanzinistas" torrienses, do Impulso, do Aleph e do BêDêzine, em 2014 [Da esquerda para a direita, de baixo para cima: no primeiro degrau, de casaco vermelho, o Mário Rui Hipólito, ao lado o Vaam, no segundo degrau, de óculos, o José Manuel Bastos, o José Eduardo Sapateiro (Zico) e, de camisa branca, o Calisto Ferreira. Atrás, de barbas brancas, o Joaquim Esteves e o Fernando Sarzedas e, sentado ao lado deste, o Mário Luís Matos. Depois, de pé, de camisola às riscas vermelhas, o Emílio Gomes, o Antero Valério e o Carlos Ferreira. Ao lado destes, sentado, o Manuel Vilhena e, de camisola verde, encostado à parede, o João Nogueira (Janeca)] (ver mais AQUI)

Do Impulso foram editados 5 números ao longo de 1973, feitos com a “revolucionária” tecnologia de então , o “stencil electrónico”, existente no liceu para a feitura dos testes escolares, contando então com a preciosa colaboração do Emílio Gomes que dominava essa tecnologia e ensinou a todos o seu uso.

Como todos se envolveram na vida associativa e política em 1974 e 1975, só voltaram, e pela última vez, a editar o “Impulso” em 1976, agora financiado pelo Cine-clube de Torres Vedras.

Refira-se ainda que, em finais de Outubro de 1976, a equipa do Impulso organizou a primeira exposição de BD realizada em Torres Vedras e uma das primeiras no país, integrada no 8º Encontro Nacional de Cine-Clubes.

Em Janeiro de 1973, o mais velho do grupo tinha 16 anos, quase 17,  e os mais novos tinham cerca de 11 anos.

(Ver mais sobre o Impulso AQUI).

Nas suas páginas surgiu também a primeira entrevista conhecida com Vasco Granja, dirigida pelo “Zico”, e que gerou alguma polémica com o fanzine “Aleph”.


Caricatura do grupo do Impulso publicada no Aleph, da autoria de João Sarzedas.


Da equipa do Impulso, apenas o Antero Valério acabou por se notabilizar como autor de BD, muito activo com a edição de um blog  Anterozóide, e, actualmente com  uma página do facebook, Facetoons, dedicados à divulgação dos seus cartoons.

Em Novembro de 2008 o Antero Valério editou o livro de cartoon´s e banda desenhada “Como se tornar um docentezeco”, reunindo a sua abordagem critica à acção da ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, cartoon´s que mereceram reprodução em cartazes de manifestações de professores realizadas nessa época.


Em Fevereiro de 2022 o mesmo Antero Valério editou "Diário de uma Matrafona".

Em 1985, desta vez patrocinada pela Cooperativa de Comunicação e Cultura, alguns elementos da mesma equipa organizaram uma nova e mais elaborada Exposição de Banda Desenhada, com  a pomposa designação de  1º Salão de Banda Desenhada de Torres Vedras, realizado  entre 14 e 22 de Dezembro desse ano.

Nessa ocasião foi editado um número único de um novo fanzine torriense de BD, o “Bêdêzine”, editado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura.

Esse número foi organizado pelo Vaam, pelo Esteves, pelo Antero e pelos irmãos Sarzedas, João e Fernando, estes dois ligados também ao movimento dos fanzines, no “Aleph”, e contou com a publicação de trabalhos originais da autoria de "Ruca" (Rui Cardoso), autor da Azambuja, ligado ao fanzine "Rumo", Humberto Leonardo, autor natural da Encarnação de Mafra, do torriense José de Sousa Bastos e do Antero.
Alguns dos responsáveis pelo "BêDêzine" e pelo "Salão de BD de T. Vedras de 1985. Da esquerda para a direita, Vaam, Jorge Delmar (Quinha), Joaquim Esteves e João Sarzedas.
Imagem de uma das salas do Salão de BD, nas primeiras intalações da CCC, Galeria Nova, no Convento da Graça.

José Basto publicava, nesse ano de 1985, uma BD humorística no suplemento “Espaço Novo” do jornal “Badaladas”.

A capa desse número Zero do “BêDêzine” foi da autoria do consagrado autor nacional Arlindo Fagundes e contou ainda com a colaboração de um histórico da BD nacional, o José Ruy, este com um texto sobre a condição de autor de BD em Portugal e um desenho original .

Uma pequena menção a João Sarzedas, nascido em Lisboa em 9 de Fevereiro de 1943, mas que se estabeleceu profissionalmente em Torres Vedras em 1979, falecendo em 27 de Julho de 2013.

Com o seu irmão Fernando, colaborou activamente como cartoonista e autor de BD nos dois primeiros números do fanzine Aleph, editados ainda antes do 25 de Abril, respectivamente em Julho de 1973 e Março de 1974.

Era um apaixonado pela Banda Desenhada e pelo cartoon, artes que desenvolveu ao longo da sua vida, dedicando-se profissionalmente às artes gráficas.

Ainda antes do 25 de Abril, e no período imediatamente a seguir, colaborou em várias outras publicações, como o Jornal do Exército, ou no famoso suplemento humorístico do Diário de Lisboa, "A Mosca", e numa revista feminina liderada por jornalistas como Helena Neves e Fernando Dacosta.

Em Abril de 1974 editou o seu primeiro livro de banda desenhada, “Luz Verde Para Tuntas”.

Motivos profissionais levaram-no a estabelecer-se em Torres Vedras em 1979, onde criou um atelier de serigrafia e de venda de artesanato gráfico da sua autoria, "Boom Serigrafia".

Em Torres Vedras continuou a dedicar-se à sua actividade preferida, o cartoon e a Banda Desenhada, que repartiu como outra paixão sua, a actividade policiária e charadista, sendo membro da Associação Policiarista, tendo realizado várias ilustrações e mais de 50 capas do orgão oficial daquela associação, "Célula Cinzenta".

Foi colaborador nos jornais Badaladas e Frente Oeste, fez parte da organização da já mencionado Exposição de Banda Desenhada de Torres Vedras, realizada em finais de 1985, e co-responsável pela edição do fanzine “BêDêzine”.

Foi contudo na já mencionada revista “O Barrete” que evidenciou todas as suas qualidades enquanto cartoonista e autor de Banda Desenhada.

Vítima de doença prolongada, ainda teve tempo para deixar pronto o livro de cartoon´ intitulado "Sorria com Eólicos na Paisagem" é editado a título póstumo em 7 de Fevereiro de 2015, que tem como temática uma realidade muito marcante na zona oeste, a profusão de moinhos eólicos, numa região com uma longa tradição de moinhos e azenhas para moer o trigo.

edição a título póstumo do último projecto de João Sarzedas
A arte de João Sarzedas, a sua simplicidade e irreverência, sem cedências à sociedade de consumo e profundo respeito pela cultura local, marcaram profundamente todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer e com ele conviver.

Recorde-se ainda que, entre 20 de Junho de 1975 e o início de 1976, se publicou, durante cerca de 30 semanas, uma série de “tirinhas” de Banda Desenhada, nas páginas do jornal local de Torres Vedras "Oeste Democrático", intitulada “Rei Minimus” da autoria de Vaam.

Também o jornal “Área” publicou, regularmente, em 1979, uma BD da autoria de Jorge Delmar, com argumento de Mário Luís Matos.

Regularmente, a partir dessa década de 1970, encontram-se várias bandas desenhadas em jornais escolares editados pelas escolas locais.

Recorde-se ainda que, em 2008, a Banda Desenhada foi o tema escolhido para o Carnaval de Torres Vedras desse ano:





Recentemente editaram-se dois álbuns de BD de autores torrienses ou por cá radicados, como “As Aventuras do Matame – o super-herói do carnaval torreense”, com argumento de Fred Zombie, personagens de David Cara-Nova e desenhos de Filipe Branco, e “Homo-Inventor – Quando o Homem se Pôs a Inventar”, da autoria de um professor de português numa escola torriense, Lança Guerreiro, consagrado autor da nova geração de autores portugueses, uma edição da Escorpião Azul, editora da Lourinhã, de Outubro de 2019.



Existe assim uma tradição de autores e amadores  de BD em Torres Vedras, e seria interessante criar uma bebeteca nesta cidade, integrada num dos vários espaços já existentes,, aproveitando muitas colecções privadas existentes em Torres Vedras, uma delas, uma das melhores a nível nacional, na posse dos herdeiros do grande colecionados, já falecido, sr. Aurélio Lousada (ver AQUI, reportagem sobre esse espólio).

Seria igualmente interessante comemorar o cinquentenário do fanzine Impulso, em 2023, com a reactivação da organização regular de “Exposições”, “Encontros” ou salões de BD.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

“Apagar fogos”, com um saco de carne numa mão e um ramo de palmeira na outra


Quando tocava o sino a rebate da Igreja da Graça, era sinal de fogo.

Era ver os bombeiros locais, todos amadores, a deixar as fábricas e as lojas onde trabalhavam ou sairem de casa a correr, deslocando-se de carro a apitar, os poucos que o tinham, para chegarem o mais depressa possível à sede dos Bombeiros, situada ao lado dos CTT.

Para a miudagem, era um dia diferente, principalmente se já estivéssemos de férias (que duravam do 10 de Junho ao 5 de Outubro), até porque, a maior parte dos fogos, dava-se nesse período.

Corríamos para o Largo da Graça para ver os carros dos bombeiros a passar, acenando aos nossos heróis verdadeiros.

Todos desejávamos ser bombeiros e muitas vezes, se o fogo fosse perto, geralmente para os lados do “Vale Paxis” ou das “termas dos Cucos”, lá íamos a correr para ver, “em directo” a acção dos nossos bombeiros.

Certo dia, nos meus 12, 13 anos, a minha mãe mandou-me ir buscar uma encomenda de bifes à casa da minha avó. Eu morava na Praceta Afonso Vilela, os meus avós perto da Igreja de S. Pedro, ao lado da “Colmeia”.

Quando vinha para, casa lá ouvi a toque a rebate e alguém, passando por mim, gritava, “é nos Cucos”.

Levado pela curiosidade e, provavelmente, por algum amigo com quem me cruzei, desviei-me do meu caminho e, com o saco de carne na mão, fui para os Cucos, pelo caminho de ferro.

Lá chegado alguém me passou para a mão um ramo de palmeira para ajudar no combate ao fogo.

Ao lado dos bombeiros e dos populares, lá íamos combatendo as chamas e lembro-me, a certa altura, do comentário de um bombeiro cansado, “agora é que essas febras, assaadas neste lume, sabiam bem!”.

Só nessa altura me lembrei do que trazia na outra mão e, apressadamente, deixei o combate ao fogo, para voltar para casa, onde a minha mãe já estava preocupada, numa altura em que não havia telemóveis e ter telefone em casa era um luxo que não existia em casa da minha avó.

Ouvi um raspanete quando cheguei, com o saco de carne meio derretido pelo calor do fogo e a carne quase pronta para ser servida!

sexta-feira, 29 de abril de 2022

1º de Maio de 1974 - Alguns documentos do meu arquivo.


Junto apresentamos um comjunto de documentos, do nosso arquivo pessoal, relativos ao 1º de Maio de 1974 e à situação política nesse primeiro mês de Maio em liberdade.

O documento pode ser ampliado, clicando sobre o mesmo.

Começamos por um documento, datado de Março de 1974, ainda antes do 25 de Abril, um documento ainda clandestino, divulgado pelo PCP, no mesmpo tipo de papel transparente e fácil de destruir (ou engolir) em que era editado clandestinamente o Avante.

Os autores desse panfleto, convocando para grandes manifestações no 1º de Maio de 1974 contra o governo marcelista, estavam longe de imaginar que esse primeiro de Maio veio a ser o primeiro comemorado em liberdade:


O segundo documento que divulgamos foi publicado já na sequência do 25 de Abril, pela concelhia de Torres Vedras do PCP, convocando para a manifestação popular que teve lugar pelas ruas da então vila de Torres Vedras, nesse 1º de Maio, e que está fotograficamente documentado AQUI :

O terceiro documento é uma tarjeta anónima, ironizando com o fim do regime, onde também se refere esse 1º de Maio:


O quarto documento data do dia 4 de Maio e refere o inicio da formação de um núcleo local do Partido Socialista:

Os dois documentos seguintes, datados, respectivamnete de 8 e 9 de Maio de 1974,  referem posições do CDE, que então reuinia gente que iria aderir ao PS , ao PCP, e outros partidos entretanto surgidos à luz do dia, um movimeto unitário da oposição surgido para as últimas "eleições" do regime, realizadas em 1973: 

O documento em baixo refere uma reunião convocada para o dia 12 de Maio, em Torres Vedras, para aprovar uma comissão provisória para nomear uma administração concelhia provisória (as peripécias dessa reunião podem ser lidas AQUI).


Por último divulgamoa um da CDE de 25 de Maio desse ano sobre a Guerra Colonial: 


Outros documentos deste período, neste caso exclusivamente sobre Torres Vedras, podem ser consultados AQUI.