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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Abriu a Caça às Bruxas?


Esta pequena crónica também se podia intitular “porque é que decidi não ir à Festa do Avante,  mas agora até queria ir”.

De facto, revoltado e indignado com a postura do PCP em relação à Ucrânia, situação agravada pela disparatada intervenção da líder parlamentar daquele partido por ocasião da intervenção de Zelensky na nossa Assembleia da República, decidi que este ano, pela primeira vez em muitos anos, não ía à Festa do Avante.

Já expliquei a minha posição AQUI.

Contudo, não posso admitir a criação de um ambiente de caça às bruxas, provocado por comentadeiros televisivos ou por “jornalistas” “Expressivos”.

Um desses idiotas até publicou uma crónica, num jornal dito de referência, intitulada “A Festa de Putin”. Outro sugeria que os artistas a actuar na Festa dessem o que recebem para actuar na Festa, para acompra de armas para a Ucrânia, exemplo que os mesmos, que estão na ribalta a comentar a guerra e que só se tornaram famosos por isso, não fazem com o dinheiro que ganham à custa dos seus comentários de guerra.

Também não concordo com aqueles que dizem que o PCP, e por extensão, a Festa do Avante, se “puseram a jeito”, para justificar o clima intimidatório que se abateu sobre a Festa e os artistas que nela vão actuar. Vi argumentos parecidos para desculpar os ataques às Torres Gémeas ou ao Charlie Hebdo.

Claro que a actuação do PCP tem sido infeliz em relação à criminosa guerra de Putin, mas nunca ouvi ou li, por parte do PCP, qualquer apoio a essa guerra ou ao próprio Putin. Quem o afirma ou é ignorante, e portanto não devia ganhar dinheiro a comentar ou como jornalista, ou então não passa de um arruaceiro, que procura ganhar notoriedade com afirmações incendiárias.

Continuo muito zangado com o PCP, mas agora, face a estes apelos incendiários e criminosos contra a Festa do Avante e contra os artistas que nela vão actuar, até me apetecia ir à Festa.

Só não vou porque, entretanto, já tenho outros compromissos para este fim-de-semana.

Ao contrário da Rússia de Putin e, porque não dizê-lo  sem ambiguidades, da Ucrânia de Zelensky, em Portugal vivemos em liberdade e cada um é livre de ter as posições políticas que quiser, mesmo as mais absurdas, e de ir livremente à Festa do Avante. 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

“Caiu um avião” (!!!)…nos estúdios da TV


No passado Sábado viveram-se horas de pânico…nos estúdios das nossas televisões.

Tudo começou com a CMTV a divulgar a notícia de um avião que estaria em dificuldades sobre os céus da região de Lisboa e que andava às voltas a “despejar combustível”, para poder fazer uma “arriscada” aterragem de emergência no aeroporto de Lisboa.

De imediato os restantes canais, não querendo ficar atrás do alarmismo da CMTV ou da possibilidade de poderem transmitir em directo um avião a despenhar-se sobre Lisboa, começaram a ocupar as suas emissões com o assunto.

Lá desfilaram os habituas “técnicos” e “especialistas”. Felizmente alguns deles eram mesmo técnicos e rapidamente desdramatizaram a situação.

Ninguém se lembrou do estado de ansiedade que essas reportagens podiam provocar junto dos familiares dos passageiros ou até, caso aquelas notícias chegassem a bordo, do pânico que iam provocar a bordo do avião.

Felizmente essas notícias não chegaram aos passageiros, pois os pilotos do avião fizeram aquilo que os jornalistas profissionais não fizeram, que era transmitirem a bordo as informações fiáveis sobre o que se passava.

Mais uma vez, a preocupação da maior parte dos estúdios das nossas televisões não foi informar, mas explorar os sentimentos de medo e desespero, pois são estes que dão audiências.

A informação televisiva, como se sabe, cada vez mais, não tem por objectivo esclarecer e informar, mas explorar os sentimentos mais primários das suas audiências, transformando a informação num espectáculo permanente.

Houve até um canal, a SIC, que chegou ao extremo de “informar” que sabia (a “SIC sabe”) , de “fonte segura”, que o avião ía afocinhar na pista e até já tinha em directo um “especialista em acidentes aéreos” para acompanhar os momentos de aterragem do avião.

Eu próprio fiquei apreensivo e com um aperto no estomago quando vi o avião, da varanda da minha casa, a sobrevoar Torres Vedras para se posicionar para a aterragem, pensando no pânico que devia ir no interior do aparelho.

Afinal, o que aconteceu foi uma situação normal e frequente, em que se seguiram as normas de segurança habituais, reinando a serenidade e a calma entre passageiros, que estavam devidamente informados sobre a situação e que, meia hora depois de resolvido o problema, seguiram viagem.

A concorrência com as falácias e agressividade das redes sociais e pelas audiências televisivas está a retirar credibilidade informativa à maior parte dos canais (com algumas, cada vez mais raras, excepções).

Resta-nos a credibilidade de (alguma) imprensa escrita e da rádio.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Jornalismo ou “rasteirismo”?


Esta primeira página é digna do pior jornalismo que se faz por estas bandas.

Quem se lembrou de fazer uma pergunta, de resposta evidente, ao ministro Pedro Nuno Santos, a não ser para o tentar rasteirar?

Não sei quem foi o dito “jornalista” que lhe fez a pergunta, como se houvesse dúvidas sobre a posição do ministro, mas a dita pergunta é reveladora da baixeza moral e da falta de ética do “jornalista” que a fez, talvez a mando de um qualquer editor sem ética nem escrúpulos.

A ideia de fazer aquela pergunta àquele ministro, parte do pressuposto tendencioso, intolerante e falacioso segundo o qual “tudo o que é de esquerda apoia Putin”.

Que eu saiba, ainda não ouvi ninguém à esquerda a apoiar abertamente, quer a invasão da Ucrânia, quer a politica neo-fascista de Putin contra os próprios russos, apesar da posição dúbia, incompreensível e, em certos pontos, miserável da liderança do PCP em relação ao assunto.

No PS, no Livre e no BE, passando pelos ecologistas e pelos anarquistas, tudo à esquerda, as reacções têm sido, todas, de condenação veemente do criminoso ataque à Ucrânia e do regime neofascista de Putin.

Por isso, aquela pergunta parte de um preconceito segundo o qual, como Pedro Nuno Santos é apontado como o ministro mais “à esquerda” do governo, logo a sua posição em relação à invasão da Ucrânia seria dúbia ou diferente.

Como se Pedro Nuno Santos, que não é, nem primeiro-ministro, nem ministro da Defesa, nem ministro dos negócios estrangeiros, nem ministro da administração interna, tivesse de tomar posição oficial sobre o assunto, posição essa que tem sido tomada todos os dias, quer pelo representante máximo do governo, quer pelos ministros das pastas envolvidas no problema.

Obviamente que, fazendo Pedro Nuno Santos parte do governo que tem apoiado, sem hesitações, as posições da NATO e da EU sobre a criminosa invasão da Ucrânia, aquela pergunta só faz sentido devido à falta de ética do “jornalista” que a fez e da comunicação social que pretende apresentar a resposta do ministro como uma “novidade”.

Haja pachorra e respeito pelos leitores!!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

SIC “apanhada” em excesso de velocidade, ou, uma SIC cada vez mais “radical”!!!


No afã de procurar reportagens cada vez mais populistas, a SIC não tem problema em violar a lei…para mostra violações da lei.

A SIC ( e outros canais que vão atrás do “estilo” arrogante e agressivo desse canal) não se coíbe de confundir “reportagem” com perseguição “pidesca”.

Esse canal de “informação” escolhe os seus alvos de forma selectiva e parcial, recorrendo a todos os meios, de forma impune, e adoçando tudo com  uma narrativa moralista.

Numa reportagem difundida no principio desta semana, o objectivo foi perseguir um dos ódios de estimação desse canal e dos donos dele, o ministro Pedro Nuno Santos (outro dos alvos selectivos tem sido o ministro Eduardo Cabrita), para o “apanhar” em excesso de velocidade.

Não tenho simpatia especial por esses ministros, muito pouca pelo segundo, mas os fins não justificam os meios.

Deram-se mesmo ao trabalho de calcular uma viagem que Pedro Santos fez entre duas localidades, para mostrar o excesso de velocidade da comitiva oficial, ou seja, num percurso, quase todo feito em auto estrada ou via rápida, a deslocação foi feita uma média ligeiramente superior a 135Km/hora.

Para dar uns ares de “objectividade”, recorrendo aos manuais das escolas de jornalismo, a reportagem foi ver a lei e esta permite que as comitivas oficiais se desloquem sem limite de velocidade, tal como acontece com serviços de urgência e com os carros de polícia.

Como tinham de encontra alguma coisa que justificasse a reportagem, lá descobriram que a comitiva ministerial, em certos troços do percurso, desligava ou não usava a sinalização de urgência a que a lei obriga.

Só que, para o fazerem, os jornalistas tiveram de, eles próprios, violar a lei, deslocando-se em excesso de velocidade, que os mesmos, não sei se por ingenuidade se por pura arrogância e sentido de impunidade, resolveram exibir e filmar, mostrando o registo de velocidade do automóvel em que os mesmos se deslocavam, chegando mesmo a ultrapassar o carro do ministro.

Contudo “esqueceram-se” de um pormenor!!

Os “jornalistas” não estão incluídos na excepção da lei.

Ou seja, o ministro violou, parcialmente, a lei num ponto, ao não assinalar, ocasionalmente, o serviço de urgência.

Já os “jornalistas” violaram toda a lei, já que estão sujeitos às regras do comum dos condutores.

Por menos do que isso já eu tive de pagar uma multa de 200 euros, fiquei com dois pontos a menos na carta e ainda tive a carta cativada por 6 meses, com pena suspensa (era uma noite de chuva, ía a 110Km numa via dupla, de cerca de 100 metros, com separador central, de aceso a uma auto-estrada, com uma unica saida para um posto de gasolina, onde havia um radar e um sinal, escondido por um arbusto, indicando um limite de 70 Km/hora...) .

Quem violou a lei, de forma gritante, e ainda por cima exibido-o impunemente, foram os “jornalistas” da SIC!!

Espero que esse afã moralista, em perseguir ministros, para os apanhar em falta, continue tão empenhado quando, um dia destes, que espero que venha longe,  tivermos ministros da cor política dos donos da SIC.

E já agora, uma prova da “objectividade” desse “jornalismo” seria perseguir, do mesmo modo pidesco, Carlos Moedas, Cavaco Silva, Paulo Rangel, Rui Rio ou Passos Coelho, quando estes se deslocam para cerimónias publicas ou oficias!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Mais um “servicinho” do Expresso ao Chega


Este é mais um daqueles títulos falaciosos e tendenciosos, à “correio da manhã”,  a que o Expresso nos tem vindo a habituar nas últimas duas décadas.

Está feito para dar força à voz daqueles que não acreditam no regime democrático e que procuram todos os argumentos para o denegrir.

O título não é inocente, serve para alimentar o comentário fácil de cinco tipos de gente que convive mal com a democracia e os seus defeitos:

- os saudosos da “democracia orgânica” do Estado Novo;

- os saudosos das “democracias populares” de triste memória;

- os ultra neoliberais  que acham que a “verdadeira democracia” só existe com a total privatização da economia e sem direitos sociais;

- os defensores de uma “IV República” para os “portugueses de bem”;

- os anarcas de todas as tendências, estes talvez os únicos bem intencionados.

Para todos esses, por razões diferentes, não havendo uma “democracia plena”, então a democracia em que vivemos não merece ser defendida.

Contudo, olhando com atenção para os dados da sondagem em causa, os resultados não são exactamente aqueles que o título falacioso do Expresso pretende.

De facto, se me colocassem a  questão, eu responderia aquela que foi, de facto, a opção mais votada: “Portugal é uma democracia…apesar de ter pequenos defeitos” (47% dos inquiridos).

Não foi idêntica a essa a reposta de Churchill,  uma das figuras mítica da democracia liberal?

Aliás, não deixa também de ser estranho que o dito inquérito não inclua a possibilidade de uma resposta intermédia, entre o de a democracia “ter pequenos defeitos” e o de a democracia ter “muitos defeitos”.

Para mim, a mais correcto era, exactamente, a resposta intermédia, inexistente nesse inquérito algo tendencioso : “Portugal é uma democracia com ALGUNS defeitos”, e por isso é preciso lutar todos os dias por melhorá-la, em vez a denegrir.

O título correcto, se não houvesse intensão de  manipular a informação, era " 57% acreditam que Portugal é uma democracia plena ou com pequenos defeitos".

Mas isso pouco interessa aos responsáveis pelo tendencioso título do Expresso, mais um bom contributo para a “causa” do Chega e afins.

sexta-feira, 12 de março de 2021

“Marcelotólogos”


Antigamente, nos tempos da União Soviética, uma sociedade fechada e censurada, desenvolveu-se no ocidente uma disciplina que procurava interpretar os mais pequenos sinais que pudessem permitir interpretar o que se passava no teatro de aparências em quem se movia a elite governante desse país.

Eram os “sovietólogos”, que procuravam interpretar o significado políticos, por detrás das aparências dos gestos da liderança soviética, fosse uma simples mudança de posição numa fotografia oficial, fosse o longo desaparecimento de alguma figura pública das primeiras páginas da imprensa oficial, fosse uma palavra a mais ou a menos num discurso político.

Claro que, tal como em todas “profissões” terminadas em “ólogos” (astrólogos , politólogos…), umas vezes acertavam, outras vezes enganavam-se, mas a actividade devia dar bons empregos na comunicação social, tal a profusão de “sovietólogos”.

Claro que hoje já ninguém se lembra que tais mentes iluminadas nunca previram um Gorbachev , ou o rápido fim da União Soviética.

Contudo, parece que tais “especialistas” estão hoje de regresso com outras vestes, outros fins e outros objectos de “estudo”.

São os “Marcelotólogos”, que se revelaram ontem ao mundo, a tentar especular, cada um com a teoria mais absurda, sobre a razão porque Marcelo Rebelo de Sousa não falou ontem ao país acerca das medidas do “plano de reabertura progressiva” (erradamente referido como “medidas de desconfinamento”).

Hoje uma jornalista abordava o presidente, que está numa visita de Estado em Roma, pondo na boca dos “portugueses” uma dúvida que apenas surgiu na cabeça dos “marcelotólogos”, a ideia que o silêncio do presidente era um “sinal” (dos “céus”!!!) da sua divergência com o governo.

Marcelo respondeu simplesmente com o óbvio. Não falou porque estava de viagem e, matando logo ali a nova profissão, confirmou a sua concordância com as medidsa ontem anunciadas.

Veremos se chega para acabar com a “disciplina” de “marcelotologia”.!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

E se as “bocas parvas” pagassem imposto?


Sempre achei as opiniões dessa senhora um bocado "parvas", mas agora bateu no fundo.

Se calhar está a propor que sejam, mais uma vez, os mesmos do costume a "pagar a crise", retomando um velho slogan da extrema-esquerda.

Esquece-se a dita senhora que são os tais "burgueses" os únicos que pagam impostos realmente proporcionais ao seu rendimento, porque, os outros, ou fogem para os paraísos fiscais ou declaram o mínimo daquilo que realmente ganham, como acontece nalguns sectores que agora andam aí muito queixosos, porque "só" vão receber ajudas da "bazuka" em proporção com aquilo que sempre declararam ao fisco e não àquilo que estavam habituados a lucrar na realidade, não declarando ou recorrendo ao trabalho precário e mal pago.

Mas é exactamente a esses “queixosos” que a dita comentadeira pretende que se  pague, com a sua proposta  do assalto à classe média, como se depreende das sua palavras , defendendo que “as receitas perdidas nos restaurantes resolvem-se com dinheiro” , o tal que ela propõe tirar aos “burgueses”, talvez por sugestão de algum “chef” amigo, um dos tais que foge aos impostos, paga miseravelmente aos seus “colaboradores” e mantem-nos em trabalho precário.

Também se queixa da falta de generosidade do governo em relação a esse sector. Mas é apenas em relação a esse sector, e tem sido apenas este governo a ser pouco generoso?

Esquece-se a dita senhora que as chamadas "classes médias", as que já pagaram os desvarios de corrupção “socrática” e o "ir além da troika" passoscoelhista, para salvar o corrupto sector financeiro, não têm conhecido outra coisa, ao longo dos últimos 20 anos,  que não seja cortes nos seus rendimentos e aumento de impostos.

Para além disso,  o rendimento médio dessa "burguesia", a que sustenta o país com o pagamento regular de impostos, é miserável, comparado com os países do euro, já para não falar na situação da maioria da população, a do trabalho precário, a do salário mínimo e a das reformas miseráveis e vergonhosas.

Tenha juízo (provavelmente ganha mais num dia a comentar nos jornais e na televisão, do que um "burguês" do teletrabalho num mês).

Não há pachorra para o tempo de antena que a comunicação social dá a tais "comentadeiros", “achistas e  “tudistas".

O CHEGA agradece tais opiniões incendiárias.

E já agora, que estamos numa de fazer títulos com ideias parvas, aqui vai uma sugestão de graça: e que tal lançar um imposto para a parvoíce?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O Jornalista que mordeu o cão

Recentemente fizeram-me chegar uma lista de conhecidos pivot’s e comentadores televisivos que não têm cartão de jornalista.

A ser verdadeira, ela explica muito daquilo a que temos assistido nalguma comunicação social, principalmente na televisiva, que é aquela que mais influencia a opinião pública.

A reportagem,  o recurso ao contraditório, a investigação da veracidade das fontes é cada vez mais substituída pelo “pé de microfone”, pela arrogância das certezas absolutas, pela provocação mais abjecta para rasteirar quem se pretende destruir, pelo espectáculo da vaidade quase pornográfico,  ou, na “melhor das hipóteses”,  pela mera opinião pessoal, muitas vezes eivada de preconceitos ideológicos, sociais e culturais, disfarçada de pretensa “objectividade”.

A “árvore” é exibida como “floresta”, se servir para a propaganda e para o espectáculo, valendo tudo  para “conquistar audiências”.

Claro que, correndo o risco de incorrer no mesmo erro, na minha opinião continuam a existir bons jornalistas e boas reportagens, mais na imprensa escrita do que na informação televisiva.

Pela minha parte, recomendo os noticiário da RTP2 e da  RTP3, os noticiários da Antena 1 e, na imprensa escrita, o Público, o Diário de Notícias, o Jornal de Letras e as revistas Visão, e alguns debates interessantes da RTP 1 e programas como a "Circulatura do Quadrado" na TVI24, sem esquecer o excelente trabalho da agência LUSA, infelizmente muito ignorado por alguma comunicação social.

O resto, ou é muito manipulado, obedecendo a uma agenda política dos seus donos ou…tem dias!

O problema, nalguma comunicação social, está na política editorial, dominada por “jornalistas” que muitas vezes só chegaram a essas posições depois de darem provas de submissão à “voz do dono”, seja ele a do dinheiro ou a da política. Muitos, aliás, fizeram o seu tirocínio na defesa das políticas da Troika e do ir além da Troika, outros veem mais de trás, do encobrimento da corrupção, dos grandes negócios, do cavaquismo e do socratismo.

É caso para dizer que há “jornalistas” que, do jornalismo, apenas aprenderam a levar a sério a anedota do “homem que mordeu o cão", confundido a parte com o todo, conforme a conveniência e a agenda política do “patrão”.

Há mesmo jornalistas que "mordem" eles mesmos o "cão", só para poderem explorar a reacção do "cão" e criarem "casos" para aumentar audiências.

É costume dizer-se que é nas curvas apertadas que se veem os bons condutores ou que as crises podem trazer o melhor e o pior de nós.

Estra crise está a revelar o pior de uma comunicação social ávida de “sangue” e audiências fáceis.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A entrevista "fofinha" de Sousa Tavares a André Ventura.

 


Na passada 2ª feira a TVI 24 iniciou uma série de entrevistas, conduzidas por Miguel Sousa Tavares, aos candidatos à Presidência.

Para respeitar a ordem crescente da representação parlamentar, o primeiro entrevistado foi André Ventura e a coisa não correu muito bem (ver comentário à mesma AQUI).

De facto Sousa Tavares mostrou-se, mais uma vez, mal preparado e muito condescendente com André Ventura.

Conhecido pela sua agressividade, a roçar a boçalidade e má criação, nos seus comentários e nas entrevistas, principalmente quando tem pela frente alguém de quem não gosta, desta vez viu-se um Sousa Tavares que deixou Ventura à vontade, sem usar o contraditório ou sem questionar aspectos polémicos e até abjectos do discurso do líder do Chega.

O próprio Ventura, tipo esperto, usou muitas vezes argumentos dos comentários populistas do próprio Sousa Tavares para defender as suas miseráveis idéias e calar Sousa Tavares, acrescentando (tratando-o por tu) "como o Miguel sabe" ou "como o Miguel diz".

há muito tempo que questionamos as qualidades jornalísticas de Sousa Tavares.

Embora escreva bem, revela-se quase sempre mal preparado, preconceituoso, parcial, roçando o balofo, nas opiniões que escreve, vivendo muito da fama do passado, granjeada pela sua colaboração na revista "Grande Reportagem".

Veremos se, nas próximas entrevistas, Sousa Tavares vai ser tão "fofinho" e condescendente como foi com André Ventura na passada 2ª feira.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

…Em Fátima (ou… “onde param agora os crítico da Festa do Avante?”)



Começo por esclarecer que não sou um fundamentalista, que anda de régua e esquadro a medir o “distanciamento social” que vê à sua volta,  em fotografias e reportagens televisivas, até porque o ângulo das imagens engana e  pode dar uma idéia errada da proximidade.

Aliás, foi isso, infelizmente, que muitos fizeram com a Festa do Avante, fotografando e filmando de perto para fechar o ângulo.

Pessoalmente também acho que é possível reunir alguns milhares de pessoas em Fátima ,pois o espaço permite um distanciamento social seguro.

Aliás, já aqui defendi várias vezes que o que se fez no 1º de Maio e mais recentemente na Festa do Avante, também se podia fazer em Fátima.

Como se provou por aqueles dois eventos, e como se tem visto agora em Fátima, a organização é rigorosa em garantir o distanciamento e o risco é mínimo.

Quanto muito a minha dúvida pode residir nas aglomerações que podem acontecer fora dos recintos vigiados e controlados.

O exemplo do 1º de Maio mostrou como é que se podiam organizar eventos públicos, com centenas ou milhares de pessoas, em segurança e o modelo tem servido de exemplo, como aconteceu na Festa do Avante, na abertura progressiva dos estádios de futebol ao público e agora em Fátima.

A mim, o que me espanta é o tratamento diferente que foi dado por comentadores, por órgão da comunicação social, pelas  “vedetas médicas” do costume e pelas redes socias à Festa do Avante, e agora ao silêncio sobre o que se passa em Fátima.

Não vimos agora um engraçadinho a oferecer viagens em carros funerários aos participantes, ou grupos de "enfermeiros" a fotografarem-se com dizeres contra o evento, ou "comerciantes" em "pânico" com a chegada de "multidões", ou manifestações de automóvel e de partidos políticos à porta das celebrações, tudo devidamente acompanhado com directos das televisões.

Se restavam dúvidas sobre as razões dos organizadores da Festa do Avante, quando falavam numa campanha orquestrada contra o evento, elas ficaram desfeitas agora, com a reação sectária e intolerantemente diferenciada em relação aos dois eventos por parte desses mesmos, a começar , aliás, pelas própria afirmações do presidente da República em relação aos dois eventos.

Pela nossa parte, consideramos que, pelo menos até agora, é possível a realização de eventos públicos em segurança, desde que se respeitem as regras conhecidas: uso de máscara em contacto com outras pessoas que não sejam da relação habitual, no interior de estabelecimentos públicos e em ruas movimentadas, lavagem e desinfecção de mãos e superfícies (talvez o mais importante) e respeitar o distanciamento proposto pela DGS e pelos organizadores desses evento.

O resto é a demagogia do costume. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Os profetas da desgraça. em tempos de epidemia.

Já existia o jornalismo de sarjeta, agora temos o jornalismo de adivinhação.

Títulos como este podem vender jornais, mas, a fazer fé noutros exemplos, mesmo em jornais ditos de “referência”, estamos mais uma vez a assistir a uma tentativa de lançar o medo e o pânico com base em “estudos” mais que duvidosos ou, no mínimo, tirando conclusões apressadas e abusivas desses “estudos”.

Antigamente tínhamos os curandeiros, adivinhos ou bruxos para explicar fenómenos desconhecidos ou que atemorizavam as populações, muitas vezes usando o medo para lucrarem ou ganharem poder à custa das grandes desgraças.

Nos tempos trágicos do socratismo e da troika tivemos os “estudos” económicos de “especialistas” para justificar as malfeitorias sociais impostas pelas políticas de austeridade.

Houve até um célebre “estudo à OCDE”, fabricado num gabinete da ministra Lurdes Rodrigues para justificar o ataque contra os professores.

Com a epidemia de COVID-19 têm proliferado os “estudos” de “especialistas” com as previsões mais catastróficas sobre essa mesma epidemia, usados com objectivos políticos precisos ou apenas para dar aos seus autores os sempre desejados “15 minutos de fama”.

Previsões catastróficas como as daquele “estudo” norte-americano (ser norte-americano, para a nossa mentalidade provinciana, dá sempre “estatuto” à coisa) também foram divulgadas por “epidemiologistas” locais no início da epidemia, em Março.

Claro que o erro dessas previsões já foi convenientemente esquecido, até porque a nossa memória é curta, e hoje a memória dura o tempo de um Twett ou de um post.

Mas alguns desses “adivinhos” tornaram-se em astros da comunicação social, sem nunca se terem retractado daqueles cálculos falhados, beneficiando da tal memória curta e da espuma dos dias.

Claro que até pode acontecer que, à custa de tanto adivinharem e do uso abusivo de previsões baseadas em cálculos “científicos”, existindo fórmulas estatísticas para todos os gostos, um desses adivinhos acerte um dia nas previsões.

Aconteceu com alguns economistas da nossa praça, décadas a fio a fazerem previsões catastrofistas, acabando por acertar uma vez, na célebre crise de 2008.

De qualquer modo, dizer que em Dezembro vamos ter 20 mil casos diários de COVID-19 e 4 a 8 mil mortos, implicaria que, em apenas três dias, se atingisse um número de infectados igual ao total dos registados desde Março até hoje, ou que, nos próximos 3 meses se multiplique por três ou por cinco o número de mortos registados nos últimos 6 meses. Apesar de tudo este número pode ser um pouco mais realista.

Em Dezembro já ninguém se vai lembrar desta primeira página…a não ser que, como acontece no euromilhões, por tanto nos atirarem com números catastrófico, um dia acertem.

domingo, 28 de junho de 2020

Covid-19 – Como manipular gráficos para aumentar audiências


Um dos desportos favoritos de todo o português que se prese, desde o início da epidemia, é divulgar e construir gráficos estatísticos sobre a evolução do COVID-19, com todo o tipo de comparações, das normais às mais estapafúrdias, usando critérios, dos científicos aos mais absurdos.

As redes sociais, os programas informativos das televisões, as páginas dos jornais e os comentadeiros de serviço enchem-nos com tais gráficos, muitas vezes contraditórios.

Os critérios usados para comparar variam temporalmente, geograficamente  ou de logaritmo, conforme dá mais jeito à teoria de cada um.

Ainda por cima, todos eles cheios de certezas, recomendações e recados.

Vicente Jorge Silva já os topou e, na sua crónica do Públio de hoje intitulada “Confinados, desconfinados, exasperados", acerca da incerteza de cientistas e hesitação de políticos, escreveu:

“Uma das maiores lições (…) que aprendemos com o Covid-19 é a fragilidade e a incerteza dos conhecimentos científicos sobre a pandemia que atinge hoje o mundo inteiro, às quais se junta a desorientação, as contradições e os caos nas respostas políticas que se têm dado ao problema (…).

“Só que a questão não se limita aos cientistas e aos políticos, envolvendo media e comentadores encartados como verificamos em Portugal, cada qual com uma teoria  mais definitiva do que outra – e até contradizendo-se, por vezes, num curto espaço de dias, entre a condenação peremptória do confinamento em nome do direito ao trabalho até à  respectiva aceitação por um período limitado. A prosápia leva alguns deles a ter uma espécie de receita mágica para instrução de políticos e cientistas, com base em edificantes lugares  comuns cuja adopção permitiria a solução de todos os problemas. Não por acaso, referem-se aos males portugueses no campo da epidemia como se a covid-19 fosse um estrito problema nacional (…).

E conclui : “Não se trata de abdicar de uma atitude crítica e de justificar o conformismo (…)”, mas “toda a atenção, vigilância e exigência necessárias não dispensam humildade, bom senso e capacidade de discernimento, evitando o recurso a bodes expiatórios para sustentar a arrogância das nossas opiniões. Não faltam motivos para criticar cientistas e políticos – uns por não chegarem a conclusões, outros por chegarem a conclusões erradas ou atrasadas-, mas é preciso fundamentá-los e não cair na exasperação gratuita de atirar o barro à parede”.

Ora, o que mais temos visto por aí, no “achismo” presumido de amadores torturadores de  dados estatísticos, é falta de “humildade, bom senso e capacidade de discernimentos”, avidamente à procura de bodes expiatórios, manipulando ou forçando dados estatísticos até darem “razão” à sua presunção.

Um dos momentos mais significativos dessa manipulação estatística aconteceu no Jornal da Noite da SIC, na passada 6ª feira.

Rodrigo Guedes de Carvalho apresentou nesse noticiário um gráfico animado mostrando a evolução da mortalidade provocada, a nível mundial, pelo covid-19, em comparação com outras causas de mortalidade. No fim o Covid ultrapassa as mortes por Malária e situa-se num primeiro lugar “destacado”.

Os números estavam correctos, mas, ao eliminar desse gráfico, algumas das mais graves causas da mortalidade a nível mundial, com a única excepção da malária, esse gráfico animado foi a prova cabal como se podem manipular dados estatístico verdadeiros, para realçar o espectáculo de terror gerado à volta do Covid, em nome das audiências.

Por exemplo, a maior parte dos dados apresentados comparativamente como o Covid reportavam-se a situações de pouca mortalidade registadas no primeiro semestre do ano de 2020.

Não estavam lá, por exemplo, o conjunto de doenças transmissíveis que, até esse dia, a nível mundial, já tinham morto cerca de 6 milhões de pessoas, não estavam lá os mortos por cancro, mais de 4 milhões este ano até essa data, não estavam lá os óbitos por fumo, cerca de 2 milhões e meio, os óbitos por alccol, pouco mais de 1 milhão, os mortos por Sida, mais de 800 mil, os mortos em acidente automóvel, mais de 600 mil (dados retirados AQUI).

Das grandes causas de mortalidade, apenas a Malária constava nesse gráfico, talvez porque o total de mortos registado até essa data este ano tivesse sido ultrapassado,  poucos dias antes, pelos mortos por Covid.

Foram assim eliminados desse gráfico (sem indicação das fontes) as principais causa de morte, para não “assombrar” a ascensão do Covid.

Mas a diferença entre a Malária e o Covid também não é tão grande como a manipulação final desse gráfico dava a entender. Até esse dia tinham-se registado 477 952 mortos por Malária, total do ano, e 478 642 pelo Covid.

Ceder ao espectáculo gratuito não é uma grande ajuda para combater a epidemia.

Se não esperamos muito das redes sociais, esperávamos um pouco mais de rigor e seriedade na comunicação social dita de referência.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

COVID-19 : A falácia do “exemplo” sueco.



Para alguns jornalistas e comentadores tudo serve para tentar entalar a acção do governo português no combate à COVID-19.  

Não que, aqui ou ali, não exista um ou outro motivo de crítica, mas essa critica deve ser fundamentada em vez de ser baseada em mitos ou meras mentiras.

Ontem, na entrevista da RTP 1 ao primeiro-ministro, não faltou uma pergunta rasteirosa, mas falaciosa.

Um dos jornalistas tentou “atirar” para a discussão o “exemplo” sueco, uma das falácias que muita “tinta” tem feito correr entre comentadores e nas redes sociais .

Ora, uma das funções do jornalismo, para se diferenciar das fake news a correr em sites malhosos de extrema-direita, é dar a informação correcta.

Bastava ao jornalista ter-se informado sobre os números suecos da COVID-19 para ter evitado ter feito má figura.

Ainda ontem tínhamos consultado os últimos dados divulgados pela OMS e, o que mais nos saltou à vista na consulta desses dados foi o desfazer ou o confirmar de alguns mitos falaciosos que por aí circulam.

Já tinha caído por terra a “superioridade” da acção do governo holandês na acção face ao COVID-19. Está a confirmar-se a mesma falácia em relação à Alemanha.

Mas o caso Sueco, esse então é paradigmático da falsidade dos que andam por aí argumentar, com o falso “exemplo” Sueco.

Vamos então aos números.

Quer a Suécia, quer Portugal têm, mais ou menos, o mesmo número estimado de habitantes em 2019, cerca de 10 milhões e duzentos mil habitantes.

Contudo existem diferenças que até beneficiam a Suécia em relação a Portugal para enfrentar uma crise sanitária como o COVID-19.

Portugal é o terceiro país mais envelhecido da União Europeia, com índice de envelhecimento de 157,4 (nº de idosos por 100 jovens), enquanto a Suécia se fica pelos 118,8 (dados de 2018, retirados da Pordata).

Na Suécia o gasta 10,9% do PIB na saúde, contra os 8,9% de Portugal (dados de 2017).

Talvez uma das diferenças a assinalar é que, em Portugal, até 2017, a vacina da BCG era obrigatória em Portugal, ao contrário da Suécia, onde ela não é obrigatória.

No resto, a Suécia tem um nível de vida melhor que Portugal.

Até ontem , 30 de Outubro, segundo os dados da OMS (que até podem ter 24 horas de atraso), a Suécia tinha 19 621 infectados registados pelo COVID-19 e Portugal 24 322, aparentemente uma ligeira vantagem para a Suécia.

Mas todos os números a partir daí desmentem essa “superioridade”.

Até ontem a Suécia tinha registado 2 355 mortos por COVID-19. Portugal tinha 948 mortos.

É uma diferença abissal, já que esse número dá uma enorme taxa de mortalidade entre suecos, 12% dos infectados, contra os 3,89% do caso português. Ou seja 23,03 mortos por 100 mil habitantes na Suécia, contra 9,21 em Portugal.

Ora, existindo o “mito” (mais um) de que a população mais envelhecida é a mais vulnerável, os números de Portugal “deviam” ser maiores que os suecos.

Se, igualmente, o Sistema de Saúde sueco é “melhor” que o português, esse número  devia ser ainda mais acentuado.

Ora, não é nada disso que se regista. Se não é o envelhecimento, nem o sistema de saúde que explica aquela diferença abissal na mortalidade, a melhor prova dos falhanços das medida só se pode encontrar nas diferentes na medidas tomadas pelos dois países, as únicas  que justificam essa diferença de números, favorável a Portugal.

Ou seja, não é a Suécia que deve servir de exemplo a Portugal, mas o contrário.

terça-feira, 14 de abril de 2020

O vírus do jornalismo de sarjeta.



Admiro, cada vez mais, a “pachorra” da Drª Graça Freitas para aturar a má fé e as perguntas capciosas de alguns “jornalistas”, nas conferências diárias da DGS.

Diga-se mesmo que a postura arrogante de alguns “jornalistas” raia a mais elementar falta de educação.

A maioria nem se identifica, nem perde tempo com um simples bom-dia.

Diga-se, em abono da verdade, que os jornalistas da LUSA são das poucas excepções à regra.

Depois, muitas vezes, não fazem perguntas directas e claras, fazem longas afirmações opinativas, muitas a cheirar a encomendas politicas.

Outras raiam a mais elementar ignorância, sobre a forma como funcionam as estatística e o funcionamento das normas de saúde pública, como certas questões  levantadas sobre “números” e procedimentos.

Na maior parte dos casos raiam a mais elementar má-fé ignorante, na busca de títulos para vender papel.

Uma das coisas que esta  pandemia trás ao de cima é a forma como o vírus do jornalismo de sarjeta se tem vindo a instalar na comunicação social, mesmo na dita de “referência”, sendo o seu comportamento, nessas conferências de imprensa, um espelho dessa triste realidade.

terça-feira, 10 de março de 2020

Expresso : o tablóide das "elites"!




Já há muito que nos temos referido à forma como um jornal de referência, como o “Expresso” se tornou, nos últimos anos, uma espécie de tablóide para elites, políticas e “intelectuais”, recorrendo a títulos bombásticos e tendenciosos que, depois de ler a s notícias no interior, não justificam a escolha desses títulos “à Correio da Manhã”.

Aconteceu nas duas últimas edições.

Numa destacava-se uma afirmação de uma entrevista à Dr.ª Graça Freitas, onde a intenção do jornal com o título era causar alarme social, mas, na entrevista, percebe-se que o título tinha sido intencionalmente tirado do contexto, pois o número referido não era uma previsão, mas um cenário com o qual os médicos e os cientistas têm de trabalhar.

Aliás, faço minhas as palavras da jornalista do Público São José Almeida ("Os vírus que  põem  democracia em risco", Público de 7 de Março de 2020"):
"Sinto-me na obrigação de manifestar solidariedade com Graça Freitas pela situação em que foi colocada pelo Expresso, ao fazer manchete de uma suposta declaração sua sobre o coronavírus, quando, de facto, na entrevista, Graça Freitas se referis a um modelo teórico de cenarização e não à realidade portuguesa actual. Pior. A primeira página do semanário foi divulgada isoladamente, sexta à noite, e usada como argumento no Expresso da Meia-Noite, completamante descontextualizado. Causar alarme público não é função do jornalismo".

O mesmo tipo de manipulação repetiu-se na última edição, desta vez tentando desacreditar a acção da Direcção Geral de Saúde, recorrendo a afirmações “independentes” e “credíveis” dos presidentes das ordens dos médicos e dos enfermeiros, sobejamente conhecidos pelo facciosismo s político dos seus líderes, procurando explorar os pequenos casos que correm mal, como se os jornalistas do “Expresso” fossem a pureza personificada…

Enfim, num momento em que todos devíamos estar a remar para o mesmo lado, o “Expresso” dá mais uma vez um exemplo do que é o jornalismo de sarjeta.

Costuma dizer-se que é nas crises que se revela o melhor e o pior de cada um.

O “Expresso” mostra, com esses tristes exemplos, o que vale!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Os Títulos manipulados do Jornal "Público"

Tal como acontece desde há muito, noutro jornal dito de "referência", o "Expresso", nos últimos tempos, outro jornal  de "referência", o "Público",  usa e abusa da manipulação de títulos de primeira página, com nítida má fé, e meias verdades, apenas com o intuito de provocar reacções de tipo populista.

É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!

Na edição de hoje do Público, o alvo, mais uma vez, diga-se de passagem, é a classe dos professores.

Não admira que um dos jornais que mais apoiou a acção da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores  e endeusou os malfadados e tendenciosos rakings , continue a usar e abusar da má fé.

O título que acima reproduzimos é um abusivo uso de uma meia verdade.

A intenção é dar a ideia que os professores forma beneficiados com uma subida de escalão  apenas num   ano, alimentando todo o tipo de reacções populistas que tanto têm contribuído para desprestigiar uma classe fundamental para o futuro do país.

Aliás, já se começa a ver o resultado desse tipo de campanhas, alimentadas por comentadores e políticos vários, como o dramático envelhecimento de um grupo profissional e a recusa dos mais novos em abraçar tão nobre actividade.

A escolha de um título manipulador e  de má fé como aquele  esquece que esse escalão foi criado há cerca de dez anos, sem que, ao longo de quase outros dez anos, nenhum professor tivesse beneficiado de uma subido de escalão, apesar de ter de se submeter a avaliação interna e frequentar regularmente acções de formação obrigatórias.

Para ser correcto, o título devia dizer que "ao fim de quase dez anos, finalmente alguns professores, com mais experiência e depois de frequentarem dezenas de hora de formação, paga do seu bolso e frequentada nas suas horas livres, começaram a aceder ao escalão a que têm direito"!.

Mas a intenção de grande parte do jornalismo dito de referência não é informar, mas fazer politica faccioso, servindo os interesses económicos e financeiros que os sustentam.

Depois admiram-se de serem "batidos" pelas redes sociais!

terça-feira, 9 de julho de 2019

Vivam todos os anónimos “João Félix” deste país!



Nos últimos dias, quase sempre que abro a televisão par ver as notícias tenho de gramar com minutos infindáveis a ouvir falar da transferência do jovem jogador de futebol João Félix para o Atlético de Madrid.

Não nego as qualidades de tão jovem jogador, também ele vitima da orgia mediática à volta da sua personalidade.

Mas, que raio, não existem notícias mais importantes para debater, abrir telejornais, ocupar páginas de jornais ou o valioso espaço da comunicação social, do que uma transferência milionária?

Em que é que um jovem jogador de futebol de topo é mais importante do que um jovem desportista que ganha medalhas noutras modalidades em torneios internacionais?

E em que é que um jovem jogador de futebol é mais importante do que muitos jovens artistas, cientistas, investigadores, profissionais ou empresários que se destacam por cá e por esse mundo fora, na inovação, criatividade e originalidade, nessas várias áreas da actividade e no conhecimento humano?

A não ser que seja pelos valores envolvidos, valores aos quais nenhum outro jovem que se destaque em qualquer das actividades acima referidas sonha algum dia almejar.

A culpa não é de João Félix, um jovem jogador de futebol realmente talentoso.

A culpa do destaque dado quase exclusivamente a uma actividade e a um desporto como o futebol, é de uma comunicação social medíocre, rendida ao fascínio pelo dinheiro envolvido nesse desporto e preguiçosa a investigar ou divulgar novas realidades.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que  a comunicação social devia estar a fazer há muito tempo era investigar a origem do dinheiro envolvido em transferências milionárias.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que essa mesma comunicação social estava a fazer era explicar-nos porque é que que um jovem e talentoso jogador de futebol ganha num ano aquilo que nem um prémio Nobel vai ganhar numa vida.

É caso para dizer, que vivam os “João Félix” anónimos deste país que, todos os dias, trazem bons resultados desportivos, noutras modalidades que não o futebol profissional,  produzem riqueza e inovação, criam arte, fazem descobertas científicas fundamentais para a melhoria da vida de todos nós, trabalhando em condições precárias e, muitas vezes, com salários miseráveis, muitas vezes , até, gratuitamente.

Estes, como dizia Brecht, são os imprescindíveis, mesmo se continuam anónimos.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A Venezuela e o jornal "Observador" : a manipulação e a mentira é o pior remédio



A jornalista da peça baseou-se em dois filmes caseiros, tecnicamente mal feitos, mas reais, feito por moradores que vivem nas proximidades do local onde se realizou aquela manifestação, apoiantes da oposição, e numa opinião de outro oposicionistas publicada nas redes sociais sobre a veracidadade de um edifício à esquerda da fotografia em causa.

As normas do bom jornalismo exigiam que a jornalista que escreveu o texto começasse, em primeiro lugar, por observar com atenção a fotografia e depois cruzá-la, cuidadosamente, não só com aqueles filmes como com outras fontes minimamente credíveis, tiradas naquele mesmo sitio e naquele mesmo evento.

Foi isso que nós fizemos, recorrendo a várias fotografias que encontrámos na net, em fontes credíveis, tendo posteriormente comparado todas as fotografias obtidas, entre as quais aquela referida na reportagem, com a única que encontramos devidamente identificada, localizada e datada naquele local e momento,  e que nos mereceu confiança, publicada nos jornais espanhóis El País e Publico (foto em baixo).

(Fonte: Agência EFE, El País e Publico esp.)


Se o El País não indica a fonte dessa fotografia, o Público identifica-a como sendo da agência EFE.

Assim, comparando essa fotografia com a referida no “Observador” como “manipulada”, o que encontrámos foi muitos pontos em comum entre ambas, o que mostras que, embora de ângulos diferentes, ambas foram tiradas no mesmo sitio, no mesmo dia e na mesma manifestação.

Encontrámos em comum nessas duas fotografias, garantindo que foram tiradas no mesmo sitio e na mesma altura:

- cores, forma e posição de cartazes em vários locais das fotografias;
- a estrutura de TV ao centro;
-a ponta do cartaz que desce do edifício cor de tijolo escuro à direita;
- as ordem das bandeiras da direita;
- a posição de vários grupos e pessoas.

Fotografia em causa, assinalando a vermelho o que é comum à foto da EFE:

Fotografia da agência EFE de 2 de Fevereiro de 2019, assinalando a vermelho elementos visíveis em comum com a foto de cima, provando que foram ambas tiradas no mesmo dia e na mesma data:



Só essa comparação era suficiente para se concluir que, se aquela fotografia é manipulada, então também a é a publicada pelo El País e pelo Publico, sendo a agência EFE responsável pela manipulação, e portanto todos eles “mentem” e é o “Observador” que diz a verdade. Ou então é a jornalista do “Observador” que não fez o trabalho que, profissionalmente devia ter feito, deixando-se dominar pelos seus preconceitos ideológicos.

Bastava aliás, depois de feito o trabalho, confrontar a agência EFE com essa “descoberta”.

Por sua vez os filmes não servem para por em causa a veracidade ou não daquela fotografia.

Antes de tirar conclusões, era importante saber se os filmes foram feitos no inicio, no auge ou no momento de dispersão daquele evento.

E já agora, se, como se viu, qualquer amador conseguia filmá-lo de um dos edifícios envolventes, porque o não fizeram os profissionais, até porque essa era uma alternativa ao impedimento a que eles estavam sujeitos de não poderem assistirem à manifestação, a acreditar na mesma notícia do “Observador” (afirmação que não é totalmente verdadeira, como veremos mais em baixo).

Vendo bem os filmes, um é filmado do lado oposto da manifestação, no topo contrário da gigantesca avenida, dando para ver que a manifestação se começa a concentrar no fim de um prédio comprido à direita (vendo de trás para a frente da manifestação) e que, a partir daí, até ao palco que mal se vê dessa perspectiva, estão os manifestantes.


Comparação entre a fotografia e a parte de um dos filmes que mostra a rectaguarda da manifestação (a azul o "prédio Comprido" e a preto o fim da manifestação):



No outro filme, feito a partir de um prédio de uma avenida paralela àquela onde se realizou a manifestação, dá para perceber que a maior concentração de manifestantes se dá até ao mesmo prédio acima identificado e até, do lado contrário, ao tal edifício de cor de tijolo.

 Contudo, se a jornalista estivesse atenta, via que, nesse filme,  o prédio que aparece à direita da referida fotografia apresenta a mesma coloração, embora escurecido no filme devido à má qualidade do mesmo, mas desmentindo, involuntariamente, a argumentação do já referido comentário da rede social sobre esse prédio, para tentar desacreditar a veracidade da fotografia.

Resumindo e concluindo, cruzando todos aqueles dados, tanto a fotografia em causa como os filmes revelam-se verdadeiros,  a diferença está no ângulo em que são obtidos e, eventualmente, na hora.

Toda a gente sabe que, se quisermos dar uma idéia que está mais gente numa manifestação do que a que lá está, basta fotografar ou filmar mais em baixo, apertando o enquadramento, ou, se pelo contrário, quisermos dar a idéia que está menos gente do que aquela que se apresenta, basta registar imagens mais de cima, de longe e com um enquadramento mais aberto.

São duas formas de manipulação, mas não permitem negar a veracidade, quer dos filmes, quer da fotografia.

Quanto muito, Maduro faltou à verdade quando afirmou na sua habitual exuberância retórica e demagógica,  que a Avenida estava cheia “de ponta a ponta”.

Mas isso não põe em causa a veracidade da fotografia.

O que é possível confirmar é que aquela Avenida, enorme, estava cheia de manifestantes até ao inicio do prédio em tijoleira, à direita e até ao principio do prédio comprido à esquerda, embora o ângulo da fotografia possa dar ilusão de estar mais gente. Mas essa situação tanto é verdade para aquele caso como o pode ser para as manifestações dos opositores.

Outra meia-verdade da peça jornalística é dizer-se que não estavam presentes testemunhos independentes nessa manifestação e que os jornalistas estrangeiros foram impedidos de assistirem a ela.

Contudo, como se pode ver consultando o jornal argentino “Clarin”, insuspeito de simpatizar com Maduro (como, aliás, o já referido El País), estavam presentes jornalistas das agências internacionais Reuters e AFP (para além da já referida EFE),que tiraram fotos do evento, e os nomes desses fotógrafos, não sei se venezuelanos ou não, mas creditados por essas credíveis agências internacionais, são referidos naquele jornal: Manaure Quinten da Reuters e Yuri Cortez da AFP.

Bastava à jornalista do “Observador” consultar essas agências para confirmar a veracidade dessa fotografia.

Não digo que não tenha havido, e continue a haver, manipulação. Vi fotografias  de apoio a Guaidó de 23 de Janeiro serem referidas como de 2 de Fevereiro (talvez porque esta teve menos gente do que aquela) e vi fotografias de outras manifestações “chavistas” tiradas no mesmo local da de 2 de Fevereiro como se fossem desta data (pois eram comprovadamente maiores, como as de 2013 e 2017 que mostro em baixo).

Manifestação de 11 de Abril de  2013


Manifestação de 19 de Abril de  2017


Ou seja, nenhum dos argumentos usados na peça do “Observador” provam, com fundamento, que a referida fotografia é falsa.

Diga-se que nunca simpatizei nem simpatizo com o chavismo e, muito menos, com Maduro.

Tenho respeito pelo PCP, concordo com esse partido nalguns pontos, mas desaprovo a sua defesa de regimes corruptos e ditatoriais.

Mas é caso para dizer que “não havia necessidade”, até porque a razão não se mede pela quantidade de manifestantes que vão para a rua defender uma causa.

Enfim, à ética e ao trabalho de informação e esclarecimento que se pede a um jornalista, o “Observador” preferiu  a eficácia propagandística e o preconceito ideológica .

É caso para se dizer: Assim se vê… a força da manipulação do “Observador”.