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terça-feira, 30 de abril de 2019

O Dia do “Colaborador”



Na novilíngua neoliberal há um termo bem revelador da tentativa de branqueamento social que essa ideologia pretende impor.

Trata-se da substituição da designação de “Trabalhador” pela de “Colaborador”.

“Colaborador” tem menos peso histórico, social e politico e serve para branquear todos os abusos económicos do neoliberalismo sobre o mundo do trabalho.

“Colaborador” tem um peso paternalista que inibe um “colaborador” de exigir melhores condições de trabalho e de salário.

No fundo  “colaborar” com a entidade patronal é quase um tu cá tu lá com esta entidade e, por isso, um “colaborador” não reivindica nem exige, limita-se a…colaborar!

No fundo um “colaborador” está ao nível do “empreendedor” (outro eufemismo neoliberal para o velho patrão), menos no salário e no poder de decisão.

Um “colaborador” não deve exigir direitos, apenas …colaborar!

Um "colaborador" não tem limite horário para...colaborar!

Um “colaborador” não se deve preocupar com o salário, porque o seu privilégio é …colaborar!

Quem sabe se, em breve, deixamos de ouvir falar em “partidos trabalhistas” e passamos a ouvir falar em “partidos dos colaboradores”.

Ou talvez o Dia do Trabalhador se passe a designar…DIA do COLABORADOR!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Portugueses no Holocausto - uma exposição no CCB

"Trabalhadores Forçados Portugueses no IIIº Reich - memória, responsabilidade, futuro" é o título de uma exposição que está no CCB (sala no 1º andar da entrada sul) e pode ser visitada até 22 de Janeiro de 2018.

A exposição e os vários materiais aí revelados tem por base um trabalho de investigação académico, pioneiro, liderado pelo professor Fernando Rosas, realizado pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com base numa equipa de cinco investigadores, entre eles a torriense Cristina Clímaco.

A exposição revela o uso de trabalhadores forçados para apoiar a economia nazi, não só no esforço militar, mas também por muitas empresa alemãs, alguma ainda existentes.

Entre esses trabalhadores estiveram muitos portugueses e este é o tema fulcral desta exposição, que enquadra a situação destes no contexto da 2ª Guerra.

Embora nem todos os trabalhadores portugueses fossem forçados, muitos acabaram no esquema do trabalho forçado, que usava a rede de mais de 40 mil campos de concentração existentes na "grande Alemanha" como base de recrutamento.

Embora nem todos esses campos fossem campos de extermínio, sabe-se que cerca de 70 portugueses viveram, e muitos morreram, nestes campos.

Esta exposição procura assim homenagear os muitos portugueses que viveram o terror nazi.

A revista Visão História editou um número especial dedicado a esta exposição e que é um excelente auxiliar para acompanhar a visita.

Aqui deixamos algumas imagens dessa exposição.



































terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O Respigo da Semana:Raquel Varela, a Padaria Portuguesa e o Salário Mínimo :


Raquel Varela, a Padaria Portuguesa e o Salário Mínimo :
por Raquel Varela:

“Curtas notas minhas sobre esta polémica da Padaria Portuguesa, que merecia claro mais desenvolvimentos:

“ 1) os patrões não pagam salários, quem paga salários é o trabalho dos trabalhadores - uma parte do que fazem paga o seu salário, a outra fica com o patrão. Ao fim do dia um trabalhador produz 20, entrega ao patrão, que lhe devolve 3 ou 4 - é isso o salário.

“ 2) as pequenas empresas neste país vivem asfixiadas, mas isso não pode ser despejado nas costas de quem trabalha

“ 3) o salário mínimo quando foi criado correspondia a um cálculo médio dos gastos de reprodução dos trabalhadores e suas famílias (casa, roupa, alimentação, etc) - hoje ele não cobre o mínimo

“ 4) o salário médio é que é de facto o salário mínimo - 900 a 1000 euros

“ 5) quem paga o salário real dos empresários que pagam o salário mínimo são os contribuintes portugueses através da Assistência Social

“ 6) A taxa de portugueses a trabalhar a tempo inteiro sem conseguir pagar as contas regulares - excluo dividas - já é superior a 10%.

 “7) É urgente fazer-se um cálculo do que é hoje o verdadeiro salário mínimo. Talvez fosse uma boa ideia os sindicatos juntarem-se, como no Brasil, e encomendar este estudo - no Brasil chama-se Salário Mínimo Necessário.

“ 8) há um projecto interessante do meu colega Professor Pereirinha, do ISEG, que há anos estuda o que chama de Rendimento Adequado.

 “9) o país tem que debater a sério com quem conhece a realidade laboral quais são todas as consequências de ter um salário mínimo actual abaixo da reprodução biológica - estudei o seu impacto nas relações laborais e na segurança social - é devastador, ao contrário do que se diz e insiste, não temos qualquer problema de sustentabilidade da segurança social por causa do envelhecimento, temos sim, um enorme problema da sustentabilidade desta por causa dos baixos salários.

 “10) Portuguesa é a minha padaria, tem 8 metros quadrados, mãe e filha, duas minhotas, uma delas regressada da África do Sul, tem pão de alfarroba, batata doce, erva doce, milho, noz, passas; estão afogadas em impostos, inspecções, pressões. Distribuem delicadeza e sorrisos no bairro. Não é uma cadeia, toda igual, com empregados stressados e exaustos que nem nos olham para a face.

“ Aqui as contas da produtividade e do salário mínimo. Para ser mais exacta se tivesse incorporado o aumento da produtividade seria hoje de 1329 euros.

“ São estudos do Eugénio Rosa, que apesar da ligação com a CGTP e desta com o PC e do PC com o Governo, tem mantido, o economista agora doutorado pelo ISEG, desde a tomada de posse deste governo, uma seriedade assinalável. Criticando e explicando em números o impacto negativo das medidas deste Governo nos trabalhadores, entre elas o aumento dos impostos; que a maioria dos pensionistas não teve aumentos; que a maioria dos assalariados perdeu capacidade de consumo; que o salário mínimo está a alargar-se a um conjunto cada vez maior de trabalhadores. Assim se faz um intelectual sério - defendendo ideias estudadas e demonstradas e não governos, sejam de cor forem.(www.eugeniorosa.com e    eugeniorosa.com)”

Raquel Varela , post no facebook, 29 de Janeiro de 2017
(para um melhor enquadramento do texto, vejam AQUI).

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ordenado Mínimo ou pensamento mínimo?


Anda por aí uma grande agitação nos meios políticos da direita, nas associações de [“grandes”] empresários e entre os pequenos gobelzinhos do comentário político e económico, acerca da possibilidade, defendida à esquerda, de se aumentar o ordenado mínimo em Portugal para os 600 euros.

Fazendo contas, 600 euros de ordenado corresponde a uma “diária” de …30 euros (por 8 horas de trabalho), ou a um valor pouco superior a ….3 euros à hora… (por aqui paga-se entre 5 e 7 euros à hora por tarefas domésticas não qualificadas…).

Tal preocupação revela-se assim um pensamento miserabilista, ainda por cima, vindo de políticos que gozam de benefícios e ajudas de custo escandalosas, muitos deles que entraram numa “jota” e nunca fizeram mais nada na vida, a não ser participar em administrações políticas de empresas públicas ou suspeitas, ganhando por reunião ou assinatura várias vezes o ordenado mínimo que agora abominam…

O mesmo miserabilismo revela a opinião dos líderes ou representantes dos empresários, que, nessas associações patronais, apenas representam os grandes empresários e pouco ou nada fizeram pelos pequenos e médios empresários deste país, e que estão à frente de empresas onde geram lucros que comportam bem salários condignos bem acima daquele ainda hipotética proposta de salário mínimo…uma empresa que não consegue pagar aqueles valores não me parece em condições de empregar alguém e, quanto muito, não tem condições para ir além de uma pequena empresa familiar de vão de escada.

Mas o pior de tudo é o miserabilismo de muitos comentadores políticos e de economia que ganham, para debitar opiniões contra o aumento salarial, várias vezes um ordenado mínimo de 600 euros por…15 a 20 minutos de participação televisiva ou por crónica debitada na imprensa escrita…

Tenham a dignidade de, pelo menos, não falarem nos ordenados dos outros quando vivem acima das possibilidades de vida da maior parte dos portugueses.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Salário Mínimo - um caso de indignação


Toda a chantagem feita pelo governo, com o aval da troika e de algum patronato, sobre o aumento do salário mínimo nacional de 485 euros para 500 euros é, no mínimo, abjecta e reveladora do nível ético dessa gente.

É indigno que quase 500 mil trabalhadores em Portugal recebam esse salário mínimo, um salário que resvala a escravatura e, como se sabe, coloca na pobreza milhares de assalariados.

Tenho por mim que qualquer salário inferior a 700 euros é um roubo e uma vergonha nacional.

Em Portugal, o mínimo para se viver com alguma dignidade, mesmo se com horizontes limitados, é um rendimento mensal de mil euros por pessoa adulto, numa família com um máximo de um filho …

Basta fazer as contas. Por estes lados uma empregada de limpeza, uma actividade digna e honrada, mas com pouca qualificação exigida, é paga a 6 euros por hora, o que perfaz o equivalente a um ordenado mensal de 960 euros, tendo por base um horário de trabalho semanal de 40 horas, multiplicado por 4 semanas.

Por isso, ao avançar com um mínimo aceitável de 700 euros de salário , já estou a ser muito benevolente em relação ao pagamento por hora, e partindo do principio que um ordenado certo mensal é sempre mais seguro que um pagamento à hora.


Por isso a discussão sobre um aumento do salário mínimo de 485 para 500 euros é, como o diz Nicolau Santos, na crónica que pode ser lida em baixo, uma vergonha nacional que envergonha patrões, políticos, economistas e toda a burocracia da União Europeia…  

A vergonha dos 500 euros - Expresso.pt (clicar para ler)

terça-feira, 25 de junho de 2013

DESMASCARANDO MENTIRAS - 2 - Portugueses trabalham mais 400 horas que os alemães

A Comissão Europeia, a Dona disto tudo, a srª Merkel, o BCE, O FMI, os comentadores habituais da nossa comunicação social, os pilíticos do regime e os banqueiros que andam a assaltar os nosso bolsos, continuam a repetir até à exaustão a mentira de que os portugueses trabalham pouco e ganham "acima das suas possibilidades", mesmo que todos os relatórios sérios digam exactamente o contrário, com se pode ler na notícia em baixo:

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Hoje era o dia do feriado do Corpo de Deus.

 (Fonte: Público)
Hoje era dia de feriado, o Dia do Corpo de Deus. 

É também o primeiro feriado a sentir o efeito da decisão deste governo em cortar quatro feriados em Portugal, tudo em nome do "desenvolvimento" e da "eficácia" economica.
De lamentar, igualmente, foi a cedência da Igreja aos argumentos do governo para aceitar cortes nos feriados. 

Ora, em pleno século XXI, a produtividade e a eficácia da economia não dependem da quantidade do trabalho, mas da sua qualidade e rentabilidade.

Ao que parece, mesmo com cortes nos feriados, cortes nos salários, aumentos do horário de trabalho, a situação financeira e económica do país vai continuara a agravar-se nos próximos anos.

Estou curios por conhecer um estudo económico que comprove a utilidade da extinção dos feriados.

A demagogia desta gente não tem limites...


sexta-feira, 1 de junho de 2012

ROSTOS DO MAL : António Borges defende: “Diminuir salários não é uma política, é uma urgência” .

António Borges, um dos rostos identificáveis entre os responsáveis pelas  malfeitorias que têm recaido, nos últimos tempos, sobre a vida dos cidadãos europeus em geral, e sobre os cidadãos portugueses em particular, ligado a várias instituições que estão por detrás da actual crise financeira (Banco de Portugal, Goldman Sachs, FMI, Comissão Europeia...), responsável pela criação da União Económica Monetária e pela criação do Euro, projectos de tal modo mal concebidos  que estão a contribuir para destruir a estrutura económica europeia e para agravar as condições de vida dos trabalhadores e dos empresários produtivos da Europa, que acumula vários salários e, provávelmente, algumas reformas chorudas, vem agora defender  a redução de salários, num país que já tem dos mais baixos salários de toda a Europa.

António Borges  diz em voz alta tudo o que as organizações a que está ou esteve ligado (a banca em geral, o FMI, a Comissão Europeia, a Troika, o governo, o PSD...) dizem em voz baixa, mostrando uma total ausêmcia de humanidade, pois devia saber que a situação actual dos salários portugueses já é responsável, quer pelos enormes valores dos índices de pobreza entre assalariados, quer por sermos dos países com maiores desigualdades de rendimentos.

Quem defende tais barbaridades devia começar por dar o exemplo e começar por cortar no seu próprio salalário, defendendo o mesmo para os seus "amigos" do mundo das finanças e da gestão empresarial, que não deviam auferir mais que o salário do Presidente da República, que devia ser o valor de referência para os salários mais altos do nosso país.

Vê-se assim que, para a actual "elite" financeira, económica e política que detem o poder, o rumo para o país é o dos salários baixos e o modelo social é o da China ou da Índia ( só não defendem a escravatura porque...não está na "moda"... ).
 

terça-feira, 1 de maio de 2012

O "Primeiro de Maio" da Jerónimo Martins...à minha porta.

 
Moro numa praceta onde funciona um híper do Pingo Doce e hoje acordei ao som de vozes e carros, situação pouco habitual antes das 9 da manhã e num feriado.
Sei agora que a confusão, que continua a esta hora, com bichas barulhentas de gente à minha porta, se deve a uma promoção daquela rede se hipermercados.
Agora percebi o movimento de empregados nesse estabelecimento ontem à noite – andavam numa azáfama a mudar os preços, para melhor se enganar o “povinho”.
Uma iniciativa que é uma afronta, diria mais, uma provocação da Jerónimo Martins ao espírito do Primeiro de Maio, ainda por cima na época em que vivemos, onde o apelo ao consumo desenfreado e desnecessário deste tipo de campanhas esteve na origem do actual descalabro financeiro do país…
…com a agravante da degradação contínua das condições de trabalho nesse tipo de empresas e com o facto de os lucros deste promoção, em vez de beneficiarem a economia do país, irem beneficiar os off-shores onde essa empresa coloca os seus lucros para fugir aos impostos…
Que forma mais indigna de comemorar este dia…

Campanha de descontos gera confusão nas lojas Pingo Doce - JN (clicar para ler)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mário Monti, o homem de mão da Goldman Sachs em Itália, é o novo heroi neo-liberal

O primeiro-ministro italiano, Mário Monti, homem de mão da Goldman Sachs, está a tornar-se a nova coqueluche dos ideólogos do neo-liberalismo e dos defensores do actual modelo de economia autoritária e sem direitos que nos têm vindo a impor nos últimos anos.

E porquê? Mário Monti que, recorde-se, exerce o seu cargo por nomeação, sem nunca se ter submetido a um processo eleitoral, o que é já de si significativo em relação à Europa actual, descobriu a melhor maneira de dividir o mundo do trabalho e o mundo sindical para conseguir impor um novo modelo de legislação laboral que facilite os despedimentos e desvalorize os salários.

Lançou os trabalhadores e os sindicatos numa luta de gerações: a geração dos precários, contra a geração do “trabalho seguro para a vida”.

Foi uma jogada “inteligente”, já que a actual crise económica e os incomportáveis níveis de desemprego atingem principalmente os mais jovens.

Bastou lançar uma campanha com o apoio de comentadores, economistas e políticos, tentando demonstrar que era o facto de os mais velhos terem empregos “estáveis”, “seguros” e “protegidos” que impedia o emprego dos jovens ou atirava estes para a precaridade, para lançar a confusão no seio dos sindicatos e de parte da esquerda italiana.

A conversa é a do costume: “não há empregos garantidos”, “acabou a era dos empregos para a vida”, “os trabalhadores têm demasiados direitos”, “os salários são altos”.

Ao lançar essas “palavras de ordem” até à exaustão, a mentira, ou a meia-verdade, começa a tornar-se “verdade”.

Com os actuais níveis de desemprego, com a crescente precaridade do emprego, com o abandono dos direitos sociais, com a destruição de um futuro melhor para as gerações mais novas, é fácil lançar a “culpa” sobre os mais velhos e os que continuam empregados.

A direita radical, que hoje não o é do ponto de vista ideológico, cultural ou político, mas pela propaganda anti-social que destila no seu discurso sobre a economia e o mundo do trabalho, conseguiu assim lançar a velha arma da divisão entre os seus potenciais adversários, lançando uns contra os outros e desviando a atenção do verdadeiro problema, que é o da crescente desregulamentação da economia globalizante , o da ganância do mundo financeiro, o do saque generalizado ao bem-estar dos cidadão e aos direitos laborais e a própria evolução tecnológica que, paradoxalmente, em vez de contribuir para melhora as condições socias e humanas, as tem vindo a agravar.

Não deixa de ser curioso que muitos desses que andam a defender Mário Monti, em nome do fim do “trabalho estável para a vida” nunca tenham conhecido outro emprego diferente daquele que arvoram para destilar o seu veneno anti-social: sempre foram comentadores, jornalistas, economistas, políticos ou professores universitários e não se espera que deem o exemplo mudando de emprego e/ou dando o seu lugar aos mais novos…

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PORCA MISÉRIA: Um acordo tendencioso.



Quanto mais se vai conhecendo o conteúdo do documento assinado em concertação social, mais se revela o descalabro do movimento sindical, dos que assinaram e dos que abandonaram.

Tudo o que se sabe representa um tremendo retrocesso social e um desrespeito por quem trabalha.

Se dúvidas houvesse, aí estão todas as medidas anunciadas que penalizam apenas o factor trabalho, abrindo o caminho a propostas patronais ainda mais descaradas e extremistas. A CIP já ameaçou voltar à carga para recuperar a meia-hora de trabalho forçado, agora pela via parlamentar.

Este documento é, realmente, uma declaração de guerra aos trabalhadores deste país, tanto assim que não se vislumbra nele qualquer contrapartida.

Vem assim ao de cima o preconceito ideológico de uma direita radicalizada, que já não precisa de andar a marchar de camisa preta e de braço erguido para se afirmar contra a esquerda e os trabalhadores, pois sente-se bastante melhor com a sua consciência vestindo fato e gravata, bem falante, com grandes justificações cuidadosamente elaboradas, para combater os que trabalham e produzem.

Quando continuam a sair estudos e reportagens que demonstram que a má gestão, a fuga aos impostos, o recurso aos benefícios dos paraísos fiscais, juntamente com o vergonhoso e cada vez mais descarado tráfico de influências entre o poder político, o poder financeiro e o poder das grandes empresas, estão na base da actual crise em Portugal, os comentadores e os políticos ao serviço de tal estado de coisas continuam a insistir na penalização do factor trabalho, na perseguição social aos mais pobres e na marginalização financeira e legislativa das empresas que produzem de facto alguma riqueza para o país.

Infelizmente o movimento sindical deixou-se ultrapassar pela situação.

Uns, a UGT, assinando um autêntico documento suicida para os trabalhadores, desacreditando-se de vez, com essa atitude, no seio destes.

Num acordo tem de haver contrapartidas para os dois lados que o assinam. Não se vislumbra, neste acordo, uma única frase favorecendo aqueles que esse sindicato tem a obrigação de representar. Perante a atitude dessa central sindical, esta deixa de ter qualquer razão para existir.

Outros, a CGTP, que desta vez até tinha mais que razões para não assinar, veio desacreditar a sua atitude pelo facto de passar para a história como uma central que, de recuo em recuo, sempre se recusou a negociar ou a assinar qualquer documento, partindo logo para qualquer negociação com preconceitos ideológicos muito arreigados. Assim, tendo desta vez razão, perde-a em grande parte pela forma como deixou que se lhe colasse a imagem de intransigência.

Ainda por cima abandona as negociações no princípio do processo, quando devia ficar até ao encerramento das negociações, de onde podia sair com mais força, se o fizesse, para contestar o documento final.

Esperemos que este último conselho de concertação social não velha um dia a ser classificado como o início do fim do movimento sindical em Portugal.

Um movimento sindical enfraquecido dará ajo a outras formas de luta cada vez mais descontroladas e extremistas, e ninguém, mesmos aqueles que clamam agora vitória, sairá incólume de uma radicalização descontrolada do protesto social.

Seria bom que os nossos líderes sindicais e os políticos de esquerda reflectissem sobre esta grande derrota para os seus princípios ideológicos.

Não é o fim, mas pode ser o início do fim, por muitos anos, do sonho de uma sociedade mais justa e solidária e o início do salve-se quem puder nesta cada vez maior afirmação de um capitalismo selvagem e despudorado .

CONTRARIANDO "FRASES FEITAS": Trabalha-se muito em Portugal mas a produtividade é baixa.

 ....e a produtividade é baixa porque temos maus gestores à frente das empresas e empresários que não investem em quem trabalha e na inovação...ou será que vão continuar a penalizar o factor trabalho pela fraca produtividade?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Governo e parceiros sociais assinam acordo tripartido - Economia - PUBLICO.PT

 Não espanta que as associações patronais e o governo assinem um acordo como este.

O que espanta é ver a UGT a assiná-lo.

A desculpa que deu é a de que esse era o compromisso com a troika.

Mas uma notícia do Público de hoje chamava a atenção para o facto deste acordo ir muito para além daquilo que a Troika exigia, nomeadamente no que se refere às férias, feriados e horário de trabalho, e tudo em prejuízo de um dos lados.

Também seria normal que uma central sindical assinasse um acordo, desde que existissem nesse acordo  contrapartidas para o quem trabalha. Ora, de tudo o que se sabe sobre o acordo, as medidas tombam todas para o mesmo lado, tudo pelo patronato, nada pelos trabalhadores.

Claro que a habitual posição da CGTP em recusar qualquer tipo de acordo e jogar sempre à defesa também não ajudou e desacredita o próprio lado sindical.

Não há duvida é que este acordo é o maior retrocesso de sempre nos direitos laborais.

Mais uma vez é o elo mais fraco que sofre as consequências de uma crise que não foi provocada por quem trabalha, mas sim pela especulação financeira e pela incapacidade dos governos em combaterem o tráfico de influências, como se viu na semana anterior com as nomeações milionárias para a EDP e as Águas de Portugal e de combaterem a economia paralela e a fuga aos impostos, como se revelava num estudo divulgado ontem. Só o valor desta economia paralela vale cerca de metade do empréstimo da Troika (qualquer coisa como… 40 mil milhões de euros...).

Este é o caminho errado… as consequências vão ser devastadoras.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

FIM DOS FERIADOS E DEMAGOGIA...


Se Portugal produzisse tanto como o que produz em demagogia barata, eramos um país rico.
A moda demagógica mais recente tem como tema o peso dos feriados na economia e a consequente proposta para a extinção dos mesmos.
Há até quem avance “estudos” e números: segundo estes, cada feriado custaria a “módica” quantia de 34 milhões de euros…
O curioso é que, quando da última Greve Geral apontava-se o custo de …740 milhões de euros por um dia sem trabalho.
Mesmo que considerássemos esses números credíveis e sérios, como se explica o desfasamento entre o valor de dois dias de trabalho, um “recuperado” com a abolição do feriado, outro o “custo” de um dia de paralisação por greve?.
Mas há mais: em primeiro lugar aquele número astronómico do custo da greve, tomava em consideração, em primeiro lugar, a hipótese de uma paralisação do país em 100%, depois tomava por base a média diária da divisão do PIB anual por dias de trabalho.
Provavelmente quem procurou tirar a conclusão de que a Greve Geral teria aqueles custos não deve estra habituado a trabalhar. Como toda a gente que trabalha sabe, em vésperas de uma paragem do trabalho, é costume uma antecipação para deixar tudo pronto antes da interrupção, ou então, o que se deixa de fazer por causa de uma qualquer paralisação, obrigará a um esforço suplementar quando se retoma o trabalho.
Além disso, uma média é isso mesmo, há dias em que aquele número pode duplicar ou triplicar, e outros em que aquele número será bastante mais reduzido…
A mesma “verdade” aplica-se ao hipotético valor dos custos dos feriados.
Contudo, durante qualquer paralisação, por greve, feriado, ou por qualquer outro motivo, existem ganhos que, curiosamente nunca são contabilizados: menos gastos energéticos e os ordenados que não se pagam no caso das greves, sectores que beneficiam economicamente com o tempo de lazer, no caso dos feriados.
Já agora, há quem associe os feriados às “pontes”. Também neste caso há muita demagogia à mistura. Em primeiro lugar não é liquido que um trabalhador, da função pública ou não, a possam  fazer com tanta facilidade, com se diz. Um pedido para faltar num dia que faça ponte está, desde há muitos anos, fortemente dificultado. Por outro lado, se conseguir autorização para gozar esse dia, é à custa de um dia de férias. Por isso não sei onde está o problema. Curiosamente os únicos casos que conheço de pessoas que sistematicamente fazem pontes, trabalham no sector privado, em grandes empresas, geralmente multinacionais…
Também existe outro princípio demagógico no meio de toda esta discussão: a de que se trabalha poucas horas ou que, aumentando o tempo de trabalho, se aumenta a produção.
Em primeiro lugar, basta olhar para as estatísticas par se ver que Portugal é um dos países onde se trabalha um maior número de horas, muito mais do que na Alemanha, por exemplo.
Depois, com as novas tecnologias, consegue produzir-se muito mais, e com vantagens, trabalhando menos horas.
O problema que se põe é na gestão do tempo de trabalho. A má qualidade da maior parte da gestão empresarial, essa sim, é responsável pela fraca produtividade do trabalho em Portugal.
Curiosamente (ou não) os demagogos que passam a vida a defender mais trabalho (de preferência  com menos salários) são quase todos administradores e gestores das maiores empresas do país e/ou ocupam ou ocuparam cargos importantes na gestão do país…ou seja, são os principais responsáveis pela má gestão que provoca a falta de produtividade no país…
Por último, está na moda mandar com uns números em milhões para impressionar o “zé pagode” que, quanto muito talvez tenha visto uma vez na vida uma nota de cem euros, para justificar a necessidade de cada vez mais austeridade, mas esquecem-se de dizer(ou, pelo menos procuram desvalorizar a situação) que, dos 70 mil milhões que a “troika” nos vai “emprestar”, e que serão pagos num prazo muito curto, 12 mil milhões vão para a banca, 34 mil milhões para pagar os juros altíssimos e 600 milhões são para pagar as “comissões” aos homens da “troika”…
Por tudo isto parece-me, no mínimo demagógico, no máximo revelador  de uma grande ignorância histórica e cultural por parte dos nossos políticos e alguns comentadores,  a defesa no corte de alguns feriados, como o 5 de Outubro ou o 1º de Dezembro, já para não falar no 25 de Abril ou no  1º de Maios que parecem estar na mira de alguns…