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terça-feira, 10 de março de 2020

Expresso : o tablóide das "elites"!




Já há muito que nos temos referido à forma como um jornal de referência, como o “Expresso” se tornou, nos últimos anos, uma espécie de tablóide para elites, políticas e “intelectuais”, recorrendo a títulos bombásticos e tendenciosos que, depois de ler a s notícias no interior, não justificam a escolha desses títulos “à Correio da Manhã”.

Aconteceu nas duas últimas edições.

Numa destacava-se uma afirmação de uma entrevista à Dr.ª Graça Freitas, onde a intenção do jornal com o título era causar alarme social, mas, na entrevista, percebe-se que o título tinha sido intencionalmente tirado do contexto, pois o número referido não era uma previsão, mas um cenário com o qual os médicos e os cientistas têm de trabalhar.

Aliás, faço minhas as palavras da jornalista do Público São José Almeida ("Os vírus que  põem  democracia em risco", Público de 7 de Março de 2020"):
"Sinto-me na obrigação de manifestar solidariedade com Graça Freitas pela situação em que foi colocada pelo Expresso, ao fazer manchete de uma suposta declaração sua sobre o coronavírus, quando, de facto, na entrevista, Graça Freitas se referis a um modelo teórico de cenarização e não à realidade portuguesa actual. Pior. A primeira página do semanário foi divulgada isoladamente, sexta à noite, e usada como argumento no Expresso da Meia-Noite, completamante descontextualizado. Causar alarme público não é função do jornalismo".

O mesmo tipo de manipulação repetiu-se na última edição, desta vez tentando desacreditar a acção da Direcção Geral de Saúde, recorrendo a afirmações “independentes” e “credíveis” dos presidentes das ordens dos médicos e dos enfermeiros, sobejamente conhecidos pelo facciosismo s político dos seus líderes, procurando explorar os pequenos casos que correm mal, como se os jornalistas do “Expresso” fossem a pureza personificada…

Enfim, num momento em que todos devíamos estar a remar para o mesmo lado, o “Expresso” dá mais uma vez um exemplo do que é o jornalismo de sarjeta.

Costuma dizer-se que é nas crises que se revela o melhor e o pior de cada um.

O “Expresso” mostra, com esses tristes exemplos, o que vale!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Os Títulos manipulados do Jornal "Público"

Tal como acontece desde há muito, noutro jornal dito de "referência", o "Expresso", nos últimos tempos, outro jornal  de "referência", o "Público",  usa e abusa da manipulação de títulos de primeira página, com nítida má fé, e meias verdades, apenas com o intuito de provocar reacções de tipo populista.

É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!

Na edição de hoje do Público, o alvo, mais uma vez, diga-se de passagem, é a classe dos professores.

Não admira que um dos jornais que mais apoiou a acção da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores  e endeusou os malfadados e tendenciosos rakings , continue a usar e abusar da má fé.

O título que acima reproduzimos é um abusivo uso de uma meia verdade.

A intenção é dar a ideia que os professores forma beneficiados com uma subida de escalão  apenas num   ano, alimentando todo o tipo de reacções populistas que tanto têm contribuído para desprestigiar uma classe fundamental para o futuro do país.

Aliás, já se começa a ver o resultado desse tipo de campanhas, alimentadas por comentadores e políticos vários, como o dramático envelhecimento de um grupo profissional e a recusa dos mais novos em abraçar tão nobre actividade.

A escolha de um título manipulador e  de má fé como aquele  esquece que esse escalão foi criado há cerca de dez anos, sem que, ao longo de quase outros dez anos, nenhum professor tivesse beneficiado de uma subido de escalão, apesar de ter de se submeter a avaliação interna e frequentar regularmente acções de formação obrigatórias.

Para ser correcto, o título devia dizer que "ao fim de quase dez anos, finalmente alguns professores, com mais experiência e depois de frequentarem dezenas de hora de formação, paga do seu bolso e frequentada nas suas horas livres, começaram a aceder ao escalão a que têm direito"!.

Mas a intenção de grande parte do jornalismo dito de referência não é informar, mas fazer politica faccioso, servindo os interesses económicos e financeiros que os sustentam.

Depois admiram-se de serem "batidos" pelas redes sociais!

terça-feira, 9 de julho de 2019

Vivam todos os anónimos “João Félix” deste país!



Nos últimos dias, quase sempre que abro a televisão par ver as notícias tenho de gramar com minutos infindáveis a ouvir falar da transferência do jovem jogador de futebol João Félix para o Atlético de Madrid.

Não nego as qualidades de tão jovem jogador, também ele vitima da orgia mediática à volta da sua personalidade.

Mas, que raio, não existem notícias mais importantes para debater, abrir telejornais, ocupar páginas de jornais ou o valioso espaço da comunicação social, do que uma transferência milionária?

Em que é que um jovem jogador de futebol de topo é mais importante do que um jovem desportista que ganha medalhas noutras modalidades em torneios internacionais?

E em que é que um jovem jogador de futebol é mais importante do que muitos jovens artistas, cientistas, investigadores, profissionais ou empresários que se destacam por cá e por esse mundo fora, na inovação, criatividade e originalidade, nessas várias áreas da actividade e no conhecimento humano?

A não ser que seja pelos valores envolvidos, valores aos quais nenhum outro jovem que se destaque em qualquer das actividades acima referidas sonha algum dia almejar.

A culpa não é de João Félix, um jovem jogador de futebol realmente talentoso.

A culpa do destaque dado quase exclusivamente a uma actividade e a um desporto como o futebol, é de uma comunicação social medíocre, rendida ao fascínio pelo dinheiro envolvido nesse desporto e preguiçosa a investigar ou divulgar novas realidades.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que  a comunicação social devia estar a fazer há muito tempo era investigar a origem do dinheiro envolvido em transferências milionárias.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que essa mesma comunicação social estava a fazer era explicar-nos porque é que que um jovem e talentoso jogador de futebol ganha num ano aquilo que nem um prémio Nobel vai ganhar numa vida.

É caso para dizer, que vivam os “João Félix” anónimos deste país que, todos os dias, trazem bons resultados desportivos, noutras modalidades que não o futebol profissional,  produzem riqueza e inovação, criam arte, fazem descobertas científicas fundamentais para a melhoria da vida de todos nós, trabalhando em condições precárias e, muitas vezes, com salários miseráveis, muitas vezes , até, gratuitamente.

Estes, como dizia Brecht, são os imprescindíveis, mesmo se continuam anónimos.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A Venezuela e o jornal "Observador" : a manipulação e a mentira é o pior remédio



A jornalista da peça baseou-se em dois filmes caseiros, tecnicamente mal feitos, mas reais, feito por moradores que vivem nas proximidades do local onde se realizou aquela manifestação, apoiantes da oposição, e numa opinião de outro oposicionistas publicada nas redes sociais sobre a veracidadade de um edifício à esquerda da fotografia em causa.

As normas do bom jornalismo exigiam que a jornalista que escreveu o texto começasse, em primeiro lugar, por observar com atenção a fotografia e depois cruzá-la, cuidadosamente, não só com aqueles filmes como com outras fontes minimamente credíveis, tiradas naquele mesmo sitio e naquele mesmo evento.

Foi isso que nós fizemos, recorrendo a várias fotografias que encontrámos na net, em fontes credíveis, tendo posteriormente comparado todas as fotografias obtidas, entre as quais aquela referida na reportagem, com a única que encontramos devidamente identificada, localizada e datada naquele local e momento,  e que nos mereceu confiança, publicada nos jornais espanhóis El País e Publico (foto em baixo).

(Fonte: Agência EFE, El País e Publico esp.)


Se o El País não indica a fonte dessa fotografia, o Público identifica-a como sendo da agência EFE.

Assim, comparando essa fotografia com a referida no “Observador” como “manipulada”, o que encontrámos foi muitos pontos em comum entre ambas, o que mostras que, embora de ângulos diferentes, ambas foram tiradas no mesmo sitio, no mesmo dia e na mesma manifestação.

Encontrámos em comum nessas duas fotografias, garantindo que foram tiradas no mesmo sitio e na mesma altura:

- cores, forma e posição de cartazes em vários locais das fotografias;
- a estrutura de TV ao centro;
-a ponta do cartaz que desce do edifício cor de tijolo escuro à direita;
- as ordem das bandeiras da direita;
- a posição de vários grupos e pessoas.

Fotografia em causa, assinalando a vermelho o que é comum à foto da EFE:

Fotografia da agência EFE de 2 de Fevereiro de 2019, assinalando a vermelho elementos visíveis em comum com a foto de cima, provando que foram ambas tiradas no mesmo dia e na mesma data:



Só essa comparação era suficiente para se concluir que, se aquela fotografia é manipulada, então também a é a publicada pelo El País e pelo Publico, sendo a agência EFE responsável pela manipulação, e portanto todos eles “mentem” e é o “Observador” que diz a verdade. Ou então é a jornalista do “Observador” que não fez o trabalho que, profissionalmente devia ter feito, deixando-se dominar pelos seus preconceitos ideológicos.

Bastava aliás, depois de feito o trabalho, confrontar a agência EFE com essa “descoberta”.

Por sua vez os filmes não servem para por em causa a veracidade ou não daquela fotografia.

Antes de tirar conclusões, era importante saber se os filmes foram feitos no inicio, no auge ou no momento de dispersão daquele evento.

E já agora, se, como se viu, qualquer amador conseguia filmá-lo de um dos edifícios envolventes, porque o não fizeram os profissionais, até porque essa era uma alternativa ao impedimento a que eles estavam sujeitos de não poderem assistirem à manifestação, a acreditar na mesma notícia do “Observador” (afirmação que não é totalmente verdadeira, como veremos mais em baixo).

Vendo bem os filmes, um é filmado do lado oposto da manifestação, no topo contrário da gigantesca avenida, dando para ver que a manifestação se começa a concentrar no fim de um prédio comprido à direita (vendo de trás para a frente da manifestação) e que, a partir daí, até ao palco que mal se vê dessa perspectiva, estão os manifestantes.


Comparação entre a fotografia e a parte de um dos filmes que mostra a rectaguarda da manifestação (a azul o "prédio Comprido" e a preto o fim da manifestação):



No outro filme, feito a partir de um prédio de uma avenida paralela àquela onde se realizou a manifestação, dá para perceber que a maior concentração de manifestantes se dá até ao mesmo prédio acima identificado e até, do lado contrário, ao tal edifício de cor de tijolo.

 Contudo, se a jornalista estivesse atenta, via que, nesse filme,  o prédio que aparece à direita da referida fotografia apresenta a mesma coloração, embora escurecido no filme devido à má qualidade do mesmo, mas desmentindo, involuntariamente, a argumentação do já referido comentário da rede social sobre esse prédio, para tentar desacreditar a veracidade da fotografia.

Resumindo e concluindo, cruzando todos aqueles dados, tanto a fotografia em causa como os filmes revelam-se verdadeiros,  a diferença está no ângulo em que são obtidos e, eventualmente, na hora.

Toda a gente sabe que, se quisermos dar uma idéia que está mais gente numa manifestação do que a que lá está, basta fotografar ou filmar mais em baixo, apertando o enquadramento, ou, se pelo contrário, quisermos dar a idéia que está menos gente do que aquela que se apresenta, basta registar imagens mais de cima, de longe e com um enquadramento mais aberto.

São duas formas de manipulação, mas não permitem negar a veracidade, quer dos filmes, quer da fotografia.

Quanto muito, Maduro faltou à verdade quando afirmou na sua habitual exuberância retórica e demagógica,  que a Avenida estava cheia “de ponta a ponta”.

Mas isso não põe em causa a veracidade da fotografia.

O que é possível confirmar é que aquela Avenida, enorme, estava cheia de manifestantes até ao inicio do prédio em tijoleira, à direita e até ao principio do prédio comprido à esquerda, embora o ângulo da fotografia possa dar ilusão de estar mais gente. Mas essa situação tanto é verdade para aquele caso como o pode ser para as manifestações dos opositores.

Outra meia-verdade da peça jornalística é dizer-se que não estavam presentes testemunhos independentes nessa manifestação e que os jornalistas estrangeiros foram impedidos de assistirem a ela.

Contudo, como se pode ver consultando o jornal argentino “Clarin”, insuspeito de simpatizar com Maduro (como, aliás, o já referido El País), estavam presentes jornalistas das agências internacionais Reuters e AFP (para além da já referida EFE),que tiraram fotos do evento, e os nomes desses fotógrafos, não sei se venezuelanos ou não, mas creditados por essas credíveis agências internacionais, são referidos naquele jornal: Manaure Quinten da Reuters e Yuri Cortez da AFP.

Bastava à jornalista do “Observador” consultar essas agências para confirmar a veracidade dessa fotografia.

Não digo que não tenha havido, e continue a haver, manipulação. Vi fotografias  de apoio a Guaidó de 23 de Janeiro serem referidas como de 2 de Fevereiro (talvez porque esta teve menos gente do que aquela) e vi fotografias de outras manifestações “chavistas” tiradas no mesmo local da de 2 de Fevereiro como se fossem desta data (pois eram comprovadamente maiores, como as de 2013 e 2017 que mostro em baixo).

Manifestação de 11 de Abril de  2013


Manifestação de 19 de Abril de  2017


Ou seja, nenhum dos argumentos usados na peça do “Observador” provam, com fundamento, que a referida fotografia é falsa.

Diga-se que nunca simpatizei nem simpatizo com o chavismo e, muito menos, com Maduro.

Tenho respeito pelo PCP, concordo com esse partido nalguns pontos, mas desaprovo a sua defesa de regimes corruptos e ditatoriais.

Mas é caso para dizer que “não havia necessidade”, até porque a razão não se mede pela quantidade de manifestantes que vão para a rua defender uma causa.

Enfim, à ética e ao trabalho de informação e esclarecimento que se pede a um jornalista, o “Observador” preferiu  a eficácia propagandística e o preconceito ideológica .

É caso para se dizer: Assim se vê… a força da manipulação do “Observador”.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A OCDE e os Professores



Não tenho dúvidas sobre a qualidade técnica no tratamento da informação vinculada pelos relatórios da OCDE.

A minha dúvida começa quando vejo as interpretações que se fazem em relação a esses dados e quando os dados não estão correctos.

A comparação que se tem de fazer, no caso de Portugal, deve ser em relação à mesma situação profissional nos países da zona euro, que é com esses que nos devemos comparar (pois, se temos de cumprir os mesmos critérios de convergência e as mesmas regras financeiras, então também a comparação deve ser feita com a média geral da zona euro...).

Quando se compara o vencimento dos professores com a situação dos licenciados em Portugal, temos de ter em conta algumas situações.

A maior parte dos licenciados que trabalham fora da função pública (como advogados, gestores…jornalistas…) conseguem pagar menos impostos (eu ía dizer “fugir aos impostos”…mas não quero abusar) e por isso declaram menos rendimento do que aquele que é declarado pelos professores que, como qualquer funcionário público, paga mensalmente impostos, não recebendo mais do que 2/3 do vencimento oficial, pelo menos no topo da carreira.

Mas, para além das comparações absurdas exploradas pela imprensa portuguesa (também gostava de saber quanto ganha um director de jornal ou um comentador da televisão, mas nunca vi esses dados em lado nenhum..), fazendo o que se chama “torturar estatísticas” até elas darem o resultado pretendido (ou confirmar os nossos preconceitos políticos neoliberais…), os próprios dados referidos não batem certo com a realidade.

Quando deixei o ensino há uns três anos estava no topo da carreira, embora tivesse sido criado então um novo escalão (eu estava no 10º escalão de então, passei para o 9ª, ganhando o mesmo, e foi criado um novo 10º escalão, para onde ninguém trasitou, tornando-se um escalão fantasma, que, pelo que sei, continua a existir sem ninguém a “frequentá-lo”).

E é aqui que a falácia da interpretação dos dados do relatório da OCDE se confunde com a pura mentira.

Quando estava no antigo 10º escalão (actual 9º escalão) ganhava cerca de 43 mil euros por ano, dos quais recebi cerca de 29 mil, já que os impostos eram logo descontados no acto de entrega do vencimento (tenho os dados do IRS se for preciso comprovar).

Há ainda que lembrar que, nos anos da troika, houve um corte significativo do vencimento de base , nos subsídios de férias e natal  e um significativo aumento de imposto, pelo que, nos últimos anos que por lá andei, recebia menos de 25 mil euros por ano.

Não percebo onde é que a OCDE foi buscar os 56 400 euros que aquele estudo atribui como vencimento dos professores no topo da carreira em Portugal (contra a média de 51 mil na OCDE) e que justificam a afirmação de que estes ganham mais do que os outros licenciados e do que a média da OCDE no topo da carreira.

É pura mentira!!!

E mesmo que houvesse algum professor no novo 10º escalão, o rendimento bruto (sem descontar impostos) não chega aos 48 mil euros (fazendo as contas por alto!!!!!!).

Só por isso, o actual relatório da OCDE não merece crédito.

Alguém anda a recolher dados errados e a OCDE (e os jornalistas e comentadores portugueses) parece que acreditou neles…

Por cá esperava-se que os jornalistas  e comentadores, que ganham mais que os professores, fizessem, no mínimo, o seu trabalho de investigação.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Tragédia Grega (somos todos gregos!).



A tragédia vivida pelos portugueses no ano passado voltou mais uma vez a repetir-se, desta vez na Grécia.

Embora numa zona com características diferentes daquela onde ocorreu a tragédia em Portugal, a origem foi a mesma.

Para quem continua a desvalorizar as alterações climatéricas, aí está esta tragédia para provar o trágico resultado das mesmas…e a “procissão ainda vai no adro”!

Por cá, voltámos a ver a nossa comunicação social, principalmente a SIC, a tentar recorrer ao mesmo tipo de aproveitamento politico que já tínhamos visto o ano passado.

Desde o “procurar culpados” por um fenómeno imprevisível, (até porque a Grécia é governada pela esquerda e convém alguma contra propaganda politica) , até o tentar mais uma vez fazer um favor ao lobby nacional dos eucaliptos (uma “jornalista”, depois de ouvir um técnico a afirmar que na Grécia a floresta que ardeu era principalmente de uma espécie de pinheiro que potencia incêndios, logo se apressou a concluir, misturando “alhos com bugalhos”, que “afinal por cá andamos a diabolizar o eucalipto”. Felizmente o tal técnico não se deixou enrolar e, apesar de não se poder explicar por “falta de tempo”, ainda conseguiu, apressadamente, desmentir a “inocência” do eucalipto, tentando referir, mas sem tempo para se explicar, que ambas as árvores são perigosas e potenciam a dimensão dos incêndios provocados por fenómenos atmosféricos ou por mão criminosa. Mas o que ficou no ouvido foi a desculpabilização da jornalista em relação ao eucalipto…).

Acima do nosso jornalismo de sarjeta deve ser destacada a solidariedade europeia, não só para com a Grécia, mas também para com a Suécia que enfrenta o mesmo tipo de problemas (aqui, a inexistência de vítimas mortais justifica-se pelo tipo de povoamento desse país, onde as florestas estão longe de zonas habitadas).

O que esta tragédia vem demonstrar é, por um lado, a urgência em repensar toda a urbanização e organização florestal da Europa para fazer face à provável e cada vez mais frequente repetição de fenómenos extremos, como os que se registaram em Portugal no ano passado e na Grécia este ano, e, por outro, preparar as populações para essas mudanças climatéricas e melhorar a eficiência dos meios de prevenção e combate a incêndios.

Uma estratégia que tem de ser pensada, para já à escala Europeia, mas, cada vez mais, à escala global.

Neste momento o mais urgente é salvar os vivos e enterrar os mortos.

Por estes dias, devemos ser todos solidários.

 SOMOS TODOS GREGOS!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Um título ignóbil!



Pensava que tinha comprado o “Público”. Afinal comprei o “Correio da Manha” disfarçado do jornal “Público”.

Foi essa a impressão com que fiquei ao ler o título de primeira página da edição de ontem, confrontando-a com a entrevista no interior das suas páginas.

De facto, todo o título é um programa de desinformação e de aviltamento sobre uma classe profissional.

Ao ler a entrevista não vejo nela a intenção desse título, por parte do entrevistado.

Quem ler a primeira página fica com a idéia de um  Ministro das Finanças a tentar rebaixar uma classe profissional.

Ou seja, fica a idéia que o Ministro das Finanças procura desvalorizar os professores, recorrendo à velha atitude “passos-coelhista” de atirar classes profissionais umas como outras, confrontando os “privilégios” de uns com a situação da “maioria”.

Ao ler o título, a idéia que fica é a de os professores querem ser tratados como privilegiados, atitude à qual o Ministro das Finanças responde com um “Orçamento que é para todos os portugueses”.

E foi isto que esteve na origem de mais um dia de comentários para desacreditar toda uma classe profissional, motivando até a interrupção das férias algarvias de Miguel Sousa Tavares, que se deu ao “incómodo” de se deslocar aos estúdios em Faro da SIC para mais uma sessão de “malhação” no seu ódio de estimação, os professores, atitude que provavelmente já lhe pagou essas mesmas férias.

Contudo, quem ler a entrevista, percebe que aquele sentido que o Público pretende dar no título de primeira página não é, de todo, o sentido dado pelo Ministro na entrevista.

Percebe-se que a orientação da entrevista procura justificar aquele título, como se este já tivesse escrito antes da entrevista, e agora fosse necessário encontrar justificação para o mesmo.

Numa entrevista sobre o próximo Orçamento, as primeiras sete (7!!!) perguntas centram-se na questão da recuperação do tempo de serviço dos professores. A todas elas o Ministro responde com a sua conhecida cautela, remetendo para a abertura de negociações e respondendo, obviamente, com a idéia de um Orçamento que tem de ser pensado para o conjunto dos portugueses, mas sem negar a especificidade de cada situação.

Tanto assim foi que os jornalistas, não conseguindo justificar o título que parecia previamente escolhido, acabam por reconhecer que “Portanto, o tema dos professores não é determinante no quadro do OE?”, respondendo o Ministro que “O OE é um exercício complexo e para todos os portugueses (…). Ninguém iria entender que não fizéssemos exactamente isto , portanto, não gostaria de singularizar num só tópico”, preocupação que continua a ser manifestada quando mais à frente se fala de salários na Função Pública, aumento de pensões ou investimento no Serviço Nacional de Saúde.

Ou seja, não se percebe aquele título, a não ser numa tentativa desonesta e forçada de virar o público contra os professores.

Na lógica de manipulação de informação daquele título, este podia ser: “Médico? “O OE é para todos os portugueses”…ou “Pensionistas? “ O OE é para todos os portugueses”…ou “Funcionários Públicos? “O OE é para todos os portugueses”….e tudo o mais que a manipulação jornalística do ´Público” do Dinis quisesse imaginar…

Uma vergonha…

Leitor desde o primeiro número daquele jornal, tenho-me sentido cada vez mais defraudado desde que o jornal foi tomado pela gente o “Observador”, como o David Dinis e o Diogo Queirós de Andrade…felizmente estes vão deixar o jornal, esperando que o “Público” retome rapidamente a sua qualidade como jornal de referência e credível.

terça-feira, 19 de junho de 2018

As “Corporações” e os sindicatos.



Não deixam de ser irónicas as acusações feitas, às justas reivindicações sindicais, como sendo “corporativas”.

Essas acusações partem de três dos grupos mais “corporativos” que existem na nossa democracia, o dos comentadores/jornalistas, a dos políticos/comentadores e a dos economistas/gestores financeiros.

Se existem grupos que em Portugal se comportam de modo corporativo é o dos jornalistas, dos políticos e dos lideres económico/financeiros, que muitas vezes se confundem no mesmo percurso de vida e/ou na ligação aos grandes meios de comunicação.

 Uma simples crítica a um deles é encarada como um ataque vil a todo o grupo, e quem o fizer, justamente ou não, enfrentará uma barreira de comentários arrasadores .

Podemos ou não concordar com as reivindicação sindicais, questionar o seu timing ou a  sua justeza, mas tentar confundir lutas e reivindicações sindicais com interesses “corporativos”, não sendo por ignorância, só pode ser classificado como uma boçal manifestação de má-fé,  intolerância e preconceito ideológico.

Os interesses “corporativos” em Portugal, que sobreviveram ao Estado Novo corporativo, estão devidamente identificados e legalizados e não se confundem com os sindicatos.

A confusão só serve como argumento para quem procura destruir a influência dos sindicatos, pilar essencial de um regime democrático.

domingo, 22 de abril de 2018

A SIC ao serviço de …José Sócrates (!!!???).



Pela minha parte não tenho qualquer dúvida sobre a falta de ética de José Sócrates.

Também acredito que muitas das acusações que se conhecem contra ele são verdadeiras.

Sobre o que penso de José Sócrates, basta explora os nossos tags sob a designação de “anti-Sócrates”, publicado desde que este blog nasceu, em 2008.

Já me questiono é sobre a mediatização do caso.

Aquilo que vi nas reportagens da SIC não mostra nada de novo em relação ao que já se sabia.
A única diferença reside no apelo ao mais reles voyeurismo para aumentar audiências, explorando o mais abjecta tentação do populismo “anticorrupção”. Também já aqui desmascaramos esta tentação num nosso post anterior.

A única coisa de novo foi uma visita às casas de luxo onde viveu José Sócrates em Paris, facto conhecido, mas que agora ganha contornos de “casa dos segredos”.

A outra coisa foi assistir à divulgação ilegal dos interrogatórios, cujo conteúdo já era há muito conhecido, com a diferença que agora assistimos aos mesmos ao vivo, com se de uma telenovela se tratasse.

Aliás, uma jornalista gabava-se e assumia em directo, na SIC, a ilegalidade que cometeu, mas justificava-a com o “interesse público”.

Sempre detestei aqueles que justificam o mau-gosto, a mediocridade e a ilegalidade em nome daquilo que eles acham que é “O gosto do povo” ou como o “interesse público”, como se os jornalistas estivessem acima da lei…

Se, para mim, essas reportagem apenas serviram para aumentar audiências, num canal que atravessa graves dificuldades financeiras, para José Sócrates serviu para se agarrar à ilegalidade do acto e desacreditar a justiça, como já começou a fazer.

Pela minha parte, distingo três coisas: a antipatia que sempre nutri por José Sócrates; a corrupção ética dos actos de José Sócrates (não muito diferente de outros políticos do “centrão”); a necessidade de um julgamento honesto, transparente e fundamento sobre os actos de corrupção de que é acusado.

Não sendo comparável o tipo de ilegalidades de que é acusado José Sócrates que, a provarem-se, devem resultar em penalização exemplar, com o tipo de ilegalidades da SIC, ambas partem de uma mesma origem: a generalizada falta de ética que os envolve a todos, políticos acusados e jornalistas e, até ver, a própria justiça.

Quanto a mim, involuntariamente, ao gabar-se da ilegalidade da divulgação dos interrogatórios, cujas imagens só podem ter sido obtidas com a conivência dos juízes envolvidos, os jornalistas da SIC prestaram um bom serviço a José Sócrates.

Mesmo que esteja queimado politicamente, talvez Sócrates consiga safar os seus milhões e o seu estilo de vida, porque, agora quem fica em cheque é o próprio tribunal, que, além de ter de demonstrar que não pactuou com a ilegalidade da SIC, terá agora de apressar a investigação e o julgamento para mostrar que não resolveu facilitar a vida aos jornalistas porque se encontra num impasse no que se refere à prova dos crimes.

Seguem-se cenas dos próximos capítulos…

terça-feira, 26 de setembro de 2017

As "inventonas" de um jornal de "referência".


O “caso das armas de Tancos” está a tornar-se um dos mais vergonhosos casos do jornalismo português.

Para o jornal “Expresso” qualquer “fonte” serve para “entalar” a “geringonça”.

Depois de ter feito parangona por ter descoberto um morto não registadona tragédia de Pedrogão Grande, aquele jornal volta a repetir o estilo “Correio da Manhã” divulgando um pretenso relatório secreto, elaborado por um “serviço de informação militar” cuja existência  ninguém conhece (ler AQUI a opinião insuspeita de João Miguel Tavares).

Ao que parece estamos mais uma vez perante um caso parecido com o célebre “panama papers”, uma investigação jornalística internacional, representada em Portugal por esse semanário, que anunciou revelações escaldantes sobre a elite politica e económica portuguesa, mas que acabou por “parir um rato”, caindo no esquecimento.

Segui regularmente o Expresso durante os seus primeiros 30 anos de vida e habituei-me a respeitar a credibilidade do seu jornalismo.

Infelizmente essa credibilidade tem andado pelas ruas da amargura, principalmente desde que saíram os seus melhores jornalistas para fundar o “Público”, e, em boa-hora, deixei de comprar esse jornal.

Mas é triste ver a decadência daquele que já foi um grande jornal de referência, onde ainda trabalham alguns grandes jornalistas portugueses, sobrevivendo cada vez mais da exploração das “fake news”…

Que miséria!!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Web Summit versus provincianismo, preconceito e jornalismo de sarjeta


Iniciativas como a Web Summit são iniciativas louváveis e prestigiantes para Portugal.

Infelizmente, a pretexto dessa relevante iniciativa, escrevem-se as maiores alarvidades, assentando, quer no preconceito ideológico, quer na desinformação, quer no mais primário provincianismo.

Foi o que aconteceu com a última crónica do “jornalista” Manuel Carvalho, no jornal Público, intitulada, significativamente, “Este país não épara novos”, na edição de 2 de Novembro de 2016.

O título já é, só por si, um tratado ideológico de desonestidade intelectual, potenciando a idéia de que a inovação e a criatividade é dos “jovens” e o tradicionalismo e o imobilismo é dos “velhos”, dando seguimento a uma idéia de que os “velhos”, impondo a “sua” “cartilha dos direitos” sociais, estão a mais na sociedade, impedindo a sua “modernização” (ouvimos muito disso a propósito do Brexit), como se a modernidade, a inovação tecnológica e a criatividade só se pudessem expandir contra os direitos sociais defendidos pelas “redes clientelares dos sindicatos ou o ensimesmamento da função pública”.

Os sindicatos, a esquerda, ( e alguma direita “rançosa”), o Estado de Direito, a Função Pública são os alvos principais da crónica, escrita a (des)propósito da louvável iniciativa do Web Summit.

Nalguns pontos o seu rancor contra o “público” revela-se até contraditório, quando fala numa “geração que fala inglês” [já não toca piano nem fala francês!!!] “e recebeu NAS UNIVERSIDADE PÚBLICAS [sublinhado nosso] um nível de formação mundial” ( e já agora, não a terá recebido também no ensino público, no básico e no secundário, para aí chegar tão bem preparada???).

Misturando preconceitos ideológicos que, de modo “freudiano”, o “jornalista” defende como uma “visão” que “será sempre facilmente torpedeada com os anátemas do neoliberalismo”, com uma visão provinciana  da inovação tecnológica, no fim do artigo pouco ficamos a saber sobre aquela importante iniciativa e essa, quanto  nós, devia ser a missão do “jornalista”.

Ao opor os “direitos” e os “sindicatos” ao significado daquela iniciativa, o articulista parece querer colar às empresa tecnológicas a imagem, para ele positiva, mas quanto a nós injusta em muitos casos, e em especial entre as empresas representadas naquela iniciativa, segundo  a qual a inovação e a criatividade  implicam e confundem-se com a precariedade no emprego, os salários baixos, o trabalho sem horários e o  torpedeamento de direitos socias.

O título e o pretexto da crónica do “jornalista” é também revelador de um certo provincianismo no modo como alguns encaram as novas tecnologias, como se substituir uma velha máquina registadora por um computador ou um balcão de comércio por uma  plataforma digital fosse, só por si, um sinal de mudança e inovação. Como se a tecnologia não fosse um simples meio ao serviço da   inovação e da criatividade e a “bondade” dessa  tecnologia não dependesse do seu uso.

Não nos surpreende essa opinião, vinda de quem vem, pois já escreveu e disse coisas do género noutras crónicas e intervenções no comentário televisivo, mas desta vez foi longe demais, misturando alhos com bugalhos, servindo-se de modo ideologicamente oportunista de uma  iniciativa louvável para lançar todo o seu rancor contra os “direitos”, os sindicatos, a Função Pública, a “esquerda” e os “velhos”, prestando um mau “serviço público” que devia ser a preocupação central de um jornalismo livre e independente.

Esperamos que esta infeliz crónica não seja um sinal de algum descalabro e desorientação que se tem notado nos últimos tempos no seio do jornal Publico desde a chegada de David Dinis à direcção do jornal (ainda hoje, na sua primeira página, se publica um título apressado e mal informado sobre a ADSE, entretanto desmontado pelo bom jornalismo que, cada vez mais, se faz na Antena 1).

…e esperamos também que apareçam notícias, feitas com rigor jornalístico, realmente esclarecedoras sobre a feliz iniciativa do Web Summit…

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Correio da Manhã - o jornalismo de sarjeta também tem direito à vida…


O jornal “Correio da Manhã” é um nojo em termos jornalísticos, que envergonha o jornalismo português e devia envergonhar quem nele trabalha, pelo menos aqueles que ocupam cargos de chefia.

Copia o pior do que se faz no jornalismo ocidental e, pior do que isso, deu o mote à maior parte do “estilo” jornalístico que campeia na comunicação social televisiva e até já contaminou o jornalismo escrito de “referência”, que usa e abusa dos títulos bombásticos e sensacionalistas para vender papel.

Podem argumentar que o “Correio da Manhã” é o jornal que mais vende em Portugal, e portanto é daquilo que o povo gosta. Mas,para mim, isso não é argumento e só mostra a indigência cultural deste país.

Mas daí a proibir o jornal de dar as notícias no estilo nojento como as costuma dar, vai uma grande distância. Vivemos num país livre e democrático e, desde que não me obriguem a nada, cada um come do que gosta.

O que aconteceu é que aquele jornal, usando um método eticamente reprovável, mas legal, se constituiu como assistentes no processo que decorre contra José Sócrates, tendo acesso ao conteúdo do mesmo para passar a informação para ser publicada do jornal.

Que essa informação seja divulgada fora de contexto, de forma cirúrgica e acompanhada por comentários ou títulos bombásticos que são mera opinião, não espantará ninguém. Esse é o estilo do jornalismo que se faz por aquele lado.

Penso até que o facto do principal “ataque” a Sócrates vir daquele jornal até pode ser uma vantagem para o arguido, tendo a conta a falta de credibilidade do “Correio da Manhã”.

Mas não foi isso que aconteceu e a defesa de José Sócrates resolveu actuar de um modo que se aproxima da simples censura.

O que tudo isto revela de grave é que aquele processo, eticamente reprovável, de ter acesso a processos judiciais é habitualmente usado por aquele jornal  ( e não só) para lançar lama conta qualquer cidadão anónimo deste país que tenha um processo a decorrer em tribunal.

Fosse o arguido um pobre e miserável pequeno delinquente ou pequeno criminoso, daqueles que enchem as páginas daquele jornal, e nada acontecia àquele jornal.

Mas, mesmo aquela situação eticamente reprovável  não é da responsabilidade do “Correio da Manhã”, existe porque é legal e porque a justiça em Portugal funciona com funciona, neste caso, como noutros, muito mal.

Por isso, quanto a nós, mesmo um vómito jornalístico como o “Correio da Manhã” tem direito à vida e deve ser livre de divulgar as alarvidade e do modo alarve e boçal a que nos acostumou, pois é isso que faz parte da sua identidade e  esse é o custo de vivermos em liberdade.