Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Manipulação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manipulação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Ainda a propósito do “branqueamento da História” no Congresso do MEL (1).


 Dei-me, finalmente, ao penoso trabalho de assistir às duas intervenções do Congresso do Movimento “Europa e Liberdade” que mais polémica geraram, a de Maria Fátima Bonifácio e a de Nuno Palma.

A primeira, e menos interessante, a de Maria de Fátima Bonifácio, que numa comunicação indigente, “relatou”, em tom monocórdico e cansado, como se falasse para uma plateia de ignorantes,  a “história” da consolidação do “Estado” português, desde D. Afonso Henriques, uma história cheia de lugares comuns e de interpretações forçadas, para nos conduzir ao elogio de “um tirano duro e frio”, mas “inteligente e patriota”, que, mesmo “prendendo, deportando e perseguindo”, impusesse “à estima do mundo um povo”, libertando-o de políticos torpes e estúpidos, citando as palavras de Basílio Teles no final da monarquia,  palavras com as quais nos conduziu, desta vez citando Fernando Pessoa, para justificar, com elas,  “porque motivo o país estava a pedir um Salazar”, o “salvador desse país  cativado pelo Estado, e por um parlamento “eloquente e palavroso” , na “sua simplicidade, dura e fria”.

“Esqueceu-se”, a eminente historiadora, que Fernando Pessoa rapidamente se desiludiu com mítico “salvador”, ainda no início da construção do Estado Novo. Ao que parece, para a sua mal preparado comunicação, não leu a obra “Fernando Pessoa – Sobre Fascismo, Ditadura Militar e Salazar”, de José Barreto, editado em 2015 pela Tinta-da-China, de onde transcrevemos este esclarecedor poema:

“Poema sobre Salazar

 

António de Oliveira Salazar

Três nomes em sequência regular...

António é António.

Oliveira é uma árvore.

Salazar é só apelido.

Até aí está bem.

O que não faz sentido

É o sentido que tudo isto tem

 

Este senhor Salazar

E feito de sal e azar.

Se um dia chove,

A água dissolve o sal,

E sob o céu

Fica só azar, é natural.

 

Oh, c’os diabos!

Parece que já choveu...

... ... ... ... ... ... ... ... ...

 

Coitadinho

Do tiraninho!

Não bebe vinho.

Nem sequer sozinho...

 

Bebe a verdade

E a liberdade.

E com tal agrado

Que já começam

A escassear no mercado.

Coitadinho

Do tiraninho!

O meu vizinho

Está na Guiné

E o meu padrinho

No Limoeiro

Aqui ao pé.

Mas ninguém sabe porquê.

Mas enfim é

Certo e certeiro

Que isto consola

E nos dá fé:

Que o coitadinho

Do tiraninho

Não bebe vinho,

Nem até

Café

 

Fernando Pessoa

ANTOLOGIA in Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar,

de Fernando Pessoa 5-4-1935

Do painel onde participou a dita historiadora, salvaram-se as intervenções de Jaime Nogueira Pinto e de José Miguel Júdice que, de forma indirecta, irónica e respeitosa, desmontaram o essencial da comunicação de Fátima Bonifácio, facto que a mesma parece não ter percebido.

À segunda intervenção, a mais interessante,  a de Nuno Palma, voltaremos a em próxima ocasião.



sábado, 5 de setembro de 2020

“Festa do Avante” – o lugar mais seguro do país, este fim-de-semana…mas…

(foto de Rita Carmo/Blitz)

Não tenho dúvida, e sempre o afirmei desde o início, que o recinto da “Festa do Avante” é um dos lugares mais seguros do país, do ponto de vista sanitário e de outros.

Tenho-o dito desde o princípio. Não duvido da segurança dentro do recinto, ainda por cima com a redução para um máximo 16 mil pessoas.

Só quem não conhece a dimensão do espaço se pode espantar com aquele número.

Tenho lá ido nos últimos anos e, mesmo em dia de enchente, consigo movimentar-me à vontade, mesmo entre a frente e o final do recinto do palco principal, ao contrário do que acontece nos espaços dos grandes festivais de verão.

Nesses festivais é impossível sair sem perder o lugar e foi num desses festivais que me senti em situação de pânico, arrastado pela multidão no final da actuação de um dos grupos do cartaz, para além do autêntico caos nas saídas.

Nada disso se passa na “Festa do Avante”, mesmo em época normal.

Por isso é idiota comparar a Festa do Avante com outros festivais de Verão.

Penso também que partiu do PCP o alimento para a vergonhosa campanha na comunicação sociais e nas redes sociais contra o evento, devido a alguma falta de bom senso quando quis insistir em manter a lotação de 100 mil, depois reduzida para 33 mil, devidamente corrigida pela DGS para os 16 mil.

Não deixa de ser curioso que agora, a preocupação dos que recorreram a todo o tipo de processos, até ao conteúdo de palavras cruzadas, para criticar a Festa, já não seja o excesso de lotação…mas o “fracasso” no número de participantes!!!!

Este ano só não vou lá porque, se confio na segurança dentro do recinto, tenho dúvidas sobre o transporte para lá e sobre a segurança fora do recinto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Festa do Avante - a "manipulação" jornalística chega às palavras cruzadas

 

O jornal Público optou pelo sub-refúgio das Palavras Cruzadas para manipular os sentimentos em relação à realização da Festa do Avante, num exemplo  que vai ficar na história da mais abjecta manipulação jornalística.

Na sua secção de Palavras Cruzadas do dia de ontem, 5ª feira 3 de Setembro, página 35, propõe, para ajudar a preencher a 5ª coluna da vertical, a seguinte frase . "Queira Deus que não haja (...), dizem os vizinhos da Festa do Avante".

A palavra correcta é... "CONTÁGIO".

Sem mais palavras, aqui deixamos a reprodução desse exemplo de manipulação ideológica, bem como a confirmação da solução do problema publicada hoje.


domingo, 28 de junho de 2020

Covid-19 – Como manipular gráficos para aumentar audiências


Um dos desportos favoritos de todo o português que se prese, desde o início da epidemia, é divulgar e construir gráficos estatísticos sobre a evolução do COVID-19, com todo o tipo de comparações, das normais às mais estapafúrdias, usando critérios, dos científicos aos mais absurdos.

As redes sociais, os programas informativos das televisões, as páginas dos jornais e os comentadeiros de serviço enchem-nos com tais gráficos, muitas vezes contraditórios.

Os critérios usados para comparar variam temporalmente, geograficamente  ou de logaritmo, conforme dá mais jeito à teoria de cada um.

Ainda por cima, todos eles cheios de certezas, recomendações e recados.

Vicente Jorge Silva já os topou e, na sua crónica do Públio de hoje intitulada “Confinados, desconfinados, exasperados", acerca da incerteza de cientistas e hesitação de políticos, escreveu:

“Uma das maiores lições (…) que aprendemos com o Covid-19 é a fragilidade e a incerteza dos conhecimentos científicos sobre a pandemia que atinge hoje o mundo inteiro, às quais se junta a desorientação, as contradições e os caos nas respostas políticas que se têm dado ao problema (…).

“Só que a questão não se limita aos cientistas e aos políticos, envolvendo media e comentadores encartados como verificamos em Portugal, cada qual com uma teoria  mais definitiva do que outra – e até contradizendo-se, por vezes, num curto espaço de dias, entre a condenação peremptória do confinamento em nome do direito ao trabalho até à  respectiva aceitação por um período limitado. A prosápia leva alguns deles a ter uma espécie de receita mágica para instrução de políticos e cientistas, com base em edificantes lugares  comuns cuja adopção permitiria a solução de todos os problemas. Não por acaso, referem-se aos males portugueses no campo da epidemia como se a covid-19 fosse um estrito problema nacional (…).

E conclui : “Não se trata de abdicar de uma atitude crítica e de justificar o conformismo (…)”, mas “toda a atenção, vigilância e exigência necessárias não dispensam humildade, bom senso e capacidade de discernimento, evitando o recurso a bodes expiatórios para sustentar a arrogância das nossas opiniões. Não faltam motivos para criticar cientistas e políticos – uns por não chegarem a conclusões, outros por chegarem a conclusões erradas ou atrasadas-, mas é preciso fundamentá-los e não cair na exasperação gratuita de atirar o barro à parede”.

Ora, o que mais temos visto por aí, no “achismo” presumido de amadores torturadores de  dados estatísticos, é falta de “humildade, bom senso e capacidade de discernimentos”, avidamente à procura de bodes expiatórios, manipulando ou forçando dados estatísticos até darem “razão” à sua presunção.

Um dos momentos mais significativos dessa manipulação estatística aconteceu no Jornal da Noite da SIC, na passada 6ª feira.

Rodrigo Guedes de Carvalho apresentou nesse noticiário um gráfico animado mostrando a evolução da mortalidade provocada, a nível mundial, pelo covid-19, em comparação com outras causas de mortalidade. No fim o Covid ultrapassa as mortes por Malária e situa-se num primeiro lugar “destacado”.

Os números estavam correctos, mas, ao eliminar desse gráfico, algumas das mais graves causas da mortalidade a nível mundial, com a única excepção da malária, esse gráfico animado foi a prova cabal como se podem manipular dados estatístico verdadeiros, para realçar o espectáculo de terror gerado à volta do Covid, em nome das audiências.

Por exemplo, a maior parte dos dados apresentados comparativamente como o Covid reportavam-se a situações de pouca mortalidade registadas no primeiro semestre do ano de 2020.

Não estavam lá, por exemplo, o conjunto de doenças transmissíveis que, até esse dia, a nível mundial, já tinham morto cerca de 6 milhões de pessoas, não estavam lá os mortos por cancro, mais de 4 milhões este ano até essa data, não estavam lá os óbitos por fumo, cerca de 2 milhões e meio, os óbitos por alccol, pouco mais de 1 milhão, os mortos por Sida, mais de 800 mil, os mortos em acidente automóvel, mais de 600 mil (dados retirados AQUI).

Das grandes causas de mortalidade, apenas a Malária constava nesse gráfico, talvez porque o total de mortos registado até essa data este ano tivesse sido ultrapassado,  poucos dias antes, pelos mortos por Covid.

Foram assim eliminados desse gráfico (sem indicação das fontes) as principais causa de morte, para não “assombrar” a ascensão do Covid.

Mas a diferença entre a Malária e o Covid também não é tão grande como a manipulação final desse gráfico dava a entender. Até esse dia tinham-se registado 477 952 mortos por Malária, total do ano, e 478 642 pelo Covid.

Ceder ao espectáculo gratuito não é uma grande ajuda para combater a epidemia.

Se não esperamos muito das redes sociais, esperávamos um pouco mais de rigor e seriedade na comunicação social dita de referência.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Covid, Redes Sociais e Torturadores de Estatísticas.


Confesso que começo a ficar farto da invasão de especialistas em estatísticas sobre a evolução do Covid-19, que proliferam por aí nas redes sociais.

Claro que as estatísticas podem ajudar a compreender a forma como o Covid-19 se propaga e, a partir delas, combater de forma mais eficaz a sua propagação e ajudar a tomar medidas de prevenção.

O problema é a utilização de forma abusiva dessas estatística para fazer chicana política ou com objectivos ideológicos, como se o Covid-19 tivesse tendência política.

Mais grave ainda é a manipulação abusiva dos dados estatísticos.

Sempre ouvi dizer que se “torturarmos” convenientemente os número eles dão-nos o valor estatístico pretendido.

A mais recente "tortura" dos dados estatístico do Covid-19 dá pelo nome pomposo “novos casos diários por 100 mil habitantes”, servindo, no caso que nos interessa, para justificar a injustificável atitude de países, como a República Checa ou a Dinamarca, em relação à situação portuguesa, atitude que tem, aliás, entre nós, muitos seguidores entre comentadores e propagandistas das redes sociais conotados com a direita populista.

Esquecem os que recorrem a esse “modelo”, altamente tendencioso e manipulável, quatro coisas simples: o vírus não evolui ao mesmo tempo e à mesma velocidade em todos os países; nem todos os países testam tanto como Portugal; os critérios para calcular infectados, por falha grande da União Europeia, não são todos iguais nos vários países; o envelhecimento populacional, factor que muito pesa na gravidade da infecção entre a população, não é idêntico nos vários países.

Por isso, só por má fé, propaganda ideológica ou pura ignorância é que podemos levar a sérios certos modelos estatísticos que proliferam nas redes sociais e entre comentadeiros.

Já sabemos que não estamos todos no mesmo barco, mas, ao menos, que estivéssemos a remara para o mesmo lado.

Precisa-se de mais solidariedade e menos rancor e intolerância.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Os Títulos manipulados do Jornal "Público"

Tal como acontece desde há muito, noutro jornal dito de "referência", o "Expresso", nos últimos tempos, outro jornal  de "referência", o "Público",  usa e abusa da manipulação de títulos de primeira página, com nítida má fé, e meias verdades, apenas com o intuito de provocar reacções de tipo populista.

É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!

Na edição de hoje do Público, o alvo, mais uma vez, diga-se de passagem, é a classe dos professores.

Não admira que um dos jornais que mais apoiou a acção da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores  e endeusou os malfadados e tendenciosos rakings , continue a usar e abusar da má fé.

O título que acima reproduzimos é um abusivo uso de uma meia verdade.

A intenção é dar a ideia que os professores forma beneficiados com uma subida de escalão  apenas num   ano, alimentando todo o tipo de reacções populistas que tanto têm contribuído para desprestigiar uma classe fundamental para o futuro do país.

Aliás, já se começa a ver o resultado desse tipo de campanhas, alimentadas por comentadores e políticos vários, como o dramático envelhecimento de um grupo profissional e a recusa dos mais novos em abraçar tão nobre actividade.

A escolha de um título manipulador e  de má fé como aquele  esquece que esse escalão foi criado há cerca de dez anos, sem que, ao longo de quase outros dez anos, nenhum professor tivesse beneficiado de uma subido de escalão, apesar de ter de se submeter a avaliação interna e frequentar regularmente acções de formação obrigatórias.

Para ser correcto, o título devia dizer que "ao fim de quase dez anos, finalmente alguns professores, com mais experiência e depois de frequentarem dezenas de hora de formação, paga do seu bolso e frequentada nas suas horas livres, começaram a aceder ao escalão a que têm direito"!.

Mas a intenção de grande parte do jornalismo dito de referência não é informar, mas fazer politica faccioso, servindo os interesses económicos e financeiros que os sustentam.

Depois admiram-se de serem "batidos" pelas redes sociais!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A Venezuela e o jornal "Observador" : a manipulação e a mentira é o pior remédio



A jornalista da peça baseou-se em dois filmes caseiros, tecnicamente mal feitos, mas reais, feito por moradores que vivem nas proximidades do local onde se realizou aquela manifestação, apoiantes da oposição, e numa opinião de outro oposicionistas publicada nas redes sociais sobre a veracidadade de um edifício à esquerda da fotografia em causa.

As normas do bom jornalismo exigiam que a jornalista que escreveu o texto começasse, em primeiro lugar, por observar com atenção a fotografia e depois cruzá-la, cuidadosamente, não só com aqueles filmes como com outras fontes minimamente credíveis, tiradas naquele mesmo sitio e naquele mesmo evento.

Foi isso que nós fizemos, recorrendo a várias fotografias que encontrámos na net, em fontes credíveis, tendo posteriormente comparado todas as fotografias obtidas, entre as quais aquela referida na reportagem, com a única que encontramos devidamente identificada, localizada e datada naquele local e momento,  e que nos mereceu confiança, publicada nos jornais espanhóis El País e Publico (foto em baixo).

(Fonte: Agência EFE, El País e Publico esp.)


Se o El País não indica a fonte dessa fotografia, o Público identifica-a como sendo da agência EFE.

Assim, comparando essa fotografia com a referida no “Observador” como “manipulada”, o que encontrámos foi muitos pontos em comum entre ambas, o que mostras que, embora de ângulos diferentes, ambas foram tiradas no mesmo sitio, no mesmo dia e na mesma manifestação.

Encontrámos em comum nessas duas fotografias, garantindo que foram tiradas no mesmo sitio e na mesma altura:

- cores, forma e posição de cartazes em vários locais das fotografias;
- a estrutura de TV ao centro;
-a ponta do cartaz que desce do edifício cor de tijolo escuro à direita;
- as ordem das bandeiras da direita;
- a posição de vários grupos e pessoas.

Fotografia em causa, assinalando a vermelho o que é comum à foto da EFE:

Fotografia da agência EFE de 2 de Fevereiro de 2019, assinalando a vermelho elementos visíveis em comum com a foto de cima, provando que foram ambas tiradas no mesmo dia e na mesma data:



Só essa comparação era suficiente para se concluir que, se aquela fotografia é manipulada, então também a é a publicada pelo El País e pelo Publico, sendo a agência EFE responsável pela manipulação, e portanto todos eles “mentem” e é o “Observador” que diz a verdade. Ou então é a jornalista do “Observador” que não fez o trabalho que, profissionalmente devia ter feito, deixando-se dominar pelos seus preconceitos ideológicos.

Bastava aliás, depois de feito o trabalho, confrontar a agência EFE com essa “descoberta”.

Por sua vez os filmes não servem para por em causa a veracidade ou não daquela fotografia.

Antes de tirar conclusões, era importante saber se os filmes foram feitos no inicio, no auge ou no momento de dispersão daquele evento.

E já agora, se, como se viu, qualquer amador conseguia filmá-lo de um dos edifícios envolventes, porque o não fizeram os profissionais, até porque essa era uma alternativa ao impedimento a que eles estavam sujeitos de não poderem assistirem à manifestação, a acreditar na mesma notícia do “Observador” (afirmação que não é totalmente verdadeira, como veremos mais em baixo).

Vendo bem os filmes, um é filmado do lado oposto da manifestação, no topo contrário da gigantesca avenida, dando para ver que a manifestação se começa a concentrar no fim de um prédio comprido à direita (vendo de trás para a frente da manifestação) e que, a partir daí, até ao palco que mal se vê dessa perspectiva, estão os manifestantes.


Comparação entre a fotografia e a parte de um dos filmes que mostra a rectaguarda da manifestação (a azul o "prédio Comprido" e a preto o fim da manifestação):



No outro filme, feito a partir de um prédio de uma avenida paralela àquela onde se realizou a manifestação, dá para perceber que a maior concentração de manifestantes se dá até ao mesmo prédio acima identificado e até, do lado contrário, ao tal edifício de cor de tijolo.

 Contudo, se a jornalista estivesse atenta, via que, nesse filme,  o prédio que aparece à direita da referida fotografia apresenta a mesma coloração, embora escurecido no filme devido à má qualidade do mesmo, mas desmentindo, involuntariamente, a argumentação do já referido comentário da rede social sobre esse prédio, para tentar desacreditar a veracidade da fotografia.

Resumindo e concluindo, cruzando todos aqueles dados, tanto a fotografia em causa como os filmes revelam-se verdadeiros,  a diferença está no ângulo em que são obtidos e, eventualmente, na hora.

Toda a gente sabe que, se quisermos dar uma idéia que está mais gente numa manifestação do que a que lá está, basta fotografar ou filmar mais em baixo, apertando o enquadramento, ou, se pelo contrário, quisermos dar a idéia que está menos gente do que aquela que se apresenta, basta registar imagens mais de cima, de longe e com um enquadramento mais aberto.

São duas formas de manipulação, mas não permitem negar a veracidade, quer dos filmes, quer da fotografia.

Quanto muito, Maduro faltou à verdade quando afirmou na sua habitual exuberância retórica e demagógica,  que a Avenida estava cheia “de ponta a ponta”.

Mas isso não põe em causa a veracidade da fotografia.

O que é possível confirmar é que aquela Avenida, enorme, estava cheia de manifestantes até ao inicio do prédio em tijoleira, à direita e até ao principio do prédio comprido à esquerda, embora o ângulo da fotografia possa dar ilusão de estar mais gente. Mas essa situação tanto é verdade para aquele caso como o pode ser para as manifestações dos opositores.

Outra meia-verdade da peça jornalística é dizer-se que não estavam presentes testemunhos independentes nessa manifestação e que os jornalistas estrangeiros foram impedidos de assistirem a ela.

Contudo, como se pode ver consultando o jornal argentino “Clarin”, insuspeito de simpatizar com Maduro (como, aliás, o já referido El País), estavam presentes jornalistas das agências internacionais Reuters e AFP (para além da já referida EFE),que tiraram fotos do evento, e os nomes desses fotógrafos, não sei se venezuelanos ou não, mas creditados por essas credíveis agências internacionais, são referidos naquele jornal: Manaure Quinten da Reuters e Yuri Cortez da AFP.

Bastava à jornalista do “Observador” consultar essas agências para confirmar a veracidade dessa fotografia.

Não digo que não tenha havido, e continue a haver, manipulação. Vi fotografias  de apoio a Guaidó de 23 de Janeiro serem referidas como de 2 de Fevereiro (talvez porque esta teve menos gente do que aquela) e vi fotografias de outras manifestações “chavistas” tiradas no mesmo local da de 2 de Fevereiro como se fossem desta data (pois eram comprovadamente maiores, como as de 2013 e 2017 que mostro em baixo).

Manifestação de 11 de Abril de  2013


Manifestação de 19 de Abril de  2017


Ou seja, nenhum dos argumentos usados na peça do “Observador” provam, com fundamento, que a referida fotografia é falsa.

Diga-se que nunca simpatizei nem simpatizo com o chavismo e, muito menos, com Maduro.

Tenho respeito pelo PCP, concordo com esse partido nalguns pontos, mas desaprovo a sua defesa de regimes corruptos e ditatoriais.

Mas é caso para dizer que “não havia necessidade”, até porque a razão não se mede pela quantidade de manifestantes que vão para a rua defender uma causa.

Enfim, à ética e ao trabalho de informação e esclarecimento que se pede a um jornalista, o “Observador” preferiu  a eficácia propagandística e o preconceito ideológica .

É caso para se dizer: Assim se vê… a força da manipulação do “Observador”.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Um título ignóbil!



Pensava que tinha comprado o “Público”. Afinal comprei o “Correio da Manha” disfarçado do jornal “Público”.

Foi essa a impressão com que fiquei ao ler o título de primeira página da edição de ontem, confrontando-a com a entrevista no interior das suas páginas.

De facto, todo o título é um programa de desinformação e de aviltamento sobre uma classe profissional.

Ao ler a entrevista não vejo nela a intenção desse título, por parte do entrevistado.

Quem ler a primeira página fica com a idéia de um  Ministro das Finanças a tentar rebaixar uma classe profissional.

Ou seja, fica a idéia que o Ministro das Finanças procura desvalorizar os professores, recorrendo à velha atitude “passos-coelhista” de atirar classes profissionais umas como outras, confrontando os “privilégios” de uns com a situação da “maioria”.

Ao ler o título, a idéia que fica é a de os professores querem ser tratados como privilegiados, atitude à qual o Ministro das Finanças responde com um “Orçamento que é para todos os portugueses”.

E foi isto que esteve na origem de mais um dia de comentários para desacreditar toda uma classe profissional, motivando até a interrupção das férias algarvias de Miguel Sousa Tavares, que se deu ao “incómodo” de se deslocar aos estúdios em Faro da SIC para mais uma sessão de “malhação” no seu ódio de estimação, os professores, atitude que provavelmente já lhe pagou essas mesmas férias.

Contudo, quem ler a entrevista, percebe que aquele sentido que o Público pretende dar no título de primeira página não é, de todo, o sentido dado pelo Ministro na entrevista.

Percebe-se que a orientação da entrevista procura justificar aquele título, como se este já tivesse escrito antes da entrevista, e agora fosse necessário encontrar justificação para o mesmo.

Numa entrevista sobre o próximo Orçamento, as primeiras sete (7!!!) perguntas centram-se na questão da recuperação do tempo de serviço dos professores. A todas elas o Ministro responde com a sua conhecida cautela, remetendo para a abertura de negociações e respondendo, obviamente, com a idéia de um Orçamento que tem de ser pensado para o conjunto dos portugueses, mas sem negar a especificidade de cada situação.

Tanto assim foi que os jornalistas, não conseguindo justificar o título que parecia previamente escolhido, acabam por reconhecer que “Portanto, o tema dos professores não é determinante no quadro do OE?”, respondendo o Ministro que “O OE é um exercício complexo e para todos os portugueses (…). Ninguém iria entender que não fizéssemos exactamente isto , portanto, não gostaria de singularizar num só tópico”, preocupação que continua a ser manifestada quando mais à frente se fala de salários na Função Pública, aumento de pensões ou investimento no Serviço Nacional de Saúde.

Ou seja, não se percebe aquele título, a não ser numa tentativa desonesta e forçada de virar o público contra os professores.

Na lógica de manipulação de informação daquele título, este podia ser: “Médico? “O OE é para todos os portugueses”…ou “Pensionistas? “ O OE é para todos os portugueses”…ou “Funcionários Públicos? “O OE é para todos os portugueses”….e tudo o mais que a manipulação jornalística do ´Público” do Dinis quisesse imaginar…

Uma vergonha…

Leitor desde o primeiro número daquele jornal, tenho-me sentido cada vez mais defraudado desde que o jornal foi tomado pela gente o “Observador”, como o David Dinis e o Diogo Queirós de Andrade…felizmente estes vão deixar o jornal, esperando que o “Público” retome rapidamente a sua qualidade como jornal de referência e credível.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

REDES SOCIAIS : Entre a manipulação e democracia.



O papel das redes sociais na divulgação de mentiras e na promoção do ódio e da ignorância tem sido um dos mais vivos temas de discussão.

O debate não é muito diferente daquele que, desde o século XIX, de faz sobre a massificação da comunicação social, desde a expansão do jornalismo no século XIX por obra das grandes inovações das técnica tipográficas, passando pela expansão do cinema e da rádio, no inicio do século XX, até à expansão da televisão no pós-guerra.

Perder o controle da comunicação e da palavra, democratizando-a, sempre incomodou as elites e os poderosos de todos os tempos.

A questão é sempre a mesma. A expansão desses meios de comunicação, ao mesmo tempo que expandia e democratizava o acesso à informação, tornava-se uma forma cada vez mais eficaz de manipular essa mesma informação ao serviço de ideologias antidemocráticas.

O nazismo e o stalinismo foram os exemplos mais gritantes dessa nova realidade.

Hoje as redes sociais são o meio privilegiado dos novos demagogos, e, porque não dizê-lo, dos novos fascismos deste inicio de século. Trump e Putin são os melhores exemplos do poder de manipulação dessas redes sociais.

Mas, tal como aconteceu com a imprensa, o cinema, a rádio ou a televisão, as redes socias vieram para ficar e não é limitando-as, com um novo tipo de censura, que se combate o seu lado negro.

As redes sociais são uma ferramenta. O seu conteúdo depende de quem as usa e do objectivo como é usado.

Manipulação, mentira, falácia, mau-gosto, ignorância, ódio,  intolerância e demagogia também existiram e existem nos outros meios de comunicação.

A diferença é na dimensão e na rapidez da expansão de todas essas atitudes perversas e perigosas.

A liberdade, a democracia e a verdade não podem recorrer à censura para evitar os abusos, mas podem combate-los com melhor informação, denunciando e combatendo, taco a taco, essas perversões.

Este é um combate diário de todos os que abominam a manipulação, a mentira, a falácia, o mau-gosto, a ignorância, a intolerância e a demagogia.

Esse combate é uma obrigação daqueles que, usando as redes socias no sentido de divulgar e esclarecer, apresentar vozes diferentes, mostrar outras realidades, debater de forma ponderada os temas do momento, acreditam que as redes sociais podem tornar-se, maioritariamente, o grande porta voz da democracia e da liberdade.